PONTA DELGADA E OS CARROS

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DECIDIR É ESCOLHER
A Câmara Municipal de Ponta Delgada encerrou algumas ruas do centro urbano da cidade ao trânsito automóvel, devolvendo-as à circulação pedonal, numa decisão corajosa, impulsionada pelo Presidente Pedro Nascimento Cabral. O encerramento de ruas ao trânsito é sempre controversa, pois mexe com hábitos antigos e com a acomodação, mas – desde que feita com equilíbrio e sensatez, como sucede neste caso – permite a conciliação entre a fruição da cidade pelas pessoas e a circulação automóvel, sem prejudicar as actividades económicas.
Esta decisão – estou certo – não é uma decisão inimiga dos automóveis ou do comércio tradicional, mas uma medida que permite que a malha urbana respire de outro modo, que as actividades comerciais se desenvolvam nos espaços em que já não circulam automóveis, aproveitando áreas nobres, com a reinvenção do seu modo de funcionamento e da sua oferta ou que a cidade seja apreciada com outros olhos.
Todos nos lembramos dos recorrentes debates sobre o encerramento de vias ou de espaço urbanos aos automóveis, em Ponta Delgada ou em Lisboa, em diferentes momentos, mas a verdade é que já não imaginamos Ponta Delgada com automóveis a circularem na Rua António José de Almeida, em frente à Igreja Matriz de S. Sebastião ou na Rua Diário dos Açores, para dar alguns exemplos mais recentes. Também não acreditamos que a bela praça do Terreiro do Paço, em Lisboa, pudesse ficar mais bonita com o regresso dos automóveis.
Retirar viaturas de algumas artérias do centro da cidade é insuficiente como medida para a requalificação do espaço urbano da cidade, que impõe uma avaliação da malha urbana da cidade, a sua relação com o mar e com o edificado, a avaliação de soluções de circulação urbana – pedonal e de viaturas – e a adopção de estratégias que promovam a revitalização e promoção de todo o centro da cidade, lideradas pela Câmara Municipal, mas que devem envolver os cidadãos, as estruturas representativas dos comerciantes e o Governo Regional, que inscreveu no Programa de Governo um compromisso com a revitalização dos centros urbanos dos Açores e a promoção do comércio tradicional.
As cidades do futuro não são iguais às cidades do passado, mesmo do passado recente. O desenvolvimento da cidade não assenta apenas na promoção do imobiliário, mas numa ideia de “cidade regenerativa”, como sustenta João Ferrão, que permita que as pessoas voltem a viver na cidade, que esta tenha espaços verdes e espaços pedonais, que os jardins, os canteiros florais e as pequenas hortas domésticas convivam com os espaços lúdicos, de trabalho ou de cultura. A cidade que queremos é uma cidade com pessoas, com mais jovens, mais amiga do ambiente, que concilia as exigências de circulação viária com o respeito pelas pessoas.
Como escreve Myron Magnet, no “Paradigma Urbano”, “as cidades são as estufas da humanidade, são o local onde se desenvolve o potencial humano até ao zénite da excelência e da variedade. Com as suas economias complexas e sofisticadas e com as oportunidades de colaboração e competição que uma tal diferenciação e especialização apresentam, as cidades são arenas de ambição e conquista. Elas impulsionam a melhor neurocirurgia, a mais bela ópera ou os grandes negócios que a humanidade é capaz de exercitar. (…) Acima de tudo, as cidades são reinos de liberdade: proporcionam-nos a liberdade de se inventar a si próprio.”
Esta medida é um bom começo para a reinvenção de Ponta Delgada.
(Publicado no Açoriano Oriental, a de Janeiro de 2022)
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  • Antonio Bicudo

    A religiosidade do nosso povo é de respeitar. O estacionamento à porta da Igreja de São Sebastião, também é “sagrado”!?
    Mudanças em conformidade são muito importantes. Bons e maus hábitos têm que ser para todos! Haja saúde, e bem-estar universal, neste caso em Ponta Delgada, também!
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    • 1 h

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