Quando o abade cego pergunta ao investigador William de Baskerville: ′′Que almejam verdadeiramente?”
Baskerville responde: ′′ Eu quero o livro grego, aquele que, segundo vocês, nunca foi escrito. Um livro que só trata de comédia, que odeiam tanto quanto risos.
Provavelmente é o único exemplar conservado de um livro de poesia de Aristóteles. Existem muitos livros que tratam de comédia. Por que esse livro é precisamente tão perigoso?”
O abade responde: ′′ Porque é de Aristóteles e vai fazer rir “.
Baskerville replica: ′′ O que há de perturbador no fato de os homens poderem rir?”
O abade: ′′O riso mata o medo, e SEM MEDO NÃO PODE HAVER FÉ. Aquele que não teme o demônio não precisa mais de Deus”.
Um incrível trecho de “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco!
Fiz estes versozinhos porque nesta manhã esplendorosa despertei com a deusa Amália na cabeça. Acordei trauteando em pensamento aquele fado que começa assim: Ai um dia fui a Espanha, comi lá com os espanhóis, toucinho assado no espeto, no molho dos caracóis.
Nem tudo o que vem daqui é para levar a sério. O que mais preocupa a UTAO são as seguintes questões:
– Gastos com o Serviço Nacional de Saúde.
– Gastos com as Reformas e Pensões.
– Gastos com a Defesa.
Ainda bem que o Excel nos alerta para isto. Tudo depende das fórmulas inseridas em cada célula!
A UTAO não quer que se gaste tanto dinheiro com a saúde. Novos hospitais e centros de saúde, equipamentos, salários de médicos, enfermeiros e auxiliares de ação médica.
Conclusão – acabem lá com o SNS que só dá prejuízo. Venham daí os seguros de saúde!
A UTAO não quer que se subam as pensões, as reformas e os apoios sociais.
Conclusão – privatize-se a segurança social que assim o negócio será lucrativo.
A UTAO acha que se está a gastar pouco dinheiro com o orçamento da defesa. a NATO quer 2% e Portugal não cumpriu. Diz a UTAO, que devido à Guerra na Ucrânia e na Palestina a NATO vai precisar de mais orçamento.
Ora eu, que nem fui à guerra, pergunto:
-Sendo a NATO uma organização “defensiva”, não participando a NATO na guerra na Ucrânia e na Palestina para que querem mais orçamento?
Eu até sei, que os produtores de armas e afins, estão a achar piada às guerras que se vão sucedendo. Os lucros aumentam, na devida proporção da atividade bélica.
Pois aumentem lá o orçamento para a Investigação, para a Ciência, para a Educação e para a Cultura que a malta agradece!
Já agora um pedido. Acabem lá com a merda das guerras!
Coluna do humorista português Ricardo Araújo Pereira na Folha de hoje, p. C12.
LER É PERIGOSO
Serei o único a parabenizar o governo do estado de Santa Catarina por ter mandado recolher aqueles livros de escolas públicas? Não me importo: aqui fica a minha saudação.
Já faz tempo que venho defendendo que crianças e jovens sejam impedidos de ler. O governador Jorginho Mello, talvez por ser um Jorginho, sabe o que é melhor para as crianças.
É tempo de admitir que o incentivo à leitura não tem funcionado. Parte da culpa é da escola, cuja abordagem dos textos literários desencoraja até a leitura da revista Playboy.
Ao ler “a Miss Novembro gosta de passear a cavalo e de tomar banhos de espuma”, qual é o sujeito da frase?”, qualquer jovem fecha a revista na hora.
O melhor método é o que Jorginho Mello adotou: proibir. Começou por tirar de circulação nove obras, mas espero que acabe por retirar todas, até que não sobre um único livro nos acervos das bibliotecas.
Se a gente proíbe o jovem de fazer algo, o mais provável é que ele acabe por fazê-lo. E, ao contrário, se dermos um conselho, em princípio não o segue.
Se eu governasse, era assim: os livros seriam proibidos e os professores de matemática recomendariam aos alunos que consumissem álcool e maconha. Era remédio santo. Os jovens se empenhariam na leitura dos clássicos e recusariam a bebida e a droga.
Por outro lado, às vezes, me pergunto se a leitura deve ser incentivada como um todo, mesmo através do método bastante eficaz da proibição.
A grande verdade é que ler é perigoso. Como é que a gente descobre isso? Lendo.
Dom Quixote enlouqueceu ao ler livros de cavalaria. A madame Bovary também não ficou boa depois da leitura de livros de amor. A quantidade de gente que ficou maluca ao ler a Bíblia e o Alcorão não tem conta.
Um dos livros retirados pelo Jorginho foi “Laranja Mecânica”. Não há dúvida de que é um livro que pode causar problemas graves. Imagino que exista um grande número de jovens catarinenses perturbados por terem lido a obra escrita por Anthony Burgess.
O livro descreve um ambiente de extrema violência juvenil —o que impressiona qualquer jovem. Os jovens nos dias de hoje andam a abster-se de assistir a filmes violentos, a evitar games violentos, a rejeitar ouvir música que tenham letras violentas. E depois vão ter acesso a uma literatura violenta? É melhor não.
Alguém que proteja a nossa juventude da violência.