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Não estamos todos no mesmo barco, nunca estivemos – Comunidade Cultura e Arte

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Neste momento, artistas e agentes culturais competem por dinheiro para aceder ao direito a necessidades básicas universais: comer, pagar as contas, manter-se debaixo de um tecto e poder imaginar um possível recomeço depois da pandemia. Entramos todos no piloto automático da resposta, porque se a qua

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REABRAM AS ESCOLAS ANTES QUE os alunos comecem a pensar por si mesmos

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Professores pedem ao governo que reabra escolas antes que os alunos aprendam a pensar por si mesmos

Professores de escolas públicas nos Estados Unidos expressaram as suas preocupações de que o recente encerramento de suas instituições terá um efeito prejudicial sobre os alunos. Em particular, os educadores do país estão preocupados que quanto mais tempo as escolas estiverem fechadas, mais provável é que os alunos comecem a pensar por si mesmos, aprendam habilidades de vida longe do sistema escolar do governo e percebam o quanto podem aprendem em casa.

“Devemos reabrir as escolas o mais rápido possível – antes que eles recuperem sua capacidade de ter pensamento independente”, disse a professora do secundário de Nova York, Jenny Mudd. “Esta é uma crise urgente. Sabemos que temos que fazer nossa parte para evitar a propagação do vírus, mas também devemos evitar a disseminação de ideias não aprovadas. Há um equilíbrio lá.

“Reabra as escolas antes que seja tarde demais.”

Com certeza, estudos já mostraram uma forte correlação entre todos os que estão em casa e um aumento preocupante no pensamento independente. Os estudantes que estiveram afastados do sistema escolar do governo durante uma semana param de se sentir deprimidos e ansiosos e até mostram um aumento chocante na capacidade de formar pensamentos e ideias não aprovadas pelo governo.
Os professores ainda apontaram que os pais não estão devidamente equipados para doutrinar os seus filhos com propaganda governamental. “Eu estudei durante oito anos para poder fazer isso”, disse a professora do jardim de infância de Portland, Ms. Pinkerton. “Os pais não têm a experiência de encher a cabeça das crianças cheias de uma visão de mundo estatista sete horas por dia como eu.”

U.S.—Teachers at government schools have raised their concerns that the recent closure of their institutions will have a damaging effect on students. In particular, the nation’s educators are worried that the longer the schools are closed, the more likely it is that students will begin thi…

U.S.—Teachers at government schools have raised their concerns that the recent closure of their institutions will have a damaging effect on students. In particular, the nation’s educators are worried that the longer the schools are closed, the more likely it is that students will begin thi…

SATA EMITE VOUCHERS

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Os bilhetes da transportadora aérea açoriana SATA adquiridos em agências de viagens vão passar a ser reembolsados por ‘vouchers’ emitidos por aquelas empresas, de modo a conter o impacto económico da pandemia de covid-19.://www.acorianooriental.pt/noticia/agencias-vao-emitir-vouchers-para-reembolso-dos-voos-da-sata-309324

Os bilhetes da transportadora aérea açoriana SATA adquiridos em agências de viagens vão passar a ser reembolsados por ‘vouchers’ emitidos por aquelas empresas, de modo a conter o impacto económico da pandemia de covid-19.

ACORIANOORIENTAL.PT
Os bilhetes da transportadora aérea açoriana SATA adquiridos em agências de viagens vão passar a ser reembolsados por ‘vouchers’ emitidos por aquelas empresas, de modo a conter o impacto económico da pandemia de covid-19.

virão os motins da fome?

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Europa e EUA estão se preparando para motins de fome
08:00 06.04.2020

Moscou, 6 de abril – RIA Novosti, Maxim Rubchenko.

Milhões de pessoas forçadas a ficar em casa devido à quarentena em todo o mundo ficam sem dinheiro e paciência.
A escassez de alimentos causada pela quebra das cadeias de suprimentos pode causar tumultos, mesmo nos países ricos.
Os conflitos sociais já estão se formando na Europa e nos Estados Unidos. Sobre o que esperar em seguida, no material da RIA Novosti.

“A pandemia do COVID-19 teve um enorme impacto na vida de milhões de pessoas. Decisões políticas ineficazes desencadearão uma crise alimentar, e isso levará a um desastre humanitário generalizado”, disse Qu Dongyu, director geral da Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas, na semana passada.
Ele observou que o surto de coronavírus com todas as medidas de quarentena relacionadas criou grandes problemas logísticos.

“Existe comida suficiente no mundo para alimentar todos”, disse o chefe da FAO. “Mas há um grande risco de que não haja comida em um lugar ou outro.”

A FAO pede ações “globais, coordenadas e consistentes” para minimizar as interrupções no fornecimento.
E o mais importante: Qu Tsongyu considera inaceitável restringir as exportações de alimentos.

“Tais restrições resultarão em sérias perturbações no mercado mundial, os preços subirão rapidamente e os alimentos ficarão inacessíveis para muitos”, concluiu.
Em tal situação, conflitos sociais em larga escala são possíveis mesmo em países ricos.
A preocupação da FAO é justificável.

O Vietname, um dos três principais exportadores de arroz do mundo, suspendeu a exportação desse cereal.
O Cazaquistão proibiu a exportação de farinha de trigo, trigo sarraceno e legumes, incluindo cebola, cenoura e batata.
A Rússia não vende trigo sarraceno e arroz no exterior; a Bielorrússia não vende trigo sarraceno, cebola e alho.

Especialistas ocidentais ficam horrorizados ao discutir o que acontecerá se a Rússia, o maior exportador de trigo, parar de fornecer grãos.
Não surpreende que o trigo na Bolsa Mercantil de Chicago tenha aumentado 11% em duas semanas.

Devido ao fechamento das fronteiras das mãos que trabalham nas posições mais baixas no complexo agroindustrial, tradicionalmente de propriedade de migrantes trabalhistas, há uma escassez catastrófica.

Não há ninguém para colher colheitas nas fazendas, quase ninguém foi deixado em matadouros e fábricas de processamento de carne e até o transporte de alimentos é um grande problema.

Para evitar um colapso na agricultura, a UE, apesar do risco de uma epidemia, permitiu a entrada de “trabalhadores críticos”, incluindo colheitadeiras sazonais e motoristas de caminhão.
No entanto, isso não ajudará a população com dinheiro.

Outro dia, os principais meios de comunicação ocidentais divulgaram um vídeo das redes sociais em que um morador da cidade italiana de Palermo diz que depois que sua família passou três semanas em quarentena, ele não teve um centavo para poder alimentar a família.

“As pessoas estão trancadas por 15 a 20 dias e estão no limite”, alertou.
“Você vai se arrepender, teremos uma revolução”.

O prefeito de Palermo, Leoluca Orlando, disse a repórteres que o risco de tumultos no sul da Itália é muito alto porque as queixas dos cidadãos serão usadas por estruturas criminosas que procuram “desestabilizar o sistema”.

“Quanto mais o tempo passa, menos recursos restam. Poupança de algumas pessoas termina. Dificuldades socioeconômicas logo surgirão”, disse Orlando.

O ministro italiano das Regiões do Sul, Giuseppe Provenzano, também observou o aumento das tensões sociais e a possibilidade de distúrbios civis nas regiões pobres do país.
“Receio que a preocupação de grande parte da população com saúde, renda e futuro se transforme em raiva e ódio”, disse ele em entrevista ao La Repubblica.

Segundo a publicação, em Palermo e Nápoles, a polícia teve que garantir supermercados após vários incidentes de pilhagem.
Nas redes sociais, existem até ofertas para participar de uma invasão em uma loja específica.

Os especialistas americanos não têm dúvida de que, nos EUA, a situação seguirá em breve o “cenário italiano”.
Pelo menos três factores contribuem para isso.

O primeiro é financeiro.
Em duas semanas, o número de novos pedidos de subsídio de desemprego chegou a dez milhões.
Em abril, esse número, segundo todas as contas, crescerá mais três a quatro vezes.
Enquanto isso, de acordo com uma pesquisa da empresa analítica GOBankingRates, em dezembro, 69% dos americanos tinham menos de mil dólares em suas contas de poupança, incluindo 45% dos entrevistados que admitiram que não tinham economias e viviam de salário em salário.

É claro que eles não podiam estocar alimentos e bens essenciais quando a epidemia começou, e agora muitos perderam seus ganhos e ficaram sem nada.
Segundo o jornal DailyMail, apenas em Los Angeles, o número de visitantes da sala de jantar gratuita dos sem-teto Skid Row triplicou.

“As organizações de caridade estão sobrecarregadas com pedidos de ajuda e seus recursos financeiros estão esgotados”, observa a publicação.
Logo, milhões de americanos terão que procurar novas maneiras de se alimentar e a suas famílias.
E nem sempre esses métodos serão legais.

O segundo factor é a falta de produtos.
Os supermercados americanos não se recuperaram após a demanda do boom de março.
E não são apenas os loucos que compram papel higiénico em centenas de rolos.
Normalmente, 36% dos americanos comem fora de casa – em cafés, lanchonetes, restaurantes.
No entanto, devido à quarentena, o serviço de alimentação foi fechado, agora todos cozinham em casa e, consequentemente, compram alimentos nos supermercados.
O sistema comercial americano simplesmente não foi projectado para isso.

Finalmente, a epidemia interrompeu o trabalho de muitos serviços públicos, incluindo a aplicação da lei.
Centenas de policiais em Nova York, Detroit, Los Angeles e outras cidades adoeceram com o COVID-19.
Para evitar novas infecções, as autoridades locais limitam a lista de razões para deixar o esquadrão policial.

Em particular, a polícia não irá a Cincinnati em caso de mordida de cachorro, roubo de placas, assédio telefónico ou danos à propriedade.
Relatos de violência doméstica ou roubo “se não houver possibilidade de detenção imediata do agressor” também serão ignorados.

Não é de surpreender que lojas e restaurantes em todo o país entupam as janelas com tábuas, temendo convidados indesejados.
Quanto aos americanos comuns, eles estão se preparando para se defender. As pesquisas mais populares no Google no mês passado foram “onde comprar cartuchos” e “como comprar cartuchos online”.

Segundo o FBI, as vendas de armas nos Estados Unidos em março cresceram 33%.
Os americanos compraram 91,1% mais pistolas do que no ano anterior, espingardas e espingardas – 73,6%.
E o principal best-seller é o livro de Kat Ellis, o COVID-19 Pandemic Survival Guide, em grande parte sobre como se preparar para possíveis ataques em sua casa e proteger sua propriedade.
“É apenas uma questão de tempo até que a quarentena em massa leve a distúrbios civis e crimes violentos”, disse a jornalista e escritora americana Daisy Luther.
“Pessoas que suspeitam que você possa ter comida aparecerão à sua porta. eles pedirão, depois exigirão, e não apenas de você, mas também das empresas locais, então o roubo e a violência começarão, e as pessoas criarão armas para proteger suas casas e empresas. E no final – guerra civil, lei marcial e totalitarismo – algo que nunca vimos em nosso país”.

У миллионов людей, вынужденных сидеть дома из-за карантина по всему миру, заканчиваются деньги и терпение. Нехватка продовольствия, вызванная разрушением… РИА Нов…

Espanha vai avançar com rendimento básico incondicional – coronavirus – Jornal de Negócios

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O Governo espanhol que colocar o RBI no terreno o mais rapidamente possível para ajudar as famílias, disse Nadia Calviño. – Economia , Jornal de Negócios.

Source: Espanha vai avançar com rendimento básico incondicional – coronavirus – Jornal de Negócios

LEONEL MORGADO ANALISA AS CURVAS COVID 6ABR

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No rumo certo.
Hoje tivemos muito mais resultados de testes do que ontem. Mas o aumento… voltou a abrandar. Retomámos o ritmo de sigmóide, pelo que ontem – à partida – o ligeiro desvio terá sido um habitual ruído nos dados.
A curva de casos totais continua a aplanar. E se olharmos para as datas de início de sintomas nos relatórios da DGS, vemos que estão a cair a pique há uma semana, pelo que neste momento vou arriscar afirmar: mantendo a contenção de idas à rua, não vamos chegar à situação de falta de ventiladores e explosão de mortes. Os casos vão estabilizar entre os 14000 e 15000. Em breve valerá a pena juntar ao gráfico a distinção entre esses e os casos ativos (os que afetam os serviços de saúde, ou seja, sem óbitos e sem os recuperados).
Uma última nota para dizer que se torna cada vez mais óbvio que olhando para a nossa população estamos a crescer mais devagar que Itália desde há 4 dias. Isto é, recordemos, o resultado do nosso comportamento coletivo face ao comportamento coletivo de Itália. Recorda-me as imagens de ontem dos mercados napolitanos, ativos, enquanto os nossos estão encerrados. Recorda-me as imagens de Londres, com a polícia a tentar explicar ao súbditos de sua majestade para saírem dos parques e ruas, das imagens da Suécia, com lojas abertas e pessoas nas esplanadas, enquanto a contagem de mortos aumenta. De facto, os portugueses têm demonstrado ter uma responsabilidade coletiva social fantástica. Seremos os “asiáticos da Europa”, além dos africanos da Europa? Pelo menos dizemos chá em vez de té, o que nos recorda que a ligação não é de hoje…

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  • Maribel Santos Miranda Pinto 👏Hoje sorri ao ver os números e pensei que podemos ter uma luz ao fim do túnel… Estava a perder a esperança. Estou há 30 dias em casa e só sai 2 vezes para compras. Penso que se todos fizermos isto ajudamos a abrandar e até a desaparecer em breve os contágios. Sonho com isto. Mais uma vez, obrigada!

BUESCU, AS CURVAS E AS INTERPRETAÇÕES DO COVID19

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Estou 100% de acordo com Jorge Buescu.
Esta é também a minha leitura dos dados disponíveis e que a DGS tanto se esforça por estragar, deixando às aranhas quem tenta detectar tendências e pontos de inflexão… (daí o meu post irritado de ontem a propósito da mudança de critérios de notificação pela DGS).
Uma ressalva: estas considerações dependem de se atribuir alguma credibilidade, ainda que mínima, aos dados da DGS. Todavia, como. cada vez a minha confiança é menor…

<<ESPERANÇA CADA VEZ MAIS REAL
Quem me seguiu nos últimos dias sabe que sempre fui muito comedido desde que, a 1 de Abril, as curvas dos hospitalizados simples e UCI (ver gráficos) começaram a revelar uma tendência de abrandamento de crescimento. Este abrandamento ainda não se reflectiu na curva dos óbitos, o que é expectável. Sempre avisei que se tinha de pôr água na fervura, para não termos desilusões no dia seguinte. Sempre disse que com menos de 4 a 5 dias não se pode falar de tendência.
Estamos agora no 5º dia deste ciclo. Neste momento acho que já se pode tentar extrair algumas conclusões – embora, sublinho, com extrema prudência. Tudo aquilo que vou sugerir – sugerir, ainda não afirmar – vai ter de ser confirmado (ou infirmado) por ferramentas de análise matemática dura, e vou começar a trabalhar nisso.
Mas não posso deixar de partilhar os meus pensamentos de esperança neste momento.
Admitindo que os números do Boletim Epidemiológico da DGS retratam fielmente a realidade no terreno, assistimos desde 1 de Abril a uma súbita e surpreendente desaceleração nos principais indicadores do contágio (novos casos, internamentos hospitalares, internamentos UCI), que já se prolonga por cinco dias.
Gostaria de explicar por que razão essa desaceleração é tão importante, até do ponto de vista teórico. Na fase exponencial da epidemia, não só o crescimento é muito rápido, como a taxa de crescimento é cada vez maior (em termos matemáticos, a derivada também é exponencial). Ora, se nós estamos de facto a presenciar um crescimento cuja taxa está a diminuir (em termos matemáticos, a segunda derivada passou a negativa, e a concavidade passou a estar virada para baixo), isso assinala que o crescimento deixou de ser exponencial. Ou seja, teremos passado pelo famoso ponto de inflexão, que nos permite ver a luz ao fundo do túnel, e entrámos na fase logística do crescimento.
Será isto o que está a acontecer? Neste preciso momento ainda é difícil de dizer. A confirmar-se, seria uma notícia sensacional: significaria que, por uma unha negra, nos escapamos ao cenário de colapso do sistema de saúde. Mas também pode ser uma ilusão.
A perpectiva optimista é a seguinte. Por um lado, a evolução da curva epidemiológica a que estamos aparentemente a assistir não ocorreu em nenhum outro país europeu, o que significa que algo está a acontecer. Por outro lado, é também certo que em Portugal as medidas de contenção foram adoptadas numa fase mais precoce relativamente aos outros países. Finalmente sabemos, quer da literatura científica que dos nossos próprios trabalhos, que se o lockdown for eficaz, os seus efeitos devem começar a fazer-se sentir entre 10 e 12 dias após o seu início. Juntando todos estes factores, é muito tentador estabelecer um nexo de causalidade, interpretando este abrandamento da curva epidemiológica como consequência das medidas de contenção adoptadas.
No entanto, é necessária muita prudência na análise. Nas condições actuais não é possível assegurar tal nexo de causalidade. A curva epidemiológica está carregada de ruído devido a várias razões, uma das quais é o facto de o crescimento dos testes não estar a acompanhar o crescimento das infecções: a 27 de Março tínhamos 4.268 casos confirmados e fazíamos 7323 testes; hoje temos 11.730 casos confirmados e fazemos 5604 testes. Ora, testando menos, descobrem-se menos casos novos. Este facto pode introduzir um enviesamento estatístico significativo, levando-nos a pensar erradamente que estamos a observar menos casos novos na população, quando na realidade estamos apenas a fazer menos testes. Isto aconteceu em Itália: houve vários falsos alarmes até finalmente se atingir o ponto de inflexão no final de Março.
Coloquemo-nos no entanto na perspectiva optimista, supondo que atingimos neste início de Abril o ponto de inflexão da curva epidemiológica. Significa isto que o jogo está ganho e que podemos relaxar? De forma alguma! Temos de nos preparar para um longo cerco. Na curva de evolução dos infectados ao longo do tempo, o ponto de inflexão é uma boa notícia: significa que o crescimento deixou de ser exponencial para passar a ser cada vez mais lento e já vemos o pico. É como se estivéssemos a escalar uma montanha e a meio da subida houvesse uma zona carregada de nuvens: abaixo dela, não se vê o pico; ultrapassado esse nível, já se vê o pico. Mas a escalada continua: a curva continua a crescer. De facto, podemos pensar que o ponto de inflexão está sensivelmente a meio do caminho entre a base da curva (zero infectados) e o pico.
Portanto, mesmo nesta perspectiva optimista temos de nos preparar para mais umas semanas de subida do número de casos confirmados até atingirmos o pico dos infectados. Em números muito redondos, no momento em que escrevo estas linhas temos pouco mais de uma dezena de milhar casos confirmados. Se estamos de facto na inflexão – e neste momento, volto a sublinhar uma vez mais, nem isso está – então devemos esperar um pico dentro de algumas semanas: final de Abril-princípio de Maio. Esse pico corresponderá talvez a cerca de duas a três dezenas de milhar infectados activos (e a muito mais infectados invisíveis na população). A partir daí o número de infectados activos começa a decrescer, embora de forma muito mais lenta do que foi a subida.
A confirmar-se este cenário optimista, bem como todos os parâmetros actuais da doença, pelos meus cálculos conseguiremos escapar à justa ao cenário de ruptura do sistema de saúde e portanto de um desastre como o italiano ou espanhol. Mas vai ser mesmo, mesmo à justa, sem margem para erro nem para excessos de confiança.
A única forma de este cenário se concretizar é continuarmos, da forma mais determinada possível, a impedir durante este período crítico a propagação da doença a uma taxa maior. E neste momento a única ferramenta que temos para o conseguir é cumprir o mais rigorosa e disciplinadamente possível as medidas de contenção e o distanciamento social. E isto pelo menos durante as próximas 5 a 6 semanas, uma vez que o nosso lockdown não vai acabar no momento do pico mas apenas quando os níveis de segurança forem assegurados, o que é bastante mais tarde (note-se a cauda longa da distribuição). Portanto, dificilmente antes do final de Maio será levantado o lockdown.
Este é o nosso Home Front. É esta agora a missão de todos e cada um de nós. É a única forma de auxiliarmos médicos, enfermeiros e profissionais de saúde que já estão na linha da frente a combater por todos, e a quem presto a mais sincera e emocionada das homenagens.
Os próximos dias e semanas vão ser determinantes; mas temos, pela primeira vez desde o início deste processo, razões objectivas de esperança. Temos de saber estar à altura deste desafio, o maior das nossas vidas.
Sejamos fortes. Não temos opção. Até porque lá ao fundo já se vê a luz.
(Jorge Buescu
6/4/2020) >>

REQUISITEM OS HOSPITAIS PRIVADOS

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PELA REQUISIÇÃO DOS HOSPITAIS PRIVADOS
Hospitais encerrados em tempo de pandemia?
O tempo é de urgência: requisitar os hospitais privados para garantir a toda a população os cuidados de saúde de que precisa.

5 de Abril 2020 Catarina Martins

A Ministra da Saúde referiu-se hoje à dificuldade de gerir as necessidades de internamento hospitalar face à crise de Covid19. Não só há mais doentes a precisar de cuidados, como muitos doentes que já estão em recuperação se mantêm internados por continuarem a precisar de condições de isolamento que não existem nas suas casas. Acresce a necessidade de resposta ao surto nos lares de idosos, o que exige mais camas e mais locais com capacidade de internamento.

Ora enquanto isto acontece, há hospitais privados a encerrar. O SAMS, que tem hospital e clínicas privadas, encerrou a 21 de março. A Ordem dos Médicos já veio apelar ao governo que use os poderes do Estado de Emergência para repôr o seu funcionamento. O Hospital Trofa Saúde em Famalicão seguiu o mesmo caminho e também encerrou.

É inaceitável que as autoridades de saúde e as autarquias estejam a criar hospitais de campanha, em tendas e pavilhões, quando há instalações vazias, equipadas e com profissionais disponíveis, em clínicas e hospitais privados. A solução é simples: o Estado deve requisitar os hospitais privados.

Durante muitos anos, não se investiu o necessário no Serviço Nacional de Saúde e apostou-se na contratualização com os privados. Por isso mesmo, se hoje faltam camas no SNS, não faltam nos privados que foram crescendo com o financiamento público. Esse é um erro que tem de ser corrigido no futuro. Mas agora, o tempo é de urgência: requisitar os hospitais privados para garantir a toda a população os cuidados de saúde de que precisa.

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Ai Weiwei: “O capitalismo chegou ao seu fim” | Ideas | EL PAÍS Brasil

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Mais importante artista chinês, célebre dissidente do regime comunista, critica a gestão da China sobre a pandemia: “Se este desastre pôde se expandir, se deve em grande parte pela China ter escondido a verdade”

Source: Ai Weiwei: “O capitalismo chegou ao seu fim” | Ideas | EL PAÍS Brasil