Governo dos Açores recusa casino no Pavilhão do Mar em Ponta Delgada – Jornal Açores 9

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O Governo dos Açores recusou hoje a possibilidade de ser instalado um casino no Pavilhão do Mar, em Ponta Delgada, apesar de a Portos dos Açores ter recebido uma proposta de concessão para a exploração daquela atividade. “A secretaria regional dos Transportes Turismo e Energia, enquanto responsável pela tutela operacional da Portos dos Açores, não […]

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o batalhão de AZOV

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BATALHÃO DE AZOV
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Organização
Líder Vadym Troyan
Efetivos 16.000 (2014)
Voluntários do batalhão Azov.
O Batalhão de Azov (em ucraniano: Полк Азов) é uma organização paramilitar atualmente ligada ao Ministério do Interior da Ucrânia criado em 2014 durante os protestos da Euromaidan.
Originalmente fundado como um grupo paramilitar voluntário, o grupo é acusado de ser uma organização neonazista e neofascista, além de ter envolvimento em vários casos de abusos de direitos humanos e crimes de guerra na Guerra civil no leste da Ucrânia, principalmente em casos de torturas, estupros, saques, limpeza étnica e perseguição de minorias como homossexuais, Judeus e Russos.
História
O grupo foi fundado por volta de 2014, durante a euromaidan, por Hooligans e ultras do FC Metalist Kharkiv e militantes de extrema-direita. O grupo acabou crescendo e logo se tornou uma organização paramilitar bem organizada que apoiava o governo ucraniano na luta contra separatistas pró-russos no leste da Ucrânia. Inicialmente o grupo se auto intitulava “Sect 82”, porém após uma bem sucedida e decisiva participação na Batalha de Mariupol,o grupo passou a se chamar “Batalhão de Azov ” devido ao fato da cidade de Mariupol se localizar próxima ao mar de Azov.
Em 2015, o grupo passou a ser um regimento da guarda nacional da Ucrânia, logo após o governo ucraniano ter aprovado uma lei que incorporava todas as facções paramilitares pró-governo ao exercito ucraniano, a medida foi fortemente criticada pelo governo russo e por organizações de direitos humanos.
Participação política
Em 2017, o grupo criou o seu braço político, o corpo nacional, um partido ultranacionalista que se opõe tanto a Rússia quanto a entrada da Ucrânia na OTAN e na União Europeia. Em 2016, Andriy Bilietsky, um dos fundadores do Batalhão de Azov, foi eleito vereador em Kharkiv.
Crimes de guerra
O grupo é acusado de vários crimes de guerra, incluindo execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, destruição de locais de culto, tortura, estupros e perseguição de minorias. Em 2014, um vídeo no qual um membro do Batalhão de Azov aparece enforcando um soldado pró-russo emergiu na internet e várias mulheres tem relatado casos de estupro por membros do batalhão, algo que os lideres do batalhão negam. O grupo também é acusado de recrutar menores de idade para a guerra.
Neonazismo
O batalhão é acusado de utilizar vários símbolos fascistas e nazistas, como a Suástica, o Sol negro e a saudação romana, além de possuir membros com pensamentos antissemitas, racistas e homofóbicos.
O fundador do grupo, Andriy Biletski, nega que o grupo seja neonazista e afirma que o Batalhão de Azov é um “batalhão nacionalista que visa defender os interesses da Ucrânia”.
Recrutamento de estrangeiros
O Batalhão de Azov confirma que possui vários voluntários estrangeiros em suas fileiras, principalmente georgianos, romenos, alemães, ingleses, franceses, libaneses e até mesmo alguns russos.
A maioria desses voluntários são membros ou simpatizantes de grupos neonazistas, supremacistas brancos e ultranacionalistas. Em 2016, a Polícia Federal do Brasil desmantelou uma célula do Batalhão de Azov no Rio Grande do Sul que recrutava neonazistas brasileiros para serem enviados para a Ucrânia.
No photo description available.
Amadeu Pinto da Silva and 163 others
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    Carlos Fino

    Vejam bem, que não há só gaivotas em terra, quando um homem se põe a pensar…
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ucranianos e russos nos açores

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Residem oficialmente nos Açores
73 imigrantes da Ucrânia e 41 imigrantes da Rússia.
Ucranianos por ilha:
Santa Maria – 1
São Miguel – 33
Terceira – 13
Graciosa – 0
São Jorge – 2
Pico – 11
Faial – 7
Flores – 6
Corvo – 1
Russos por ilha:
Santa Maria – 0
São Miguel – 18
Terceira – 14
Graciosa – 0
São Jorge – 2
Pico – 6
Faial – 1
Flores – 0
Corvo – 0
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cossacos ucranianos

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Os cossacos não são russos, São Ucranianos.
Os cossacos ficaram imensamente conhecidos na Europa Ocidental nos meados do século XVII, em resultado da grande revolta de Bohdan Chmielnicki e dos zaporijianos contra a República das Duas Nações, no território da atual Ucrânia, revolta essa que veio abalar as fundações da Europa Oriental, fazendo com que os cossacos fossem mesmo considerados como os fundadores da Ucrânia.
Glory to Ukrainian Cossacks
YOUTUBE.COM
Glory to Ukrainian Cossacks
A video displaying the Zaporozhian Kozaks and their warrior traditions. This video is made to honor them for protecting the Ukrainian Lands from invasion and…
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UCRÃNIA EM CHAMAS – UMA OUTRA VISÃO

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UCRÃNIA EM CHAMAS – UMA OUTRA VISÃO
Pode ser uma imagem de 5 pessoas e fogo
Ucrânia: a encenação colorida de Maidan
Documentário ‘Ucrânia em chamas’, de 2016 e com várias entrevistas de Oliver Stone com o presidente da Rússia, mostra o roteiro de uma revolução teatral
Por Léa Maria Aarão Reis
Em 2016 foi lançado no Brasil o documentário de uma hora e meia, Ucrânia em chamas*, que procurava, com seriedade, apresentar a revolução colorida que ocorrera na Praça Maidan, em Kiev, dois anos antes. O evento deixou um rastro de violência e de sombrias reminiscências históricas na região que ressurgiram com força. A desinformação midiática promovida pela aliança Otan/CIA/Estados Unidos tinha sido competente, e o Ocidente ia seguindo os acontecimentos dessa guerra híbrida com pasmo e ansiedade. Os eventos se atropelavam na Ucrânia e constituíam o foco de um momento de transição que se iniciava, o qual, como acontece em todas as épocas em processo de mudança, é nebulosa e até sombria.
Agora, diante de um novo clímax na crise que vem se desdobrando desde então, Ukraine on Fire volta a ser um filme novo em folha. Importante para ser (re)visto porque relembra, de modo atraente e com montagem ágil, as raízes históricas dos eventos atuais, na região, e as bases sobre as quais a tal revolução colorida de 2014 foi planejada e posta em prática.
Produzido pelo diretor americano Oliver Stone e dirigido por um amigo do cineasta, o americano-ucraniano Ígor Lopateniuk, radicado na Califórnia, o doc desvenda a implicação dos EUA e da CIA no processo revolucionário em Kiev – com direito à célebre distribuição de sanduíches americanos para supostamente mitigar a fome da população, em plena Maidan, pelas mãos da vice-secretária de Estado americana para a Europa, Victoria Nuland. Uma imagem histórica, ridícula.
O documentário mostra a guerra sangrenta na região separatista pró-Rússia de Donbass, ao leste do país, e a reocupação da Península da Crimeia, único porto russo aberto durante todo o ano a despeito dos rigorosos invernos locais, e onde se situam estaleiros estratégicos para a Rússia.
Ígor Lopateniuk e Stone repudiam a versão grosseira de “rebelião popular” vendida por organizações públicas financiadas pela ONG norte-americana NED (National Endowment for Democracy) e pelos jornalistas financiados pelos EUA, e discutem o que determinou as ações do presidente russo e do ex-presidente da Ucrânia Viktor Yanukovitch, derrubado no processo do euromaidan e hoje refugiado na Rússia.
Ambos estão no filme (transmitido na época pela TV russa), entrevistados em Moscou por Oliver Stone, assim como o célebre jornalista investigativo americano Robert Parry, falecido dois anos depois dessa sua participação no documentário.
Oliver Stone apresenta as revoluções ucranianas de 2004, a ”laranja”, e a de 2014 como revoltas instigadas e planejadas fora do país e com a participação dos EUA.
Para quem não lembra: Oliver Stone é o autor do clássico Platoon, sobre a guerra do Vietnã, do polêmico JFK, a pergunta que não quer calar, onde ele esmiúça os eventos que levaram ao assassinato do Presidente John Kennedy, de Snowden, heroi ou traidor, de Wall Street e do doc As entrevistas de Putin, o seu longo encontro com Vladimir Putin, em Moscou e nos arredores da cidade, resultado de dois anos de viagens ao Kremlin.**
Num rápido prólogo, o seu filme sobre a Ucrânia adverte: ”Quando se trata de política, qualquer que seja o assunto, o tema é sempre o dinheiro”. No caso, o crucial abastecimento de gás natural russo diretamente para a Alemanha através de um novo gasoduto, o Nordstream 2, já concluído (que não atravessa a Ucrânia), o qual contribui para enfraquecer a exportação do gás liquefeito americano para os europeus.
Ucrânia em chamas ressalta a profunda divisão ideológica, histórica, existente no país. Partidários da extinta União Soviética, hoje, da Rússia (população de origem e idioma russos) de um lado, e do outro, nacionalistas neonazistas, inimigos ferozes de Moscou, como as cruéis milícias Galitizien, de extrema direita, manipuladas e usadas pela inteligência norte-americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial, e o radical grupo Setor Direito.
No filme, outro lembrete importante: em 1946, os nacionalistas nazis ucranianos que lutaram junto com as tropas de Hitler, nunca foram levados para serem julgados em Nuremberg por pressão e obra da CIA.
Em uma entrevista a Stone, Putin comenta: ”Logo após a Ucrânia se tornar independente, começaram a privatização selvagem e o roubo escancarado da propriedade pública. O padrão de vida do povo ucraniano caiu imediatamente”.
Quando Stone pergunta se Yanukovitch “percebeu o dedo dos EUA” no levante de 2014, o ex-presidente responde: “Diversas delegações de países aliados aos americanos chegaram ao país e tomaram o partido dos manifestantes de Maidan, o que exacerbou o conflito”.
”Quando os manifestantes tomam prédios do governo, isso é aceitável? Seria aceitável se o embaixador ucraniano tivesse se aproximado dos manifestantes na cidade de Ferguson durante os tumultos de ruas nos Estados Unidos para distribuir biscoitos”? provoca Yanukovitch.
Em outra importante entrevista, o jornalista Robert Parry, célebre por ter coberto o caso Irã-Contras, fala sobre ”as ONGS que prepararam a revolução colorida de Kiev; algumas são entidades que, mais do que servir as pessoas necessitadas atendiam aos interesses de governos”.
”ONGs políticas e empresas de mídia financiadas pelos EUA surgiram a partir dos anos 80 e substituíram a CIA na promoção da agenda geopolítica dos EUA no exterior”, diz Parry.
Há oito anos, a ”revolução popular ucraniana”, assim vendida pela mídia ocidental, na verdade terá sido um golpe de Estado roteirizado e encenado por grupos nacionalistas radicais e pelo Departamento de Estado dos EUA.
Hoje, a crise, que nunca se resolveu, recrudesce com o governo desorientado de Biden necessitando criar novo conflito para neutralizar o fiasco da sua saída desonrosa do Afeganistão. Mas Putin parece que perdeu a paciência com as tropas da Otan cercando, cada vez mais, as suas fronteiras. E também porque a Rússia precisa dar um impulso à sua economia com o Nord Stream 2 funcionando rapidamente.
* O filme está disponível no YouTube, não mais na Netflix.
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Faleceu o Padre Mário Pais de Oliveira, conhecido por padre Mário da “Lixa”.

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no dia em que recomeça a guerra na europa deixa-nos um homem que me ensinou a paz….,

um dos meus primeiros mentores deixou-nos hoje

 

Pode ser uma imagem de 2 pessoas, pessoas sentadas e pessoas em pé
Faleceu o Padre Mário Pais de Oliveira, conhecido por padre Mário da “Lixa”.
8 de Março de 1937 – 24 de Fevereiro de 2022.
Neste dia, após 35 anos da morte de Zeca Afonso, o Mário, não conseguiu resistir a um acidente de viação.
Desapareceu um homem bom. Um homem que foi preso pela PIDE de Salazar. Um homem que incomodava os poderes.
Um homem que pregou contra a guerra no ultramar e a carnificina de milhares de jovens. Pregou contra a miséria daqueles que a salto fugiram para o estrangeiro por uma vida melhor.
Um homem que defendeu a Liberdade, a Justiça, a Fraternidade numa terra que desejava, sem muros!
Um homem que foi punido, discriminado e ostracizado pelos poderes instituídos, designadamente pela igreja, por uma única razão; a sua Verdade.
A sua conduta fez tremer os alicerces do fascismo e a oligarquia da igreja.
O Mário, foi meu padrinho de batismo.
Recordo na minha infância, o primeiro livro que li, às escondidas, foi por sua iniciativa e que mo ofereceu, depois de o discutirmos em conjunto. Tinha eu 13 anos em 1969.
Disse-me – “Mário, não podes mostrar o livro a ninguém”!
O livro, “Esteiros” de Soeiro Pereira Gomes”.
Homem polémico, irreverente, sábio, de caráter inquieto.
Seguir o seu exemplo com a maior dignidade é prestar-lhe a melhor homenagem pelos valores do 25 de Abril.
Esta foto é uma sessão onde fiz a apresentação, em Guimarães, de um dos seus livros mais vendidos.
Até Sempre!

Adiante na imagem, sentado ao meu lado esquerdo (de que lado mais poderia ele sentar-se?). Tudo isto nas imagens se passa em maio 1967 escassos meses antes de ele ser enviado como Capelão Militar para a Guiné em novembro desse ano, e onde esteve até março 1968 quando foi expulso de Capelão Militar por pregar o direito dos povos colonizados à autonomia e independência.

 

foto 1 jorgealvarez e j.chrystello ao lado do padre mário, à esquerda o professor de história, ao centro o de inglês, e na direita a de filosofia e o de geografia. foto 2 tó paim, chico nazaré, carlosmacedo, mário dessa na primeira fila, atrás jorgealvarez e j.chrystello ao lado do padre mário., à direita rui terrasseca, ao lado da prof.ª de filosofia e do de inglês (gomes da torre). foto 3 carlosvillas-boastavares, o??? (era um rapaz tão pacato e calado que até o nome se lhe perdeu na memória dos tempos), o filho do dono da papelaria papélia (?), jorgealvarez e eu

 

Um dos professores que mais me marcou, foi o Padre Mário de Oliveira, de 1965 a 1967, quando foi meu professor de Moral no antigo 6º e 7º ano do Liceu Normal D. Manuel (hoje, Rodrigues de Freitas, no Porto), o famoso padre Mário de Macieira da Lixa (Felgueiras) mais tarde conhecido como o Padre da Lixa, preso pela PIDE pouco depois e autor de vários livros contestatários da linha oficial do Vaticano. Este padre não fazia sabatinas como o velho Padre Brochado do outro liceu. Falava de temas que compreendíamos e nos interessavam e estava sempre muita gente à porta do quarto num anexo do Hospital Infantil de Maria Pia a tentar falar com ele. As aulas eram partilhadas com interesse por muitos e nelas aprendi mais do que em muitas outras cadeiras. É a ele, talvez, que devo o despertar da consciência cívica e politica que mais tarde marcou a minha vida

.inlivrochronicaçoresumacircum-navegaçãovol22012edcalendáriodeletras

 

O EXEMPLO DE D. HÉLDER DA CÂMARA – 21 MAIO 2006

 

A trajetória de vida do ‘arcebispo dos pobres’, não se afastou da meta de levar os pobres e miseráveis à categoria de cidadãos. Os quatro anos do Concílio Vaticano II (1962 a 1965) o transformariam, do pouco conhecido arcebispo auxiliar do Rio de Janeiro, num dos personagens mais influentes na igreja contemporânea. Durante o Concílio, Dom Hélder Câmara surpreendeu e movimentou cardeais e bispos a favor da inserção da Igreja nos setores populares. Fez mais: propôs ao papa João XXIII entregar o Vaticano e obras de arte aos cuidados da UNESCO, como património cultural da humanidade, enquanto o papa passaria a morar, na qualidade de bispo de Roma, numa paróquia da capital. Este era o “arcebispo dos pobres”, como ficou conhecido. Sonhava com a Igreja menos imperial e mais parecida com a comunidade dos pescadores da Galileia

Isto representa o que gostaria de ter visto no Santo Cristo e não vi. Esta afinal é a terra que sempre aceitou a escravatura nas ilhas com um feudalismo atroz e a Inquisição e mais recentemente se deitou na cama do alegado fascismo «soft» português do séc. XX. Todos no Campo de São Francisco, em silêncio à espera do Santo Cristo, o Espírito Santo ou N. Sra. de Fátima. Talvez no inconsciente, de umas sacas de roupa da América, agora em versão Bruxelas. A mesma que faz manifestações e abaixo-assinados a favor de alegados criminosos violadores de crianças. Tudo sabiam e tudo era em silêncio. Talvez seja por isso o atraso que ninguém fala. Talvez cada povo tenha o que mereça. Pode ser que as tradições encerrem nelas algo de mais sinistro.

Quando nos confrontamos com a preservação de tradições centenárias podemos deparar-nos com situações antagónicas como esta. A extrema religiosidade do povo açoriano assenta nas mesmas premissas que tantas outras de que enferma a sociedade portuguesa em geral: a religião é também o ópio do povo. Já António de Oliveira Salazar dizia “quanto mais ignorantes mais felizes” e de facto, se nada se contestar pode-se obter a aparência de felicidade. A tradição é, afinal, quem mais ordena, seja ou não, a tradição da sujeição à superstição e à escravatura, exigindo-se, ao mesmo tempo que seja aceite pelo obscurantista e opressor como parte do sistema que lhe permite obscurecer a verdade e, perpetuar a opressão.

Embora muitos autores clássicos tenham pesquisado e escrito sobre religião e festas, o seu estudo não é considerado prioritário, especialmente em regiões subdesenvolvidas, onde diante da escassez de recursos, há temas mais urgentes. Religiosidade e festas populares parecem a muitos, tema de menor importância. Para o povo são temas importantes, como podemos constatar no quotidiano. Nos locais mais remotos do Portugal e nas ilhas, constituem assunto fundamental. A rotina diária é interrompida ao longo do ano, pela organização ou a participação em festas, que assinalam a quebra periódica da rotina. Para os que as organizam, elas não representam momentos de lazer, mas de trabalho, intenso e prazeroso, no seu preparo e na sua realização.

A relação estreita entre religião e festas foi apontada por Durkheim (Émile. As formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Ed. Paulinas, 1989.) para quem (1989: 372), “nos dias de festa, a vida religiosa atinge grau de excecional intensidade”…. “as festas teriam surgido da necessidade de separar o tempo em dias sagrados e profanos” (1989: 373). Referindo-se ao descanso religioso, lembra (1989: 372/273) que “o caráter distintivo dos dias de festa corresponde, em todas as religiões, à pausa no trabalho, suspensão da vida pública e privada à medida que estas não apresentam objetivo religioso”. Adiante afirma: “O que constitui essencialmente o culto é o ciclo das festas que voltam regularmente em épocas determinadas”. (Id. 419). Assim a repetição do ciclo das festas constitui elemento essencial do culto religioso.

O autor salienta (1989: 452), a importância dos elementos recreativos e estéticos para a religião, comparando-os a representações dramáticas e mostrando (1989: 453), que às vezes é difícil assinalar com precisão as fronteiras entre rito religioso e divertimento público. Este autor estabelece, portanto, relações íntimas entre religião e festas, entre recreação e estética, mostrando o parentesco ou a proximidade entre o estado religioso e a efervescência, o delírio, os excessos ou exageros das festas.

Como escrevia, há pouco tempo, o Padre Mário de Oliveira, meu professor de Religião e Moral nos 6º e 7º anos do Liceu Normal D. Manuel II:

“De Jesus, o de Nazaré, sim, a Igreja católica afastou-se quase cem por cento.

Também se afastou quase cem por cento de Cristo, mas apenas daquele Cristo Crucificado pelo Império e pelo Templo, que era, afinal, o próprio Jesus de Nazaré, pelo menos, no desassombrado testemunhar das suas discípulas e dos seus discípulos, que não hesitaram em colar para sempre esse título messiânico, libertador, ao seu nome histórico. Jesus, como testemunha o Evangelho, resistiu até ao sangue contra o Império e as suas seduções. A Igreja, ao contrário, acabou por cair nos braços do Império e disse sim a todas as suas seduções. Felizmente, sempre houve, através dos tempos, Igreja que resistiu até ao sangue contra o Império, concretamente a Igreja dos mártires assassinados e de muitos outros mártires incruentos, alguns deles, martirizados como “hereges” pela perseguição assassina da própria Igreja oficial, amancebada com o Império e que, numa postura de manifesta traição, aceitou transformar-se de via ou caminho de libertação para a liberdade, que inicialmente era, em religião, e, depois, pior ainda, em religião oficial do Império. Foi uma Igreja assim, em estado de completa traição ao Evangelho, que acabou a identificar Jesus, o Crucificado pelo Império, com o Cristo divinizado pelo Império. É por isso que o que hoje chamamos Cristianismo é sobretudo Paganismo, melhor, Cristianismo paganizado. Quase não tem nada a ver com Jesus, o de Nazaré, que o Templo e o Império mataram, depois de o terem prendido e julgado sumariamente. É neste ponto que estamos ainda hoje.”

AS SAIAS E OS COLÓQUIOS DA LUSOFONIA – CRÓNICA 295 – 30.10.2019

 

Andei dias na dúvida se devia abordar tão candente tema da política portuguesa que tudo faz esquecer, mesmo as questões mais prementes. Escreveu o Padre Mário de Oliveira “O papa usa saias. Os cardeais usam saias. Os bispos católicos usam saias. Ninguém acha mal, pelo contrário. São clérigos, por isso, uns seres estranhos e separados dos demais. Parecem humanos, mas não são. São clérigos = separados. E um assessor de deputada não pode usar saias?!”

O problema não é a saia, ele usa o que quiser e não deve ser criticado, ou impedido, mas temos de conhecer as verdadeiras intenções desse uso. Já as tinha usado antes em público? No quotidiano anda de saias ou apenas se serviu disso para se exibir e provocar atenção mediática. Será que os membros do partido Livre querem protagonismo pelo que vestem para ocultar o que pensam? Ou são seguidores dos métodos populistas?

Bob Dylan – Masters of War – lyrics – YouTube

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Os Senhores ( e os negócios) da Guerra
Quem entenda esta canção de Bob Dylan perceberá quem faz a guerra
Venham senhores da guerra
Vocês que constroem todas as armas
Vocês que constroem os aviões mortais
Vocês que constroem as bombas grandes
Vocês que se escondem atrás de paredes
Vocês que se escondem atrás de mesas
Eu só quero que vocês saibam
Que eu vejo através das suas máscaras
Vocês que nunca fizeram nada
A não ser construir para destruir
Vocês brincam com meu mundo
Como se ele fosse seu brinquedinho
Vocês põem uma arma na minha mão
E se escondem dos meus olhos
E se viram e correm para longe
Quando as balas rápidas voam
Como Judas do passado
Vocês mentem e enganam
Uma guerra mundial pode ser vencida
Vocês querem que eu acredite
Mas eu vejo através dos seus olhos
Eu vejo através dos seus cérebros
Como eu vejo através da água
Que escorre pelo meu ralo
Vocês apertam os gatilhos
Para os outros atirarem
Então vocês se sentam e assistem
Quando a contagem de mortos aumenta
Vocês se escondem em suas mansões
Enquanto o sangue de jovens
Jorra de seus corpos
E é enterrado na lama
Vocês promoveram o pior medo
Que pode ser lançado
Medo de trazer crianças
Para o mundo
Por ameaçarem meu bebê
Não nascido e sem nome
Vocês não valem o sangue
Que corre em suas veias
O quanto eu sei
Para falar de mudança
Vocês poderiam dizer que sou jovem
Vocês poderiam dizer que sou ignorante
Mas há algo que eu sei
Embora eu seja mais novo que vocês
Mesmo Jesus nunca iria
Perdoar o que vocês fazem
Deixem-me fazer uma pergunta
O seu dinheiro e tão bom?
Ele irá comprar o seu perdão?
Vocês acham que ele poderia?
Eu acho que vocês irão descobrir
Quando o sino das suas mortes dobrarem
Todo o dinheiro que vocês fizeram
Jamais irão comprar de volta suas almas
E eu espero que vocês morram
E suas mortes chegarão logo
Eu seguirei seus caixões
Na tarde pálida
E assistirei enquanto vocês descem
Para o seu leito de morte
E eu ficarei sobre o seu túmulo
Até me certificar de que vocês estão mortos
Bob Dylan - Masters of War - lyrics
YOUTUBE.COM
Bob Dylan – Masters of War – lyrics
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