SÃO JORGE | Registados 6 sismos nas últimas horas. Até ao momento foram sentidos 197 sismos pela população. – Rádio Ilhéu

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O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) informa que atividade sísmica que se tem vindo a registar desde as 16:05 (hora local = UTC-1)

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Detidas 700 pessoas refugiadas numa cave de hospital em Mariupol

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Kiev e Moscovo têm estado a responsabilizar-se mutuamente de que os corredores humanitários acordados por ambas as partes não estão a funcionar.

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sismos, a fuga das Velas

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A noite das duas cozinheiras do snack-bar Flor foi em branco, num centro de acolhimento. Uma acabou por voltar a Velas este sábado, porque o filho ficou lá, a trabalhar. Outra não pensa no regresso.
“Se tiveres para onde ir, deixa Velas”. Goreti Pereira ouviu da sua mãe muitas histórias sobre o passado na ilha e nem pensou duas vezes quando recebeu o conselho de um amigo — ainda por cima é uma pessoa que “sabe do que fala, que trabalha para as autoridades”. Fez uma mala com o essencial e, depois de convencer a colega de trabalho, chamou a filha e o genro para partirem com ela. Era já perto da 1h da manhã (2h em Lisboa) quando chegaram ao centro de acolhimento da Proteção Civil da Calheta. Continuavam na ilha de São Jorge, mas já não estavam no centro do vulcão.
“A gente estava a trabalhar quando a Goreti recebeu essa indicação. Falámos com o patrão e fomos para casa arrumar as coisas para ir. Eu arrumei uma toalha, roupa e produtos de higiene pessoal. Mais nada, não pensei em nada”, conta Nélia Couto, brasileira a viver há 12 anos nos Açores: “Nunca passei por isso. Eu até brinco: eu sei me esconder de um tiroteio, não de um sismo”.
A noite das duas cozinheiras do snack-bar Flor foi passada em branco. Eram oito pessoas num centro com capacidade para muitas mais, mas a tensão não cabia naquelas quatro paredes.
Sobretudo a de Nélia, que deixou o filho para trás, a trabalhar num hotel perto de casa. Foi, aliás, a distância dele que a fez desistir da ideia de estar longe de casa e regressar na manhã deste sábado a Velas. Só aguentou uma noite no centro e não foi por falta de condições, “que até eram boas, tinha lá colchonete, banheiro, locais onde se podia comer…”. Foi mesmo o não conseguir sentir-se segura sabendo que o filho ficara na parte mais perigosa da ilha: “Hoje de manhã ofereceram café da manhã, mas eu já não tomei, vim embora”.
“Só saio daqui agora, da minha casa, quando o vulcão explodir”, diz ao Observador por entre risos nervosos que sobram do descanso que as férias no seu Rio de Janeiro lhe deram — voltou de lá no dia 14 –, e a impotência que sente perante a força da ilha que a acolheu há muitos anos.
“A minha casa fica lá em cima no Rochedo. Ali mexe muito”
Goreti também só ficou uma noite no centro de acolhimento — levou alguma roupa, produtos de higiene e alguns sacos de comida: bolachas e rosquilhas. Ao início da tarde deste sábado regressou a Velas, mas não foi para ficar. Longe disso. Uma amiga de longa data disse que conseguia arranjar-lhe um espaço em casa de amigos, no Topo, e não olhou para trás.
“A minha casa fica lá em cima no Rochedo, aquilo que a gente chama o Caminho dos Cavalos, a seguir a Velas, pela frente da Praça de Toiros e ali tem-se sentido muito, mexe muito”, conta ao Observador. Tão depressa, diz, não voltará. Nem ela, nem a filha Rute, de 20 anos, nem o genro João, de 30 anos e natural de Lisboa: “Não é daqui”.
Mas Goreti, 48 anos, é e conhece bem a história. “Eu passei os [sismos] de 80, de 90 e alguns mais pequenos que houve, mas quem me contou o que passou, e que foi mais parecido com isto, foi a minha mãe: viveu o de 1964 e, nessa altura, foi levada para a ilha Terceira, separada dos meus avós, contava muito isso à gente. Há sempre esse fantasma”.
São sobretudo aquelas duas pessoas e a irmã que mais a preocupam: “O meu filho está na Terceira, o meu marido no Pico. Ficou a minha irmã, que vai agora comigo para o Topo, ela e o namorado é o outro casal que vai connosco”, contou já este sábado à tarde ao Observador.
“O meu marido quer ficar, é maior e vacinado. Eu vou-me embora”
Débora Dias, 38 anos, é a amiga que ofereceu casa a Goreti no Topo. Só não sai da ilha, porque ainda não sabe o que vai acontecer com a empresa para a qual trabalha. “O meu patrão ainda não deu fecho do serviço, mas eu não me vou importar com o serviço, não me vou importar com mais nada, vou acolher uns amigos, deixar os animais em segurança e só volto de vez a Velas, se voltar, a 8 ou 9 de abril”.
Os amigos de que fala é Goreti, a filha e a irmã, e os seus namorados. Com a família, Débora já não tem de se preocupar: “Já meti os meus filhos em segurança”.
Foi esta sexta-feira ao aeroporto embarcar o filho, de 21 anos, que foi para a Terceira, e depois ficou a aproveitar as últimas horas que lhe restavam com a filha mais nova, de 10 anos. Nem deu, por isso, pela falta de Goreti, que decidiu ir com Nélia para o centro da Proteção Civil. E este sábado ainda ficou mais vazia. “Custou me muito, partiu-me o coração, ver hoje a minha filha partir e eu ficar para trás. Mas sei que ela está segura com a irmã”, diz Débora Dias, horas após ter embarcado a filha de dez anos, que foi também para a Terceira.
Tanto o mais velho, como a mais nova foram para casa de outra irmã, que tem 19 anos e que vive naquela ilha com o namorado: “Estão lá os três juntos. Só eu é que fiquei. Mas se eu vir que não me estou a sentir segura vou embora, quero que o trabalho se lixe, que vá para o diabo que o carregue“.
Débora Dias tem medo de qualquer que seja o desfecho destes sismos: “Eu moro à entrada de Velas, eu estou por baixo dele, se o vulcão rebentar ou explodir, estou em perigo”. E é, por isso, que não relaxa com as explicações do marido, de 52 anos, de que isto é tudo “alarmismo”: “Ele não quer sair de casa, mas eu não me importo com ele, porque é maior e vacinado. Eu vou sozinha, para mim a vida está em primeiro lugar”.
Velas tem por estes dias metade dos habitantes, depois de muitas pessoas terem decidido abandonar o concelho, quer para a Calheta, também na ilha de São Jorge, quer para outras ilhas do arquipélago dos Açores, com destaque para o Faial e para o Pico.
O presidente da Câmara Municipal de Velas confirmou esta tarde à Lusa que “cerca de 2.500 pessoas” já saíram desde 19 de março, dia em que se registou o primeiro sismo — destas, anunciou Luís Silveira, perto de 1.500 saíram por via marítima e aérea. As restantes só mudaram de concelho, mas mantiveram-se em São Jorge.
(Texto: Carlos Diogo Santos – Fotos: Rui Soares – Observador de 26/03/2022)
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  • Nádia Dias

    Minha mãe, meu orgulho. Estamos todos mais calmos ao saber que já estás segura. Proteje-te estaremos sempre a pensar em ti. Amamos te muito Debora Dias
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Arábia Saudita. Guterres condena ataques e rebeldes anunciam cessar-fogo de três dias

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques dos rebeldes iemenitas na Arábia Saudita e também a resposta da coligação militar internacional no Iémen e pediu contenção a todas as partes em conflito.

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Russian 5,000-ton battleship sunk, Why Russia failed to intercept an outdated ballistic missile – Defence View

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Ukraine’s navy said Thursday it destroyed a large Russian landing ship in the southern port of Berdyansk, which has been occupied by Russia for weeks. Russia

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Todos a bordo. Comboio que liga a Rússia à UE faz última viagem

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Depois de as ligações aéreas terem sido interrompidas, o expresso Allegro que fazia a viagem de três horas e meia duas vezes por dia era a última conexão.

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SOLDADOS RUSSOS MATAM COMANDANTE

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Soldados russos atropelam e matam o próprio comandante russo sem piedade pelas milhares de mortes que já causaram. Não recomendamos os mais sensíveis a verem as imagens que se seguem.
Soldados russos atropelam e matam comandante russo pelas "múltiplas perdas" da guerra na Ucrânia
DIGITAL-LUSO.COM
Soldados russos atropelam e matam comandante russo pelas “múltiplas perdas” da guerra na Ucrânia
O comandante russo Yuri Medvechek, que liderava a 37ª Brigada

S JORGE RISCO REAL DE ERUPÇÃO

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O que se estará a passar no interior da Terra que provoca a elevada sismicidade na ilha de São Jorge?
Com base nos dados do Civisa [Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores] e IPMA [Instituto Português do Mar e da Atmosfera], assim como dados de detecção remota analisados em conjunto com os meus colegas em Portugal e no estrangeiro, a meu ver esta sismicidade é criada pela fracturação da rocha em profundidade, induzida pela intrusão de magma, na forma de um filão, ao longo do sistema vulcânico fissural que se estende desde o Pico do Carvão para além das Velas, no offshore. Esta intrusão está ainda numa fase inicial e não é claro que venha a chegar à superfície. As probabilidades de essa intrusão chegar à supefície e gerar uma erupção, ou parar pelo caminho, cessando a actividade sísmica, são ainda muito difíceis de estimar. Daí o reforço das medidas de monitorização por parte do Civisa e do IPMA, e também da
comunidade científica. Foi neste sistema vulcânico fissural que se deram as erupções históricas de 1580 e 1808, e a crise sismovulcânica de 1964, que resultou provavelmente numa erupção submarina em águas profundas, ao largo e a noroeste das Velas.
Preocupa-o a actual crise sismovulcânica nos Açores?
Naturalmente que é motivo de preocupação e deve ser encarada com a seriedade devida. Existe um risco real de a crise aumentar e resultar numa erupção vulcânica ou em sismicidade acrescida e, deste modo, deveremos sempre preparar-nos para esta eventualidade, mesmo que não venha a materializar-se — como, aliás, esperamos todos que a situação não evolva para uma erupção ou sismo forte.
É preciso estar consciente, contudo, de que nem sempre este tipo de crises sismovulcânicas evoluem até resultar em erupção — nos Açores, a maioria, felizmente, não resulta — e que a nossa capacidade técnica e cientifica para antever cenários prováveis é ainda muito limitada. Mas, quando resulta em erupção, as consequências são gravosas e por isso é necessário encarar a situação com a seriedade devida, adoptando uma atitude de prevenção para não sermos apanhados desprevenidos.
Quais são os cenários mais fortes de evolução da actual situação?
É ainda muito cedo para conseguir fazer este tipo de análise de modo sólido. Muitas destas crises — felizmente — não resultam em erupções à superfície, na medida em que a intrusão de magma não chega à superfície, parando e arrefecendo lentamente. No caso de resultar numa erupção, no entanto, três cenários são possíveis. Primeiro: erupção no pedestal submarino da ilha, em águas profundas, de risco muito reduzido para as populações, sendo este o cenário de erupção mais benigno, semelhante ao que aconteceu em 1964. Segundo: erupção em águas pouco profundas, possivelmente ao largo das Velas, semelhante à erupção dos Capelinhos, sendo que este é um cenário de risco muito elevado, dada a proximidade à povoação das Velas e o possível fecho simultâneo do porto desta localidade e do aeroporto. Terceiro: erupção em terra, semelhante às erupções históricas de 1580 e 1808, cenário também de risco muito elevado devido a poder vir a afectar as povoações deste troço da ilha e ao fecho do aeroporto. Reforço a ideia de que nesta altura, com os dados disponíveis, não é ainda possível saber se a presente crise irá ou não “escalar” e resultar numa erupção. Deste modo, é preciso seguir a crise de perto e estar constantemente a avaliar estas possibilidades com os dados disponíveis na altura.
Estaremos no inicio de uma erupção como a de La Palma (Canárias em 2021) ou dos Capelinhos (Faial em 1957)?
É certamente possível, pois o risco de erupção é real, mas é ainda muito cedo para se fazer esta avaliação, com os dados disponíveis.
(Teresa Firmino – Publico de 26/03/2022)
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  • Fernanda Serpa

    Eventualmente a lava está a acomodar-se e a solidificar no dique
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S JORGE DERROCADA NA FAJA DOS CUBRES E DE SANTO CRISTO

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Crise sismo-vulcânica em São Jorge.
Sete sismos sentidos durante esta madrugada. Com o mau tempo de ontem uma derrocada destruiu o acesso à Fajã dos Cubres e da Caldeira do Santo Cristo. Há 10 pessoa retidas na Caldeira
Foram sentidos 7 sismos na madrugada, 6 com epicentro em São Jorge e um registado na Baía da Graciosa. Três foram sentidos pela população e a maior magnitude registada foi de 2,5 na escala de Richter.
Uma derrocada obstrui ontem o acesso à Fajã dos Cubres e à Caldeira do Santo Cristo, na Calheta, em São Jorge. Nesta altura há 10 pessoas retidas na Caldeira. Décio Pereira, presidente da autarquia, diz que as pessoas já foram contactadas, não têm urgência em abandonar o local. A Câmara Municipal e a Proteção Civil estão neste momento a analisar a situação no local.
O material rochoso ter-se-á desprendido pela força do mau tempo que se fez sentir no grupo central.
(Jornal das 08h30 da Antena 1 Açores de 27/03/2022)
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  • Susana Coelho

    Mas as pessoas já tinham sido avisadas para abandonarem as fajãs. Era previsível o que aconteceu, infelizmente.

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