Piri Reis Map – How Could a 16th Century Map Show Antarctica Without Ice? | Ancient Origins

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On October 9, 1929, a German theologian named Gustav Adolf Deissmann was cataloguing items in the Topkapi Palace library in Istanbul when he happened across a curious parchment located among some disr

Source: Piri Reis Map – How Could a 16th Century Map Show Antarctica Without Ice? | Ancient Origins

JÁ EM LINHA Tertúlia 24 Maria de Lourdes Crispim, Maria Luísa Timóteo, Rafael Fraga

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JÁ EM LINHA https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/videos/759135418051824

Pode ver todas as tertúlias anteriores e descarregar o vídeo em https://www.lusofonias.net/acorianidade/tert%C3%BAlias-saudade-dos-col%C3%B3quios-2.html

se quiserem ver sem descarregar vão a LUSOFONIAS – TERTÚLIAS SAUDADE DOS COLÓQUIOS

https://www.lusofonias.net/documentos/tert%C3%BAlias-saudade-dos-col%C3%B3quios.html

no Facebook https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/live/

Tertúlia 24 Saudades dos colóquios – Sábado 27 fev 2021 (18h00 AZOST) –19 HORAS LISBOA

Mª de Lourdes Crispim, Mª Luísa Timóteo, Rafael Fraga – modera Chrys C

TRANSMISSÃO EM https://www.facebook.com/lusofonias.aicl/

 

todas as anteriores em https://www.lusofonias.net/acorianidade/tert%C3%BAlias-saudade-dos-col%C3%B3quios-2.html

santa maria o cemitério dos americanos

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You can read the english version of this article, after the portuguese version.
O CEMITÉRIO DOS AMERICANOS
Já tinha ouvido falar do Cemitério dos Americanos que existiu em Santa Maria, no final da última grande guerra. Andei por aí a investigar e só me conseguiram dizer que era ao pé do Pico Maria Dias, entre o açucareiro e o quartel.
Olhar o terreno à volta do pico geodésico de nada me serviu até porque dali foi extraída uma grande quantidade de pedra para obras no aeroporto, o que desfigurou aquela elevação. Também a vedação do quartel militar que foi construído nas suas imediações descaraterizaram quase por completo toda aquela zona, como se pode observar pelas fotografias. Do lado oposto, da avenida de Santa Maria, as habitações que foram ali construídas também ajudaram a ocultar o pico.
As Forças Armadas dos Estados Unidos estavam num esforço a tentar retirar os seus militares dos teatros de guerra de uma Europa quase totalmente destruída. Era grande o movimento de aviões que escalavam diariamente a Base Americana de Santa Maria, chegando a estar estacionados nas suas pistas, em simultâneo, cerca de 500 aeronaves. Mas há quem diga que chegou a haver cerca de 1500 aterragens num só dia…
Nos anos quarenta as viagens eram extremamente longas. Por esse motivo, e porque na altura ninguém sabia quando a guerra iria terminar, os americanos equiparam a sua Base com tudo o que seria necessário para se viver e cuidar da saúde dos militares. Por isso criou um hospital de campanha onde ficavam internados alguns militares a recuperar um pouco da saúde, antes de regressarem à mãe pátria. Alguns não resistiam. Por isso, criaram também um cemitério onde eram depositados os corpos dos falecidos. Porém, não foram esquecidos. Antes de abandonarem a Base Aérea de Santa Maria, todos os corpos foram trasladados para os Estados Unidos.
Fui consultar fotografias antigas no site do Facebook do “Memórias e Lembranças da Ilha de Santa Maria”. Aí encontrei duas fotos do Cemitério em diferentes ocasiões.
Numa delas há um funeral onde se cumprem todos os ditames a que já nos habituamos a ver nos filmes americanos: há um imenso respeito pelos falecidos e a bandeira americana faz parte intrínseca da cerimónia, cobrindo a urna sendo, depois, e normalmente, dobrada e entregue ao familiar mais próximo. A continência é uma prática comum nestes casos além de uma salva de tiros.
Outra é do funeral de cinco militares. Quatro deles são da tripulação do Douglas C-54D-10-DC Skymaster, um avião militar que se despenhou no Pico Alto no dia 3 de Julho de 1945. Nesse acidente faleceu toda a tripulação: o Capitão David L. Satz e outros três militares.
Nas outras fotografias aparece o Hospital de Campanha onde estavam alojados alguns convalescentes a quem eram prestados cuidados de saúde antes de serem deslocados para a mãe pátria.
Também aparecem algumas fotografias da queda do Douglas C-54D-10-DC Skymaster, no Pico Alto.
Se, por acaso, algum dos leitores tiver mais alguma fotografia ou informação que possa melhorar este artigo, agradeço que mo comunique..
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THE AMERICAN CEMETERY
I had heard of the American Cemetery that existed in Santa Maria, at the end of the last great war. I went around investigating and they only managed to tell me it was at the foot of Pico Maria Dias, between the “açucareiro” (sugar bowl) and the barracks.
Looking at the terrain around the geodesic peak was not enough because from there a large amount of stone was extracted for works at the airport, which disfigured that elevation. Also the fence of the military barracks that was built in its surroundings almost completely removed the area, as can be seen from the photographs. On the opposite side of Santa Maria Avenue, the houses that were built there also hide the peak.
The United States Armed Forces were in an effort to try to pull their military out of the theaters of war in a Europe that was almost completely destroyed. There was a great movement of airplanes that climbed the American Base of Santa Maria daily, arriving to be parked on its runways, simultaneously, about 500 aircraft. But there are reports that talk about 1500 landings in one day …
In the 1940s, travel was extremely time-consuming. For that reason, and because at the time no one knew when the war would end, the Americans equipped their Base with everything that would be necessary to live and care for the health of the military. That is why he created a field hospital where some military personnel were hospitalized to recover their health, before returning to their mother country. Some did not resist. For this reason, they also created a cemetery where the bodies of the deceased were deposited. However, they have not been forgotten. Before leaving Santa Maria Air Force Base, all the bodies were transferred to the United States.
I went to consult old photographs on the Facebook site of “Memórias e Lembranças da Ilha de Santa Maria”. There I found two pictures of the cemetery on different occasions.
In one of them there is a funeral ceremony where all the dictates to which we are accustomed to seeing in American films are fulfilled: there is immense respect for the deceased and the American flag is an intrinsic part, covering the urn and then, normally, folded and delivered to the nearest family member. Continence is a common practice in these cases in addition to a volley of shots.
Another is the funeral of five military people. Four of them are the crew of the Douglas C-54D-10-DC Skymaster, a military aircraft that crashed at Pico Alto on July 3, 1945. In this accident the entire crew died: Captain David L. Satz and three other soldiers .
The other photographs shows the Field Hospital, where some convalescents were housed, who were given health care before being moved to their mother country.
There are also some pictures of the fall of the Douglas C-54D-10-DC Skymaster, in Pico Alto.
If, by any chance, any of the readers has any more photographs or information that can improve this article, I would appreciate it if you let me know.
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Luis Antonio Ricardo Candeias and 4 others
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AÇORES É PRIVADO O HOSPITAL QUE O GOVERNO DEVERIA TER CONSTRUÍDO

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O excelente hospital que os Governos Regionais deveriam ter construído
Um excelente e moderno hospital privado foi construído na cidade da Lagoa, na ilha açoriana de São Miguel. É o primeiro hospital privado nos Açores, está equipado com o que há de melhor na área da Saúde em muitas valências e será inaugurado em breve. Pelo que dizem e tem sido noticiado, ultrapassa em muito em qualidade e diversidade os hospitais públicos existentes no arquipélago.
Esse é o excelente e moderno hospital que os Governos Regionais dos Açores, quer do PSD quer do PS, deveriam ter construído, para o presente e para o futuro, em vez de gastarem milhões em obras megalómanas e de discutível utilidade social. Não tenho nada contra esse hospital privado, mas é preciso dizer que não será para qualquer açoriano…
A senhora presidente da Câmara Municipal da Lagoa – tem desempenhado bem a sua função, sem dúvida! – tem manifestado grande satisfação por esse hospital privado ter sido construído no seu concelho. Espera-se que esse hospital privado tenha uma atenção especial pelos habitantes do concelho da Lagoa, independentemente das suas condições sociais e financeiras…
De qualquer modo, o hospital privado na Lagoa valoriza sobremaneira a Saúde nos Açores e certamente terá acordos com o Serviço Regional de Saúde, para colaborar, em casos de necessidade, com os hospitais públicos regionais.
Além disso, os investidores nesse hospital privado deram uma grande lição aos sucessivos Governos Regionais dos Açores, que nunca atribuíram uma prioridade ao sector da Saúde, como comprovam as permanentes e longas filas de espera para consultas e cirurgias, sem esquecer que muitos doentes são enviados para hospitais públicos em Lisboa, adultos e crianças, porque na Região Autónoma não existem meios nem recursos técnicos e humanos para os tratar. Essa não é, de todo, a Autonomia político-administrativa que os açorianos desejavam e merecem!
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em Portugal morre-se de frio

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A CAUSA DAS COISAS
Portugal é um dos países europeus em que mais pessoas se dizem incapazes de manter as suas habitações suficientemente aquecidas. No conjunto dos países europeus, 7% das pessoas têm tais dificuldades. Em Portugal são 19%, quase 1 em cada 5 pessoas. A percentagem portuguesa é a 4ª mais alta na UE, mas já foi muito superior: em 2004, o ano em que começaram estes registos, 36% dos portugueses não conseguiam manter a casa aquecida.
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humanidade rumo ao colapso

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HUMANIDADE RUMO AO “COLAPSO IRREVERSÍVEL”?
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O NOSSO FUTURO ONTEM
Sob o título em epígrafe, escreve Viriato Soromenho Marques no DN:
«No dia 20 de fevereiro completaram-se vinte anos sobre o falecimento no New Hampshire da professora Donella Meadows (1941-2001). O seu nome está associado a uma obra que mudou a vida de muita gente da minha geração, o famoso relatório sobre os Limites do Crescimento (1972) apresentado ao Clube de Roma por uma equipa de investigadores do Massachusetts Institute of Technology.
O livro foi um extraordinário sucesso. Publicado no mesmo ano em que se realizou a primeira conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano, em Estocolmo, foi traduzido em 29 idiomas e venderam-se nove milhões de exemplares. Logo em 1973, pela mão das Publicações Dom Quixote, surgiu a edição portuguesa. O sentido de oportunidade para a tradução do livro ficou certamente a dever-se ao pioneirismo de José Correia da Cunha, à altura presidente da Comissão Nacional do Ambiente, a primeira entidade responsável em Portugal pela política pública de ambiente, fundada em junho de 1971.
Ao contrário dos estudos prospetivos da década de 1960, nomeadamente da autoria de personalidades como Herman Kahn, fundados num otimismo tecnológico inabalável, a obra de que Donella Meadows foi uma das responsáveis continha uma visão lúcida sobre os riscos do futuro, incluindo os aspetos sombrios que hoje fazem parte da nossa normalidade. Escrito no final dos “trinta gloriosos anos” de crescimento económico exponencial, um ano antes da crise petrolífera ativada pela Guerra do Yom Kippur (outubro de 1973), Limites do Crescimento procurou traçar cenários para um século (horizonte temporal que mais tarde seria seguido nos estudos no âmbito do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas – IPCC).
Donella foi uma pioneira na inovação científica. O estudo de 1972 utilizava pela primeira vez numa escala planetária, fora do campo estratégico e militar, a moderníssima metodologia prospetiva desenvolvida pelas ciências e tecnologias da informação. Donella e os seus colegas criaram um “modelo mundial” composto pela combinação dinâmica entre cinco fatores fundamentais: população, produção alimentar, utilização de recursos naturais não renováveis, industrialização e poluição. As conclusões eram claras: se a humanidade continuasse a seguir pela via do crescimento exponencial irresponsável, dentro de cem anos (em 2070) a nossa civilização atingiria uma situação de colapso irreparável.
Em 1972, não existia ainda o conceito de “desenvolvimento sustentável” (proposto pela primeira vez pelo IUCN em 1980 e popularizado a partir do Relatório Brundtland, em 1987). O conceito alternativo ao do crescimento exponencial a que Donella recorreu foi o de “equilíbrio global”.
Muitos dos adversários de Donella vão acusá-la de defender um modelo de “crescimento zero”, quando, na verdade, a ideia de um equilíbrio global se aproxima muito mais da proposta de “estado estacionário”, avançada por John Stuart Mill em 1848, que é hoje repercutida nos muitos autores que, em face da catástrofe ambiental e climática em curso, defendem a urgência de concentrar o crescimento nas componentes imateriais e qualitativas da condição humana, de baixa ou nula pegada ecológica.
Donella, com a sua inteligência e bondade, viajou a um futuro inóspito para o podermos evitar. Contudo, como sugeriu o nosso Almada Negreiros, entre as palavras que querem salvar a humanidade e os atos que a podem salvar de facto, vai uma imensa e misteriosa distância.»
VIRIATO SOROMENHO MARQUES
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MORREU HANNU MIKKOLA 78

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Finland’s rallying great Hannu Mikkola has died at the age of 78.
He won the world title in 1983 at the wheel of an Audi Quattro and was runner-up in the championship three times.
Mikkola also claimed his home 1,000 Lakes event on a record seven occasions.
“We lost my father Hannu to cancer this weekend”.
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O MOSTEIRO NO TOPO DA MONTANHA

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The Fanjingshan or Mount Fanjing, located in Tongren, Guizhou province, is the highest peak of the Wuling Mountains in southwestern China, at an elevation of 2,570 m (8,430 ft).
The Fanjingshan National Nature Reserve was established in 1978 and designated a UNESCO Biosphere Reserve in 1986. Fanjingshan is a sacred mountain in Chinese Buddhism, considered to be the bodhimaṇḍa of the Maitreya Buddha. It became a UNESCO World Heritage Site in 2018
It takes about four hours to hike the nearly 9,000 steps to the temples, though there are rest stops with snacks along the way.
(Source Wikipedia)
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A VACA QUE QUERIA SER VACINADA CONTRA O COVID

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Voltando à vaca-fria, falemos de CONFUSÃO NO HOSPITAL.
Na Colômbia, uma vaca invadiu uma sala de espera do Hospital San Rafael, lançando o pânico.

CONGO TRAGÉDIAS E GENOCÍDIOS ESQUECIDOS

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PARA COMPREENDER UM POUCO O QUE SE PASSA NO CONGO
(NA SEQUÊNCIA DO ASSASSINATO DO EMBAIXADOR DA ITÁLIA)
Escreve Almeida fernandes no Público:
«Na segunda-feira, 22 de Fevereiro, foram assassinados a tiro na República Democrática do Congo (RDC) o embaixador italiano, Luca Attanasio, e o carabineiro Vittorio Iacovacci. O atentado ocorreu no Parque Nacional de Virunga, na província do Kivu-Norte. Iam em missão humanitária, integrados num ‘comboio’ da Monusco (a força de estabilização da ONU). O crime poderá ter decorrido de uma tentativa de rapto. Os trabalhadores da ONU e das ONG, e também os padres, são muito apreciados porque rendem bons resgates. Attanasio era um militante das muitas causas africanas.
Não há certeza quanto ao bando armado que matou os italianos. Pouco importa. À excepção da Itália, o crime deu lugar a curtas notícias. Mas lembra o dever de olharmos para as “guerras esquecidas” da África, um flagelo da nossa época. Neste momento a Europa está assolada pela pandemia da covid e centrada sobre si mesma, o que é lógico. Este texto, superficial, é apenas um convite para pensarmos durante alguns minutos numa tragédia que pode parecer longínqua, mas que nos diz respeito, no plano moral e no plano geopolítico.
A sua relevância pode ser resumida numa pergunta: qual é o mais sangrento conflito desde a II Guerra Mundial? É a “guerra silenciosa” que há 26 anos se trava no Kivu-Norte e que, nas suas várias fases, já terá feito um total de cinco milhões de mortos.
O Kivu-Norte tornou-se numa região sem lei e quase sem Estado, onde os massacres étnicos se multiplicam, a violação se tornou uma arma de guerra e as crianças-soldados são carne para canhão dos “senhores da guerra” – e também escravos sexuais. Há países em que as riquezas naturais são uma maldição. É o caso da RDC. Hoje, a tragédia gira em torno do negócio de um minério, o famoso coltan, combinação de dois minerais, um deles o tântalo, indispensável para as baterias dos telemóveis, tablets e computadores. O coltan alimenta os bandos armados e é o primeiro fio que liga o nosso quotidiano à tragédia dos kadoga, as crianças-soldados.
A “grande guerra africana”
Tudo é trágico nesta história, a começar pela sua origem, o genocídio do Ruanda, em 1994. A maioria hutu massacrou centenas de milhares de tutsis para “erradicar a sua raça”. Foi o último genocídio do milénio. Um exército de exilados tutsis respondeu ao genocídio conquistando o poder, que os tutsis ainda hoje mantêm.
Pouco interessam as peripécias. Derrotadas, as milícias hutus, refugiaram-se na RDC. Formaram as Forças Democráticas para Libertação do Ruanda (FDLR), que passaram a ser perseguidas por milícias tutsis. Entretanto, abriu-se uma disputa do poder na RDC, que gerou uma guerra regional envolvendo Angola, Namíbia, Chade, Ruanda, Burundi e Uganda. Chamaram-lhe a “grande guerra africana”. Esta fase terminou em 2003, após um acordo patrocinado pela ONU sobre um governo de transição congolês, deixando mais de três milhões de mortos, essencialmente civis massacrados ou mortos pela fome ou por doença. Hoje, só no Kivu-Norte, há cinco milhões de deslocados e, no ano passado, registaram-se 2000 mortes devido à miséria.
No entanto, a semente ficou. A FDLR decompôs-se em inúmeros bandos terroristas, que vivem da indústria do rapto e da extorsão das populações civis. O conflito tornou-se mais complexo e difícil de abordar. Haverá cerca de 130 milícias armadas, conhecidas por Mai-Mai: o termo designa qualquer tipo de milícia congolesa, para lá das etnias. Umas têm relações directas com o Ruanda, outras com o Uganda, país que interfere frequentemente no Kivu. Na generalidade, foram fundadas para defender um dado território de outras milícias. Vivem de saques, sequestros e banditismo. Está no terreno também outro grupo, as Forças Aliadas Democráticos (ADF), ligado aos islamistas do Uganda e que, segundo Washington, estará associado ao Estado Islâmico (ou ISIS). A ONU acusou as ADF de terem assassinado mais de mil pessoas desde 2019.
O reino do coltan
Se as variadas formas de banditismo são responsáveis por grande parte dos crimes, tudo roda, no entanto, em torno da exploração das riquezas naturais. A RDC tem 75% das reservas mundiais de coltan, mas também grandes reservas de estanho, tungsténio e diamantes.
O jornalista italiano Alberto Negri explica como o sistema funciona: “A extracção dos minérios no Congo não exige tecnologia sofisticada. O coltan, as pepitas de ouro, os diamantes aluviais ou o cobalto – em que o Congo representa 60% da produção mundial – podem ser recolhidos à superfície ou a baixa profundidade, apenas com o uso das mãos. Mão de homem, mas também de crianças.”
É uma engrenagem infernal. Prossegue Negri: “Num país desestabilizado por anos de guerra civil, esta actividade [mineira] levou à criação de milícias ligadas aos ‘senhores da guerra’, financiadas clandestinamente por empresas estrangeiras exportadoras. Ocuparam militarmente as áreas mais rentáveis, combatendo-se entre si, escravizando os mineiros e oprimindo as populações locais. É um mercado em que a mão-de-obra não custa praticamente nada e extrai as mercadorias indispensáveis à indústria high-tech do mundo inteiro. É um mercado ilegal de que se servem a China e as multinacionais mineiras do Ocidente.”
Em 2010, o Congresso dos EUA decidiu exigir às empresas americanas a certificação de que o seu coltan não era “minério de sangue”. Foi uma primeira tentativa de legalização. O efeito foi o contrário do desejado. Uma súbita interrupção da actividade reduziu o financiamento dos “senhores da guerra”, mas desocupou também milhares de mineiros e muitos se alistaram em bandos armados. E as empresas europeias não foram abrangidas pelas novas regras.
As crianças-soldados
Uma das características deste conflito é o uso dos kadoga, crianças-soldados. Escreve no La Repubblica o jornalista Pietro del Re: “Em todas as aldeias atacadas, as milícias rebeldes, depois de terem morto os homens e violado as mulheres, raptam os mais pequenos para os transformar em escravos sexuais ou em combatentes.”
Há quatro anos, o médico congolês Denis Mukuege recebeu o Nobel da Paz, pela criação de um hospital em Bukavu, onde já tratou mais de 40 mil mulheres violadas. Explicou ao mesmo jornal a tragédia dos kadoga: “Estas crianças, a quem entregam espingardas e punhais, muitas vezes para torturar prisioneiros, na absurda crença de que podem ser mais cruéis do que um adulto, crescem na violência mais absoluta. A que vão praticar quando, por sua vez, se tornam adultos.”
Antonella Napoli, repórter italiana que segue a tragédia congolesa, publicou em 2019 um livro sobre as crianças-soldados, L’ Innocenza Spezzata (A inocência despedaçada), em que testemunha casos de barbárie, como o de Suleya, uma menina de 12 anos que perdeu os pais, o pai assassinado e a mãe violada e feita desaparecer pelos rebeldes dum autodenominado Exército de Libertação do Senhor. Um dia chegaram à aldeia para a saquear. Raptada e levada para uma escola de treino, Suleya estava destinada a ser uma criança-soldado e escrava sexual.»
JORGE ALMEIDA FERNANDES
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