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Agora que o natal acabou já podemos voltar a andar à lambada, sem beijos, abraços e prendinhas. Já não preciso fingir ser simpático para a tia Gertrudes que sempre foi uma grande vaca, ou para a vizinha Desidéria que é uma cusca sempre à janela a dizer mal dos outros. Não preciso fingir que somos amigos, nem mesmo daquele grandessíssimo filho da mãe que me tramou e eu, durante anos, a pensar que era o melhor amigo… Não preciso fingir que gosto de toda a gente, pois obviamente não gosto. Não precisam de disfarçar que são amigos de peito quando somos “amigos” no Facebook, e aí a palavra amigo significa no máximo “conhecido de vista (tenho uma vaga e indistinta ideia)”, embora até não conheça grande parte, nem esteja interessado. Isto faz lembrar a história do senhor que era tão popular que nem podia ter mais amigos nas redes sociais, mas no enterro só tinha o coveiro e o da casa funerária. Agora que deitamos fora a máscara da hipocrisia que tal uma promessa de ano novo, das que todos os anos repetimos para nunca serem cumpridas, mais ou menos como “para o ano vou deixar de fumar “…Eu há muito que cumpro a promessa de não fazer fretes a ninguém, nada faço que me incomode ou amofine, mas tento ter a cortesia suficiente para continuar a viver em sociedade, nada mais. Cresci em ambientes de fingimento e de faz-de-conta que, como sabemos, constituem a espinha dorsal da hipocrisia da sociedade contemporânea. Ao abdicar das regras passei a ser “persona non-grata” ou meramente antipática, se bem que bastante mais coerente do que fui em tempos idos. E como disse Antoine de Saint-Exupéry “Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos”. Espero, se a tanto me ajudar o engenho e arte, 2020 assista à produção de mais poesia pois é ela que comanda a minha vida ainda entremeada de utopias.
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Há dores insuportáveis e o único analgésico é o tempo, cura não existe…a sociedade ocidental carece da visão orientalista sobre a inevitabilidade do estado pós-vida e isso causa mais dor ainda…assim descrevo o fim das pessoas que cresceram connosco na música, nas letras, no teatro, na vida, e nos deixam. Há quem diga que morreram. Como escrevia à data Mil Ghent · “A velocidade dos acontecimentos ultrapassa-nos. Caímos no engodo. Distraímo-nos. Envolvemo-nos em assuntos prioritários. Compras e coisas assim. Família para sustentar, prole para educar. Um sem fim de compromissos. Empregos para garantir, imediatismo frenético, alta criatividade para consumo. E o pensamento vai mirrando, estiolando. Ninguém quer saber. Não tilinta no bolso, não tem futuro. Enquanto isso, a realidade acelera. E nós na fartazana, na loucura dos dias. Queremos é que nos não chateiem! Que nos não venham com tretas! O mundo vai estoirar? Depois vemos isso…”
E, assim, impávidos e serenos, quase como no Estado Novo em que íamos “cantando e rindo,” nos deixamos enlevar por este torpor, este amolecimento da capacidade críticas de pensamento e de discernimento…aceitámos que o mundo ande louco com mais xenofobia, racismo, ódio, nazismo, mas nem queremos saber por ser lá longe. É o Trump nos EUA, o Bolsonaro no Brasil, o Orban na Hungria, o Netanyahu em Israel, a loucura de Boris Johnson e do Brexit no Reino desunido, o descarado genocídio e roubo de terras palestinianas, o genocídio Rohingya na Birmânia (Myanmar), a infinda guerra no Iémen e tantos outros de que mal ouvimos falar, a guerra silenciosa no Sudão, os milhares de naufragados no Mediterrâneo pagos a preço de ouro às máfias de traficantes, os mercados de venda de escravos na Líbia e no Google onde os árabes os escolhem a dedo, o trabalho infantil que mata milhares na República Democrática do Congo (onde há genocídio mas ninguém diz), a fome oculta dos sem-abrigo que enchem as ruas das cidades norte-americanas (e quantos deles são dejetos humanos das guerras que os EUA fomentam e alimentam por todo o mundo? Dantes ainda lhes chamavam veteranos de guerra, agora são meramente ”homeless people”). Depois, há as intervenções ocultas, descaradas ou assim-assim dos EUA, nas quatro partidas do mundo, sendo notórias na América do Sul (inúmeros falhanços na Venezuela) mas a mais dolorosa é a do Chile onde as forças assassinas do regime deliberadamente cegaram a tiro centenas de pessoas que se manifestavam… para mim, que sou contra as guerras da humanidade, o Chile representa, de novo, brutais, inexplicadas e incompreensíveis formas de tortura.
Já não há operários nem proletariado mas abundam os vendedores de banha da cobra, e como disse o cineasta finlandês Aki Kaurismäki “Este planeta nunca teve tantos sociopatas e idiotas no poder”. De facto, para qualquer lado que me volte há um. “Já ninguém quer saber da verdade, apenas de que lado estás” e as sociedades dividem-se irracionalmente entre “nós” e “eles,” inimigos a abater sem lógica nem razão, pela cegueira das convicções, matamos consoante a fúria dos que nos rodeiam quando dantes, a amigos e vizinhos se dava um pão e um copo de tinto. Dantes ainda havia a má tradição dos ianques matarem os presidentes bons. Deixou de haver felicidade em dar, todos querem receber sem dar. “In dogs we trust”, parafraseando o lema estadunidense e mudando God por dogs (cito, de novo, Aki Kaurismäki). Continuarei, solitariamente, a buscar a verdade que os meus vizinhos aqui na Terra pretendem ignorar.
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A idosa da Santa Casa da Misericórdia de Bragança dada hoje como desaparecida foi encontrada num quarto do hotel de onde se pensava ter saído, disse à Lusa fonte da instituição.
Source: Idosa desaparecida em Bragança encontrada num quarto do hotel | Diário de Trás-os-Montes