LUIS FILIPE SARMENTO POESIA NA VENEZUELA

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Deixo-vos aqui algumas fotos da minha participação no 16º Festival Mundial de Poesia da Venezuela. Foi uma honra representar Portugal num evento desta dimensão. Este Festival da Venezuela está entre os três mais importantes do género. Um Festival transmitido em directo todos os dias no principal canal de televisão do país só revela uma nação que não perde a coragem perante o criminoso embargo a que está sujeito. A Venezuela não é a propaganda que se faz contra este país. Nos próximos dias publicarei aqui algumas crónicas desta minha experiência numa nação em transformação constante.
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  • Maria Cantinho

    Muitos parabéns. O teu sucesso é o reconhecimento do teu trabalho e talento.

FRENTE À CORTINA DE ENGANOS [Norberto Ávila ||

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FRENTE À CORTINA DE ENGANOS
[Norberto Ávila || 1936-2022]
Conheci pessoalmente Norberto Ávila por ocasião de uma longínqua visita sua ao estabelecimento de ensino onde leciono. Até então, reconhecia-o apenas pela sua ligação à RTP, onde desempenhara funções dedicadas à atividade teatral, em Portugal. Estava longe de saber da sua qualidade enquanto dramaturgo, das suas incursões pela poesia, pelo conto, pelo romance, e mais ainda que se tratava de um açoriano, da ilha Terceira. Desde essa altura passámos a trocar correspondência, que se intensificou após a publicação de um conto seu na revista literária «Grotta», e mais ainda após o reencontro pessoal ocorrido no âmbito do «Arquipélago de Escritores», na sua edição de 2019. Dentre uma diversidade de outros assuntos, debatemos ideias sobre literatura e trocámos alguns livros, tecemos uns comentários críticos sobre estes, tendo sido eu, e em larga medida, acrescentaria, o mais beneficiado desse comutar de considerações. A sua generosidade era evidente, característica que, cada vez mais, associo aos nomes maiores da nossa literatura. Com efeito, e tomando como minhas as palavras do físico, “Quanto maior o conhecimento, menor o ego […]”.
Foi, precisamente, numa dessas trocas de mensagem que me escreveu pela primeira vez sobre o seu romance «Frente À Cortina De Enganos». Iria torná-lo público. Fiquei satisfeito, pese embora o formato encontrado pelo autor para tal publicação não me parecesse, na altura, o mais conveniente: seria a obra divulgada na página de uma rede social, capítulo a capítulo, alcançando fugazmente um ínfimo número de leitores que, por certo, não lhe prestaria a atenção devida, apanágio de grande parte da informação veiculada nestas plataformas. Nunca lhe dei conta dessa minha opinião, pensei que fazê-lo representaria uma ousadia da minha parte e, agora que já não lho posso transmitir, sinto algum constrangimento. Todavia, terão outros tido a coragem que me faltou, porque a obra chegou, pela sua própria mão, à editora Letras Lavadas, em Ponta Delgada e, aquando da morte do autor, estavam a ser preparadas as diligências finais para a sua publicação em livro. Com efeito, a professora Helena Chrystello, através da associação que ajuda a dirigir, prontificou-se a ultimar os detalhes finais da edição do romance, apresentado condignamente ao público, no Centro de Estudos Natália Correia, na Fajã de Baixo, e integrado no programa do 36.º Colóquio de Lusofonia.
A obra, dedicada a Luiz Fagundes Duarte, “como testemunho de muita admiração e amizade”, teve como ponto de partida a peça teatral «Fortunato e TV Glória», sendo que, durante a leitura, e por diversas vezes, será percetível este cruzamento entre modos literários. Não raras vezes, sentir-se-á o leitor ante a narração de trechos que muito bem poderiam ser entendidos como didascálias, ou até mesmo como os típicos apartes, tão mais usuais em texto dramático.
«Frente À Cortina De Enganos» vem confirmar, (sem que houvesse, contudo, essa imprescindibilidade) a apuradíssima competência de escrita do autor, o seu vasto conhecimento vocabular e a sua incomum capacidade para a produção do diálogo. Fruto dessa sua vocação para a redação de texto dramático, depurou esta característica ao longo dos anos, sendo, talvez a par de Paula Sousa Lima, o autor açoriano contemporâneo que mais convincentemente escreve em discurso direto. Para além da riqueza vocabular e do uso imaculado do discurso antes referido, Norberto Ávila notabiliza-se ainda pelo recurso a variadíssimas estratégias narrativas que conferem uma dinâmica bem interessante à leitura: elipses, analepses e prolepses são alguns dos mais frequentes, sendo que a troca de voz narrativa e a interpelação direta ao leitor (influenciado, porventura, pelos apartes do texto dramático) são outras das estratégias contempladas. Por outro lado, é frequente o autor tomar a posição do leitor e, a este propósito, não há como deixar de destacar o “Capítulo 7.a”, assim designado por Ávila, onde o próprio assume responsabilidade e adita explicações àquilo que o leitor poderá estar a pensar naquele momento, considerando a prestação, até então, de uma determinada personagem. O seu brilhantismo estende-se ainda aos momentos de descrição. Não sendo adepto da usança frequente do advérbio de modo e, sobretudo, do recurso fácil ao adjetivo, é notório o cuidado que imprime nas suas descrições, valendo-se de comparações significativas para atingir o seu propósito descritivo: “[…] o condutor era um jovem de vinte e poucos anos, bronzeado no rosto e nos braços, cujo cabelo, castanho alourado, se diria um cacho de tremulantes caracóis, arrancado a um painel renascentista.” Para além de tudo o mais, há um fino sentido de humor que perpassa todo o romance, ridicularizando-se abertamente grande parte da sociedade, conferindo especial ênfase àqueles “novos-ricos” que vivem de aparências, mas também o povo e o clero. Aflora-se o “chico-espertismo”, tipicamente português, assim como se coloca em evidência a corrupção, a mentira, a trafulhice.
Norberto Ávila foi claramente um grande escritor português, pelo que, em boa hora, decidiu a Imprensa Nacional-Casa da Moeda publicar, em quatro volumes, os seus textos teatrais, relevando e, sobretudo, eternizando um dos mais notáveis dramaturgos portugueses do século passado. Todavia, e embora se ressalvem os apontamentos tidos pelos responsáveis quer da revista literária «Grotta», quer dos “Colóquios da Lusofonia”, e em particular o empenho manifestado pela professora Helena Chrystello, sinto por parte dos responsáveis culturais da região um continuado e incómodo silêncio em relação à vida, mas, mormente, em relação à obra deste açoriano que o foi dos maiores.
Norberto Ávila, «Frente À Cortina De Enganos», Letras Lavadas, 2022
May be an image of text that says "RBERTO AVIL ? 10 RENTE À CORTINA h ANOS Lavadas edições Letras"
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Silviano Santiago, escritor pioneiro nos estudos pós-colonais

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Ensaísta, romancista, poeta e contista, Silviano Santiago, de 86 anos, vencedor do Prémio Camões 2022, é autor de cerca de 30 obras, e afirmou-se pela inovação de basear os seus estudos sobre literatura brasileira nas teorias dos estudos pós-colonais.

Source: Silviano Santiago, escritor pioneiro nos estudos pós-colonais