Sobre CHRYS CHRYSTELLO

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção da AICL

Açores? Sim, é possível – JN

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Muito se fala dos desequilíbrios territoriais em Portugal, mas nenhum é mais gritante do que a diferença de desenvolvimento entre os Açores e o resto do país. Um dos territórios mais bonitos de Portugal, com uma localização geoestratégica singular, um setor agropecuário que representa 30% da produção do leite nacional e 50% do queijo, é simultaneamente a sua região mais pobre e socialmente mais deficitária. Não se compreende. O tema merece uma atenção especial e a busca de soluções efetivas. Mas antes vamos à causa. Falo do défice de autonomia. A autonomia da Região relativamente à República, que viu a sua subserviência agudizada pela coincidência monocromática entre os dois governos. Mas principalmente a autonomia dos Açores e dos açorianos em relação ao seu Governo Regional. Este défice de verdadeira democracia, esta realidade do controlo económico, da dependência do Estado e da difusa separação entre Governo Regional, Partido Socialista e, inevitavelmente, a linha Carlos César, leva-nos a que tenhamos uns Açores a andar devagarinho.

Source: Açores? Sim, é possível – JN

In Praise of Nudity – Przekrój Magazine

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Poland may be a Catholic country, but it has its fair share of nudists. You might find them at the infamous beach at Chałupy, or even further afield in Bulgaria, whose Black Sea resorts have long attracted regional naturists.

Source: In Praise of Nudity – Przekrój Magazine

A política açoriana em “futebolês” OSVALDO CABRAL

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A política açoriana em “futebolês”
No final deste Verão, quem observar com atenção as contendas eleitorais dos próximos meses fica com duas certezas absolutas: Vasco Cordeiro e Luís Filipe Vieira vão ganhar as respectivas eleições, folgadamente.
Ambos utilizam os mesmos métodos, depois de terem passado mandatos de aflição.
Luís Filipe Vieira utiliza o património do clube para contratar Cavani.
Vasco Cordeiro contrata para as suas listas a estrela do momento pandémico, o mesmo que ainda há pouco tempo, enquanto Presidente da Ordem dos Enfermeiros dos Açores, arrasava e menosprezava a política de Vasco Cordeiro para o sector da Saúde.
O líder benfiquista ignora a oposição e nem a deixa fazer campanha no canal televisivo do clube.
O líder do PS açoriano confina a oposição regional e até se dá ao luxo de anunciar que fará campanha sem comícios e arruadas, mas utiliza a poderosa estrutura governamental para distribuir pelas ilhas uma espécie de bodo aos pobres.
A estratégia é colocar os secretários e directores regionais a ocuparem o campo todo e rematar o mais que puderem, mesmo que algumas bolas vão à trave e façam ricochete, como as asneiras durante o desconfinamento, de que é exemplo recente a desorientação em relação ao rali e às touradas.
Tal como há quatro anos, o ponta de lança volta a ser a Solidariedade Social, tratando-se de um eleitorado pobre e habituado à cultura do subsídio.
Nestas últimas semanas já perdi a conta à quantidade de promessas e apoios a tanta gente, começando com um programa de apoio a rendas “Famílias com Futuro – Incentivo ao Arrendamento”, que contempla 1.600 famílias (são 4.200 potenciais votos), num “investimento” de mais de 20 milhões de euros, passando pela promessa de um programa “Mais Habitação”, que é a transformação do Alojamento Local para renda, que só afecta no máximo 30% dos rendimentos das famílias, até a outra promessa de 150 lotes infraestruturados a preços simbólicos, adicionando como bónus o projecto pronto a licenciar, com o governo a reconhecer, na maior das transparências, que se trata de “uma campanha em que o Governo dos Açores acredita vir a ter bons resultados”… certamente a pensar no tal dia de Outubro.
Ora, o PSD, como maior partido da oposição, em vez de responder com uma forte alternativa de corrente cívica e outras mais valias que as listas do PS não têm, recorre à velha e estafada estratégia de propor candidatos comprometidos com o aparelho do partido, recupera o ex-líder mais perdedor da história do PSD e ainda comete a infantilidade de ir buscar um dos seus deputados à Assembleia da República, com um argumento público desastroso, explicado e assumido por este, que ficará nos anais do anedotário eleitoral da região.
Nunca se viu tanto desastre numa primeira liderança.
Na liga dos campeões de Outubro, Bolieiro será o Barcelona humilhado por uma espécie de rolo compressor alemão, mas com a marca da mediocridade regional “made in Santana”.
Olha-se para as listas de candidatos dos dois principais partidos da região e fica-se com a convicção de que perdemos o sentido cívico, na sua essência mais ampla, para dar lugar à primazia dos aparelhos partidários, apesar das promessas em contrário.
Já não há elites nem vozes da cidadania com pensamento crítico que possam ser chamadas ao sistema.
E as que existiam, em abono da verdade, são geralmente engolidas pelo ‘establishement’ político regional.
Formou-se, na nossa sociedade, uma espécie de funcionalismo acéfalo, muito bem representado no nosso parlamento, onde o desânimo acrítico desempenha papel de primeira bancada, remetendo o principal órgão de escrutínio regional para os confins da inutilidade.
São os conciliábulos da originalíssima política açoriana – a da via p’ra frente que ninguém nos aguenta -, um sistema cristalizado que permite lideranças com mais de duas décadas de poder, tanto quanto Aleksandr Likashenko na Bielorrússia martirizada.
As urnas deste sistema são isso mesmo: a morte política da cidadania em formato crematório.
Sobrevive neste imenso sistema a vassalagem, sobretudo a mais habilidosa, como se constata em inúmeros candidatos fossilizados.
Os partidos não permitem que cidadãos independentes se atrevam a disputar esta poderosa máquina fechada, que receia ser eleita pelo nome próprio.
Segurança é manter a manada cívica ao longe.
Como diz João Pereira Coutinho, os políticos no poder, em nome da segurança, “terão com os cidadãos a mesma relação que os pastores com o seu gado: querem-nos produtivos e anafados – e são eles que decidem quando é hora do pasto e do curral”.
Pois pastemos todos neste imenso verde encurralado.
(

Osvaldo Cabral

– Diário dos Açores de 19/08/2020 — with

Osvaldo José Vieira Cabral

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