os piores na lotaria das nações

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Na lotaria das nações, o Haiti tirou o bilhete mais amaldiçoado; mas o Afeganistão deve ter ficado com o seguinte. Se o Haiti ganha o título pela conjuntura geológica que o rodeia, e expõe a todo o tipo de desastres naturais, o território afegão reúne em si todo um conjunto de tribos e povos que se odeiam mutuamente e para cumular tudo, localiza-se a meio caminho de tudo: Ocidente e Oriente, Império Russo e Império Britânico, União Soviética e Bloco Ocidental, petróleo e ganância. Para se entender bem o que se passou nos últimos dias, é preciso recuar para lá do século XX. Bem para lá. Pelas suas características montanhosas e posição geográfica, é praticamente impossível falar de um grande império asiático que não o tenho envolvido: Macedónico, Partio, Maurya, Mongol. Juntando a isso ser uma zona fundamental nas Rotas da Seda, cobiçar o Afeganistão sempre foi natural. Foi no século XIX, no entanto, ao tornar-se no tampão entre a Índia Britânica e a Rússia que se foi tornando num joguete ocidental, nem sempre com bons resultados. O chamado Grande Jogo, um conjunto de manobras diplomáticas e militares na Ásia Central, colocou-o como palco central de maquinações que tinham como objectivo a posse da península indiana. A Grã-Bretanha, durante muito tempo, manteve uma influência perniciosa na zona até ao final da 1ª Guerra Mundial, quando um Afeganistão unificado se tornou independente no reino de Amanullah II. O rei tentou abrir o país à modernidade, estabelecendo relações diplomáticas com as grandes potências, concedendo vários direitos às mulheres, mas tal afrontou as ancestrais tribos afegãs, que por questões religiosas ou puramente conservadoras de machismo se recusavam a reconhecer isto. O rei foi assassinado, seguiram-se anos de guerra civil, mas ficam com uma ideia de um país ingovernável por natureza, ainda mais quando ingerem e tentam puxá-lo para o lado errado. É aqui que entram a URSS e os EUA. Na Guerra Fria e sucessiva luta entre blocos, os Soviéticos tentaram influenciar um país com apoios financeiros. Os EUA também; e assim, como tantas vezes na sua História e jogando com dois lados, os afegãos lucravam numa sociedade relativamente plural, pobre, mas pacífica. Em 1978, a URSS apoiou um golpe de estado no país que pôs fim à monarquia e visou instalar um regime comunista; e a partir daqui, foi o fim da picada. A opressão e insistência em nacionalizar a terra entre espaços tribais, perseguindo também as comunidades religiosas, levou à aparição de um grupo de zelotas combatentes simplórios que hoje conhecemos por Talibans. Extensos em vontade, reduzidos em armas, o grupo viria a receber o apoio dos EUA, que não queriam o aparecimento de um regime comunista nesta zona por város motivos, mas o principal era a proximidade do país de vastos campos petrolíferos a Oeste. Acresce também um conjunto de manobras diplomáticas internas dentro da Casa Branca que levaram ao poder um conjunto de políticos, nomeadamente o conselheiro de Segurança Nacional Zbigniew Brzezinski, profundamente pró-confito, anti-comunistas e pró-sauditas. O Afeganistão tinha também um clima quente, parecido com o da Indochina, em certas regiões. A CIA, portanto, transferiu os campos de ópio que cultivava no Vietname e no Cambodja para o Afeganistão, acrescentando mais um “bem” para desestabilizar a zona. Portanto, ajudou também ao treino destes Mujahedines que, quando a URSS invadiu o Afeganistão sob o pretexto de reforçar o apoio ao regime que estava no poder, se mergulhou num pântano que contribuiria para a sua queda. Nessa altura, como agora, os EUA lavaram as mãos da sua responsabilidade com os mujahedines e deixaram esta praga medieval à solta, o que culminou com o que se passou hoje – e pelo meio lhes explodiu na cara com o que se passou no 11 de Setembro (mais a dizer sobre isto, não neste textinho). Desde então, de guerra civil em guerra civil passando por nova invasão desestabilizadora norte-americana, o Afeganistão é isto: uma roda viva de ganância, estupidez e e atavismo. Uma população que não merece o que a História lhe reservou e que há décadas não sabe o que é viver de facto.
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AFEGANISTÃO – OS ERROS DE CÁLCULO DOS EUA

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AFEGANISTÃO – OS ERROS DE CÁLCULO DOS EUA
Tomada de Cabul é confirmação de anos de erros de cálculo nos EUA; leia a análise
Um exército afegão que não acreditou em si mesmo e um esforço dos EUA no qual Biden, e a maioria dos americanos, não mais acreditavam, trouxeram um fim trágico para a guerra mais longa dos Estados Unidos
David Sanger e Helene Cooper, The New York Times, O Estado de S.Paulo
15 de agosto de 2021 | 13h27
WASHINGTON – Os principais conselheiros do presidente Joe Biden admitem que ficaram chocados com o rápido colapso do exército afegão em face de uma ofensiva agressiva e bem planejada do Taleban que agora chegou a Cabul, capital do Afeganistão. Os últimos 20 anos mostram que não deveriam.
Se há um tema consistente ao longo de duas décadas de guerra no Afeganistão, é a superestimação dos resultados dos US$ 83 bilhões que os Estados Unidos gastaram desde 2001 treinando e equipando as forças de segurança afegãs e uma subestimação da estratégia brutal e astuta do Taleban.
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O Pentágono havia emitido terríveis advertências a Biden antes mesmo de ele assumir o cargo sobre o potencial do Taleban de sobrepujar o exército afegão, mas as estimativas da inteligência, que agora se provaram erradas, avaliaram que isso poderia acontecer em 18 meses, não semanas.
Foto – Herat Afeganistao Taleban
Patrulha do Taleban em Herat, uma das maiores cidades do Afeganistão. Foto: REUTERS/Stringer
Os comandantes sabiam que as aflições das forças afegãs nunca haviam sido curadas: a corrupção profunda, o fracasso do governo em pagar muitos soldados e policiais afegãos por meses, as deserções, os soldados enviados para o front sem comida e água adequadas, muito menos braços. Nos últimos dias, as forças afegãs entraram em colapso enquanto lutavam para defender um território cada vez menor, perdendo Mazar-i-Sharif, o motor econômico do país, para o Taleban.
Os assessores de Biden dizem que a persistência desses problemas reforçou sua crença de que os Estados Unidos não poderiam apoiar o governo e os militares afegãos para sempre. Em reuniões no Salão Oval nesta primavera, ele disse a assessores que ficar mais um ano, ou mesmo cinco, não faria uma diferença substancial e não compensaria os riscos.
No final, uma Força militar afegã que não acreditou em si mesma e em um esforço dos EUA que Biden, e a maioria dos americanos, não acreditavam mais que iria alterar o curso dos eventos combinados para trazer um ignóbil perto da guerra mais longa dos Estados Unidos. Os americanos mantiveram forças no Afeganistão por muito mais tempo do que os britânicos no século 19, e duas vezes mais que os soviéticos – com aproximadamente os mesmos resultados.
Os mapas mostram a velocidade impressionante dos avanços do Taleban depois que os Estados Unidos começaram a se retirar.
Para Biden, o último dos quatro presidentes americanos a enfrentar escolhas dolorosas no Afeganistão, mas o primeiro a sair, o debate sobre uma retirada final e os erros de cálculo sobre como executá-la começou no momento em que ele assumiu o cargo.
“Com Trump, estávamos a um tweet de uma retirada total e precipitada”, disse Douglas Lute, um general aposentado que dirigiu a estratégia afegã no Conselho de Segurança Nacional para os presidentes George W. Bush e Barack Obama. “Sob Biden, estava claro para todos que o conheceram, que o viram pressionando por uma força amplamente reduzida há mais de uma década, que ele estava determinado a encerrar o envolvimento militar dos EUA”, acrescentou, “mas o Pentágono acreditava em sua própria narrativa que ficaríamos para sempre.”
“O quebra-cabeça para mim é a ausência de planejamento de contingência: se todos sabiam que estávamos de saída, por que não tivemos um plano nos últimos dois anos para fazer isso funcionar?”
Um presidente cético
A partir do momento em que Biden se elegeu, tornando-o o próximo comandante-chefe de 1,4 milhão de soldados na ativa, funcionários do Pentágono sabiam que enfrentariam uma batalha difícil para impedir a retirada das forças americanas do Afeganistão . Os líderes do Departamento de Defesa já estavam se defendendo do antecessor de Biden, Donald Trump, que queria uma retirada rápida. Em uma postagem no Twitter no ano passado, ele declarou que todas as tropas americanas estariam fora naquele Natal.
E embora tenham expressado publicamente seu apoio ao acordo que Trump alcançou com o Taleban em fevereiro de 2020 para uma retirada completa em maio, as autoridades do Pentágono disseram que queriam convencer Biden a desistir.
Depois que Biden assumiu o cargo, altos funcionários do Departamento de Defesa começaram uma campanha de lobby para manter uma pequena força de contraterrorismo no Afeganistão por mais alguns anos. Eles disseram ao presidente que o Taleban havia se tornado mais forte sob o governo de Trump do que em qualquer momento nas últimas duas décadas e apontaram para estimativas de inteligência que previam que em dois ou três anos a Al-Qaeda poderia encontrar um novo ponto de apoio no Afeganistão.
Pouco depois de Lloyd Austin III tomar posse como secretário de defesa em 22 de janeiro, ele e o general Mark Milley, o chefe do Estado-Maior Conjunto, recomendaram a Biden que de 3.000 a 4.500 soldados permanecessem no Afeganistão, quase o dobro dos 2.500 soldados lá. Em 3 de fevereiro, um painel nomeado pelo Congresso liderado por um general da Marinha de quatro estrelas aposentado, Joseph Dunford Jr., recomendou publicamente que Biden abandonasse o prazo de saída de 1º de maio e reduzisse ainda mais as forças americanas apenas quando as condições de segurança melhorassem.
Um relatório do painel avaliou que a retirada das tropas em um cronograma estrito, em vez de quão bem o Taleban aderiu ao acordo, aumentou o risco de uma potencial guerra civil depois que as forças internacionais partissem.
Mas Biden, que se tornou profundamente cético em relação aos esforços americanos para reconstruir países estrangeiros em seus anos no Comitê de Relações Exteriores do Senado e como vice-presidente, perguntou o que alguns milhares de soldados americanos poderiam fazer se Cabul fosse atacada. Assessores disseram que ele disse que a presença das tropas americanas aumentaria a confiança do governo afegão nos Estados Unidos e atrasaria o dia em que ele assumiria a responsabilidade por sua própria defesa.
O presidente disse à sua equipe de segurança nacional, incluindo o secretário de Estado Antony J. Blinken e seu conselheiro de segurança nacional, Jake Sullivan, que estava convencido de que não importava o que os Estados Unidos fizessem, o Afeganistão quase certamente estava se encaminhando para outra guerra civil – uma que Washington não poderia impedir, mas também, em sua opinião, uma que não poderia ser evitada.
Em março, funcionários do Pentágono disseram que perceberam que não estavam chegando a lugar nenhum com Biden. Embora ele tenha ouvido seus argumentos e feito muitas perguntas, eles disseram que tinham a sensação de que ele estava decidido.
No final de março, Austin e o general Milley fizeram um último esforço com o presidente ao prever resultados terríveis nos quais os militares afegãos se dobrariam em um avanço agressivo do Taleban. Eles fizeram comparações de como os militares iraquianos foram derrotados pelo Estado Islâmico em 2014, depois que as tropas de combate americanas deixaram o Iraque, o que levou Obama a enviar as forças americanas de volta.
“Já vimos esse filme antes”, disse Austin a Biden, de acordo com autoridades com conhecimento das reuniões. Mas o presidente não se comoveu. Se o governo afegão não pudesse conter o Taleban agora, assessores disseram que ele perguntou, quando eles conseguiriam? Nenhum dos funcionários do Pentágono conseguiu responder à pergunta.
Na manhã de 6 de abril, Biden disse a Austin e ao General Milley que queria que todas as tropas americanas saíssem até 11 de setembro.
No final de junho, as agências de inteligência estimaram que, mesmo que o Taleban continuasse a ganhar poder, demoraria pelo menos um ano e meio antes que Cabul fosse ameaçada; as forças afegãs tinham as vantagens de um maior número e poder aéreo, se pudessem manter seus helicópteros e aviões voando.
Mesmo assim, o Pentágono agiu rapidamente para retirar suas tropas, temendo os riscos de deixar um número cada vez menor de americanos no Afeganistão e de membros do serviço militar morrendo em uma guerra que os Estados Unidos haviam dado por perdida. Antes do fim de semana de 4 de julho, os Estados Unidos entregaram a Base Aérea de Bagram, o centro militar da guerra, aos afegãos, encerrando efetivamente todas as principais operações militares dos EUA no país.
“Os afegãos terão que ser capazes de fazer isso sozinhos com a força aérea que têm, que estamos ajudando a manter”, disse Biden na época. Uma semana depois, ele argumentou que os afegãos “têm capacidade” para se defender. “A questão é”, disse ele, “eles farão isso?”
A vontade se foi
Para os críticos da decisão, o presidente subestimou a importância até de uma presença modesta, e a execução da retirada agravou ainda mais o problema.
“Nós os preparamos para o fracasso”, disse David H. Petraeus, o general aposentado que comandou as forças internacionais no Afeganistão de 2010 até ser nomeado diretor da C.I.A. A equipe de Biden, argumentou ele, “não reconheceu o risco incorrido pela rápida retirada” de drones de inteligência e reconhecimento e apoio aéreo aproximado, bem como a retirada de milhares de contratados que mantiveram a força aérea afegã voando – todos no meio de uma temporada de combates particularmente intensa.
O resultado foi que as forças afegãs no terreno “lutariam por alguns dias e depois perceberiam que não há reforços” no caminho, disse ele. O “impacto psicológico foi devastador”.
Mas funcionários do governo, respondendo a essas críticas, afirmam que os militares afegãos superam o Taleban, com cerca de 300.000 soldados para 75.000.
“Eles têm uma força aérea, uma força aérea capaz”, algo que o Taleban não tem, disse John F. Kirby, o secretário de imprensa do Pentágono, na sexta-feira. “Eles têm equipamentos modernos. Eles se beneficiam do treinamento que oferecemos nos últimos 20 anos. É hora de usar essas vantagens.”
Mas, quando Kirby percebeu essas vantagens, nenhuma delas parecia estar fazendo diferença. Sentir-se abandonado pelos Estados Unidos e comandado por líderes sem leme fez com que as tropas afegãs em terra “olhassem para o que estava à sua frente e o que estava atrás deles e decidissem que era mais fácil partir por conta própria”, disse o general aposentado. Joseph L. Votel, o ex-comandante do Comando Central dos Estados Unidos que supervisionou a guerra no Afeganistão de 2016 a 2019.
Biden, disse um funcionário do governo, expressou frustração com o fato de o presidente Ashraf Ghani do Afeganistão não ter conseguido planejar e executar com eficácia o que deveria ser a mais recente estratégia: consolidar forças para proteger cidades importantes. Na quarta-feira, Ghani despediu seu chefe do exército, tenente-general Wali Mohammad Ahmadzai, que estava no cargo há apenas dois meses, substituindo-o pelo major-general Haibatullah Alizai, comandante de operações especiais. Os comandos do general Alizai são as únicas tropas que lutaram consistentemente contra o Taleban nas últimas semanas.
Richard Fontaine, chefe-executivo do Center for a New American Security, um influente think tank de Washington especializado em segurança nacional, escreveu que, no final, a simbiose de 20 anos entre os Estados Unidos e o governo afegão que se ergueu apoiou e conduzido através de eleições tinha quebrado.
“Aqueles que destacam a superioridade militar do governo afegão – em número, treinamento, equipamento, poder aéreo – perdem o ponto principal”, escreveu ele recentemente. “Tudo depende da vontade de lutar pelo governo. E isso, ao que parece, dependia da presença e do apoio dos EUA. Estamos exortando os afegãos a mostrarem vontade política quando a deles depende da nossa. E a nossa se foi. ”
No sábado, quando a última grande cidade no norte do Afeganistão caiu para o Taleban, Biden acelerou o envio de 1.000 tropas adicionais ao país para ajudar a garantir a retirada segura de cidadãos americanos e afegãos que trabalharam para o governo dos EUA de Cabul.
Biden divulgou um longo comunicado no qual culpava Trump por pelo menos parte do desastre que se desenrolava. Ele disse: “Eu herdei um acordo feito por meu antecessor” que “deixou o Taleban na posição mais forte militarmente desde 2001 e impôs um prazo de 1 de maio de 2021 às forças dos EUA”.
Ele disse que, quando assumiu o cargo, tinha uma escolha: cumprir o acordo ou “aumentar nossa presença e enviar mais tropas americanas para lutar novamente no conflito civil de outro país”.
“Fui o quarto presidente a presidir uma presença de tropas americanas no Afeganistão – dois republicanos e dois democratas”, disse Biden. “Eu não iria, e não irei, passar esta guerra para um quinto.”
Tomada de Cabul é confirmação de anos de erros de cálculo nos EUA; leia a análise - Internacional - Estadão
INTERNACIONAL.ESTADAO.COM.BR
Tomada de Cabul é confirmação de anos de erros de cálculo nos EUA; leia a análise – Internacional – Estadão
Um exército afegão que não acreditou em si mesmo e um esforço dos EUA no qual Biden, e a maioria dos americanos, não mais acreditavam, trouxeram um fim trágico para a guerra mais longa dos Estados Unidos
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  • Maria Felicidade Seixas

    Tá aqui bem explicado a falta de visão estratégica das forças armadas no terreno, não se aperceberam que o esforço de treino dos afegãos não se desenvolvia com a rapidez e eficácia necessária! Por outro lado, tb não se apercebeu da evolução armada rá…

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Afeganistão

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A esmagadora maioria das manchetes e análises da imprensa mainstream ocidental sobre os atuais acontecimentos no Afeganistão é patética. Nas redes sociais, o desespero é aflitivo. Alguns lamentam a morte dos soldados dos Estados ocidentais cujos governos os mandaram para aquele país unicamente por causa da geopolítica. Outros, mais lunáticos, pedem uma intervenção militar internacional já. Precisam todos de ler o lúcido e certeiro texto de Miguel Esteves Cardoso – “Que grande derrota” – publicado ontem, 16, no Público.

Source: Afeganistão

O LÍTIO DOS TALIBÃS

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The country has enormous lithium resources, essential for the manufacturing of electric car and smartphone batteries. Will the country’s new owners be able to exploit these $ 1 billion deposits?

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Minerais. Le lithium, trésor stratégique aux mains des talibans en Afghanistan
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Minerais. Le lithium, trésor stratégique aux mains des talibans en Afghanistan
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A FUGA DO AFEGANISTÃO

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APESAR DAS PROMESSAS DE MODERAÇÃO DOS TALIBÃ
DEZENAS DE MILHAR DE PESSOAS QUEREM SAIR DO PAÍS
Corrida para fugir do Afeganistão continua mesmo após promessa de 'perdão' do Taleban - Internacional - Estadão
INTERNACIONAL.ESTADAO.COM.BR
Corrida para fugir do Afeganistão continua mesmo após promessa de ‘perdão’ do Taleban – Internacional – Estadão
Apesar do grupo fundamentalista islâmico falar em ‘anistia geral’ e ‘garantias’ a mulheres, desconfiança do povo afegão segue alta
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TALIBÃS, FEIOS, PORCOS E MAUS

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Bom dia, amigos.
Ontem coloquei aqui um post sobre a tremenda asneira que foi a guerra levada a cabo no Afeganistão, com a factura em vidas humanas e perda de recursos que seriam muito melhor aplicados em algo mais útil.
E há tanto onde investir dinheiro!
A começar pelos que morrem de fome e estão doentes por esse mundo fora…
Dito isto, quero deixar bem claro que não nutro qualquer simpatia pelos talibans.
A razão?
Porque não gosto de extremistas, sejam eles de extrema-esquerda, de extrema-direita, radicais cristãos ou radicais muçulmanos.
E os talibans estão entre os mais extremistas dos extremistas.
Além disso, são feios, porcos e maus.
Não sei, mas tenho quase a certeza que o mestre Ettore Scola se deve ter inspirado neles para realizar aquele filmão que a todos nos deliciou.
Mas quem é realmente esta gente e o que pretendem?
Vejamos.
Todos sabemos que os talibans já tinham sido donos e senhores do Afeganistão antes do 11 de Setembro.
Contudo, devido à amplitude desses ataques terroristas, levados a cabo pela al-Qaeda de Bin Laden em solo americano, o então presidente George W. Bush achou por bem cortar o mal pela raiz – se os terroristas tinham santuários em solo afegão, pois bem, os americanos iriam invadir o país e acabar de vez com os talibans.
Os talibans (ou “estudantes”, em língua pashtum) surgiram no início dos anos 90 no Norte do Paquistão logo após a retirada das tropas soviéticas.
Surgiram à sombra de seminários religiosos (madrassas) que ensinavam uma variante radical do sunismo (o wahabismo), sendo subsidiados com dinheiro vindo da Arábia Saudita, onde aquela corrente é dominante.
O seu objectivo era já claro: conquistar o poder em Cabul e, uma vez ali instalados, impor a Sharia (ou Lei Islâmica) em todo o país.
Depois de atravessarem facilmente a porosa fronteira paquistanesa, os “estudantes” (de Teologia, claro) apoderaram-se com relativa facilidade do Sudoeste do Afeganistão e, em Setembro de 1995, conquistaram a sua primeira capital provincial – Herat.
Apenas um ano depois já estavam em Cabul, onde depuseram o regime do presidente Burhanuddin Rabbani, um dos líderes dos mujahedines (ou “guerreiros sagrados”) que se tinham oposto à invasão soviética.
Refira-se que na generalidade o povo afegão estava então de rastos devido à destruição causada pela invasão soviética.
Por outro lado, estava farto dos excessos levados a cabo pelos mujahedines, que se achavam donos do país.
Não constituiu assim surpresa que os talibans fossem inicialmente vistos como uma espécie de libertadores, até porque os “estudantes” combatiam de facto a corrupção e asseguravam a liberdade de circulação de bens e mercadorias, o que permitiu que o comércio florescesse.
Depressa porém os talibans mostraram ao que de facto vinham – a sua estrita interpretação da Sharia levou a que fossem introduzidas novas e severíssimas medidas – quem desrespeitasse a Lei Islâmica corria um sério risco de ser alvo de execução pública (à pedrada, no caso das mulheres, para os casos de adultério) ou de ser amputado à força e a sangue-frio caso fosse acusado de roubo (brrrr… que medo!).
Ao mesmo tempo, os homens foram “aconselhados” a deixar crescer a barba e as mulheres obrigadas a usar burka, que as cobria da cabeça aos pés, não fossem quaisquer dois centímetros quadrados de carne descoberta tentar algum exemplar da predadora raça masculina.
Como se não bastasse, os “estudantes” também acharam por bem proibir a televisão e os cinemas.
Ao mesmo tempo, todas as meninas com 10 ou mais anos foram impedidas de frequentar as escolas.
Para além disso, começaram a destruir todo e qualquer património cultural que, no seu entender, não seguia os preceitos wahabitas, como sucedeu em 2001, quando arrasaram as famosíssimas estátuas de Buda no Centro do país, o que gerou um coro de críticas internacionais.
Do outro lado da fronteira, o Governo de Islamabade jurava entretanto a pés juntos que o Paquistão nada tinha a ver com os talibans, mas a verdade é que as madrassas paquistanesas (os tais seminários religiosos) continuavam a despejar torrentes de novos “estudantes” de Teologia em território afegão, em boa parte graças ao apoio mais ou menos descarado do ISI, os tenebrosos serviços secretos do Paquistão.
O Paquistão foi aliás, a par da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, um dos poucos países que reconheceu o regime dos talibans.
O caldo entornou-se quando os “estudantes” tentaram igualmente conquistar o poder em Islamabade.
Os paquistaneses acharam que de mais era de mais e deram inclusive autorização aos americanos para que os drones destes pudessem sobrevoar livremente território do Paquistão, o que levou à neutralização de vários líderes talibans, inclusive do seu guia, o mullah Haki Mehsud.
Claro que os diferentes serviços secretos, designadamente a CIA e o FSB (herdeiro do KGB), olhavam com muita desconfiança para o que se passava em território afegão e nas montanhas do Leste do Paquistão.
No caso dos russos, estes temiam que os “estudantes” pudessem exportar as suas teses revolucionárias do islamismo para regiões da federação onde os muçulmanos constituem a maioria, como sucede por exemplo na Chechénia ou no Daguestão (refira-se que 14% da população russa professa a fé muçulmana).
Já no que diz respeito aos Estados Unidos, os receios eram outros.
Temia-se essencialmente que os extremistas pudessem levar a cabo ataques terroristas em solo americano.
E receava-se basicamente uma eventual acção da al-Qaeda, grupo terrorista liderado pelo wahabita saudita Bin Laden, cujos efectivos treinavam livremente em território afegão.
O resultado foi o que se viu.
Claro que os americanos não perderam tempo a querer vingar os ataques do 11 de Setembro.
Logo no início de Outubro de 2001, forças dos Estados Unidos lançaram violentos ataques contra os talibans.
O regime colapsou rapidamente.
O seu líder, o mullah Mohammad Omar, arranjou contudo artes de se escapar para as montanhas paquistanesas, tal como aliás fez o próprio Bin Laden (que como sabemos foi assassinado em Maio de 2011 na sequência de um raide da CIA e de forças especiais americanas no Paquistão).
Graças aos apoios que ainda tinham em solo paquistanês, os líderes talibans instalaram-se tranquilamente na cidade de Quetta, de onde, apesar dos protestos americanos junto de Islamabade, continuaram a liderar as acções dos “estudantes”.
A verdade é que, apesar de todos a parafernália militar posta no Afeganistão pelos americanos e pelos seus aliados, os talibans continuaram a exercer considerável influência nas montanhosas zonas rurais.
Rapidamente os ocupantes ocidentais descobriram que, tal como sucedera com os soviéticos, tinham de ficar remetidos às principais cidades se tinham amor à pele.
Em 2015, entretanto, os talibans reconheceram que tinham perdido o seu líder, o mullah Omar, que morreu pacificamente devido a problemas de saúde num hospital do Paquistão.
Mas rapidamente encontraram um novo chefe – o mullah Mansour, que fora o braço direito de Omar.
Ao mesmo tempo, no terreno, apoderaram-se de Kunduz, uma capital de província afegã de grande importância estratégica.
Foi um importante ponto de viragem na guerra.
No ano seguinte, todavia, os “estudantes” sofreram um revés considerável – o mullah Mansour morreu na sequência do ataque de um drone americano.
Mais uma vez, os talibans não se atrapalharam e escolheram um novo líder, o adjunto de Mansour: Mawlawi Akhundzada, que é o actual homem-forte dos talibans.
A partir de 2018, tornou-se claro para os americanos que não poderiam ganhar aquela guerra, que durava já há demasiado tempo e custava uma fortuna.
Estabeleceram-se tímidas conversações de paz no Qatar e chegou-se a um princípio de acordo: o então presidente Donald Trump garantiu que as suas tropas abandonariam gradualmente o país, saindo de vez em 2021.
Em troca, os “estudantes” comprometiam-se a não atacar as forças ocidentais.
Os talibans aceitaram a proposta americana, mas rapidamente mudaram de alvo – passaram a atacar jornalistas afegãos, juízes, activistas em prol da paz e mulheres em posições relevantes.
Em suma, todos que pudessem de alguma forma contrariar os seus desígnios quando estivessem de novo no poder em Cabul.
O calendário da retirada americana acabou por ser cumprido, não obstante os apelos desesperados dos responsáveis afegãos, que alertaram que o regime não conseguiria sobreviver sem ajuda internacional.
Esses alertas caíram em saco roto.
Em Abril deste ano, o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reiterou que não haveria qualquer soldado americano no país depois do próximo dia 11 de Setembro, exactamente 20 anos depois do ataque às Torres Gémeas.
O resultado de tudo isto está à vista – os “estudantes” estão de novo no controlo de Cabul e mais fortes do que nunca, graças aos seus 85 mil efectivos, uma força temível com 20 anos de experiência de guerra.
Todo um povo está agora na expectiva.
Os talibans voltarão a repetir as patifarias de outrora?
Resta esperar para ver.
Mas eu apostaria que sim.
O que nasce torto tarde ou nunca se endireita.
Uma boa quarta-feira para todos.
(da página do Facebook de Jorge Alves).
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  • Pedro Coimbra

    Um trilião de dólares que enriqueceu uma cambada de cleptómanos e equipou um exército que agora os talibãs vão usar.
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      Luis Almeida Pinto

      A Indústria da Guerra, Pedro, cujo lobby é poderosíssimo, e determina as guerras que o Mundo e as Pessoas são obrigadas a suportar…🥲
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AFEGANISTÃO – VOLTOU-SE O FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO

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AFEGANISTÃO – VOLTOU-SE O FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO
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“Quando a história for escrita, será dito que os talibãs, com a ajuda da América, derrotaram a União Soviética no Afeganistão e depois, com essa mesma ajuda, derrotaram a América no Afeganistão.”
O título é meu, o texto é de João Melo no DN
«A esmagadora maioria das manchetes e análises da imprensa mainstream ocidental sobre os atuais acontecimentos no Afeganistão é patética. Nas redes sociais, o desespero é aflitivo. Alguns lamentam a morte dos soldados dos Estados ocidentais cujos governos os mandaram para aquele país unicamente por causa da geopolítica. Outros, mais lunáticos, pedem uma intervenção militar internacional já. Precisam todos de ler o lúcido e certeiro texto de Miguel Esteves Cardoso – “Que grande derrota” – publicado ontem, 16, no Público.
Como diz MEC, a derrota ocidental era previsível, pois “quem vive na sua terra, por poucas armas que tenha, tem a arma mais poderosa de todas: o tempo”. Tal desfecho, acrescenta, pouco ou nada tem que ver com o facto de os ideais por que se batem aqueles que vivem na sua terra serem, eventualmente, “horrendos ou não, aos nossos olhos [ocidentais]; os nossos olhos não interessam nada nesse dia-a-dia, nesse terreno, nessa realidade só para nós difícil, só para nós incompreensível”.
De facto, e com toda a empatia com os mortos inocentes, em ambos os lados, uma pergunta se impõe: o que foram os Estados Unidos e os restantes países ocidentais fazer ao Afeganistão? Não respondam que foram combater o terrorismo islâmico, proteger a democracia e os direitos humanos e salvar as meninas de Cabul. Se esses argumentos fossem válidos, a maior potência mundial teria de intervir militarmente em muitos outros países, a começar, por exemplo, pela sua querida Arábia Saudita.
Será preciso lembrar que os talibãs foram apoiados pelos Estados Unidos a fim de expulsar os soviéticos do Afeganistão e pôr fim ao regime de inspiração marxista-leninista da época? A verdade – factualíssima e, portanto, irrefutável – é aquela descrita por Hamid Gul, um ex-chefe das secretas afegãs: “Quando a história for escrita, será dito que os talibãs, com a ajuda da América, derrotaram a União Soviética no Afeganistão e depois, com essa mesma ajuda, derrotaram a América no Afeganistão.”
Por falar no governo socialista do Afeganistão derrotado pelos talibãs, com apoio dos Estados Unidos, e nas “meninas de Cabul”, é bom lembrar também que foi nesse breve período que as mulheres afegãs tiveram acesso a direitos, como o de estudar e não só, que hoje todo o mundo brada aos céus estarem em risco, por causa do regresso dos fundamentalistas islâmicos locais ao poder.
Quanto a saber o que foram os EUA fazer o Afeganistão, a resposta é dada pelo mercenário norte-americano Sean McFate, com várias atuações em África, posteriormente doutorado e autor de um livro já famoso – As Novas Regras da Guerra -, na entrevista que o DN publicou no último sábado, 15: ninguém sabe ao certo; a única coisa clara, segundo ele, é que a intervenção americana no Afeganistão foi motivada pelos interesses do complexo industrial-militar dos EUA.
As palavras são dele: “Os EUA estão por fim a sair do Afeganistão, o que é muito controverso, não entre o povo americano, mas entre os membros da classe de DC. O general Petraeus disse que temos de ficar, George W. Bush disse que temos de ficar. Não dizem porquê. (…) Há algo destas empresas de biliões que querem vender armas…”
Para o autor de As Novas Regras da Guerra, “o complexo industrial-militar dos EUA é uma espécie de estado profundo, onde empresas como a Ratheon, a Boeing ou a Lockheed fazem pressão no Congresso para se comprar mais aviões de caça” (e outras farão pressão para vender outras armas e equipamentos).
McFate considera que o Afeganistão (tal como o Iraque) foi o maior equívoco estratégico norte-americano nos últimos 70 anos. Ele destrói com contundência o argumento de que a intervenção dos Estados Unidos no referido país se destinava a combater a Al-Qaeda: “A Al-Qaeda está em 20 países depois de a termos escorraçado do Afeganistão”, disse. Bem, ela acaba de voltar.
Em tempo: não consta que Sean McFate seja comunista.»
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Roberto Y. Carreiro, Fernando Martinho Guimarães and 258 others
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  • António Polido Polido

    Pois, na realidade o que irá acontecer, é que; só quem saberá a realidade serão:
    Os não alienados, e a verdade ( sem redundâncias) esses têm denúnciado ao longo de décadas:…

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  • Teresa Frotta

    Facto. Mas houve e há mais qualquer coisa …
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  • Nelson Carvalho

    A sério. Farto do luxo dos europeus gordinhos e anafados no seu sofá, viciados na protecao do escudo americano, semore a duzerem mal dos… americanos. Se vao sao uns imperialistas. Se deixam sao uns irresponsaveis. E os franceses? Alemaes? Ingleses? E…

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  • José Oliveira

    Quem foi o presidente americano, atacou Iraque e Afeganistão???
    Esse mesmo que antes do 11 de Setembro as empresas dele( e não só) estavam na falência, e
    Depois da guerra, e do roubo do ouro no atentado às torres do kuwait, alguém ficou bem na vida as…

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  • Mauro Burlamaqui Sampaio

    Ora bem . Ao invés de deitar abaixo é preciso ajudar os afegãos com inteligência. Contra as doutrinas, e superior a elas, estão os homens e isso poucos saberão fazer. A América e a Rússia deram-lhes balas e bombas assim como outros «amigos». Os afegãos…

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  • Carlos Eufémia

    Muito bom texto.
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  • Vitor Manuel Marques

    Errado. Os talibã não são mujjahedins
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  • Jorge Ramos

    O texto é interessante, mas resumindo,neste como em outros conflitos do que se trata basicamente é de tráfico de armas,drogas,com prejuizo para o Povo destes países.
    Não vemos intervenções militares em nenhum Pais que não tenha nada a oferecer em termos de Lucro ilicito!
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  • Pedro Damas

    A culpa tem um nome bem claro… é neste momento que me pergunto para que serve a Onu? Talvez para dar algumas reformas douradas aos políticos acabem com isso é já agora com a oms! Deixem de ser hipocritas salvem as pessoas e não as ideologias e deixem d…

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  • José Manuel Braz

    Não foram os talibãs que lutaram contra a União Soviética, esses foram os muijahedins comandados por Osama Bin Laden da al-qaeda, os talibãs foram formados e organizados pela União Soviética, no Paquistão a partir das madrassas e não só, depois da sua …

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paz para as escolas SANTANA CASTILHO

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Isto e pouco mais traria paz e sucesso às escolas
O acordo sobre a formação profissional e qualificação dos portugueses, assinado em sede da Comissão Permanente de Concertação Social, é uma pérola do clássico “eduquês” das Novas Oportunidades, agora ressuscitadas. São mais de cinco mil milhões de euros para “formação contínua de formadores” (pág. 4), “educação e formação à distância” (pág. 6), “maior centramento (sic) nas competências … promovendo maior flexibilidade” (pág. 7) “processos de upskilling e reskilling (o itálico é meu) de curta e média duração” (pág. 14) e toda uma cascata de delírios palavrosos, que fazem antever a festa que aí vem. Ler aquelas inenarráveis 19 páginas mostra bem como António Costa aprendeu com o seu mestre José Sócrates e ajuda a entender a doutrina bolçada sobre o sistema de ensino. Imagino que, no fim do acto, patrões e UGT (CGTP excluiu-se) se terão precipitado a dirigir a António Costa a pergunta que ele próprio fez a Ursula von der Leyen, em lapso freudiano definidor de um carácter: já posso ir ao banco?
Tudo o que pode ser feito para melhorar o nosso sistema de ensino é conhecido. Mas as decisões deste Governo têm ignorado o conhecimento que a investigação em Epistemologia e Educação tem proporcionado, designadamente a produção científica de investigadores de orientação cognitivista. E com a mansidão política da oposição e a apatia dos professores, não é fácil opor iniciativas sérias à amálgama de teorias desactualizadas, que os responsáveis impõem como de vanguarda.
Há seis anos que venho mostrando nesta coluna os sinais do sistema dominante, uma espécie de distopia pedagógica paranóica, que nos vai afastando dos resultados médios da OCDE, a que chegámos com o esforço de tantos e apesar das diferenças políticas de sempre. A cada passo desse triste caminho, apontei sinais. Dois deles foram particularmente perniciosos, a saber:
– A ideia de que transmitir conhecimento é redundante, porque os alunos têm-no armazenado nos seus smartphones. Donde, o importante são as “competências” e “aprender a aprender”. Como se a psicologia cognitiva não tivesse concluído, há muito, que só conhecimento gera conhecimento e que para entender e assimilar conhecimento novo é necessário possuir-se conhecimento anterior, que vincule a aquisição do novo. Com efeito, John Sweller [Sweller, J. (1988). Cognitive load during problem solving: effects on learning. Cognitive Science 12 (2): 257–285], conhecido pela formulação da teoria da carga cognitiva, tornou isso evidente. Na peugada, aliás, dos anteriores estudos de Bruner e Ross, que demonstraram a importância do conhecimento acumulado pela memória de longo prazo na resolução de novos problemas.
– A ideia de que são os alunos que devem orientar a sua educação, mediante metodologias de descoberta, e não os professores, segundo o tradicional ensino directo. Ora não é procurando que os alunos actuem como cientistas nas aulas que os preparamos para serem cientistas no futuro. Uma coisa são previsões não fundamentadas de resultados, outra coisa é a medição dos resultados. Com efeito, a produção científica disponível mostra que é aprendendo por ensino directo, feito pelos professores, que não por metodologias de descoberta, que se obtêm os melhores resultados. Ver, a este propósito, David Klahr, Department of Psychology, Carnegie Mellon University: The equivalence of learning paths in early science instruction: effects of direct instruction and discovery learning.
Aqui chegados, perto do início de mais um ano lectivo, deixo um sumário mínimo para sairmos do trilho do retrocesso:
1. Elevar a Educação a prioridade política, do pré-escolar ao superior, passando pelo básico e secundário. Rever a Lei de Bases do Sistema Educativo. Universalizar todo o pré-escolar até à entrada no básico. Proceder à reformulação integral do plano de estudos do ensino obrigatório e dos respectivos conteúdos disciplinares, assente no estabelecimento de um exaustivo diálogo social sobre Educação, que envolva os diferentes protagonistas educativos (Ministério da Educação, sindicatos de professores, associações profissionais de professores, associações de pais, partidos políticos, associações científicas, associações empresariais e associações de estudantes). Sendo certo que o acompanhamento das crianças enquanto os pais trabalham é um problema para o qual a sociedade deve encontrar resposta, é inaceitável que muitas crianças cheguem a permanecer na escola dez horas por dia. Importa por isso avaliar o impacto que essa permanência significa no desenvolvimento das crianças, sobretudo quando as actividades que lhes são proporcionadas (utilização excessiva de tarefas de natureza escolar, por exemplo) ignoram ditames básicos da psicologia do desenvolvimento. Eliminar a burocracia estéril. Pôr cobro à hiperprodução de normativos.
2. Valorizar a autoridade do professor. Operar a revisão do estatuto da carreira docente, particularmente para remover os constrangimentos injustos de progressão e desenhar um novo modelo de avaliação do desempenho. Abolir a classificação do desempenho, entre pares, dentro da escola. Pôr fim à instabilidade e à precaridade da profissão docente, designadamente pela estabilização dos quadros, alteração dos mecanismos de concursos e vinculação de contratados. Reduzir o número de alunos por turma e definir o máximo de alunos por professor.
3. Proceder à revisão do modelo de gestão dos estabelecimentos de ensino, recuperando a sua democraticidade. Pôr fim aos agrupamentos. Nunca, em cada escola, se deveria ter perdido a sua identidade de cultura e de actuação pedagógica. A agregação de escolas foi uma das medidas de maior impacto negativo no funcionamento do sistema. Se há situações geográficas onde a iniciativa poderia ser considerada, a generalização a todo o país foi um verdadeiro desastre e dilacerou o ambiente relacional na generalidade das escolas. Resolver definitivamente a carência de funcionários auxiliares nas escolas. Institucionalizar as equipas multidisciplinares (professores, psicólogos e técnicos de serviço social) que assegurem o acompanhamento dos alunos sinalizados pelos conselhos de turma como estando em situações de risco, tendo presente que as estratégias de apoio ao primeiro sinal de dificuldade são decisivas. Reconhecer que as escolas carecem de apoios diferentes, em função dos contextos diferentes em que operam. Criar nas escolas estruturas de apoio técnico especializado, designadamente face às alterações operadas pela digitalização.
4. Promover, de modo sério e exigente, a relação entre o ensino profissional e as necessidades das empresas, sem transformar as escolas de ensino humanístico em institutos de formação profissional. Melhorar a eficiência do sistema de qualificação por via de uma eficaz articulação entre as políticas de Educação e Formação, as primeiras tuteladas pelo Ministério da Educação e as segundas pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social.
Isto e pouco mais traria paz e sucesso às escolas.
In “Público” de 18.8.21
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  • Paula Cristina Lopes

    Sabia reflexão mas pena que o nossos ministro não perceber nada de nada! Um verdadeiro desalento a situação atual das escolas e do ensino!!!!
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