morreu o maestro que esqueceram JOSÉ ATALAYA

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PORQUE É QUE NOS ESQUECEMOS DE JOSÉ ATALAYA?
BOA PERGUNTA – MAS ACHO QUE TODOS SABEMOS A RESPOSTA…
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Porque é que nos esquecemos de José Atalaya?
Pedro Tadeu – DN / Opinião
24 Fevereiro 2021 — 00:07
Na segunda-feira passada, pelas 16 horas, apareceu-me este texto, assinado por Júlio Isidro, no feed do Facebook, sob o título “O Fim de uma Partitura”:
“Morreu há três dias o maestro José Atalaya.
Nem uma linha, nem uma voz, nem um excerto musical, para informar ou recordar quem foi este maestro que aos 93 anos partiu num triste adágio.
O que nós lhe devemos na divulgação da chamada música clássica, através de concertos onde o maestro explicava, de modo simples, o que os nossos ouvidos reativos recusavam descobrir para, depois, começar a gostar.
Esteve para ser engenheiro, mas trocou a resistência de materiais pelos resistentes à música que chamavam erudita para a remeterem só para os eleitos.
Nos anos 50 já estava na vanguarda, com a atração pela obra de Joly Braga Santos ou Pierre Boulez e o seu experimentalismo eletrónico.
Foi maestro fundador da Juventude Musical Portuguesa e, à frente da orquestra IMAVE – Instituto de Meios Audiovisuais de Educação – percorreu escolas e universidades a cativar milhares de jovens para o fascínio e os porquês da música.
O sucesso foi tão grande que os seus concertos, falados e tocados, enchiam o Teatro de S. Carlos e o Rivoli, com transmissão pela RTP e RDP.
Ainda nas emissões experimentais da RTP, em 56, apresentou o programa Música e Artistas com a violinista Leonor Prado e a pianista Nella Maissa.
No programa Juvenil, de que eu era um dos apresentadores, foi diversas vezes convidado para dar a conhecer o que andava a fazer nessa missão superior de conquistar ouvintes para a música. O que aprendi, só de o ouvir.
Criou as Quinzenas Musicais a partir do S. Luiz e o projeto Música em Diálogo que deu a volta ao país (…).
Calculem que foi o MFA – Movimento das Forças Armadas, em 1974 que o convidou para coordenador artístico das três orquestras da ainda Emissora Nacional.
A revolução que não se esqueceu da cultura.
Morreu o Maestro José Atalaya, tão à frente do seu tempo como foi o caso de um concerto com um Requiem de Mozart junto às paredes xistosas das gravuras de Foz Coa (…).”
Passadas uns minutos após a leitura deste texto de Júlio Isidro, lá comecei a ver umas notícias nos sites dos jornais portugueses sobre a morte do maestro, a agência Lusa lá enviou um despacho biográfico e o Presidente da República, já ontem, lá emitiu a obrigatória nota lamentativa. Embora com os tais três dias de atraso, a República cumpriu a sua habitual rotina para marcar o desaparecimento das pessoas que a influenciaram. Obrigado, Júlio Isidro.
Assistimos, portanto, a três mortes relacionadas com José Atalaya: a morte mediática, a morte na memória coletiva e a morte física. Ao desaparecer do circuito televisivo, José Atalaya, uma vedeta na minha adolescência, começou a morrer na sociedade portuguesa. Nos últimos anos já estava morto na memória coletiva, como o texto que citei documenta. A sua morte física, não fosse Júlio Isidro e mais algumas pessoas, esteve mesmo em risco de ser ignorada.
Como é que no tempo do Google e da digitalização de arquivos, no momento em que o acesso à informação sobre o passado nunca foi tão fácil, esse mesmo passado nos parece influenciar tão pouco? Esquecemo-nos de tudo o que ficou para trás: a começar no maestro José Atalaya e a terminar no retrato do país de há 50 ou 60 anos, muito mais atrasado, muito menos livre, muito mais oprimido, muito mais pobre, uma verdadeira tristeza de país. E, no entanto, a falta dessa memória está a criar em muitas pessoas de agora uma falsa outra memória: a ficção do “antigamente é que era bom”.
Há uma coisa que ajuda a explicar toda esta ignorância acumulada: faltaram, nos meios de comunicação social dos últimos anos, pessoas como maestro José Atalaya, preocupadas em popularizar o saber, o conhecimento e a compreensão da História, da Arte e da Ciência – afinal, uma das poucas boas coisas que o passado tinha era mesmo essa geração de divulgadores culturais que achava ser para isso que a TV e a rádio serviam.
Agora, ao que parece, o que está a dar para se ser famoso e aparecer na televisão é propor derrubar estátuas, monumentos e outras antiguidades… Enfim.
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  • Dirigia a sinfonica aqui do Porto no Carlos Alberto. Cheguei a ir a alguns concertos dele aos Sábados ao fim da tarde.
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depois de Ferlinghetti resta apenas Allen Ginsberg

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A legend departs – Lawrence Ferlinghetti (1919-2021) – Rest in peace, Lawrence – https://allenginsberg.org/…/lawrence-ferlinghetti-1919…/
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  • A huge loss. Too many hours spent in City Lights enjoying the fruits of his labor. Too many hours pouring over his work. A agenius, and a leader of protest. Go in Peace Lawrence.

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  • I met him in 1968 and was struck on how approachable and kind he was, especially to me one of the greatest unknown and unpublished young writers in San Francisco. He even passed on a book he published by Rene Daumal that he thought might be inspiration…

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  • Thank you for your wisdom: “Pity the nation whose people are sheep,
    and whose shepherds mislead them.

    Pity the nation whose leaders are liars, whose sages are silenced,…

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  • ONE OF MY HEROES
    KING OF THE BEATS
    SAIL ON SHIPMATE ⚓️

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  • What an incredible legacy! He will be missed but not soon forgotten
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  • Another great legend lost.
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  • During high school I was in a boy’s home on the Chicago north shore named Arden Shore. Around 1962-3 the guys were passing around a dog eared copy of Ferlinghetti’s ‘Coney Island Of The Mind’, so that was one of the first poetry materials I read, and a…

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  • I love the Whitman poster!

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  • Thank you for sharing your wisdom and for creating the worlds greatest book store.

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  • I met him once at City Lights Bookstore in San Francisco !! It was a serendipitous meeting 🙂

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  • Dog eared copy of Coney Island & Junkman’s Obbligato …https://www.angelfire.com/oh/BringUsAnotherBeer/junkman.html
    Junkman's Obbligato - Lawrence Ferlinghetti
    ANGELFIRE.COM
    Junkman’s Obbligato – Lawrence Ferlinghetti

    Junkman’s Obbligato – Lawrence Ferlinghetti

     

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MORREU UM DOS POETAS QUE MAIS ME MARCOU Lawrence Ferlinghetti,

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«Estamos tristes por anunciar que Lawrence Ferlinghetti, distinto poeta americano, artista e fundador da City Lights Booksellers and Publishers, morreu em San Francisco, Califórnia. Ele tinha 101 anos.»
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We are sad to announce that Lawrence Ferlinghetti, distinguished American poet, artist, and founder of City Lights Booksellers and Publishers, has died in San Francisco, California. He was 101 years old.
Ferlinghetti was instrumental in democratizing American literature by creating (with Peter D. Martin) the country’s first all-paperback bookstore in 1953, jumpstarting a movement to make diverse and inexpensive quality books widely available. He envisioned the bookstore as a “Literary Meeting Place,” where writers and readers could congregate to shares ideas about poetry, fiction, politics, and the arts. Two years later, in 1955, he launched City Lights Publishers with the objective of stirring an “international dissident ferment.” His inaugural edition was the first volume of the City Lights Pocket Poets Series, which proved to be a seminal force in shaping American poetry.
Ferlinghetti is the author of one of the best-selling poetry books of all time, A Coney Island of the Mind, among many other works. He continued to write and publish new work up until he was 100 years old, and his work has earned him a place in the American canon.
For over sixty years, those of us who have worked with him at City Lights have been inspired by his knowledge and love of literature, his courage in defense of the right to freedom of expression, and his vital role as an American cultural ambassador. His curiosity was unbounded and his enthusiasm was infectious, and we will miss him greatly.
We intend to build on Ferlinghetti’s vision and honor his memory by sustaining City Lights into the future as a center for open intellectual inquiry and commitment to literary culture and progressive politics. Though we mourn his passing, we celebrate his many contributions and give thanks for all the years we were able to work by his side.
We love you, Lawrence. 💖
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MORREU MAIS UM POETA

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In Memorian by Joan Margarit
The architect of the word
11 / V / 1938-16 / II / 2021
THE BOY OF THE SEMAPHOR
You’re the same age as I was
when i started dreaming of finding you.
I didn’t know yet, just like you
you have not learned yet, that someday
love is this loaded weapon
of solitude and melancholy
that is now pointing at you from my eyes.
You’re the girl I’ve been looking for
for so long when you didn’t exist yet.
And I am that man toward whom
you will one day want to direct your steps.
But then I’ll be so far from you
like now you of me at this traffic light.

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MORREU O PORTUGUÊS DOS FLEETWOOD MAC 2020

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A CAUSA DAS COISAS
Na semana passada, Christine McVie surpreendeu os fãs do Fleetwood Mac quando disse à BBC que não sabia se a banda faria uma turnê novamente. “Se o fizermos, será sem John [McVie] e sem Stevie [Nicks], eu acho”, disse ela. “Acho que estou ficando um pouco velho para isso agora, especialmente depois de ter tido um ano de folga. Não sei se consigo voltar a fazer isso. ”
Não consigo ouvir falar ou lêr sobre os Fleetwood Mac, sem me recordar a tristeza que foi o falecimento do meu querido amigo Eduardo Quintela, que deixei de privar desde 85, no final do ano passado.
Escritor de canções, teclista e compositor de origem portuguesa, Eddy Quintela foi também o segundo marido de Christine McVie, elemento fundamental na formação dos Fleetwood Mac. Para a banda norte-americana, Quintela compôs com McVie inúmeras canções entre os anos de 1987 e 1997. Entre elas encontra-se o êxito, “Little Lies” do álbum Tango in the Night, publicado em 1987. O hit ajudou este LP a tornar-se o segundo mais vendido de toda a carreira dos Fleetwood Mac.
BLITZ – Morreu Eddy Quintela, o português dos Fleetwood Mac
BLITZ.PT
BLITZ – Morreu Eddy Quintela, o português dos Fleetwood Mac
Morte do teclista e compositor dos Fleetwood Mac aconteceu esta sexta-feira, no Estoril
Artur Arêde

TIMOR, MORRE MAIS UM COMBATENTE PELA LIBERDADE

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Julião Mausiri
Faleceu ontem o cidadão timorenses Julião Mausiri, também conhecido como “Metan Zebra” (nom de guerre), antigo estudante do Externato de São José (Balide, Díli), escola que durante a ocupação indonésia de Timor preservou o ensino em língua portuguesa (para resumir a sua ação, pois muito há a dizer desta escola que estudei nos últimos anos).
Julião foi, como muitos dos estudantes e professores do ESJ, um combatente pela liberdade, pela independência de Timor-Leste e por uma identidade timorense distintiva na região e única no mundo.
Estamos de luto. Paz à sua alma.
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morreu mais um dos meus favoritos Chick Corea

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Chick Corea, um dos músicos mais reverenciados da história do jazz, com notável trabalhos com Miles Davis, Return to Forever, Stanley Clarke, Stan Getz, Al Di Meola e tantos outros, também já desaparecidos.
Alguns exemplos do seu virtuosismo como pianista, nesta notícia.
Chick Corea, gigante do jazz e pioneiro do fusion, morre aos 79 anos
IGORMIRANDA.COM.BR
Chick Corea, gigante do jazz e pioneiro do fusion, morre aos 79 anos
Chick Corea, um dos músicos mais reverenciados da história do jazz, morreu em d

Luis Gil Bettencourt

26 m
Sad, but super sad…
That One night at the Paradise in Boston with Return to Forever. Jam with Jaco…
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  • OH NO! This guy is a keyboard god. Damn. A living legend lost. Vai com Deus, maestro.
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Morre Jean-Claude Carrière,o roteirista de Buñuel

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He passed away yesterday.
′′ We come and we go back. Yet we can’t say anything about it. Nothingness – which is neither the nothing, nor the emptiness – remains the fundamental unknown, the non-being, without feeling, without conscience and without memory.” Jean-Claude Carrière
I met him early 2000 when I was stationed in New Delhi, still passionate about Asian culture especially Indian.
And still focused on adaptations of the famous Mahabharata, 9 hours of show, who had enchanted the Avignon festival audience in 1985

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Jean-Claude Carrière : "La grande aventure de l'esprit au XXe siècle, c'est la science"
FRANCECULTURE.FR
Jean-Claude Carrière : “La grande aventure de l’esprit au XXe siècle, c’est la science”

Eunice Brito

Morre Jean-Claude Carrière, o roteirista de Buñuel
BRASIL.ELPAIS.COM
Morre Jean-Claude Carrière, o roteirista de Buñuel
Ganhador de dois Oscars e figura fundamental do cinema da segunda metade do século XX, o autor de ‘A Bela da Tarde’ e ‘O Discreto Charme da Burguesia’ tinha 89 anos
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MORREU MARY WILSON, UMA DAS SUPREMES

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Carlos Fino

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The Supremes - Stop! In The Name of Love [The Hollywood Palace - 1965]
https://www.youtube.com/watch?v=Aax5EDQMOq4&feature=share&fbclid=IwAR0p0-l4xf9lCq1vDqfEo_KQHHumxJZTCpiJmycy99YJrVlORcfhLYAaKwo
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The Supremes – Stop! In The Name of Love [The Hollywood Palace – 1965]

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LUTO PELAS SUPREMES – MORREU MARY WILSON

Morreu o José António Freitas Sousa.Actor, produtor de rádio e de televisão

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Morreu um amigo.
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Morreu o José António Freitas Sousa. Era um tipo interessante. Actor, produtor de rádio e de televisão, trabalhou comigo na SIC durante os 3 anos em que fiz o programa “Casos de Polícia”. Era assistente de estúdio, uma espécie de diretor de cena, coadjuvante do realizador que estava sentado na régie.
O Zé António coordenava tudo o que se passava ali. O programa tinha uma abordagem especial à temática da segurança e da criminalidade. Muitas vezes, os criminosos eram os próprios polícias, tivemos várias histórias desse tipo. Numa das vezes, um comandante da PSP foi ao estúdio para responder a umas questões melindrosas sobre a atuação da polícia. O comandante em questão era proveniente do Exército e apresentou-se fardado a rigor e de pingalim na mão. À entrada do estúdio, o José António disse-lhe que não podia entrar de pingalim. O outro empertigou-se. O José António apenas o avisou que “armado, não o deixo entrar”. E desarmou o arrogante.
O José António era um homem de carácter.
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FALECEU o presidente da Fundação Côa Parque.

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Faleceu Sábado, vítima de doença súbita, o presidente da Fundação Côa Parque. Nascido em Coimbra em 1977, Bruno José Navarro Marçal fez os estudos secundários em Vila Nova de Foz Côa e licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, onde fez também um mestrado em História Contemporânea. Doutorou-se depois pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, onde chegou a ser professor, exercendo também a docência no Instituto Superior de Ciências Educativas. Era ainda investigador no Centro Interuniversitário de História da Ciência e da Tecnologia e no Centro de História da Universidade de Lisboa. da Ciência e da Tecnologia e no Centro de História da Universidade de Lisboa.
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