Bruxelas assume que TAP e SATA vão contar para o défice e dívida – DV

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O Governo reservou 1,2 mil milhões de euros para a transportadora nacional e 132,5 milhões para a companhia açoriana.

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RABO DE PEIXE, POBRES E MAOISTAS

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Para ler e refletir
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Desde que abriu a caça aos beneficiários do RSI, com a mão amiga da Iniciativa Liberal e do Chega no arquipélago dos Açores, que alguma comunicação social começou a fazer o que dela não se espera. Atirar areia para os olhos da maioria e branquear um populismo crescente e insuportável, que empesta diariamente tudo o que se lê e ouve.
José Manuel Fernandes (JMF) fez a sua parte, assinando esta crónica deplorável sobre Rabo de Peixe (https://observador.pt/…/umas-coisas-que-eu-sei…/…).
Há uma semente de antigos maoístas, ex-combatentes do povo, que entretanto se aburguesaram e ficaram com um ligeiro asco a pobres. Sempre com a pose de especialistas do comentário, cujas opiniões supostamente devem ser ouvidas e consideradas mas, por mais que tentem disfarçar, nota-se que ficam irritados com aquele pessoal do ranho no nariz e dos putos descalços na rua. Neste caso nem sequer há um leve esforço para disfarçar. JMF debita asneiras em tom de cerimónia e, claro está, sendo um dos fundadores do Observador, terá palco nem que seja para partilhar uma receita de jaquinzinhos. Que seria bem mais útil, já agora. Alguns ex-maoístas foram parar à Goldman Sachs e outros, mais modestos, ficaram-se pelo Público ou Observador. Mas o incómodo com pobres é mais ou menos comum.
JMF esteve em Rabo de Peixe há quase 40 anos. Passou por lá uns minutos numa caravana partidária que incluía Mota Amaral. O Mota Amaral, senhores. Viu pescadores, mães jovens, toxicodependentes e pobres. Também viu um senhor que lavava a rua e putos, com pele de várias camadas, impávidos e serenos perante a mangueirada. Eu não sei o que vocês pensarão mas, para mim, isto faz de JMF o melhor especialista para, em 2020, dizer o que por ali se passa. E não se pense que quase 4 décadas passadas poderão retirar o brilho da análise. JMF foi ler a reportagem do Público, feita também em Rabo de Peixe no período pós-Chega, para se certificar que tudo está como em 1984 e que as generalidades que debita não ficam muito fora de pé.
Há algo que me supreende nestes fachos encapotados. O facto de acharem que falam para uma plebe que, ao contrário deles, não tem internet ou acesso à informação. Como se estivéssemos no ano em que JMF visitou Rabo de Peixe, ainda dependentes do repórter que envia a notícia, que filma o acontecimento, que escreve o que viu.
JMF fala para pessoas que odeiam a pobreza, que desprezam quem nela vive, que culpam os pobres pela sua própria condição, invariavelmente com a narrativa de estes não quererem trabalhar. É aquela fatia da sociedade que se indigna por um casal toxicodependente de Rabo de Peixe ter 2 filhos e receber 80 euros de RSI mas, encolhe os ombros para os 13 anos que levamos a pagar o BES. TREZE ANOS! Ou treUze como diria o Ventura depois de chamar doutor a ele próprio.
A conversa do pobre que não quer trabalhar, do cigano que tem o Mercedes à porta, do africano que rouba. Há sempre um inimigo externo que nos tira tudo. Nunca quem nos avisa. Migalhas do erário público que nem um mínimo de dignidade permitem mas, que aos poucos, passam para a opinião pública como se de um peso morto na economia nacional se tratassem. Enquanto acumulamos raiva contra esses 20% da população, esquecemo-nos onde desaparece de facto o dinheiro dos impostos: na banca, no sector privado que gravita em torno dos partidos, nas PPPs, na corrupção, nas intermináveis estradas e suas alternativas. Enquanto somos taxados como noruegueses e pagamos por habitação como dinamarqueses, querem convencer-nos que é o RSI que bloqueia uma década de aumentos na função pública. Querem fazer-nos acreditar que estes salários romenos da classe média acontecem porque, enfim, há muita gente que não quer trabalhar e fica pendurada no Estado.
E até pode ser verdade, note-se. Mas não são os pescadores de Rabo de Peixe certamente. São os gestores das construtoras que fazem contratos de leão com o governo, as lusopontes desta vida que obrigam o Estado a compensar pelos carros que não passam na ponte, os Salgados que relaxam na Comporta depois do maior roubo do século, os Rendeiros que escrevem livros de gestão depois de deixarem na ruína centenas de famílias. Os Cavacos de Boliqueime que vendem acções do BPN a 127% para depois serem pagas por nós. As ajudas a fundo perdido ou os ajustes diretos para as empresas dos amigos do PS/PSD/CDS. Não serão certamente os 20% da população que nascendo e morrendo pobres, nos amarram à cauda da Europa.
O que JMF descreveu, em tom ofensivo e discriminatório sobre Rabo de Peixe, já eu vi no interior norte e sul de Portugal continental ou nos subúrbios de Lisboa.
Vivi alguns anos num bairro partilhado pela comunidade africana e cigana, ali no lado sul do Tejo. Em casas que deveriam ser temporárias para receberem quem veio das colónias depois da guerra e, pelo passar das décadas, assumo que tenham passado a definitivas. O que JMF pintou sobre Rabo de Peixe pode ele ver, consoante o caminho que faça para casa quando sai do Observador, em Chelas, na Musgueira, em Arroios. Ou até quando for almoçar à Expo, pode passar debaixo da pala do pavilhão de Portugal e ver as aconchegantes casinhas de cartão que ali emergiram.
Ao contrário de JMF, eu não passei umas horas em Rabo de Peixe. Passei muitos dias. Em anos diferentes. E não vi nada que não tivesse já visto. De onde eu venho contavam-se pacotes de leite. Vi crianças ao meu lado a receberem por almoço um ovo estrelado. Na mão, não era num prato. Habituei-me a ir a casa de pessoas que dependiam de ajuda estatal para comer. Lembro-me de ver pela janela as rusgas da polícia. Era um cenário do quotidiano. Andar descalço na rua era normal. Começar a trabalhar antes de ter corpo para isso, também. Alguns amigos de infância acabaram na prisão. Poucos, pouquíssimos, chegaram ao ensino superior. E isto tudo longíssimo de Rabo de Peixe. É o que qualquer pessoa num subúrbio de Lisboa ou do Porto veria na década de 80, 90 ou…hoje. É por isso que se torna ofensivo fazer daquela vila (não é uma aldeia zeca) uma espécie de exemplo quando, infelizmente, todo o nosso país está carregado de pobreza, de Norte a Sul, de Este aos Arquipélagos.
E achar que irradicar a pobreza passa por cortar as ajudas (miseráveis) para injectar esse dinheiro na economia, não é apenas estúpido. É uma simples conta de matemática que facilmente se prova estar errada.
Ouvindo JMF fiquei com a sensação que as pessoas de Rabo de Peixe eram pobres porque queriam. Porque não faziam nada para melhorar esse estatuto. Como se para além da pesca, agricultura, construção e alguns serviços, aquela vila estivesse carregada de empresas e empregos. E quem diz a vila diz a ilha (São Miguel, a maior dos Açores) ou mesmo todo o arquipélago. E já agora, mesmo que Silicon Valley se mudasse para Rabo de Peixe, que emprego qualificado com acesso a uma vida mais ou menos decente (em Portugal essa barreira é incrivelmente baixa) teriam pessoas com tamanhas lacunas na formação? É que esse é o primeiro combate…garantir que ficam na escola até ao fim. É na educação que está a mola que levanta o país (como já percebeu todo o mundo civilizado). Não é em cortar subsídios de miséria para os distribuir por empresas que, por sua vez, empregarão essas mesmas pessoas com salários ainda mais baixos.
É um ciclo doentio que cria ainda maiores distâncias entre as classes e que garante que quem nasce pobre, dificilmente dali sai (estatisticamente falando). Quebra-se ao fim de algumas gerações se e só se, a educação for a prioridade. Ora é exactamente o contrário do que se preparam para fazer, entre apalusos envergonhados e outros mais entusiastas, como se percebe na crónica do Observador.
Depois de Rabo de Peixe virá o Bairro da Jamaica. Seguir-se-á uma aldeia do Alentejo, o bairro do Cerco e terminaremos algures em Bragança.
O objectivo é que todos acreditemos, piamente, que é quem nada tem que nos impede de atingir a riqueza. E ainda por cima que fazem de propósito, esses maganos, para seguirem cantando e rindo no seu estatuto de pobreza.
Ao contrário de JMF, eu nunca conheci um pobre que gostasse de ser pobre mas lá está, também não falei com um pela última vez em 1984.
Arlindo Mano and 4 others
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contágio de 67% em casa é mentira?

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Foi decretado um confinamento ao fim de semana com base num dado que nunca existiu – os citados “67% de convívio social”.
A semana passada no Último Apaga Luz referi a minha perplexidade com a afirmação cabal, por parte da DGs e do Governo, de que 67% dos contágios se dão “no convívio social e familiar”. Com base neste dado foi decidido, segundo o Primeiro Ministro, o fecho de restaurantes e o recolher obrigatório. Expliquei que este valor, 67%, era inexistente do ponto de vista cientifico. Hoje um bom artigo no Público, da jornalista Maria João Guimarães, faz uma apanhado do que se passa na Europa, países como a Alemanha e a Áustria não conseguem encontrar a origem de contágio de 70 a 80% das infeções. A DGS em Portugal é caso único na Europa, sabe tudo e com exactidão. Referi então, sem conhecer ainda os dados do Público, que é impossível determinar este valor de 67%, e que as medidas de recolher obrigatório eram erradas, e que era uma irresponsabilidade a DGS dar esses dados e o Governo determinar medidas graves com base neles. Não conhecia então os dados da Europa, mas conheço alguma coisa do país: as cadeias estão descontroladas, na sua maioria, como então foi determinado este valor? A maioria dos portugueses vive, sem pandemia, entre o trabalho e a família, sem vida social e pública fora do núcleo familiar, restrito, mais ainda com a pandemia. Há 4 milhões a trabalhar e milhares em transportes colectivos, porque seriam a casa e os restaurantes os locais de 67% de contágios?
Parecia-me evidente que a conclusão da DGS e do PR não era metodologicamente aceitável, uma vez que o facto de as pessoas se contaminarem em casa umas às outras não nos diz onde é que elas se contaminaram antes, apenas diz que, como vivem juntas, contaminam-se. Mas a origem não podia ser esta, já que estamos a falar de núcleos de 3 ou 4 pessoas, e os restaurantes na sua maioria colocaram imenso espaço entre as mesas, onde também em média estão e ou 4 pessoas. É a indústria, que nunca parou, e os transportes, cheios, onde se dão os principais focos, isso é para mim evidente desde Março. Hoje, nesse artigo do Público refere-se que na Alemanha, com um sistema de seguir o rasto muito melhor que o nosso, só se conhecem 25% dos focos. E cito no mesmo artigo Marc Lipsitch, epidemiologista da Universidade de Harvard, “diz que o facto de a própria casa estar no topo da lista de vários países pode dever-se não só às habitações serem um local importante de contágio, mas sobretudo ao facto de ser muito mais difícil encontrar a origem de infecções noutros locais.”. Ou seja, decretámos medidas devastadoras para as pequenas empresas, e as famílias, para os afectos e as relações, que retiram às pessoas a possibilidade de apanhar ar ao Domingo à tarde, e, encontrar um pouco de “descanso da loucura”, como dizia o Guimarães Rosa, com um número que não existe. Nem nunca existiu. Quer elas saiam ou não para ir a um restaurante será um deles, que vai trabalhar, que vai contaminar todos os outros. Aliás, quanto mais fechados estiverem pior será. Foi com base neste número, inexistente, que António Costa discursou ao país. 67%. A realidade é outra porém. O sector dos serviços não produz valor. E passear também não dá lucro. Hoje com o que conheço não sou a favor de parar a produção, como fui em Março, mas é evidente que nunca se quis parar o núcleo de produção de valor, a indústria, e o bode expiatório foi o pouco lazer que sobra às famílias, já desgastadas.
0:13 / 4:52
Pedro Arruda and 114 others
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