La Palma. Povoação de El Paso destruída com desmoronamento parcial da cratera do vulcão

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Foi mais uma noite de destruição na Ilha de La Palma. Parte da cratera do vulcão desmoronou-se e novas línguas de lava arrasaram bairros e um polígono industrial que pareciam estar a salvo.

Source: La Palma. Povoação de El Paso destruída com desmoronamento parcial da cratera do vulcão

 

 

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/la-palma-povoacao-de-el-paso-destruida-com-desmoronamento-parcial-da-cratera-do-vulcao_v1354636

PORTUGAL NÃO É PARA VELHOS

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O assunto é grave, demasiado grave para ficar fechado nas gavetas dos governantes e reduzido a discussões e relatórios de grupos de trabalho que pouco mais fazem do que concordar com a gravidade da situação: o sistema nacional de pensões está à beira do colapso. Em Portugal e em boa parte da Europa.
Não é admissível que encaremos como natural que daqui por 10 ou 20 anos os novos reformados sejam obrigados a (sobre)viver com metade do salário que auferiam antes da reforma. Mas é isso que aponta o relatório “The 2021 Ageing Report” – publicado pela Comissão Europeia – que quase passou despercebido da discussão pública em Portugal e nos Açores em particular. O nosso país caminha a passos muito largos para um cenário em que o número de reformados será superior ao de cidadãos ativos e, por conseguinte, o atual modelo de financiamento das pensões de reforma irá colapsar se nada for feito. Contudo, as soluções preconizadas para evitar a derrocada do sistema passam, teoricamente, por um aumento da carga fiscal e da idade da reforma, e ainda assim sem que se consiga compensar os reformados com uma pensão justa e capaz de proporcionar uma última etapa de vida dentro dos parâmetros expectáveis. E aqui devemos perguntar, sem pudor, como pode alguém viver com metade, ou menos, do seu salário atual? Que velhice nos está reservada? Que modelo de sociedade vamos ter? Esta é uma realidade que se aproxima rapidamente e não se vislumbra quem avance com soluções à altura do problema.
O atual modelo de financiamento das pensões em Portugal já data do século passado, um modelo assente em pressupostos caducos. Contudo, e apesar de algumas vozes de alerta, o assunto não tem sido devidamente discutido e debatido por governantes, partidos da oposição, sindicatos e demais agentes da nossa sociedade. Devemos, ou por outra, temos que exigir de quem nos governa e de quem está na oposição política, um debate amplo e a procura urgente de soluções que não se limitem ao óbvio, pouco útil e injusto prolongar da idade da reforma associado a cortes progressivos e significativos no valor das pensões de reforma.
Se nada for feito estaremos condenados a viver num país – e numa Europa – que não será para velhos.
(Paulo Simões – Açoriano Oriental de 10/10/2021)
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De algumas autoras açorianas (irreverentes, livres e insubmissas) VICTOR RUI DORES

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De algumas autoras açorianas

(irreverentes, livres e insubmissas)

 

Durante milénios a mulher foi, e em muitos países ainda é, submetida ao poder masculino. Segundo os antropólogos, só na pré-história é que homens e mulheres viveram em harmonia. E isto porque nesse tempo não existiam povos nem estados separados, os seres humanos viviam em pequenos grupos (hordas) e tinham que se manter agregados, solidários entre si, para sobreviver e se defender dos animais ferozes e das intempéries. Quem se marginalizava morria. Logo não havia uma superioridade cultural entre homens e mulheres.

Só quando, muitos séculos depois, o ser humano se tornou sedentário, é que começou a surgir o domínio do homem sobre a mulher.

No mundo ocidental, muito por ação da moral cristã, a mulher submeteu-se, durante séculos, ao pater famílias. E só a partir dos finais do século XIX é que ela começa a reivindicar direitos e a lutar pela sua emancipação. Até aos dias de hoje. Porque apesar de ter conquistado os mesmos direitos do homem e de estar, perante a lei, em pé de igualdade com ele; não obstante ter conquistado espaços no mercado de trabalho e de participação política, a verdade é que a mulher continua, muitas vezes, a ser discriminada, preterida e explorada. O número (crescente) de casos de violência doméstica só prova que, nesta matéria, há ainda muitas batalhas a travar.

No universo açoriano, e num tempo em que o papel da mulher se confinava à procriação, às lides da casa e à educação, surgiram, no século XIX e primeiro quartel do século XX, algumas açorianas que se afirmaram pela escrita, mas, diga-se de passagem, que nenhuma delas atingiu o nível de uma Natália Correia (1923-1993). Alguns exemplos por cada uma das 9 ilhas: Madalena Férin (1929-2010), Santa Maria; Alice Moderno (1867-1946), São Miguel; Maria Francisca Bettencourt, pseudónimo de Maria do Céu (1904-1980), Terceira; Palmira Mendes Enes (1886-1968), Graciosa; Josefina Amarante (1907-2008), São Jorge; Otília Frayão (1927-2020), Faial; Josefina Canto e Castro (1907-2008), Pico; Maria Tomaz (1912 -1970), Flores; Maria Palmira dos Santos Jorge (1872-1956), Corvo.

Todas estas mulheres viveram à frente do seu tempo, transgredindo regras e normas. E isto em épocas de muitos e multifacetados conservadorismos, marcados pelo patriarcado e pelo machismo. Por isso foram mulheres irreverentes, livres e insubmissas, complexas e enigmáticas, inconformistas e inconformadas, incómodas e incomodadas, suscetíveis e insatisfeitas, sempre em busca do amor, do sonho e da felicidade. E deixaram seguidoras que têm vindo a dar muito boa conta de si na escrita: Adelaide Freitas (1949-2018), Ângela Almeida (1959- ), Avelina da Silveira (1959- ), Carolina Cordeiro (1977- ), Cisaltina Martins (1947- ), Conceição Maciel (1946- ), Fátima Maldonado (1941- ), Gabriela Silva (1953- ), Humberta de Brites Araújo (1959- ), Joana Félix (1955 – ), Judite Jorge (1965- ), Leonor Sampaio da Silva (1976- ), Luísa da Cunha Ribeiro (1960- ), Madalena San-Bento (1966- ), Maria Eduarda Rosa (1947- ), Maria de Jesus Maciel (1946- ), Maria Luís Soares (1940- ), Paula de Sousa Lima (1962- ), Sónia Bettencourt (1977- ), entre muitas outras.

Uma manifesta capacidade de explorar universos femininos não torna as narrativas destas autoras naquilo a que erradamente se poderia chamar de uma “escrita feminina”, ou “escrita no feminino”. Haverá uma escrita feminina por oposição a uma escrita masculina? Não tenho tempo nem pachorra para estéreis discussões académicas. Para mim é ponto assente que não há escritas masculinas nem escritas femininas – o que há são bons e maus escritores, bons e maus livros, boas e más escritas. No fundo o que faz a grandeza da literatura é caberem nela todas as paixões do homem e da mulher.

Para esta nova geração, a mulher, cidadã de direito, já não precisa nem quer a igualdade relativamente ao homem, mas simplesmente a paridade, fazendo enaltecer a diferença que distingue os dois sexos.

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” – continua a ter carradas de razão o nosso poeta maior.

 

Victor Rui Dores

NOVA ESCULTURA DE RUI GOULART

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Monsenhor Manuel Vieira Alvernaz, nascido na Ribeirinha do Pico em 1917, irmão do Patriarca das Índias, construiu a Igreja do Sagrado Coração de Jesus de Turlock. No estado da Califórnia, fundou o programa de rádio “Hora Católica Portuguesa”
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LÍNGUA, FALSOS AMIGOS E COMIDA

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Esta marca espanhola de comida rápida ‘não pode’ usar o nome em Portugal. Em português é uma frase pornográfica. ‘Broche’ é sexo oral; ‘pila’ é o órgão sexual masculino. “La Broche de la Pila” seria demasiado explícito para uma marca de comida em Portugal. 🙂 Suponho que neste caso não é idêntico na Galiza.
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MUSEOLOGIA EM SÃO MIGUEL

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A construção de um centro museológico dedicado às indústrias que começaram a ser instaladas em S. Miguel no final do século XIX é uma obra que assume um simbolismo de grande interesse. As indústrias do linho (mais antiga), da cordoaria, do chá, do álcool, do tabaco, da chicória, da baleia, da cerveja, do açúcar, da cerâmica, dos laticínios, da cerveja, das conservas, etc, etc, merecem ter um espaço onde se possa apresentar as suas histórias e as transformações que sofreram ao longo dos tempos.
Este espaço não pode ser encarado como uma simples montra do que somos capazes de fazer, para turistas verem. Ele deverá servir para lembrar aos açorianos que, se fomos capazes no passado também seremos capazes no futuro.
Claro que esta ideia encontra forte oposição em diversos quadrantes. Existem aqueles que gostam de nos empurrar para a condição de incapazes e os que, por motivos mais mesquinhos, pretendem apagar da memória coletiva esta fase da nossa vivência que à nossa dimensão correspondeu à nossa “revolução industrial”.
Em qualquer ilha com uma carroça se faz um museu, aqui apaga-se a História.
Cada um constrói a sua história com aquilo que dispõe, aqui destróiem-se os artefactos para que não se construa História.
Depois, de acordo com a vontade política de alguns estranhos, constrói-se a consciência histórica de um povo, sem que exista forma de poder contrariar o que é dito de forma a repor a verdade.
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JOACINE E O RACISMO

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A ATENÇÃO DA PAPISA DO “ANTIRACISMO” JOACINE
E DO PAPA MAMADOU BA
(sobre a escravatura):
• José Ferreira Diniz deixou este estudo: “Populações Indígenas de Angola” (1918), onde faz uma análise profunda e exaustiva de cada um dos povos que constituem o território angolano. No estudo descreve os fenómenos sociais e políticos que definem cada um dos povos, as suas especificidades e idiossincrasias.
• Independentemente do que se julga, estas tribos assemelhavam-se a estados: são monarquias absolutas, muitas vezes electivas, sem leis escritas, mas definidas por um conjunto de tradições, costumes, acordos e alianças, onde governa a lei da força e a autoridade suprema (de origem divina). Como característica transversal a cada uma delas, está a prática da escravatura. Para alguém ser reduzido a esta condição pouco bastava, fosse em tempo de paz ou de guerra. Ainda que a prática fosse combatida pela administração portuguesa desde o século XIX, no século XX continuava, fugindo ao seu controlo particularmente no interior angolano.
• É uma análise que falta aos nossos activistas de serviço e restantes revisionistas que tudo reduzem ao crime do “homem branco” e às “teorias críticas da raça”. O estudo sério e profundo mostra que a realidade não é tão dicotómica, mas muito mais difusa e até mais complicada do que pretendem os ideólogos.
Algumas citações do livro a respeito da escravatura praticada entre as tribos de Angola:
Dos Dembos:
“Os dembos e sobas praticam desenfreadamente a escravatura, vendendo ou trocando, sob o mais fútil pretexto, indivíduos do seu dembado para outro. Mesmo em Santo António de Caculo Cahenda, junto ao forte, se faz comércio de escravos, mas muito clandestinamente, porque sabem ser isso proibido pelas leis portuguesas.” (p.67)
“A mulher pode ser vendida com os filhos e estes podem ser, por sua vez, vendidos separadamente.” (p.67)
Lundas:
“Há diversos tipos de escravos: o escravo de guerra, constituídos pelos prisioneiros feitos ao inimigo, e que em geral são vendidos aos povos vizinhos; o escravo de dívida que trabalha por conta da pessoa que o tem como penhor, e que pode ser resgatado pela família; o escravo de compra que fica em casa do dono nas condições do escravo de dívida e que é vendido só em caso de necessidade; e finalmente o escravo que se oferece, um fugido que por dívidas ou por crimes deixa a sua terra e entrega-se.” (.p.117)
Maungos:
“No que respeita a escravatura existem escravos de guerra, escravos de dívida, de crime de homicídio ou outro de igual gravidade escravos por compra. Não há escravos voluntários. Os escravos são tratados como filhos e obedecem aos seus amos como se o fossem.” (p.183)
Os Mussucos:
“A moralidade desta tribo proíbe as relações sexuais antes e fora do casamento (…). É frequente a masturbação (maseka) e ainda que raramente, dão-se casos de sodomia (kindumbu) que são severamente punidos, passando à condição de escravos ou a novo senhor, aqueles que a pratiquem.” (.p.200)
“Passam à condição de escravos os filhos e os parentes daqueles que, para pagamento de alguma dívida ou reparação por crimes praticados, são obrigados a indemnizar o credor, a vítima ou os seus parentes, com um certo número de muleques. (…) Há alguns que voluntariamente se sujeitam a esta condição por melhor conveniência em se sustentarem(…)” (p. 200)
Diniz, José de Oliveira Ferreira, “Populações indígenas de Angola”, Coimbra: Impr.Universidade, 1918.
(Texto retirado do fb, de Daniel Sousa; imagem: A well-to-do person of Angola is carried in a four-man litter. 1836.)
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