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Na recolha, estudo e catalogação de documentos familiares em torno da figura de meu Pai, apareceu este texto de Casimiro Augusto de Oliveira inserido na revista “O Bi-tó-ró” de Outubro/Novembro/Dezembro de 98 na rubrica “Figuras da nossa terra”.
“O Sargento Luís Maria Madruga
Singrar na vida apoiados por familiares, ou de qualquer outra maneira, por qualquer outra entidade, é louvável sem dúvida, não vemos nisso nada de condenável e são exemplos que observamos frequentemente. Mas partir humildemente de zero e atingir uma posição de relevo por esforço da própria vontade e dedicação é motivo de orgulho e satisfação e impõe essas pessoas à nossa consideração.
Vem isto a propósito duma figura da minha aldeia, que, de criado de servir, atingiu o posto de sargento-ajudante da guarda-fiscal, chegando a comandar alguns Postos daquela Corporação, entre eles o de Mogadouro. Infelizmente uma morte súbita surpreendeu-o em pleno auge da sua carreira, o que causou a maior consternação em todos quantos o conheciam e admiravam as qualidades do seu carácter.
Estou a referir-me ao Sargento Luís Maria Madruga, de quem muitos Mogadourenses ainda se recordam, pois vivem ainda muitos dos seus contemporâneos.
Nasceu na Aldeia de Vale da Madre, há 72 anos em uma humilde família de agricultores. Matriculado na escola primária cerca dos 7 anos, evidenciou logo os seus dotes de inteligência e de aplicação ao estudo. Concluída a instrução primária e como a família era pobre, foi servir como criado de lavoura em casa de lavradores abastados, até que atingiu a idade de cumprir o serviço militar. Aqui dedicou-se a aumentar a sua bagagem literária, matriculou-se em diversos cursos, sempre concluídos com brilho. Assim começou a sua carreira da Guarda Fiscal, atingindo o posto de sargento e comandando diversos postos daquela corporação, sempre muito estimado e respeitado, tanto pelos seus subordinados como por todos quantos contactavam com ele, pois era uma pessoa de trato afável e simpático.
Passou há pouco tempo mais um aniversário da sua morte, mas a memória do sargento Madruga continua viva em todos os que o conhecemos, quer como amigos, entre os quais nos contávamos, como entre os seus admiradores.
Deixou dois filhos que lhes herdaram as qualidades: uma filha que infelizmente a morte surpreendeu muito nova, a Doutora Maria da Conceição Madruga, figura de grande prestígio nos meios intelectuais de Viana do Castelo, onde exerceu diversos cargos de responsabilidade e dirigiu várias organizações.
O outro filho: Francisco Fernandes Madruga, diretor comercial na área editorial tem-se empenhado muito pelo progresso e desenvolvimento desta região de Mogadouro, o que o tem imposto à consideração e estima de todos os conterrâneos.
É pois, com muita saudade que evocamos o nome do sargento Luís Maria Madruga em mais um aniversário da sua morte prematura. Paz à sua alma. E que o teu exemplo, caro amigo, frutifique entre esta juventude atual que, por vezes, vemos tão desmotivada sem interesse pela vida e sem vontade de triunfar.”
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- Isilda BrásParabéns
,,ainda tive o privilégio de conhecer o seu pai .
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- Francisco MadrugaAmiga Isilda Brás,um abraço
e cumprimentos ao amigo João. As alheiras estavam deliciosas.
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Antonio Luis FernandesNosso orgulho!!!1
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Ana CastanhoO tio Sargento,
que sempre nos visitava, era o nosso orgulho, mesmo 
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