FÉLIX RODRIGUES, A distância social e o COVID-19

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Partilha-se o meu artigo de opinião publicado no jornal Diário Insular de Hoje.

A distância social e o COVID-19

Temos que recuar aos anos 20 do século passado para recuperar o Modelo Epidemiológico SIR de Kermacke e McKendrick, para termos uma ferramenta que preveja o desenvolvimento de uma epidemia numa extensa população, à semelhança do que se passa com o COVID-19. As variáveis que aí se encontram permitem-nos entender como a infeção se liga a comportamentos e atitudes dos governos e da população.
A redução da epidemia nesse modelo passa por estabelecer distâncias sociais adequadas e por outro lado tem em conta o número de pessoas que se vão tornando imunes. Isso não é válido neste momento para qualquer lado, exceto China e talvez Itália. Há quem aposte nas duas vertentes, equilibrando o número de infetados com o aumento do resguardo social. A diminuição da taxa de contactos sociais entre indivíduos ocorre normalmente aos fins de semana, onde as famílias estão mais em casa do que durante a semana. No mínimo dos mínimos devemos reduzir os nossos contatos a metade do que era habitual antes desta epidemia.
Temos também que atender à distância mínima que devemos estar das outras pessoas, especialmente, quando tudo é aleatório. Essa distância mínima tem sido considerada de um metro, mas no modelo epidemiológico em análise isso corresponde a uma unidade, unidade essa que ainda não é muito clara. Assumamos então ser razoável no mínimo um metro.
A natureza dos contatos sociais é muito diferente nos diversos grupos etários: Normalmente os mais novos têm maior frequência de contactos do que os mais velhos, daí que juntar mais novos com mais velhos claramente só aumenta a taxa de contacto entre todos os elementos dos grupos.
Com o tempo, tudo isso tenderá para o equilíbrio, pois em média, todos tentarão não ser infetados, mantendo as distâncias de segurança e diminuindo os contactos sociais.
Dependendo da virulência, e neste caso o COVID-19 é mais virulento que a gripe, as regras de higiene permitem não só que um simples indivíduo não fique doente, mas pretende essencialmente que não seja agente de propagação da doença à comunidade. Não é só uma medida de proteção pessoal mas também uma medida que visa diminuir o aumento dos focos. Restringir os contactos às pessoas que se conhecem, retiram dessa equação as infeções aleatórias, que são as mais frequentes.
Havendo várias cadeias de transmissão, o isolamento profilático permite por exemplo que o marido possa acompanhar a esposa se ela ficar infetada, como se prepara para ser ajudado por ela quando ele próprio vier a ser infetado e ela curada, pois a probabilidade de tal acontecimento é mais elevada.
Controlar entradas de pessoas infetadas numa região é aconselhável só até ao momento em que não existam vários focos de infeção num determinado local. Havendo vários focos de transmissão numa comunidade, o controlo de viagens não tem qualquer efeito e o fecho de fronteiras também não, a não ser que se tente evitar contágios noutros locais fora dessa região infetada, e nesse caso é pertinente que as outras regiões não estejam também elas no mesmo grau de infeção. Isso porque até os viajantes querem manter-se em níveis máximos de segurança e reduzem os contactos sociais e aumentam inconscientemente as distâncias de segurança.
Apesar da epidemia estar a crescer em todo o lado, é facto que vai continuar a crescer, se não se mantiverem por alguma razão as distâncias de segurança e não haja uma diminuição do número de contactos. É óbvio que se isso não ocorrer naturalmente os governos vão implementar essas medidas. Os efeitos dessas medidas não se repercutem no imediato, no máximo podem ter efeitos semanas depois.
Separar grupos infetados de não infetados é sem dúvida o procedimento normal, apesar de no grupo de não infetados poderem existir infetados.
Perante o que se expôs, resulta desse modelo que se devem evitar contactos com desconhecidos, pois é aí que não há qualquer controlo de variáveis, mas isso pode implicar apenas e tão só manter-se a uma distância de segurança adequada.
Se o afastamento social implicar um aumento de contactos, esse isolamento social deverá ser evitado e continuar-se com a atividade normal. Vejamos um exemplo: Um agricultor que trabalha apenas com um funcionário durante o dia, e vice-versa, se eles ao estarem em isolamento social estão em contacto com famílias numerosas, tal isolamento não é tão eficaz como se pode pensar. Essa situação é completamente diferente de quem tem contacto permanente com o público. Quem o tem, deve exigir a distância de segurança.
Evitar ajuntamentos é manifestamente adequado, pois diminui drasticamente os contatos sociais e como tal este é um dos fatores mais importantes no controlo de uma epidemia.
O que se passa com as infeções normais onde a taxa de infeção é usualmente 1, ou seja, uma pessoa infeta uma pessoa, o número de casos cresce inevitavelmente. No caso do COVID-19 essa taxa é de 2.2, o que significa uma pessoa infeta em média duas pessoas, implica que o seu crescimento é muito mais acentuado do que vimos nas últimas pandemias.
É baseado neste modelo SIR e no seu número básico de reprodução de 2.2 que se afirma que o COVID-19 infetará 70% da sociedade. Tal cenário não acontecerá porque tal resultado não conta com os comportamentos das pessoas e dos governos, ou seja, assume que perante um cenário de infeção serão apenas algumas pessoas que começarão a assumir algumas distâncias de segurança até que praticamente toda a gente o faça numa situação de equilíbrio.Não conta com medidas políticas que poderão ser capazes de obrigar a que haja uma diminuição das taxas de contactos pessoais ou regras para as distâncias de segurança.
Após contágio, a maioria dos casos manifesta-se em 5,1 dias, mas pode de facto vir a desenvolver-se até aos 14 dias. Por questões de elevado grau de segurança, os governos decretaram a quarentena de 14 dias. Há nesses valores, no primeiro caso, um certo conforto psicológico( 5,1 dias) e no segundo, um pragmatismo importante (14 dias).

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  • Ana Ferreira Muito obrigado pela sua delicadeza de,por outras palavras explicar o que se vai passando embora,alguns teimem em não perceber!É mau!Para eles e para nós!

COVID 19 ESTOU PARANOICO? PERGUNTAS SEM RESPOSTA VIRAL, chrys c crónica 324

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CRÓNICA 324 PERGUNTAS SEM RESPOSTA VIRAL 17,3,20

Acordo neste oitavo dia de quarentena autoimposta, ainda me sinto saudável mas assolado por dúvidas.

Se só há ou havia, 4 ventiladores nos Açores o que foi feito para arranjar mais para mais hospitais e / ou centros de saúde? O Presidente da Câmara Municipal do Porto arranjou maneira de os chineses trazerem mais alguns, e nós cá o que fizemos, o que estamos a tentar fazer?

Faltam máscaras por toda a parte, será que algo foi feito para termos mais e para as distribuirmos por hospitais e pela população em geral? Eu encomendei as que pude e não eram baratas. O meu filho ontem teve de ir à farmácia e ao veterinário com uma e olhavam para ele como se tivesse a lepra, mas o normal era ele usar uma para tentar reduzir os riscos. Depois de chegar despiu-se e toda a roupa foi lavada a 60 ºC. mas não vejo muitas recomendações nesse sentido para os que trabalham fora de casa? Ou será porque vivo numa zona rural da costa norte de S Miguel e os vaqueiros pensam que não contrair o vírus nas vacas? Se calhar nem sabem que o vírus existe pois continuam a frequentar os cafés e tascas como se nada se passasse.

Quando formos atingidos como vai ser? A Força Aérea vai evacuar todos os infetados como estava previsto? E haverá lugar para eles serem tratados na Península Ibérica? Cá, já sabemos que não temos meios para os tratar. Temos meios da Força Aérea para acudir a todas as ilhas que precisem de evacuar doentes?

Tudo isto me preocupa e fico sem respostas, quando em volta a vida no campo decorre como se nada se passasse, excetuando as escolas fechadas a vida aqui decorre normalmente na calma ancestral destas freguesias rurais.

E quando não houver ventiladores para os infetados? (creio que eles nem chegam para os doentes normais de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica que cá temos, a minha mulher sofre duma doença deste tipo e eu preocupo-me..) e quando não houver meios de evacuar os doentes nas outras ilhas?

Falta álcool etílico nas farmácias e grandes superfícies e ontem no jornal anunciavam duas lojas em ponta Delgada a vender pequenos frascos a 15 euros. Pergunto onde anda a nossa ASAE (IRAE) depois destas denúncias?

Ao fim de tantos dias em casa estarei a ficar paranoico com as notícias de mais e mais casos na Espanha, Noruega, China, Itália, etc.…? espero que não mas gostava de ter mais certezas e mais respostas, mas suspeito que aqui nos Açores vamos ter de nos desenrascar sozinhos e sem meios para o que aí vem… cancelem as obras faraónicas e vão buscar ventiladores ao fim do mundo para termos algumas hipóteses de sobrevivência. Isto são meios pequenos e fechados, se um apanha toda a freguesia fica contaminada, é assim em circuito fechado que a vida nestes locais funciona….talvez não tanto em ponta Delgada, Angra ou outras cidades e vilas…

E aqui fico a aguardar o desastre anunciado enquanto em Lisboa o Presidente da República se esconde e convoca um órgão consultivo de velhos sem contacto com a realidade pois quer escudar-se se a sua decisão correr mal, o que corre mal é a sua indecisão….e o governo da república que quer a todo o custo manter a economia a funcionar não entende que ela vai parar, mis tarde mas de forma mais prolongada, quanto mais tarde a parar.

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713 [Australian Journalists’ Association] MEEA]

Para o Diário dos Açores (desde 2018) Diário de Trás-os-Montes (desde 2005) e Tribuna das Ilhas (desde 2019)

encerrar aeroporto nos açores joao gago da camara

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ENCERRAMENTO DOS AEROPORTOS AÇORIANOS, HOJE NA VISÃO

Relevo hoje na Visão a posição corajosa do Dr. Vasco Cordeiro, Presidente do Governo Regional dos Açores, em afrontar António Costa e o Governo da República, exigindo à República o encerramento imediato dos aeroportos açorianos.
Boas leituras e abraços.

Lei é lei até ser alterada, mas Vasco Cordeiro, com as consequências políticas e outras que essa posição lhe poderá trazer, assume, corajosamente, que ” vale a pena correr o risco de desobediência à legislação nacional”

VISAO.SAPO.PT
Lei é lei até ser alterada, mas Vasco Cordeiro, com as consequências políticas e outras que essa posição lhe poderá trazer, assume, corajosamente, que ” vale a pena correr o risco de desobediência à legislação nacional”

PANDEMIAS MUDAM O CURSO DA HISTÓRIA

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José Mário Costa
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The New Yorker Today

«Neste seu novo livro, “ Epidemics and Society: From the Black Death to the Present”, Frank M. Snowden, professor emérito de História e de História da Medicina em Yale, examina as formas pelas quais os surtos de doenças moldaram a política, esmagaram revoluções e instilaram a discriminação racial e económica.

As epidemias também alteraram as sociedades onde se espalharam, afetando as relações pessoais, o trabalho de artistas e intelectuais e os ambientes naturais e artificia

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The historian Frank M. Snowden discusses the politics of restricting travel during epidemics, how inhumane responses to sickness have upended governments, and how artists have reacted to disease outbreaks.

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100 PORTUGUESES RETIDOS NAS FILIPINAS

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Covid-19: Portugueses “aflitos” e “desesperados” retidos nas Filipinas

Macau, China, 17 mar 2020 (Lusa) – Pelo menos “uma centena de portugueses” está retida nas Filipinas, “aflitos” e “desesperados”, sem conseguirem regressar a Portugal, disseram hoje à agência Lusa vários membros do grupo.
“Neste grupo [em Cebu] estão mais de 40 portugueses”, mas, espalhados pelas Filipinas, “segundo a última contagem, eram sensivelmente 120”, porque “há muita gente que está retida em ilha…

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Primeiro caso de infetado na Madeira: turista holandês com corona vírus

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Num novo contacto esta manhã com o empreendimento turístico Enotel Quinta do Sol, continua ao serviço uma rececionista que confirma ao FN o encerramento do hotel para a quarentena.Entretanto, o DN Madeira noticia que o teste ao turista da Quinta do Sol, de nacionalidade holandesa, deu positivo.Ao FN foi dito, pela rececionista do Enotel, que ontem um doente apresentou queixas similares ao corona vírus e que, ainda ontem, foi internado no Hospital Dr Nélio Mendonça. Segundo explicou, estão a ser feitos os testes necessários e necessitavam hoje de ter o resultado de uma outra análise.O FN solicitou um contacto com um responsável pelo hotel, mas foi-nos dito que não havia ninguém.

Source: Primeiro caso de infetado na Madeira: turista holandês com corona vírus

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE VASCO

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Carta Aberta ao Presidente Vasco Cordeiro
Começo por uma manifestação de interesse. Tenho duas familiares muito próximas que são profissionais de saúde. Estão na linha da frente no combate ao covid-19.
Estamos numa verdadeira guerra. Não numa guerra clássica de canhões e misseis. Os nossos soldados não são os militares. Desta vez é diferente. Muito diferente. O nosso inimigo é invisível. É um maldito vírus – o covid-19.
Agora, o nosso exército são os profissionais de saúde, de bata branca, armados de máscaras, seringas, ventiladores e tubos de ensaio. O nosso exército é o Serviço Regional de Saúde (SRS).
Mas tal como uma guerra clássica, é preciso fazer tudo para que o inimigo – o vírus – não desembarque. Mas uma vez desembarcado, é necessário isolá-lo. Evitar a sua progressão e aniquilá-lo na origem.
Portanto, é urgente agir rápido. Cada hora conta. São precisas medidas concretas e precisas. Sem contradições e hesitações. Decisões coerentes e lógicas. Boa comunicação.
É preciso testar os limites da autonomia regional. Talvez seja necessário ir para além daqueles limites. Se for para tribunal, não se preocupe. Nós vamos consigo. Os Açoreanos vão consigo.
O nosso isolamento e dispersão geográfica é agora uma grande vantagem. Mas se as decisões forem atempadas e certas. Caso contrário será uma grande desvantagem, devido à nossa falta de recursos materiais e humanos.
Tome as decisões a pensar naquilo que podemos fazer. Não a contar com a ajuda de outros. Essa ajuda é incerta. Pode não acontecer na justa medidas das nossas necessidades. Já aconteceu no passado. Foram potências estrangeiras que vieram em nosso auxílio.
Utilize os nossos recursos com antecipação. Não é tempo de poupar. O orçamento tem dinheiro para aquilo que é mais necessário – salvar vida de Açoreanos. Se faltar dinheiro para o “fogotório” e obras de fachada, não se preocupe. Toda a gente vai perceber. Até lhe vão agradecer.
É mais do que tempo de investir no nosso exército. No nosso Serviço Regional de Saúde. Para enfrentar o covid19, tarda a tomada de medidas decisivas para dotar o maior e mais importante hospital – o de Ponta Delgada – dos recursos humanos e técnicos.
Mas só isso não basta. Não podemos desleixar e transferir para o Serviço Regional de Saúde a responsabilidade de nos salvar. Não é justo, nem ele está minimamente, repito, minimamente preparado para o efeito. O Serviço Regional de Saúde está mal equipado e envelhecido. Fruto de anos e anos de desinvestimento e suborçamentação. Ainda há tempo para tentar inverter algumas coisas. Mas o tempo está a esgotar-se.
Uma guerra é uma coisa demasiado importante para ser deixada só nas mãos dos generais, neste cado dos profissionais de saúde. A gestão deverá ser política. Assuma, portanto, a liderança. Afaste os irresponsáveis (e portanto incompetentes) do seu governo. Governe com acções, não com intenções.
Se fizer isso, estamos convencidos que irá salvar vidas, muitas vidas. Certamente, os Açoreanos vão ficar-lhe eternamente gratos.
João Quental Mota Vieira
Engenheiro e MBA
Artigo de opinião publicado no jornal Correio dos Açores, 17 de Março de 2020.

PROF BUESCU E PROS E CONTRAS

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Prós e Contras. Um excelente debate, particularmente a intervenção do Professor Buescu! Mas também do Professor Fausto Pinto , João Gouveia e outros intervenientes. Finalmente alguém a falar seriamente sobre a realidade da situação. Incluindo os médicos convidados por tele-conferência. Algo de saudável neste debate foi a ausência da ministra da Saúde e da Diretora Geral de Saúde. Seguramente não perceberiam do que os palestrantes estariam a falar! Enviaram uma segunda figura do governo pouco conhecida e com o paleio habitual dos comissários políticos.

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  • Nuno Miguel Vieira Rodrigues Quem foi lá do governo?
  • Filipa Didier declaração do professor buescu a 1 de março (post que entretanto apagou, admitindo quando confrontado ter-se “enganado”): Coronavirus visto por Jorge Buescu, um físico/matemático português.

    “Evitei até hoje pronunciar-me sobre este assunto; mas chegados à situação actual, acho que é uma questão de serviço cívico enquanto matemático.

    O gráfico acima, que consta de um site de Johns Hopkins que acompanha a situação do coronavirus em tempo real (1) e que recomendo a todos que descarreguem para o telemóvel, compara o número de infecções por coronavírus na China (laranja) e resto do Mundo (amarelo) com os casos de recuperação. À data de hoje (1/3/2020) há 42.600 recuperados, de um total de 87.000 casos identificados. Devemos ficar preocupados? Não, pelo contrário. Devemos ficar muito tranquilizados. Note-se que a curva dos recuperados acompanha perfeitamente a das infecções, com um tempo de latência de 3-4 semanas. O número de recuperados hoje, 1/3/2020, é igual ao total de infectados em todo o Mundo em 10/2/2020. A taxa de recuperação para os casos de infecção registados em Fevereiro é superior a 99%.

    Para ganhar sensibilidade para a evolução da doença, transcrevo os números em bruto. I é o número de infectados, R de recuperados.
    22 Jan: I = 547, R=28
    29 Jan: I = 7.700, R=133
    5 Fev: I= 20.000, R= 1.100
    12 Fev: I=50.200, R= 5.200
    19 Fev: I=75.700, R= 16.100
    26 Fev: 81.000, R= 30.400
    1 Mar (hoje): I=87.000, R=42.600

    Ou seja, em Janeiro quase não havia recuperados; hoje mais de metade do total de infectados já recuperou. Num mês, o número de recuperados cresceu por um factor de 300. Curiosamente, nunca vi estes números referidos na imprensa, mais preocupada com visões do apocalipse.

    Estamos pois a braços de uma virose essencialmente inócua (mais pormenores abaixo), com um período de recuperação de 3-4 semanas, após o qual, de acordo com os melhores números actuais, 99,3% dos infectados recuperam sem complicações.

    Do ponto de vista da saúde pública, a questão colocada pelo nCOVID-19 é apenas a sua elevadíssima taxa de contágio. A OMS estima um valor de R_0, grandeza que nos modelos matemáticos SIR (Susceptíveis-Infectados-Recuperados) determina a taxa de propagação exponencial, de 2,3. Para comparação, a gripe sazonal tem R_0=1.3, propagando-se de forma muito mais lenta. Para saber mais sobre o que isto quer dizer e sobre os modelos matemáticos de epidemiologia veja-se por exemplo (2) ou (3).

    Por outro lado, os números mostram que se trata de uma virose essencialmente inócua: o período de recuperação é de 3-4 semanas, após o qual 99,3% dos infectados estão recuperados. A estimativa actual da OMS para a taxa de mortalidade para casos surgidos depois de 1 de Fevereiro, portanto depois do surto inicial, é actualmente de 0,7% (4) Esta é mais baixa do que a da gripe sazonal, que é de 1%. Como termo de comparação, o vírus Ébola tem uma taxa de mortalidade próxima dos 50%.

    A virose em si não é complicada; um dos maiores virologistas espanhóis e Presidente da Sociedade Espanhola de Virologia, José Antonio Lopez Guerrero, descreve-o como “mais do que um catarro, menos do que uma gripe” (5). 80% dos casos são assintomáticos ou têm sintomas muito leves. Apenas em 5% dos casos existem complicações graves, na sua grande maioria em grupos de risco: por exemplo, pessoas com bronquites crónicas, DPOC ou sistema imunitário estruturalmente enfraquecido como doentes oncológicos. São essas pessoas que podem estar em perigo – tal como estariam, com o mesmo nível de risco, se contraíssem uma gripe comum.

    O coronavírus já está em Portugal, isso é uma inevitabilidade cósmica. Isso é preocupante? Não particularmente, a menos que se pertença ou se esteja em contacto próximo com um grupo de risco. Como descrevi acima, ele é menos perigoso do que uma gripe. Mas, tal como alguém com uma gripe toma precauções para não a passar, também aqui essas precauções devem ser tomadas, de forma mais drástica divido à altíssima taxa de contágio.

    Se o coronavírus servir para implantar socialmente comportamentos como lavar mãos frequentemente ou não espirrar para o ar, tanto melhor. Podemos ter de cancelar algumas viagens de avião, como aconteceu comigo, mas vamos viver a vida normalmente. De resto, não há qualquer motivo para pânico ou sentimentos de apocalipse, apesar da desinformação constante e do alarmismo mediático a que assistimos diariamente – esse sim, o mais perigoso vírus de toda esta história.

    (1) https://gisanddata.maps.arcgis.com/…/opsd…/index.html…
    (2) http://maddmaths.simai.eu/…/focus/epidemie-matematica/…
    (3) https://triplebyte.com/blog/modeling-infectious-diseases.
    (4) https://www.who.int/…/who-china-joint-mission-on-covid…
    (5) https://elcultural.com/covid-19-mas-que-un-catarro-menos…

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CRÓNICA DE ANTÓNIO BULCÃO

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CO(n)VID(ados)… a ler
Quinta-feira, 12 de março de 2020
Uma aluna assegura-me que o coronavírus estava previsto na Bíblia.
Não aprofundo o tema. Não conheço a Bíblia ao pormenor e a aluna pode ter razão.
Uma vez estiveram em minha casa umas senhoras que tinham testemunhado qualquer coisa, já que se identificaram como testemunhas. Também elas viam coisas na Bíblia. Tudo o que queriam provar estava na Bíblia.
E eu deixei-as produzir as suas alegações, enquanto sentenciava intimamente que, na próxima batidela na porta que me cheirasse a depoimentos testemunhais, havia de arranjar uma desculpa qualquer para não as receber, desculpa que até poderia encontrar na Bíblia, já que lá está tudo.
O fim do Mundo na minha sala de estar é que não queria outra vez.
No corredor do intervalo, outra aluna oferece-se para me desinfectar. Disse-lhe que já estava desinfectado, que ela poupasse o gel que tem num frasquinho transparente. Mas ela está decidida a desinfectar naquele intervalo, enchendo de gotas as palmas das mãos dos colegas mais próximos, que depois esfregam as mãos umas nas outras, com ar ufano de quem está livre de qualquer maleita até avançada idade.
Aprecio mais desinfeções que profecias.
Sexta-feira, 13 de março de 2020
Sexta-feira, 13. Passámos de alerta para contingência. Estaciono o carro no parque da escola e fico a ver um avião que se faz à pista das Lajes. Neste momento já sei que a escola vai fechar. Mas o aeroporto continua aberto. Contingências da vida…
Encontro um colega que já não vejo há muito tempo, porque se dedicou a funções sindicais. Dou-lhe um abraço, que ele recebe. Uma outra colega que está com ele avisa que estamos a violar as regras de prevenção de contágio. Só que tenho uma tendinite no cotovelo. Vai-me doer andar para aí a dar cotoveladas. Mas registo as cautelas da colega desconhecida. Se a conhecesse, não queria abraços…
Os alunos também já sabem que a escola vai fechar. Mas não estão felizes.
Ficam sempre felizes quando a escola fecha. Mas sentem que uma coisa é um furacão, que vem e vai-se embora, outra coisa é um vírus, que pode ficar. Estão assustados.
Faço a pedagogia nas aulas. Já a fazia, aliás, antes do alerta. Não são férias. Não se juntem na prainha. Protejam-se e aos seus. Amem-se pelo cotovelo.
À tarde, um episódio mostra que temos todos de ter muita calma.
O Presidente do Governo Regional vai fazer uma comunicação às 14h30m. A RTP-Açores organiza um programa de informação, enquanto o Presidente não aparece. Uma jornalista e três comentadores.
Todos dizem coisas muito acertadas. Que talvez seja melhor fechar os aeroportos. Que mais vale a saúde de um açoriano que um avião cheio de turistas. Que o nosso isolamento, tanta vez desvantajoso, desta vez é um céu, se for bem gerido.
Passa uma hora. Passam duas horas. O Presidente está atrasado e os comentadores continuam a dizer coisas certas. Uma delas sobre a importância dos meios de comunicação. Do papel que têm de cumprir para informar correctamente todos nós. Da Secretária da Saúde que só dirá asneiras, depois corrigidas pelo Director da mesma Saúde, que já saberá mais da poda. Dos comunicados desastrosos do Gabinete de Apoio à Comunicação Social…
Finalmente o Presidente chega. No ecrã, a sua imagem está instável, tremida. O som está fraco, com cortes.
A RTP-Açores certamente tratou atempadamente de tudo para que a comunicação fosse perfeita. Não tenho dúvidas disso. Os meios técnicos seriam os melhores. Mas a emissão foi péssima. Sem culpa de nenhum dos intervenientes, mas falhou.
A jornalista pede desculpa. Depois de falar tanto sobre a importância dos meios de comunicação social e do papel competente que deverão cumprir nesta crise de saúde pública, é uma pena que tenha falhado a transmissão do Presidente do Governo. Certamente não foi boicote. Todos os profissionais envolvidos na emissão televisiva quereriam que tivesse corrido bem e tudo fizeram para que assim fosse.
Mas, apesar disso, alguma coisa (grave) falhou. Todos os cuidados foram poucos.
A RTP-Açores pede desculpa por não termos conseguido ver e ouvir bem Vasco Cordeiro, numa matéria tão importante. E nós desculpamos.
Mas se a RTP-Açores falhou, dotada de profissionais competentes e a lidar com material técnico que dominam, é possível que falhe o Governo, algum hospital ou algum médico, a lidar estes com uma realidade desconhecida até há bem pouco tempo.
Vamos todos ter calma…
Domingo, 15 de março de 2020
Confirma-se o primeiro caso na Terceira. Sujeito a contra-análise.
António Bulcão
antoniobulcao59@gmail.com
(publicada hoje no Diário Insular)

OMS defende testes em massa e diz que Covid-19 já matou crianças | Coronavírus | G1

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‘Não se consegue combater um incêndio com os olhos vendados, você não consegue parar essa pandemia se não souber quem está infectado’, disse o diretor-geral da entidade, Tedros Ghebreyesus.

Source: OMS defende testes em massa e diz que Covid-19 já matou crianças | Coronavírus | G1