Views: 0
QUANDO OS FACTOS FALAM MAIS ALTO DO QUE OS PALPITES.
Hoje pude então fazer o teste que imaginei ontem. Viajar para trás no tempo. Coloco a curva normal de probabilidade de surgimento de sintomas após contágio (média = 5,2 dias) a iniciar-se (dia 1) num evento estatístico. E a curva vai recuando (ou seja, está em espelho, com o dia 14 para a esquerda, o dia 1 à direita). Quanto maior a área abaixo dela, maior a probabilidade de estar aí o efeito. Ou de estar aí o efeito a ser mais forte, se se tiver iniciado antes. Afinal de contas, no caso de comportamentos sociais, não se espera que toda a gente altere os comportamentos num dia, mas sim que comecem a alterá-los num dia e ao longo dos dias mais pessoas os alterem.
Vejo dois percursores possíveis de efeitos: quando o governo anunciou a uma quinta-feira (dia 12) que na segunda-feira não abririam as escolas; e essa própria segunda-feira (dia 16). E dois eventos estatísticos com potencial. O primeiro evento: o momento em que o ritmo de crescimento de casos deixou de ser exponencial puro e começou a abrandar. Colocando aí o dia 1 da curva de probabilidade, vemos que o GROSSO da probabilidade de efeitos está precisamente entre esse dia e o dia do anúncio (anúncio!) do encerramento das escolas, a quinta-feira que fez com que nessa sexta-feira já muita gente se resguardasse (muitos, como eu, já nem mandaram os filhos para a escola).
Olhei então para o outro evento com potencial: o momento em que o ritmo de crescimento de casos deixou de ser uma exponencial atenuada e passou a ser sigmóide, o ritmo a que temos estado desde então. Colocando aí o dia 1 da curva e andando para trás, vemos que, precisamente, o GROSSO da probabilidade de efeitos surge entre esse momento e um percursor: o dia de encerramento das escolas.
Ou seja, AS MEDIDAS FUNCIONAM.
Quanto ao futuro? Bem, hoje o ritmo de evolução mantém-se a meio caminho entre a sigmóide assimétrica (evolução longa, abrandando mas devagarinho, como um travão fraquinho) e a sigmóide simétrica (travagem nos próximos dias). Só que… só se mantém a meio caminho porque a sigmóide simétrica foi atualizada. Se fosse a de ontem, estaria mais longe. Pelo que isto dá mais crédito à possibilidade do crescimento assimétrico ser o que estamos a vivenciar. Veremos. Venha o próximo dia.
