GASTO DE 343 MIL EUROS PELA CALHETA EQUIVALE A 49 MILHÕES DE EUROS EM LISBOA

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GASTO DE 343 MIL EUROS PELA CALHETA EQUIVALE A 49 MILHÕES DE EUROS EM LISBOA
Mais circo do que pão: na região mais pobre do país, Calheta gasta quase 4% do orçamento num festival de música
Nos Açores, a região com a maior taxa de pobreza do país, há um município que acaba de fazer um ajuste directo recorde. Tem apenas 3.500 habitantes, mas isso não impediu o a autarquia açoriana de Calheta, São Jorge, de gastar “à grande e à francesa”.
No passado dia 4 de Julho, a autarquia adjudicou o seu maior contrato por ajuste directo de sempre.
E não, não foi para tapar buracos numa estrada nem para mudar o telhado numa escola nem para apoio social.
Calheta decidiu fazer o ajuste directo milionário para organizar um festival de música.
A despesa recorde, efectuada em ano de eleições autárquicas, supera os 343 mil euros e destina-se a contratar músicos e serviços de montagem e desmontagem de palco no âmbito de um festival que se realiza entre o dia de hoje, 10 de Julho, e o dia 14 deste mês.
Segundo o contrato, adjudicado sem concurso à empresa Excellent Vanguard, entre os artistas que vão actuar neste festival contam-se Gavin James, David Fonseca, The Gift, À variações, Némanus, Wet Bed Gang, Karetus, Tropa do Lima e os DJ’s John c e Oram. O preço final inclui a montagem e desmontagem do palco, som e luz.
Assim, David Fonseca e À variações actuam hoje, 10 de Julho e os Némanus actuam amanhã. Já os Wet Bed Gang e os Karetus actuam no dia 12 enquanto a banda The Gift sobe ao palco no dia 13. Gavin James encerra o evento com um concerto no dia 14. Quanto aos dois DJ’s contratados, actuam no dia 12. Todos os concertos têm uma duração aproximada de duas horas.
Para o município açoriano, trata-se do quinto maior contrato de sempre registado pela autarquia na plataforma de contratos públicos, o Portal Base. Só é superado por quatro despesas referentes a empreitadas de reabilitação de infrastruturas.
Em termos de despesa, este ajuste directo ‘comeu’ 3,6% do orçamento anual global da autarquia, da ordem dos 9,5 milhões de euros.
Comparando com o caso do orçamento de Lisboa, é como se a capital decidisse gastar 49 milhões de euros com um só evento.
Tendo em conta o número de habitantes, este festival ‘grátis’ na Calheta corresponde a 98 euros por residente naquele município açoriano que engloba cinco freguesias.
Para a empresa que ganhou este contrato sem concurso, trata-se da maior facturação de sempre com uma entidade pública. Dos cinco contratos que tem no Portal Base, o segundo maior contrato que obteve com o sector público foi no ano passado, também o município de Calheta, para organizar o Festival de Julho 2024.
Mas o contrato obtido no ano passado com aquela autarquia foi de ‘apenas’ 135.736 euros, ou seja, um valor que corresponde a 40% do montante que a empresa conseguiu facturar com o contrato feito agora para o ‘Festival de Julho 2025’.
O contrato assinado em 4 de Julho do ano passado aparece em branco no documento que é disponibilizado no Portal Base, estando apenas registados os dados com um resumo do procedimento.
A empresa Excellent Vanguard foi criada em Setembro de 2017 e é detida por um casal que reside em Angra do Heroísmo. A maior quota está nas mãos de Elisa Margarida Oliveira Terroso e uma quota menor pertence ao marido, Rui Duarte Alves Álamo.
A Excellent Vanguard anunciou que fez o ‘bis’ e ganhou a organização do ‘Festival de Julho 2025’. /
Rui Álamo conseguiu, individualmente, um outro ajuste directo no ano passado, no valor de 60.614 euros.
Tratou-se de um contrato adjudicado pelo município de Angra do Heroísmo relativo à aquisição de “serviços de manutenção de pavimentos através do corte de infestante no centro urbano da cidade de Angra do Heroísmo”.
De resto, não se encontra site da empresa na Internet, mas nas sua página na rede social Instagram, a Excellent Vanguard apresenta-se como a organizadora de outros eventos nos Açores, designadamente o Graciosa Sound Fest e o Festas na Praia, na Terceira, e a ‘Festa do imigrante’, nas Flores.
Para os residentes nos Açores, música não faltará este Verão. No caso da Calheta, haverá música e festa a ‘bombar’ nos próximos dias.
Segundo o relatório ‘Balanço Social 2024‘, uma em cada 10 famílias na Região Autónoma dos Açores não consegue fazer uma refeição proteica de dois em dois dias, sendo que “a taxa de pobreza está quase 8 pontos percentuais acima da média nacional nos Açores, a região com maior taxa de pobreza em Portugal”.
De resto, segundo o mesmo relatório, a região apresenta o valor mais alto de privação em diversos indicadores de pobreza, a nível nacional.
Os Açores registaram, em 2023, o mais alto coeficiente de desigualdade — GINI — (36,0)em Portugal.
Em 2024, a região apresentava a maior taxa de risco de pobreza a nível nacional, chegando aos 24,2%.
No relatório, os Açores surgem ainda como a região do país com maior nível de desigualdade.
Mas, apesar destes indicadores, música não faltará. Pelo menos na Calheta
https://paginaum.pt/2025/07/10/mais-circo-do-que-pao-na-regiao-mais-pobre-do-pais-calheta-gasta-quase-4-do-orcamento-num-festival-de-musica

Agressões em creche nos Açores. Falta de reações políticas gera revolta

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Várias crianças, de 1 a 3 anos de idade, foram agredidas por quatro funcionárias de uma creche de Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, nos Açores. Apesar da violência das imagens, não há, para já, reações por parte do Governo regional nem da maioria dos partidos.

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Montenegro comprometeu-se a resolver “todas as pendências da região”, diz Bolieiro

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Após ter reunido com José Pedro Aguiar-Branco, o presidente do Governo dos Açores disse que o primeiro-ministro se comprometeu com resolver todos os problemas da região autónoma.

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TAP: “ou cresce ou morre”. Crescendo, devolverá o dinheiro aos contribuintes?

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Por um lado, há quem considere que a TAP tem condições para devolver aos portugueses os 3,2 mil milhões de euros injetados desde 2020. Por outro, há quem alerta que as avaliações têm de ter por base “a realidade do mercado e não estimativas desfasadas”. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou, esta quinta-feira, que o Governo vai privatizar 49,9% da TAP. Este é o primeiro passo para arrancar com a venda da TAP, que vai voltar a ter acionistas privados depois de em 2020 o Governo de António Costa ter avançado para a nacionalização para reduzir o impacto da Covid-19 na

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FALECEU O POETA E ENSAÍSTA FERNANDO GUIMARÃES (1928-2025) RIP.

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FALECEU O POETA E ENSAÍSTA FERNANDO GUIMARÃESMay be an image of 1 person and glasses
(1928-2025) RIP.
Era membro do PEN PORTUGAL. Publicou desde 1956 vários livros de poesia e ensaio, tendo alargado também a sua atividade à ficção e ao teatro.
Autor de ensaios sobre literatura portuguesa, centrando-se sobretudo no período que decorre entre o século XIX e a atualidade, e sobre questões relacionadas com a história da estética em Portugal e com a filosofia da arte. Exerceu crítica literária (revista «Colóquio / Letras», «Jornal de Letras», etc.) e fez parte, como investigador, do Centro de Estudos do Pensamento Português da Universidade Católica Portuguesa. Recebeu vários prémios literários, nomeadamente os da Associação Portuguesa de Escritores, da Associação Internacional de Críticos Literários e do PEN. Foram-lhe atribuídos pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra prémios de tradução de poesia; considerando o conjunto da sua obra ensaística, a Universidade de Évora concedeu-lhe o Prémio Vergílio Ferreira.
Nas Edições Afrontamento, que editou grande parte da sua obra desde 1992 até ao presente, publicou numerosos livros de poesia, bem como de ensaio literário, a saber, O Anel Débil (1992); Poesias Completas 1952-1988 (1994); Uma Homenagem a Guilherme de Castilho (1994, com Isabel Pires de Lima); Limites para uma Árvore (2000) – Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes; Os Caminhos Habitados (2013) – Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes APE/C.M.Amarante; A Terra Se É Leve (2017); Junto à Pedra (2019) – Grande Prémio de Poesia Maria Amália Vaz de Carvalho APE e Grande Prémio de Literatura dst; Lugar da Palavra. Poesia reunida 1956-2019 (2019); Os Outros Movimentos Literários. Encontros e roturas a partir do século XIX (2020); Poética do Modernismo. Entre a Modernidade e a Pós-Modernidade (2023); Das Mesmas Fontes (2023); Sobre a Voz (2024).

Problemas com voos: calcular indemnização

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Os voos cancelados, atrasados e as situações de overbooking podem dar origem a indemnização. As regras aplicam-se a qualquer Estado-Membro e aos territórios que deles façam parte. Aplicam-se ainda à Noruega, à Islândia e à Suíça. A nossa calculadora revela em menos de um minuto, e de forma gratuita, se tem direito a uma compensação.

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“Astronauta por um dia” muda-se para os Açores com experiência ainda mais espacial

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Dirigida a alunos entre os 14 e 18 anos, a edição deste ano contou com perto de 700 candidatos. Criada em 2022, a iniciativa, até agora realizada em Beja, já levou 91 jovens a “desafiar a gravidade”.

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Fã de café? Subida do preço não dá tréguas e já aumentou 28% só este ano

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No início deste ano, o preço do café torrado moído custava 3,81 euros. Desde então, já aumentou 1,05 euros (mais 28 por cento), de acordo com dados divulgados pela DECO PROTeste.

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ALRAA – Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores – Nota de Imprensa da Presidência da ALRAA – António dos Santos Avelar vence Prémio Literário Vitorino Nemésio com o romance “Irma”

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Google anuncia cabo submarino que liga EUA, Bermudas, Açores e Espanha

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A Google anunciou hoje o cabo submarino Sol que vai ligar os EUA, Bermudas, Açores e Espanha, o qual irá complementar e interligar-se com o cabo submarino Nuvem, que tinha sido anunciado em 2023.

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Portal das Finanças passa a ter autenticação reforçada com código por SMS

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O Portal das Finanças passa a contar, a partir de hoje, com um sistema de autenticação reforçada para os contribuintes entrarem na sua página pessoal, através do envio de um SMS com um código de verificação.

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um dos últimos textos de ÁLAMO DE OLIVEIRA nos colóquios

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TEXTO DE HOMENAGEM A HELENA CHRYSTELLO

 

O seu desaparecimento (Dr.ª Helena Chrystello) do nosso convívio não é substituível. Aliás continuamos a dar pela sua presença através do ambiente de amizade que nos deixou nestes momentos de partilha de saberes e de preocupações culturais.

 

LEMBRAR A DOUTORA HELENA CHRYSTELLO

 

Embora me apeteça, não vou entrar numa de fazer emergir a minha profunda saudade pela minha amiga Helena Chrystello. Prefiro lembrá-la como mulher de inteligência abrangente, amante desta nossa açorianidade de especificidades únicas, senhora de generosa partilha de saberes e, sobretudo, capaz de mobilizar outras personalidades e de lhes atribuir, sem pressão de orientações de qualquer espécie, tarefas que visaram o desenvolvimento do que importa dar a conhecer coletivamente.

 

Ela foi, como todos sabem, a colaboradora principal dos Colóquios da Lusofonia, inspiradora e mentora dos seus conteúdos e dos seus comunicadores. Desde o primeiro Colóquio, que esteve extremamente atenta aos linguistas que se debatiam por um acordo ortográfico o mais consensual possível, pois havia propostas algo confusas nas pessoas que lecionavam a crianças, como era o caso da Professora Helena.

 

Após a aprovação do «acordo», ela iniciou um programa editorial que veio permitir a divulgação, de forma sucinta, por que selecionada, da produção literária de autores açorianos, organizando com outros voluntários e estudiosos e fazendo publicar antologias de ficção narrativa, nomeadamente contos e textos teatrais. Foram publicações que ficaram como que amadrinhadas por ela, sabendo, por vezes, procurar quem prefaciasse o trabalho de seleção, avalizando a obra que passava a ser pública.

 

Há que dizer que este trabalho – que nem sempre coincidiu com o melhor estado da sua saúde – era sempre feito no momento da sua apresentação, com grande alegria e desprendimento de pertença. O seu entusiasmo era contagiante e o seu espírito de humor também. Transformava-se, voluntariamente, como uma sombra de si mesma, mas com a boca do coração carregada das palavras certas, chamando a atenção para o que precisava, acima de tudo, ser corrigido.

 

A sua fragilidade física era-nos um erro de visão. Paradoxalmente, era essa fragilidade que lhe dava uma força absoluta e alegre.

 

Senhora de elevada cultura e erudição, Helena Chrystello supervisionou a versão francesa de Burra Preta com uma Lágrima, da autoria de Miguel Lopes. A sua revisão, além de me ter proporcionado uma aproximação ao tradutor, deu para usufruir da amizade que me dedicava.

 

Acrescento que a sua formação académica fê-la desenvolver, profissionalmente, o cargo de Coordenadora do Departamento de Línguas na Escola Básica 2,3 da Maia – S. Miguel. Durante vários anos dedicou-se ao estudo e divulgação de autores açorianos, tendo preparado alguns desses trabalhos em parceria com Maria do Rosário Girão, Professora Associada do Departamento de Estudos Românicos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho.

 

Esta referência a parcerias pretende também mostrar a humildade de Helena Chrystello, que apreciava grata a colaboração de outras pessoas nos trabalhos que realizava e aos quais quis emprestar olhares diferentes.

 

Lugar-comum será afirmar que Helena Chrystello tem feito muita falta não só na preparação e realização dos Colóquios da Lusofonia, como na divulgação da escrita açoriana, nomeadamente, na ficção narrativa. Ela tinha uma forma muito pessoal de incentivar os autores, não os untando com euforias descabidas mas adjetivando assertivamente cada trabalho. Os frequentadores dos Colóquios da Lusofonia sempre encontraram palavras de estímulo e de apreço. O seu desaparecimento do nosso convívio não é substituível. Continuamos a dar pela sua presença através do ambiente de amizade que nos deixou nestes momentos de partilha de saberes e de preocupações culturais.

 

Na verdade, gostaria muito de lhe falar e de ouvir as suas respostas sobre este momento de largo e taciturno silêncio cultural, que não mostra desenho, nem objetivos e que nos encerra atrás de muralhas inexpressivas, sem portas que conduzam ao dia de amanhã. Estamos literalmente a atravessar o deserto, embora ainda se consigam encontrar alguns brevíssimos oásis.

Com a Helena podíamos, com certeza, dar abrigo e divulgação ao nosso pecúlio cultural. A Professora Helena não deixaria de apaziguar esta minha inconsolável inatividade. E, com o seu sorriso sereno e sincero, dir-me-ia que amanhã poderá ser ainda um dia surpreendente. Ela tinha sempre aberta a janela da esperança.

 

Não vou dizer saudade, embora me apeteça.

 

Raminho, maio de 2024

Álamo Oliveira