Estrategizando | Por favor sr. Pré-Candidato MRSousa não use a instituição Presidência em proveito próprio!

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É fatigante ver os fingidos de ingénuos luso medias a alimentarem uma pré-candidatura fazendo de conta que é assunto presidencial quando não o é!

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BELMONTE

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Visite Serra da Estrela

Belmonte é Serra da Estrela.
Belmonte domina, para poente, quase toda a encosta oriental da Serra da Estrela e o vale formado pelo curso médio do Zêzere. Para norte, controla ainda parte da Serra da Estrela e do vale encaixado, onde o referido rio deixa o seu percurso de montanha para entrar na Cova da Beira, onde recebe outros cursos de água, depositando ao longo do seu leito ricos aluviões responsáveis pela acentuada fertilidade do seu solo (enorme aptidão agrícola) e pela riqueza mineira aluvial da região (cassiterite e ouro), que na Antiguidade foi marcante para a economia local. Para nascente avista-se o prolongamento do sistema montanhoso da Cordilheira Central 🥰

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Belmonte is one of the counties of Cova da Beira, being a mountain village, county seat, that currently has a municipal area with about 133,24km2, it has 4 parishes.
From the landscape point of view, Belmonte dominates, to the west, almost the entire eastern slope of Serra da Estrela and the valley formed by the medium route of Zêzere. Up north, it controls even more a part of Serra da Estrela and the embedded valley, where the referred river leaves its mountain route to get into Cova da Beira, where it receives other water courses, depositing along its bed rich alluviums responsible for the acentuated fertility of its soil (enoromous agriculture skill) and for its aluvial mining wealth of the region (cassiterite and gold), that in antiquity it was remarking for the local economy. To the east one can see the extension of the mountainous system of the Cordilheira Central 🥰

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Há gente que não votará hoje. Não será por causa do Epsilon ou do Zeta

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Hoje, dia das eleições para a Assembleia Legislativa Regional dos Açores, todos devemos cumprir com o nosso dever cívico democrático. Quem não acredita na democracia não pode ser considerado democrático. Neste dia temos a Noroeste dos Açores o furacão Epsilon, que neste momento tem ventos sustentados de 120 km/h (furac

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JOÃO DE MELO quando a Ficção fica muito aquém da Realidade

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«LIVRO DE VOZES E SOMBRAS»
*** Ou quando a Ficção fica muito aquém da Realidade ***
(O prometido é devido)
No final do mês de Agosto último concluí a leitura do último romance – Livro de Vozes e Sombras – da autoria de João de Melo, um escritor natural dos Açores (ilha de S. Miguel) de reconhecida notoriedade.
Confesso que há muito tempo não lia este tipo de Literatura (romances).
Todavia, e reafirmando o que escrevi em post anterior, o tema principal desta obra literária – a FLA e o fenómeno independentista açoriano da década de 70′ do século passado – suscitou-me de imediato o meu interesse e curiosidade.
O tema em questão é-me familiar e quis confrontar os factos históricos com aqueles que foram alegadamente ficcionados no referido romance. Digo «alegadamente», pois alguns desses factos e/ou peripécias foram extraídos directamente dalguns acontecimentos verificados à época, alguns bem picarescos.
Não é, nem nunca foi meu propósito analisar o livro sobre o ponto de vista estético e/ou literário. Não tenho competência para tal. Essa análise, ou já foi feita, ou está a ser feita por oficiais do respectivo ofício.
De facto o romance está muito bem escrito e confirma o inegável talento do seu autor. Dividido em seis «sequências» e um «capítulo final», as respectivas narrativas despertam a curiosidade crescente do leitor (em especial daqueles que não estão familiarizados com o tema açoriano…).
Posto isto – e tendo em consideração a advertência do autor quanto ao carácter ficcional deste romance – limitar-me-ei a fazer um juízo crítico sobre o enredo e sobre as respectivas personagens.
Toda a envolvência do romance circunscreve-se a um tempo histórico muito definido e muito especial – o 25 de Abril e o PREC que dele resultou – remetendo-nos para um período de incertezas, enganos, ilusões, desilusões, conflitos colectivos e pessoais.
O fim da guerra colonial, a descolonização «exemplar», a revolução e o poder nas ruas, o processo doloroso da democratização e libertação da sociedade, as reivindicações laborais, as lutas intestinas e paradoxais entre as diversas facções políticas, as constantes contradições do poder político-militar instituído, etc,, tudo isto provocou um autêntico terramoto que abalou todas as estruturas da sociedade portuguesa de então, quer na Metrópole, quer nas então ilhas adjacentes, sem esquecer todos os demais territórios ultramarinos.
O arquipélago dos Açores, apesar do ostensivo isolamento e abandono a que estava sujeito, não ficou à margem deste processo revolucionário e não demorou muito para que as respectivas repercussões políticas, sociais e económicas fizessem sentir-se.
É neste clima efervescente que o autor constrói um novelo de narrativas, as quais, na maioria das ocasiões, são interpretadas na primeira pessoa pelas principais personagens do livro, muitas destas criadas à imagem e semelhança de pessoas bem reais à época.
Ora, uma das consequências directas do golpe militar do 25 de Abril e da revolução popular que lhe seguiu, foi a recuperação da liberdade e a tomada de consciência política sobre o presente o futuro das ilhas açorianas.
Se na Metrópole e nas colónias africanas as mudanças eram efectivas e sucessivas, não havia razão nenhuma para que os Açores e os açorianos ficassem à janela a ver a banda passar….
É neste contexto que os vários sectores da sociedade açoriana se organizam para fazerem face às novas realidades, às novas oportunidades e mesmo às novas ameaças que estavam a desembarcar diariamente nas nossas ilhas.
A forma como estava a ser dirigida a nova situação política – vulgo PREC – encaminhava o país (então pluri-continental) para o caos e para uma temida guerra civil.
Todo este cenário causava os maiores receios junto da maioria da população açoriana. Se em Portugal aka Continente tudo era possível, desde manif’s diárias, reivindicações de todo o tipo, saneamentos selvagens, ocupações de empresas e propriedades, etc, não havia razão nenhuma para que nos Açores ficassem a marcar passo….
Sucede que todas estas ondas de choque revolucionárias chegam aos Açores e apanham uma sociedade secularmente abandonada pelo poder central de Lisboa (Reino, República, Estado Novo) e desconfiada de tudo o que vem de lá, que por norma eram sempre tributos, ordens de mobilização militar e capatazes portugueses para mandar nos ilhéus.
Habituados a lidar com os castiços vendedores de banha-da-cobra que aportavam ( e ainda aportam! 🙂 ) a estas ilhas, muitos açorianos puseram-se em estado de alerta com vista a defenderem a sua terra, a sua família, os seus haveres, os seus valores, a sua identidade cultural e especialmente dar voz à sua ânsia de liberdade e de libertação.
Ora, muitas dessas circunstâncias foram ignoradas ou omitidas no desenrolar das respectivas narrativas «ficcionadas», e, ao invés, surgem como «libertadores» a tropa de Lisboa e os seus sequazes nomeados pelo poder político-militar, sem esquecer a imensa minoria de seus simpatizantes que por cá agitavam as águas.
Embora o autor insista em classificar a sua obra literária de pura ficção, a verdade é que o « Livro de Vozes e Sombras» é um romance manifestamente ideológico e que tenta dar aos mais incautos (desconhecedores dos factos históricos) uma certa «lição moral», ou seja, uma luta entre o bem e o mal, onde os «trabalhadores», os «sindicalistas» e os «revolucionários profissionais» eram os bons e os independentistas (grande parte deles também trabalhadores, pequenos proprietários, comerciantes, estudantes, ex-militares do Ultramar, funcionários públicos, emigrantes, etc.) eram os malvados que queriam implantar aqui um protectorado sob a bandeira dos EUA….
Mas o que mais me chocou foi a obsessão do autor – obviamente escudado no narrador ou nas personagens – de apelidar/estigmatizar a FLA – e os seus membros, por inerência… – de fascistas e terroristas.
Isso, para além de constituir um insulto a todos aqueles que participaram nessa luta (actualmente representados pelos seus filhos e netos), constitui também um erro de histórico de palmatória.
A verdade é que a História veio dar razão àqueles que estiveram no lado da barricada independentista.
A Autonomia – embora em versão minimalista – , a libertação de Portugal duma nova ditadura de sinal contrário e a queda do Muro
de Berlim, revelaram bem onde é que estavam os «bons» e onde estavam os «maus».
Mas para os «maus» daquela época nunca houve o verdadeiro reconhecimento, recompensa ou mesmo um pedido formal de desculpas, quer pelo Estado Português, quer pela própria Região Autónoma dos Açores (não confundir com os Açores…), bem pelo contrário, pois foi esta -a RAA – que condecorou o tal senhor general responsável pelas infames prisões e pela expulsão de muitos cidadãos sem culpa formada.
@ Ryc
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SANTA CATARINA BRASIL ARTE E MUSEUS

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“Coleção MASC – 70 anos”, com proposições de mediação do Núcleo de Ação Educativa do Museu de Arte de Santa Catarina.
Para saber mais sobre os artistas e as obras, acesse os módulos em projeto MASC – Famílias em CasA e MASC + Escolas: Ações Digitais, no site do MASC: bit.ly/MASCFamiliasEmCasa
Observe os detalhes dessas obras do acervo do MASC e tente descobrir – com base nos temas correspondentes apresentados abaixo – de quais artistas do acervo do Museu elas são e em quais dos módulos da exposição
“Coleção MASC – 70 anos”, com proposições de mediação do NAE-MASC, elas se encontram.
-Módulo I – Paisagens – Cidade
-Módulo II – Paisagens – Cidades – “Igrejas”
-Módulo III – Paisagens – Cidades – “Casas”
-Módulo IV – Paisagens – Cidades
-Módulo V – Paisagens – Campo
-Módulo VI – Paisagens – Campo – “Forma e Matéria”
-Módulo VII – Outliers
-Módulo VIII – Retratos – Mulheres
Para saber mais sobre os artistas e as obras, acesse os módulos em projeto MASC – Famílias em CasA e MASC + Escolas: Ações Digitais, no site do MASC: bit.ly/MASCFamiliasEmCasa
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F1 ok, halloween e finados não

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Como seria de esperar os espectadores de um país que apenas reivindica direitos e nunca aceita deveres não cumpriram as regras de distanciamento e, se repararem, alguns nem máscara usaram. Isto num país que de ontem para hoje teve 3696 novos casos de infetados com a covid19.
Porém …a DGS ( provavelmente de Burkina Faso) previa risco “mínimo” em 27 mil espectadores no Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1 se as regras fossem cumpridas.
Portugal no seu esplendor…
F1. Espectadores não cumprem distanciamento
DN.PT | BY DIÁRIO DE NOTÍCIAS
F1. Espectadores não cumprem distanciamento
Bancadas cheias no autódromo de Portimão vão contra as diretivas. Organização diz que vai atuar, se necessário, no domingo.
Rui Rocha and 2 others
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  • Rui, as pessoas nao cumprem as regras so “porque sim” (ou “nao”…). Quando nao ha coerencia e confianca, o resultado e este… Seja no Burkina Faso, em Portugal ou no RQP…
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    • Paula Rute Garcez Correia

      e em regra o mau exemplo vem de cima em cascata…o que leva as pessoas a demitirem-se de qualquer compromisso. Entendo isso em alguns comportamentos ( aceitar serviços sem fatura, atestados médicos quando não estão doentes, …

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Carla Guerreiro

O pior da macacada em que nos tornámos!😣😩🤢 aqui já pode haver ajuntamentos se KOSTAKOVITCH 🤬🤮
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27 000 pessoas saíram do concelho de residência para ir ver a Fórmula 1. Mas não faz mal, são todas da mesma família. E também não faz mal porque é neste fim de semana, se fosse o próximo é que era muito mau. Porque o vírus odeia o Halloween e o Dia de Finados. Mas adora F1.

açores as ilhas inventadas

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Açores. As ilhas inventadas
Há quase cem anos, Nemésio criou a palavra “açorianidade” para denominar a personalidade específica das suas ilhas natais. Mais nenhuma região do país suscitou necessidade semelhante; nenhuma outra é vista tão claramente como um território único. Porquê? E o que há nisso de real e de invenção literária?
“Só isto:
O céu fechado, uma ganhoa
pairando. Mar. E um barco na distância:
olhos de fome a adivinhar-lhe, à proa,
Califórnias perdidas de abundância.”
O poema é do açoriano Pedro Silveira, de 1952. Um quase haiku que outro açoriano (e emigrado nos EUA), Onésimo Teotónio de Almeida, citou na introdução que fez para a edição americana do livro – Gente Feliz com Lágrimas – de outro açoriano ainda, João de Melo. Texto no qual tenta dirigir o leitor daquele país ao lugar Açores e à sua mística. A mística de um lugar misterioso e raro, melancólico, longínquo, escondido – um lugar que de alguma forma vive na e da literatura. “Prefácio, ou uma curta introdução a um mundo desconhecido” começa com a expressão da dificuldade da tarefa, assumindo o olhar do americano que passa de avião e de quem, em metáfora, “as proverbiais nuvens do anticiclone suspenso sobre o arquipélago” escondem a visão das ilhas. O americano que pode ser qualquer alguém, incluindo português, não açoriano.
“No entanto tanto está sob essas nuvens”, garante Onésimo. “Muito disso está por escrito, mas permanece escondido na língua portuguesa que, como escreveu Aquilino Ribeiro, é o mausoléu de uma grande literatura.” E prossegue: “Os açorianos viveram mais de 500 anos de isolamento do resto do mundo, assolados por tempestades, vulcões, terramotos.
Inevitavelmente, tudo isso teria de deixar uma marca nestes ilhéus quase perdidos, ou meio abandonados, no meio do grande e selvagem oceano Atlântico. Alguma da sua história foi representada por ficcionistas e grandes poetas. Pedro Silveira, um desses poetas, e um dos que, como outros, viram a emigração para a América como a única saída possível, capturou a solidão do arquipélago em cinco linhas na tentativa de definir a “ilhanidade”. O poema tem o nome “Ilha”.
Os Açores como um mundo desconhecido, a “ilhanidade”, e a específica açorianidade, termo cunhado por outro açoriano, Vitorino Nemésio, num texto de 1932, como um lugar e um ser de difícil tradução para quem não o habite, sinta ou seja. Mesmo quem como Onésimo desconstrói a ideia em entrevistas, demonstrando que, longe do essencialismo, a identidade é posicionamento, reação e reflexão – “Quando fui para a Terceira percebi que era micaelense. Na Madeira, senti-me açoriano. Em Lisboa, vi que era insular. Em Espanha, reconheci-me português. Em Paris, já era ibérico. Nos EUA, europeu. Na China, achei-me decididamente ocidental. Se um dia for a Marte, hei-de sentir-me terrestre” (Público, 2014) -, não resiste a reificá-la. Porque é bela, porque é literária. E porque quando se quer falar do lugar donde se é, de quem se é, se acaba inevitavelmente por convocar, procurar ou mesmo inventar contrastes, diferenças, peculiaridades – aquilo que permite dizer alguma coisa.
Paula Cabral, micaelense – de São Miguel, a maior das nove ilhas, com cerca de 55 mil habitantes (quase um quarto da população do arquipélago) – autora de Crónicas da Minha Terra (2017), sobre a sua freguesia natal, Pico da Pedra, hesita se lhe pedem esse labor. “É difícil. É uma pergunta difícil. Até porque é um conjunto de ilhas, e há uma diferença muito grande entre elas. Aqui em São Miguel, apesar de ser a ilha maior, somos mais ensimesmados, mais fechados. E estamos mais virados para a terra, enquanto as ilhas do grupo central estão mais viradas para o mar. Mas creio que o isolamento é o que mais nos define.”
“Uma embriaguez do isolamento”
No texto em que cunha, em analogia com a hispanidade de Miguel de Unamuno, o termo “açorianidade”, Vitorino Nemésio falou sobre “uma espécie de embriaguez do isolamento” que “impregna a alma e os actos de todo o ilhéu, estrutura-lhe o espírito (…). A geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar.”
Paula, 53 anos, ensina Português ao terceiro ciclo e já esteve colocada numa escola na outra ponta de São Miguel. “Levava uma hora a atravessar a ilha, e isso dava-me diariamente noção da amplitude. Sentia-me a viver numa jaula.” Um sentimento que contrasta com outros. “Aos 18, 19 anos trabalhei como guia de turismo. Um turista perguntou-me “o que significa o mar para si?” e fiquei sem resposta. Só muito mais tarde percebi o significado, quando na viagem de finalistas fui para Marrocos. Não se via o mar e isso criava-me ansiedade. Mas só percebi que era isso quando cheguei a Casablanca, porque ali havia mar. Entendi a importância de ver o mar na linha do horizonte, que preciso disso.” Outra coisa que lhe causa ansiedade, conta, é ir ao continente e “sentir que passo anónima. Porque aqui estamos sempre a ver pessoas conhecidas.” Conclui: “Prisão, ninho. São sentimentos contraditórios.”
A terceirense Carlota Cunha, 30 anos, estudante de Psicologia e vendedora numa loja, transitoriamente de regresso a casa “para ver se consigo, com isto da pandemia, passar aqui o Natal”, sabe dessa contradição. “Sempre que aterro na Terceira fico com lágrimas nos olhos, e quando oiço uma música dos Açores fico sempre com o coração nas mãos. Mas ter saudades disto começou há pouco tempo. Porque até sair daqui para estudar em Lisboa, isto para mim era prisão – passar a minha adolescência num sítio pequeno e rodeado por mar…” Ir deu-lhe outra doçura ao voltar. “Quando ganhei mundo percebi as coisas boas que isto tem. O tempo aqui não passa, não tens trânsito, as pessoas são simpáticas umas com as outras, toda a gente se conhece.”
Admite que talvez “os açorianos sejam mais calmos”, mas lembra: “Temos também muita violência doméstica, muito alcoolismo. As pessoas gostam de dizer que os açorianos são completamente diferentes dos outros portugueses – não sei a que ponto isso é verdade.” Noutro ponto da conversa, porém, fala da meteorologia – e de como condiciona o temperamento. “Temos as quatro estações num dia, e temos as quatro estações dentro de nós. Se calhar temos mesmo uma personalidade diferente.” A música das ilhas, diz, espelha essa personalidade. “Há uma música, a Chamateia, que fala ‘desta bruma que me quer vencer’.” A voz treme: “Temos uma bruma dentro de nós, muito influenciada pelos tremores de terra, pelos desastres naturais, que faz que sejamos pessimistas, mas também esperançosos, com muita crença no Espírito Santo e no Nosso Senhor.”
A invenção de um pedigree
Em Açorianidade: Literatura, Política, Etnografia, capítulo de Etnografias Portuguesas 1870/1970 (2000), o antropólogo João Leal reconhece num “conjunto significativo de intelectuais açorianos do período que medeia entre 1870 e 1940” o estabelecer de “factos e argumentos susceptíveis de fundar os Açores como um espaço marcado pela peculiaridade e pela diferença”, gradualmente “inventando ou imaginando a identidade dos Açores.”
Leal fala de “mitos” ou “narrativas de identidade provincial”, da tentativa de reconstituição de um “pedigree étnico”. Em certos momentos, escreve, “a região tende a ser vista como uma ‘pequena pátria’ indissociável da ‘grande pátria’ que é a nação e triunfa uma visão dos Açores como ‘quintessência de Portugal’. Noutros momentos, pelo contrário, a região deixa-se ver como um espaço a partir do qual é colocada em causa a adequação das narrativas ‘unificadoras’ da identidade nacional à totalidade do território e os Açores tendem a ser vistos como uma espécie de ‘Portugal diferente'”.
O primeiro exemplo que dá dessas narrativas é o do naturalista Arruda Furtado (1854-1887), que em 1884 publica Materiais para o Estudo Antropológico dos Povos dos Açores. Observações sobre o Povo Micaelense. Debruçando-se exclusivamente sobre os habitantes da ilha de São Miguel, defende que a separação destes do continente “na época gloriosa da história portuguesa”, quando “uma corrente de novas e grandes ideias circulava no país”, teria tido uma influência negativa, resultando “num povo sem instrução”, de “inteligência curta” e “excessivamente manhoso” – “condição que acusam imediatamente no falar ronceiro, mastigado, e respondendo sempre vagamente ao que se lhes pergunta. Sem dúvida, como por toda a parte, encontra-se inteligências notáveis nos nossos cavadores, mas é extremamente raro e o camponês micaelense é essencialmente cabeçudo”.
Naturalmente, a observação tão pouco amável de Arruda Furtado é minoritária entre os intelectuais açorianos seus contemporâneos – sobretudo entre o movimento autonomista do final do século XIX. Aí dá-se por exemplo importância à ideia de que o arquipélago teria sido povoado não só com portugueses mas com flamengos (também há quem fale de bretões, o que parece não ter fundamento) e que haveria a marca do relacionamento com outros povos, especialmente devido à emigração. Mas é sobretudo em Luís Ribeiro, “fundador e primeiro director do Instituto Histórico da Ilha Terceira, e, posteriormente, do Museu de Angra do Heroísmo”, “usualmente considerado como o etnólogo por excelência dos Açores”, que se constrói um discurso sobre o arquipélago e os açorianos que se prolonga em Nemésio e que com este cristalizou a ideia da peculiaridade.
No plano da argumentação etnogenealógica, explica João Leal, a especificidade dos Açores é vista por Luís Ribeiro “não como o resultado da mistura do elemento português com elementos de outras proveniências, mas como o resultado da fixação no solo açoriano de um tipo português específico: o português de Quatrocentos, isto é, o português da grande epopeia dos Descobrimentos, o português no auge das suas faculdades criativas como povo”.
Mais corajosos, mais tristes, mais portugueses
Citando Ribeiro: os açorianos descenderiam “daqueles valorosos soldados que um século antes, cheios de patriotismo, haviam firmado com sangue a nossa independência, cobrindo-se de glória em Aljubarrota; portugueses da época mais notável da nossa vida nacional; portugueses fortes e leais, ainda não depauperados pelas conquistas nem corrompidos pelo oiro do Oriente; portadores de todas as virtudes da nossa raça, de todas as grandes qualidades que tomaram gloriosa a nossa história. Fortes de corpo e alma, leais em extremo, amantes da honra e desprezadores da vida, cheios de fé em Deus, tendo por ideal a constituição de uma pátria maior, enriquecida e gloriosa, tais foram os nosso avós, os primeiros colonos do arquipélago.”
É, como frisa João Leal, um discurso darwinista, no que se encontra com o de Arruda Furtado, mas de sinal contrário: se num o isolamento permitiu conservar as “boas qualidades”, no outro contribuiu para as perder: “vistos primeiro – em Arruda Furtado – como portugueses “atrasados”, e depois – com os ideólogos autonomistas – como “portugueses etnogenealogicamente problemáticos”, os açorianos passam agora a ser vistos como “mais e melhores portugueses”. Para além de conservar em sal os “descobridores”, insularidade operaria também, na visão de Luís Ribeiro, “em razão da proximidade do mar e da suavidade do clima temperado e húmido”, uma alteração psicológica – os açorianos seriam mais brandos e sonhadores, mais marcados pela melancolia e saudade, o que se aferiria nas suas canções tradicionais, marcadas por “um movimento mais lento, com um excessivo predomínio da nota sensível que lhes imprime demasiada sensualidade”.
Nemésio pega nestas ideias num ensaio de 1929, O Açoriano e os Açores – “Os Açores são (…) um Portugal requintado porque receberam dele a forma e o pensamento quando Portugal (…) era uma força em marcha” – para depois, em 1932, no já citado Açorianidade, aliar no desenho da personalidade açoriana a geografia à história. Ideias que Em Subsídios para Um Ensaio sobre a Açorianidade, de 1936, Luís Ribeiro desenvolve, sistematizando, nas palavras de João Leal, “as particularidades da psicologia étnica açoriana”, sobre as quais dá especial ênfase ao “vulcanismo”, o qual, diz, “provoca no homem e até nos animais uma impressão de incerteza e dúvida, um sobressalto constante, que deixa fundos sulcos no seu moral”, e que responsabiliza pela “extrema religiosidade do povo das ilhas”. Outro fator muito valorizado é a humidade, que associada à nebulosidade contribuiria para uma espécie de “torpor”, a “indolência peculiar dos açorianos”, assim como para “um tom sombrio, que é, quanto ao espírito, coisa semelhante à indolência física”. Em suma: “No ambiente morno [dos Açores], todas as energias se quebram.”
Estava criado o molde literário, mítico, do arquipélago, ao qual é muito fácil aderir, até pela espantosa e algo taciturna beleza da paisagem, a convidar a uma introspeção contemplativa que se tem a tentação de colar aos seus habitantes. Os Açores como lugar outro, espécie de paraíso intocado na sua pureza, mais perto da espiritualidade, do céu. A um tempo essência e fronteira, fuga para outro lugar.
De “fronteira de inemigos” a miragem da América
Por algum motivo, nenhuma outra região do país – incluindo as outras ilhas, Madeira e Porto Santo – suscitaram estas reflexões e construções, talvez “puros fantasmas”, numa expressão de Eduardo Lourenço a propósito da “questão entre Portugal e os Açores”.
Certo é que a história das ilhas – cujo nome terá nascido de um equívoco, o de se haver confundido um milhafre com um açor, e que em vários dos primeiros relatos conhecidos são umas vezes nove outras sete, como se a bruma que as caracteriza fizesse delas um território imaginário, ou se expusesse assim simbolicamente a evidência da perspetiva como determinante do real – tem particularidades muito interessantes. Lembrar por exemplo que não só a Terceira foi um centro de resistência ao reinado dos Felipes de Espanha como será no início do século XIX fundamental para a vitória da revolução liberal, palco de uma batalha em que as forças absolutistas foram derrotadas.
O historiador José Damião Rodrigues, que viveu nas ilhas, onde lecionou na universidade (fundada em 1976) uma parte considerável da sua vida, descreve-as como “uma região de fronteira” que durante muito tempo foi uma zona de guerra – “uma fronteira de inemigos”, disse-a Bartolomeu Ferraz ao rei D. João III em 1543 – devido aos ataques muito frequentes dos corsários, os quais por vezes raptavam uma parte muito considerável da população. Também pelo que isso implicava de tenacidade e capacidade de adaptação, aventa Damião Rodrigues, “os ilhéus foram o recurso do poder central para povoar e defender outras periferias do império: no século XVIII, açorianos, mas também madeirenses, foram enviados para o Sul e para o Norte do Brasil; no século XIX, o planalto de Huíla, em Angola, seria ocupado graças também ao contingente madeirense. A mobilidade torna-se, assim, uma característica fundamental deste espaço de fronteira, moldando a demografia das diversas ilhas até à atualidade. (…) Desde cedo, ainda no século XVI, deparamos com indivíduos das ilhas açorianas nas mais variadas partes do império. Ao serviço de Deus ou do rei, encontramos açorianos nas praças africanas e na Índia, nos navios de navegadores e de exploradores, na “missão” de difusão da fé cristã ou, simplesmente, como colonizadores e militares.”
A saída para o império é sucedida, a partir de finais do século XIX, para a demanda das “Califórnias de abundância”. Mas esta característica de peões, de carne para canhão e de emigrantes impulsionados pela pobreza, de uma população em geral iletrada, convive com uma produção intelectual surpreendente, como assinala o historiador: “Os Açores sempre tiveram grandes nomes da cultura, e jornais muito importantes. O jornal mais antigo do país é o Açoriano Oriental [fundado em 1835, está entre os dez mais antigos do mundo]. E é interessante verificar que há ali, apesar da distância, um grande cosmopolitismo. Muitas pessoas das elites açorianas a corresponder-se com intelectuais estrangeiros, a frequentar o estrangeiro.”
A primeira versão integral do manifesto do futurismo foi publicado num jornal de Ponta Delgada, lembra o escritor e poeta Urbano Bettencourt, nascido na ilha do Pico em 1949. “Estamos longe mas não estamos perdidos; as ilhas são plataformas e pontos de passagem de muitas coisas. E a afirmação de uma identidade, ou de marcas identitárias interiores, passa também pela atenção ao exterior. Aquela açorianidade de que falava Nemésio – da embriaguez do isolamento – já não faz sentido.” Alguma vez fez? “O que ele fez foi tentar interpretar uma visão ou um modo de ser. Não se pode definir ou identificar as coisas no sentido circunscrito que ele tentou. A minha açorianidade já não é essa, é outra. Definir hoje um perfil do açoriano? Não sei o que meta lá.” Ri-se. “Também se perdeu em certa medida a miragem da América, que foi desde finais do século XVIII e até muito recentemente a terra prometida, e o lugar de onde vinham os dólares, as roupas, os medicamentos. Hoje é muito mais visível o dinheiro que vem de Bruxelas.”
“Mas a beleza disto paga-se”
Nuno Costa Santos, jornalista, dramaturgo e escritor, recém-regressado aos Açores, onde cresceu e de onde são os pais, trocando a ilha onde viveu até partir para Lisboa, São Miguel, pela Terceira, crê que há “uma base real” naquilo que Nemésio formulou. “Mas ele era um intuitivo, não andou a fazer sondagens – é literatura. O que ele e outros captaram foi uma parte da realidade que existe ainda nas zonas rurais. Só que os Açores não podem ser só vistos como uma realidade neorrealista, a ideia do açoriano contemplativo, poeta.”
A questão da identidade açoriana, confessa este organizador do festival literário Arquipélago de Escritores (que teve em 2019 a segunda edição), é porém algo que “anda a escavar”. “Acho, por exemplo, que existe uma literatura açoriana, com muitos escritores desconhecidos, porque só vingaram os que foram viver para o continente.” De resto, sublinha, a ideia de que os Açores são “um território outro” está longe de ser apenas dos açorianos: “Muita gente do continente quando aqui vem diz “lá em Portugal”.”
Algo que se dirá também na Madeira, e que advém de toda uma estruturação do pensamento que para os mais velhos se fundará por exemplo nos mapas pré-25 de Abril, em que ao Portugal continental se somavam os territórios ultramarinos e “as ilhas adjacentes”. Parte de Portugal, sim, mas “ao lado”, como extensão. Em todo o caso, não se criou para a Madeira uma noção de “madeiridade”; por que será? Nuno reflete: “Há desde logo uma coisa que nos diferencia – o açoriano apresenta-se como açoriano. O Herberto Helder, por exemplo, é madeirense, mas muita gente não sabe.”
Outra característica que marca as suas ilhas é “serem um apeadeiro, um lugar de chegadas e partidas”: “À pessoa que vem cá e é de cá pergunta-se quando chegaste e quando partes.” E depois, prossegue, “há esta paisagem que não tem comparação. Mas a beleza disto paga-se – a lagoa das Sete Cidades foram vulcões. Por exemplo, ainda agora há um ano o furacão Lorenzo destruiu o porto das Flores. Uma amiga que vive lá, a Gabriela Silva, dizia-me há dias “isto da pandemia não tem comparação com o que nós sofremos”.
A ideia de abandono e distância ainda está então presente – até no facto de a região ser aquela onde o risco de pobreza e exclusão social é mais elevado, a percentagem da população a viver do rendimento social de inserção 10,2%, mais de três vezes a do resto do país (3%), a taxa de abandono precoce da educação 27%, quase o triplo da geral (11%). O que contrasta, nomeadamente, com a percentagem de famílias com internet ser 86%, cinco pontos acima da de Portugal – “É giro, e faz sentido”, comenta o escritor. “O isolamento aluga a curiosidade. Eu, por exemplo, cresci em São Miguel a ouvir música pop independente que mandávamos vir da discoteca Contraverso, no Bairro Alto lisboeta. Quando fui para Lisboa percebi que sabia mais de música do que muitos lisboetas.”
É preciso atualizar os termos do Nemésio, conclui. “Criar uma ligação entre as festas do Espírito Santo e o festival Tremor [lançado em 2013, é um festival de música em São Miguel; a edição deste ano foi cancelada devido à pandemia]. Há muitos estrangeiros a viver nos Açores e já fazem parte da identidade das ilhas. É preciso tentar acrescentar novos conceitos. Sinto-me numa linhagem de pessoas que escrevem sobre os Açores numa tentativa de criar uma unidade.” Uma empresa para a qual se sente particularmente vocacionado por “vir com uma espécie de frescura de quem é de cá mas vem de fora, um olhar estrangeiro”. O olhar que alia o delírio da descoberta ao conhecimento íntimo: isso a que se chama paixão.
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se a abstenção resolvesse alguma coisa

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André Silveira and 21 others
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  • A abstenção é um sintoma e não um mal em si. O que é lamentável é alimentar uma política que leva os cidadãos a ficarem indiferentes perante as alternativas que lhes são apresentadas nas eleições. Neste sentido, a abstenção é uma consequência. Ela acontece porque os cidadãos não encontram diferenças significativas nos projetos, ou seja, as propostas apresentadas são, na sua essência, iguais e padecem dos mesmos defeitos, variando, somente, os protagonistas.
    Quando, numa comunidade, se chega a este ponto, é necessário parar para pensar. Não basta querer limpar as feridas é necessário atacar as doenças que as provocam.
    Claro que é mais fácil dizer que a culpa está na falta de cidadania das populações e depois fingir que existem projetos distintos, quando na realidade os resultados das escolhas não podem ser muito diferentes, em virtude das causas de muitos dos nossos insucessos serem sistémicas.
    A autonomia está doente e não consegue dar resposta a problemas elementares. As instituições açorianas têm sido frequentemente humilhadas e não têm conseguido dar-se ao respeito revelando uma total incapacidade em impor a sua vontade.
    Perante este cenário, o povo percebe perfeitamente que o voto é puro folclore que só serve para legitimar a falta de alternativas reais.
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