CARTA A RODOLFO BRANCA POR ANTÓNIO BULCÃO

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Carta a Rodolfo Franca
Entendeu V. Exa por bem gozar com uma crónica minha, publicada neste jornal faz hoje oito dias. Claro que quem goza com as minhas ideias goza comigo, porque eu sou o que penso, mas nem é por isso que lhe dirijo esta cartinha.
Devo, aliás, confessar que hesitei bastante antes de decidir se o faria ou não. Tanto que até abri uma espécie de votação no facebook, para aferir junto dos meus leitores quem acharia que devia escrever sobre a sua “sopa” e quem julgaria dever deixá-lo afogar-se na mesma.
A maioria dos inquiridos achou que não lhe deveria responder. O que não é, de todo, lisonjeiro para si, na medida em que o argumento principal dessa maioria foi que “não valia a pena”. Tire, então, V. Exa as conclusões que conseguir sobre a qualidade do seu escrito…
O meu pedido de desculpas, então, a essa maioria. Prezo imenso as suas opiniões e só não as sigo pelas razões que deixarei abaixo. Creio que compreenderão ter ido em sentido contrário, já que desprezar uma silva ou outra é meio caminho andado para ter o cerrado todo tomado pelos espinhos, como se viu ao longo de 24 anos…
1ª razão – O tema era Educação e a nova postura que a nova Secretária de tal pasta tem tido e vai continuar a ter com todos os intervenientes em tal processo. Matéria demasiado importante para ser gozada por V. Exa. Ainda mais quando é professor e, como deputado, ter sido repetidamente escolhido pela sua bancada para intervir nesse domínio. Claro que não basta ser professor para entender de Educação. Provam-no as suas intervenções em Plenário e a prática governativa de muitos Secretários Regionais dos Governos PS.
As suas declarações na ALRAA têm sido tão desastradas que, pelo menos por duas vezes, já foi contraditado (leia-se corrigido) por Vasco Cordeiro e Andreia Cardoso. Com o tempo, faz-se notar o erro de casting que terá sido a sua escolha, quer para integrar a lista de candidatos, quer para usar da palavra quando se tratar de um assunto tão sério como é a Educação. Restar-lhe-á, no dia em que se tornar insuportável, o deixar-se estar como está ou levantar-se, nas votações.
Mas restam, igualmente, as páginas deste jornal. E tratar a Educação da forma leviana como V. Exa tratou não pode, nem deve, passar sem reparo. Quem leu o que escrevi e o que V. Exa escreveu, tirará as suas conclusões. Mas é preciso que fique claro: governa-se com medidas políticas acertadas, que faltaram durante mais de duas décadas. Se puderem ser tomadas tais medidas num clima de diálogo e concertação, melhor ainda. Políticas erradas decididas num clima de crispação e autocracia é que, espero, nunca mais. Porque os professores, as crianças e jovens estudantes destas ilhas, os seus pais e encarregados de educação, o pessoal não docente das escolas da Região e os funcionários da Secretaria Regional da Educação merecem mais respeito do que aquele que V. Exa está disposto a dar-lhes.
Não, Dr. Franca. Agora não “sorrimos e vamos dizendo que sim a tudo o que qualquer reclamante ali vá pedir”. Recebemos, sim, todos os que nos procuram, esperando que não venham “reclamar” mas “colaborar”. E diremos sim, quando for justo e legal o pedido. Não para “colher votos”, mas para fazer o que está certo. Temos “metas, objetivos e estratégias”. Mas não para continuarmos a descer em todos os indicadores de sucesso. Não “juntamos” Associações de Pais com um Manifesto elaborado por adjuntos. Recebemo-los, para aceitar um Manifesto construído por eles. Não servimos “pequenas, frescas e agradáveis refeições”. Mas, por vezes, lá encomendamos uma pizza para acalmar o estômago, porque se trabalha até tarde. Paga do nosso bolso, já agora. Estamos a criar e a desenvolver verdadeiros Projectos Educativos, pensando nos alunos, não nos interesses dos requisitados para tudo e mais alguma coisa, os tais que alimentaram anos e anos hostes de clientelas gratas.
Termina V. Exa a dizer “vou lá sim senhor e não se preocupem que eu mesmo levo o bolinho. Ou até o tremoço ou os amendoins, por exemplo. Sopa é que não! É que da tigela à boca se perde a sopa, diz o povo. E olha lá, olha lá, é porque o povo é quem bem sabe”. Venha, Dr. Franca. Mas venha para aprender. Não para mandar bocas. Se tiver muita fome, pois traga o bolo, tremoço, amendoins. Mas coma na rua, antes de entrar. Para não sujar o sobrado. Já nos bastam as asas das térmitas, que até isso nos deixaram com projectos de obras nunca realizadas. Venha. Traga até a sua sopinha. Papas é que não. Porque “com papas e bolos…”.
2ª razão – O Senhor é Deputado Regional. Tem responsabilidades acrescidas. Não pode gozar com coisas que lhe deveriam ser sagradas. Claro que, se tivesse mantido a qualidade de simples cidadão, nem saberíamos o que pensa, dado que nem uma linha publicou antes de ser deputado. Mas tente acalmar-se, homem. Pode não acreditar, mas não é assim que se faz política. Começa a agastar os seus próprios pares, acredite. Atira-se como lobo esfaimado a tudo o que venha do lado de lá, sem cuidar de estudar se as medidas serão boas ou más. Se for mais forte que V. Exa, pois continue, despreze estes conselhos, o futuro lhe dirá se esse caminho o leva em frente.
3ª razão – Já entendi o seu estilo, não direi literário, pelo respeito que me merece a Literatura, mas, digamos, “de intervenção”. V. Exa pretende ser irónico. Só que, também aí, a coisa não lhe está a correr nada bem. É muito triste tentar usar a ironia e… não o conseguir. Fica um discurso patético, muitas vezes imperceptível. Mas se V. Exa quer ser como aqueles que contam anedotas e ninguém se ri, chegando ao ponto de explicar a graça que ninguém encontrou, na esperança de ouvir uma gargalhada ao longe, pois continue homem, que para a frente é que é caminho…
António Bulcão
(publicada hoje no Diário Insular)
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  • Maria Filomena Santos Martins

    Verdade👏👏👏. Este senhor não percebe nada de nada. Dantes nem professor lhe dava jeito, empoleirou se num gabinete a fazer de conta que era presidente do Executivo e foi um tal meter água, nem conhecia os docentes que pertenciam à sua área e defende -lo…

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  • Victor Pereira

    Fui um dos que achou, que não valia a pena responder. Agora depois de ler a resposta, fiquei contente com a mesma.
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  • Alberto Azevedo

    Ui! Muito bem, caro António Bulcão ! Mais direto e assertivo seria impossível. Abraço! 💪
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Sr. Diretor Regional da (SUA) Cultura, por favor, demita-se.

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Tento afastar-me da política, mas quando está em causa certas injustiças, eu “capoto”.
Conhecendo bem o Sr. Presidente do Governo, Dr. José Manuel Bolieiro, acredito que ele não tem conhecimento de muita coisa que se tem passado na Cultura, devido à sua participação ativa em todo o lado e muito bem. Ele é um HOMEM que vai pela competência das pessoas e, refira-se, alguns q foram chamados ou continuaram, mesmo sendo da oposição. Contudo, nem em todos se pode confiar. A Cultura anda pela rua da amargura, e nas bocas de quase todos os açorianos.
Salvou-se uma freguesia, mas prejudicou-se uma região.
Foi a vaca anã. Foram os concursos públicos com fatos à medida. (quero ver se a Dra. Madalena San-Bento vai ser “corrida”, quando tem sido uma excelente diretora e com todas as qualidades para continuar). São as touradas, em que o diretor regional de todos os açorianos, menos meu, em tempos idos, disse ser e escreveu contra elas. Agora já concorda. Foi o prazer em “ferrar” um animal este fim de semana, bloqueou todos os artistas do estúdio 13 e não responde a nenhum mail do estúdio …… etc. Fogo…. é demais.
Sr. Diretor Regional da (SUA) Cultura, por favor, demita-se.
Atenção amigos e amigas: prefiro enterrar-me sem padre, do que levar um destes.
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  • Ana Madeira

    Quando é que há eleições? 😀
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  • Paulo Borges

    O padre nunca foi contra, simplesmente os jornais o carimbaram assim 🤦‍♂️🤦‍♂️🤦‍♂️
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guitarra galega ISABEL REI

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Isabel Rei Samartim is with António Gil Hdez and

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.

https://www.facebook.com/isabel.reisamartim/videos/10224128498616647/
Há uns sete anos, em 2014, antes de ser agredida por uma simpatizante de Vox, e de que a dita agressão fosse reafirmada pela Xunta, nomeadamente através da figura do Secretário de Política Linguistica, paisano meu da Estrada, quem ia dizer!, no Conservatório compostelano a Equipa de Dinamização da Língua Galega fazia cousas como esta. A recuperação da música de guitarristas galeg@s tornou-se hoje uma necessidade. Às vezes, o tempo dá a razão a quem trabalha pela cultura e não contra ela. #guitarragalega
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PEDRO ALMEIDA MAIA QUER ESCREVER SOBRE ESCRAVATURA BRANCA NOS AÇORES

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No meu próximo livro quero contar uma história no feminino. O pano de fundo é a decadência do Reino de Portugal no final do século XIX. Em Ponta Delgada, metrópole portuária das Ilhas Adjacentes, vivia-se um clima de incerteza que alimentava o fenómeno da escravatura branca. Este é um tema que me tem deixado muito curioso, sobretudo pelo apaixonante contexto da Belle Époque. #literatura
You, Urbano Bettencourt, Vamberto Freitas and 69 others
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PEDEM A DEMISSÃO DO DIRETOR DA CULTURA

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Agentes Culturais Açorianos pedem demissão do Diretor Regional…
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O PAN/Açores repudia os actos do Diretor Regional da Cultura!
A sua conduta é completamente incongruente com posições anteriormente assumidas.
Não nos podemos associar a alguém que, embora no passado se tenha manifestado contra a violência e maus-tratos aos animais e assumido uma posição contra a prática da tauromaquia, se apresente agora a participar activamente num rito violento que inflige dor a um animal.
Lamentamos ainda que a pessoa com a tutela da Cultura tenha escolhido um evento desta natureza para “mostrar” a cultura açoriana.
A cultura não é isto e a nossa identidade cultural é muito mais do que isto!
Ricardo Branco Cepeda, Inês Sá and 9 others
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JOH BROWN, O PRIMEIRO TERRORISTA LIBERTAVA ESCRAVOS

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John Brown (1800-1850), condenado à morte no Estado da Vírgínia, por libertar escravos
Por isso, nos Estados Unidos é visto como o primeiro terrorista norte-americano
A imagem mostra o famoso activista abolicionista a caminho do cadafalso a ser saudado pelos seus apoiantes
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ESTA MENTE ANÃ É DIRECTOR REGIONAL DA «COLTURA»….
É bem o retrato deste novo paradigma de calhordas e invertebrados!
@ Ryc
May be an image of 1 person, outdoors and text that says "MI "A tourada é uma prática sádica, na qual as pessoas se divertem à custa do medo e do pânico do toiro, além de ser uma actividade bárbara, anti-civilizacional e dispendiosa""
Lúcia Duarte, Jorge Pereira da Silva and 16 others
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  • Roberto Y. Carreiro

    Quem com ferros mata, com ferros morre. E este, o melhor que lhe vai acontecer, é sair brevemente pela porta dos fundos…
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  • Raquel Silva

    Esse tio tocou cedo numa “mola” complicada. Podemos concordar ou discordar das tradições mas temos de as respeitar.
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    • Roberto Y. Carreiro

      Raquel Silva – Neste caso específico não está em causa o recorrente debate sobre as touradas, mas sim a postura deste tio, senhor padre, por ter feito anteriormente uma «profissão de fé» contra as touradas e agora que está paramentado para outras fun…

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      • Roberto Y. Carreiro

        Raquel Silva – Hoje em dia, a Coerência era verde passou um burro e comeu-a. Quer neste caso, quer noutros bem diferentes e com protagonistas igualmente diferentes. É um fartote! 🙂
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  • João Mota Gomes

    Será mentira?
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  • Ricardo Branco Cepeda

    Nem comento…
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    Lúcia Duarte

    Sem comentários…pela minha saúde mental !!! Um Padre digno da época Quinhentista! 😥😥😥
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“Vacinas não protegem contra a infeção e contra a capacidade de transmissão”, diz investigador – Sociedade – Correio da Manhã

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Imunidade de grupo com 70% da população vacinada está “completamente desatualizada”, disse Miguel Castanho.

Source: “Vacinas não protegem contra a infeção e contra a capacidade de transmissão”, diz investigador – Sociedade – Correio da Manhã

A page turner: Book reveals hidden treasure | Local News | santafenewmexican.com

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What appeared to be a hardback book that landed in the recycling pile at a Santa Fe shop was actually concealing $1,100.

Source: A page turner: Book reveals hidden treasure | Local News | santafenewmexican.com

o paraíso é no Pico

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o sucesso do 34º colóquio da lusofonia

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Nem as mais severas restrições anunciadas na véspera do evento impediram o sucesso do 34º colóquio da lusofonia, e mesmo com o corte do terceiro dia conseguimos realizar um evento presencial. O colóquio começou no dia de Camões e das Comunidades, Ponta Delgada apresta a candidatura a capital europeia da cultura 2027 e esperamos que este 34º colóquio já sirva de aperitivo. É esta a nossa lusofonia que desde 2006 se conjuga com a partilha e divulgação da rica e universal açorianidade literária.

Os colóquios da lusofonia celebram 20 anos em 2021, tendo começado no Porto, empenharam-se em descentralizar e realizaram eventos em cidades, vilas e freguesias: 8 anos em Bragança, 5 na Ribeira Grande, 4 em Belmonte, 3 na Lagoa, 2 em Vila do Porto, em Santa Cruz da Graciosa e em Seia, 1 na Madalena do Pico, Montalegre, Fundão, Brasil, Macau e Galiza e finalmente em Ponta Delgada, pois, o Presidente Bolieiro em 2019 teve a visão, quando liderava o município, de nos convidar a realizar aqui um evento.

Prevíramos 50 oradores e cito uma trintena que a pandemia não permitiu tivessem vindo na data prevista de outubro 2020 e não estão agora connosco neste dia 10 de junho 2021: Álamo Oliveira, Alexandre Banhos, Alexandre Quintanilha, António Callixto, António Dias Figueiredo, Conceição Andrade, Diana Zimbron, Diniz Borges, Eduardo Bettencourt Pinto, Esmeralda Cabral, Francisco Madruga, Helena e Tiago Anacleto-Matias, José António Salcedo, José Carlos Teixeira, Katharine Baker, Luciano Pereira, Luís Filipe Sarmento, Luís Gaivão, Maria de Lourdes Crispim, Maria Helena Ançã, Mendo Henriques, Moisés Lemos Martins, Norberto Ávila, Raul Gaião, Richard Zimler, Santana Castilho, Sérgio Ávila, Susana Antunes, Terry Costa, Victor Rui Dores, Vilca Merízio, Dom Ximenes Belo. Nestes últimos dias, devido a um acidente o amigo e Presidente da Câmara de Belmonte, Dr António Dias da Rocha fraturou um pé e também não pôde estar aqui connosco. Tínhamos concebido um colóquio memorável, como este também será, apesar de termos sido obrigados a reduzi-lo em dimensão e participação, em especial com o anúncio no primeiro dia de que seria reduzido a dois dias. Temos esperança de no próximo ano podermos trazer a maioria destes ausentes a um novo colóquio em Ponta Delgada para se concretizar o originalmente delineado.

Nem nos sonhos mais delirantes imaginei em 2001 ao preparar o 1º colóquio que chegaríamos ao 34º com tantas parcerias e intercâmbios como aqueles que já foram ou vão ser firmados entre Belmonte e os Açores, com as autarquias de Ponta Delgada, Madalena do Pico e Santa Cruz da Graciosa, nomeadamente a inclusão de Ponta Delgada na Rota das Judiarias e daí a presença cá de uma delegação do município de Belmonte que teve vários encontros institucionais e entregou pó do sarcófago dos Cabrais (Gonçalo Velho e Pedro Álvares) em Belmonte à Escola do Mar do Colégio do Castanheiro, numa cerimónia solene cheia de significado.

Havíamos escolhido o prolífico autor ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA para homenagear em 2020 e assim o fizemos agora. No ambicioso projeto da atual Presidente da Câmara, ele preside à Comissão de Honra da candidatura Ponta Delgada | Açores a Capital Europeia da Cultura 2027, na qual humildemente me encontro incluído em representação dos Colóquios. Onésimo não pôde estar presencialmente mas sim por vídeo conferência na homenagem que – anualmente – desde 2008 os colóquios fazem a autores açorianos, como já fizemos a Álamo Oliveira, Caetano Valadão Serpa, Cristóvão De Aguiar, Daniel De Sá, Dias de Melo, Eduardo Bettencourt Pinto, Emanuel Félix, Fernando Aires, Eduíno de Jesus, Judite Jorge, Norberto Ávila, Susana Margarido, Urbano Bettencourt, Victor Rui Dores, Vasco Pereira Da Costa entre outros.

Além do homenageado Onésimo, estiveram neste 34º colóquio o cientista Félix Rodrigues, o escritor e humorista Luís Filipe Borges (esse corisco mal-amanhado), o escritor Aníbal Pires, o incansável José Andrade (atual Diretor Regional das Comunidades), o historiador Sérgio Rezendes, o crítico literário Vamberto Freitas, o decano dos escritores Eduíno de Jesus (que apresentou o seu último livro), Urbano Bettencourt, Maria João Ruivo, Pedro Almeida Maia, Pedro Paulo Câmara, Carolina Cordeiro, Helena Chrystello, Conceição Medeiros, José de Almeida Mello, Rolf Kemmler, dentre uma vintena de oradores a que se juntou ainda a Secretária Regional da Educação, Dra. Sofia Ribeiro, por videoconferência.

Houve duas sessões de poesia de Aníbal Pires e de Chrys Chrystello e sessões de música por Ana Paula Andrade (nossa pianista residente desde 2008) com alunos do Conservatório Regional de Ponta Delgada e com um jovem aluno flautista da Escola de Música de Belmonte (António Costa de 12 anos) além da Viola da Terra com o Trio Origens (Rafael e César Carvalho, Carolina Constância) que nos acompanha desde 2009, tudo transmitido em três plataformas digitais com a projeção de vários vídeos da ilha nos intervalos.

Agradeço a visão do Presidente Bolieiro que em 2019 fruto de diligências iniciadas no seio destes colóquios em 2018, se deslocou à terra de Pedro Álvares Cabral, para a geminação do Museu Judaico de Belmonte e da Sinagoga de Ponta Delgada e tomou contacto com o peculiar ambiente destes colóquios, nos quais apostou para Ponta Delgada 2020 e que a pandemia atrasou um ano.

Agradeço, igualmente, à Presidente Maria José Lemos Duarte e à sua equipa de incansáveis e laboriosos membros (José de Almeida Mello, Luísa Margarida Pimentel, André Borges, Nuno Engrácio e outros com o apoio da equipa de som e imagem composta por Tiago Rosas, Pedro Cimbron e Bruno Duarte), que, apesar de todas as contrariedades pandémicas conseguiram criar condições para a realização deste colóquio presencial (transmitido em linha para todo o mundo) pondo termo a mais de um ano de encontros virtuais nas Tertúlias “Saudades dos Colóquios” ao sábado.

Maria José Duarte assinou um Memorando com a AICL para aqui termos novo evento (o 36º colóquio) em 2022.

O Presidente do Governo Regional dos Açores considerou, em Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que a Lusofonia é “identidade de ser” e elo de aproximação entre povos e culturas. “Este modo de ser e estar que a Lusofonia representa identifica-nos e aproxima-nos”, considerou o governante.

José Manuel Bolieiro falou na sessão de abertura do 34.º Colóquio da Lusofonia, promovido pela Associação Internacional de Colóquios da Lusofonia (AICL), em Ponta Delgada. O “mundo sem geografia” que é a Lusofonia foi enaltecido pelo Presidente do Governo, que deixou uma saudação a todos os lusófonos, “seja qual for o vocábulo que de forma específica possam utilizar na sua língua”.

O Governo dos Açores, prosseguiu, “estará ao lado” da AICL para “todas as realizações de futuro”, asseverou ainda o Presidente do Governo. Iniciativas como esta “valem pela qualidade que representam” na literatura e também na “identidade lusófona”, até porque “transportam para o presente todo o legado poético” e “inspiram novas gerações a darem valor e a conhecerem aqueles que deram raiz à Açorianidade, Portugalidade e Lusofonia”. José Manuel Bolieiro elogiou ainda a “resiliência” da AICL, presidida por Chrys Chrystello, elogiando ainda a “simbólica data” de arranque do colóquio deste ano e o “inspirador lugar” do mesmo: o Centro de Estudos Natália Correia, na Fajã de Baixo.

Cremos que juntos, podemos fazer a diferença, congregados em torno de uma ideia abstrata e utópica, a união pela mesma Língua. Lembro que os “COLÓQUIOS DA LUSOFONIA”, são um movimento cultural e cívico com o objetivo de promover a Investigação Científica para reforço dos laços entre os lusofalantes – no plano linguístico, cultural, social, económico e político – na defesa, preservação, ensino e divulgação da língua portuguesa e todas as suas variantes, em qualquer país, região ou comunidade. Os valores essenciais da cultura. e literatura açoriana ocupam sempre lugar de destaque em todos os nossos colóquios desde 2006, pois temos sempre uma enorme comitiva de autores açorianos presentes em todos os eventos levando mais longe a riqueza peculiar da sua escrita, de que traduzimos excertos em 15 línguas e deles editamos já 5 volumes em antologias didáticas, estando mais uma prestes a ser lançada ainda em 2021.

A nossa noção de LUSOFONIA abarca os que falam, escrevem e trabalham a língua, independentemente da cor, credo, religião ou nacionalidade. A Lusofonia é uma capela sistina inacabada; é comer vatapá e goiabada, um pastel de bacalhau ou cachupa, regados com a timorense tuaka ao ritmo do samba ou marrabenta; voltar a Goa com Paulo Varela Gomes, andar descalço no Bilene com as Vozes anoitecidas de Mia Couto, ler No país de Tchiloli da Olinda Beja, rever os musseques da Luuanda com Luandino Vieira, curtir a morabeza cabo-verdiana ao som De boca a barlavento de Corsino Fontes, ouvir patuá no Teatro D. Pedro IV na obra de Henrique de Senna-Fernandes e na poesia de Camilo Pessanha; saborear a bebinca timorense em plena Areia Branca ao som das palavras de Francisco Borja da Costa e Fernando Sylvan, atravessar a açoriana Atlântida com mil e um autores telúricos, reencontrar em Salvador da Bahia a ginga africana, os sabores do mufete de especiarias da Amazónia, aprender candomblé e venerar Iemanjá, visitar as igrejas e casas coloridas de Ouro Preto, Olinda, Mariana, Paraty, Diamantina, e sentir algo que não se explica em Malaca, nos burghers do Sri Lanka, em Korlai ou no bairro dos Tugus em Jacarta.