a verdadeira banha da cobra crónica 336

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Crónica 336, a verdadeira banha da cobra

Este retorno a uma normalidade que não volta mais só me fez recordar uma cena de infância, há muito desaparecida do nosso quotidiano.

Quem cresceu no Porto recorda-se dum divertimento gratuito nos anos 50 e 60 do século passado, aos domingos, na Praça do Marquês de Pombal, em frente à Igreja. Por entre os idosos que ali jogavam às cartas (e passavam o vazio dos dias por entre uma “bisca” ou uma “sueca”) surgiam, camionetas vagamente reminiscentes das velhas caravanas do oeste bravio dos EUA. Em vez de colonos temerosos dos índios (nativos americanos, como é politicamente correto chamar-lhes agora) havia uns homenzinhos de aspeto duvidoso, cabelo cheio de brilhantina, com um megafone (ainda não havia microfones sem fios) a falar muito alto e a atraírem os passantes e basbaques com o verdadeiro elixir da longa vida, o elixir contra a calvície, e outras proezas que a medicina tradicional europeia nunca viria a adotar. Juntava-se sempre uma dúzia de pessoas, para ouvir umas piadas e a arenga bem elaborada. Havia, mais cedo ou mais tarde, um comprador talvez coagido, ou um comparsa do vendedor da “verdadeira banha” da cobra, que não é personagem de ficção.

Existe, progrediu e anda, por entre as turbas, dissimulado de pessoa de bem, ou até mesmo de empresário ou político. Sabemos que a banha da cobra[1] não serve para nada, mas a firmeza do homem empoleirado na carripana, com a sua bem estudada eloquência, persuadia muitos sobre as mil e uma aplicações desse remédio miraculoso contra impigens, mau-olhado, torcicolos, urticária, febre dos fenos, dores de dentes, nervos, escleroses, artroses, entorses, diarreias, sarampo, escarlatina, espinhela caída, dores das cruzes, doenças do miolo, treçolho, verrugas, cravos e desmanchos. Todos eles eram curados pelas propriedades da banha desse animal repugnante, a cobra, e tal como ela assim a verborreia oratória do vendedor ia enleando as pessoas que paravam para o ouvirem.

Ainda estão bem vívidos os pregões

“Não custa nem 20, nem 15, nem dez! Custa apenas cinco, e quem levar dois leva um totalmente de graça. Um para aquele senhor, outro para aquela menina…

” Por vezes era em elixir, outras em pomada, outras ainda em forma líquida…o povo comprava os frasquinhos milagreiros e o vendedor da banha da cobra ia-se governando. Apregoava a honestidade afirmando ter licença camarária e não estar ali para enganar ninguém. O vendedor da banha da cobra existe há séculos, a sua origem é chinesa lá onde se vende óleo de cobra de água (Enhydris chinensis), usado para tratar dores nas articulações, embora o seu sentido seja mais associado jocosamente por especialistas em criptografia para designar produtos que dão ao usuário uma falsa sensação de segurança. O óleo de cobra refere-se a falsos remédios vendidos nos EUA no século XIX com a promessa de curar qualquer doença. Em tecnologia, o termo é usado para produtos que oferecem segurança absoluta e criptografia indevassável, mas de qualidade questionável ou inverificável. Se é seguramente certo que a banha da cobra não cura, também não consta que daí tenha saído algum mal para a saúde pública e para o mundo. E não havia mal ou maleita onde o seu resultado não fosse prodigioso!…. Tudo e o seu contrário a famosa pomada resolvia. E para que não houvesse dúvidas os argumentos eram um primor de explicação: “É que bocencia tem uma dor de dentes, mas o dente não dói. O dente é corno, o corno é osso e o osso não dói, o que dói é o nervo”.

Gostava de estar convicto – mas não estou – de que a maioria das pessoas não acreditava minimamente naquilo, mas inexplicavelmente compravam, compravam! E a vida de vendedor de ilusões prosperava! Embora há muitos, muitos anos não ouça o seu pregão genuíno, não tenho dúvidas de que ainda andam por aí. Agora, nesta era de globalização, talvez de colarinho branco e quem sabe de barba bem aparada para aparentar respeitabilidade. Talvez os dos bancos que foram à falência BES, BPN; Banif, etc.…. Pode até ser verdade o que muitos dizem, de que foram tirar cursos à Universidade Independente e entraram todos para o Governo…

Mas do que me lembro mesmo, e que me mesmerizava em tão tenra idade, é de ficar a ouvir os vendedores de banha de cobra antes de ir à missa dominical e depois ir almoçar na cantina da Igreja que ficava do lado esquerdo sob a cripta. Até hoje tenho esta frustração enorme de ainda não me ter aparecido o vendedor de banha da cobra que me convencesse, como devem ser felizes aqueles que acreditam e compram…

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713 [Australian Journalists’ Association] MEEA]

Para o Diário dos Açores (desde 2018) Diário de Trás-os-Montes (desde 2005) e Tribuna das Ilhas (desde 2019)

[1] data do primeiro século a.C. e inspira-se numa receita secreta de teriaga, que, segundo crenças populares antigas, seria um medicamento complexo, com sessenta e quatro componentes. Acreditava-se que era um antídoto para venenos. Na confeção da teriaga, a carne de cobra era fervida muitas horas ou calcinada até ficar em pó, conservado em frascos, depois misturada com gordura, sob a forma de unguento. O nome desta pomada era a banha da cobra. O grande número de componentes, a raridade de alguns, e o elevado preço, tornavam difícil o acesso a este medicamento. Passou a produzir-se outro, com menos componentes: bagas de louro, mirra, genciana, aristolóquia e mel. Era a teriaga dos pobres. Os que viviam em locais mais afastados dos centros urbanos, por falta de um composto, usavam o alho para combater a peste e outras doenças, conhecido como a teriaga dos camponeses.

Crónica 336, a verdadeira banha da cobra

Este retorno a uma normalidade que não volta mais só me fez recordar uma cena de infância, há muito desaparecida do nosso quotidiano.

Quem cresceu no Porto recorda-se dum divertimento gratuito nos anos 50 e 60 do século passado, aos domingos, na Praça do Marquês de Pombal, em frente à Igreja. Por entre os idosos que ali jogavam às cartas (e passavam o vazio dos dias por entre uma “bisca” ou uma “sueca”) surgiam, camionetas vagamente reminiscentes das velhas caravanas do oeste bravio dos EUA. Em vez de colonos temerosos dos índios (nativos americanos, como é politicamente correto chamar-lhes agora) havia uns homenzinhos de aspeto duvidoso, cabelo cheio de brilhantina, com um megafone (ainda não havia microfones sem fios) a falar muito alto e a atraírem os passantes e basbaques com o verdadeiro elixir da longa vida, o elixir contra a calvície, e outras proezas que a medicina tradicional europeia nunca viria a adotar. Juntava-se sempre uma dúzia de pessoas, para ouvir umas piadas e a arenga bem elaborada. Havia, mais cedo ou mais tarde, um comprador talvez coagido, ou um comparsa do vendedor da “verdadeira banha” da cobra, que não é personagem de ficção.

Existe, progrediu e anda, por entre as turbas, dissimulado de pessoa de bem, ou até mesmo de empresário ou político. Sabemos que a banha da cobra[1] não serve para nada, mas a firmeza do homem empoleirado na carripana, com a sua bem estudada eloquência, persuadia muitos sobre as mil e uma aplicações desse remédio miraculoso contra impigens, mau-olhado, torcicolos, urticária, febre dos fenos, dores de dentes, nervos, escleroses, artroses, entorses, diarreias, sarampo, escarlatina, espinhela caída, dores das cruzes, doenças do miolo, treçolho, verrugas, cravos e desmanchos. Todos eles eram curados pelas propriedades da banha desse animal repugnante, a cobra, e tal como ela assim a verborreia oratória do vendedor ia enleando as pessoas que paravam para o ouvirem.

Ainda estão bem vívidos os pregões

“Não custa nem 20, nem 15, nem dez! Custa apenas cinco, e quem levar dois leva um totalmente de graça. Um para aquele senhor, outro para aquela menina…

” Por vezes era em elixir, outras em pomada, outras ainda em forma líquida…o povo comprava os frasquinhos milagreiros e o vendedor da banha da cobra ia-se governando. Apregoava a honestidade afirmando ter licença camarária e não estar ali para enganar ninguém. O vendedor da banha da cobra existe há séculos, a sua origem é chinesa lá onde se vende óleo de cobra de água (Enhydris chinensis), usado para tratar dores nas articulações, embora o seu sentido seja mais associado jocosamente por especialistas em criptografia para designar produtos que dão ao usuário uma falsa sensação de segurança. O óleo de cobra refere-se a falsos remédios vendidos nos EUA no século XIX com a promessa de curar qualquer doença. Em tecnologia, o termo é usado para produtos que oferecem segurança absoluta e criptografia indevassável, mas de qualidade questionável ou inverificável. Se é seguramente certo que a banha da cobra não cura, também não consta que daí tenha saído algum mal para a saúde pública e para o mundo. E não havia mal ou maleita onde o seu resultado não fosse prodigioso!…. Tudo e o seu contrário a famosa pomada resolvia. E para que não houvesse dúvidas os argumentos eram um primor de explicação: “É que bocencia tem uma dor de dentes, mas o dente não dói. O dente é corno, o corno é osso e o osso não dói, o que dói é o nervo”.

Gostava de estar convicto – mas não estou – de que a maioria das pessoas não acreditava minimamente naquilo, mas inexplicavelmente compravam, compravam! E a vida de vendedor de ilusões prosperava! Embora há muitos, muitos anos não ouça o seu pregão genuíno, não tenho dúvidas de que ainda andam por aí. Agora, nesta era de globalização, talvez de colarinho branco e quem sabe de barba bem aparada para aparentar respeitabilidade. Talvez os dos bancos que foram à falência BES, BPN; Banif, etc.…. Pode até ser verdade o que muitos dizem, de que foram tirar cursos à Universidade Independente e entraram todos para o Governo…

Mas do que me lembro mesmo, e que me mesmerizava em tão tenra idade, é de ficar a ouvir os vendedores de banha de cobra antes de ir à missa dominical e depois ir almoçar na cantina da Igreja que ficava do lado esquerdo sob a cripta. Até hoje tenho esta frustração enorme de ainda não me ter aparecido o vendedor de banha da cobra que me convencesse, como devem ser felizes aqueles que acreditam e compram…

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713 [Australian Journalists’ Association] MEEA]

Para o Diário dos Açores (desde 2018) Diário de Trás-os-Montes (desde 2005) e Tribuna das Ilhas (desde 2019)

[1] data do primeiro século a.C. e inspira-se numa receita secreta de teriaga, que, segundo crenças populares antigas, seria um medicamento complexo, com sessenta e quatro componentes. Acreditava-se que era um antídoto para venenos. Na confeção da teriaga, a carne de cobra era fervida muitas horas ou calcinada até ficar em pó, conservado em frascos, depois misturada com gordura, sob a forma de unguento. O nome desta pomada era a banha da cobra. O grande número de componentes, a raridade de alguns, e o elevado preço, tornavam difícil o acesso a este medicamento. Passou a produzir-se outro, com menos componentes: bagas de louro, mirra, genciana, aristolóquia e mel. Era a teriaga dos pobres. Os que viviam em locais mais afastados dos centros urbanos, por falta de um composto, usavam o alho para combater a peste e outras doenças, conhecido como a teriaga dos camponeses.

Crónica 336, a verdadeira banha da cobra

Este retorno a uma normalidade que não volta mais só me fez recordar uma cena de infância, há muito desaparecida do nosso quotidiano.

Quem cresceu no Porto recorda-se dum divertimento gratuito nos anos 50 e 60 do século passado, aos domingos, na Praça do Marquês de Pombal, em frente à Igreja. Por entre os idosos que ali jogavam às cartas (e passavam o vazio dos dias por entre uma “bisca” ou uma “sueca”) surgiam, camionetas vagamente reminiscentes das velhas caravanas do oeste bravio dos EUA. Em vez de colonos temerosos dos índios (nativos americanos, como é politicamente correto chamar-lhes agora) havia uns homenzinhos de aspeto duvidoso, cabelo cheio de brilhantina, com um megafone (ainda não havia microfones sem fios) a falar muito alto e a atraírem os passantes e basbaques com o verdadeiro elixir da longa vida, o elixir contra a calvície, e outras proezas que a medicina tradicional europeia nunca viria a adotar. Juntava-se sempre uma dúzia de pessoas, para ouvir umas piadas e a arenga bem elaborada. Havia, mais cedo ou mais tarde, um comprador talvez coagido, ou um comparsa do vendedor da “verdadeira banha” da cobra, que não é personagem de ficção.

Existe, progrediu e anda, por entre as turbas, dissimulado de pessoa de bem, ou até mesmo de empresário ou político. Sabemos que a banha da cobra[1] não serve para nada, mas a firmeza do homem empoleirado na carripana, com a sua bem estudada eloquência, persuadia muitos sobre as mil e uma aplicações desse remédio miraculoso contra impigens, mau-olhado, torcicolos, urticária, febre dos fenos, dores de dentes, nervos, escleroses, artroses, entorses, diarreias, sarampo, escarlatina, espinhela caída, dores das cruzes, doenças do miolo, treçolho, verrugas, cravos e desmanchos. Todos eles eram curados pelas propriedades da banha desse animal repugnante, a cobra, e tal como ela assim a verborreia oratória do vendedor ia enleando as pessoas que paravam para o ouvirem.

Ainda estão bem vívidos os pregões

“Não custa nem 20, nem 15, nem dez! Custa apenas cinco, e quem levar dois leva um totalmente de graça. Um para aquele senhor, outro para aquela menina…

” Por vezes era em elixir, outras em pomada, outras ainda em forma líquida…o povo comprava os frasquinhos milagreiros e o vendedor da banha da cobra ia-se governando. Apregoava a honestidade afirmando ter licença camarária e não estar ali para enganar ninguém. O vendedor da banha da cobra existe há séculos, a sua origem é chinesa lá onde se vende óleo de cobra de água (Enhydris chinensis), usado para tratar dores nas articulações, embora o seu sentido seja mais associado jocosamente por especialistas em criptografia para designar produtos que dão ao usuário uma falsa sensação de segurança. O óleo de cobra refere-se a falsos remédios vendidos nos EUA no século XIX com a promessa de curar qualquer doença. Em tecnologia, o termo é usado para produtos que oferecem segurança absoluta e criptografia indevassável, mas de qualidade questionável ou inverificável. Se é seguramente certo que a banha da cobra não cura, também não consta que daí tenha saído algum mal para a saúde pública e para o mundo. E não havia mal ou maleita onde o seu resultado não fosse prodigioso!…. Tudo e o seu contrário a famosa pomada resolvia. E para que não houvesse dúvidas os argumentos eram um primor de explicação: “É que bocencia tem uma dor de dentes, mas o dente não dói. O dente é corno, o corno é osso e o osso não dói, o que dói é o nervo”.

Gostava de estar convicto – mas não estou – de que a maioria das pessoas não acreditava minimamente naquilo, mas inexplicavelmente compravam, compravam! E a vida de vendedor de ilusões prosperava! Embora há muitos, muitos anos não ouça o seu pregão genuíno, não tenho dúvidas de que ainda andam por aí. Agora, nesta era de globalização, talvez de colarinho branco e quem sabe de barba bem aparada para aparentar respeitabilidade. Talvez os dos bancos que foram à falência BES, BPN; Banif, etc.…. Pode até ser verdade o que muitos dizem, de que foram tirar cursos à Universidade Independente e entraram todos para o Governo…

Mas do que me lembro mesmo, e que me mesmerizava em tão tenra idade, é de ficar a ouvir os vendedores de banha de cobra antes de ir à missa dominical e depois ir almoçar na cantina da Igreja que ficava do lado esquerdo sob a cripta. Até hoje tenho esta frustração enorme de ainda não me ter aparecido o vendedor de banha da cobra que me convencesse, como devem ser felizes aqueles que acreditam e compram…

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713 [Australian Journalists’ Association] MEEA]

Para o Diário dos Açores (desde 2018) Diário de Trás-os-Montes (desde 2005) e Tribuna das Ilhas (desde 2019)

[1] data do primeiro século a.C. e inspira-se numa receita secreta de teriaga, que, segundo crenças populares antigas, seria um medicamento complexo, com sessenta e quatro componentes. Acreditava-se que era um antídoto para venenos. Na confeção da teriaga, a carne de cobra era fervida muitas horas ou calcinada até ficar em pó, conservado em frascos, depois misturada com gordura, sob a forma de unguento. O nome desta pomada era a banha da cobra. O grande número de componentes, a raridade de alguns, e o elevado preço, tornavam difícil o acesso a este medicamento. Passou a produzir-se outro, com menos componentes: bagas de louro, mirra, genciana, aristolóquia e mel. Era a teriaga dos pobres. Os que viviam em locais mais afastados dos centros urbanos, por falta de um composto, usavam o alho para combater a peste e outras doenças, conhecido como a teriaga dos camponeses.

O especialista Sergio Brusin, do (ECDC), antecipa que o próximo VERÃO NA EUROPA “não será normal”,

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O especialista Sergio Brusin, do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), antecipa que o próximo VERÃO NA EUROPA “não será normal”, devido à covid-19, sublinhando a necessidade de manter distanciamento em praias e em voos.
“Com alguma cautela, é possível recomeçar, mas também é necessário entender que esta não será uma temporada normal de turismo ou de viagens, será uma temporada com uma lenta reabertura da economia, em que será possível fazer um pouco mais do que acontece hoje [dado o confinamento], mas não será um verão normal na Europa”,

“Andar numa rua com muita gente em Lisboa será tão mau como estar numa praia cheia em Marbella”, avisa especialista Sergio Brusin.

 

tribunal indefere pedido de xanana

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Tribunal de Recurso timorense indefere petição de deputados do CNRT de Xanana Gusmão

Díli, 12 mai 2020 (Lusa) – O Tribunal de Recurso timorense indeferiu uma ação apresentada por 19 deputados do CNRT, de Xanana Gusmão, que questionaram a constitucionalidade de várias ações do Presidente nos últimos meses.
“Com os fundamentos expostos, deliberam os juízes deste coletivo do Tribunal de Recurso indeferir liminarmente a petição inicial”, refere-se no acórdão ao qual a Lusa teve acesso.
No acórdão, sobre o qual os deputados foram notificados na segunda-feira, o coletivo de três juízes consideram que a ação apresentada não tem “qualquer apoio no texto e no espírito” da constituição.
“Conclui-se que não se mostram respeitadas as exigências constitucionais. A petição deve ser liminarmente indeferida”, pode ler-se no acórdão.
Em concreto, os juízes Deolindo dos Santos, Maria Natércia Gusmão e Jacinta Correia da Costa, consideram não ter sido cumprida a exigência constitucional para uma ação deste tipo, nomeadamente o artigo 79 da lei base.
Especificamente, no acórdão refere-se que o Presidente da República responde perante o tribunal em caso de violação clara e grave das suas obrigações constitucionais, mas que esse processo exige “uma proposta de um quinto e deliberação aprovada por maioria de dois terços de todos os deputados”.
Ainda que a ação interposta cumpra a primeira parte do previsto nessa alínea, não cumpre os dois terços exigidos.
Na ação apresentada, os deputados do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) pediam ao Tribunal de Recurso a fiscalização abstrata da constitucionalidade de várias ações do Presidente da República nos últimos meses.
“A presente ação tem por objeto a declaração judicial da existência de violação clara e grave das obrigações constitucionais do Presidente da República”, de acordo com o documento.
A “ação declarativa de simples apreciação, com processo comum (…) contra o réu” enumera sete questões em que “por ação ou omissão” o Presidente timorense violou de forma “clara e grave” as obrigações constitucionais.
Sem entrar na matéria dos argumentos levantados pelos deputados, o coletivo de juízes sustentou que é necessário, previamente, “que haja uma deliberação do Parlamento Nacional que impute ao Presidente da República uma conduta concreta que se traduza na ‘violação clara e grave das suas obrigações constitucionais’”.
“Essa deliberação precisa de ser aprovada por uma maioria qualificada de dois terços dos deputados”, escreveram os juízes.
“A questão tem, necessariamente, de ser objeto de discussão no Parlamento Nacional. Não pode ser suscitada à margem deste órgão”, sublinharam.
Assim, consideraram os juízes, “os deputados requerentes não têm legitimidade para o pedido que formularam” e “são parte ilegítima”, sendo que o tribunal não se pode pronunciar “previa e externamente” ao processo definido constitucionalmente.

ASP // JMC
Lusa/Fim

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FRANÇA DESCONFINAR OBRIGA A INTERVENÇÃO DA GENDARMERIE

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Some places were particularly busy

Visão | Os homens não se medem aos palmos

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O GIGANTE DOS AÇORES, HOJE NA VISÃO

Um tributo necessário. A memória de quem parte. A emigração, a viagem e o luto. Outro embalo no berço da açorianidade.

Fica o tributo necessário e a memória de quem parte. Fica a emigração, a viagem e o luto. Fica mais um embalo no berço da açorianidade

MONTES HERMÍNIOS GEOPARQUE UNESCO

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MONTES HERMÍNIOS JÁ SÃO GEOPARQUE!

A Serra da Estrela povoou o imaginário de gerações de portugueses e conquistou agora o reconhecimento internacional, com o estatuto de geoparque atribuído pela UNESCO.

NATIONALGEOGRAPHIC.SAPO.PT
A Serra da Estrela povoou o imaginário de gerações de portugueses e conquistou agora o reconhecimento internacional, com o estatuto de geoparque atribuído pela UNESCO.

https://nationalgeographic.sapo.pt/natureza/grandes-reportagens/1844-a-nova-estrela-da-serra?fbclid=IwAR0YcF-QNIInjjLcXzeelevXtYbv8SS1xQxcIj_OWh7xMT_SfJt3DDCEuAA

(Via Francisco Lopes da Fonseca)
A Serra da Estrela, que povoou o imaginário de gerações de portugueses, conquistou agora o reconhecimento internacional, com o Estatuto de Geoparque atribuído pela UNESCO.

A Serra da Estrela povoou o imaginário de gerações de portugueses e conquistou agora o reconhecimento internacional, com o estatuto de geoparque atribuído pela UNESCO.

MALÁRIA 400 MIL MORTOS AO ANO, 1 MORTO A CADA 2 MINUTOS

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A cada dois minutos, uma criança morre de malária algures no planeta.
Há 400 mil mortes anuais provocadas pela doença.
Olhar o mundo é sempre melhor solução do que ficar escondido num beco.

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  • Carlos Padrão Malária é coisa dos “pretos” não interessa nada Rui…o covid 19 é que foi um punhal direito ao coraçãozinho da Europa🤔
    • Rui Almeida Aí é que está, Carlos. Do assobio para o lado à hipocrisia é um pequeno passo… Abraço!
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  • José Araújo Pois… E se fosse só esses números da malária… E os que morrem do Dengue e por falta de comida,quantos morrem? Por violência? Em guerras e guerrilhas?
    Se so virmos os jornais e as televisões até parece que no mundo a única doença mortífera é a do covid19 tudo o resto está curado…
  • Paulo Castanheira Rui e se à Malária juntarmos a Fome então temos números deveras arrepiantes. Abraço.

noruega reabre escolas

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Mais uma achega para a irracionalidade do que se decidiu em relação às escolas.

A Noruega foi um dos primeiros países da Europa a abrir creches, a 20 de abril. Na semana seguinte, reabriu as escolas primárias para os alunos entre …

A Noruega foi um dos primeiros países da Europa a abrir creches, a 20 de abril. Na semana seguinte, reabriu as escolas primárias para os alunos entre …
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  • Francisco Lima Além do baixo risco para os próprios, afinal parece que nem são grandes transmissores. Ainda acredito que a ciência venha a sustentar a abertura a 15 de Junho. (Além dos exemplo que possa vir do resto da Europa).
  • Tiago Mendes A questão que ainda se vê pouco: com toda a informação que tem vindo a público, quem é que se responsabiliza pelo impacto das decisões tomadas em Abril/Maio? É o Baltazar Nunes que decide tudo? A culpa será dele?
  • Ana Antonio Partilhei há dias um artigo que mencionava um dos primeiros reviews de vários estudos sobre a Covid nas crianças que apontava para que, em princípio, elas não sejam muito eficazes a transmitir o vírus. Em relação à Noruega, gostava de saber mais sobre See more
    • Luís Aguiar-Conraria Não vale a pena estar com grandes teorias, Ana. Classe docente envelhecida (e, portanto, com medo); ministro da pasta que é um nabo sem capacidade de levar a cabo políticas com princípio meio e fim a que se conjuga falta de peso político; medo irracional; e, este ponto é essencial, quem vai ficar mesmo prejudicado são as crianças de famílias de classes que não têm voz na opinião pública.
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RAMOS HORTA OS NAVIOS DE CRUZEIRO DEVIAM SER TODOS ENTERRADOS NOMAR

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Well well…i like this article. Generally I’m very skeptical of Cruise Ships tourism, about how much the passengers bring into the local economy and balanced against the negatives. Food for thought for TL.

Here’s an inconvenient truth: Cruise tourism is the most selfish and unsustainable way to travel.

10DAILY.COM.AU
Here’s an inconvenient truth: Cruise tourism is the most selfish and unsustainable way to travel.
Here’s an inconvenient truth: Cruise tourism is the most selfish and unsustainable way to travel.

o vírus e a outra leitura

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Pedro Simas, conceituado virologista e investigador do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina de Lisboa.
Expresso da Meia-Noite, hoje

Taxa de mortalidade inferior a 0,1%!!!
Trancámo-nos em casa, arruinámos a nossa economia, destruimos tantas vidas e o futuro de tantos de nós por causa de uma porcaria de um vírus que tem uma taxa de mortalidade de 0,1%!!! Tal como sempre disse o Andre Dias!!!

Será que agora, saído da boca do Pedro Simas, que defende que o próprio vírus é a solução e que o único caminho é a imunidade de grupo, será que agora, finalmente, os aterrorizados que vêem demasiados filmes sobre horrendas viroses no Sci-fi, vão acalmar? Ou nem assim?

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  • Samuel De Resendes Resumindo, é para continuar a morrer e temos é de nos adaptar ao Vírus e será o nosso organismo a criar defesas contra ele, se ficar tudo fechado em casa vão morrer na mesma mas com problemas de outra ordem, apenas vão adiar a coisa, em poucos messes a coisa vai voltar e se calhar com mais força…
  • Ana Rute Cordeiro Não me convenceu. Sim, é preciso criar imunidade. Que não seja às custas da minha morte. Há que deixar o vírus “entrar” mas, com muita cautela.
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Os primeiros “Homo sapiens” na Europa chegaram há mais de 45 mil anos | Evolução humana | PÚBLICO

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Achados na gruta de Bacho Kiro (na Bulgária) sugerem que a interacção entre Homo sapiens e neandertais na Europa durante o Paleolítico Superior aconteceu mais cedo do que se pensava.

Source: Os primeiros “Homo sapiens” na Europa chegaram há mais de 45 mil anos | Evolução humana | PÚBLICO