VÁRIAS GUERRAS

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Dear friend,

There’s new hope that the war in Ukraine could end soon with a ceasefire. Negotiators from Moscow and Kyiv have reportedly edged closer toward a negotiated compromise.

A major sticking point remains NATO. Ukraine is more open to neutrality by taking NATO membership off the table while retaining an independent military.

As for membership in the European Union, Ukraine has moved closer to that reality even as Russian planes destroy the modest economic gains the country has made toward realizing that goal. Given how slowly the gears of EU bureaucracy move, however, Ukraine won’t be setting up in Brussels any time soon.

Another big bone of contention will be territory. Russia has seized territory in the south of Ukraine that connects Crimea to the Donbas and Russia proper. It will be loath to give up that land, and Ukraine has never acknowledged the seizure of Crimea. Will there be a land-for-peace swap?

Diplomacy is still a live option. But let’s be clear. Russia is more willing to negotiate because its military effort has met fierce resistance on the ground in Ukraine and sanctions are having an impact on the Russian economy.

This week at Foreign Policy In Focus, as part of our continuing coverage of the war in Ukraine, Mira Oklobdzija looks at the conflict through the eyes of a famous Ukrainian anarchist, Nestor Makhno. It’s a particularly relevant piece given the recent seizure of a Russian oligarch’s mansion in London by a group called the London Makhnovists.

Abdoulie Njai, Micaela Torres, and Margareta Matache, meanwhile, look at Europe’s double standard on immigration, with Ukrainians being welcomed with open arms in the West but not African residents in Ukraine. And what about all the other refugees from war-torn countries like Afghanistan and Syria?

And in my World Beat column this week, I look at the falling political fortunes of all those on the alt-right who once called Vladimir Putin their friend. Is this the beginning of the end for white nationalists in positions of political authority?

Also at FPIF, Farrah Hassan provides an update on another war, now reaching its eleventh anniversary: Syria. The casualties and the number of people displaced far exceed what’s going on in Ukraine. Yet, where’s the outrage? And I look at Latin America, where the push for renewable energy in the Global North is driving new extractivism in the South.

John Feffer
Director, FPIF

World Beat

WILL UKRAINE WRITE THE ALT-RIGHT’S EPITAPH?

John Feffer

Most of the leaders of the alt-right are scrambling to distance themselves from Vladimir Putin. It might be too late.

Read World Beat…

A resistência ucraniana à ofensiva russa “continua firme

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A resistência ucraniana à ofensiva russa “continua firme e bem coordenada” e a invasão está “largamente parada em todas as frentes”. É esta a última avaliação dos serviços de informações militares do Reino Unido, conhecida esta quinta-feira. Londres aponta para “pesadas baixas” sofridas pelas forças russas destacadas para a Ucrânia.
Avaliação de Londres. "Invasão da Ucrânia largamente parada em todas as frentes"
RTP.PT
Avaliação de Londres. “Invasão da Ucrânia largamente parada em todas as frentes”
A resistência ucraniana à ofensiva russa “continua firme e bem coordenada” e a invasão está “largamente parada em todas as frentes”. É esta a última avaliação dos serviços de informações militares do Reino Unido, conhecida esta quinta-feira. Londres aponta para “pesadas baixas…..
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CRÓNICA 447 NOVA GUERRA, VALEU A PENA VIVER PARA ISTO?

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CRÓNICA 447 NOVA GUERRA, VALEU A PENA VIVER PARA ISTO? 15.3.2022

 

EM 2015 repeti um escrito dos anos 70: Quanto a guerras determino que em vez de mandarmos a juventude para a guerra devemos estabelecer normas de duelo entre os políticos dos países beligerantes, podendo estes escolher as armas, sejam elas luta livre, corpo-a-corpo ou xadrez

E transcrevo adiante vários excertos dos livros “ChrónicAçores, uma circum-navegação” nos últimos vinte anos…

Fosse eu crente e estaria a dar graças a deus, a alá ou à mãe-natureza por estar vivo. Com efeito, nunca me canso de agradecer não ter nascido no Afeganistão, na Coreia do Norte, na Nigéria, no Mali, no Paquistão, Bangladeche, Irian Jaya (Papua Ocidental sob ocupação indonésia desde 1962), no Iémen, Iraque, Irão, na Caxemira, na ainda ilegal República Sarauí, Chade, República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Ruanda, Burundi, Quénia, Uganda, Somália, Etiópia, Eritreia, Sudão, Líbia, Síria, Egito, Camboja, Birmânia (Myanmar), Chechénia, na maioria dos países da América Central, Latina ou da América do Sul, México, Albânia, Hungria, países balcânicos, países da ex-União Soviética, Ucrânia, Crimeia e países em “tão” (Turquemenistão, Tajiquistão, etc.) atualmente em guerra declarada ou não….

São tantos e tão diversos, uns em guerras recentes, outros há décadas, sem paz nem futuro nem presente e eu aqui nos Açores a queixar-me de quê?

Escapei às atrocidades da 2ª grande guerra por ainda não ter nascido mas vivi dias negros: uma brutal Guerra da Coreia, o fim da Primavera de Praga, o esmagar do sonho democrático da Hungria, os assassinatos dos Kennedy (JFK 1963 e Robert 1968) e o de Martin Luther King (1968), o genocídio do Biafra, a guerra do Vietname, a guerra colonial, o ciclone Tracy em Darwin (24 dezº 1974), a destituição (1975) do governo democraticamente eleito de Gough Whitlam na Austrália pelo governador-geral a mando da CIA, a invasão de Timor pela Indonésia em 7/12/1975, os reféns na embaixada em Teerão, o desastre nuclear de Three Mile Island em 1979, o assassinato de John Lennon (1980), o desastre de Chernobyl (1986) e tantos outros episódios…

Há algo que sempre reitero, mesmo que não sirva para grande coisa, o 25 de abril trouxe-me o bem mais precioso: a liberdade de expressão, a mim que sou um individualista nato e jamais conseguiria viver numa autocracia. Agradeço a liberdade que tanto prezo e pela qual lutei nos jovens anos, antes de ir “defender as colónias” de arma em riste, feito máquina de guerra, eu, que nunca andei à pancada com ninguém. Sem abril os melhores da minha geração teriam continuado a verter o sangue em África. Sem o 25 novembro 1975, o país dividir-se-ia ao meio numa guerra civil fratricida como a de Espanha, décadas antes, com o Norte e os Açores a recusarem a ditadura do proletariado.

Ainda há tempos, ao ler Umberto Eco O Cemitério de Praga, me apercebi de que como isto sempre aconteceu sem darmos conta. Entretanto, países habituados a mandar, os xerifes do universo (como os EUA, em substituição dos decadentes grandes impérios), continuam a inventar invasões, primaveras políticas, depondo ditadores ou democratas a seu bel-prazer. Dir-me-ão que a democracia ainda é o menos mau dos sistemas (como primeiro afirmou Winston Churchill). Claro que ainda é a pior forma de governança, salvo todas as outras, e não adianta chorar sobre os seus defeitos: a corrupção dos políticos de todas as cores, o nepotismo, os arranjinhos parlamentares (ora agora mamas tu, ora logo mamo eu.)

Dantes, os países democráticos tinham eleições, os outros não (nem mesmo as mascaradas eleições do partido único em Portugal o ocultavam). Hoje assistimos a um novo e preocupante paradigma, a semi-democracia com a aparência (eleições e tudo o mais) e resultados viciados (a eleição de Trump com a ajuda de Putin), roubo descarado de votos e manipulação rumo à via autocrática travestida de democracia oca. Assistimos, nas últimas décadas, a um ataque à democracia, e são as instituições europeias quem mais tem atrofiado o funcionamento dos sistemas democráticos. A democracia é uma planta muito frágil que precisa de ser regada diariamente.

O exemplo da democracia, semiautonómica, é bem visível nos Açores no parlamento regional com uma teórica liberdade de escolha, mas onde as decisões relevantes para o povo açoriano são definidas pelo governo central, ao atropelo e revelia das normas autonómicas, com a cumplicidade das forças locais, mero pau-mandado dos partidos cuja sede está em Lisboa. O povo, que até nem é totalmente ignorante, vota com os pés (isto é, abstendo-se) ou vota a favor dos que o mantém, subsidiodependente. Um ciclo vicioso: vota em mim e recebes apoios, não votas e desenrascas-te sozinho contra a malha burocrática que te vai aniquilar. As vozes independentes, poucas e raras, vão sendo silenciadas, sem lugar a destaque nos meios de comunicação, quase totalmente emudecidos na onda de autocensura que lhes permite sobreviver. Estamos rumo à autocracia, mas com a manta diáfana da aparência democrática. Infelizmente, o pior está para chegar. O nacionalismo e a xenofobia chegam com o voto do povo.

E até eu, que sempre me considerei um otimista nato, tenho demasiadas dúvidas, rodeado por autómatos não-pensantes, obcecados com os pequenos ecrãs dos smartphones e impérvios aos atropelos à dignidade, equidade e justiça, em volta. Possa eu continuar a falar, em casa e na rua, sem medos persecutórios, mesmo que as palavras não cheguem a muitos nem sejam lidas, e isso já me contentaria nos dias difíceis que se avizinham. Quando essa liberdade se perder, de facto terei de me conformar e aceitar um ”chip” para o meu próprio bem, como nem George Orwell (1984 e o Triunfo dos Porcos) nem Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo) conseguiram imaginar.

Depois há a saga das armas químicas do Saddam (que nunca existiram) e o que se sucedeu desde então numa voragem de petas universais, em nome das quais se fizeram guerras, se mataram milhares, se causaram milhões de refugiados, se destruíram países e se importou o seu petróleo, esse vampiresco adereço da sociedade ocidental. Líderes apeados, outros por apear, governos fantoche e fantoches no governo, a ignorância subiu ao poder, diria Brecht se fosse vivo… os farsantes e falsários de religiões, seitas e demais congregações enriquecem à custa das hordas de ignorantes capazes de se atirarem do precipício abaixo como se seguissem o flautista de Hamelin enleados na melopeia de inverdades.

E uma pequena elite grisalha de pessoas (não é a peste grisalha) que ainda tem e usa cérebro e pugna pela cultura, educação, capacidade de discernimento, de discussão, de questionar as premissas e tirar conclusões, esmagada pela força opressora das maiorias carneirentas, sem capacidade nem peso para aumentar a massa crítica dos concidadãos que seguem fingindo ser livres sob o cajado opressor da sociedade que os manipula.

E é essa elite que ao longo dos anos lembra o descarado genocídio na Palestina, na Birmânia (Myanmar os Rohingya), no Iémen e tantos países de que mal ouvimos falar, a guerra silenciosa no Sudão, os milhares de naufragados no Mediterrâneo pagos a preço de ouro às máfias de traficantes, os mercados de escravos na Líbia e no Google onde os árabes escolhem os seus, o trabalho infantil que mata milhares no Congo (República Democrática onde também há genocídio mas ninguém diz), a fome oculta nos sem-abrigo que enchem as ruas das cidades norte-americanas (e quantos deles são dejetos humanos das guerras que os EUA fomentam e alimentam por todo o mundo? Dantes ainda lhes chamavam veteranos de guerra, agora são meramente ”homeless people.” Depois, há as intervenções ocultas, descaradas ou assim-assim dos EUA nas quatro partidas do mundo, sendo notórias na América do Sul (incluindo inúmeros falhanços na Venezuela). Sou contra todas as guerras que a humanidade teve desde que existe.

E o mundo, ao qual pertenço, o que fez? Encolheu os ombros e saiu para jantar fora que a crise ainda permite esses luxos e esta vida são dois dias. Temos de aproveitar e comer.

Virão novas ditaduras e novas guerras, de formas nem sequer imaginadas por George Orwell e eu mais impotente que nunca teclando umas palavras para uma minoria esclarecida e lúcida, mas sem poderes de alterar seja o que for. Temo que a democracia tenha sido apenas um interregno entre ditaduras. Os dias de hoje assemelham-se a narrações que ouvi do meu pai antes da segunda guerra mundial, poucos prestam atenção ao avanço dos nazis, dos fascistas à velha moda, dos bufos, da cumplicidade dos medos, das guerras religiosas, dos fanatismos, da nova inquisição, da nova censura e não me revejo nas novas cruzadas.

Estava em Telavive uns dias antes da Guerra do Yom Kippur de 1973, e na Cidade do Kuwait dois dias antes de Saddam invadir em 1990, saí de Timor em 1975 pouco antes da guerra civil e estive em muitos outros locais, dias antes de sérios conflitos, mas só agora em 2022 senti o cheiro a morte e o terror da guerra ao pé da porta, na invasão e destruição da Ucrânia pela Rússia autocrática e imperial, com risco enorme de alastrar e chegar aos 27 países da UE mesmo sem o deflagrar atómico. E antes de cá chegar, direta ou indiretamente, pergunto-me se toda a minha vida de pacifista a acreditar na Pax Europaea não terá sido em vão, nesta impotência quotidiana que sinto perante a guerra, a morte, destruição e a ambição desmesurada imperialista da Grande Rússia? Enquanto não passar fome, frio ou sentir as bombas a cair talvez valha a pena continuar a acreditar na vitória do bom senso e sonhar com tréguas ao som lacrimejante dos que morreram ou tudo perderam.

Chrys Chrystello, drchryschrystello@journalist.com

Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713

[Australian Journalists’ Association – MEEA]

Diário dos Açores (desde 2018)

Diário de Trás-os-Montes (desde 2005)

Tribuna das Ilhas (desde 2019)

Jornal LusoPress Québec, Canadá (desde 2020)

Jornal do Pico (desde 2021)

 

“Ao lado da Ucrânia“: Lévy, Sean Penn, Rushdie e Sting pedem mais ao Ocidente

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Intelectual francês, ator e cineasta americano, escritor anglo-americano e músico britânico propõem medidas para endurecer a reação à invasão da Ucrânia pelo regime autoritário de Vladimir Putin. Leia o texto na íntegra
“Ao lado da Ucrânia“: Lévy, Sean Penn, Rushdie e Sting pedem mais ao Ocidente
EXPRESSO.PT
“Ao lado da Ucrânia“: Lévy, Sean Penn, Rushdie e Sting pedem mais ao Ocidente

O CORRESPONDENTE DA RTP NA RÚSSIA TEVE DE SAIR

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O correspondente da RTP em Moscovo, Evgueni Mouravitch, foi obrigado a sair da Rússia devido à nova lei de limitação de liberdade de expressão devido à guerra.
Putin procura uma saída para o conflito que lhe permita salvar a face
RTP.PT
Putin procura uma saída para o conflito que lhe permita salvar a face
O correspondente da RTP em Moscov

PUTIN E O XADREZ

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Bom dia, amigos.
Já muito se escreveu sobre Vladimir Putin devido à invasão da Ucrânia.
Uns chamam-lhe isto, outros aquilo.
A grande maioria diz dele cobras e lagartos.
Há até quem ponha em causa a sua sanidade mental, atendendo a que estamos no século XXI e que os diferendos já não se deveriam resolver pela força das armas.
Mas vejamos, afinal quem é Putin e o que pretende?
Putin nasceu em 1952, quando São Petersburgo ainda se chamava Leninegrado.
Ali fez os seus estudos de Direito, com a curiosidade de o seu tutor se chamar Anatoly Shobchak, mais tarde um dos principais políticos reformistas durante a perestroika.
Concluído o curso, sem meios de fortuna, Putin fez o que muitos russos estavam habituados a fazer – procurou uma saída no todo-poderoso Estado soviético.
Serviu 15 anos no famigerado KGB, o comité para a segurança do Estado.
Nunca foi um 007.
Era apenas um burocrata.
Chegou a estar colocado seis anos em Dresden, na então República Democrática Alemã.
Viu outros mundos.
Em 1990, retirou-se do KGB, onde tinha atingido o posto de tenente-coronel, e regressou à sua cidade natal para se tornar responsável pelas relações externas da universidade.
Sob a tutela de Shobchak, entretanto alcandorado a presidente da Câmara de Leninegrado, subiu rapidamente na hierarquia.
Após a implosão da União Soviética, tornou-se “vice” do seu tutor.
Mas a agora São Petersburgo tornara-se pequena para Putin.
Mudou-se para Moscovo, onde já sob a liderança de Boris Ieltsine e graças ao seu passado ascendeu à chefia do FSB, que substituiu o KGB.
Nesses anos, Putin, como muitos quadros do antigo regime, viu com amargura e saudosismo no que se transformava a Rússia, ferida pela pobreza e pelo banditismo galopante.
Não raras vezes humilhada pelo Ocidente.
Permitam-me um pequeno parêntesis para sublinhar que quando a URSS implodiu era a terceira potência económica mundial, logo atrás dos Estados Unidos e do Japão.
Hoje é a décima primeira.
Para homens como Putin, que acredita piamente que o destino da Rússia vai do Báltico a Vladivostok, tal estado de coisas é inadmissível.
Graças à lealdade, uma das suas principais carcaterísticas, demonstrada face a Ieltsine, este recompensou-o com o cargo de primeiro-ministro em 1999, altura em que a Chechénia começou a arder.
Putin rapidamente disse ao que vinha – lançou uma campanha brutal de repressão contra os rebeldes islâmicos daquela república secessionista.
Putin era então praticamente um desconhecido, mesmo entre o seu próprio povo.
Mas foi rapidamente alcandorado à categoria de herói.
A sua frieza e calculismo passaram a ser vistos com apreço, em contraste com o que sucedia com Ieltsine, que saía de uma bebedeira para logo entrar noutra.
Para ele o Estado é tudo.
A Rússia é tudo.
Para os russos comuns, zombificados por décadas de ditadura comunista, isto soou a música para os seus ouvidos.
Tinham finalmente um novo czar?
Um novo “paizinho” para olhar por eles?…
No fim desse ano de 1999, de forma inesperada, Ieltsine apresentou a sua demissão e nomeou Putin para a chefia do Estado.
No ano seguinte, o austero e reservado presidente ganhou facilmente as eleições.
Legitimado nas urnas, prometeu que ia ter dois objectivos: combater a corrupção e as mafias e criar uma economia de mercado, mas regulada pelo Estado.
O Estado, sempre o Estado na Rússia.
Putin viajou e conheceu mundo.
Deixou-se seduzir pela economia de mercado e nada tem contra a inviolabilidade da propriedade individual.
Não tem qualquer simpatia pelo comunismo.
Apenas pela glória passada da URSS.
O que se compreende, se atendermos a que angariou uma fortuna pessoal mais do que considerável.
Mas acima de tudo, mais uma vez, é um homem que acredita no controlo do Estado sobre a sociedade.
Ao mesmo tempo, procurou consolidar o apoio interno.
Transformou a gigantesca salgalhada das 89 repúblicas e regiões russas em sete distritos federais, para cujas chefias nomeou pessoas da sua inteira confiança.
Em simultâneo, tentou reduzir o poder dos oligarcas, lançando inclusive vários procedimentos criminais contra estas figuras que tinham acumulado fortunas fabulosas após a implosão da União Soviética.
Ao mesmo tempo, na boa linha soviética, cultivava a sua imagem.
Para os russos personificava o czar invencível, um novo Pedro, o Grande, aparecendo na televisão a nadar no gelo, a lutar com ursos, a derrubar campeões de judo.
Depois dos anos terríveis que se seguiram à queda da URSS, a economia russa dava finalmente mostras de alguma pujança, o que aumentou o poder de compra do cidadão comum e valeu a Putin nova reeleição em 2004.
Quatro anos depois, contudo, a Constituição impediu-o de se manter na chefia do Estado, tendo então nomeado Dmitry Medvedev para o seu lugar.
Contudo, no teatro de sombras russo, era ele quem puxava os cordelinhos, agora como primeiro-ministro.
Com o poder mais do que consolidado, Putin deixou cair a máscara e disse ao mundo ao que vinha – readquirir o domínio da área de influência da antiga União Soviética.
Ciente da fragilidade da NATO em solo europeu, percebendo que os Estados Unidos tinham apostado quase tudo no Pacífico e elegido a China como adversário potencial, mexeu um peão na direcção do elo mais fraco: a Geórgia.
Em escassos 12 dias, Putin conseguiu o que pretendia: abocanhar a Ossétia do Sul e a Abkházia aos georgianos.
O Ocidente, tal como o presidente russo previra, praticamente não se mexeu.
Tinha assim as mãos livres para preparar a jogada seguinte.
Em 2012, trocou novamente de lugar com Medvedev e voltou a assumir a chefia do Estado.
Ciente do poder que tinha conquistado, Putin decidiu tirar as luvas.
Multiplicaram-se as detenções dos seus opositores em solo russo.
E os que não foram presos foram assassinados, a tiro ou com veneno, arma de eleição do antigo KGB.
Com a oposição interna silenciada, o presidente russo, jogador de xadrez experimentado, decidiu avançar mais um peão.
O pretexto chegou com o afastamento do poder do seu homólogo ucraniano, Viktor Yanukovych, um fantoche do Kremlin.
Putin recusou reconhecer o novo Governo de Kiev e despachou forças militares para a Crimeia, argumentando que urgia defender os russos que ali residiam.
Mais uma vez, o Ocidente não se mexeu.
Encorajado, tentou o mesmo no Donbass, mas os ucranianos desta feita resistiram.
Uma e outra vez Putin negou a pés juntos que estivessem tropas russas no Donbass, mas foi desmascarado quando o voo MH 17 das linhas aéreas da Malásia se despenhou no Leste da Ucrânia, abatido por um míssil russo disparado por engano por tropas estacionadas naqueles territórios.
Porventura devido a esse incidente, Putin mostrou retracção em avançar em força no Donbass.
Do ponto de vista militar foi um erro, pois o conflito manteve-se latente e permitiu à Ucrânia construir um forte dispositivo defensivo nos últimos anos.
A 29 de Setembro de 2015, perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Putin apresentou a sua “visão” ao mundo: a Rússia era novamente uma grande potência, capaz de ombrear com os Estados Unidos e com potencial para intervir em qualquer parte do mundo.
O então presidente americano, Barack Obama, sorriu e recordou-lhe que a Rússia não passava agora de uma potência regional.
Putin, humilhado, nunca lhe perdoou.
Decidido a mostrar o poderio da Rússia, empenhou-se a fundo no conflito sírio, usando como pretexto um apelo nesse sentido feito pelo seu aliado Bashar al-Assad, a quem forneceu uma ajuda militar que se revelou preciosa na luta contra os rebeldes.
Entusiasmado, convenceu-se de que a Rússia é de facto capaz de reentrar no Big Game geo-estratégico, algures entre os Estados Unidos e a China.
Tem os meios e a vontade.
Se tiver de sacrificar milhares de russos pelo caminho, pois paciência.
Será o preço a pagar.
Tentou assim uma jogada mais arriscada, lançando agora contra a Ucrânia um bispo, o qual está porém algo periclitante.
Mas ainda tem torres, que poderá aspirar lançar noutras direcções.
A rainha, essa, guarda-a para o dia em que tiver de defrontar a NATO.
Só que aí não haverá vencedores.
Será um xeque-mate com sabor a empate que ninguém irá saborear.
Uma boa quinta-feira para todos.
(da página do Facebook de Jorge Alves).
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PUTIN E OS TRAIDORES RUSSOS

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Vladimir Putin acusou esta quinta-feira os russos que não apoiam a invasão da Ucrânia de serem traidores e falou de uma “auto purificação” da sociedade russa.
Putin fala de "auto purificação" russa e chama "traidores" aos críticos
RTP.PT
Putin fala de “auto purificação” russa e chama “traidores” aos críticos
O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou esta quinta-feira os russos que não apoiam a invasão da Ucrânia de serem traidores e falou de uma “auto purificação” da sociedade russa.
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A INVASÃO DA UCRÂNIA

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É isto. É simples. Ou melhor, parece simples. Mas nem sempre é fácil explicar. Nada que um texto genial não resolva. Obrigado MEC.
Devia ser obrigatório ler e…

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Luis Almeida Pinto

Opinião de Miguel Esteves Cardoso, no jornal Público de 24 de Fevereiro de 2022.
É muito simples.
Nisto das guerras, também há uma guerra escondida que convém destapar: a guerra entre quem odeia todas as guerras, sejam elas quais forem, e quem arranja sempre desculpa para as guerras, sejam elas quais forem.
Nas reacções às agressões de Putin aprende-se mais sobre os espectadores do que sobre os intervenientes: há quem aprecie o espectáculo e não se dê ao trabalho de disfarçar.
Felizmente, há regras antigas que nos levam a tomar logo o lado da Ucrânia.
É a regra contra os bullies.
É a regra contra os fortes que batem nos fracos.
É a regra contra a prepotência e contra a arrogância.
É a regra que nos leva a apoiar quem está na mó de baixo.
É a regra que nos leva a distinguir entre o agressor e a vítima.
Todas estas regras estão acima das razões concretas.
Todas estas regras estão acima da geoestratégia.
Todas estas regras estão acima da análise histórica e política.
E todas elas estão acima de esquerda e direita.
Há dois países em causa: a Rússia e a Ucrânia.
A Rússia agrediu a Ucrânia.
A Rússia é maior e mais forte do que a Ucrânia.
E a Ucrânia está sozinha.
Uma amiga ucraniana disse-me uma vez que os EUA e a Rússia eram iguais: eram dois caubóis com a mania de que o mundo era deles.
Ela preferia o caubói russo – mas não gostava de escolher.
Nós também podemos escolher entre os EUA e a Rússia mas a invasão da Ucrânia é a invasão da Ucrânia.
Não é a invasão dos EUA.
É a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Não é a invasão da Ucrânia pelos inimigos dos EUA.
Complique-se o que se quiser complicar, a questão da Ucrânia é muito simples e exige de nós uma resposta igualmente simples: estar totalmente do lado da Ucrânia e totalmente contra a Rússia.
O resto é interessantíssimo – mas é secundário.
É moralmente secundário.
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PORTUGAL FALA BRASILEIRO

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Essa coisa maravilhosa que se chama Internet. Que ajuda a esclarecer dúvidas importantes como esta…
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GUITARRA GALEGA

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Isabel Rei Samartim É CONVIDADA DO 35º COLÓQUIO DA LUSOFONIA VER https://coloquios.lusofonias.net/XXXV/

Na próxima quarta-feira, dia 25 de março, às 17h falaremos sobre a #guitarragalega no Auditório do Conservatorio Profesional de Música de Santiago de Compostela. Haverá uma primeira parte explicativa e na segunda parte, o recital com uma seleção de obras do CD mais alguma surpresa. A entrada é gratuita até encher a sala (70 lugares) e não é preciso inscrição prévia.
May be an image of 1 person and text that says "CONSERVATORIO PROFESIONAL DE MÚSICA SANTIAGO DE COMPOSTELA XUNTA DEGALICIA CUNTUCAIÃN Xacobeo 21・22 Galega ' Vol.1 Aforo limitado aconinvitacion Facebook Live www.facebook.com/cmussantiago com/cmussantiago LIVE EDLG Palestra concerto Libro: Guitarra Galega & CD: Guitarra Galega Vol. 1 Dr.a Isabel Rei Samartim Mércores, 23 de marzo de 2022 17:00 h"
You, Fiz Pousa, Ramiro Vidal Alvarinho and 28 others
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