ESTUDANTES DO OE-CUSSE RETIDOS EM DILI

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Covid-19: Estudantes de enclave timorense de Oecusse querem voltar para a região
Díli, 18 mai 2021 (Lusa) – Um grupo de estudantes do enclave timorense de Oecusse protestou hoje junto do escritório da autoridade regional em Díli por não poderem regressar a casa como solução para as dificuldades que estão a sentir na capital.
Os estudantes queixam-se que devido à cerca sanitária imposta devido à covid-19 em Díli estão sem dinheiro e querem regressar a casa, argumentando que pediram as autorizações necessárias e fizeram os testes, mas não puderam viajar.
“A comunidade estudantil veio aqui no dia 20 para dialogar, mas continuamos sem solução. Nós já fizemos teste à covid-19, teste negativo, mas não podemos viajar. Pedimos autorização não nos deram”, contou à Lusa Zecaferiado Afulik, um dos jovens.
“Pedem para mantermos a calma, e nós fazemos isso e respeitamos as regras, mas precisamos de voltar para casa”, contou.
Os estudantes lamentam que o navio Sucesso, que recentemente transportou carga de Díli para Oecusse não tenha levado passageiros e pedem ao primeiro-ministro e ao parlamento uma solução.
“O navio sucesso não transporta passageiros. Pedimos autorização ao parlamento nacional, o assunto já foi levantado por uma deputada do CNRT, mas o presidente da RAEOA continua a não autorizar a nossa viagem”, explicou.
“Mas deixa pessoas entrar da fronteira indonésia. E não nos deixa entrar a nós. Isso é discriminação. Exigimos à presidente que transporte os estudantes e a comunidade a voltar para Oecusse”, insistiram.
Arsénio Bano, presidente da Autoridade da Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA) lamentou a situação dos jovens, mas explicou à Lusa que as limitações atuais não permitem que possam viajar.
“Díli tem transmissão comunitária e um aumento diário de casos da covid-19 e por isso decidimos aqui em Oecusse que quem entre, vindo de Díli ou da fronteira, tem que obrigatoriamente fazer quarentena”, explicou.
“Porém temos capacidade limitada de quarentena e por isso só podemos permitir mais pessoas quando as que estão agora em quarentena terminem”, sublinhou, notando que estão mais espaços de quarentena a ser preparados.
Arsénio Bano disse que conhece a situação dos estudantes, a quem pede paciência, dadas as limitações atuais, frisando que a política de quarentena tem permitido controlar os casos no enclave.
“Nos casos das pessoas que entraram desde o ano passado na fronteira, até agora, e que ficaram em quarentena, detetámos apenas cinco casos positivos em quarentena. Mas de Díli, de 40 que vieram, detetamos três positivos”, referiu.
“Por isso, manter a quarentena é a melhor situação. Os estudantes podem vir, mas quando tivermos espaço na quarentena. E há a opção de autoquarentena, mas as casas têm de cumprir os critérios do Ministério da Saúde”, frisou.
Bano referiu que as autoridades regionais estão a tentar equilibrar a necessidade de proteger a população, procurando ao mesmo tempo garantir fornecimentos de bens essenciais e que, por isso, a carga tem tido prioridade.
“E os dados mostram que, em termos da covid-19, Oecusse está em boas condições”, disse.
Recorde-se que Timor-Leste está atualmente a viver o pior momento da pandemia, com números recorde de hospitalizações e casos graves e críticos, 10 óbitos nos últimos dois meses e muitos casos diários detetados.
Atualmente, há 2.238 casos ativos em Timor-Leste, dos quais cerca de 83% em Díli, sendo que desde o início da pandemia Oecusse registou apenas oito casos de infeção da SARS-CoV-2, dos quais apenas um está ativo.
ASP // VM
Lusa/Fim
Chrys Chrystello
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