PEDRO O CRU

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Bom dia, amigos.
Todos sabemos que raras vezes, e talvez até nunca, existiu um rei português com um sentido de justiça tão apurado como D. Pedro I, muito embora, valha a verdade, tenha igualmente de ser dito que o homem tinha um feitio levado da breca, já para não dizer que era mau como o facadas.
É sabido que no ano de 1340 o nosso D. Pedro, filho de D. Afonso IV, era casado e bom rapaz.
Diga-se porém que sua mulher, D. Constança Manuel, era feiinha que até metia dó.
Seja como for, os dois lá se entendiam.
Pelo menos até à chegada de uma dama de companhia para a esposa do príncipe, de seu nome Inês de Castro, filha de um nobre galego.
Dizem os cronistas da época que Inês era um traço de fazer parar as carroças e que depressa o príncipe ficou vesgo de tanto lhe tirar as medidas, desgraça que se veio juntar ao facto de já ser gago e epiléptico.
Seja como for, a galega achou-lhe graça e depressa os dois andavam a fazer coisas que não deviam, pelo menos na perspectiva de D. Constança.
Sucede que a infeliz da D. Constança morreu ao dar à luz o futuro D. Fernando.
Com a costa finalmente livre, julgava ele, D. Pedro assumiu abertamente a sua relação com Inês e tudo indicava que iriam viver felizes para sempre, tendo dessa união resultado o nascimento de quatro filhos.
Mas já se sabe que em Portugal coisa que não falta são invejosos que não gostam de ver ninguém de bem com a vida.
Começaram então a circular na Corte boatos que indicavam que o legítimo futuro herdeiro, D. Fernando, neto de D. Afonso IV, estaria em perigo e que Inês estaria a planear o seu assassinato para colocar na linha do Trono D. João, o filho mais velho da relação que mantinha com D. Pedro.
O rei deu ouvidos às más-línguas e, a 7 de Janeiro de 1355, mandou degolar Inês em Coimbra, numa altura em que D. Pedro andava embrenhado numa tão destemida como perigosa caça aos pardais.
Claro que o hediondo crime encheu de gáudio os mentores dos boatos – Álvaro Gonçalves, Pêro Coelho e Diogo Lopes Pacheco, conselheiros do rei.
Furioso, D. Pedro reuniu as suas hostes e passou a arrasar tudo o que se lhe opunha, lançando o país numa cruenta guerra civil.
Mas todos sabemos que a vida dá muitas voltas e, no ano seguinte, D. Afonso IV faleceu.
Rei morto, rei posto.
À cautela, vendo as respectivas vidas a andar para trás, os conselheiros do antigo monarca deram corda aos sapatos e fugiram para terras de Castela antes que a coisa corresse para o torto.
Claro que a primeira coisa que D. Pedro fez foi concretizar um acordo de extradição com o rei de Castela, seu primo.
E foi assim que este recebeu numa bandeja uns nobres castelhanos aqui acoitados e a quem queria deitar a mão e em troca entregou ao monarca português Álvaro Gonçalves e Pêro Coelho.
Já Diogo Lopes Pacheco teve mais sorte, pois conseguiu escapulir-se para terras de França.
Levados a ferros para Santarém, os boateiros foram supliciados de forma que não foi nada simpática, para deleite de D. Pedro, que almoçava tranquilamente enquanto via os antigos conselheiros a serem esquartejados.
Depois da sobremesa, já mais aconchegado, arrotou e mandou trasladar os restos mortais de Inês para o Mosteiro de Alcobaça, indo finalmente fazer a digestão em paz.
A memória da sua mais que tudo levou a que D. Pedro nunca mais amasse ninguém, o que foi um gesto bonito.
Isto claro se descontarmos o escudeiro Afonso Madeira, com quem andou a fazer o que agora não vem ao caso.
Claro que a coisa estava no segredo dos deuses, mas foi tornada pública pelo célebre cronista Fernão Lopes.
Segundo o cronista, que aqui entre nós também era um bocado dado à má-língua, tudo corria na paz do Senhor até que o rei descobriu que o escudeiro se enamorara de uma donzela, de seu nome Catharina Tosse.
Despeitado, D. Pedro mandou logo cortar o abono de família a Afonso Madeira, o que foi muito bem feito para aprender a não ser promíscuo.
Uma boa quarta-feira para todos.
(Nota de rodapé: desconhece-se se D. Pedro e Afonso Madeira tiveram descendência comum. Pelo menos tal não consta dos arquivos da Torre do Tombo.)
(da página do Facebook de Jorge Alves).
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as manhãs de baudelaire

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Existem manhãs em que abrimos a janela, e temos a impressão de que o dia está nos esperando.
– Charles Baudelaire
foto: Annie Leibovitz
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TIMOR, VERGONHA, QUANDO O GOVERNO DESTRÓI CULTURA

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Antonio Sampaio
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Dia de tristeza para a comunidade artística timorense. A Arte Moris foi despejada do local onde está instalada há 18 anos. As obras foram retiradas pelas autoridades e deixadas amontadas no chão no exterior do complexo.
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Dia de tristeza para a comunidade artística timorense. A Arte Moris foi despejada do local onde está instalada há 18 anos. As obras foram retiradas pelas autoridades e deixadas amontadas no chão no exterior do complexo.
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Ldm A Três
É melhor abrir próprias impressas para receber qualquer pessoas que querem ter uma Pintura e ia ganhar mais dinheiro do que fazer a Pintura dos Herróis pois não lucrar e nem o gov considera… Dkl ba tur iha ai hun ou Buka fatin diak iha tasi ibun tur nb Pinta ema Sese de’it mk hakarak Pinta sira nia oin ho folin barato … Buka osan hadi’a economia uma laran do que servc ba gov to’o Ikus halo nune…. Iha largo lecidere neba bele sai fatin diak atu simu ema Pinta sira nia oin….sugestao
· Reply · 1 h · Edited

Licinia Ramos Horta
Vergonhoso
· Reply · 1 h
Fernanda Guerreiro Rodrigues
Triste mesmo
· Reply · 1 h
Ldm A Três
Apoio Avô Horta ba PR deit dkl… Situação bele di’ak liu tan…
· Reply · 1 h
Isabel Nolasco
Era um dos locais mais valiosos de Díli. Uma grande perda!
· Reply · 51 m
Amadeu Pinto da Silva
Selvagens. Mais nada por Timor.
· Reply · 45 m
José António Cabrita
Minha mãe…
· Reply · 34 m
Licínia Maria Lopes Ferreira
Nos passados anos 2000 ir à Arte Morais era como ver a alma de Timor a pulsar e entender como se viam!
Nas paredes da minha casa ainda vivem esses momentos e sentires. Obrigada Arte Morais.
É com tristeza, mas também com indignação, que vejo estas imagens.
· Reply · 1 h
Ivanildo Quirino Do Nascimento
Que absurdo! A arte é a maior expressão da identidade de um povo. É a cultura exposta pela emoção do que é belo… Através da pintura, da música, da dança, da escultura se representa as tradições, a história de uma nação pelas mãos, pela voz, pelo corpo … See more
· Reply · 1 h
Vicente Faria
Que raiva desta decisão desumano..!!!
· Reply · 1 h
Alexandre Ornay Pinto
Autêntico desrespeito pelos artistas e jovens criativos. Há tanto dinhero publico mal gastos e podiam gastar esse para comprar outro terreno e construir o que quer que seja. Não tinham que andar atrás destes jovens que utilizaram o espaço há 18 anos. T… See more
· Reply · 52 m
Zéray Camínha
Imi bele kolonializa ami ho forsa polítika dominante, maibé imi sei la-invade ami nia espiritu arté nian.
A luta continua maun alin sira!
· Reply · 1 h · Edited
Lulu Soares
Que Tristeza meu Deus
· Reply · 53 m
Sara Almeida
Porquê destruir as obras que fazem parte da História da Arte de Timor-Leste?! Isto é património histórico também. Muito triste, e vergonhoso mesmo!
· Reply · 1 h
José Barreto Martins
Independentemente das razões ou argumentos que invocarem, mas quando um país/autoridades não olham a arte/cultura como um tesouro, algo vai muiiiiiiiiiiiiiiito mal.
· Reply · 23 m
Ivónia Borges
Deitaram as obras assim??? 😡😡😡
· Reply · 29 m
Mirna Noronha Barbosa
Que triste…
· Reply · 40 m
Clelio Alves
É ação selvática e inaceitável! Grande tristeza!
· Reply · 16 m
Edi Goncalves
Muito triste!!!
· Reply · 1 h
Maria Esperanca
Que tristeza 😭😭😭😭
· Reply · 1 h
Celestino de Freitas
Ability without opportunity.
Arte Moris was recently ranked as a top 10 best things in this country.
For tourism , for the young, for style , the trees and now invaded.
· Reply · 1 h · Edited
Rui Nelson Dinis
Ação surpresa?
· Reply · 29 m
Jully Centro
Tem Pintura de Saudozu e Outro Gurilheiro…..triste pintura nee soe dt iha resintu oin..
· Reply · 52 m
Paula Barros
Tristeza!😔
· Reply · 1 h
Onnu Ribeiro Barros
Triste realidade
· Reply · 50 m
Yolanda De Assis
Omg what next. This is awful & so disrespectful 😞
· Reply · 1 h
Estevao Tei Fernandes
Politica errada pelos governantes timorenses.
· Reply · 14 m
Sean Ferguson-Borrell
Wrong it’s more than that Antonio. That’s recent history of TL since independence. Many of the pieces you see there are from the permanent collection, which are the oldest and therefore most significant pieces. Irreplaceable, unique and part of recent … See more
· Reply · 1 h
Romana Horta Barbosa
Esses dirigentes andaram na universidade e um deles até escreveu um livro e não sabem que os veteranos um dia desaparece mas a cultura é perene? Será bom irem outra vez estudar…
· Reply · 1 h
Maria Borges
Por que fizeram isso?
· Reply · 39 m
Aldz Lopez
Joventude creativo ita la suporta lae,, ita ba destrói fali.. Guvernu nia hakark mak saida? 😡😡😡
· Reply · 1 h
Sonny Inbaraj Krishnan
This is just awful!! I first wrote about Arte Moris in 2004 😪😪😪http://www.etan.org/et2004/april/22/24art.htm
ETAN.ORG
Art under Reconstruction Too
Art under Reconstruction Too
· Reply · 10 m · Edited
Lidia A Imaculada Conceicao
Cuitado….
· Reply · 2 m
Edward Rees
Abhorrent action
· Reply · 1 h
Eugenia Viegas
So sad😭🙏
· Reply · 10 m
David Letichevsky
Que horrível…
· Reply · 1 h
Ezme Borges
So sad🙏
· Reply · 1 h
Kerry Taylor-Leech
Oh no! What happened?
· Reply · 1 h
HE Jacky
Disaster
· Reply · 1 h
Ximenes Metan
Oh No! So sad 😭
· Reply · 1 h
Patrícia Paulino Moreira
· Reply · 10 m
Claudine Durieu
muito triste! Arte Moris deu formação e objetivo de vida a tantos jovens! Espero que eles encontrem outro local!
· Reply · 14 m
Ligia Braz
Grande tristeza! Grave erro político!! Desprezar a cultura é perder identidade
Ao menos tenham a dignidade de guardar as maravilhosas obras num local digno!
Estes jovens artistas merecem respeito.
· Reply · 31 m
Isabel Afonso
Que absurdo 🤷‍♀️🤦‍♀️🤷‍♀️
Tristeza enorme… Não há palavras 😢
· Reply · 33 m
Tito Veiga Santos
mas o que raio tem a haver o fecho da escola, seja la por que motivo for, com a destruição das obras que la estavam dentro ??? Parece-me tudo um bocadinho, como direi…com demasiado sangue na guelra …
· Reply · 1 h
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Antonio Sampaio
Tito Veiga Santos As obras foram retiradas à força pelas autoridades que aplicaram a ordem de despejo e deixadas amontoadas no chão no exterior do complexo. E a escola não foi ‘fechada’. Foi despejada do local onde esteve 18 anos.
· Reply · 1 h
Alex Tilman
Muito triste mesmo.
· Reply · 1 h
Kaisala Ara
Que mal … O governo que muitas pessoas têm muitos pensamentos estúpidos..😠
· Reply · 1 h
Susana Mendonça
Muito triste. Um dia triste para a cultura timorense.
· Reply · 1 h
Naryglorio
Tambem para o Mundo interio🥺🥺
· Reply · 1 h
Anaisabel Castro
Que tristeza 🙁
· Reply · 1 h
Rita Freitas
😭😥😭😥
· Reply · 15 m
Zelia Do Rego
😢
· Reply · 1 h
Ramon Bonaparte Mariano Ribeiro
🥺😭💔
· Reply · 1 h
Jennifer Godfre
Why would they destroy the art works? This is pathetic
· Reply · 1 h
Tatiana Diniz
Inacreditável! Que tristeza!
· Reply · 20 m
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Para onde foram 2800 milhões de euros?

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O SIFIDE (Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Empresarial) é um benefício fiscal que permite a empresas deduzirem diretamente do seu IRC até 82,5% das despesas realizadas em Investigação e Desenvolvimento (I&D).

Source: Para onde foram 2800 milhões de euros?

o carro que ontem ardeu em ponta delgada

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Repsol santa Clara
Lá se vai um carro em minutos…
0:11 / 0:30

Ready!

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DO IBERISMO AO 1º DE DEZEMBRO

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DO IBERISMO AO 1º DE DEZEMBRO
2.7.1. IBERISTAS

 

Gostava de ter algumas réstias do meu sempiterno otimismo, mas a reserva desoladamente está no nível mínimo desde há duas décadas. Quando, ano após ano, a chuva cai dentro de casa e alaga o chão ou os móveis como se não houvesse teto, temos de assumir que estas casas são de péssima qualidade e estes “mestres” de construção não passam de biscateiros incapazes de fazerem uma obra como deve ser. Mas se vou a um restaurante o resultado é similar com um serviço deficiente a preços de luxo. Se vou a um mecânico automóvel idem aspas. Ou na saúde, na justiça, na ignorância santa dos novos professores e seus alunos, na incompetência dos que governam e mandam. É esta a tradição e não é de hoje, vem de há muitos anos como constatei ao traduzir este parágrafo:

Enquanto a Terceira e as ilhas próximas resistiam ao assalto dos espanhóis à Coroa portuguesa, S. Miguel franqueou-lhes a entrada. Isto deveu-se ao facto de o Corregedor Ciprião de Figueiredo estar sedeado em Angra. Fiel apoiante do Prior de Crato, terá proferido a frase “antes morrer livres que em paz sujeitos”. … A capitania de S. Miguel estava na mão da influente família Gonçalves da Câmara. Além disso, residia em S. Miguel o Bispo dos Açores, D. Pedro de Castilho, fiel a Filipe II. Viria a ser Vice-Rei de Portugal em paga da fidelidade à causa castelhana. Mais tarde, o Capitão do Donatário de S. Miguel recebeu o título de Conde de Vila Franca. Abundam ainda agora os que esquecem o terror do domínio castelhano e pressurosos querem entregar o país ao vizinho ibérico. Miguel Urbano Rodrigues escrevia em 2006 (“Alentejo Popular” (Beja) 02-11-06):

Os iberistas, ao esboçarem uma Espanha pletórica de energias, de progresso e criatividade, simulam esquecer a mais alta taxa de desemprego da União Europeia. Não aludem ao racismo e à xenofobia que fazem hoje da pátria de Cervantes um dos países europeus onde os imigrantes, sobretudo os magrebinos, equatorianos e colombianos, são mais discriminados. Preferem discorrer sobre a localização da capital, a estrutura institucional do Estado, Federação ou simples transformação de Portugal em mais uma Região Autónoma, e, o papel do Rei. Fala-se do bacalhau, do fado, do flamenco, de marialvas e senhoritos, dos dois idiomas, … longe de serem «muito parecidos», portugueses e espanhóis distanciaram-se progressivamente, exibindo atitudes quase antagónicas. Trabalham e comem a horas diferentes, transformam o culto do aperitivo num instrumento de convívio.

Outra omissão é a falta de referências à colonização económica de Portugal pela Espanha. O processo em curso é avassalador. Há três décadas a Espanha não existia como parceiro comercial. Hoje ocupa o primeiro lugar nas importações portuguesas. A banca espanhola conquistou parcela importante do mercado português. O mesmo ocorre com a hotelaria e as grandes transnacionais como El Corte Inglês e Zara. As imobiliárias espanholas invadem as cidades. O processo de colonização pacífica assume facetas particularmente alarmantes no Alentejo onde capitalistas espanhóis compraram as melhores terras no Alqueva. Adquiriram milhares de hectares para criação de porcos, instalação de lagares e plantação de oliveiras e vinhas. A invasão é festejada pelo Governo e pela grande burguesia. Agradecem.

Saúdam os espanhóis como agentes do progresso. Com a espontaneidade da nobreza de 1383 a saudar D João De Castela e a nobreza de 1580 a alinhar com Filipe II. Essa forma de dominação económica encobre uma modalidade de intervenção imperial. Hoje, ninguém se surpreenderia se Portugal passasse a dependência espanhola, como se de um banco se tratasse. Como se falássemos em abrir um escritório no litoral já que o interior está desertificado de gentes e de economias de mercado viáveis. Por outro lado, despontam iniciativas de união ibérica, nem sempre dissimuladas, que causam engulhos.

Por ser um estudioso que condensou o que penso, sigamos Carlos Fontes,

O iberismo é típico do séc. XIX. As pequenas nações condenadas a serem absorvidas pelas grandes (teoria darwinista). É uma manifestação patológica de indivíduos que sofreram influência espanhola ou se assumiram como agentes de interesses espanhóis. Quando a situação é melhor no outro lado da fronteira, a integração surge como a solução para resolver a crise, sem trabalho.

Alguns assassinatos de iberistas ficaram célebres, como defesa de valores fundamentais – dignidade, identidade cultural e liberdade -, mas também respeito por si próprios. Um povo que não se respeita a si próprio, nunca será respeitado por outros. Ora, o iberista sempre manifestou um profundo desprezo pela dignidade e liberdade do português, agindo de modo a destruir a comunidade que o viu nascer… As mortes de dois iberistas assumiram uma enorme carga simbólica na história

A morte do Conde de Andeiro, fidalgo galego, foi o símbolo de liberdade de um povo que recusa as ingerências externas e os jogos palacianos. Este traidor castelhano participou em conspirações ao serviço de Portugal e de Inglaterra. Em Lisboa, ascendeu a uma elevada posição na corte, tendo recebido de D. Fernando o título de Conde de Ourém, e na crise de 1383-85, esteve ao serviço de Castela.

Foi assassinado, em 1383, por D. João, mestre de Avis e futuro rei. A sua nefasta ação traduziu-se numa violenta guerra civil que só terminou quando os portugueses exterminaram os aliados de Castela.

Já a morte de Miguel de Vasconcelos exprime simbolicamente a afirmação da identidade cultural de um povo, cuja forte individualidade saiu reforçada após uma opressão de 60 anos. Ficou tristemente célebre pelo ódio que nutria pelos seus concidadãos.

Em 1634 tentaram-no matar. Se o tivessem feito, muitas vidas teriam sido provavelmente poupadas. Na manhã de 1 de dezembro de 1640, quando os portugueses restauraram a independência foi o primeiro a ser morto… depois, o povo português travou, durante 28 anos, uma sangrenta guerra na Europa e na América do Sul pela defesa da sua liberdade e dignidade.

Ora bem, como ninguém estuda História, episódios como este perdem a força e não são transmitidos de geração para geração, perdendo-se a memória coletiva do povo. Continuemos com as palavras de Carlos Fontes. Nas últimas décadas, órgãos de comunicação social, usando da liberdade de expressão, têm procurado abrir fraturas na sociedade. O objetivo é:

  1. Mostrar através de “sondagens” encomendadas ou “discussões” públicas que na sociedade portuguesa existe um grupo cujo objetivo é a dissolução do Estado português;
  2. Dar “voz” à hipotética minoria iberista portuguesa. Ao mesmo tempo, a imprensa espanhola mostra a aceitação à integração.
  3. Os supostos iberistas não constituem uma corrente de opinião nem um movimento organizado. Oliveira Martins (1845-1894) é o melhor exemplo dos esbirros iberistas. É difícil de determinar a causa do profundo ódio que manifestava. Foi um típico vira-casaca: anarquista, socialista, republicano, monárquico, liberal, antiliberal. Defendeu a liberdade, mas também a ditadura. Atacou os ditadores, mas apoiou João Franco, sendo apontado como um dos introdutores das ideias socialistas e como um protofascista. Muitas das ideias foram aplicadas por ditadores (Sidónio Pais ou Oliveira Salazar). Antero de Quental (1869) era um confesso iberista, dois anos depois já nem fala no assunto, e mais tarde abomina a ideia. Algo idêntico ocorreu com Teófilo Braga.

Durante as eleições legislativas de setembro de 2009 – a TVI -, canal de televisão controlado por espanhóis interferiu diretamente na campanha eleitoral, e…afastou a “jornalista” (Manuela Moura Guedes) que desde 2008 promovia uma campanha de propaganda contra o governo socialista…e a comunicação social espanhola procurava lançar nova campanha em defesa das teses iberistas, apoiada na “sondagem” realizada pela Universidade de Salamanca, com a colaboração de alienados no ISCTE (Lisboa).

A razão por que escolhi este tema é a data que ora se celebra, o dia da Restauração da Independência de 1 de dezembro de 1640. Para que os mais jovens nunca o esqueçam e deixem de a tratar como um dia sem aulas. Infelizmente, é para a maioria, um dia como qualquer outro nos Açores, sem que o povo se dê conta do seu significado:

“…arrebatados do generoso impulso, saíram todos das carroças e avançaram ao paço. Neste tempo andava D. Miguel de Almeida, venerável e brioso, com a espada na mão gritando: — Liberdade, portugueses! Viva El-Rei D. João, o Quarto!”

A ideia de nacionalidade esteve por trás da restauração da independência plena após 60 anos de monarquia dualista. Cinco séculos de governo próprio haviam forjado a nação, rejeitando a união com o país vizinho. A independência fora sempre um desafio a Castela. Entre os dois estados houve sucessivas e acerbas guerras, as únicas que Portugal travou na Europa. Para os Portugueses, os Habsburgo eram usurpadores, os Espanhóis inimigos e os partidários, traidores. Avançara depressa a castelhanização do País de 1580 a 1640. Autores e artistas gravitavam na corte espanhola, fixavam residência, aceitavam padrões espanhóis e escreviam em castelhano, enriquecendo o teatro, a música ou a arte pictórica espanholas. A perda da individualidade cultural era sentida por portugueses, a favor da língua pátria e da sua expressão em prosa e poesia. Contudo, os intelectuais sabiam perfeitamente que os esforços seriam vãos sem a recuperação da independência política. Muitas razões que justificavam a união das coroas ficaram ultrapassadas. O Império Português atravessava uma crise com a entrada em jogo de holandeses e ingleses. Perdera o monopólio comercial (Ásia, África e Brasil) e a Coroa, a nobreza, o clero e a burguesia haviam sofrido severos cortes de receitas.

Os Espanhóis reagiam contra a presença portuguesa nos seus territórios, mediante vários processos, entre os quais a Inquisição. Isso suscitou grande animosidade nacionalista em Portugal aprofundando o fosso entre os dois países. Margarida, duquesa de Mântua, neta de Filipe II, exerceu o governo de Portugal de 1634 a 1640, como vice-rei e capitão-general. Economicamente, a situação piorara desde 1620 e estava longe de brilhante. Os produtores sofriam com a queda dos preços do trigo, azeite e carvão. A crise afetava as classes baixas, cuja pobreza aumentou. O agravamento dos impostos tornava a situação pior. Para explicar os tempos difíceis, a solução apresentava-se fácil e óbvia: a Espanha, causa de todos os males.

A conspiração independentista era heterogénea [nobres, funcionários da Casa de Bragança e do clero]. Em novembro conseguiram o apoio do duque de Bragança. Na manhã do 1º de dezembro, um grupo de nobres atacou a sede do governo (Paço da Ribeira) prendeu a duquesa de Mântua, matou e feriu membros da guarnição militar e funcionários, como o Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos. Já dizia Camões: “Também dos Portugueses alguns traidores houve, algumas vezes…” Lusíadas, C. IV, 33. Seguidamente, os revoltosos percorreram a cidade, aclamando o novo estado, secundados pelo entusiasmo popular, a mudança do regime foi recebida e obedecida sem dúvida. Só Ceuta permaneceu fiel à causa de Filipe IV.

  1. João IV entrou em Lisboa a 6 de dezembro. Proclamar a separação fora fácil, difícil seria mantê-la. Tal como em 1580, em 1640 os portugueses estavam desunidos. As classes inferiores mantinham a fé nacionalista em D. João IV, mas o clero e a nobreza, com laços em Espanha, hesitavam. O novo monarca estava numa posição pouco invejável. Do ponto de vista teórico, tornava-se necessário justificar a secessão não como usurpador, mas a reaver o que por direito legítimo lhe pertencia.

Abundante bibliografia (em Portugal e fora dele) procurou demonstrar os direitos reais do duque de Bragança. Se o trono jamais estivera vago de direito, em 1580 ou 1640, não havia razões para eleição em cortes, o que retirava ao povo a importância que teria, fosse o trono declarado vago.

in Oliveira Marques, “A Restauração e suas Consequências”, in História de Portugal, vol. II, Do Renascimento às Revoluções Liberais, Lisboa, ed. Presença, 1998, pp. 176-201). Todo o reinado (1640-56) foi orientado por prioridades. Primeiro, a reorganização militar, reparação de fortalezas, linhas defensivas fronteiriças, fortalecimento das guarnições e obtenção de material e reforços. Paralelamente, a intensa atividade diplomática nas cortes da Europa, para obter apoio militar e financeiro, negociar tratados de paz ou de tréguas, conseguir o reconhecimento da Restauração, e a reconquista do império ultramarino. A nível interno, a estabilidade dependeu, do aniquilamento da dissensão a favor de Espanha. A guerra da Restauração mobilizou todos os esforços e absorveu enormes somas. Pior, impediu o governo de conceder ajuda às atacadas possessões ultramarinas. Mas, se o Império, na Ásia, foi sacrificado, salvou a Metrópole da ocupação pelos espanhóis. Portugal não dispunha de exército moderno, as forças terrestres escassas, as coudelarias extintas e os melhores generais lutavam pela Espanha, e a guerra se limitou a operações fronteiriças de pouca envergadura.

Do lado espanhol, a Guerra dos Trinta Anos (até 1659) e a questão da Catalunha (até 1652) atrasavam ofensivas de vulto. A guerra, que se prolongou por 28 anos, teve altos e baixos até se assinar o Tratado de Lisboa, em 1668, entre Afonso VI de Portugal e Carlos II de Espanha, em que este reconhece a independência do nosso País. Hoje, gente com passaporte português celebra o 1º de dezembro como desastre ou deplorável evento. Esquecem que se tratou da reconquista da liberdade do povo e da nação subjugada pela dinastia dos Filipes de Castela. Mais vale um povo pobre e livre do que rico na gaiola dourada com as cores do reino de Espanha. Assim o dizem os galegos que se aproximam das origens portuguesas preservando a língua e cultura comuns: a memória dos homens é curta.

São interessantes os “pequenos detalhes” que determinam a História e que legalizaram de pleno direito a sucessão de Filipe II ao trono de Portugal em 1580 por morte sem descendência do herdeiro varão cardeal D. Henrique (68 anos) 9º filho do rei D. Manuel I. A candidatura de Filipe era fortíssima e indiscutível pelo casamento da filha terceira de D. Manuel I, com Carlos V, pais de Filipe I (II de Espanha). Paradoxalmente, antes da candidatura de Filipe, a situação poderia ter sido invertida, unificando as coroas ibéricas “para o lado português”. Em 1499, foi proclamado herdeiro das coroas de Portugal e de Espanha, Miguel da Paz, primeiro filho de D. Manuel I com Isabel, filha dos Reis Católicos. Azar dos portugueses ou conspiração castelhana, morreu com 2 anos de idade.

Os portugueses serão sempre saudosistas, dos espanhóis, de Salazar e do sonho chamado 25 de abril.

— Quem diria que Portugal estaria melhor como província espanhola do que independente?

(Os galegos dizem que não).

  • Quem garante que não seria Portugal uma célula independentista, tipo ETA, (aliada ou não à Galiza)?
  • E se fosse ao contrário? Se o Reino de Espanha fosse hoje uma província de Portugal?

Que aconteceria aos Bourbon?

Só tinham utilidade nos EUA. Lá emborcam todos os Bourbon que encontram.

Infelizmente, aqui ao lado, entronizam-nos e chamam-lhes Reis.

 

 

VIOLANTE DE CYSNEIROS LUXEMBURGO

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Ontem, no café Le Bovary, numa organização da Livraria Pessoa, com pessoas cativantes, tive o prazer de apresentar Violante de Cysneiros: o outro lado do espelho de Côrtes-Rodrigues?.
Obrigado a todos pela presença.
+2
Serão literário com o autor e poeta açoriano Pedro Paulo Câmara em torno da obra de Armando Côrtes-Rodrigues (poeta de Orfeu) e do seu pseudónimo Violante de Cysneiros, no Café Le Bovary, em Weimerskirch, numa organização da Livraria Pessoa, com a preciosa colaboração de Alda Batista, Gonçalves São e Luis Galveias.
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timor destruição da arte dos veteranos

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  • Celestino de Freitas

    Ability without opportunity.
    Arte Moris was recently ranked as a top 10 best things in this country.
    For tourism , for the young, for style , the trees and now invaded.
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    • 25 m
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  • Sean Ferguson-Borrell

    Wrong it’s more than that Antonio. That’s recent history of TL since independence. Many of the pieces you see there are from the permanent collection, which are the oldest and therefore most significant pieces. Irreplaceable, unique and part of recent …

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  • Ezme Borges

    So sad🙏
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  • HE Jacky

    Disaster
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  • Jennifer Godfre

    Why would they destroy the art works? This is pathetic
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    • 18 m
  • Tito Veiga Santos

    mas o que raio tem a haver o fecho da escola, seja la por que motivo for, com a destruição das obras que la estavam dentro ??? Parece-me tudo um bocadinho, como direi…com demasiado sangue na guelra …
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