Sobre CHRYS CHRYSTELLO

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção da AICL

FICÇÃO SOBRE ALGUM PATRONATO

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José Manuel Rosa

– Então João? O que fazemos com estes problemas da empresa, relacionados com a falta de material e o pessoal em casa?
– Como demora muito a chegar o dinheiro dos subsídios do governo, o melhor é fechar a casa…
– Achas? Então como é que fazemos?
– É fácil. Vendes as máquinas da fábrica ao teu filho, que ele sabe depois vender para África através da firma dele.
– E o material que está produzido?
– Houve algum balanço oficial nos últimos meses?
– Não! Isso só seria feito no final do ano.
– Óptimo, escusas de declarar isso e o Silva vende-te tudo, mais barato, nas lojas dele.
– Não te esqueças dos 187 empregados…
– Isso é o mais fácil, Como a empresa fica falida, vai tudo para o fundo de desemprego.
– É pá, isso é canja.Só faltam as instalações.
– Tens duas hipóteses. Ou deixas aquilo apodrecer e é mais um destroço que fica para aí ou fazes uma venda à tua cunhada, que tem mais massa que tu e ela sabe impingir isso à estrangeirada. Isso bem combinadinho e é mais uma pipa de massa para todos.
– Grande João. Vamos comemorar isso lá no meu hotel. Queres boleia? Já conheces o meu último bólide?
– Não pá. Deixa estar isso, depois combinamos. Tenho ali o Mercedes ao sol…
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Isto é ficção, os nomes são inventados. Mas os factos , infelizmente, são reais. Portugal é um país demasiado pequeno para caber tanta ganância. Há centenas de empresários em situação de falência fraudulenta, desvio de capital e tráfico de influências. É uma calamidade pior que o Covid.
Na maioria das vezes os principais culpados do descalabro económico não são os ricos. São os subjugados a eles, os que se vendem de corpo e alma para captar as migalhas das grandes fortunas, são conselheiros, os consultores, os gestores, os “amigos”.
Enfim, os subjugados que exercem a sua “arte” de ensinar a roubar ao estado, que prometem mundos e fundos mas destroem o mundo em nome do fundo. Enquanto não houver uma legislação laboral que evite estas calamidades financeiras, que elimine a precariedade, que crie universidades que formem e não disformem a humanidade, um controlo que não seja feito por corruptos subjugados ao cheiro do dinheiro, continuaremos a ver a miséria a aumentar e tudo cada vez pior.

dir de saúde e o segredo do AVANTE

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Depois do segredo bancário, do sigilo fiscal, do segredo das fontes, do segredo profissional e do segredo de justiça, eis que chega o segredo técnico-sanitário.
O que dá esperança à opinião pública é que, se este segredo for como os outros, não tarda já estaremos a saber tudo.

DGS diz que enviou este domingo o parecer técnico final para a realização do Avante, a cinco dias da realização do evento. Mas refere que não vai divu…

DGS diz que enviou este domingo o parecer técnico final para a realização do Avante, a cinco dias da realização do evento. Mas refere que não vai divu…

predições infelizmente cumpridas de 2007

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O Big Brother está nas nossas vidas e aceitamo-lo sem pruridos. Sabe o que fazemos através dos cartões de crédito e débito, do cartão de cidadão, da passagem pelas portagens da autoestrada, pelo Metro e “Cartão Andante”, pelas câmaras nos centros comerciais. Não se admirem se qualquer dia com a nossa inconformidade e individualismo pudermos ser privados da pseudoliberdade por não termos cumprido as normas de higiene e de saúde que “eles” determinaram obrigatórias. Já não há espaço para seres pensantes e questionadores. Só espero que isto não acelere demasiado para os anos de vida que ainda tenho. Não se preocupem, sou assim e a fobia excessiva que tenho contra as bases de dados, é um sinal evidente da minha hipocondria e da necessidade absoluta que existe de me internarem como um perigo que sou para a sociedade uniforme e cinzenta que me querem impor. Ah! Se eu ao menos tivesse cá a cicuta, repetia-se o destino. Parecia que o mundo real lá fora estava a conspirar, mas a maior parte das pessoas nem se apercebia e vivia tranquila na morrinha da lufa diária pela sobrevivência, que a mais não podiam aspirar. …

(o artigo todo abaixo:

12.6. GEORGE ORWELL 1984 A transformação da realidade é o tema principal – CRÓNICA 47 NOVº 2007

 

Como muitos o citam sem o lerem extraio um resumo adaptado sincreticamente por mim…

 

… a história passa-se no “futuro” ano de 1984 na Inglaterra, Pista de Pouso Número 1, megabloco da Oceânia, congregação de países dos oceanos. Disfarçada de democracia, a Oceânia vive um totalitarismo desde que o IngSoc (Partido) chegou ao poder sob o omnipresente Grande Irmão (Big Brother). …é a história de Winston Smith, membro do partido externo, funcionário do Ministério da Verdade, cuja função é reescrever e alterar dados de acordo com o interesse do Partido.

 

Nada diferente do que faz um qualquer jornalista ou historiador nos dias de hoje.

 

Antes da Terceira Guerra, Winston desfrutava uma vida normal com os pais, mas tinha dificuldade em lembrar o passado. A propaganda do Partido e duplipensamento tornavam a tarefa quase impossível, o futuro, presente e passado eram controlados pelo Partido. Winston questiona a opressão do Partido. Se alguém pensa diferente, comete crimideia, capturado pela Polícia do Pensamento e é vaporizado, desaparecendo como se nunca tivesse existido. Winston é o cidadão comum vigiado pelas teletelas e pelas diretrizes do Partido. Qualquer atitude suspeita pode significar o fim, desaparecer de facto. Os vizinhos e os filhos eram incentivados a denunciar quem cometesse crimideia. Mas algo estava errado, Winston sentia-o e precisava extravasar. Comprou clandestinamente um bloco e um lápis (venda proibida). Atualiza o diário usando o canto “cego” do apartamento, sem ser focado pela teletela. A primeira frase que escreve é: Abaixo o Big Brother! O seu trabalho era transformar a realidade. No MINIVER (Ministério da Verdade), alterava dados de tudo que contradissesse a verdade do Partido e incinerava os originais (Buraco da Memória). O Partido informa: a ração de chocolate aumenta para 20 g. Winston apagava os dados antigos quando a ração era de 30 g. e a população agradece ao Grande Irmão o aumento.

O medo de comentar era a arma do Partido para controlar a população. Havia os “Dois minutos de ódio”, em que os membros do partido viam propaganda do Grande Irmão e, direcionavam o ódio contra os inimigos. A mulher de Winston separa-se por não querer participar em sexo por prazer (era crime), sexo apenas para procriar. Apesar de proibido e muito perigoso Winston anota tudo, revoltado por ver os últimos sobreviventes da Revolução, confessarem assassinatos e sabotagens, sendo perdoados mas. Sabia que estavam na Eurásia (na época a inimiga), mas de súbito, a Lestásia passara a ser a inimiga.

Bastante atual se se comparar o apoio dado a Saddam Hussein, Kadhafi, bin Laden antes de serem os inimigos eternos.

Revoltado, escreve “liberdade é escrever 2+2=4”, mas as fábricas têm placas 2+2 são cinco se o partido quiser. Winston entrevista pessoas sobre a vida antes da guerra, mas os idosos não se lembram. Vê uma mulher e desconfia que seja espia da Polícia do Pensamento. No dia seguinte, encontra-a no Ministério e recebe um bilhete: “Eu te amo”. Os membros do Partido, de sexo oposto, não deviam comunicar. Marcaram encontro num lugar secreto, e após beijá-lo, Júlia confessa-se atraída. O rosto de Winston ia contra o partido e o desejo dela era corromper o estado por dentro. Apaixonado, recupera peso e saúde.

O’Brien, membro do Partido Interno, percebe que Winston era diferente e convida-o a ir ao seu apartamento ver a edição do dicionário de Novilíngua. O convite era incomum e fez Winston animar-se e leva Júlia. Para espanto do casal, O’Brien desliga a teletela do luxuoso apartamento. Alguns membros do Partido Interno tinham permissão para se desconetar. Winston confessa acreditar na Fraternidade. Os planos eram regados a vinho, proibido aos do Partido Externo. Dias depois, Winston recebe a obra e devora-a. Ouve uma mulher cantar música prefabricada em máquinas de fazer versos. Nada distante da música atual. “Nós somos os mortos” filosofa Winston. “Nós somos os mortos” repete a voz metálica da teletela atrás de um quadro. Guardas irrompem no quarto e Winston é preso e vai para o Ministério do Amor. As celas tinham teletelas que vigiavam cada passo. Numa sala, O’Brien torna-se o seu torturador e explica o duplipensar, o funcionamento do Partido e questiona-o acerca das frases sobre liberdade. Winston, torturado e drogado aceita o mundo de O’Brien e passa ao estágio seguinte aprender, entender e aceitar. e confessa que a Eurásia era a inimiga e que nunca tinha visto a foto dos revolucionários. Faltava a reintegração, ritual de passagem a concluir no Quarto 101, um inferno personalizado. Como Winston tem pavor de roedores, os torturadores colocam a máscara no rosto com abertura para uma gaiola de ratos famintos. A única forma de escapar é renegar o perigo maior ao Partido, o amor a outra pessoa acima do Grande Irmão. Winston, libertado, termina os dias sozinho, aparece na teletela confessando vários crimes, sendo libertado, despromovido num trabalho ordinário num subcomité.

 

Trajetória de milhares de pessoas de regimes totalitários, como o checo Thomaz de “A Insustentável Leveza do Ser[1]. Inspirado na opressão dos regimes totalitários das décadas de 1930 e 1940, o livro de Orwell critica o estalinismo e o nazismo e a nivelação da sociedade, tal como pretendem fazer em Portugal depois do 25 de abril. Uma redução do indivíduo a peça para servir o estado ou o mercado através do controlo total, incluindo o pensamento e a redução do idioma. Tudo isto acontece já e só vai piorar.

 

Júlia escapa do Quarto 101. O Partido separou-os e encontram-se ocasionalmente. Já não eram os mesmos. Tinham “crescido”. Winston sorri, completamente adaptado. Finalmente ama o Grande Irmão.”

 

O Big Brother está nas nossas vidas e aceitamo-lo sem pruridos. Sabe o que fazemos através dos cartões de crédito e débito, do cartão de cidadão, da passagem pelas portagens da autoestrada, pelo Metro e “Cartão Andante”, pelas câmaras nos centros comerciais. Não se admirem se qualquer dia com a nossa inconformidade e individualismo pudermos ser privados da pseudoliberdade por não termos cumprido as normas de higiene e de saúde que “eles” determinaram obrigatórias. Já não há espaço para seres pensantes e questionadores. Só espero que isto não acelere demasiado para os anos de vida que ainda tenho. Não se preocupem, sou assim e a fobia excessiva que tenho contra as bases de dados, é um sinal evidente da minha hipocondria e da necessidade absoluta que existe de me internarem como um perigo que sou para a sociedade uniforme e cinzenta que me querem impor. Ah! Se eu ao menos tivesse cá a cicuta, repetia-se o destino. Parecia que o mundo real lá fora estava a conspirar, mas a maior parte das pessoas nem se apercebia e vivia tranquila na morrinha da lufa diária pela sobrevivência, que a mais não podiam aspirar. …

 

Também isto constava das previsões de George Orwell[2].

 

Adquiri pés de galinha, os cabelos e pelos eriçaram-se como se tivesse visto um fantasma, isto, claro está, no caso de existirem. Comecei a olhar por sobre o ombro à cata de alguém que me espiolhe ou esquadrinhe as ideias, tão diversas do pensamento “aprovado e oficial”. Não me apetecia ser vaporizado pois tinha um legado que queria imune à ação de um qualquer ministério da verdade. A privacidade de há 10, 20 anos ou mais, seria impensável hoje. Tudo em nome da defesa dos valores sagrados da civilização ocidental. Da luta contra o terrorismo. Doutra qualquer peleja que os líderes hão de inventar. Como as armas químicas que o velhaco genocida do Saddam Hussein afinal não tinha. O mesmo que os EUA forjaram com Bin Laden. Desde há um século que “inventam” personalidades destas para fazerem o que lhes convém, lembremo-nos do Xá da Pérsia, ou do Panamá e mais as centenas de golpes falhados e os que fizeram ricochete…

[1] o caso do médico que vira pintor de paredes ao renegar as ordens do partido não é diferente dos que não se adaptam nas profissões no mundo livre, de Milan Kundera

[2] (n. Eric Arthur Blair, Bengala, 1903-1950

Felix Galileu

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O meu colega António Félix tem levantado a hipótese de os Açores terem sido habitados antes do povoamento português e flamengo a partir da segunda metade do século XV. E ao longo dos últimos anos tem apresentado alguns indícios que tal seria possível não só pela possibilidade real de tal acontecer comprovado por outros

Source: Felix Galileu

(parece uma prisão) Australia’s outbound travel ban one of strictest coronavirus public health responses in world – ABC News

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Australia’s outbound travel ban as a public health response to the coronavirus pandemic is one of the strictest in the world. So is it legal and what happens if you get a job offer overseas, want to leave long term, or are a dual citizen?

Source: Australia’s outbound travel ban one of strictest coronavirus public health responses in world – ABC News

requiem por áfrica

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Carlos Fino

 

Genre: Documentary IMDB: (1966) The cruel acts of animal poaching and violence, executions, and tribal slaughtering, all taking place on the African continent.

youtube.com
Genre: Documentary IMDB: (1966) The cruel acts of animal poaching…
Genre: Documentary IMDB: (1966) The cruel acts of animal poaching and violence, executions, and tribal slaughtering, all taking place on the African continent.

3h ·

REQUIEM POR ÁFRICA
Escreve Miguel Castelo Branco a propósito de Africa Addio (1966):

Para evocar a desgraça de África, o mais terrível documentário jamais produzido

A 1960 foi dado o nome de the Year of Africa, posto nesse ano terem sido elevados à independência dezasseis novos estados. Passaram 60 anos e a África não cumpriu a esperança antes proclamada em 1957 por Kwame Nkrumah, o homem que recebeu do Reino Unido a Costa do Ouro, então a mais rica sociedade da costa da Guiné, para logo lhe mudar o nome para Gana.

Ao invés do Gana irradiar o anunciado renascimento africano, depressa mergulhou numa sucessão de desastres políticos e económicos motivados pela cega prepotência e amadorismo da execrável como errática governação do novo tirano.

Ao Gana sucederam-se os desastres da Guiné Conakri de Sékou Touré, da Guiné Equatorial de Francisco Macias Nguema, do Uganda de Idi Amin, do Zaire de Mobutu Sese Seko, da Libéria de Charles Taylor, do Zimbabwe de Robert Mugabe.

Fomes bíblicas, epidemias incontroláveis e guerras de extermínio, de que a do Biafra foi pálido anúncio, mais a falência generalizada da administração, da assistência médica e daquelas funções primárias que legitimam a existência do Estado, promoveram um neo-colonialismo brutal de modelo asteca, fundado na aliança entre elites locais armadas, rapinadoras e vorazes, e uma rede de multanacionais que em nada se distinguem no modus operandi do chamado Estado Livre do Congo durante o reinado de terror de Leopoldo II.

A África de hoje conta com uma trintena de estados falhados, apenas reconhecidos por conveniência e hipocrisia da chamada comunidade internacional, havendo até casos extremos de estados que deixaram de poder reunir uma só das características usualmente requeridas para a reconhecimento internacional, para além, claro, de uma bandeira e de um hino. Ausência de lei e de ordem, violência incontrolável, inexistência de Justiça, clima de guerra civil em parte ou na totalidade do território, permanente conflitualidade étnica, religiosa e linguística, deterioração ou mesmo inexistência de infraestruturas básicas, corrupção e confusão entre a riqueza do território e interesses de partido ou parentela dos detentores do poder, este será o quadro actual africano, com excepção do Senegal, da Etiópia, ainda da África do Sul, de Cabo-Verde, do Quénia e do Botswana.

Quando foi realizado o Africa Addio, em 1966, a quase todos surgia como evidente que algo de muito inquietante se avolumava no horizonte desse belo, sensual, grandioso e úbere continente que foi o berço da humanidade. Então, contra Portugal se mobilizava toda a cegueira e má vontade. Não foi necessária uma década para que sobre Angola, e logo Moçambique e Guiné caíssem as desgraças do África, adeus: um milhão de mortos em Moçambique, outro milhão em Angola, a corrupção desenfreada da parentela dos Santos, mais o secessionismo no norte de Moçambique, as guerras civis e a narcocracia em Bissau. Será necessário acrescentar algo mais? Bom documentário …
Genre: Documentary IMDB: (1966) The cruel acts of animal poaching and violence, executions, and tribal slaughtering, all taking place on the African continent.
youtube.com
Africa Blood and Guts 1966 (Africa Addio)
Genre: Documentary IMDB: (1966) The cruel acts of animal poaching…
Genre: Documentary IMDB: (1966) The cruel acts of animal poaching and violence, executions, and tribal slaughtering, all taking place on the African continent.
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Chrys Chrystello
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Viriato Porto
Viriato Porto Carlos Fino

Este documentário de 1966 é um filme nojento, desonesto e racista. Calunia um continente e a dignidade de quem luta pela descolonização. Por isso, é um filme que faz as delícias dos retornados com espírito vingativo e ressabiado e os saudosistas do colonialismo.

Para quem quiser ler a crítica arrasadora do filme, consultar o texto que o crítico de cinema norte-americano Roger Ebert lhe dedicou

https://www.rogerebert.com/reviews/africa-addio-1967

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Armando Gonçalves de Assunção
Armando Gonçalves de Assunção Esta matança tantas vezes escondida: https://www.publico.pt/…/desaparecidos-angola-1929721
Os “desaparecidos” de Angola
publico.pt
Os “desaparecidos” de Angola
Os “desaparecidos” de Angola

saúde em Paranhos, um vídeo que deu resultados

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ATUALIZAÇÃO
Obrigada a todos os que partilharam o video!
Hoje o Sr. Joaquim já não precisou apanhar o autocarro para se deslocar ao Centro de Saúde de Paranhos, hoje já teve direito a curativos em casa!
Enquanto sociedade é fácil criticar ou virar a cara para o lado perante uma situação de desespero alheia.
Contudo, felizmente, também a solidariedade, a generosidade, e a União abundam, que foi o que eu pude verificar com a partilha do video.
Seria muito mais fácil, e até menos penoso para mim, apresentar uma reclamação junto de numerosas entidades, em vez de fazer um video.
Contudo, isso implicava tempo, e hoje o dia do Sr. Joaquim seria apanhar o autocarro e deslocar-se ao Centro de Saúde de Paranhos, com todo o sofrimento que isso lhe iria trazer.
Sofrimento que não era meu, mas seria impossível não me compadecer, do sofrimento de um senhor de 82 anos, perante a indiferença do sistema.
E sim, a indiferença esteve presente nesse dia, nas inúmeras funcionárias que o viram sair dos curativos agarrado às paredes, completamente sózinho e a chorar de dor!!
Nenhuma funcionária o acompanhou, nem lhe facultou uma cadeira de rodas, seria o mínimo…mas afinal ele tinha elevador!
Usei as redes sociais sim…e voltava a usar…porque hoje o Sr. Joaquim teve os curativos em casa…hoje o Sr. Joaquim não sentiu o peso do abandono do sistema.
Devido ao video o Sr. Joaquim sentiu o carinho dos profissionais de saúde que se voluntariaram para lhe fazer os curativos, e do Senhor que até se ofereceu para lhe pagar os curativos por meio de uma clínica privada.
Hoje, se calhar muitos “Joaquins” viram a sua situação revista.
O Sr. Joaquim teve um direito negado, que hoje lhe foi devolvido, e finalmente, o Sr. Joaquim não precisou de chorar de sofrimento.
Infelizmente os mais frágeis ainda estão desprotegidos….e a culpa é de todos!
Obrigada a todos os que compreenderam e deram o seu contributo! ❤
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Encontrei o Sr. Joaquim no Centro de Saúde de Paranhos, que de modo algum é representativo dos Centros de Saúde em Portugal. Tenho de ser justa e usar como exemplo o meu Centro de Saúde, o de Valadares, em Vila Nova de Gaia, que sem dúvida é um bom exemplo, com excelentes profissionais e que em nada se parece com o de Paranhos!
Em Paranhos é o oposto, tem de se vir 2 e 3 vezes resolver o problema que deveria ter ficado resolvido da primeira vez, qualquer informação que se pede, antes de dizermos o que é dizem logo que não é com elas (e depois de insistirmos firmemente verifica-se que é) , é um infinito de coisas que não funcionam e estão erradas!
O que eu não estava preparada para ver, era um senhor de 82 anos, o Sr. Joaquim Ferreira, num profundo sofrimento porque no Centro de Saúde de Paranhos não lhe arranjam a fazer os curativos em casa…assim não se importam de expôr o senhor ao risco de apanhar Covid 19 , nem se importam com o sofrimento do senhor que nem pode andar com as dores!!!!
Filmei apenas um pouco por respeito à dignidade do senhor Joaquim, que me autorizou a publicar a filmagem com o objectivo de chegar a quem de direito para POR FAVOR resolverem o problema dele!!!
Ele só pede que tenham o bom senso de lhe fazer os curativos em casa!!!
Já que o Centro de Saúde de Paranhos não resolve o problema porque diz (pasmem-se!!!) que o Senhor tem elevador à disposição, outro centro de Saúde ou alguém com o minímo de bom senso por favor ajudem!
Ver ao vivo este senhor a chorar em desespero, deve ser uma vergonha para todos, e no Centro de Saúde de Paranhos ninguém se compadeceu!! Que sociedade é esta em que um Senhor de 82 anos pede que o filmem para ver se alguém o AJUDA!
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