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Recebo com choque a notícia do desaparecimento deste amigo. E passam-me pela cabeça estes quase vinte anos de encontros em várias partes do mundo, também as histórias partilhadas depois dos jantares na sua casa, em Gijón. As histórias dele, ainda no Chile ou já na Europa, eram sempre as mais incríveis.
Amado pelos leitores e pelos amigos: não me recordo de melhor prémio para um escritor e um homem como ele, generoso na escrita e na vida, combativo, sonhador, resistente.
Lucho era o nome pelo qual gostava de ser tratado pelos amigos. Por isso, agora, não consigo chamar-lhe outro nome. Querido Lucho.

Luís Sepúlveda faleceu. Um homem de paixões que a muitos apaixonou(incluo-me efusivamente) com a sua belíssima escrita.
Esteve no Correntes de Escrita em fevereiro e estava internado em Espanha desde o fim desse mês por ter contraído a COVID-19.
Paz à sua alma

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PARIS AVISA – SERÁ O FIM DO EURO
SE SÓ HOLANDA E ALEMANHA PUDEREM INVESTIR
Em entrevista ao Expresso, o ministro francês das Finanças defende a emissão conjunta de dívida com maturidades de “10 ou 20 anos”, para financiar investimentos nos próximos “3 a 5” anos. Le Maire acredita que é possível convencer alemães e holandeses a aceitarem partilhar essa responsabilidade – seja parcial ou totalmente – porque a alternativa pode ser o fim do euro.
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Newsletter diária • 16 abr 2020
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
Edição por Rute Sousa Vasco
Começar uma newsletter sobre o estado da nossa economia com um verso das “Águas de Março” de Tom Jobim, numa canção imortalizada por Elis Regina, só pode ser mesmo fruto de um tempo que em nada tem igual. Mas não deixa de ser acertado para definir o estado de espírito entre o mistério sobre o que irá acontecer (e quando e como) e a ideia de que, por ora, a realidade imediata impõe-se “queira ou não queira”.
Vamos da poesia aos factos.
O ex-ministro das Finanças e economista Miguel Cadilhe defendeu que há empresas que necessitam que o Estado lhes suporte grande parte dos custos, e não de empréstimos que apenas as vão tornar mais endividadas. “Muitas empresas precisam que o Estado lhes pague grande parte dos custos correntes permanentes (laborais e alguns fornecimentos e serviços externos) pelos meses de paragem forçada. Não que lhes aumentem o endividamento”, afirmou.
Na mesma entrevista, Miguel Cadilhe interroga-se ainda pelo facto de o ‘lay-off’ não estar a ser aplicado de igual modo aos trabalhadores do setor privado e do Estado. “Por que razão os trabalhadores do Estado estão a ser mais bem tratados do que os trabalhadores privados?”, pergunta, lembrando que os funcionários do setor privado estão a perder parte do salário em ‘lay-off’ para manter os empregos e no Estado também há milhares de funcionários parados, mas sem a respetiva perda de salário.
É uma amostra das várias frentes em que a crise económica se desdobra numa altura em que o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, estima que venham a estar em lay-off um milhão de trabalhadores. “Isso é bom”, afirmou em entrevista à RTP, “porque a alternativa era termos 500 mil no desemprego”, justificou. Segundo Siza Vieira será precisamente o mecanismo de lay-off a “salvar” Portugal dos números de desemprego avançados pelo FMI e que apontam para 380 mil desempregados em função da pandemia.
Segundo números avançados pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, o número de trabalhadores abrangidos pela medida de ‘lay-off’ simplificado abrange atualmente já mais de 930 mil trabalhadores. Por dimensão, 96% das empresas que solicitaram o regime do ‘lay-off’ simplificado têm até 50 trabalhadores e 79% das empresas têm até 10 trabalhadores. Uma maioria de pequenas e médias empresas.
Enquanto isso, no FMI
Da discussão interna ao que ouvimos fora de portas, nomeadamente nos locais por onde passa, em grande medida, o destino dos apoios que serão dados às empresas e às famílias.
Países devem gastar “tanto quanto puderem” mas “guardar recibo”. Foi o que disse, literalmente, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.
“O que vimos foram os bancos centrais a providenciar liquidez ampla. Oito biliões de dólares [cerca de 7,3 biliões de euros] de medidas orçamentais. Portanto, a nossa mensagem é: gastem tanto quanto puderem, mas guardem os recibos. Não queremos que a contabilidade e a transparência sejam relegadas nesta crise”, disse Kristalina Georgieva numa teleconferência de imprensa do FMI sobre as Perspetivas Económicas Mundiais.
A diretora-geral do FMI pediu para se assegurar que “os apoios para as famílias e empresas existam durante estes meses de economia parada”, sendo medidas como transferências de dinheiro, apoios aos crédito ou mudança de condições do serviço da dívida “todas importantes para assegurar que o sistema financeiro continua a funcionar”.
Para já, o que os números mostram é que vai ser preciso conferir muitos recibos, uma vez que mais de metade dos 189 países-membros do FMI já pediram ajuda financeira à instituição devido à pandemia de covid-19. E a instituição diz que está preparada para usar a totalidade da reserva de emergência de um bilião de dólares (916 mil milhões de euros) disponibilizada para esta situação de crise, por forma a dar resposta a todos.
Empresas e Emprego
É útil saber
A Comissão Europeia recomenda aos Estados-membros que respeitem três critérios prévios para começarem a levantar as restrições impostas no quadro ao combate à covid-19, reiterando o apelo a uma ação coordenada entre os 27. Pode ler aqui quais as recomendações.
Comer e limpar a casa. As prioridades dos portugueses ao fazer compras em tempo de restrições. O consumo caiu, mas comércio online cresceu. Os dados são do barómetro Nielsen.
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Alguém me explica porque é que o número total de óbitos registados na eVM (registo oficial em Portugal actualizado de dez em dez minutos) aponta para que o mês de Março tenha estado em linha com a média dos últimos anos apesar do Covid19? E até na faixa etária dos mais velhos houve anos piores quando comparado com Março ou com a média do trimestre dos últimos anos.Parecem boas notícias mas então o que tal significa?Que com algumas excepções a maioria do número de óbitos se registaria à mesma mesmo que por outro motivo?
Um especialista na leitura de dados disse-me que em Março de 2020, (análise já com base no relatório do INE
https://www.ine.pt/ngt_server/attachfileu.jsp…)
o número de óbitos em Portugal foi praticamente igual ao total médio de óbitos registados em Março dos dois anos anteriores (convém fazer a média dos dois anos anteriores porque um ano pode ser muito atípico, por exemplo devido ao clima).
Se seguirmos os óbitos por 100 mil habitantes (não devemos seguir os números absolutos, porque a estrutura etária vai-se alterando), a mortalidade foi, em 2020, menor (-0,3%) para a totalidade da população. Para o grupo dos 75-84 anos e 85 ou mais anos, a mortalidade no mês de Março 2020 desceu ainda mais (-1,3% e -4,7%, respectivamente).
Confesso que depois disto e do artigo pessimista do tantas vezes Doutorado Pedro Caetano no Observador de ontem,ainda fiquei mais confuso…

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Com os dados ao final do dia de ontem, 14 de Abril, esta é a tabela que ordena os países 25+ em todo o mundo, no tocante à incidência “per capita” da doença e das mortes que provocou. Estes indicadores são calculados à razão de casos-Covid/1M hab. e mortes/1M hab., permitindo estabelecer um padrão de comparação entre países de dimensão populacional muito diferente.
O universo dos 25 países mantém-se estável, havendo apenas alterações pontuais de posições relativas. Desde dia 12, não entra um, nem sai nenhum. Os índices são calculados sobre valores acumulados, o que ajuda a explicar esta estabilidade. O outro factor que explica a estabilidade é que a pandemia está em desenvolvimento em todos eles, apenas em ritmos variáveis e, por vezes, diferentes. Os números sobem para um, mas sobem também para quase todos os outros.
Só não é assim, no caso dos países em que já se está de saída da pandemia: a China (e a sua província de Hubei) e Coreia do Sul. A China, que ainda há um mês e meio dominava este quadro, nem figura nos 25 e vai continuando a baixar na tabela: agora, está nos 68º e 61º lugares – há três dias, estava nos 65º e 58º. A Coreia do Sul estava nas 51ª e 48ª posições, no dia 12; hoje, cotou-se nas 52ª e 49ª.
Portugal manteve os lugares 10º (infectados) e 13º (mortes), a nível mundial. No primeiro caso, abaixo da média da UE, mas bastante acima do indicador médio do continente europeu. No segundo caso, respeitante à mortalidade “per capita”, bastante abaixo tanto da média da UE, como da média da Europa. Como previ, Portugal passou, ontem, totalmente para cima do que chamo o “paradigma de Hubei”, isto é, os indicadores fixados pela província mártir da China. Já estava à frente em número de casos por um milhão de habitantes (Hubei 1.134, Portugal 1.706) e adiantou-se também, ontem, quanto ao número de mortes (Hubei 53,9, Portugal 55,4).
Chamo a atenção para que, nos altos valores atingidos pela UE, pesam não só os casos de Espanha, Itália e França, que têm dominado os noticiários, mas também os de Bélgica e Holanda. Em contrapartida, os EUA, que estão a atravessar um momento muito crítico, estão longe das piores posições a nível mundial, em termos de incidência na população. Os EUA, nesta altura, estão apenas dois lugares (9º e 11º) acima dos ocupados por Portugal.
Outros grandes países que têm aparecido várias vezes em comentários, graças aos seus altos números absolutos e taxas de crescimento, não aparecem sequer nestes 25+, na ponderação do factor população: Turquia, Rússia, Peru, Brasil, Índia. A Turquia talvez entre em breve neste quadro; os outros parecem ainda muito longe de isso acontecer.

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Na China, uma das principais ferramentas utilizadas para controlar os movimentos da população e, assim, combater mais eficazmente a pandemia, é uma aplicação que se tem de ter obrigatoriamente no telemóvel. Através disso, eles sabem quem anda na rua, para onde se desloca e se essa pessoa tem sintomas da doença. Aposto como a China vai começar a exportar o invento em pouco tempo para todo o Mundo…
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REQUIEM PELO DN

ZÉ | Conheço o Zé Ferreira Fernandes desde o dia em que ele entrou na redação do “Tal&Qual”, já na Rodrigo da Fonseca, vindo salvo erro do “Ponto”, um semanário de vida efémera e onde, julgo, o Zé terá dado os seus primeiros passos como jornalista. Dado os primeiros passos e, diga-se em abono da verdade, também dado nas vistas, com aquela sua boa prosa, inteligente, irónica, divertida e que tantas vezes nos soava como música. Acho que isso terá acontecido no inicio de um mês de Dezembro, já não sei de que ano, já que o primeiro “serviço” que lhe destinaram, foi a meias comigo, neste caso concreto irmos contar aos leitores a romagem ao túmulo de Francisco Sá Carneiro no Alto de S. João, por ocasião de um aniversário da sua morte.
Ao longo dos tempos em que estivemos juntos no “Tal&Qual”, e em que ele se foi se foi afirmando como um dos bons repórteres cá do burgo, tivemos as nossas desavenças e pegas, umas mais fortes e duradouras, outras mais fugazes e parvas – não fosse este doce “feitiozinho” com que ambos fomos brindados pela tal Mãe Natureza.
Voltámos a encontrar-nos em Luanda, na “sua” Luanda, em 1992. Não tivemos que fazer as pazes, até porque de todo não estávamos em guerra, mas acho que foi ali, no meio do conflito entre o MPLA e a Unita, que enterrámos alguma desconfiança que podia existia entre ambos, ou seja o nosso “machado de guerra”. Lembro-me bem das notáveis descrições e pequenas histórias de Luanda e das suas gentes que tive a sorte de escutar ao Zé Ferreira Fernandes, ao nível de um “Carnaval do Fogo” que nove anos mais tarde o Ruy Castro iria publicar sobre o Rio.
Voltámos a estar juntos fora de Portugal anos mais tarde, desta feita em João Pessoa – ele como enviado do “Diário de Notícias”, eu a coordenar uma campanha ao governo da Paraíba. E foi ali, num momento que foi difícil para mim, que percebi de que “massa” o Zé era feito, da sua recusa em hipotecar uma amizade por uma “notícia fácil” e no fundo sem interesse, que outro senão a de lhe render os aplausos dos invejosos do costume. Outros não teriam hesitado – mas ao revés…
Nestes anos fomos cruzando-nos por aí, vendo-nos aqui e além, como das vezes que veio a Cascais, uma vez debater com o Ruy Castro a “crónica jornalística”, outra falar e “ver”, a meias com o Hélder Costa, o Maio de 68 meio-século depois.
Hoje soube que o Zé tinha deixado a direção do “Diário de Notícias”, jornal que, já em “estado de coma”, tinha há dois anos e pouco aceite dirigir e tentar “salvar” após ter estado nas mãos de autênticos “carniceiros” como um que, vindo do mundo da bola, o tratou como se uma bola se tratasse – com os pés…
Ao longo este seu “consulado”, o Zé soube recuperar algum do prestigio que o “DN” perdera nos últimos anos, soube fazer com que o matutino da Avenida da Liberdade (que já não é nem diário, nem matutino, nem sequer é da Avenida da Liberdade..) voltasse a mostrar o encanto e o “peso” que conquistou ao longo de décadas, e teve o dom de fazer com que voltasse a contar.
Hoje, a saída do Zé Ferreira Fernandes da direção do “DN”, depois de recebê-lo moribundo, tem um na prática um claro significado – venha quem vier, sucedam as remodelações que sucedam: a morte daquele que foi o grande jornal português.
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QUANDO OS FACTOS FALAM MAIS ALTO DO QUE OS PALPITES.
Hoje pude então fazer o teste que imaginei ontem. Viajar para trás no tempo. Coloco a curva normal de probabilidade de surgimento de sintomas após contágio (média = 5,2 dias) a iniciar-se (dia 1) num evento estatístico. E a curva vai recuando (ou seja, está em espelho, com o dia 14 para a esquerda, o dia 1 à direita). Quanto maior a área abaixo dela, maior a probabilidade de estar aí o efeito. Ou de estar aí o efeito a ser mais forte, se se tiver iniciado antes. Afinal de contas, no caso de comportamentos sociais, não se espera que toda a gente altere os comportamentos num dia, mas sim que comecem a alterá-los num dia e ao longo dos dias mais pessoas os alterem.
Vejo dois percursores possíveis de efeitos: quando o governo anunciou a uma quinta-feira (dia 12) que na segunda-feira não abririam as escolas; e essa própria segunda-feira (dia 16). E dois eventos estatísticos com potencial. O primeiro evento: o momento em que o ritmo de crescimento de casos deixou de ser exponencial puro e começou a abrandar. Colocando aí o dia 1 da curva de probabilidade, vemos que o GROSSO da probabilidade de efeitos está precisamente entre esse dia e o dia do anúncio (anúncio!) do encerramento das escolas, a quinta-feira que fez com que nessa sexta-feira já muita gente se resguardasse (muitos, como eu, já nem mandaram os filhos para a escola).
Olhei então para o outro evento com potencial: o momento em que o ritmo de crescimento de casos deixou de ser uma exponencial atenuada e passou a ser sigmóide, o ritmo a que temos estado desde então. Colocando aí o dia 1 da curva e andando para trás, vemos que, precisamente, o GROSSO da probabilidade de efeitos surge entre esse momento e um percursor: o dia de encerramento das escolas.
Ou seja, AS MEDIDAS FUNCIONAM.
Quanto ao futuro? Bem, hoje o ritmo de evolução mantém-se a meio caminho entre a sigmóide assimétrica (evolução longa, abrandando mas devagarinho, como um travão fraquinho) e a sigmóide simétrica (travagem nos próximos dias). Só que… só se mantém a meio caminho porque a sigmóide simétrica foi atualizada. Se fosse a de ontem, estaria mais longe. Pelo que isto dá mais crédito à possibilidade do crescimento assimétrico ser o que estamos a vivenciar. Veremos. Venha o próximo dia.

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Tinha 94 anos. Não resistiu a um enfarte.
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Como se vê, em proporção à população de cada país, e contando o nº de casos / milhão desde o dia do 1º caso detetado até 14 de abril,
somos um dos piores países do mundo nesta pandemia (claramente abaixo apenas da Espanha).

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