os idosos José Gabriel Ávila

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Em prol da velhice – Crónica Rádio Atlântida
Ainda sou do tempo em que, quase todos os dias, os filhos casados visitavam a casa dos pais. Era um hábito antigo que traduzia o amor filial e uma certa dependência do mais velho chefe de família. Esse costume permitia também que os netos tivessem um contato estreito com a casa dos avós à qual se recorria sempre que necessário.
De há uns tempos para cá a figura dos avós nos espaços urbanos e nas localidades rurais alterou-se profundamente.
Poucos filhos visitam regularmente os pais, exemplo seguido pelos netos, a não ser por razões de mera conveniência: ir buscar os meninos à escola, dar-lhes de comer, levá-los a atividades extra-escolares, ou seja: para ser uma espécie de bá-bá que se usa quando interessa…
O tempo em que os netos ouviam estórias, eram acompanhados nos trabalhos de casa, ajudavam nas lidas da terra, ou aprendiam a fazer brinquedos tradicionais com as suas próprias mãos, pertence a um passado remoto.
O mundo mudou, é verdade, mas a experiência dos idosos e idosas constitui um património familiar e social que tem de se preservar.
A sociedade hoje tem na inclusão dos idosos um objetivo primordial. E para se manter solidária e humanista, tem de fazer alguma coisa para concretizar este desígnio.
Porque o idoso não pode ser um peso, um fardo, gente a mais, nem para a família nem para a sociedade. É uma pessoa com direitos e deveres como os demais e merece estar ativa e transmitir os seus conhecimentos de experiências feitos, para benefício de todos.
Impõe-se por isso, que os idosos sejam respeitados e vejam satisfeitas as suas necessidades básicas. O direito à saúde, à assistência médica, o direito à mobilidade no interior e exterior da sua casa, o direito a uma reforma ou pensão dignas das suas necessidades pessoais e familiares. E não um chequezinho numa situação aflitiva.
Responder aos direitos e necessidades da pessoa idosa, que são cada vez mais numerosas, enclausurando-as em lares e instituições de cuidados continuados, sem pessoal médico, de enfermagem e de técnicos preparados para cuidarem dessa gente fragilizada, é agravar-lhes a solidão e apressar-lhes o destino final.
Esta é também uma forma de violência em que vivem muitos cidadãos na vida ativa, mas quando ela afeta os mais frágeis e idosos, é de uma indignidade reprovável.
No próximo sábado vai celebrar-se, o Dia Internacional da Pessoa Idosa, instituído pela ONU em 1991.
Antevejo visitas e festinhas celebrativas, onde os responsáveis governamentais anunciarão aumentos de uns euritos nas magras pensões, ou um chequezinho para emagrecer as despesas com os encargos da saúde e da sobrevivência.
Os idosos, que a custo carregaram o tecido social, merecem muito mais. Merecem sobretudo que não os desconsiderem, com esmolas e gestos de caridadezinhas que não dignificam ninguém. Antes é uma forma de rejeitá-los e de exclui-los da sociedade que ajudaram a construir.
Para todos os idosos, o meu agradecimento pelas lições de honra, ajuda, simplicidade e dignidade que diariamente nos dão, e votos sinceros de Haja Saúde!
26 de setembro de 2022
You, Mario Jorge Costa and 17 others
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  • José Gabriel Ávila

    Curiosamente estes dois amigos vivem em Toronto. Para a rene um bj e para o Jo, um abraço e até ao verão se Deus quiser.
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  • Graça Ávila

    👏👏👏 Como sempre!
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  • Maria De Fatima Amaral

    Bem-Haja José Gabriel Àvila pelo texto maravilhoso e real que nos deu o prazer de ler. Verdade, uma verdade que nos tempos actuais, cada vez é mais notório. Há filhos que colocam os pais em qualquer lar e depois nem os vão visitar. Numa visita que f…

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  • Lucia Martinho

    Que texto maravilhoso! Tão verdadeiro! Adorei, obrigado pela partilha

mobilidade reduzida o tormento em ponta delgada 2

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Urbanismo e Mobilidade na Ilha de São Miguel ninguém deu importância às pessoas que andam a pé!!! Não hã passeio nem possibilidade de usar cadeira de rodas, carrinho de bebé, carrinho de compras!!!
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mobilidade reduzida o tormento em ponta delgada

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como se chega a pé ao Centro de Saúde de Ponta Delgada? impossível chegar com mobilidade reduzida, cadeira de rodas, canadianas ou qualquer tipo de muletas ou apoio!! Urbanismo e Mobilidade na Ilha de São Miguel
Chrys Chrystello

Toneladas de lixo em Marte colocam missões futuras em risco – Canaltech

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O pesquisador Cagri Kilic estima que Marte tenha cerca de 7.100 kg de lixo, composto por missões ativas, inativas e outras que se chocaram com o solo do planeta

Source: Toneladas de lixo em Marte colocam missões futuras em risco – Canaltech

lagoa (açores) liberta escravos 1522

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VILA DE LAGOA-AÇORES.
LIBERTAÇÃO DE ESCRAVAS
E ESCRAVOS
ALVARÁ EM 11 DE ABRIL 1522
Segundo Drº Gaspar Frutuoso livro IV Saudades da Terra.
ANTÓNIO LOPES DE FARIA.
Cavaleiro fidalgo professo da Ordem de Santiago e irmão da Misericórdia de Ponta Delgada, memposteiro-mór dos cativos de toda a ilha de São Miguel.Tinha muios escravos e escravas que em testamento deu carta de alforria a todos/as.Ajudou toda a ilha aos pobres pois tinha propriedades em todo o lado deixou ao seu sobrinho tudo numa condição de não servir senhores fidalgos nem El-rey nem de Capitães Donatários nem fiadores de tais.
O Tabelião Francisco Pires Teixeira a 3 de Janeiro de 1583 sendo seu sobrinho estamenteiro e herdeiro Pedro Faria.
Frutuoso continua: Era tido como o pai de toda a Vila.
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limpar cus

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Hoje ouvi de novo “tu trabalhas a limpar cus” e não é a primeira nem a oitava vez que ouço. E sinto a necessidade de reivindicar o meu trabalho e gritar para o mundo o quanto estou orgulhoso dele. Sim, senhoras e senhores, orgulho de limpar cus, cortar unhas, lavar cabeças, vestir, tomar banho, alimentar e cuidar de pessoas entre outras coisas, sim, PESSOAS, que não podem fazer sozinhas e precisam de ajuda. Mas vamos resumir como “limpar cus”.
Já estou um pouco farto das conotações negativas desta expressão que está intimamente ligada à minha profissão. É claro que nem todos somos bons para tudo. Por exemplo, eu não poderia trabalhar em algo que me obrigasse a mentir, como um banqueiro ou algo parecido. E ainda assim é uma profissão muito valorizada, pelo contrário, enfrentar a minha é como a última das anteriores. Digo-lhes que a maioria de nós que nos classifica assim nunca precisa de ninguém para “limpar cus”. Espero que nunca precisem de alguém para fazer isso. Mas se chegar a hora que for preciso, qualquer um dos meus colegas que sejam profissionais ou eu estarei disposto a te ajudar e fazer com que você tenha a melhor qualidade de vida possível, e sempre com bom humor e amor. Agora vão falar o que é realmente importante trabalhar para gente como nós enfermeiras, mas por favor, não usem a expressão “limpar cus” com desprezo, porque talvez um dia alguém tenha que fazer isso por você e acredite que você vai sentir grato ❤.
Assinado: Um limpador de cus
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