PESSANHA EM MACAU , CHRYS C IN CHRONICAÇORES

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Camilo Pessanha em “A Pátria” (7 de junho de 1924):

“A vitalidade das tradições lendárias, depende essencialmente de dois requisitos. É necessário que o objeto a que se referem se imponha pela sua grandeza à admiração contemplativa de todos os tempos. É-o igualmente que a própria tradição, nos diversos fatores que a constituem, seja adequada a esse objeto. As tradições pertencem ao folclore, há nelas, preponderante, um elemento estético; e toda a obra de arte precisa, de ser bem equilibrada.

Quanto à grandeza gigantesca de Camões, e à da assombrosa epopeia marítima que culminou na formação do vasto Império português do séc. XVI, estão acima de qualquer discussão. Resta apenas ponderar se Macau, esta exígua península do mar da China ligada ao Distrito chinês de Hèong-Sán, tem qualidades que a recomendem para andar associada à memória da epopeia e à biografia do poeta sublime que a cantou.”

Excessos de regras orientais, tão prazenteiras para um espírito ocidental. Mas que tantos estragos fizeram, em figuras como o escritor Camilo Almeida Pessanha.[1]. A própria organização secular chinesa, aceite pelos locais e tolerada pelos macaenses facilitava o meu paradigma, sabe-se lá se inspirado em Pessanha…

 

«Como as fotografias avivam em mim a esta hora de inverno português, entristecida de lufadas e névoa, a relembrança dos resplandecentes dias abafados de espera de tufão, vividos em companhia de Camilo, em agosto 1911, na linda e melancólica, risonha e estranha terra de Macau, à maravilha católica e China, sobre tudo, já agora, cheia de repiques finos à missa, de discretos biocos de confessadas, de silenciosos deslizes de milhares de Celestes, atravancando as ruas cada dia mais, invadindo as praças e rossios, coalhando as airosas lorchas do porto, gente atarefada e calada, reservada e de nós distante, aparentemente impassível, mas em cuja massa se sente a força profunda da maré que avança, e vai avassalar o velho empório europeu de veniaga nas Costas da China.

Pobre e linda Macau dos séculos XVI e XVII, como és ainda curiosamente portuguesa à moda desses séculos, sob a taciturna invasão China que te envolve e, todavia, te dá ainda um aspeto de vida! E contudo, ó arcaica Macau, desde que Fernão Mendes Pinto andou de aventura no Império do Meio, assistindo aos primeiros avanços da potência tártara, que de memoráveis coisas se não deram nessa China imensa que só na aparência é milenariamente imóvel: abalada para o sul dos exércitos tártaros da Manchúria, queda da dinastia chinesa dos Ming, sangrento, como nenhum outro, triunfo da dinastia Manchu dos Ta-Tsing, dois séculos de terrível agitação das associações secretas chinesas contra o vencedor tártaro, indo, poucos meses após a minha passagem em Macau, até à abdicação do último imperador Ta-Tsing e à proclamação duma república à europeia ou americana, como compasso de espera da passagem da sombra de um novo Dragão imperial…Tanta coisa a dizer sobre a China e a sua arte!»

 

Como é compreensível a busca hedonista deste autor quando comparada com digressões semelhantes. Leia-se o que Silvano Santiago escrevia em 19 fevereiro 2011 sobre Pessanha, em O Estado de S. Paulo:

E se o poeta entender que a viagem à Ásia não tem como interesse maior a exploração geográfica de outro canto do planeta ou o conhecimento dos povos exóticos?

E se se lhe apresentar como estrada real para o exílio na península e condição sine qua non para a exploração sentimental e amorosa do potencial de vida cortado rente à raiz pela foice da Lusitânia natal?

E se a língua chinesa, aprendida pelo poeta e por ele adotada no quotidiano, lhe servir para neutralizar o poder imposto pela dicção poética lusitana, inspirada na tradição greco-latina?

A viagem a Macau será porto de desembarque. No espaço do exílio, o poeta estica o elástico da coerência íntima e secreta, experimenta a liberdade absoluta e inventa a própria e original dicção poética. Longe da pátria, o poeta se vê estimulado a avançar com proveito e prazer a vida sentimental e amorosa que, a latejar no obscuro do desejo, deve ser a sua, legitimamente. Poemas do exílio podem não ser poemas do lá. No país onde o poeta nasce e onde deveria viver até a morte, lá, ele não pode levar a cabo a vida que julga plena para si. Lá, não está sua pátria; lá, sua pátria não é.

 

Já o biógrafo António Dias Miguel observa que

“a vida alucinada de Pessanha no exílio serviu para que aprofundasse, pela repetição em diferença, traços abusivos já existentes no comportamento europeu. Em aguda perceção, esclarece-nos que o uso do ópio “corresponde não a um vício adquirido [em Macau], mas à sublimação, ou melhor, à transparência de outros que já em Portugal o caraterizavam, como o hábito de beber.” Sob a luz do país perdido, a “lânguida e inerme” alma do poeta se recheia e transparece completamente. Ela passa a “deslizar sem ruído” e a “no chão sumir-se, como faz um verme.” O ópio suplementa o álcool, propiciando a plena realização “de uma vida nova toda artificial”. Sobre esse tópico e a contrapartida no quotidiano como “spleen,” há que buscar o seu artífice na poesia, Charles Baudelaire (As Flores do Mal, 1857).

 

É digno de menção, «O rio de Cantão» (1889) de Wenceslau de Morais que começa por uma panorâmica da «varanda deliciosa do Canton Hotel e onde descreve a visita aos barcos-flores ou “tancás-flores”:

“Quando desceu a noite, a população, embalada pela lenta ondulação do Chu-kiang, adormeceu; bruxuleavam os faróis içados nos topos dos mastros das lorchas; defrontando com o hotel, surgiam iluminações festivas, eram os tancás-flores, donde irrompiam os primeiros acordes de uma música estranha. Aluguei uma sampana, e mandei remar para os tancás-flores […] sobre cada barco eleva-se um espaçoso recinto, um salão, que os lumes de dezenas de candelabros iluminam em jorros de luz branca. […]. Elas, envoltas nas longas cabaias de seda, ora branca, ora lilás, ora cor-de-rosa, ora esmeralda, os cabelos entrançados em enfeites de oiro e grinaldas de jasmim, cintilantes de joias como ídolos, têm um encanto de beleza exótica que muito se casa com a estranheza do espetáculo.”

 

Pessanha o exprimia em «Ao longe os barcos de flores». Por todo o poema se encontram disseminados símbolos convencionais verdadeiramente chineses, núcleos de onde irradia uma série de imagens, poeticamente aproveitadas por Pessanha: hu-a (flor) é o termo que designa eufemisticamente a cortesã, a prostituta e também o bordel. Uma virgem pode ser uma “flor amarelahuáng hua, enquanto yan-hua designa «la fille de joie», para além de poder ser a expressão para «animado, animação e fogo-de-artifício». Significativamente, o componente semântico yan pode querer dizer não só «fumo, vapor ou tabaco, mas também ópio». Este poema de Pessanha é um texto dominado sabiamente pela ambiguidade, e o campo semântico do símbolo ou imagem convencional dos ‘barcos de flores’ leva a que no som da flauta se ouça o lamento feminino de uma yan-hua contrastando com a animação orgíaca do fogo-de-artifício.

 

Ao longe os barcos de flores

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,
– Perdida voz que de entre as mais se exila,
Festões de som, dissimulando a hora.

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora…
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flebil…. Quem há de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora…

 

Essa flauta chorou durante anos na alma conturbada deste vosso escriba, que nunca visitou uma tancá-flores, pois já estavam em terra firme naqueles tempos. Mas ainda ouvi a flauta, a orquestra e o som dessas orgias na escuridão entrecortada pelo fogo-de-artifício e pelo estrelejar dos panchões. A errância de um povo e seus poetas, para quem a pátria tinha sido, muitas vezes, «um lugar de exílio». Para quem a viagem e a emigração foram quase sempre, como escreveu o poeta, professor, embaixador e amigo, José Augusto Seabra, a «outra pátria» senão mesmo uma pátria. Eu fora afinal para Macau, não para o exílio nem para a exploração, mas para sobreviver já que o país de origem não dava condições nem emprego. Foi lá que escrevi poesia enquanto experimentava “a mesma liberdade e me via estimulado a avançar com proveito e prazer a vida sentimental e amorosa…”

Macau ficou intimamente ligado a eventos amorosos e outros (menos amorosos) que viriam a condicionar o amadurecimento como pessoa e a alterar, cancelar ou adiar projetos pessoais e sonhos por inventar. Talvez por isso me tivesse quase esquecido – durante décadas – que ali estive seis anos. Aquela terra estava indelevelmente ligada a momentos difíceis da minha vida e se bem que houvesse outros bem mais felizes, o que vinha à memória eram as adversidades pessoais e emocionais que ali passara.

 

 

[1] (Coimbra, 7 set 1867 – Macau, 1 mar 1926). Poeta português, opiómano expoente máximo do Simbolismo. Em 1894, foi para Macau, durante três anos professor de Filosofia Elementar no Liceu, em 1900 nomeado conservador do registo predial e juiz de comarca em 1905 voltou a Portugal, para tratamento, foi apresentado a F. Pessoa que, como Mário de Sá-Carneiro, era apreciador da sua poesia.

[2] a Rubye Senna-Fernandes faleceu em 2019

PESSANHA 1 FAGUNDES DUARTE

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CAMILO PESSANHA (Coimbra, 1867 – Macau, 1926), um dos poetas mais puros da literatura portuguesa, nasceu em Coimbra faz hoje 153 anos. Figura maior do Simbolismo português e precursor e mentor dos Modernistas (Fernando Pessoa em particular), deixou-nos um único livro — e ainda assim publicado por iniciativa de Ana de Castro Osório: «Clepsydra» (1920).

Aqui ficam as imagens dos manuscritos autógrafos de um dos seus poemas que Fernando Pessoa quis publicar no n.º 3 do «Orpheu» (que nunca chegou a sair), e o poema de entrada da «Clepsydra». Para quem tiver mais dificuldade em lhe ler a letra, deixo uma transcrição:

 

Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno: veio o vento desfolhá-las…
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes!…
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos…

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze — quanta flor! —, do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

+ + + + + + + + + + + + + + +

Eu vi a luz em um país perdido.
A minha alma é lânguida e inerme.
Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme…

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nova fábula timorense: “A preocupação do Canguru sobre o futuro do Crocodilo | chrys chrystello and Agedo Bento – Academia.edu

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O Crocodilo, como símbolo nacional de Timor-Leste, representa o país; o Canguru como um dos símbolos nacionais da Austrália, representa-a. Outros animais mencionados nesta história são a Águia o símbolo nacional indonésio, o Faisão Verde símbolo

Source: (3) (PDF) nova fábula timorenses: “A preocupação do Canguru sobre o futuro do Crocodilo | chrys chrystello and Agedo Bento – Academia.edu

julho 10390 mortos, com covid 159

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Helena Canotilho invited you to join this group.

Mais 26% de mortes em Julho (e só 1,5% com Covid-19)

«Morreram 10.390 pessoas em Portugal em Julho, o valor mais alto num mês comparável nos últimos 12 anos e mais 26% do que em Julho de 2019. E só 159 destas mortes, ou seja, 1,5%, se deveu a Covid-19.»

Está mais do que no momento de começarem a despertar todos aqueles que ainda continuam com medo dum vírus pouco perigoso.
Esqueçam a propaganda emitida pela comunicação social, a qual não está a ser sincera, neste momento. Se as pessoas não vissem TV estariam preocupadas com o número de mortes apresentado para este “novo” vírus?

Todas as Mortes Contam. Seria um bom nome para um movimento cívico, pois a TV e os jornais parecem só ver números de covid, ignorando todas as outras doenças e mortes.
Esqueçam o número de contagiados, os quais não são “infectados”, e que correctamente deveriam ser considerados como “casos possivelmente positivos”, e não como “casos de infectados”.

A propaganda do medo, como já não consegue assustar a população menos atenta com um número de óbitos tão baixo, envereda por amedrontar a população com números de novos casos. Novos casos de quê? De pessoas que não têm sintomas, de assintomáticos como gostam de lhes chamar? Isso não existe a nível sanitário. Mas está a ser usado ao nível da propaganda política (melhor dizendo, pulhítica), para controlo psicológico e manipulação das pessoas mais desatentas.

Sinceramente, hoje eu teria vergonha de ser “pulhítico”, de ser “jornalixo”, ou de dizer que era médico, e aceitar enganar as pessoas que ficaram assustadas, e assim continuam a serem mantidas, por causa duma falsa pandemia. Há um plano ardiloso de ilusão das populações, há os mandantes que conceberam tamanha maldade, e há os cúmplices que aceitam difundir a mentira, a fraude. Há um ‘dictado’ que diz: “Tão ladrão é o que rouba a horta, como o que fica à porta”. E todos aqueles que estão a pactuar com a Farsa são criminosos, seja por ignorância, por medo, por interesses pessoais ou de carreira profissional.

Não é admissível subjugar tantos milhões de pessoas, mantê-las oprimidas e com medo, ou em pânico, mesmo, só para manterem o ‘status quo’ de pequenas elites. Que mundo é este!?

Aos mentirosos, peço que assumam a responsabilidade de nos dizerem a verdade, coisa que não têm feito.
A quem esteja com medo (para não dizer: aos medrosos, que rimaria com mentirosos), peço-lhes a coragem de despertar e abrirem os olhos para verem a realidade.

Boa sorte!

JmfG

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João M. Félix Galizes

Mais 26% de mortes em Julho (e só 1,5% com Covid-19)

«Morreram 10.390 pessoas em Portugal em Julho, o valor mais alto num mês comparável nos últimos 12 anos e mais 26% do que em Julho de 2019. E só 159 destas mortes, ou seja, 1,5%, se deveu a Covid-19.»

Está mais do que no momento de começarem a despertar todos aqueles que ainda continuam com medo dum vírus pouco perigoso.
Esqueçam a propaganda emitida pela comunicação social, a qual não está a ser sincera, neste momento. Se as pessoas não vissem TV estariam preocupadas com o número de mortes apresentado para este “novo” vírus?

Todas as Mortes Contam. Seria um bom nome para um movimento cívico, pois a TV e os jornais parecem só ver números de covid, ignorando todas as outras doenças e mortes.
Esqueçam o número de contagiados, os quais não são “infectados”, e que correctamente deveriam ser considerados como “casos possivelmente positivos”, e não como “casos de infectados”.

A propaganda do medo, como já não consegue assustar a população menos atenta com um número de óbitos tão baixo, envereda por amedrontar a população com números de novos casos. Novos casos de quê? De pessoas que não têm sintomas, de assintomáticos como gostam de lhes chamar? Isso não existe a nível sanitário. Mas está a ser usado ao nível da propaganda política (melhor dizendo, pulhítica), para controlo psicológico e manipulação das pessoas mais desatentas.

Sinceramente, hoje eu teria vergonha de ser “pulhítico”, de ser “jornalixo”, ou de dizer que era médico, e aceitar enganar as pessoas que ficaram assustadas, e assim continuam a serem mantidas, por causa duma falsa pandemia. Há um plano ardiloso de ilusão das populações, há os mandantes que conceberam tamanha maldade, e há os cúmplices que aceitam difundir a mentira, a fraude. Há um ‘dictado’ que diz: “Tão ladrão é o que rouba a horta, como o que fica à porta”. E todos aqueles que estão a pactuar com a Farsa são criminosos, seja por ignorância, por medo, por interesses pessoais ou de carreira profissional.

Não é admissível subjugar tantos milhões de pessoas, mantê-las oprimidas e com medo, ou em pânico, mesmo, só para manterem o ‘status quo’ de pequenas elites. Que mundo é este!?

Aos mentirosos, peço que assumam a responsabilidade de nos dizerem a verdade, coisa que não têm feito.
A quem esteja com medo (para não dizer: aos medrosos, que rimaria com mentirosos), peço-lhes a coragem de despertar e abrirem os olhos para verem a realidade.

Aos que estão conscientes da farsa, peço-lhes que tenham a paciência de tentarem explicar a todos os outros que nada disto é aquilo que parece ser…

Boa sorte!

JmfG

as sociedades autoextinguem-se?

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QUESTÕES DE POPULAÇÃO

Entre as muitas experiências já realizadas, em torno deste tema, aqui fica uma que nos deve fazer reflectir:
A experiência “Universo 25”, foi uma das mais aterrorizantes da história da ciência, e procurou, por intermédio do estudo do comportamento de uma colónia de ratos, entender como funcionam as sociedades humanas. A ideia do “Universo 25” surgiu do cientista americano John Calhoun, que criou um “mundo ideal” no qual centenas de ratos viveriam e se reproduziriam. Mais especificamente, Calhoun construiu o chamado “Paraíso dos Ratos”, um espaço especialmente projetado onde os roedores tinham abundância de comida e água, bem como um amplo espaço para viver. No início, ele colocou quatro pares de murganhos que, em pouco tempo, começaram a reproduzir-se, resultando num rápido crescimento populacional. Porém, após 315 dias, a sua reprodução começou a diminuir significativamente. Quando o número de roedores chegou a 600, formou-se uma hierarquia entre eles e surgiram os chamados “miseráveis”. Os roedores maiores começaram a atacar o grupo e, em consequência, muitos machos começaram a “entrar em colapso” psicologicamente. Como resultado, as fêmeas não se protegeram e, por sua vez, tornaram-se agressivas com seus filhotes. Com o passar do tempo, as fêmeas mostraram comportamentos cada vez mais agressivos, elementos de isolamento e falta de vontade para se reproduzirem. Houve uma baixa na taxa de natalidade e, ao mesmo tempo, um aumento da mortalidade entre os roedores mais jovens. Então, apareceu uma nova classe de roedores machos, os chamados “ratos bonitos”. Eles se recusavam a se acasalar com as fêmeas ou a “lutar” por seu espaço. Tudo o que importava era comer e dormir. A certa altura, “belos machos” e “fêmeas isoladas” já constituíam a maioria da população. Com o passar do tempo, a mortalidade juvenil atingiu 100% e a reprodução chegou a zero. Entre os murganhos ameaçados de extinção, observou-se um aumento da homossexualidade e, ao mesmo tempo, o canibalismo aumentou, apesar de haver fartura de comida. Dois anos após o início do experimento, nasceu o último bebé da colónia. Em 1973, ele matou o último rato do Universo 25. John Calhoun repetiu a mesma experiência mais 25 vezes e, de todas as vezes, o resultado foi sempre o mesmo.

O trabalho científico de John B. Calhoun (1917-1995) tem sido usado como um modelo para interpretar o colapso social, e a sua pesquisa serve como um ponto focal para o estudo da sociologia urbana.

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À volta de relheiras, um fenómeno muito extenso

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Relheiras é a designação açoriana para sulcos paralelos encontrados em rocha. No território continental português designam-nas por “Vias fósseis”. Em França designam-nas por orniéres. Em inglês por cart-ruts, e certamente cada país tem um designação diferente. Não há respostas locais que não sejam respostas locais ao m

Source: À volta de relheiras, um fenómeno muito extenso

Pedro da Silveira. Quando ser poeta era outra coisa

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Apagado desde a sua morte, em 2003, o poeta açoriano vê finalmente reunida a sua obra, numa edição que traz à luz um livro inédito e vários dispersos, mas que, antes de tudo, nos obriga a reconhecer a inquieta grandeza da sua voz.  Apagado desde a sua morte, em 2003, o poeta açoriano vê finalmente reunida a sua obra, numa edição que traz à luz um livro inédito e vários dispersos, mas que, antes de tudo, nos obriga a reconhecer a inquieta grandeza da sua voz. &etilde;

Source: Pedro da Silveira. Quando ser poeta era outra coisa