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476. A MINHA CASA, A NOSSA CASA. JULHO 2022
Como vivo nos Açores devia começar por mudar o título para um mais possidónio “my house / our house” que dá mais sainete e atrai mais parolos. Até tenho razões de sobra para o fazer, sou totalmente bilingue com dupla nacionalidade australiana e portuguesa. Também o poderia fazer de forma ecológica numa lagoa da ilha, convidando para o evento, a RTP-Açores e os partidos preocupados com a causa. Estamos na habitual estação da insanidade, a chamada “silly season”, em que diariamente aparecem nos jornais e telejornais as coisas mais estapafúrdias que se possam imaginar, fruto de mentes delirantes devido à vaga de calor que assola a Ibéria.
Todos os dias surgem novelas de jogadores de futebol, atores, atrizes, “famosos”, eventos a que chamavam “fait-divers” ou meros aperitivos, ou como uma prima minha diz “petits riens”.
Ora bem quando contei, tinha vivido em 25 casas. No Porto, 1. Amial onde nasci, até aos 4 ½ anos, 2. Maria Pia até aos 9, depois 3. Campo Lindo, de 1959 a outº 1972 (a mãe viveu lá até falecer em 2021), na tropa 4. Mafra, 5. Tomar, 6. Leiria 7. Bobonaro, Timor, 8. PetroTimor em Díli, 9. SOTA, Lecidere, Díli. 10. Sapta Petala, Kuta Beach, Bali 11. Legian, Bali. 1975 de novo Porto 12. em 13. S. Martinho do Porto 1976, 14. Av. Coronel Mesquita, Macau 1977-79; 15. Praia Grande 1979-82. Na Austrália 16. Cottesloe, Perth 17. Claremont, Perth; 18 Waverley, Sydney, 19. Centennial Park, Sydney, 20. Randwick, Sydney, 21. Prahran, Melbourne. 1995, 22. Sta Luzia, Mt dos Burgos, Porto, 23. Caminha (1995-05), 24. Bragança (2002-05), 25. Lomba da Maia após 2005.
Desde então vivo aqui na Lomba da Maia (S. Miguel, Açores) e era aqui que queria chegar. (entra a música “Our House” dos Madness ou a de Crosby, Stills, Nash & Young com o mesmo título). Nunca vivi numa casa tanto tempo, nem me senti irmanado com algum outro edifício como com este, como se tivesse sido feito no alfaiate por conta e medida, para me sentir como numa segunda pele, mas só assisti ao seu renascimento e atualização quando visitei a ilha em junho 2005. Isso constitui, per se, uma inolvidável novidade, um sentimento de pertença a um lugar. Não nasci na ilha mas a ilha nasceu em mim.