em memória de JOSÉ PAZ

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NO PASSAMENTO DO COMPANHEIRO E AMIGO JOSÉ PAZ RODRIGUES

Alexandre Banhos.

Fundaçom Meendinho

 

 

 

 

Que difícil é falar das pessoas que sentimos por muito tempo tão próximas. De Pepe Paz fica-nos pegado como lapa o seu sorriso luminoso e a sua inocência. Sim ele era num oitenta por cento inocência, num dez por cento malandrice pícara, e noutro dez por cento ingenuidade. Como exemplo de malandrice pícara pois o facto de sempre tirar-se alguns ano ao dizer a idade. Essa sua ingenuidade não lhe impedia conhecer muitíssima gente e saber de todos alguma história ou de que pé andavam coxos.

 

José Paz viu a luz em 1948, um 12 de abril na Corna, uma aldeia da comarca do Carvalhinho, muito perto de Dozom, e lá teve o seu derradeiro descanso. Para ele nascer e estar na escola foi algo que aconteceu praticamente ao mesmo tempo, pois nasceu na escola d’A Corna.

 

Ele adorava a profissão de mestre, adorava as escolas e adorava os alunos, podia estar incansável arrodeado de crianças por horas sem fim, nesse meio estava como o peixe na água. E claro, fixo-se mestre[i].

Desde 1971, dá o salto a que era na altura Escola Normal de Ourense, o centro de formação dos futuros mestres, e quando a sua aposentação, era professor de didática na já Faculdade de Educação da Universidade de Vigo[ii]

 

 

Da sua etapa de mestre, tirou dos companheiros, bons amigos para toda a vida, e por cima de posicionamentos e visões do mundo, a fidelidade com os amigos em Pepe Paz permanecia. Teve vários anos de companheiro de escola a José Luís Baltar, o que andando o tempo se havia de converter em cacique ourensão de velha escola., e a sua amizade permaneceu inquebrável…. Isso era o comum para todos os que tivemos a sorte de tê-lo como amigo.

 

Desde muito novo, uma das suas preocupações, amores e anseios, foi a Galiza, a sua pátria, que se juntou uma paixão que o recozia, os livros, era leitor incansável e procurador de livros em qualquer canto do mundo.

Para todos os seus amigos ele tinha fama de austero e um chisco agarrado, mas quando o assunto eram livros, desaparecia qualquer prevenção ainda que essa prevenção estive-se bem incutida no seu ADN.

A sua biblioteca ou bibliotecas, ultrapassaram mais de 30000 volumes, ele dizia 36000, repartidos em vários locais, a mais grande está nas Galerias Roma em Ourense, mais também na casa da aldeia e noutros locais[iii]. Nos livros havia vários campos de interesse, por um lado os que tinham, a ver com a Galiza e a sua cultura no sentido mais extenso do tema, tinha todo do reintegracionismo,. Por outro os do mundo da didática e o ensino. Estavam também os ligados a sua paixão polo cinema, por isso esteve sempre ligado ao Cine Clube Padre Feijóo de Ourense e a muitos outros cineclubes e federações de cineclubes. E uma última e profunda paixão que era o grande poeta da Bengala, Rabindranath Tagore, de Bangla, como dizia ele que chegou a dominar a língua bengali. Tagore foi objeto do seu demorado estudo, tema da sua tese de doutoramento, estava trabalhando neste momento num livro sobre Tagore e a Lusofonia.

 

O que sentia por Tagore, e essa paixao tagoriana dele, levara-o neste século XXI a ir a universidade fundada por Tagore de Santiniketan[iv], e que descobrira a Índia, toda uma nova paixão, para ele. Começou por ir uns meses a universidade e acabou por passar até oito meses ao ano trabalhando na Índia, trabalhando na universidade, trabalhando com crianças, criando um clube nacionalista galego em Santiniketan…e convidando a amigos e amigas a irem até lá para descobrirem a Índia e a semente frutificada do espírito de Tagore.

 

 

Nos anos 70 do século passado, ele é das primeiras pessoas em enveredar, que o futuro da nossa língua nacional, tem que se enxergar com o português, o galego com sucesso. Galiza, dizia ele, é uma grande Olivença[v]. Entre os seus amigos estavam Issac Alonso Estraviz, Antonio Gil Hernández, José Luís Fontenla, Adela Figueroa Panisse etc, curiosamente nenhum deles discípulo de Carvalho Calero.

 

Pronto adere as Irmandades da Fala da Galiza e Portugal, a primeira entidade reintegracionista que houve na Galiza, afirmando-se como tal. E ele e os demais apostam polo BNPG, e logo BNG, pois politicamente achavam que era a única força com um forte substrato e que não se abaixaria ante os dominadores, nem aceitaria a dominação subliminal do castelhano, a começar pola ortografia do castelhano para a nossa língua, frente à nossa histórica, pois a dependência do castelhano converte-o na norma de correção da nossa língua.

Quando dous anos depois nasceu a AGAL no 1981, ele lá está.

 

Nas primeiras eleições municipais em muitas localidades nas que agiam reintegracionistas no BNG, como em Ponte Vedra, Vigo e outros lugares, realizou-se propaganda pública na norma que gastavam as Irmandades da Fala da Galiza e Portugal. Ele comentava, -Paco Rodrigues e Pilar Garcia Negro, vultos ideológicos do Bloco são reintegracionistas-.

 

Fontenla logo amostrava com estatísticas bem elaboradas, que a propaganda reintegracionista não produzira nenhuma desviação padrão[vi] no voto ao Bloco, com respeito a outros lugares onde a propaganda, fora em temas de escrita bem pacata, ou incluso a leitura era outra, quanto mais pacata menos incidência. Lembro duma assembleia em Compostela onde Fontenla acabou se ganhado o auditório todo.

 

José Paz era desde o começo membro da ASPG (associação socio-pedagógica galega). Em 1980 a associação põe em marcha a revista o Ensino destinada ao mundo do ensino e ao mundo dos professores e dos sindicados na UTEG (Uniom de Trabalhadores do Ensino da Galiza). O número zero aparece em 1980. A revista era quadrimestral

 

O debate sobre o modelo de língua, era bem intenso, acabavam de sair a luz as normas da Comissão estabelecida pola Junta pre-autonómica da Galiza (BOG num. 6 Maio de 1980). O ILG e o governo do estado queriam fazer delas águas de bacalhau. A língua nacional da Galiza, após séculos de exclusão ia entrar no ensino.

 

A revista O Ensino, os seus primeiros números são um tesouro arqueológico dos primórdios do reintegracionismo. A partir do número 4 de 1982, a revista é claramente reintegracionista, e percebe-se que só esse é o futuro de sucesso para a língua. Isso fora o resultado de um grande debate interno, claramente ganhado no seio da associação, em realidade os contrários ao reintegracionismo acabavam usando o simples argumento de que somos galegos e não portugueses.

 

A UPG/BNG decide dar um golpe na ASPG. Realiza-se uma assembleia na que aparece um monte de gente trazido a rebato, que logo nunca mais voltará a aparecer. A assembleia toma carateres incríveis, tira-se qualquer competência aos reintegracionistas, elege-se uma direção ad hoc, Lá se berra, já esta bem, somos galegos e não portugueses, não percebendo que ao berrarem isso, estão dizendo, somos espanhóis e não portugueses.

 

José Paz o grande inocente ficou profundamente abalado, aquela atuação que vinha de viver parecia-lhe incrível, não entendia como se chegara a aquilo, com gentes que diziam para ele uma cousa e agiam no senso contrário.

 

A ASPG passou a ter controlo UPG cento por cento, e o Ensino revista da ASPG, desapareceu por muitos anos, até os anos 90 e com baixíssima frequência, nem nada se realizou fora das jornadas do ensino, nas férias de verão[vii]. Para olharmos onde se acha a linha ganhadora da assembleia é muito boa a entrevista que a atual porta-voz do Bloco deu ao Portal galego da Língua há uns dias. https://pgl.gal/ana-ponton-o-planeamento-linguistico-do-governo-de-feijoo-foi-regressivo/

 

Os reintegrantes ao dia seguinte já estavam agindo, constituíram uma nova associação a ASPGP (associação sociopedagogica Galiza Portugal). A revista Ensino[viii] continuou publicando-se, e aí temos a homens como o tacanho José Paz, achegando recursos e fazendo de angariador, para que a cousa fosse avante. Publicara-se até o número 28, publicou-se outra nova revista de ensino Temas de Ensino, (38 números). Publicarom-se também brochuras de especial divulgação e inúmeras unidades didáticas, não poucas elaboradas por José Paz. Realizaram-se inúmeras jornadas do ensino. E tudo isto a vez que colaborava com outros projetos reintegracionistas como Nós, Cadernos do Povo etc. E os inúmeros meios em que colaborava[ix]

 

No 1994, julho, tivem a honra de compartir com ele 5 dias duma grande viagem a Lisboa, organizado pelos amigos portugueses da revista Portugaliza (dactilografada), A nossa viagem foi de grande impacto mediático em Portugal.

Iamos José Paz, Maria do Carmo Henriquez, Vilhar Trilho, Isaac Alonso Estraviz, Joel R. Gomes. Carlos Garrido, Alberte Garcia Vessada e mais dous reintegrantes que não eram da AGAL, e das que não lembro o nome.

 

Foi muito frutífera a troca com os colegas portugueses, tivemos um acesso aos meios de todo tipo, incrível, e re-encetávamos um caminho, já algo desbravado por outros, e que desde aquela não deixou de se alargar. Além disso estivemos uma tarde com Guerra da Cal e a sua mulher Elsie da Cal, na sua Casa, e logo numa ceia bem fantástica. Mas isso sim, do encontro com a Guerra da Cal, está publicado uma pequena crónica de Joel Rodrigues Gomes na Agália núm. 39[x],.

 

José Paz voltou entusiasmado, com o entusiasmo com o que era agora sócio dos Colóquios da Lusofonia[xi], que tanto tenhem fornecido à Galiza. Existiria a AGLP sem os Colóquios?.

 

 

Em 2007 eu presidia uma equipas que foi eleita para dirigir a AGAL, e ele formava parte da mesma. Muita cousa achegou ao funcionamento da AGAL e desfrutamos do seu dinamismo, e nesse período aconteceu que no ano 2008, teve um problema com La Region. Ele sempre mantivera bom relacionamento com José Luis Outeirinho, o velho proprietário do jornal, e ele garantia ao José Paz, sempre um espaço para os seus artigos, isso sim, limitando bastante o seu tamanho. No 2008, o filho e a filha mandavam no jornal, e decidem eliminar a José Paz de colaborador. Aquilo deixou-o realmente zangado. Digem-lhe, não vai sendo hora de publicares na nossa web. E começou a fazê-lo. Além disso ele colocava-se metas e desenhava futuros artigos muito antes de ser publicados. Vultos da Galiza, Vultos da Lusofonia, Aulas de Cinema. Vultos da Cultura Universal. Só na última etapa do PGL[xii], a atual, escreveu da ordem de 400 artigos, que somados aos das etapas anteriores, andam bem por cima dum milhar.

 

Tinha a sua atividade atual centrada nas colaborações com o PGL que não lhe impediam fazê-lo com outros meios, nem que se reduzi-se a a sua atividade na Fundaçom Meendinho. Aquilo era para ele uma obriga auto-imposta, que se não podia cumprir fazia-o se sentir realmente mal.

 

O 3 de Março foi o seu derradeiro artigo, achava-se realmente mal, e estava pendente de uma operação de coração que era um bocado complicada, pediam-lhe inúmeros analises anteriores, e ele não estava regendo bem, foi internado duas vezes antes de ser operado.

Pediu-me que por favor fala-se com a diretora do PGL, já que não tinha o contato (o dele e a telefonia, daria para um tratado), para informá-la, que suspendia a colaboração, mas que superada a operação ia estar aí trabalhando para que não faltassem os seus estudos e depoimentos no PGL.

 

A segunda feira passada foi operado em Vigo, a quinta feira ele sentia-se realmente bem, a sua filha Núria dera-lhe o telefone para poder ler os correios e tinha-se já disposto a começar a enviar-nos mensagens para informar que tudo ia bem. Enquanto escrevia uma mensagem para amiga Curra, a tarde da quinta feira, o seu coração corajoso e ferrenho, parou.

 

Mas nos nossos corações e mentes ele permanecerá para sempre.

 

[i]Nos anos 90 do século passado montou uma Ludoteca, bem reintegrante e normalizada, num local amplo, que era um porão, mas que ficava alto e luminoso sobre o Barbanha. Estava segundo se passar ponte sobre o rio Barbanha que leva ao bairro do Couto, era no primeiro prédio a direita. Lá ele passava horas a fio do seu tempo livre arrodeado de crianças. Num momento dado a propriedade pareceu-lhe ser aquilo um negócio da China e pediu-lhe um grande acréscimo de renda. Teve que fechar, com muita tristeza, e o local nunca mais ninguém se interessou por ele.

 

[ii]Nesta nota da Academia Galega, da que era membro, está bem resumido o seu percurso profissional

https://www.academiagalega.org/academia/info-atualidade/item/1954-falecimento-do-académico-josé-paz.html

 

[iii]Uma das suas grandes preocupações era de qual ia ser o futuro do seu património bibliográfico, em janeiro realizou um convénio com a Deputação de Ourense, para que esta coloque a disposição do público as suas bibliotecas

https://www.elcorreogallego.es/tendencias/o-profesor-jose-paz-ofrece-as-suas-bibliotecas-a-deputacion-ourensa-CE6042325

 

[iv]https://en.wikipedia.org/wiki/Visva-Bharati_University

 

[v]http://www.olivenca.org/litigio.htm

 

[vi]https://pt.wikipedia.org/wiki/Desvio_padrão

 

[vii]Falando há uns anos com o responsável da ASPG, e de como estanharam todo um processo alegre e combativo pola língua e polo ensino de qualidade que se estava vivendo, Ele disse-me: Não esqueças Alexandre que a ASPG fomos quem negociou o acordo ortográfico, por iniciativa nossa com as gentes do ILG/RAG, e isso foi grande passo avante para o país.

Respondim, foi a vossa rendição a eles, a negociação para aceitar a rendição, e mais quando havia bem tempo, se é que alguma vez se cumpriu, que a prática das normas de mínimos da ASPG, salvo pequenos detalhes e não muito conflitivos, se cumpria.

 

[viii]A revista Ensino é acessível na Universidade da Rioja . Isso sim está mal classificada a quem pertencia e quem eram os editores. E faltam o número 5 e os 23, 24, 25, 26, 27, e28

https://dialnet.unirioja.es/ejemplar/410093

 

[ix]Na página da Academia e na nota sobre ele, há uma longa relação de meios. Eu destacaria pelo seu volume nesta época o jornal La Region,

 

[x]https://a.gal/Agalia/039.pdf

 

[xi]https://www.lusofonias.net

 

[xii]https://pgl.gal/author/Jose_Paz/

 

Governo dos Açores vai rever concurso para Porto Espacial de Santa Maria – Açoriano Oriental

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O presidente do Governo Regional dos Açores afirmou que o executivo vai “atualizar o projeto” para a construção do Porto Espacial de Santa Maria, que não foi adjudicado por exclusão dos dois concorrentes.

Source: Governo dos Açores vai rever concurso para Porto Espacial de Santa Maria – Açoriano Oriental

EUNICE MUNOZ

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Que óptima entrevista. Há gente formidável! Muitos

parabéns

!

"São oitenta anos de gratidão”: a entrevista a Eunice Muñoz | TVI24
TVI24.IOL.PT
“São oitenta anos de gratidão”: a entrevista a Eunice Muñoz | TVI24
Em entrevista a José Alberto Carvalho, na TVI, a atriz revelou os momentos mais marcantes de uma vida nos palcos e apontou ainda o dedo a alguma superficialidade na televisão
You, Fátima Silva, Ana Franco and 1 other
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casas que levitam

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Far Out
May be an image of outdoors
Planet Japan 🇯🇵
Japan is working on developing a special technology that allows homes to rise above ground enough to protect the home in case of earthquakes!
Terry Portugal Costa, Ricardo Pinto DeCastro ECésar and 2 others
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este blogue está a morrer e vai para a reforma ou inferno…

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Visão | A morte não se pensadepois de anos muito agitados, este blogue deixou de justificar as horas que passo aqui a colocar notícias, humor, factos científicos e outros de divulgação da AICL, a sua morte vem sendo anunciada neste mês de abril com menos de 300 visualizações diárias que era o mínimo.

Creio que ao longo de 11 anos cumpriu a sua missão e agora vai reformar-se, sem saber o que lhe vai suceder (ou nada)…ultimamente as notícias tipo CM eram mais vistas do que as notícias mais sérias e cultas.

Visão | A morte não se pensa

 

 

vou experimentar lusofonias.net room https://msngr.com/oqxvjbtowzwh

 

 

Bazant disse ainda que diretrizes de dois metros de distanciamento social que resultaram no fecho de negócios e escolas “não são razoáveis”. Covid: Distanciamento de 2 ou 18 metros oferece o mesmo grau de proteção

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Manter o distanciamento social até 18 metros em espaços fechados não é mais seguro do que estar a apenas dois metros de distância de alguém – sendo o “tempo de exposição” o elemento mais importante, revela um novo estudo realizado por investigadores do Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos.

Source: Covid: Distanciamento de 2 ou 18 metros oferece o mesmo grau de proteção

SANTA MARIA NA ERA ESPACIAL

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May be an image of map, sky and text that says "PORTUGA SPACE Espaço para Recuperar Portugal Manifesto para uma Agenda industrial de Inovação para Espaço no Plano de Recuperação Resiliência: Desenvolvimento de um Ecossistema Espacial em Santa Maria, 2021 -2026"
| ç… ! |
Depois de uma primeira sessão em Lisboa (Teatro Thalia), a ilha de Santa Maria acolhe esta segunda-feira, dia 26 de abril, o evento “ – ”, durante o qual será inaugurada a nova antena de 15 mts instalada na denominada Santa Maria Tracking Station (Teleporto), que funciona numa parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Portuguesa (Portugal Space), com o apoio do Governo Regional dos Açores, da comunidade académica e científica do arquipélago e de empresas do setor espacial.
Este evento, organizado pela Portugal Space, decorrerá no Hotel Santa Maria e contará com as presenças, do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Manuel Heitor), do Presidente do Governo Regional dos Açores (José Manuel Bolieiro), do Presidente da Agência Espacial Portuguesa (Ricardo Conde) e do Diretor de Operações da ESA (Rolf Densing), entre outros ilustres convidados.
A organização deste evento em Santa Maria – que muito deve honrar os Marienses – afirma e consolida, só por si, a importância crucial dos Açores enquanto peça central para a Estratégia Nacional para o Espaço (Portugal Espaço 2030).
Esta Agenda Mobilizadora para o Espaço permitirá dar a conhecer o “Manifesto para uma Agenda Industrial e de Inovação para o Espaço no Plano de Recuperação e Resiliência: Desenvolvimento de um Ecossistema Espacial em Santa Maria, 2021-2026”.
Nesse sentido – e visando o reforço da inovação e industrialização do setor do Espaço – serão dados passos com o objetivo de criar:
– uma parceria para a implementação do projeto “ ” – Portugal Space;
– um plano para a ̧̃ para o projeto e industrialização de estruturas de micro-lançadores;
– uma ̃ ́ para a ESA Tracking Station.
Ao longo do dia, decisores políticos, investigadores e empresários de Portugal e da Europa terão a oportunidade para debater o papel dos sistemas e tecnologias espaciais na recuperação económica de Portugal e da Europa, com o cerne do colóquio a incidir na posição estratégica dos Açores relativamente à indústria espacial nacional e europeia, bem como o seu contributo para essa recuperação económica.
É extraordinário! Sejam todos muito Bem-vindos!
Sandra De Sousa Bairos, Luís Botelho and 28 others
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RELEMBRAR MAX BRIX

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A figura do MAX BRIX ELIZABETH, UMA VIDA DE LIBERDADE LIBERDADE E O “25 DE ABRIL”
“O conceituado fotógrafo, o desportista e o amante da música, da cultura e da liberdade”
MAX BRIX ELIZABETH, nasceu no dia 28 de Dezembro de 1949, às dez e trinta da manhã, no 2º piso do número 95 da Rua Dr. Teófilo Braga, em Vila do Porto, tendo o seu falecimento ocorrido no Centro de Saúde da mesma Vila mariense, no dia 7 de outubro de 2010. Era filho dos artistas circences José Elisabeth e Emma Bertha Brix, pais também de Sónia Elisabeth e Trudi Elisabeth, tendo esta última, também constituido família em Sta Maria, onde aínda reside.
Dos dez filhos de Anastácio Anastasópulo e Lúcia Cardinali, José Elisabeth, nascido em Santiago do Cacém, no Alentejo, caiu em graças de Emma Bertha Brix, natural da cidade de Breslau, Alemanha. Aos 18 anos, Emma, incorporou um circo francês que, mais tarde, em digressão pela Península Ibérica, se instalou no Palácio de Cristal, na Cidade do Porto. Nos arrabaldes estava o circo Cardinali, onde José (Pepe) se instalava com a família, tendo aí conhecido Emma.
Dessa recente paixão, resultou a mudança de Emma para os Cardinali. Casaram-se depois, mantendo-se no entanto no circo, percorrendo o País de lés a lés.
Em 1935, os Cardinali viajaram até São Miguel, nos Açores. Após alguns espetáculos pela ilha, Pepe tem a oportunidade de trocar a vida do circo pela de fotógrafo “a la minute”. Assim o fez. Comprou uma máquina, montou negócio nas portas laterais da igreja Matriz em Ponta Delgada, onde fotografava, simplesmente, para registar uma visita turística aos Açores, ou para envio das fotos às famílias no Canadá ou nos USA, para matar saudades.
Durante a Segunda Grande Guerra paravam, em São Miguel, ingleses e alemães, em barcos que reabasteciam e davam algum movimento à cidade. Nesta altura Pepe explorou, junto ao hotel Terra Nostra nas Furnas, o seu negócio de aluguer de bicicletas. O turismo ecológico ou ocasião. Ainda hoje, pessoas mais idodosas das Furnas o recordam como a figura de vários ofícios, casado com a alemã que aprendia português, mas sem nunca perder aquele sotaque que tanto os divertia.
No inicio dos anos 40, os americanos decidem construir uma base militar em Santa Maria. A ilha era, na época, o “El Dorado”, terra de oportunidades de trabalho para onde confluíam gentes de todo o arquipélago. Movida por essa atração, em 1946 a família Pepe decide mudar residência definitiva para Vila do Porto, nascendo a histórica “Foto Pepe”, assim como, 3 anos depois, também o seu único filho mariense: Max Brix Elizabeth.
Max Brix Elisabeth, inicialmente para se chamar Max Günther Brix Elisabeth (em memória do seu tio Max Günther morto num campo de concentração durante a Segunda Grande Guerra), foi criado em Santa Maria e aí permaneceu até completar 19 anos. Durante este período passou pela Mocidade Portuguesa, fez a 4ª Classe na Escola Primária de Vila do Porto, da qual passou para o Externato de Santa Maria, onde completou o 5º ano.
Em 1969, vai prestar serviço militar alistando-se na Força Aérea, em Lisboa, durante 4 anos, dos quais, os últimos dois foram passados em Angola, na Guerra do Ultramar.
Em 1973, regressa a Lisboa desta vez para trabalhar na Kodak, dando-se inicio à sua carreira no mundo da fotografia. Durante 6 anos aprendeu e aperfeiçoou técnicas fotográficas desde a captura da imagem até à sua revelação.
Rendeu-se aos encantos da vida na Capital, aproveitando e absorvendo toda a sua energia. Juntamente com aqueles amigos, que ficaram para a vida, entre os quais José Medeiros e Bruno Ferreira, com os quais partilhou residência, no número 130 da Avenida Gago Coutinho, explorou Lisboa, Portugal Continental e a Europa, em inúmeras viagens que o levaram, entre outras cidades, a Amesterdão, cidade pela qual ganhou um carinho especial ao deparar-se com uma mentalidade aberta, livre com pouco lugar a preconceitos e discriminações.
No o ano de 1976, regressa a Santa Maria, juntando-se ao seu pai, no negócio da Foto Pepe e iniciando uma vida sócio-cultural, que viria a ser intensa.
Casou-se em 1978 com a mariense Paula Barros, optando por fazer o casamento “romanticamente” na ilha do Corvo, sendo uma cerimónia discreta, só com a assistência dos seus amigos marienses Emanuel e Graça Batista.
Em 1979, nasce o seu primeiro filho, Frederico Barros Brix Elisabeth (atualmente arquiteto) e cinco anos mais tarde completa-se o núcleo familiar com o nascimento do seu filho mais novo, Rui de Barros Brix Elisabeth, hoje já conceituado fotógrafo-artista, com trabalhos de reconhecimento nacional e internacional.
A relevância pública do grande e popular Max, figura humana de fino trato e simpatia, que todos os marienses conheciam e pelo qual nutriam carinho, é sem dúvida ressaltada pela sua ligação à fotografia, à música, ao desporto e também ao património e ao associativismo, passando também pela política, tendo sido meu colega na Assembleia Municipal, representando o PSD, naquela altura.
Falando um pouco dele como pessoa e do seu amor à nossa ilha, cultivava uma relação humana e de proximidade com todas as pessoas, cumprimentado sempre com o seu sorriso peculiar, ouvindo, persuadindo e fundamentalmente dando importância a todos.
Profissionalmente, o Max Brix Elisabeth foi um conceituado empresário do ramo da fotografia, tendo dado continuidade, modernizado e engrandecido a empresa deixada pelo pai – a conhecida “Foto Pepe”, que hoje possui um arquivo fotográfico de elevado interesse público, com cerca de um milhão de fotografias, muitas das quais um verdadeiro património da cultura e vivência de Santa Maria, desde meados do séc. XX.
A nível político, O Max, mesmo perfilando, na altura, cores diferentes das minhas, na Assembleia Municipal, foi sempre um fiel companheiro e aliado incontornável na defesa da identidade e da cultura marienses, pugnando sempre, em conjunto, pela sua defesa, revitalização patrimonial, nomeadamente da zona histórica, mas também da nossa casa típica, moinhos de vento, fornos de loiça, azenhas, assim como pelo reforço de apoios às manifestações da cultura tradicional como grupos folclóricos e banda de música. Marcou a sua atuação pela coerência, bom senso, e independência de pensamento, recusando seguidismos partidários, colocando-se sempre ao lado do que melhor servia Santa Maria.
No campo político, ainda foi candidato à Junta de Freguesia de Vila do Porto pelo PSD, candidato a deputado regional pelo círculo eleitoral de Santa Maria, pelo mesmo partido, e mais tarde pelo do Partido Socialista, tendo sido também membro da Comissão de Honra da Candidatura de Carlos César à Presidência do Governo Regional dos Açores,
Amante da música, aprendeu a tocar diversos instrumentos, entre os quais a guitarra, a bateria e até mesmo o acordeão e fez parte de vários projetos musicais que animavam os bailes do Clube Asas do Atlântico e vários assaltos de carnaval.
Foi um dos relevantes fundadores da Associação Maré de Agosto e, durante cerca de 20 anos, a “alma” deste festival – um dos mais antigos de Portugal e uma das principais referências nacionais neste género de eventos.
Em termos de prestações sócio-comunitárias, o Max integrou órgãos sociais de inúmeras associações, como do Clube Asas do Atlântico, Grupo Desportivo Gonçalo Velho, Associação de Música e Artes dos Arquipélagos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde, Associação Amigos da Praia, Circulo de Amigos de São Lourenço, tendo ainda sido correspondente da RTP-Açores em Santa Maria, e importante fotógrafo-colaborador do Baluarte, disponibilizando fotografias para ilustrar diversos artigos, incluindo alguns dos meus.
No desporto, foi atleta Clube Asas do Atlântico jogando hóquei-em-patins e futebol, assim como do Grupo Desportivo Gonçalo Velho, ao qual dedicou a maior parte do seu tempo como jogador e treinador de futebol, tendo sido posteriormente dirigente, dando sempre exemplos de nobre desportivismo, de lealdade no campo e de respeito pelos adversários.
Pela sua ação no campo desportivo, mas sem dissociar todas as suas prestações sócio-comunitárias, o Max foi homenageado, em 2006, na Gala do Desporto Mariense, tendo sido para mim uma honra lhe ter entregue o galardão de reconhecimento/gratidão, em nome de Sta Maria, perante o aplauso de pé da plateia repleta do histórico “Atlântida Cine”.
Os fundadores da Gala do Desporto Mariense, Zeca Valente e José Melo, por altura do falecimento do Max, juntaram vários amigos e promoveram um torneiro em sua homenagem, antecedido de um pequeno discurso sobre a sua obra e da entrega de uma salva memorial, à sua esposa.
O Max era um verdadeiro embaixador de Santa Maria no exterior e um grande promotor e divulgador das suas riquezas, belezas e grandezas culturais, paisagísticas e humanas.
O Max amava incondicionalmente Santa Maria e as suas gentes, ostentando o seu orgulho de ser “cagarro”, através das suas magníficas fotos, nas apaixonadas conversas e até no toque do seu telemóvel, que emitia o canto peculiar daquela ave, quando recebia chamadas.
O Max deixou saudades e referências tanto aos adultos como aos jovens, aos menos abonados e aos mais despojados porque SOUBE SER: ser um homem modesto e distinto, erradiador de sorriso e simpatia para com todos, ser amante da liberdade e da tolerância, mas firme nas convicções e valores que defendia; porque SOUBE ESTAR, estar sempre ao lado de Santa Maria, no seu pulsar, no seu borbulhar diurno e noturno, estar nos seus acontecimentos de vulto, apoiando, estimulando e incentivando projetos; porque SOUBE FAZER: fazer na sequência do seu pai, um espólio documental ímpar da sua ilha, um tesouro inestimável para a memória coletiva e história de Santa Maria, trabalhou despojada e incansavelmente na criação de eventos culturais que atualmente referenciam a nossa terra, e “distribuiu-se” por diversas associações, dando um exemplo singular de participação cívica e de entrega às causas públicas, que tanto falta à nossa terra.
Porque as pessoas só morrem quando nos esquecemos delas, em nome de Santa Maria e dos marienses, desejo perpetuar a sua memória e mostrar gratidão, pelos seus préstimos e legado, incluindo-o na galeria do PATRIMÓNIO HUMANO DE STA MARIA.
– José de Andrade Melo
CADEP-CN* de Sta Maria
(Clube dos Amigos e Defensores do Património-Cultural e Natural)
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José Melo
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Rui Arruda
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Rubrica: PATRIMÓNIO HUMANO DE SANTA MARIA
A figura do MAX BRIX ELIZABETH
“O conceituado fotógrafo, o desportista e o amante da música, da cultura e da liberdade”
MAX BRIX ELIZABETH, nasceu no dia 28 de Dezembro de 1949, às dez e trinta da manhã, no 2º piso do número 95 da Rua Dr. Teófilo Braga, em Vila do Porto, tendo o seu falecimento ocorrido no Centro de Saúde da mesma Vila mariense, no dia 7 de outubro de 2010. Era filho dos artistas circences José Elisabeth e Emma Bertha Brix, pais também de Sónia Elisabeth e Trudi Elisabeth, tendo esta última, também constituido família em Sta Maria, onde aínda reside.
Dos dez filhos de Anastácio Anastasópulo e Lúcia Cardinali, José Elisabeth, nascido em Santiago do Cacém, no Alentejo, caiu em graças de Emma Bertha Brix, natural da cidade de Breslau, Alemanha. Aos 18 anos, Emma, incorporou um circo francês que, mais tarde, em digressão pela Península Ibérica, se instalou no Palácio de Cristal, na Cidade do Porto. Nos arrabaldes estava o circo Cardinali, onde José (Pepe) se instalava com a família, tendo aí conhecido Emma.
Dessa recente paixão, resultou a mudança de Emma para os Cardinali. Casaram-se depois, mantendo-se no entanto no circo, percorrendo o País de lés a lés.
Em 1935, os Cardinali viajaram até São Miguel, nos Açores. Após alguns espetáculos pela ilha, Pepe tem a oportunidade de trocar a vida do circo pela de fotógrafo “a la minute”. Assim o fez. Comprou uma máquina, montou negócio nas portas laterais da igreja Matriz em Ponta Delgada, onde fotografava, simplesmente, para registar uma visita turística aos Açores, ou para envio das fotos às famílias no Canadá ou nos USA, para matar saudades.
Durante a Segunda Grande Guerra paravam, em São Miguel, ingleses e alemães, em barcos que reabasteciam e davam algum movimento à cidade. Nesta altura Pepe explorou, junto ao hotel Terra Nostra nas Furnas, o seu negócio de aluguer de bicicletas. O turismo ecológico ou ocasião. Ainda hoje, pessoas mais idodosas das Furnas o recordam como a figura de vários ofícios, casado com a alemã que aprendia português, mas sem nunca perder aquele sotaque que tanto os divertia.
No inicio dos anos 40, os americanos decidem construir uma base militar em Santa Maria. A ilha era, na época, o “El Dorado”, terra de oportunidades de trabalho para onde confluíam gentes de todo o arquipélago. Movida por essa atração, em 1946 a família Pepe decide mudar residência definitiva para Vila do Porto, nascendo a histórica “Foto Pepe”, assim como, 3 anos depois, também o seu único filho mariense: Max Brix Elizabeth.
Max Brix Elisabeth, inicialmente para se chamar Max Günther Brix Elisabeth (em memória do seu tio Max Günther morto num campo de concentração durante a Segunda Grande Guerra), foi criado em Santa Maria e aí permaneceu até completar 19 anos. Durante este período passou pela Mocidade Portuguesa, fez a 4ª Classe na Escola Primária de Vila do Porto, da qual passou para o Externato de Santa Maria, onde completou o 5º ano.
Em 1969, vai prestar serviço militar alistando-se na Força Aérea, em Lisboa, durante 4 anos, dos quais, os últimos dois foram passados em Angola, na Guerra do Ultramar.
Em 1973, regressa a Lisboa desta vez para trabalhar na Kodak, dando-se inicio à sua carreira no mundo da fotografia. Durante 6 anos aprendeu e aperfeiçoou técnicas fotográficas desde a captura da imagem até à sua revelação.
Rendeu-se aos encantos da vida na Capital, aproveitando e absorvendo toda a sua energia. Juntamente com aqueles amigos, que ficaram para a vida, entre os quais José Medeiros e Bruno Ferreira, com os quais partilhou residência, no número 130 da Avenida Gago Coutinho, explorou Lisboa, Portugal Continental e a Europa, em inúmeras viagens que o levaram, entre outras cidades, a Amesterdão, cidade pela qual ganhou um carinho especial ao deparar-se com uma mentalidade aberta, livre com pouco lugar a preconceitos e discriminações.
No o ano de 1976, regressa a Santa Maria, juntando-se ao seu pai, no negócio da Foto Pepe e iniciando uma vida sócio-cultural, que viria a ser intensa.
Casou-se em 1978 com a mariense Paula Barros, optando por fazer o casamento “romanticamente” na ilha do Corvo, sendo uma cerimónia discreta, só com a assistência dos seus amigos marienses Emanuel e Graça Batista.
Em 1979, nasce o seu primeiro filho, Frederico Barros Brix Elisabeth (atualmente arquiteto) e cinco anos mais tarde completa-se o núcleo familiar com o nascimento do seu filho mais novo, Rui de Barros Brix Elisabeth, hoje já conceituado fotógrafo-artista, com trabalhos de reconhecimento nacional e internacional.
A relevância pública do grande e popular Max, figura humana de fino trato e simpatia, que todos os marienses conheciam e pelo qual nutriam carinho, é sem dúvida ressaltada pela sua ligação à fotografia, à música, ao desporto e também ao património e ao associativismo, passando também pela política, tendo sido meu colega na Assembleia Municipal, representando o PSD, naquela altura.
Falando um pouco dele como pessoa e do seu amor à nossa ilha, cultivava uma relação humana e de proximidade com todas as pessoas, cumprimentado sempre com o seu sorriso peculiar, ouvindo, persuadindo e fundamentalmente dando importância a todos.
Profissionalmente, o Max Brix Elisabeth foi um conceituado empresário do ramo da fotografia, tendo dado continuidade, modernizado e engrandecido a empresa deixada pelo pai – a conhecida “Foto Pepe”, que hoje possui um arquivo fotográfico de elevado interesse público, com cerca de um milhão de fotografias, muitas das quais um verdadeiro património da cultura e vivência de Santa Maria, desde meados do séc. XX.
A nível político, O Max, mesmo perfilando, na altura, cores diferentes das minhas, na Assembleia Municipal, foi sempre um fiel companheiro e aliado incontornável na defesa da identidade e da cultura marienses, pugnando sempre, em conjunto, pela sua defesa, revitalização patrimonial, nomeadamente da zona histórica, mas também da nossa casa típica, moinhos de vento, fornos de loiça, azenhas, assim como pelo reforço de apoios às manifestações da cultura tradicional como grupos folclóricos e banda de música. Marcou a sua atuação pela coerência, bom senso, e independência de pensamento, recusando seguidismos partidários, colocando-se sempre ao lado do que melhor servia Santa Maria.
No campo político, ainda foi candidato à Junta de Freguesia de Vila do Porto pelo PSD, candidato a deputado regional pelo círculo eleitoral de Santa Maria, pelo mesmo partido, e mais tarde pelo do Partido Socialista, tendo sido também membro da Comissão de Honra da Candidatura de Carlos César à Presidência do Governo Regional dos Açores,
Amante da música, aprendeu a tocar diversos instrumentos, entre os quais a guitarra, a bateria e até mesmo o acordeão e fez parte de vários projetos musicais que animavam os bailes do Clube Asas do Atlântico e vários assaltos de carnaval.
Foi um dos relevantes fundadores da Associação Maré de Agosto e, durante cerca de 20 anos, a “alma” deste festival – um dos mais antigos de Portugal e uma das principais referências nacionais neste género de eventos.
Em termos de prestações sócio-comunitárias, o Max integrou órgãos sociais de inúmeras associações, como do Clube Asas do Atlântico, Grupo Desportivo Gonçalo Velho, Associação de Música e Artes dos Arquipélagos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde, Associação Amigos da Praia, Circulo de Amigos de São Lourenço, tendo ainda sido correspondente da RTP-Açores em Santa Maria, e importante fotógrafo-colaborador do Baluarte, disponibilizando fotografias para ilustrar diversos artigos, incluindo alguns dos meus.
No desporto, foi atleta Clube Asas do Atlântico jogando hóquei-em-patins e futebol, assim como do Grupo Desportivo Gonçalo Velho, ao qual dedicou a maior parte do seu tempo como jogador e treinador de futebol, tendo sido posteriormente dirigente, dando sempre exemplos de nobre desportivismo, de lealdade no campo e de respeito pelos adversários.
Pela sua ação no campo desportivo, mas sem dissociar todas as suas prestações sócio-comunitárias, o Max foi homenageado, em 2006, na Gala do Desporto Mariense, tendo sido para mim uma honra lhe ter entregue o galardão de reconhecimento/gratidão, em nome de Sta Maria, perante o aplauso de pé da plateia repleta do histórico “Atlântida Cine”.
Os fundadores da Gala do Desporto Mariense, Zeca Valente e José Melo, por altura do falecimento do Max, juntaram vários amigos e promoveram um torneiro em sua homenagem, antecedido de um pequeno discurso sobre a sua obra e da entrega de uma salva memorial, à sua esposa.
O Max era um verdadeiro embaixador de Santa Maria no exterior e um grande promotor e divulgador das suas riquezas, belezas e grandezas culturais, paisagísticas e humanas.
O Max amava incondicionalmente Santa Maria e as suas gentes, ostentando o seu orgulho de ser “cagarro”, através das suas magníficas fotos, nas apaixonadas conversas e até no toque do seu telemóvel, que emitia o canto peculiar daquela ave, quando recebia chamadas.
O Max deixou saudades e referências tanto aos adultos como aos jovens, aos menos abonados e aos mais despojados porque SOUBE SER: ser um homem modesto e distinto, erradiador de sorriso e simpatia para com todos, ser amante da liberdade e da tolerância, mas firme nas convicções e valores que defendia; porque SOUBE ESTAR, estar sempre ao lado de Santa Maria, no seu pulsar, no seu borbulhar diurno e noturno, estar nos seus acontecimentos de vulto, apoiando, estimulando e incentivando projetos; porque SOUBE FAZER: fazer na sequência do seu pai, um espólio documental ímpar da sua ilha, um tesouro inestimável para a memória coletiva e história de Santa Maria, trabalhou despojada e incansavelmente na criação de eventos culturais que atualmente referenciam a nossa terra, e “distribuiu-se” por diversas associações, dando um exemplo singular de participação cívica e de entrega às causas públicas, que tanto falta à nossa terra.
Porque as pessoas só morrem quando nos esquecemos delas, em nome de Santa Maria e dos marienses, desejo perpetuar a sua memória e mostrar gratidão, pelos seus préstimos e legado, incluindo-o na galeria do PATRIMÓNIO HUMANO DE STA MARIA.
– José de Andrade Melo
CADEP-CN* de Sta Maria
(Clube dos Amigos e Defensores do Património-Cultural e Natural)
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MÁRIO SÁ CARNEIRO

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Alfredo Granhão

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Aniversário da morte de Mário de Sá-Carneiro
Mário de Sá-Carneiro foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.
Nascimento: 16 de maio de 1890, Lisboa
Falecimento: 26 de abril de 1916, Paris, França
100 Mario Death Anniversary of Sá-Carneiro
Sá-Carneiro Mario was a poet, short story writer and novelist Portuguese, one of the great exponents of modernism in Portugal and one of the most renowned members of Generation d’Orpheu.
Born: May 16, 1890, Lisbon
Death: April 26, 1916, Paris, France.
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