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Escrevi o texto abaixo em 2006 sem imaginar que nos Açores isto se reproduziria anos mais tarde. Com efeito, começaram por fechar escolas primárias para levar a miudagem para outro sítio com mais gente, a seguir encerraram os postos dos CTT, depois tiraram os bancos e as poucas repartições de finanças e tribunais e lentamente as freguesias e vilas que começavam a sofrer os efeitos do decréscimo da natalidade começaram a parecer asilos de velhos. Iletrados sem competências cibernéticas, nem transporte, tinham de se deslocar à cidade mais próxima para tratar de qualquer assunto mundano.
Assisto a isto na vizinha Maia e um pouco por todas as nove ilhas. Uma desertificação forçada e o despovoamento dos Açores (espero comprovar isto com os resultados do Censo) em passo acelerado para as maiores urbes e seus dormitórios arralbadinos. Como não há empregos nas freguesias rurais e as vacas seguem o rumo do ciclo do pastel e da laranja, os jovens emigram para as cidades, para a Ibéria, Canadá e EUA, repetindo tradições ancestrais.
Depois da pandemia, virão os turistas de terceira idade para aproveitar o clima ameno dos Açores, recuperar casas e fixar-se nas freguesias despovoadas injetando na economia as suas reformas estrangeiras como já acontece nalgumas ilhas (estou a lembrar-me das Flores). Trarão consigo hábitos saudáveis de caminhadas, comida biológica em autossustento, reduzindo a poluição e beneficiando a ecologia das ilhas.
Não sei o que irão fazer a tanto hotel de tanta estrela que andam para aí a construir como se isto fosse um destino funchalizado ou algarviado, a menos que pensem em convertê-los em asilos de terceira-idade para lá colocarem os idosos que resistiam e queriam ficar nas freguesias desertas. Ora recordemos o que foi escrito em junho 2006:
O campo, as aldeias e freguesias são bonitos para passear nas férias e levar lá os putos para verem como se vivia antigamente, coisa que eles decerto nem vão acreditar (como quem os levava dantes ao zoológico). A diferença é que este zoo já não teria bípedes em exposição nas jaulas, por detrás das grades, mas reproduções e filmes deles no habitat natural. Sempre se aproveitava para manter a tradição viva e ensinava-se a história dos antepassados.
Este método de ensino é mais económico e proveitoso que ir a um museu, que, como sabem, fecha nas férias, feriados, dias santos e em fim de semana, os turistas só querem ir aos museus cobiçar o que lá existe. Quiçá para tentar roubar umas peças sagradas para contrabandearem para as terras deles, que nada têm de valor, comparado ao que existe em Portugal…
Ainda vão agradecer a visão premonitória do governo que desde há dez anos fecha escolas sem gente que custavam tanto a manter.
Voltando às aldeias, o melhor era encerrá-las, lá só vivem velhos, reformados, desempregados que não contribuem para a economia nacional. Teimam em cultivar a horta de autossustento, fazem a matança do porco uma vez ao ano, costuram os vestidos, vivem à margem dos hipermercados e da sociedade tecnologicamente evoluída das urbes.
No continente ibérico, há muito, o governo, com uma visão notável, cortou as vias-férreas, a principal causa de incêndios no verão (só depois surgiram outras causas) e substituíram-nas por transportes rodoviários, mas como as estradas eram más teve de se fazer um peditório a São Bruxelas para construir novas.
Depois de encerradas as aldeias, criava-se uma zona protegida, parque natural de turismo. O Estado cobraria uma taxa turística. Não era isso que se fazia com os animais no zoológico? Como não havia animais para mostrar (perdão, habitantes) contratavam-se figurantes em trajos típicos, como nas recriações e feiras medievais. Ao despovoar o interior, porque não compensava tê-lo aberto, atraia-se investimento de turistas. Mostravam-se as aldeias abandonadas, recuperavam-se as casas onde os turistas pudessem viver macaqueando os nativos.
Já deu resultado com os lisboetas a comprarem “montes” alentejanos. Atraiam-se citadinos (num programa regional de formação e de criação de emprego) para fazerem o mesmo nas zonas de Trás-os-Montes, Beiras e Alentejo. A economia melhorava, incrementava-se o turismo interno, em vez de deixarem divisas no estrangeiro, só para se dizer que se é muito viajado. Os nativos viveriam tranquilamente nos novos dormitórios de cimento do Porto e de Lisboa, em vez de passarem necessidades nas aldeias. Ficavam perto de centros de saúde, onde poderiam ocupar as noites na infinda espera de marcarem consulta e serem, um dia, atendidos por um médico de família.
Houve até turistas que vieram de férias e compraram habitações desertas, reconvertendo–as com comodidades, casa de banho, cozinha, água corrente, aquecimento e outros luxos típicos do norte da Europa. Eram eles que mudavam a paisagem demográfica e ensinavam aos portugueses a conviver com o passado e lucrarem. Já fora assim com os teares e fiações artesanais recuperados por holandeses, alemães, belgas e franceses.
(Cuada, Flores)
Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713[Australian Journalists’ Association MEEA]Diário dos Açores (desde 2018)Diário de Trás-os-Montes (desde 2005)Tribuna das Ilhas (desde 2019)Jornal LusoPress Québec, Canadá (desde 2020) |
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COMO ESTE ANO NÃO HÁ PASSEIOS CULTURAIS NA PÁGINA DO 34º COLÓQUIO METEMOS AGORA UMA LIGAÇÃO A IMAGENS DOS 34 COLÓQUIOS PARA QUEM QUISER MATAR SAUDADES DOS TEMPOS IDOS
VER EM file:///D:/My%20Docs/My%20Web%20Sites/34%20COLOQUIO%20PDL2021/fotos%20col%C3%B3quios.htm
OU VIAJE CONNOSCO PELAS ILHAS DOS AÇORES EM file:///D:/My%20Docs/My%20Web%20Sites/34%20COLOQUIO%20PDL2021/imagens%20das%20ilhas.htm
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The youngest member of the Azorean Diaspora Council (CDA) wants to be a strong and active voice, representing the Azorean people in Ontario, and to promote the Azores region to the various generations, with a particular focus on the younger generation. “I am ready to listen, act and advocate for Azoreans across Ontario and as
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“para saberes quem te governa descobre quem não podes criticar”
Voltaire
hoje acordei sem voz
sem mãos,
sem pés
sem coração.
habito nove ilhas de mil cores
arquipélago de mil autores
num fiasco de autonomia
pobreza sem alegria
na independência poucos confiam
em busca de subvenções porfiam
melhor é ficar mudo e quedo
viver dos subsídios esmoleres
submissos e acomodados
pobres despreocupados
servos enfeudados
ingénuos explorados
na eterna espera de Godot
de um Mandela que não nasceu
assim se explicam os açores
ilhas de mil e uma dores
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