CABUL VAI REPETIR PHNON PENH 1975?

Views: 0

Favourites 6tShponsorshetde
CABUL VAI REPETIR PHNON PENH 1975?
May be an image of 2 people and people standing
Há mais de uma década, estando em Bangkok, li umas memórias ditadas por John Gunther Dean, o último embaixador americano em Phom Pehn antes da tomada do poder pelos Khmeres Vermelhos. Dean era um indivíduo sobredotado, extremamente culto e renomado poliglota, talvez o melhor jamais produzido pela diplomacia norte-americana, mas cedo tomou consciência das facetas mais sombrias da política externa dos EUA, marcada pela falta da palavra dada, manipulação e traição aos aliados, assim como associação ao alto crime organizado. Depois da tomada do Camboja por Pol Pot, foi conselheiro de Reagan, com quem entrou em colisão ao opor-se com veemência à política de apoio aos mujahedin de Bin Laden patrocinada pelo Departamento de Estado. Afastado, ocupou postos no Médio Oriente e foi alvo de duas tentativas de assassinato que logo descobriu terem sido congeminadas pelos serviços secretos israelitas. Dean era judeu alemão e fugira da Europa em finais da década de 1930, pelo que ninguém o poderia acusar de nada. Depressa foi sumariamente dispensado por supostos “problemas psíquicos”, fórmula usualmente destinada a eliminar profissionalmente indivíduos de grande honestidade e robustez intelectual.
Nas suas memórias gravadas, dedicou dois capítulos à retirada americana do Vietname e ao posto que ocupou no Camboja entre Março de 74 e Abril de 1975. Não omitindo os crimes de guerra de Henry Kissinger e a política errática desenvolvida pelos EUA no Sudeste Asiático, descreve com detalhe os últimos dias do regime do marechal Lon Nol, instigado por Washington a desencadear um golpe de Estado contra Norodom Sihanouk, em 1970 e, depois, abandonado pelos americanos, assim que estes, tendo conseguido aproximar-se da China maoísta, traíram os seus aliados na região. Abandonando aqueles que haviam confiado nos EUA, Washington permitiu um dos maiores genocídios do século XX, para logo de imediato passar a proteger os guerrilheiros de Pol Pot na luta que os opunha ao Vietname.
A foto de Dean sobraçando a bandeira do seu país nos últimos momentos em solo Cambojano, em Abri de 75, parece estar a repetir-se em Cabul. Aos milhares de afegãos que lutaram ombro a ombro com os norte-americanos ao longo de duas décadas, ao pessoal administrativo auxiliar, aos condutores e tradutores não foi assegurada ponte aérea alguma. Teremos de esperar pela entrada dos talibãs na capital para saber se ali se repetirá Phnom Pehn de 1975.

parabéns professor Galopim de Carvalho: uma pessoa a sério

Views: 0

Favourites 6tSptshonscoured
May be an image of 1 person and indoor
POSTAL DO DIA
Galopim de Carvalho: uma pessoa a sério
1.
Num tempo com tantas sombras, tanto bota-abaixo, tanta gente de mal com a vida não podemos desperdiçar nunca a possibilidade de dizer:
– Olhem, ali vai uma pessoa a sério, um farol que podemos fixar para nos reencontrarmos com o caminho certo e nos libertarmos das pedras do caminho.
António Galopim de Carvalho fez esta semana 90 anos.
E está no grupo das pessoas que nos faz melhores.
Quando o lemos, quando o ouvimos, quando o vemos com os seus olhos sempre espantados da imensidade do mundo, quando fazemos os cozinhados que ele nos propõe, quando pensamos e o pensamos…
Quando tudo isso acredito que muitos de nós pensam que vale bem a pena acreditar que o bem é mais forte do que o mal.
2.
O professor Galopim é uma criança grande.
É a sensação que tenho quando o vejo.
Não a criança em que nos transformamos quando envelhecemos, mas a criança que nunca o abandonou.
Ele continua a partir da pergunta, da dúvida e da falha.
É a partir delas que tem construído seu edifício, da mesma maneira que as crianças constroem as suas casas interiores com perguntas a que tantas e tantas vezes não conseguimos responder.
3.
Fez 90 anos, mas confessou a Teresa Firmino, jornalista do Público, que apenas sente a idade quando entra e sai do táxi.
Há uns dois anos esteve mesmo ao meu lado num restaurante nepalês. Julgo que estava com a sua mulher. Sorrateiramente, sem que ele notasse, tentei ver um bocadinho do que é.
Maravilhoso o seu modo de olhar.
A gentileza com que trata as pessoas em volta.
A forma como aprecia o que come, como cheira o que cheira, como vive na ideia de que talvez possa ser o seu último dia.
Não me interpretem mal, Galopim de Carvalho sempre foi assim – lembro-me de o seu filho Nuno o dizer numa conversa no Diário de Notícias – creio que estava também Pedro Rolo Duarte.
Sempre viveu como se cada dia pudesse ser o último, única maneira de viver na plenitude.
4.
O que construiu ao longo da sua vida foi enorme.
No Museu Nacional de História Natural.
No que passou aos seus estudantes universitários.
No que fez sonhar as crianças.
No que revolucionou o país no respeito por uma ideia de património arqueológico, geológico, histórico.
Mas o que continua a fazer é ainda mais raro.
No que nos conta.
Na simpatia com que todos os dias quase nos faz acreditar que é uma pessoa igual às outras.
Na coragem de não desistir de um combate.
5.
Querido professor António Galopim de Carvalho.
(meu amigo antes de ser)
Um dia, quando for grande, gostava de ser como o senhor.
Gostava de um ter os olhos grandes cobertos de perguntas – seria o sinal de que tudo valera a pena, que tudo fizera sentido.
Muitos

parabéns

.

E até breve.
Encontramo-nos no próximo táxi.
LO
You, Fernando Martinho Guimarães and 11 others
1 share
Like

Comment
Share

TALIBÃS ÀS PORTAS DE CABUL

Views: 1

Favourites tSpt9olnsoarhed
TALIBÃS ÀS PORTAS DE CABUL – EMBAIXADAS FECHAM,
TROPAS RENDEM-SE E MEIO MILHÃO DE PESSOAS EM FUGA
Cabul, 13 Ago 2021 (AFP) – Os talibãs quase chegaram às portas de Cabul nesta sexta-feira (13), continuando seu avanço incontrolável no Afeganistão, onde vários países, como os Estados Unidos, vão evacuar seus diplomatas e cidadãos.
Em questão de dias, o governo afegão perdeu o controle da maior parte do país e os insurgentes controlam quase metade das capitais de província, a maior parte tomadas em apenas uma semana.
Nesta sexta, os talibãs se apoderaram facilmente de Firozkoh, capital da província de Ghor, e de Pul-i-Alam, capital da província de Logar, a apenas 50 km de Cabul.
“Os talibãs controlam (…) 100% (da cidade) e não há mais combates”, disse à AFP uma autoridade local, Said Qaribullah Sadat.
Horas antes, os insurgentes comemoraram a queda de Lashkar Gah (sul), capital da província de Helmand, após capturar Kandahar, situada 150 km a leste, e Herat (oeste), respectivamente a segunda e a terceira cidades do Afeganistão.
– “Leão de Herat” se rende -Praticamente todo o norte, o oeste e o sul do Afeganistão estão sob o controle dos talibãs. Cabul, Mazar-i-Sharif, a grande cidade do norte, e Jalalabad, a leste, são as três grandes cidades que o governo continua controlando.
Em Herat, estratégica por ficar próxima ao Irã, uma imagem reveladora descreve o que está acontecendo: Ismail Khan, apelidado de “o leão de Herat”, peso pesado da região e um dos mais importantes guerreiros contra os talibãs teve que se render aos insurgentes.
Os talibãs iniciaram sua ofensiva em maio, quando o presidente americano, Joe Biden, confirmou que as tropas estrangeiras deixariam o país, 20 anos depois do início da intervenção dos Estados Unidos para tirar do poder os talibãs, que se negavam a entregar Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, após os atentados de 11 de setembro de 2001.
A retirada das tropas estrangeiras terminará em 31 de agosto. Apesar do que acontece no Afeganistão, Biden afirmou que não lamenta sua decisão, embora seja certo que as autoridades americanas não escondem sua decepção diante da rapidez com que o exército afegão se evapora diante do avanço dos talibãs.
Os Estados Unidos gastaram mais de um trilhão de dólares em 20 anos para formar e equipar o exército afegão.
– “Não é um abandono” -Diante da situação, os Estados Unidos decidiram “reduzir ainda mais” sua “presença diplomática” em Cabul “nas próximas semanas”, anunciou o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.
“Não é um abandono”, garantiu.
Para realizar esta operação, ele mobilizará 3.000 soldados no aeroporto de Cabul, que vão se somar aos 650 soldados ainda presentes no país, segundo o porta-voz do Pentágono, John Kirby. Outros 3.500 militares estarão no Kuwait para ser enviados como reforço caso a situação se deteriore.
Nesta sexta, Kirby informou que a maior parte das tropas chegará a Cabul antes da segunda-feira e que os Estados Unidos estavam prontos para evacuar por ar “milhares de pessoas por dia”, embora tenha considerado que a capital afegão não enfrenta nenhuma “ameaça iminente”.
Paralelamente, o Reino Unido anunciou que 600 militares vão ajudar seus cidadãos a sairem do Afeganistão.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que seu país “não vai virar as costas ao Afeganistão” e que prevê “fazer pressão” pela via diplomática e política, ao descarar, por enquanto, a hipótese de uma “solução militar”.
Vários países ocidentais, como Holanda, Suécia, Itália e Espanha decidiram reduzir ao mínimo o pessoal de suas embaixadas e anunciaram a repatriação de funcionários afegãos. A Alemanha também vai reduzir seu pessoal “ao mínimo absoluto”.
Outros, como a Noruega e a Dinamarca, fecharam temporariamente suas delegações. E a Suíça, que não tem embaixada no país, anunciou a repatriação de uma dezena de colaboradores suíços e 40 funcionários locais.
A Otan anunciou, por sua vez, que vai apoiar o governo afegão “o máximo que puder”, segundo seu secretário-geral, Jens Stoltenberg, após uma reunião com os embaixadores da Aliança em Bruxelas.
– Proposta do governo -Enquanto os talibãs continuam ganhando terreno no Afeganistão, no âmbito diplomático tentava-se em vão chegar um acordo em Doha, no Catar.
As negociações terminaram na quinta-feira sem avanços significativos e, em uma declaração comum, os Estados Unidos, o Paquistão, a União Europeia e a China afirmaram que não vão reconhecer nenhum governo afegão que se “imponha pela força”.
Na quinta, o executivo afegão propôs “aos talibãs uma distribuição de poder em troca do fim da violência”, uma ideia até agora rejeitada pelo presidente afegão, Ashraf Ghani, e que poderia não interessar em absoluto aos talibãs, em vista de seu avanço.
“Estou profundamente preocupado com os primeiros indícios de que os talibãs estão impondo restrições severas aos direitos humanos nas áreas sob seu controle, especialmente a mulheres e jornalistas”, disse nesta sexta o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
Os americanos assinaram em fevereiro de 2020 um acordo com os talibãs que incluía a retirada das tropas estrangeiras em troca de garantias na área da segurança.
Os enfrentamentos têm um custo terrível para a população civil. Em um mês, pelo menos 183 civis, entre eles crianças, morreram em Lashkar Gah, Kandahar, Herat (oeste) e Kunduz, e 250.000 pessoas foram deslocadas pelo conflito desde o fim de maio.
Oitenta por cento dos que tiveram que deixar suas casas são mulheres e crianças, segundo a ONU, que estima que o número total no país chegue a 400.000.
May be an image of 3 people, people standing and outdoors
Carlos Fino, Eunice Brito and 83 others
15 comments
17 shares
Like

Comment
Share
15 comments
Most relevant

a queda do afeganistão

Views: 0

PUB
Com o apoio
Português
English
Assine e tenha acesso a todos os artigos. Oferta 3 meses.

Subscribe and get full access. 3 months free.

13 de agosto de 2021

Afeganistão: a guerra sem fim vai perdurar

Ivo Neto
ivo.neto@publico.pt

“Não podemos continuar este ciclo de enviar soldados para o Afeganistão na esperança de se criarem condições ideais para a retirada. É hora de acabar com a guerra eterna”
Joe Biden, 14 de Abril de 2021

A retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão é um dos grandes desafios de Joe Biden. Vinte anos depois da chegada ao território, na sequência dos atentados do 11 de Setembro, e após mais de dois mil soldados mortos, os EUA preparam-se para abandonar este teatro de guerra.

Todo este processo está longe de ser uma vitória por parte dos norte-americanos, que ao longo das duas décadas contaram com o apoio de vários países europeus na gestão do conflito. A coligação está a ser posta à prova com as recentes conquistas de importantes cidades por parte dos taliban e que motivam um jogo de culpas entre velhos aliados. Representantes da Alemanha e do Reino Unido explicam a situação presente com o péssimo acordo assinado ainda durante o mandato de Donald Trump. “É o país deles que têm de defender agora. É a luta deles”, respondeu, esta semana, numa conferência de imprensa o porta-voz do Pentágono, John Kirby.

“Estas são as suas forças militares, são as suas capitais de província, o seu povo que têm de defender; vai realmente depender da liderança que estão dispostos a exibir aqui e agora, neste momento particular”, insistiu Kirby, sublinhando que não haverá qualquer recuo no processo da retirada militar.

E com o avanço, a um ritmo cada vez mais acelerado por parte dos taliban, milhares de afegãos, que ao longo destes últimos anos colaboraram com os militares ocidentais, esperam uma passagem segura para os EUA. São tradutores, intérpretes ou analistas presos na burocracia de Washington à espera de um visto que lhes permita escapar das ameaças de quem procura vingança pelo apoio dado às forças internacionais. A Operação Refúgio dos Aliados arrancou no final de Julho e os primeiros 2500 afegãos começaram a chegar à base militar de Fort Lee ainda antes do início de Agosto.

?Mas há muitos mais que a cada dia que passa vêem a ameaça crescer e um recente relatório independente diz mesmo que a capital do país, Cabul, pode vir a ser tomada pelos taliban em 90 dias.

Uma ameaça à humanidade

E as ameaças ao bem-estar não se resumem a conflitos armados. O novo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas na sigla inglesa) traz um claro “banho de realidade para toda a humanidade”. Em qualquer cenário, o planeta deve aquecer 1,5 graus Celsius até 2040. “A escala das mudanças recentes no sistema climático como um todo e o estado presente de muitos aspectos do clima não tem precedente ao longo de muitos séculos a muitos milhares de anos”, pode ler-se no relatório que a jornalista Patrícia Carvalho esmiuçou.?

São mudanças sem precedentes e de responsabilidade humana, sem dúvida, e que podem ter repercussões dantescas para toda a humanidade. Os sinais são claros. Desde o calor extremo que algumas cidades na Europa enfrentam, com incêndios de enormes proporções nas últimas semanas, até ao degelo nos pólos. Os sinais do impacto do aquecimento global estão à vista de todos.

As controvérsias de Bolsonaro

Uma ameaça que tem um impacto brutal sobre os mais frágeis, os mais dependentes da natureza para a sua subsistência. Como os povos indígenas do Brasil, com a vida ainda mais ameaçada devido à covid-19.

Ora, a organização Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) apresentou, esta segunda-feira, uma queixa contra o Presidente, Jair Bolsonaro, responsabilizando-o pela morte de 1162 pessoas de 162 comunidades indígenas devido à forma como fez a gestão da pandemia. “Acreditamos que estão em curso no Brasil actos que se configuram como crimes contra a humanidade, genocídio e ecocídio”, disse Eloy Terena, da APIB.

Isto, na mesma semana em que se fica a saber que uma lei criada para promover a maior transparência sobre a gestão pública e a fiscalização de poderes no Brasil está a ter um efeito contrário. O Governo brasileiro usou um artigo da legislação para bloquear durante 100 anos informações como se Jair Bolsonaro foi ou não vacinado contra a covid-19 ou quantas vezes os seus filhos tiveram acesso ao Palácio do Planalto. Mais um sinal da pouca transparência do Governo brasileiro a pouco mais de um ano das eleições que vão ditar quem será o futuro Presidente do Brasil.

A decisão de vacinar as crianças

Em Portugal, com parte do país a banhos e a outra a tentar resistir à primeira onda de calor deste Verão, a Direcção-Geral da Saúde decidiu recomendar a vacinação contra a covid-19 nos adolescentes entre os 12 e os 15 anos.?

Uma decisão defendida há muito por políticos, como o primeiro-ministro ou o Presidente da República, e até por Gouveia e Melo, coordenador da task force para a vacinação em Portugal, que tinha apelado para que esta medida fosse tomada o quanto antes, de forma a cumprir as metas estabelecidas para a tão ambicionada imunidade grupo.

E, de acordo com especialistas da Nova Zelândia, será mesmo a vacina a principal arma para se conseguir erradicar completamente o vírus, ainda que alguns países continuem a registar aumentos de novos casos.

Adeus Tóquio, Paris é já ali

E com o final dos Jogos Olímpicos é tempo de fazer análises e perspectivar os próximos Jogos, que decorrem em 2024, em Paris. O jornalista Marco Vaza esteve em Tóquio e viu Pedro Pablo Pichardo, que conquistou o ouro para Portugal no triplo salto, a ser o porta-bandeira na cerimónia de encerramento dos “Jogos mais estranhos de sempre”.?

A covid-19 atrasou a competição durante um ano e chegou a ameaçar a sua realização. Ainda assim, numa prova da superação que simboliza o espírito olímpico, Tóquio viu vários atletas fazerem façanhas impossíveis para o mais comum dos mortais. E outros, que mesmo depois de já terem subido ao Olimpo, demonstram que são humanos como nós. Aqui pode ver a lista de dez nomes que marcaram os Jogos de Tóquio.

Um Verão pelo interior

Como despedida, uma sugestão para uns dias de sol longe das multidões que acorrem às praias do litoral.

Em Mirandela, o Ribeira House é um alojamento local que combina o melhor de dois mundos: central, mas sem o característico burburinho urbano. A pouco mais de 1h30 do Porto é um excelente ponto de partida para quem quer explorar o melhor que Trás-os-Montes tem para oferecer.

Bons passeios e bom fim-de-semana.

Um abraço,

Ivo.

Siga-nos
PUB
Gerir newsletters
Para ficar informado sobre a forma como o PÚBLICO trata os seus dados pessoais, por favor consulte a nossa política de privacidade.

Ao registar-se no site do PÚBLICO aceita e obriga-se a cumprir com os termos e condições de utilização do mesmo

© 2021 PÚBLICO Comunicação Social SA
Público recomenda Marketing Automation by E-goi. Experimente já!
Remover
Enviado para aicl@lusofonias.net
Apartado 1606 EC Devesas 4401-901 V. N. Gaia Porto Portugal
https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2021/08/Afeganistao_-a-guerra-sem-fim-vai-perdurar.pdf

a derrota do afeganistão

Views: 0

Ignorai a propaganda. A derrocada do governo de Ashraf Ghani nada tem de surpreendente. Este artigo é de 2009.
A caminho da pior das derrotas
O mais difícil, quando tudo estiver acabado, vai ser encenar qualquer coisa que tente iludir a desgraça à imagem do que foi a partida do último soldado soviético do Afeganistão, protagonizada pelo general Boris Gromov ao atravessar a ponte sobre o Amu Darya para o Uzbequistão ao sol de um meio-dia de Fevereiro de 1989.
A mais poderosa aliança militar do mundo, os seus aliados australianos, sul-coreanos e demais envolvidos caminham inexoravelmente para um fracasso militar e uma catástrofe política no Afeganistão, numa guerra que, passados oito anos, falha nos objectivos e se revela equívoca na estratégia e tácticas.
Guerra para quê?
Firmar um governo em Cabul suficientemente forte para impedir que o Afeganistão reverta a favor de investidas radicais islamitas na Ásia Central e covil de organizações terroristas é, agora, sacrificadas a realidades intratáveis a democratização ou os direitos das mulheres, o objectivo da NATO.
Limitar a produção e tráfico de drogas, desviando, na medida do possível, os seus proventos do financiamento de actividades subversivas e terroristas, surge, subsidiariamente, como condição muito necessária, mas não impreterível, para a NATO e aliados virem a conformar-se com uma autoridade autocrática em Cabul capaz de evitar a desagregação do estado afegão por via de acordos com potentados regionais e senhores da guerra.
Barack Obama acabou de selar o compromisso de mais tropas no terreno e maior compromisso na formação de militares e polícias afegãos na expectativa de dentro de quatro a cinco anos poder iniciar uma retirada gradual de tropas.
Em números redondos, os Estados Unidos contarão, em meados de 2010, com 100 mil militares no Afeganistão e os seus aliados somarão outros 40 mil homens, chegando, assim, a níveis de presença no terreno superiores aos cerca de 120 mil homens que a União Soviética mobilizou ao apogeu da intervenção que se arrastou por uma década desde o final de 1979.
Afeganizar a guerra, duplicando os actuais efectivos do exército para 240 mil homens e da polícia para 160 mil, afigura-se difícil de conseguir a curto prazo.
As actuais taxas de deserção no exército rondam um para quatro e os efectivos mal chegam aos 134 mil homens. A desproporção étnica, dada a dificuldade de recrutamento entre a maioria pashtun (40% da população), é, ainda, perigosa, dado que os tadjiques (um quarto da população) representam 41% dos efectivos e dominam as chefias militares e do ministério da defesa.
Baixas civis e militares muito aquém das provocadas pelas tácticas de terra queimada e gente massacrada da URSS, legitimação internacional por obra de mandatos da ONU, distinguem, no imediato, a guerra da NATO da invasão soviética.
Os investimentos em infraestrutruras e desenvolvimento rural claudicam, no entanto, ainda mais do que os tentados durante a intervenção soviética, e a corrupção administrativa é tão endémica e pervasiva quanto a dos anos oitenta e surge potenciada pelo tráfico de drogas, que ronda, presentemente, os 4 mil milhões de dólares por ano.
Pior do que antes
Um dos factos alarmantes resume-se a isto: sem apoios estrangeiros significativos (como o arco que uniu Washington, Islamabad, Riade e Pequim contra Moscovo) ou equipamento militar de ponta (caso dos fatais mísseis Stinger, que fizeram claudicar o domínio aéreo soviético), a insurreição taliban no Sul e Leste do Afeganistão, além da guerrilha de históricos radicais islamitas como Gulbuddin Hekmatyar, e revoltas locais alastrando além das áreas de maioria pashtun, replicam para pior o impasse que levou à derrota soviética.
Desta feita, o pecado original não advém de um erro de cálculo estratégico ao desencadear a invasão, como ocorreu com a intervenção soviética de Dezembro de 1979, apesar de desde os idos de Outubro de 2001 a investida militar liderada pelos Estados Unidos esbarrar contra as resistências dos tradicionalismos locais e, sobretudo, claudicar ante algo que implica pensar estratégia.
Um governo afegão alinhado com a Índia (alvo de sucessivos atentados à sua representação diplomática em Cabul desde que Nova Deli apostou em Hamid Karzai ou quem seja poder na capital afegã e se mostre adverso a submter-se ao Paquistão) será sempre tido em Islamabad como um risco estratégico.
A contenção dos riscos de subversão radical islamita nas províncias pashtun na fronteira do Afeganistão nunca será tida em Islamabad como algo que valha contrição militar face à Índia e, pelo lado do Paquistão, o vizinho da Ásia Central pode ir ardendo a fogo lento.
Nada ajuda
A acrescer risco ao compromisso de Obama, advém o crescendo de tensão com o Irão, as dificuldades previsíveis para cumprir o calendário de retirada do Iraque, e os custos da guerra num clima pouco propício, sem que o governo de Cabul revele lisura ou eficácia administrativas.
Custos de 3,6 mil milhões de dólares/mês, quase mil mortos norte-americanos até agora, outros 30 mil milhões de dólares por ano para pagar o reforço de efectivos no Afeganistão, tornam cada vez mais difícil de fazer aceitar uma guerra por um eleitorado que dentro de um ano decidirá as maiorias no Congresso de Washington.
As contas estão feitas e as realidades no terreno obrigariam a um muito maior investimento em tropas e ajuda económica efectiva que são inaceitáveis para os eleitorados ocidentais.
Quando a guerra e os caixões retornarem em força, passado o Inverno no Afeganistão, e se aproximarem as eleições gerais britânicas e as votações para o Congresso de Washington no final de 2010, pouco haverá para apresentar de positivo da investida militar.
A partir daí será o princípio do fim, a busca afogueada de compromissos para uma retirada, sem que se possa presumir o que venham a ser as consequências globais da pior das derrotas possíveis: a que nem se pode assumir como tal.
(Artigo de 2 Dezembro 2009)
May be an image of 2 people, people standing, people sitting, motorcycle and road
2
Like

Comment
Share
0 comments

portugal à moda da holanda

Views: 0

May be an image of map and text that says "LAND PROJECTED TO BE BELOW ANNUAL FLOOD LEVEL IN 2030 Porto A43 Canlaveses A20 Espinho Castelo de Paiva A32 Santa Maria da Feira E1 Ovar A29 Arouca, Portugal São Pedro Sul, Portug Aveiro Ilhavo A25 Vagos A17 Agueda Tondela E1 E801 Mira A17 Cantanhede, Portugal Tocha, Portugal Luso A35 Mortágua IP3 A14 Figueira daFoz Coimbra A17 Condeixa-a-Nova Lousã Castanheira de Pêra Pombal Below water level"
4
2 comments
Like

Comment
2 comments
  • Álvaro Lopes

    bom, vê as coisas desta forma: um terço da Holanda está abaixo do nivel médio do mar. O que vai acontecer é que vamos ter que obrigatoriamente criar diques e afins para que a água não suba tanto. Resta saber quem paga…
    • Like

    • Reply
    • 1 h
  • Jorge Viana

    E o problema é que só construindo paredões , pontões, diques e outras protecções para evitar males maiores.
    porque o processo já está irreversível…
    • Like

    • Reply
    • 1 h

saem americanos preço da droga baixa

Views: 0

Favourites 21 m
AFEGANISTÃO – MAIOR PRODUTOR DE ÓPIO DO MUNDO
A produção de ópio no Afeganistão, já em 2009, correspondia a 90% de toda a produção de ópio consumida no mundo. O Afeganistão tornou-se, já a partir de março de 2008, o maior produtor de ópio do mundo, à frente da Birmânia e do “Triângulo Dourado”. O Afeganistão nunca produziu tanto ópio quanto em 2017. Foram 9 mil toneladas, 87% mais do que no ano anterior, de acordo com relatório divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobr…

See more
Produção de ópio bate recorde no Afeganistão e deve ampliar oferta de droga barata no mundo - BBC News Brasil
BBC.COM
Produção de ópio bate recorde no Afeganistão e deve ampliar oferta de droga barata no mundo – BBC News Brasil

o exodo de cabul

Views: 0

Carlos Fino
Favourites · mttSponsor3temd ·
DIPLOMATAS OCIDENTAIS ABANDONAM CABULDenmark & Norway shutter Kabul embassies, Germany cuts staffing to bare minimum as West’s exodus continues
Denmark & Norway shutCarlos Fino
Favourites · mttSponsor3temd ·
DIPLOMATAS OCIDENTAIS ABANDONAM CABUL
Denmark & Norway shutter Kabul embassies, Germany cuts staffing to bare minimum as West’s exodus continues
RT.COM
Denmark & Norway shutter Kabul embassies, Germany cuts staffing to bare minimum as West’s exodus continues
Denmark and Norway have announced plans to close their emter Kabul embassies, Germany cuts staffing to bare minimum as West’s exodus continues
RT.COM
Denmark & Norway shutter Kabul embassies, Germany cuts staffing to bare minimum as West’s exodus continues
Denmark and Norway have announced plans to close their em