Views: 9
Medidas correctas ou esforços inúteis
A questão educacional que seria a promoção do sucesso escolar vê-se reduzida a um diagnóstico negativo que tenta identificar causadores deste insucesso e se vai esvaziando de conteúdo, dando lugar a um jogo de rivalidades entre os seus intervenientes.
O aluno ao tornar-se no marginal da educação, continuará a pagar a factura do insucesso. Sendo a questão do sucesso um problema educacional e não administrativo, o facto de se marginalizar o aluno e não o colocar no centro da questão, não só agrava como não soluciona o problema do insucesso.
O verdadeiro sistema deveria ter como único ponto de convergência o aluno. Contudo, o currículo foi concebido como instrumento de organização de saberes transmitidos pelos professores e assimilados pelo aluno. O currículo deveria ser o instrumento de organização de aprendizagens, logo o aluno deveria ser o principal gestor deste, sendo o professor um dos muitos meios que poderão ser disponibilizados, colocando os professores na posição de orientadores, mediadores e indutores de aprendizagens. Foi o que se pretendeu com a Reforma Educativa, patente na Lei de Bases e no Decreto-Lei dos novos planos curriculares. Neste sentido, é relevante a redefinição do papel dos intervenientes do sistema e das suas responsabilidades, reconduzindo o percurso educacional do aluno ao exercício da aprendizagem como um processo pessoal e social do qual é participante e responsável. O fracasso no processo das aprendizagens do aluno é um fracasso do sistema, dado que o sistema é o próprio aluno.
Helena Chrystello nov 2011