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Se este ano malfadado de 2020 tivesse sido fabricado pela Microsoft ainda o poderíamos devolver dizendo que veio com vírus, e pode ser que nos dessem um reembolso ou nos mandassem um novo em folha, a funcionar bem. Infelizmente não foi fabricado pela Microsoft e desconhecemos o fabricante, pelo que teremos de suportar este assassino invisível que nos tolhe a saúde e a vida e mudou para sempre o quotidiano e a economia global. Para quem trabalha neste ciclo vicioso da escravatura em que a economia se tornou, ter férias representa o ópio das massas que tentam carregar baterias e recuperar forças, mas mesmo isso, este ano, está reduzido a uma ínfima proporção, pois a grande maioria das pessoas, com saúde, não terá fundos para veranear.
E um vírus que não respeita calor, frio, verão ou inverno, seja ou não manufaturado, estará connosco por mais tempo do que queremos admitir, levando milhares de pessoas, deixando sequelas em tantas outras, retirando liberdades fundamentais que os governos aproveitam para implementarem agendas de controlo de massas, como já é visível na maior parte dos países. O mundo nunca mais será o mesmo, e que conhecíamos desde que nascemos, há uma nova realidade, uma nova ordem mundial, cheia de incógnitas e maus augúrios. Aqui nos Açores, onde tudo demora mais tempo a chegar ainda não nos apercebemos do que aí vem, muito menos da enorme fatura a pagar enquanto desviamos recursos para o Covid e sacrificamos doentes de outras patologias, como foi bem visível nestes meses, com clínicas fechadas, médicos a abandonarem os doentes, hospitais sem resposta que não fosse a de controlar a pandemia.
Resta-me esperar ter saúde para não engrossar o número dos danos colaterais do COVID-19 e tentar ajustar-me a uma nova realidade que abomino Não há almoços grátis e os milhões com que hoje nos acenam, terão de ser pagos, à custa de salários, desemprego, cortes e mais cortes num mundo que, carneirentamente, aceitará esta pandemia de medo que se instalou, por entre revoluções de politicamente correto que vão da linguagem ao abate de estátuas, à consternação por animais mortos em incêndios e impassibilidade pelos velhos que morrem em asilos ou deixados a morrer em nome desta e doutras pandemias. Com as vacinas, virão apps para os telemóveis nos controlarem (como acontece na RP da China, entre outros), virá o fim do dinheiro vivo e proliferarão moedas virtuais (bitcoins e outros) e os maiores pesadelos de “O triunfo dos porcos” e de “1984” serão uma brincadeira comparada com o que nos espera.
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Como muitos o citam sem o lerem extraio um resumo adaptado sincreticamente por mim
“…passa-se no “futuro” ano de 1984 na Inglaterra, Pista de Pouso Número 1, megabloco da Oceânia, congregação de países dos oceanos. Disfarçada de democracia, a Oceânia vive um totalitarismo desde que o IngSoc (Partido) chegou ao poder sob o omnipresente Grande Irmão (Big Brother). …é a história de Winston Smith, membro do partido externo, funcionário do Ministério da Verdade, cuja função é reescrever e alterar dados de acordo com o interesse do Partido. “
Nada diferente do que faz um qualquer jornalista ou historiador nos dias de hoje.
“Antes da Terceira Guerra, Winston fruía uma vida normal com os pais, mas tinha dificuldade em lembrar o passado. A propaganda e duplipensamento tornavam a tarefa quase impossível, o futuro, presente e passado eram controlados pelo Partido. Winston questiona a opressão do Partido. Se alguém pensa diferente, comete crimideia, capturado pela Polícia do Pensamento desaparece como se nunca tivesse existido. Winston é o cidadão comum vigiado pelas teletelas e Partido. Uma atitude suspeita pode significar o fim, desaparecer de facto. Os vizinhos e os filhos eram incentivados a denunciar quem cometesse crimideia. Algo estava errado, Winston sentia-o e precisava extravasar. Comprou clandestinamente um bloco e um lápis (venda proibida). Atualizou o diário usando o canto “cego” do apartamento, sem ser focado pela teletela. A primeira frase que escreve é: Abaixo o Big Brother! O seu trabalho era transformar a realidade. No MINIVER (Ministério da Verdade), alterava dados de tudo que contradissesse a verdade do Partido e incinerava os originais (Buraco da Memória). O Partido informa: a ração de chocolate aumenta para 20 g. Winston apagava os dados antigos quando a ração era de 30 g. e a população agradece ao Grande Irmão o aumento. O medo de comentar era a arma do Partido para controlar a população. Havia os “Dois minutos de ódio”, em que os membros do partido viam propaganda do Grande Irmão e, direcionavam o ódio contra os inimigos. A mulher de Winston separa-se por não querer participar em sexo por prazer (era crime), sexo apenas para procriar. Apesar de proibido e muito perigoso Winston anota tudo, revoltado por ver os últimos sobreviventes da Revolução, confessarem assassinatos e sabotagens, perdoados e executados, estavam na Eurásia (na época a inimiga) mas de súbito, a Lestásia passara a ser a inimiga. “
Bastante atual se se comparar o apoio a Saddam Hussein, Kadhafi, bin Laden antes de serem os inimigos eternos.
“Revoltado, escreve “liberdade é escrever 2+2=4”, mas as fábricas têm placas 2+2=5 se o partido quiser. Winston entrevista pessoas sobre a vida antes da guerra, mas os idosos não se lembram. Vê uma mulher e desconfia que seja espia da Polícia do Pensamento. No dia seguinte, encontra-a no Ministério e recebe um bilhete: “Eu te amo”. Os membros do Partido, de sexo oposto, não deviam comunicar. Marcaram encontro num lugar secreto, e após beijá-lo, Júlia confessa-se atraída pelo seu rosto que ia contra o partido e o seu desejo era corromper o estado por dentro. Apaixona-se, recupera peso e saúde. O’Brien, membro do Partido Interno, percebe que Winston é diferente e convida-o a ir ao apartamento ver o dicionário de Novilíngua. O convite era incomum, Winston anima-se e leva Júlia. Para espanto do casal, O’Brien desliga a teletela do luxuoso apartamento. Os membros do Partido Interno tinham permissão para se desconetar. Winston confessa acreditar na Fraternidade. Os planos eram regados a vinho, proibido aos do Partido Externo. Dias depois, Winston recebe a obra e devora-a. Ouve uma mulher cantar música prefabricada em máquinas de fazer versos. “Nós somos os mortos” filosofa Winston. Nada distante da música atual. “Nós somos os mortos” repete a voz metálica da teletela atrás do quadro. Guardas irrompem no quarto, Winston é preso no Ministério do Amor, onde as celas tinham teletelas que vigiavam cada passo. O’Brien torna-se o seu torturador e explica o duplipensar, o funcionamento do Partido e questiona-o acerca das frases sobre liberdade. Winston, torturado e drogado aceita o mundo de O’Brien e passa ao estágio seguinte aprender, entender, aceitar. e confessa que a Eurásia era a inimiga e que nunca vira a foto dos revolucionários. Faltava a reintegração, ritual de passagem a concluir no Quarto 101, um inferno personalizado. Como Winston tem pavor de roedores, os torturadores colocam a máscara no rosto com abertura para uma gaiola de ratos famintos. A única forma de escapar é renegar o perigo maior, o amor a outra pessoa acima do Grande Irmão. Winston, libertado, termina os dias só, e surge na teletela confessa os crimes, é libertado, despromovido num trabalho ordinário num subcomité. Júlia escapa do Quarto 101. O Partido separou-os e encontram-se ocasionalmente. Já não eram os mesmos. Tinham “crescido”. Winston sorri, completamente adaptado. Finalmente ama o Grande Irmão.”
Trajetória de milhares de pessoas de regimes totalitários, como o checo Thomaz de “A Insustentável Leveza do Ser”[1]. Inspirado na opressão dos regimes totalitários das décadas de 1930-40, Orwell critica o estalinismo e o nazismo e a nivelação da sociedade, tal como pretendem em Portugal depois do 25 de abril. Uma redução do indivíduo a peça para servir o Estado através do controlo total, incluindo o pensamento e a redução do idioma. Tudo isto acontece e só vai piorar. O Big Brother está na nossa vida e aceitamo-lo sem pruridos. Sabe o que fazemos pelos cartões de crédito e débito, cartão de cidadão, passagem pelas portagens de autoestrada, pelo Metro e “Cartão Andante”, câmaras nos centros comerciais. Não se admirem se qualquer dia com a nossa inconformidade e individualismo pudermos ser privados da pseudoliberdade por não termos cumprido as normas de higiene e de saúde que determinaram obrigatórias. Já não há espaço para seres pensantes e questionadores. Só espero que isto não acelere demasiado para os anos de vida que tenho. Não se preocupem, sou assim com fobia excessiva contra as bases de dados, sinal evidente da minha hipocondria e da necessidade absoluta de me internarem como um perigo para a sociedade uniforme e cinzenta que me querem impor. Ah! Se eu ao menos tivesse cá a cicuta, repetia-se o destino. Parecia que o mundo real lá fora estava a conspirar, mas a maior parte das pessoas nem se apercebia e vivia tranquila na morrinha da lufa diária pela sobrevivência, que a mais não podiam aspirar. … Também isto constava das previsões de George Orwell[2]. Adquiri pés de galinha, os cabelos eriçaram-se como se visse um fantasma, isto, no caso de existirem. Comecei a olhar sobre o ombro à cata de quem me espiolhe ou esquadrinhe as ideias, diversas do pensamento “aprovado e oficial”. Não me apetecia ser vaporizado pois tinha um legado que queria imune à ação do ministério da verdade. A privacidade de há 20 anos ou mais, é impensável hoje. Tudo em nome da defesa dos valores sagrados da civiliz ação ocidental. Da luta contra o terrorismo, doutra peleja que os líderes hão de inventar. Como as armas químicas que o velhaco do Saddam Hussein não tinha ou o que os EUA forjaram com Bin Laden. Há um século que “inventam” para fazerem o que lhes convém, lembremos o Xá da Pérsia, Panamá, centenas de golpes falhados e os que fizeram ricochete…
[1] o médico que vira pintor de paredes ao renegar as ordens do partido não é diferente dos que não se adaptam nas profissões no mundo livre, de Milan Kundera
[2] (n. Eric Arthur Blair, Bengala, 1903-1950
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Peixe do meu quintal José Soares
Ode à Democracia
De hoje a oito dias, mais um plebiscito levará alguns às urnas para eleger o partido(s) que terá a responsabilidade da governação dos Açores até 2024.
Num sistema condicionado e até controlado pelos partidos políticos, os cidadãos e cidadãs irão votar em minoria. Desiludida, a maioria ficará infelizmente de fora e não participará. Com os números da abstenção a subirem cada vez mais, aumenta exponencialmente a responsabilidade de todos os partidos políticos, pela sua inaptidão ao longo dos anos de ir ao encontro dos desejos populares nas suas mais elementares necessidades estruturais.
Daqui se pode compreender a clássica pergunta do povo: “Ir votar para quê? Se eles controlam o sistema!”.
Esta aberração política terá de conhecer um fim, se não queremos sufocar ainda mais a Democracia.
Todos, mas todos os intervenientes, agentes e líderes das várias forças políticas estão fartos de serem alertados para os problemas que afastam as pessoas das urnas. Não podem alegar desconhecimento de causa.
Vir de quatro em quatro anos pechinchar votos pela simples manutenção do tacho não basta. A Democracia merece mais, muito mais do que isto.
Durante todos os debates que a televisão pública em boa hora trouxe aos domicílios açorianos, ninguém levantou alguns dos verdadeiros descontentamentos do povo. Só se ouviam acusações e pretensões absurdas à mistura com as seculares promessas vãs de cada um.
Governar em democracia é sobretudo ouvir o povo e ir ao encontro das suas reivindicações. Nunca uma atitude de permanente snobismo e arrogância.
O(s) partido(s) que formar(em) governo a partir da segunda-feira 26 de outubro próximo, terá(ão) responsabilidades acrescidas nesta nova era. Tempos difíceis aproximam-se e não podemos confiar apenas nos milhões que Bruxelas vai disponibilizar. Até porque os Açores irão receber aquilo que Lisboa determinar e já sabemos pela História que no que toca a finanças o controlo central é avarento e de propósitos bem suspeitos.
Nesta campanha estéril a que mais uma vez assistimos, ninguém falou na premente necessidade de modernizarmos o pernicioso e abjeto sistema eleitoral.
Pouco ou nada se disse sobre as soluções a dar no transporte entre as Ilhas, tanto marítimo como aéreo. Das enormes dificuldades que as ilhas mais pequenas ainda sentem neste campo.
Nada de concreto se disse sobre soluções a dar às enormes dívidas dos hospitais insulares.
Nem uma sílaba sobre a regionalização constitucionalmente possível, de vários serviços, departamentos, fiscalidades, etc.
Nem uma palavra sobre as condições deploráveis dos detidos e guardas nos escombros da cadeia da Calheta em São Miguel. Mesmo se alguns desses problemas dependem da república, os líderes visitaram os Açores e seria ocasião de lhes indagar sobre várias matérias.
Não se pode alegar diferenças eleitorais, dado que para a Assembleia da república, o número ínfimo de deputados açorianos provoca o esquecimento permanente dos restantes pares sobre os nossos problemas.
Ninguém abordou o sistema educativo nas Ilhas, bem como o ainda elevado número de abandono escolar. Regionalizar ainda mais o sistema de educação de forma a manter o grau cultural e identitário açoriano e identificar as causas que provocam o elevado número de abandono escolar.
Como pode a ignorância servir a Democracia? A quem serve a falta de civismo participativo e cidadania ativa dos açorianos?
Faltou sobretudo a coragem a alguns candidatos de debater as grandes clivagens que persistem na sociedade açoriana.
A ignorância é a mãe de todos os males. Combatê-la é provocar o progresso permanente. Nunca descansar nos resultados perenes.
Os açorianos e açorianas devem ir às urnas e usar com discernimento e crença a sua arma democrática: O voto.
O sistema eleitoral é mau, mas é o que temos.
No próximo domingo, somos obrigados em consciência a votar. Todos e todas.
Que os políticos saibam que estamos acordados. Que sabemos e conhecemos a nossa Terra, as nossas Ilhas, a nossa Mátria – como diria Natália Correia.
Para as urnas, já e em força. Em nome do nosso bem supremo – a Democracia.
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