mais um saneamento na TSF

Views: 0

Favourites t3d8Spmonsorlfted
TRISTEZA
JORNALISMO – MAIS UM SÉNIOR COMPELIDO A SAIR
Visão | Carlos Vaz Marques sai da TSF e acusa chefias de "bullying profissional"
VISAO.SAPO.PT
Visão | Carlos Vaz Marques sai da TSF e acusa chefias de “bullying profissional”
Após 31 anos, o jornalista rompe com a estação de rádio e segue com processo para tribunal
You, Artur Arêde and 59 others
4 comments
3 shares
Angry
Angry

 

Comment
Share

não se joga à bola

Views: 0

A Federação de Futebol do Afeganistão apoiou a modalidade feminina nos últimos sete anos e, agora, os dirigentes fugiram com as respetivas famílias para a Índia.
Afeganistão: dirigentes pedem asilo com medo de represálias dos talibãs
TVI24.IOL.PT
Afeganistão: dirigentes pedem asilo com medo de represálias dos talibãs

o terrorista das falas mansas

Views: 2

falinhas mansas
Antes, o porta-voz Taliban Zabihullah Mujahid era quem assumia responsabilidade por alguns dos tentados mais sangrentos no Afeganistão. Hoje, com falinhas mansas, anunciou numa conferência de imprensa a intenção do novo regime respeitar as mulheres e não perseguir os colaboradores com as forças ocidentais, mas não é isso que se passa fora de Cabul, p.e. em Candahar e Cunduz, segundo a BBC.
(imagem TOLOnews)
May be an image of ‎1 person, beard and ‎text that says "‎/TOLOnews پلازمینه کما خبري ساعت بنستونه دي ببرته فعاله او ژوند عادي حالت ته راوكرخي طلوع ۷۰۶‎"‎‎
1
Like

 

Comment
0 comments

o porto da horta

Views: 0

O PORTO DA HORTA: OUTRA VEZ, OU AINDA
Há pouco mais de dois anos, escrevi o seguinte (longo) texto sobre o porto da Horta. Porque acho que continua a ter alguma atualidade, aqui fica, para quem tiver pachorra de lê-lo ou relê-lo:
O PORTO DA HORTA E O MEU FORNO DE LENHA
Assisti na tarde de hoje no Salão Nobre dos Paços do Município à sessão do Conselho de Ilha do Faial. Intervim, no tempo destinado ao público, sobre o Porto da Horta, tema que ocupou largamente o debate.
Contei, na ocasião, que recentemente fiz obras na minha casa. Por essa altura decidi construir um forno de lenha. Com a empreitada quase pronta pareceu-me que o chamado «pescoço de cavalo», por onde passa o fumo em direção à chaminé, estava demasiado estreito.
Falei com o mestre e ele respondeu-me: está tal e qual como no projeto. Como não percebo nada de fornos, calei-me.
A verdade é que, com o passar do tempo, deixei de acender o forno. Das primeiras vezes que o fiz encheu-me a cozinha de fumo!
Quis com isto dizer que o que se está a passar com o Porto da Horta — e apesar de todas as comparações serem coxas — é parecido com o que se passou com o meu forno.
Há dúvidas e, em vez de se tratar de dissipá-las, está-se na disposição de avançar com a obra sem resolvê-las!
O que é que vai acontecer? Se as obras não resultarem ficará o porto perdido.
Além disto, no caso do Porto da Horta, temos um flagrante exemplo que nos mostra a imperiosa necessidade de se redobrarem cautelas.
O cais norte do Porto da Horta deveria servir de alerta para a importância de não tomar decisões irreversíveis.
Claro que eu estou partindo do princípio que a orientação do novo cais provoca agitação marítima na zona oposta do porto, a sul.
Nos últimos anos esta questão tem feito parte do dia-a-dia de quem se interessa pelo nosso porto.
Basta subir à Espalamaca e, na «Santa», observar a ondulação de certo quadrante para se perceber que o espelho de água protegido pela doca (antiga), no interior da baía, como que bebe as correntes que entram por lá dentro.
Algum efeito terá. Pouco? Só Deus sabe e está calado.
Há muito tempo que o Senhor Mário Moniz teve a iniciativa, através do seu partido (Bloco de Esquerda) e como deputado regional, de defender uma avaliação, suportada tecnicamente, sobre os efeitos da agitação marítima na bacia de manobra do Porto da Horta.
De lá para cá, não tem faltado quem insista no assunto, sejam os partidos políticos, sejam cidadãos individualmente.
Com o lançamento a concurso da empreitada da obra do Porto da Horta (a 2.ª fase, depois da 1.ª que contemplou o Terminal Marítimo, o molhe e o cais a partir da Alagoa) anunciada para o ano em curso, parece que a agitação marítima contagiou as consciências que por sua vez andam em alvoroço. E, na minha opinião, não é para menos, pois se à nossa baía acontecer o que aconteceu ao meu forno teremos água pela barba!
Para mim, neste momento, há duas coisas indiscutíveis que não teriam acontecido sem a 1.ª fase da obra do Porto da Horta: a grande melhoria das condições de transporte marítimo resultantes da construção do terminal de passageiros e a notória degradação das condições de abrigo e tranquilidade de «uma das mais belas baías do mundo».
Perguntar-me-ão: teria sido possível uma sem a outra?
Não sei responder, mas, por outro lado, sou levado a
pensar que, se os efeitos que hoje ocorrem a sul por causa do novo cais a norte tivessem sido antecipados, com a realização de estudos, a obra não teria sido realizada da maneira como foi. .
Ora se, como atrás referi, temos tão flagrante exemplo de que um passo mal pensado e por isso mal dado pode acarretar consequências irreparáveis, por que carga de água não nos havemos de prevenir e deixar tudo preto no branco quanto às consequências e efeitos que advirão da intervenção respeitante à 2.ª fase da obra do nosso porto?
Julgo que não haverá dúvidas sobre o verdadeiro oásis que a baía da Horta representa em pleno Atlântico Norte, não apenas pela sua privilegiada localização, apenas suplantada pelas enseadas da ilha das Flores, mas que por sua vez a elas se superiorizou precisamente pelas excecionais condições de abrigo e segurança que oferece.
Foram mais de 500 anos a ganhar notoriedade, que uma leviana, indesculpável e inconsciente atitude poderá deitar borda fora!
Tenho tido dificuldade em compreender a rija indiferença do Governo Regional dos Açores e da empresa Portos dos Açores perante os alertas, avisos e protestos dos faialenses, veiculados por alguns destemidos cidadãos.
Não entro pelo campo da disputa político-partidária, que para mim é legítima, mas lembro que, se há exageros e aproveitamentos, não são apenas de um lado.
Mas este assunto é político, porque se não o fosse a 2.ª fase do Porto da Horta já estaria pronta e mal feita. Se o Governo mandou fazer três versões de um projeto é porque reconhece que as duas primeiras estavam mal. A pressão política funcionou.
Fiquei boquiaberto no Conselho de Ilha de hoje quando ouvi um reputado cidadão e conselheiro dizer: primeiro o projeto, depois os detalhes.
Se estou de acordo com o princípio, já não estou quando percebi que esta máxima pretendia justificar o avanço da obra, cujo concurso está anunciado para antes do final do ano, como atrás referido.
Pois bem, o meu forno volta a servir de exemplo.
Vamos fazer uma obra para depois, verificadas as deficiências de eventuais detalhes, então corrigi-las com entulho ou partindo pedra?
Esta ânsia de mostrar obra é acompanhada pela Câmara do Comércio e Indústria da Horta, que quer investimentos no Faial, mas também dá mostras de pensar pouco no assunto.
Por um lado defende que o processo não pode parar, por outro diz que é preciso corrigir o que possa nele estar mal. Pergunto eu: não é isso que todos queremos? E as correções serão feitas quando?
Depois da obra feita?
A mesma Câmara do Comércio afirma que temos que acreditar nos técnicos. Mas não foram os técnicos que nos construíram as Portas da Ribeira e já vão na 3.ª versão da 2.ª fase? As Portas da Ribeira deram-nos cabo do porto, enquanto as 1.ª e 2.ª versões do projeto não estavam, de certeza, bem elaboradas, senão não teriam sido abandonadas.
Será que ter fé, apenas, nos técnicos é avisado?
É preciso, diz a Câmara do Comércio, dar condições aos iatistas cujos barcos têm que ancorar atualmente no meio da baía. Mas se tivermos um porto a chocalhar barcos eles hão-de passar lá por fora e dizer-nos adeus, evitando uma dor de cabeça.
A nomenclatura local não quer estudar os efeitos da agitação marítima dentro do porto. Mas diz que, se o estudo de impacto ambiental for negativo, a obra não avançará. Porquê esta dualidade de critério? Será porque o primeiro é reivindicado pelos cidadãos e seus representantes e o segundo será feito por um departamento governamental?
É por isto que eu acho que há sintomas de teimosia na atitude dos nossos governantes e seus pajens.
Entretanto, penso que é importante estar atento ao novo presidente da Portos dos Açores. Não quero fazer juízos prematuros, mas vejo sinais de uma campanha em curso que temo não ser de esclarecimento, mas de intoxicação. Veremos.
Digo isto porque se fala de estudos, reconhece-se «alguma» agitação» no porto, mostra-se disponibilidade para debater, mas não há um papel, nem vontade de o elaborar, em que possamos ler qual a real dimensão deste problema.
Não seria bom, de uma vez por todas, mostrar por «a+b» que, afinal, a agitação marítima no porto é «x», acontece na zona «y» e a sua repercussão é «z»?
Não seria ótimo fazer um desenho e mostrar que as causas da agitação têm origem «aqui», que é preciso alterar qualquer coisa «ali» para que o efeito não se faça sentir «acolá»?
Estou a insistir na agitação por dois motivos: porque acho que é o principal prejuízo de que o nosso porto está a ser vítima e porque não vejo nenhuma vontade de resolver a questão.
A terminar este estendal tenho que dizer que esperava mais de algumas pessoas que se instituem paladinos desta causa, uma das mais prementes dos últimos anos no Faial.
Eis dois exemplos, extraídos do Conselho de Ilha e provenientes de um antigo e loquaz defensor do porto e de um imberbe convertido à cartilha:
O Porto da Horta, diz o primeiro — e cito de memória — foi palco de grandes naufrágios e até o Funchal já teve que ir abrigar-se debaixo da Ponta da Espalamaca! Fala o segundo: no tempo da Espalamaca, da Calheta e da Velas, lembram-se de não ser possível saltar para dentro da lancha por causa dos balanços?
Meus bons amigos: não tenho idade suficiente para me lembrar de muitas coisas ocorridas no nosso porto, mas não tenho memória de alguma vez ter sido impossível atracar na doca e se o Funchal foi lá para baixo então foi mesmo num dia ímpar na história do Porto da Horta. E também não me lembro de alguém não conseguir saltar para a lancha no cais de Santa Cruz. Mas se a história o diz, quem sou eu para contestar?
Agora, uma coisa é certa: os que querem menor agitação no porto é porque querem que estas coisas não voltem a acontecer; os outros mostram somente a sua aversão à crítica.
Like

Comment
Share
0 comments

AS ANTAS DO CABRITO NO PICO…

Views: 0

AS ‘ANTAS’ DO CABRITO 😉
Um destes dias armei-me em turista na minha terra. No Cabrito, Santa Luzia, chamou-me a atenção uma placa indicando a direção duns arcos vulcânicos. Não me lembro se já os tinha visto, mas lá voltei mais tarde. Vi-os, fotografei-os…e acho bem a referência e a indicação (embora pudesse ser mais precisa a localização)… mas não havia necessidade de usarem o símbolo duma anta (!?) para se referirem aos arcos. (A placa foi feita por uma empresa de mobiliário urbano de … Bragança, Bricantel, mas alguém de cá podia ter dito que não há antas nos Açores. Haverá uma ou outra ‘anta’, mas não antas dessas. 😉 Os Arcos, mais ao lado foram assim designados por causa dos seus arcos , o mais emblemático a Ponta da Baixa…que já caiu. É curioso que seja agora o Cabrito o sítio onde se pode ver mais arcos.
6
Like

Comment
0 comments

“Estado islâmico” alimentar?

Views: 0

“Estado islâmico” alimentar?
Sandes de chouriço, croissants, empadas ou batatas fritas são alguns dos alimentos que passam a ser proibidos nos bares das escolas públicas, onde também deixará de haver hambúrgueres, cachorros-quentes e sumos com açúcar adicionado. É o “politicamente correcto” levado ao exagero! Nem tanto ao mar, nem tanto à serra.
Conheci uma senhora com 90 anos de idade que quando ia ao médico a conversa era sempre a mesma. “A senhora não pode comer isto e aquilo. Também não pode comer aquilo e mais aquilo”. Dizia mais ou menos assim o médico, de resto muito competente. Até que um dia a senhora retorquiu: “Olhe, senhor dr., pior que tudo é passar fome. E eu não vou passar fome”. Resposta do clínico: “Também tem razão!”.
Como os alunos nas escolas públicas não podem agora comer sandes de chouriço, croissants, empadas, batatas fritas, hambúrgueres, cachorros-quentes e sumos com açúcar adicionado, vão comer isso tudo – e muito mais, certamente – nos estabelecimentos de restauração no exterior das unidades escolares. Fome é que não vão passar, como sugeria a tal senhora idosa.
Tem que se defender e promover uma alimentação saudável, mas sem exageros. A proibição agora imposta resolve pouco, porque, como referi, os alunos vão procurar alternativas.
De resto, gostaria de saber se os decisores político-governamentais que impuseram agora tal medida comem ou não sandes de chouriço, croissants, empadas, batatas fritas, hambúrgueres, cachorros-quentes e sumos com açúcar adicionado.
Muito pior do que tudo isso, é proliferar droga – ou drogas – nas escolas públicas ou nas imediações das mesmas, como de vez em quando é referido. É com isso que as autoridades têm que se preocupar, acima de tudo. Sandes de chouriço, croissants, empadas, batatas fritas, hambúrgueres, cachorros-quentes e sumos com açúcar adicionado podem ser consumidos com “peso e medida”, porque não matam ninguém. A droga, essa sim, mata! Deixem-se de exageros! Ou caminhamos para um “estado islâmico” alimentar?
3
Like

Comment
Share
0 comments

Afeganistão: consciência ideológica, nacionalismo e fundamentalismo

Views: 2

Afeganistão: consciência ideológica, nacionalismo e fundamentalismo
Prometo que será o último post sobre o Afeganistão (ainda que saiba que será uma promessa difícil de cumprir).
Quando a Revolução Socialista foi vitoriosa no Afeganistão, implantou profundas medidas libertadoras, tanto no campo dos direitos civis, como no caso das mulheres e na separação do Estado e religião, como económica, com a reforma agrária. Contudo, houve um descompasso entre o avanço nas relações de produção e as forças produtivas existentes, bem como na superestrutura ideológica. A hegemonia socialista estava em Cabul e arredores, com resistência tribal nos campos. Nada disso seria grave, se não fosse a intervenção imperialista no suporte militar aos fundamentalistas islâmicos do interior do país, que não teriam sido capazes de impedir o progresso e a mudança de consciências caso não fossem articulados e armados pelos EUA e aliados. Cabul recorreu à Moscovo. Infelizmente, nas condições que existiam então, esse auxílio externo, com toda a máquina de propaganda e militar que trabalhou em favor dos fundamentalistas tribais, não poderia ser vitorioso. Cabul não é o conjunto do país.
Este caldo engendrou os talebãs. Que provavelmente, quando governaram entre 1996 e 2001, não contassem ainda com um apoio da maioria da população. Contudo, a intervenção imperialista, da qual os EUA é o maior responsável, mas na qual outros Estados, como Portugal, colaboraram, mudou essa situação. Isto nos deve lembrar de um facto que incrivelmente uma grande parte da esquerda esquece (a social-democracia, a esquerda post-moderna, incluindo muitos trotskistas e mesmo alguns partidos comunistas, encantados com ficções como ‘o projeto europeu’ do grande capital internacional), de que mais potente que a solidariedade de classe ou mesmo a religião, a força ideológica mais mobilizadora nos últimos duzentos anos é o nacionalismo. Obviamente, com distintas implicações em cada caso: se nacionalismo de nações imperialistas ou de colónias e países dependentes; se misturada com conteúdos racistas ou socialistas, etc. Porém, foi e é a maior força mobilizadora dos povos.
Provavelmente, os talebãs, que não eram uma força maioritária, converteu-se hoje nesta, pois apesar de todo os seu reaccionarismo era a única forma de resistência contra a ocupação estrangeira. Infelizmente, quem pagará o preço disto não serão os promotores da invasão, mas as mulheres e o povo afegão em geral.
You and 7 others
2 comments
Like

Comment
Share
2 comments
  • Gabriel Magalhães

    Cenários possíveis para o Afeganistão após 20 anos de ocupação imperialista: 1) manutenção da ocupação e de uma guerra sem fim; 2) saída dos ocupantes e início de uma guerra civil entre os Talibãs e o exército títere dos EUA. Pior cenário a meu ver; 3) vitória do Talibã sem guerra civil. Dadas as circunstâncias duríssimas, o melhor cenário. É torcer para que o Talibã se conecte à China a partir da Rota da Seda e isso possa garantir algum aprimoramento na infraestrutura e crescimento econômico, de modo a, a média prazo, fortalecer internamente sujeitos que busquem o fim do Talibã. Está claro que algo desta natureza tem que ter tentáculos no meio rural do país, caso contrário um novo 1871 emergirá para esmagar possíveis forças laicas e socialistas que só tenham bases em Kabul.
    1
    • Like

    • Reply
    • 2 h
  • Carlos Serrano

    Germano Almeida, este post dialoga com o seu.
    1
    • Like

    • Reply
    • 1 h
    • Edited

a limpeza étnica da língua

Views: 0

Porque vale a pena pensar:
O que você acha da iniciativa do pessoal da internet de implantar um “gênero neutro” na língua portuguesa?
Não tem base linguística, não contribui a uma sociedade mais justa e é uma mudança cosmética no idioma, totalmente infundada. Se me permite dizer o que penso, é uma grande tolice. Tome a imagem das mulheres afegãs. Com todo o respeito que eu devo a essas mulheres que sofrem uma desigualdade tremenda no seu país por causa da ignorância dos que detêm o poder político e social sobre elas, acho que os que adotam a linguagem neutra porque supostamente um género neutro seria garantia de igualdade no tratamento a ambos os sexos (ou aos que não se identificam com sexo algum) nem sequer imaginam que a língua oficial do Afeganistão, do Irão e do Tajiquistão é “neutra”, destituída de géneros gramaticais. Sim, o persa é exatamente assim, nenhum traço de género, nem nos substantivos nem nos adjetivos. Para dar um bom exemplo, “o amigo” e “a amiga” neste idioma são ditos com uma só palavra, que não tem artigo definido ou forma específica para o masculino ou o feminino. O vocábulo original é “dūst” (“دوست” em alfabeto árabe, “дӯст” em cirílico). Se, portanto, a ausência de género nos levasse a crer na “modernidade” do persa nesse aspeto, então, como explicar que o talibã e o regime dos aiatolás não sejam exatamente o que se pode chamar governos feministas? Nem sequer tolerantes com as minorias sexuais? Ora, a condição da mulher nesses países está longe, muito longe de ser invejável, e nos dois primeiros a homossexualidade ainda é passível de pena de morte. Que o persa falado por lá seja um idioma “inclusivo” não interfere em nada, uma mulher afegã ou um homossexual afegão ficariam felizes se pudessem viver em Lisboa ou no Rio de Janeiro, mesmo tendo que falar um idioma como o nosso, tão “machista” em comparação com o persa. Por favor, um pouco de bom senso: algo não encaixa com a teoria da utilidade da linguagem neutra.
Voltemos à pergunta: dizer o quê? Duvido muito que essas pessoas consigam ser coerentes consigo mesmas e falar assim no quotidiano. Soa estranhíssimo aos ouvidos e para dizer a verdade cansa. Vamos por partes. Em primeiro lugar, é totalmente redundante começar a mencionar sempre ambos os géneros gramaticais em frases como “os professores e as professoras”, quando a forma mais curta “os professores” sempre bastou por si só para expressar a mesma ideia. Além de ser redundante, alonga desnecessariamente a frase, e na comunicação oral e escrita sabemos muito bem que o tempo é precioso. Quem estiver disposto a perdê-lo ainda que um pouquinho, que não se queixe dos resultados práticos, o primeiro deles é abrir mão da naturalidade e a consequente obrigação de prestar mais atenção. Uma pessoa que queira expressar-se assim terá que se vigiar constantemente para não acabar voltando atrás depois.
Na gramática o que chamamos às vezes de masculino genérico não significa que a mulher seja excluída da frase. Ela está incluída de maneira implícita, principalmente se a frase estiver no plural. Se estiver no singular, o sujeito poderá ser de qualquer sexo se for desconhecido ou se não se o quiser especificar: “O aluno desobediente será suspenso”, “aquele que quiser o melhor produto deverá pagar mais caro para obtê-lo”. Tanto aluno como aquele são de qualquer sexo imaginável. Quem não conhece o adágio popular “o bom filho a casa torna”? Pois filho aqui pode se referir ao filho varão ou à filha mulher, pouco importa. Acredito que ninguém em sã consciência seria capaz de interpretar a frase “todos os cidadãos são iguais perante a lei” como exclusivista (só seriam iguais os homens), pois o contexto é claro. Ao falar de leis, tem-se entendido que é para todo mundo. Além disso, a gramática portuguesa estabeleceu que o género das palavras muitas vezes fosse totalmente aleatório: as vítimas, as autoridades, as testemunhas, eis aqui palavras em princípio femininas, mas que incluem implicitamente indivíduos de qualquer sexo. “As autoridades pediram calma à população”. (Quem? Aqueles que estão no governo ou que ocupam uma posição de liderança num determinado grupo ou sociedade, claro, e na maioria das vezes podem ser tanto homens como mulheres… contanto que não se esteja a falar de autoridades eclesiásticas num contexto católico). Na sua opinião o masculino genérico é “injusto”? Justo ou injusto, faz parte da gramática da língua, todos os falantes falam desse jeito. Como o português não é uma língua construída intencionalmente como o esperanto, mas uma língua natural como a maioria das línguas com ou sem género gramatical, nenhuma das suas características gramaticais é voluntária (aqui eu falo de gramática descritiva, não de gramática prescritiva, mesmo que a segunda normalmente derive da primeira).
Em português sexo biológico e género gramatical não têm relação direta na língua portuguesa. Quer exemplos? Diálogo, desejo, ardor, parabéns, botão, lápis, caderno, tomate, freio, motor, anel, bracelete, colar, cabelo, ânus, dedo, pé, puma, leopardo, jaguar, jacaré, avestruz, bolo, açúcar, pinhão, bebé, conselho, augúrio, sortilégio, feitiço, gnomo ou anjo são palavras masculinas, mas são femininas as palavras conversação, saudade, crítica, dor, solidão, televisão, chave, carta, medalha, condecoração, unha, mão, pele, íris, onça, jaguatirica, garagem, chantagem, formiga, serpente, melancia, ginja, farinha, pinha, caneta, batata, admoestação, bruxaria, fada e assim por diante. Por qual razão areia, argila e terra tem que ser palavras femininas, mas pó, solo e chão são masculinas? Quem é capaz de entender isso? Tanto os conceitos mais abstratos como as realidades concretas dos seres e das coisas sempre puderam receber qualquer um dos dois géneros gramaticais da nossa língua, não há regra para isso.
Algumas palavrinhas bastante comuns são epicenas, ou seja, descrevem qualquer sujeito, independente do sexo: profissional, pediatra, adolescente, cliente, comunista, budista, cientista, presidente, vidente, paciente, artista, general, etc., com esses substantivos posso falar tanto da Maria como do José: “dizem que ele é um mal profissional”, “aquela adolescente gosta de atividades físicas”, “Cristina Krirschner foi presidente da Argentina”, “fulano é budista”… No português impera uma desordem total, não existe uma regra fixa para o uso do género gramatical do tipo “toda palavra terminada em a é feminina” ou “todo substantivo masculino tem que terminar em o”, e quando existe, há várias exceções. O idioma é aleatório na escolha do género e de muito mais, mas detrás da desordem há o uso das palavras, os seus significados, o seu peso: tudo foi sendo testado pelos falantes durante séculos e o que servia ficou; o que não servia, adeus.
A linguagem inclusiva estabelece uma uniformidade assustadora, quer pôr ordem na casa de supetão. Exagerando a importância da questão sexual e transplantando uma reflexão sociológica e política ao terreno do idioma, ela sonha em “corrigir” através dele um problema que ele nunca gerou. Como se bastasse incluir explicitamente alguém na fala para que todas as injustiças contra essa pessoa se resolvessem da noite para o dia. A língua portuguesa por si mesma nunca foi machista, as pessoas é que o são (salvo as exceções). Não há defeitos gramaticais em jogo, o que pode existir é machismo nas sociedades, coisa que se resolve com uma mudança de mentalidade, não com uma mera revisão do dicionário. Outrora a palavra gay era motivo de orgulho, pois além de homossexual (cuja origem remonta ao século XIX, na área da psicologia e da medicina) todas as outras mais coloquiais eram consideradas ofensivas: invertido, marica, maricas, larilas, chegado, rabeta, etc. Para não citar piores… Agora quando alguém diz “seu gay!” considera-se insulto em muitos lugares do Brasil. Uma simples mudança de vocabulário não basta, é a mentalidade que precisa ser repensada.
Em resumo, a intenção é boa (dar visibilidade às mulheres). Mas parte do ponto de vista duvidoso de que é a língua portuguesa que vai fazer isso, e não as ações concretas das pessoas na sociedade. É uma ideia absurda, cosmética e perigosa, porque desvia a atenção das pessoas dos verdadeiros objetivos da luta feminista e dos LGBT+ (dentro dos quais se inclui este que vos fala). Visibilizar verbalmente as mulheres e colocá-las ao lado dos homens em tudo o que se diga, acaba alargando desnecessariamente as frases, além de inevitavelmente excluir os indivíduos que não se reconhecem em categorias sexuais, ou talvez alguns transexuais. Sempre haverá aqueles que não se identificarão nem com um sexo, nem com o outro, e para eles ficará “elas por elas”, como diz o ditado.
Richard Aerts
1
2 comments
Like

Comment
Share
2 comments

Cabul e a vitória da guerrilha

Views: 1

Cabul e a vitória da guerrilha
O Afeganistão foi um território onde ingleses, russos e americanos nunca conseguiram impor-se à cultura local.
Só há uma explicação para isso: ao contrário de compreenderem o povo afegão, os seus costumes, as suas necessidades e os seus anseios, tentaram ocidentalizá-los, abrindo estradas, fazendo escolas e hospitais. Tudo isso constituiu um tremendo erro.
O islamismo tem de ser compreendido, estudado e interpretado segundo os princípios que o regem. A primeira grande diferença entre as culturas ocidentais, influenciadas pelas culturas greco-romana e judaica é que a religião, tal como Jesus afirmou, “é de Deus” e a política “é de César”. No islamismo, política, justiça e religião confundem-se sem dar lugar à tripartição do poder ‒ legislativo, executivo e judicial ‒ porque, soberano é Deus, que se revelou e ditou a justiça, as leis e a governação, através do seu profeta, Maomé.
As fontes da Lei são o Alcorão seguido da Suna (relato da vida e dos caminhos do profeta) e, depois, os hádices (narrativas do profeta). Tudo está contemplado nestes escritos tidos como sagrados e, mais do que isso, soberanos no sentido atribuído pelo Ocidente à palavra (depois da Revolução Francesa), ou seja, detentores de todos os poderes.
É assim, deste modo que, para um muçulmano, o Estado, a chefia do Estado e a chefia religiosa se confundem. Um condutor religioso é, também, um condutor político e jurídico.
Poder-se-á perguntar como foi possível, em certas regiões do Próximo Oriente e, até, nos Balcãs e na Península Ibérica, ter-se verificado, em tempos distantes, desenvolvimentos filosóficos e científicos que ultrapassavam os dos cristãos e, todavia, a resposta é simples, se a quisermos curta e sintética: o estádio de desenvolvimento cultural dos povos do Ocidente estava ainda fechado em torno de uma religião que, em moldes de rigor proselítico, não andava muito longe do dos islâmicos mais radicais.
O que aconteceu no Ocidente, justificativo da distância cultural entre cristianismo e islamismo, foi que, por cá, se ultrapassou, em pleno Renascimento, o teocentrismo, dando lugar a um antropocentrismo que, não renegando o papel de Deus no plano da religião, dá ao Homem um lugar que, em última análise, até pode “explicar” a vontade de Deus e a Sua obra criadora. Este foi o momento de corte entre as duas religiões e, consequentemente, das culturas que geram.
Na Turquia, depois do fim da Grande Guerra e da derrota militar do império Otomano, o general Mustafa Kemal Atatürk, fez-se proclamar Presidente da República e porque conhecia e entendia o papel do Iluminismo (um tempo de subversão do teocentrismo) na História do Ocidente, determinou a laicização do Estado, o mesmo é dizer, criou estruturas políticas e judiciais separadas da prática religiosa. Queria, assim, “modernizar” uma sociedade que, mantendo-se apegada ao modelo tradicional, jamais conseguiria aproximar-se das novidades de um mercado que se abria à tecnologia, à comodidade e ao conhecimento.
Para simplificar, podemos dizer que, com um golpe estratégico dentro da tradição islâmica, ele abriu as portas a um novo entendimento do papel da religião. É assim que se tornou possível, sem embates de maior nem choques culturais permanentes, a coexistência de comunidades islâmicas no seio das de maioria cristã.
Não perceber estas relações e a necessidade de conciliar tradições com inovações levou as grandes potências ocidentais até ao Afeganistão com uma só ideia: modificar, sem plano islâmico, uma população islâmica. Fizeram qualquer coisa como abrir uma estrada onde ninguém quer transitar. Ora, o único processo de poder alcançar mudanças era, estrategicamente, subverter a cultura islâmica através da sua própria cultura e, para tal, não sendo muçulmano como Atatürk, era preciso pensar como islâmico, deixando de lado todos os preconceitos ocidentais, porque, subverter passa por “estar dentro”, o mesmo é, literalmente, “entornar”, partindo de baixo para cima, porque o que as grandes potência quiseram fazer foi “sobreverter “ ou seja, fazendo tábua rasa do islamismo, “derramar”, sobre um povo impreparado, uma nova ordem cultural, jurídica, política e religiosa.
Esta vitória do islamismo radical vai ter efeitos que não podemos calcular de momento, mas de que, em breve, teremos notícias.
Para jogar xadrez não basta saber movimentar as peças!
Like

Comment
Share
0 comments

Para os meus amigos que não terão acesso a estes textos, aqui vos deixo esta importante e interessante lição da autoria do meu Amigo Luis Alves de Fraga.