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Luciano Pavarotti : Una furtiva lacrima
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esta e anteriores em https://www.lusofonias.net/mais/as-ana-chronicas-acorianas.html
O COVID-19 (corona vírus que começa ser designado como SARS-CoV2) continua a sua marcha pelo mundo, acompanhado de uma dose maciça de intoxicação televisiva, raramente citando que só na Europa morrem todos os anos cerca de 60 mil pessoas com a gripe normal (500 mil pessoas por ano no mundo).
pânico e medo provocado pelas fake news faz com que o COVID-19 seja quase o fim do mundo (em Portugal andam todos desejosos de terem um infetado, acham que estão a perder …), mas visto bem, todos os dias morrem mais pessoas por outros vírus. Em média, há mais de 400 mortes por pneumonia em Portugal na população adulta, todos os meses (são 16 mortes por dia). E já matou 40 por dia… no ano passado. Se fosse assim tão simples e desprovido de pânico, não se justificaria a construção de hospitais em dias, com milhares de camas.
A memória das pessoas é curta … esqueceram as últimas pandemias, em que morreram cerca de 100 milhões (gripe espanhola H1N1 conhecida como a “pneumónica” em 1918 de 20 a 40 milhões de mortes; 1957 gripe asiática mais de um milhão de pessoas; 1968 a gripe de Hong Kong H3N2 cerca de um milhão; a gripe aviária apenas vitimou 387 pessoas em 1997 Hong Kong; a SIDA matou 25 milhões em 25 anos; a SARS-CoV em 2003 matou 774 pessoas, a doença das vacas loucas em 2007, e houve ainda outras como a gripe suína em 2009…e na gripe H1N1 entre 2009 e 2012 morreram 300 mil pessoas)
A ministra da saúde nacional e a sua congénere açoriana não se cansam de nos descansar a dizer que o país e a região estão prontos para lidar com a situação.
Acho sobranceiras estas declarações, no caso de a doença se tornar numa pandemia, como pode acontecer (se é que não aconteceu já, embora não oficialmente declarada pela OMS).
O vírus, nesta fase terminal da globalização chegará, mais cedo ou mais tarde, com mais ou menos vítimas. Nunca saberemos ao certo quanto morreram na China, os outros países, uns mais do que outros, poderão revelar os dados reais ou não, para evitar o alarme social que isso implica.
Tem sido propagada a ideia de uma baixa taxa de mortalidade para este surto desta variante 80 mil infetados e 3 mil mortos, mas se considerarmos como reais os números apresentados vemos que a percentagem de mortes em relação às curas quase atinge 10%.
Para além das vacinas que irão surgir a breve trecho criando uma corrida desenfreada e o enriquecimento das farmacêuticas (uma indústria de 35 biliões de dólares liderada por quatro firmas: a britânica GlaxoSmithKline, a francesa Sanofi, e as norte-americanas Merck e Pfizer) que as coloquem no mercado, há várias consequências da propagação da doença: um enorme abrandamento da atividade económica, a subida do custo de vida (pois cada vez menos se importará da China, que detém o monopólio de produtos baratos), o abrandamento dos movimentos estudantis em vários países (com enormes perdas para as universidades de acolhimento), um eventual cancelamento do Euro e Jogos Olímpicos entre outros intercâmbios desportivos mundiais, (em dois dias a bolsa de valores S&P perdeu 1,7 triliões de dólares), a redução drástica de viagens e consequentemente do turismo que alimenta as economias de Portugal e dos Açores.
Será neste contexto que o corona vírus causará mais danos, caso a sua mortalidade seja semelhante ao da vulgar gripe “influenza”, e aí senhora ministra e senhora secretária regional da saúde, nem o país nem os Açores estão preparados. É o mal das monoculturas ou neste caso a dependência extrema numa só componente de crescimento económico.
Não tenho soluções nem respostas, e muito menos preparação, para sugerir seja o que for e embora seja contra a teoria vigente de impor o medo às populações mundiais (populações amedrontadas são mais facilmente manipuladas) e de embarcar em alarmismos prematuros, creio que nos devemos preparar para mais uma enorme crise económica global e, quem sabe, se não implicará o fim desta fase da economia global que aumentou a interdependência de todos os países (ou quase), enquanto aumentava o fosso entre os que têm e os destituídos.
Daqui a semanas poderemos avaliar melhor o impacto desta crise
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Em média, há mais de 400 mortes por pneumonia em Portugal na população adulta, todos os meses.
Source: Pneumonia comum mata 16 pessoas por dia em Portugal | Vírus | PÚBLICO
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Na Universidade de Lisboa, há 13 cursos de mestrado em ensino, mas há cada vez menos candidatos. No conjunto de todas as áreas disciplinares, não chegam a 100 os alunos que saem da Universidade e estão habilitados a ser professores do terceiro ciclo e do ensino secundário.
Source: Quem quer ser professor? Cursos de mestrado em ensino estão sem candidatos – Renascença
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Facing major financial losses, universities are looking to be more prepared to future shocks but won’t temper their reliance on international students.
Source: Coronavirus outbreak: Universities stick with international students
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Especialistas que querem a solução a norte de Lisboa, para “corrigir” o “erro” do Montijo, defendem uma solução articulada, em que Alverca ficaria com os voos de médio-longo curso e Portela como “um aeroporto de cidade”
Source: Expresso | Custo de aeroporto em Alverca seria “duas vezes menor” que o do Montijo
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Como é possível?
Uma viagem do porto para ponta delgada e
Ida e volta custa esse preço?
Sai mais barrato ir o brasil do que os açores
— feeling irritated.

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The S&P 500 lost an estimated $1.737 trillion in value this week, according to S&P Dow Jones Indices.
Source: Coronavirus wipes out $1.7 trillion in US stock market value in two days
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British drugmaker GlaxoSmithKline, French pharmaceutical company Sanofi, and U.S.-based Merck and Pfize
Source: Coronavirus brings light to the $35 billion vaccine market
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Se fosse coisa boa ou demorava ou nem chegava.
Já chegaram aos Açores 🙄

Poeiras do Saara, hoje de manhã (26/2/2020) sobre as ilhas de Faial e Pico.
Fotografia de Jose Manuel Garcia Medina desde Porto Pim no Faial.
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Pôr-do-sol na ilhas das Flores com refracção provocada pelas areias do Sahara…

Por-do-sol, ontem .
Um pouco das belas cores dos Saará,
e um interessante fenómeno de refracção .
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O mercado de trabalho é cada vez mais global, mas o preconceito linguístico continua a ser uma realidade para muitos profissionais.
Estudo das universidades de Chicago e Munique conclui que a pronúncia de um candidato pode conduzir a uma penalização de 20% no salário. Em Portugal, os recrutadores negam a relação, mas a prática mostra que o preconceito linguístico existe.
[in “Expresso” diário, transcrito a seguir, com a devida vénia à jornalista Cátia Mateus, a autora do texto]
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Sotaque pode penalizá-lo no salário
O preconceito linguístico é um problema real. Pode assumir várias formas, é um fator de desigualdade quer social quer laboral e tem impactos económicos. Um estudo agora divulgado pelo National Bureau of Economic Research, o departamento americano de estudos económicos, conduzido conjuntamente por investigadores das universidades de Chicago (Estados Unidos) e de Munique (Alemanha), demonstra-o.
Os investigadores, que tentaram quantificar o custo deste preconceito em termos laborais na Alemanha, concluíram que profissionais com pronúncias regionais muito marcadas ganham, em regra, menos 20% do que os seus pares com a pronúncia-padrão da região. Uma disparidade salarial que, argumentam, é discriminatória e que está em linha com a verificada entre homens e mulheres. Em Portugal os recrutadores negam que o preconceito linguístico seja um problema. Mas a prática mostra que a questão não é assim tão linear.
Preconceitos contra certas pronúncias regionais ou até sotaques estrangeiros são comuns em todo o mundo. No Reino Unido, o sotaque da classe trabalhadora de Birmingham não é bem-visto. No Brasil, os sotaques nordestinos são considerados socialmente inferiores. A própria França tem intensificado o debate sobre se a ‘glotofobia’ — termo usado para descrever a discriminação baseada na pronúncia, sotaque ou dicção — deve ou não ser criminalizada. O debate intensificou-se no ano passado quando Jean-Luc Mélechon, ex-candidato presidencial ridicularizou publicamente, na região de Toulouse, uma jornalista questionando se algum dos outros jornalistas presentes tinha alguma outra pergunta a fazer “em francês mais ou menos compreensível”, remetendo para a pronúncia-padrão, a parisiense.
Em 2019, segundo as contas da Organização das Nações Unidas, 272 milhões de pessoas viviam fora do seu país de origem. Mas esta maior exposição a diferentes padrões linguísticos e sotaques, fruto de um mercado de trabalho global, não nos tornou mais tolerantes com a diferença.
SALÁRIOS INDEXADOS AO SOTAQUE
Qual é afinal a razão para que num país como a Alemanha o valor do salário surja ‘indexado’ à pronúncia dos profissionais? Segundo os investigadores, a resposta tem mais a ver com o estigma do que com a pronúncia ou sotaque propriamente ditos.
“Os trabalhadores com sotaque muito marcado enfrentam mais preconceitos de colegas e clientes, sendo-lhe mais difícil realizarem o seu trabalho com eficiência”, foi um dos argumentos validados pelos investigadores junto dos empregadores para justificar a diferença salarial. Outro foi o de que os trabalhadores com sotaque ou pronúncia fora da norma procuram empregos que envolvam menos relacionamento interpessoal e, geralmente, mais mal pagos.
O estudo realizado na Alemanha está em linha com outros que estabeleceram uma relação direta entre a linguagem e a discriminação laboral, com impacto na carreira e subsistência dos profissionais (ver texto pág. ao lado). Em Portugal não há, até à data, evidência científica que meça um impacto semelhante. Não é possível, por exemplo, aferir se para a mesma função há diferença salarial entre um engenheiro madeirense, um açoriano, um lisboeta, um portuense ou um alentejano.
Em 2019, 272 milhões de pessoas viviam fora do seu país. Muitos não cumpriam a norma linguística local
E os vários recrutadores contactados pelo Expresso recusam mesmo que a pronúncia ou o sotaque tenham qualquer impacto em processos de recrutamento, tanto mais que a discriminação laboral, qualquer que seja a sua forma, é crime. “Eventuais diferenças salariais podem acontecer fruto do histórico de cada profissional, da eventual margem de negociação existente ou de skills [competências] altamente diferenciadoras que um candidato possa ter” e nunca, explica, Sílvia Nunes, diretora da Michael Page, de questões como o sotaque. Carlos Sezões, sócio da empresa de recrutamento de quadros de topo Stanton Chase, defende que as competências de comunicação são essenciais aos gestores de topo e críticas para a sua capacidade de liderança e influência, mas diz que nunca detetou “qualquer discriminação” por parte das empresas nas centenas de candidatos que já analisou, “com pronúncias mais e menos marcantes”. Amândio da Fonseca, presidente do Conselho de Administração do Grupo Egor também recusa a relação: “Em Portugal não são rejeitados, nem socialmente nem em processos de recrutamento, candidatos pelo seu sotaque, mas sim por ausência de qualificação ou [no caso de cidadãos estrangeiros] por falta de legalização para trabalhar no país.” Porém, embora o requisito da pronúncia não seja expresso, não refuta que ele “possa estar presente na decisão final do cliente”.
Daniela Martins de Lima tem uma visão diferente. Filha de mãe portuguesa e pai brasileiro com raízes portuguesas, nasceu prematura em Portugal, durante as férias dos pais. Licenciou-se em Comunicação Social no Brasil, onde viveu e trabalhou até aos 28 anos. A vontade de alargar horizontes profissionais trouxe-a de novo a Portugal, mas o resultado não foi o esperado. “Estou cá há dez anos, tive vários empregos e nunca consegui um qualificado, muito menos na minha área”, diz.
Foi rececionista, trabalhou em cafés, foi auxiliar numa escola, está agora num call center. Esbarrou inúmeras vezes na entrevista. “Cheguei a ver o ar de espanto das pessoas quando percebiam que eu afinal era brasileira porque pelo meu currículo, como nasci cá e tenho nome português, não era percetível”, explica. Em alguns casos foi-lhe dito “frontalmente” que apesar do excelente currículo “precisavam de alguém que falasse português de Portugal”.
E se é verdade que a discriminação laboral é punida por lei, não é menos verdade que segundo os últimos dados da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, relativos a 2018, 4,7% das queixas reportadas referiam-se a situações de discriminação laboral. Numa década, 20% das queixas foram sobre questões laborais.
EFEITOS ADVERSOS SÃO VISÍVEIS
Para o sociolinguista e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Hugo Cardoso, casos como o de Daniela não causam espanto: “Não me parece improvável que também aqui se observe o efeito adverso de um comportamento linguístico não-padrão no mundo laboral.” O investigador dá como exemplo o panorama dos meios de comunicação social de âmbito nacional que implicam oralidade: “Independentemente da origem geográfica, quantos dos profissionais têm características marcadamente não-padrão no seu modo de falar?”
Um cenário que a terapeuta da fala Isabel Guimarães reconhece. Há 15 anos que ajuda profissionais e empresas a eliminarem “ruído de linguagem” e não tem dúvidas de que “a pronúncia é relevante no contexto profissional”. Prova disso é que a procura de apoio pelos profissionais “mais do que triplicou nos últimos anos”. A exposição dos profissionais à questão da linguagem “depende muito da sua posição na hierarquia, mas também do grau de ruído que a pronúncia ou sotaque geram na comunicação”.
“Um diretor de uma multinacional que tenha de comunicar em contextos globais, tem de fazer passar uma mensagem clara. É profissionalmente penalizador se a sua pronúncia for um foco de ruído na mensagem e há necessidade de corrigir isso”, exemplifica. Isabel Guimarães recorda mesmo que há profissões — como os controladores de tráfego aéreo — onde uma pronúncia que gere ruído à comunicação “é um impeditivo real para o exercício da profissão por questões de segurança”.
O investigador americano Michael Kraus, que também tem estudado estas temáticas, reforça que apesar de a maioria dos recrutadores negarem o impacto do discurso e da linguagem na conceção do perfil socioeconómico dos candidatos, recusando que este sirva de baliza de contratação, esta é uma prática real que “limita a mobilidade económica e perpetua as desigualdades laborais” sendo “urgente eliminá-la se quisermos avançar para um modelo de sociedade mais justa e equilibrada”.
PODE A TECNOLOGIA SER UM PROBLEMA?
O uso da inteligência artificial (IA) e de sistemas de reconhecimento de voz surge como uma tendência emergente no recrutamento do futuro. E se é verdade que uma das maiores vantagens que lhe são apontadas é a eliminação do fator “opinião pessoal” do recrutador (e dos preconceitos que possa ter) do processo, não é menos verdade que a prática já demonstrou que a tecnologia pode também ela ser discriminatória, dependendo da forma como seja programada.
O algoritmo da Amazon que eliminou do processo de recrutamento todas as mulheres porque “presumiu” que a empresa recrutava, preferencialmente, homens é disso um exemplo. Ora, numa altura em que as empresas começam a possibilitar a pesquisa de emprego e candidatura por voz — a McDonald’s já o faz — e as entrevistas conduzidas por robôs e depois sujeitas a um primeiro processo de triagem automatizado ganham escala, a relevância da linguagem e de aspetos relacionados com sotaque, pronúncia ou dicção tornam-se mais relevantes.
Podemos garantir que a máquina não selecionará preferencialmente candidatos com um padrão de linguagem idêntico ao que já predomina na empresa, colocando em causa a diversidade e a igualdade de oportunidades? Não, no seu atual estágio de desenvolvimento, ainda não. E é por isso que Amândio da Fonseca, presidente do Grupo Egor, recorda que “a capacidade da IA para, na fase atual de desenvolvimento, avaliar emoções e tomar decisões de recrutamento é hoje contestada com veemência pelos cientistas mais respeitados”.