o fim de Schengen?

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Regressemos então ao Certificado Digital ou Passaporte Covid como, também, já é denominado. Uma das bases do processo de construção europeu, diria até que um dos seus pilares fundamentais, é a livre circulação de pessoas e bens dentro do espaço da União. Que, embora só tenha efectivamente sido implementado com o famoso Tratado de Schengen, em 95, esteve ou estava implicitamente subjacente à própria génese do ideário europeu com a livre circulação de trabalhadores e da liberdade de implementação de empresas e serviços estabelecida logo em 1957 no Tratado que instituiu a CEE. Ou seja, a livre circulação entre países da UE não é um princípio qualquer é uma parcela fundamental de um dos, se não o mais importante, conceitos fundadores que é o de Cidadania Europeia. Enquanto cidadãos de um espaço geográfico comum é um direito inalienável a liberdade de circulação dentro dele, abolindo-se fronteiras, vistos e direitos alfandegários. Esta livre circulação foi também uma conquista civilizacional, estreitando laços entre povos e nações e indo até mais longe na supressão de fronteiras políticas e muitas vezes meramente administrativas e colocando-se a ênfase na identificação cultural, linguística e histórica dos povos europeus. Veja-se, aqui tão perto, a questão Galega ou, por exemplo, o caso mais sensível do povo Euskadi, separado em dois países diferentes. Com isto não quero entrar em matérias nacionalistas, mas antes assinalar a importância deste assunto do ponto de vista quase filosófico na construção europeia. Ora o Certificado Digital vem reinstituir “barreiras” ou, pior, uma discriminação, mesmo que positiva, nesta livre circulação e, é por isso mesmo, que vai essencialmente contra o espírito da própria União. Ainda para mais, quando a razão que nos é dada para esta supressão de um direito fundamental da cidadania europeia é meramente potenciar a retoma económica. Junte-se a isto o facto de estar acessível apenas a uma minoria da população, vacinados ou pós-infectados, ter subjacente informação clínica sensível e privada, ser potencialmente gerador de discriminação, ir contra o direito à privacidade e, last but not least, ser altamente perigosa e duvidosa a generalização da sua utilização, veja-se que já se fala em acesso a eventos e espectáculos para percebermos como estamos na ante-câmara de um novo big brother is watching you mascarado de salvo-conduto vacinal. Esta espécie de classe executiva para covidiotas não é um avanço na construção europeia nem uma afirmação da sua cidadania, antes pelo contrário, é um gesto xenófobo e autoritário que limita e discrimina os cidadãos europeus com a aposição de uma verdadeira anilha sanitária para controlo da circulação, resta saber quem controla as entradas e as saídas neste matadouro em que a loucura pandémica transformou o nosso espaço comum…
Visit the COVID-19 Information Centre for vaccine resources.
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a queda de França

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A queda narcisista da França
O país está realmente à beira de uma guerra civil?
POR MICHEL HOUELLEBECQ
“Eu olho para todos os lados e tudo o que vejo é escuridão.”
Uso essa citação de Pascal ( Pensées , 229) porque não estou a propor-me afirmar verdades positivas nem a defender opiniões. Vejo uma situação que – como escreve Pascal na frase seguinte – “não oferece senão motivo de dúvida e ansiedade”.
Se me pedem para dar um parecer sobre a agora celebrada “Carta dos generais”, UnHerd ‘s Will Lloyd observa corretamente: “O que parece mais extraordinário sobre o furor que se seguiu é que tão poucas pessoas questionaram a premissa da carta – que a França está a ponto de entrar em colapso. ”
Isso é realmente surpreendente. Por quê a França? Por quê a França e não qualquer outro país europeu quando os outros parecem estar numa situação mais ou menos semelhante e às vezes pior?
Devo admitir desde o início que não tenho solução para esse mistério (embora conheça bem a França e seja francês). Tentarei evitar cair em noções confusas do tipo “psicologia das nações”; mas será difícil.
Do ponto de vista do terrorismo islâmico, é verdade que, durante algum tempo, a França foi especialmente visada pelo Isis, esta última acreditando (não sem razão) que a França os havia atacado intervindo na Síria e no Iraque. Mas esses dias ficaram para trás e, se considerarmos as últimas décadas, vemos que a Grã-Bretanha, a Espanha, a Bélgica e, em menor medida, a Alemanha também sofreram ataques terroristas assassinos. O que seria difícil, de facto, é encontrar um país no mundo que tenha sido poupado da violência islâmica.
O crime e a violência, ligados ou não às drogas, estão realmente a causar mais estragos na França do que em outros países europeus? Não tenho ideia, mas surpreender-me-ia um pouco; se fosse esse o caso, os jornalistas franceses não teriam deixado de enfatizar isso.
Há na França um ambiente vago e generalizado de autoflagelação – algo que paira no ar como um gás. Quem visita a França e vê televisão não pode deixar de se surpreender com a obsessão de seus apresentadores, jornalistas, economistas, sociólogos e especialistas diversos: passam a maior parte do tempo no ar comparando a França a outros países europeus, invariavelmente, com o objetivo de menosprezar França.
Em geral, é suficiente apontar para a Alemanha; mas às vezes a Alemanha não tem um histórico tão bom, então eles referem-se à Escandinávia, Holanda e, mais raramente, à Grã-Bretanha. Qualquer que seja o assunto, é claro que sempre é possível descobrir um país que é superior a nós; mas esse extremo deleite com o masoquismo é surpreendente.
Este é apenas um detalhe. Um assunto muito mais importante, visto que não é apenas um sintoma de declínio, mas o próprio declínio – declínio em sua própria essência – é, obviamente, a demografia. Recentemente, políticos e comentadores ficaram preocupados ao saber que o “índice sintético de fertilidade” (isto é, o número de filhos por mulher) caiu na França para 1,8. (1)
Tal número seria a realização de um sonho para os países do Sul da Europa: Itália, Espanha, Portugal e Grécia, onde a taxa é de 1,3. 2 É ainda pior na Ásia, em partes do mundo que são tão tecnologicamente avançadas quanto distantes, mas geralmente admiradas. A taxa em Singapura e Taiwan é de 1,2.
A Coreia do Sul é apenas 1,1. Este país corre o risco de perder um décimo de sua população até 2050; se isto continuar, terá apenas uma chance de sobrevivência: anexar a Coreia do Norte, que está em 1,9. Estou a brincar, mas só isso.
Com uma taxa de 1,4, os japoneses estão quase a arrastar-se, o que é surpreendente, já que as notícias mais divertidas sobre o declínio das taxas de natalidade normalmente vêm do Japão. Essas notícias são tão loucas que hesito em repeti-las (mas o improvável às vezes é verdade):
Os velhos são aparentemente tão numerosos no Japão que não podem mais ser alojados, então eles têm que encontrar uma maneira de infringir a lei para encontrar alojamento na prisão.
O governo japonês é relatado ter que transmitir vídeos pornográficos em horário nobre na televisão pública, a fim de estimular os apetites sexuais dos casais japoneses. Afinal, trepar acaba por gerar alguns filhos.
Na França, é claro que não chegamos a esse nível, pelo menos não totalmente. A verdade é que a obsessão francesa com a ideia de declínio está longe de ser nova. Jean-Jacques Rousseau afirma em algum lugar (ou é Voltaire? Tenho preguiça de verificar; esses autores são entediantes de ler. De qualquer forma, é um dos dois), que mais cedo ou mais tarde – “a coisa é certa”: nós seremos escravizados pelos chineses.
A França às vezes lembra-me um daqueles velhos hipocondríacos que nunca param de reclamar da sua saúde; o tipo que está constantemente a dizer que desta vez eles realmente estão com um pé para a cova. As pessoas costumam responder sarcasticamente: “Vejam, ele vai acabar por enterrar-nos a todos ”.
Os Estados Unidos da América parecem, por outro lado, ter transformado o optimismo em um princípio de existência. Pode-se duvidar da firmeza dessa atitude. Quando Joe Biden afirma que “a América está mais uma vez pronta para liderar o mundo” (aqui, novamente, estou com preguiça de encontrar a citação exacta; Biden é ainda mais tedioso do que Voltaire), eu imediatamente interpreto isso como:
A América não demorará muito para embarcar numa nova guerra;
Como sempre, ela vai acabar comportando-se como um pedaço de merda;
Ela desperdiçará muito dinheiro, ao mesmo tempo que reforça o ódio quase universal de que é o alvo; isso permitirá que a China fortaleça sua posição.
Não, não se trata realmente de um “suicídio francês” – para evocar o título do livro de Eric Zemmour – mas de um suicídio ocidental ou melhor, de um suicídio da modernidade, já que os países asiáticos não são poupados. O que é especificamente e autenticamente francês é a consciência desse suicídio. Mas se consentirmos em deixar de lado por um momento o caso particular da França (e realmente seria sensato fazê-lo), a conclusão torna-se cristalina: a consequência inevitável do que chamamos de progresso (em todos os níveis, económico, político, científico, tecnológico) é autodestruição.
Ao recusar todas as formas de imigração, os países asiáticos optaram pelo suicídio simples, sem complicações ou distúrbios. Os países do Sul da Europa estão na mesma situação, embora se pergunte se eles a escolheram conscientemente. Os migrantes desembarcam na Itália, na Espanha e na Grécia – mas eles apenas passam, sem ajudar a equilibrar o equilíbrio demográfico, embora as mulheres desses países sejam frequentemente muito desejáveis. Não, os migrantes são atraídos irresistivelmente para os maiores e mais gordos queijos, os países do Norte da Europa.
Devo mencionar de passagem a opinião esquerdista / progressista / humanista: não se trata de um suicídio, mas de uma regeneração. A composição étnica está, reconhecidamente, sendo modificada, mas no essencial todo o resto permanece inalterado: a nossa república (ou melhor, na Europa, principalmente a nossa monarquia) a nossa cultura, os nossos valores, o nosso “Estado de Direito”, todas essas coisas. Às vezes ouço essa opinião ser defendida (embora cada vez mais raramente).
Os 45% dos franceses que acreditam , por outro lado, na iminente guerra civil ajudam a mostrar (e é quase fofo) que a França continua a ser uma nação de fanfarrões.
São necessários dois para travar uma guerra. Os franceses vão pegar em armas para defender sua religião? Eles não têm religião há muito tempo; e, em qualquer caso, sua religião anterior é daquelas em que tu deves oferecer a tua garganta à lâmina do açougueiro.
Seria então uma guerra para defender a sua cultura, seu modo de vida, seu sistema de valores? Do que exactamente estamos a falar? E supondo que ela exista, vale a pena lutar por ela? a nossa “civilização” realmente ainda tem algo do que se orgulhar?
A Europa parece-me estar numa encruzilhada. Ler Pascal ajuda-me muito: mas, como ele, não vejo “nada além de motivos de dúvida e ansiedade”.
Traduzido do francês pelo Dr. Louis Betty (e do inglês por mim).
© Michel Houellebecq c/o Agence Intertalent info@intertalent.fr
NOTAS DE RODAPÉ
Os Estados Unidos e a Rússia estão em 1,8; A China está em 1,7.
Esses números de 2019 vêm de um boletim informativo, Population et sociétés , publicado pelo Institut National d’Études Démographiques; seus dados, por sua vez, vêm de um relatório publicado pela divisão de população da ONU. Este boletim também se envolve em projecções das populações dos países até 2050. Eles provavelmente estão a apostar numa certa percentagem de imigração, o que explicaria as diferenças com o que se segue das taxas de fecundidade. Como tal, a população dos Estados Unidos aumenta significativamente (a da França também, embora muito menos), enquanto a da Rússia e da China diminuem lentamente; em 2050, o país mais populoso do mundo deveria ser, por larga margem, a Índia.
The narcissistic fall of France - UnHerd
UNHERD.COM
The narcissistic fall of France – UnHerd
Is the country really on the brink of civil war?
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Frederico Cardigos deixa Bruxelas após um excelente trabalho

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Frederico Cardigos

is with

Roberto Pacheco

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Brussels, Belgium

.

Por convite do Governo dos Açores, a partir de 2017 passei a desempenhar as funções de coordenador do Gabinete dos Açores em Bruxelas. Depois de mais de três anos nesta posição, chegou o momento de sair.
Quero deixar claro que as minhas relações com os membros do atual e do anterior Governo dos Açores são e foram excelentes. Muito agradeço ter tido a oportunidade de trabalhar com todos e com as suas entusiastas e comprometidas equipas. Levo muitos ensinamentos que utilizarei, se tiver para isso engenho, nas minhas atividades futuras.
Durante este período no Gabinete dos Açores em Bruxelas, tive a oportunidade e o privilégio de colocar de pé uma representação da ultraperiferia europeia no coração da Europa, dar-lhe visibilidade, demonstrar a capacidade e empenho da nossa Região pela política regional e transmitir, constantemente, informações do centro da Europa para os Açores. Foram mais de meio milhar de reuniões e representações oficiais, muito trabalho integrado numa dezena de redes de sensibilização, centena e meia boletins de informação semanal, centenas de tuítes e muitos milhares de mensagens por correio eletrónico. Entre as redes, ênfase natural para a Câmara do Comércio Belgo-Portuguesa onde o Gabinete dos Açores em Bruxelas exerceu o cargo de vice-presidente.
A equipa em Bruxelas, constituída por mim, pelo Representante Permanente da Federação Agrícola dos Açores, Roberto Pacheco, e, ao longo do tempo, pelos estagiários Nuno Lopes, Tiago Cabral, André Mendes, Carolina Torres, António Pacheco e Rodrigo Rodrigues foi tecnicamente perfeita, apaixonada pelos Açores e empenhada em atingir os objetivos da nossa missão. A todos deixo palavras de agradecimento, afeto e um enorme desejo que sejam sempre felizes!
Ao confirmar o sucesso dos estagiários que passaram pelo Gabinete dos Açores em Bruxelas, se algum conselho posso dar aos jovens dos Açores é que aproveitem as oportunidades dadas pelo Governo Regional e outras instituições para usufruírem de um período formativo junto das instituições europeias (ver ligação abaixo). Para além de poderem verificar, na primeira linha, a ação assente no espírito dos extraordinários valores europeus, voltarão ao arquipélago tecnicamente mais aptos e intelectualmente mais robustos.
Agora que terminam as minhas funções como coordenador do Gabinete dos Açores em Bruxelas, quero, muito reconhecidamente, agradecer ao Dr. Rui Bettencourt, que me convidou para esta posição, e a todos os que no Governo dos Açores, no Parlamento Europeu, no Conselho, na Comissão Europeia, nas representações nacionais e regionais em Bruxelas e nas organizações de pressão e sensibilização europeias me ajudaram a exercer as minhas funções. Se algum sucesso tive, a todos se deve. Eu fui apenas a face visível.
Candidaturas ao Programa Estagiar Europa do Governo dos Açores:
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Terry Portugal Costa, Pedro Arruda and 219 others
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    Frederico, fizeste um Grande Trabalho na defesa dos interesses dos Açores e da Agricultura em particular! Obrigado por tudo! Muito sucesso para o futuro próximo! Forte abraço.
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Bruxelas dá dois meses a Portugal para transpor diretiva anti-lavagem de dinheiro

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A Comissão Europeia alerta que os estados-membros em causa devem abordar aspetos fundamentais do quadro de combate ao branqueamento de capitais.

Source: Bruxelas dá dois meses a Portugal para transpor diretiva anti-lavagem de dinheiro

UE E A TRAPALHADA DAS VACINAS

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Na Comissão Europeia conseguem dormir à noite?
A Comissão Europeia começou por convencer os Estados membros a centralizar as compras de vacinas contra a covid-19.
A opção, independentemente das questões técnicas e jurídicas que possam existir em seu favor, parecia ter alguma lógica política: ir aos fornecedores falar em nome de 450 milhões de pessoas em vez de ter 26 países a competir separadamente pelas suas fatias seria um bom instrumento de negociação.
Poucos se atreveram a contrariar este raciocínio.
Há também o problema da validação científica da entrada das vacinas no espaço europeu: estar esse processo centralizado numa única entidade – a Agência Europeia do Medicamento – também parecia ser um procedimento pacífico entre os governantes europeus.
Ora, a capacidade negocial da União Europeia sobre as farmacêuticas que escolheu como fornecedoras de vacinas focou-se, percebe-se agora, em conseguir o maior número de vacinas possível ao mais baixo preço possível, em vez de se focar no que era necessário: o fornecimento mais rápido possível de vacinas, independentemente do custo.
Por outro lado, decidiu-se logo à partida não adquirir vacinas à Rússia, apesar de a Sputnik V ter sido a primeira no mundo a ser registada.
Foi, aliás, posta sob enorme suspeita a sua qualidade.
Na verdade, comprova-se agora que a vacina russa, a Sputnik V, tem uma elevada percentagem de eficácia, acima de 91%, e é tão segura como as outras.
Por outro lado, as farmacêuticas contratadas pela Comissão Europeia só entregaram as vacinas para aprovação na Agência Europeia de Medicamento semanas depois de o terem feito nos organismos similares dos Estados Unidos da América, Inglaterra, Israel e vários outros países – e na União Europeia isso passou sem queixa que se visse.
Ainda por cima, a agência europeia está a ser lenta a fazer as suas aprovações – aliás, nem compreendo como é que o processo não é naturalmente acelerado, dadas as aprovações entretanto feitas por outros reguladores de medicamentos no mundo, tão ou mais credíveis do que os organismos europeus.
Quando a Hungria, ao perceber que não podia contar com a União Europeia para resolver o problema do fornecimento de vacinas à sua população, resolveu pôr o seu regulador de medicamentos a aprovar a vacina russa e uma das vacinas chinesas – a da Sinopharm -, a Comissão Europeia teve de engolir em seco: limitou-se a dizer que esta atitude da Hungria não era ilegal, mas era “imprópria”.
Nesta semana, a Alemanha está a discutir a compra da vacina russa, e o seu ministro federal da Saúde, Jens Spahn, já disse que “independentemente do país em que a vacina é fabricada, se forem seguras e eficazes, podem ajudar a lidar com a pandemia”.
A única coisa que ele pede é que elas sejam aprovadas pela Agência Europeia do Medicamento – o que, dada a experiência anterior, é capaz de demorar…
Estamos muito concentrados em cobrar ao nosso governo todas as falhas do combate à pandemia.
Fazemos muito bem: manter a pressão acelera a solução dos problemas.
No final logo se fará o balanço mais racional e distanciado sobre a atuação do governo – e isso incluirá a apreciação sobre como António Costa lidou com a incompetência da Comissão Europeia.
Estamos, porém, muito pouco preocupados em fiscalizar o trabalho de quem acabou por ficar com o poder de decidir o destino desta pandemia na União – a Comissão Europeia.
Essa falta de pressão sobre as autoridades europeias vai ser fatal para milhares e milhares de pessoas.
Foram os estadistas europeus que nos disseram: o combate à pandemia é uma guerra.
Haver algumas dezenas ou centenas de pessoas que se vacinam à frente de quem, no meio desta guerra, devia ter prioridade é uma vergonha – nem sei como elas dormem à noite.
Faltarem vacinas na Europa porque a União Europeia quis poupar dinheiro nos contratos e porque deu prioridade à geopolítica em vez de a dar à salvação de vidas é muito mais do que uma vergonha, é, para a lógica bélica desses mesmos estadistas, um crime de guerra – por mim, nem sei como na Comissão Europeia conseguem dormir à noite.
Pedro Tadeu.
Jornal Diário de Notícias, 3 de Fevereiro de 2021.
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ORBAN ERA LIBERAL

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A PRENDA NO SAPATINHO QUE NINGUÉM QUER |
Alertado por quem faz o favor de passar por aqui, passei os olhos por um artigo muito interessante no Público (https://www.publico.pt/…/trabalhadores-tratados…) que me fez pensar na fragilidade da Democracia.
A pandemia criou uma oportunidade de ouro para que ditadores de chinelo, os tais que comecam por dizer as verdades, passem a moldar países inteiros e atrasem o calendário da legislacão laboral em cerca de 60 ou 70 anos.
Viktor Orbán apareceu de mansinho como um liberal que se queria opor ao comunismo, exigindo a retirada dos russos do território húngaro. Com o passar dos anos o liberalismo deu lugar ao conservadorismo e nacionalismo o que, “dizendo as verdades”, chegou para umas maiorias no parlamento (em coligacao).
Essas maiorias abriram espaco para umas revisões valentes na Constituicão ao ponto do nosso José Manuel, na altura presidente da comissão europeia, se mostrar “preocupado”. Depois foi para a Goldman Sachs e ficou mais descansado.
Já Orbán, depois de controlado o parlamento, aproveitou a segunda oportunidade, desta vez oferecida pela pandemia, para flexibilizar as leis do trabalho, retirando direitos aos trabalhores. Segundo o PM húngaro tratava-se de, e cito, “eliminar regras idiotas e permitir que quem quer ganhar mais, possa trabalhar mais”. Mas na realidade, o eliminar de regras “idiotas”, significa que os empregadores podem exigir entre 250 a 400 horas extra por ano (até 10 semanas a mais de trabalho, portanto coisa pouca) tendo que as pagar num prazo máximo de 3 anos. E sem juros, como na Worten. Acho que nem nos tempos da jorna se fazia isto.
Agitando o medo do desemprego e crise financeira, que varre e varrerá a Europa, Orbán cativou multinacionais alemãs que de bom grado usam as benesses laborais (para além dos incentivos do governo) e lucram à custa da miséria alheia. Também aqui nada de novo a Este.
Nos meus tempos de funcionário da VW, SEMPRE com salários congelados, era recorrente ouvir ao mais pequeno barulho dos trabalhadores: “estamos a pensar fechar a fábrica e abrir no sítio X”. E é este ataque permamente aos trabalhadores (e aos direitos consagrados na Constituicao), que explica as parte das desigualdades no mundo em geral e na Europa em particular. Aliás, a própria Alemanha e as suas multinacionais, exigem fora de portas o que não sonham fazer de Munique para Norte ou de Dresden para Oeste.
Manda quem pode, obedece quem deve.
Enquanto as multinacionais aproveitam o esmagamento dos trabalhadores húngaros para aumentar as exportações, os respectivos governos, nas reuniões da UE, condenarão o ataque aos direitos humanos por parte do governo húngaro. Real politik no seu esplendor.
Tal como nos tempos da troika nos davam sermões e, em simultaneo, libertavam crédito dos bancos alemães para que o Paulinho das Feiras pudesse comprar submarinos ou carros blindados Pandur à mesma senhora.
Ou como na Autoeuropa, beneficiando dos apoios do estado português durante 10 anos, pagando 1/3 do que pagariam na Alemanha, a VW consegue montar um carro onde as pecas do lego final chegam da Siemens, Bosch, Continental, etc.
No fim do ano a Alemanha tem excedentes e nas periferias, ajudados pelos Orbáns, vamo-nos entretendo a perseguir a própria cauda.
E é por realidades destas onde, manifestamente, governos atacam o seu próprio povo e os condenam a uma vida de trabalho em condicões que se imaginam extintas na Europa do séc XXI, que os actos eleitorais se tornam particularmente importantes.
Orbán era um liberal, queria que todos fossem ricos e numa das suas alteracões à Constituicão conseguiu que o Comunismo fosse condenado. Rapidamente passou a conservador, sem sequer estagiar entre os democratas cristãos. Passou a escolher quem eram as pessoas de bem que cabiam naquele território e, como se percebe, ficou mais confortável com a ideia de que apenas alguns pudessem ser ricos.
Estas notícias, a análise dos avancos e retrocessos europeus, não são suficientemente discutidas em Portugal e é pena. Imagino que seja pouco interessante.
A Orbán tudo o que bastou foram umas palavras de ordem que apanharam a jeito uma populacão desgastada. Daí ao parlamento e do parlamento a uma coligacão que lhe garantiu maioria dos votos, e assim, mexer nas leis fundamentais.
A pandemia criou o espaco de medo que faltava para a versão “podemos abrir a fábrica noutro sítio” destes tempos. E com isso se atropelam direitos em nome do sustento de miséria.
Orbán não inventou uma ciência mas terá os seus seguidores. Entre nós, os Acores foram o tubo de ensaio e as presidenciais um cartão de visita. A direita acolheu o nosso Orbán que, para já, “só quer dizer umas verdades” e entre dentes nos vai avisando que, cito novamente, “não gosto muito da Constituição”.
Nunca foi tão fácil somar.
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  • Qualquer semelhança com o aspirante a ditador lusitano não é coincidência.