Harry Belafonte, activist and entertainer with a ‘rebel heart,’ dies at 96 | CNN

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Harry Belafonte, the dashing singer, actor and activist who became an indispensable supporter of the civil rights movement, has died, his publicist Ken Sunshine told CNN.

Source: Harry Belafonte, activist and entertainer with a ‘rebel heart,’ dies at 96 | CNN

Faleceu a empresária Fátima Pacheco de Medeiros

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Faleceu a empresária Fátima Pacheco de Medeiros
Fátima Pacheco de Medeiros faleceu ontem à noite aos 94 anos de idade, no Hospital do Divino Espírito Santo, devido a vários problemas cardíacos. Chegou a pertencer à direcção da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada. Para Fátima Pacheco de Medeiros a vida foi “uma permanente escola”, como afirmou. Para uns foi “um exemplo e, para outros, uma lição de persistência e querer”. Nasceu na Povoação, onde passou, como afirmava, “um período maravilhoso” da sua vida, “ficando-lhe na alma e no pensamento todos os anos da infância”, conforme descreveu numa entrevista ao Correio dos Açores quando foi homenageada pelo jornal. Vinda para Ponta Delgada, estudou até ao sétimo ano. Gostava de literatura, e para comprar os seus primeiros livros teve que ir trabalhar para a Farmácia Pacheco de Medeiros, propriedade de seu pai. Fez parte de um grupo de elite intelectual de amigos, na casa dos 20 anos, que se reunia no Bureau de Turismo, na Matriz, no tempo do jornalista Silva Júnior. Profissionalmente, Fátima Pacheco de Medeiros encarregou-se da contabilidade e fez, inclusive, “um curso de Contabilidade na Escola Comercial Velho Cabral, por ser a mais especializada nesta área” ficando depois encarregue pela gestão da empresa de construção civil do pai, a Pacheco de Medeiros, Lda., na Rua dos Mercadores, enquanto o irmão se encarregou da farmácia. Fátima Pacheco de Medeiros era uma proeminente empresária respeitada no meio empresarial açoriano.
Deixa dois filhos, uma nora e dois netos.
As cerimónias fúnebres decorreram ontem, pelas às 15h30, na capela do cemitério São Joaquim, em Ponta Delgada, e o corpo será cremado hoje.
O Jornal Correio dos Açores, na pessoa do seu Director, Américo Natalino Viveiros, envia à família as sentidas condolências.
(Correio dos Açores de 23.04.2023)
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Angela Maria De-Furtado

Os meus sentimentos.
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JOÃO SERRA, HISTORIADOR, MORREU

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Óbito/João Serra: PR e direção do património lamentam morte do ex-chefe da Casa Civil de Jorge Sampaio
Lisboa, 20 abr 2023 (Lusa) – O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, e a Direção-Geral do Património Cultural lamentaram a morte do historiador João Serra, antigo chefe de Casa Civil do ex-Presidente Jorge Sampaio e que foi responsável pela instalação do Museu Nacional Resistência e Liberdade.
Numa nota do Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa lamenta a morte do “homem de cultura, professor e historiador”, que “lecionou em diversas instituições, mais recentemente no Instituto Politécnico de Leiria, nas Caldas da Rainha”, e “foi também investigador e docente no ISCTE e na Universidade Nova da Universidade de Lisboa, sendo autor e coautor de várias obras, designadamente sobre a História da República e o republicanismo”.
O Presidente da República lembra que João Serra foi condecorado, em 2006, com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo e como Grande-Oficial da Ordem da Liberdade, tendo exercido as funções de vogal do Conselho das Ordens Nacionais.
A Direção-Geral do Património Cultural manifestou também o seu “profundo pesar” numa nota em que destaca o “papel fundamental” de João Serra no projeto de instalação de conteúdos do Museu Nacional Resistência e Liberdade (MNRL), sob a sua tutela, enquanto membro da Comissão de Instalação de Conteúdos e Apresentação Museológica (CICAM) e responsável pelos conteúdos sobre a História da Fortaleza, do século XV ao século XIX.
Natural das Caldas da Rainha, o historiador, que nasceu em 22 de abril de 1949, morreu na passada quarta-feira, dia 19 de abril.
A Direção-Geral do Património Cultural assinala que João Serra “foi uma figura ímpar na vida cultural do país e mais especificamente na zona oeste e região de Leiria”, tendo desempenhado as funções de investigador e docente no ISCTE-IUL e na Universidade Nova de Lisboa, assessor e chefe da Casa Civil nos anos da Presidência de Jorge Sampaio (1996-2006) e, mais recentemente, de coordenação do Grupo de Missão e a presidência do Conselho Estratégico da candidatura de Leiria a Capital Europeia da Cultura 2027, refere aquele organismo.
João Serra foi consultor de Jorge Sampaio para a área da Cultura e assumiu as funções de chefe da sua Casa Civil na reta final do mandato, após a saída de José Filipe Moraes Cabral, embaixador de Portugal em Espanha, França, na UNESCO e junto das Nações Unidas, em Nova Iorque, entre outros países.
João José de Sousa Bonifácio Serra era professor coordenador do Instituto Politécnico de Leiria, na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha (ESAD.CR). Com trabalhos publicados sobre história social e política portuguesa dos séculos XIX e XX e participações em obras coletivas, colóquios e seminários em Portugal e no estrangeiro.
Foi administrador e Presidente da Fundação Cidade de Guimarães, entidade que planeou e coordenou a Capital Europeia da Cultura (2009-2013). Integrou, entre 2008 e 2009, como director executivo, a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. No âmbito da rede Cultura 2027, coordenou a candidatura de Leiria a capital europeia da Cultura.
O velório será realizado no sábado, dia 22, a partir das 10h00 horas, no Centro Funerário de Cascais. A cremação será às 15h30 horas, após uma breve cerimónia de homenagem, de acordo com a página da Associação do Património Histórico das Caldas da Rainha, da qual João Serra foi fundador.
JPS (DA) // SF
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Amelia Inacio

Descanse em Paz no Reino do Senhor Amém 🙏🙏🙏🙏🙏
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morreu um poeta

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Maria Jorgete Teixeira is feeling sad.

Morreu o poeta Joaquim Pessoa.
Morreu um amigo.
CAVALO DE PALAVRAS
Cavalo de palavras quem me agarra
quem aparta de mim esta saudade?
Quem fez da minha voz uma guitarra
tocada pelos dedos da verdade?
Cavalo de palavras quem me dera
poder erguer a voz. Calar o pranto.
Trazer no meu poema a primavera
por dentro de uma flor de verde espanto.
Cavalo de palavras meu amigo
meu soneto da mágoa mais acesa
pelas praias do sangue vou contigo
percorrer esta língua portuguesa
procurando o lugar que é o abrigo
das enormes gaivotas da tristeza.
*
in AMOR COMBATE.
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Anália Gomes

Oh… estava doente?
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Fernando Fitas

Anália Gomes Estava. Há um tempo. Aliás, já não esteve presente na cerimónia de entrega do Prémio de que é patrono, realizada em Outubro.
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morreu MARY QUANT MÃE DA MINISSAIA

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AOS 93, MORREU MARY QUANT
A ESTILISTA INGLESA QUE, NOS ANOS 60, LANÇOU A MINI-SAIA
Morreu esta quinta-feira Mary Quant, a rainha da moda britânica dos anos 1960 que popularizou a minissaia. Tinha 93 anos.
Quant “morreu pacificamente em casa em Surrey, no Reino Unido, esta manhã”, anunciou a família em comunicado, descrevendo-a como “uma das estilistas mais reconhecidas internacionalmente do século XX e uma inovadora notável”.
A estilista nasceu no sudeste de Londres em 11 de fevereiro de 1930, filha de dois professores galeses.
O comunicado da família lembra que a primeira loja de Mary Quant abriu em 1955, em Kings Road, na Zona de Chelsea, na capital londrina.
Antes, diplomou-se em educação artística no Goldsmiths College, onde conheceu o marido, Alexander Plunket Greene, que mais tarde a ajudou estabelecer a sua marca.
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Porto diz adeus ao proprietário do Majestic

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O empresário Agostinho Ferreira Barrias, conhecido por ser o proprietário dos históricos cafés portuenses Majestic e Guarany, morreu, na quinta-feira, aos 85 anos. A cerimónia fúnebre está marcada para segunda-feira, à tarde, na igreja das Antas.

Source: Porto diz adeus ao proprietário do Majestic

Morreu hoje o artista plástico Manuel Baptista aos 87 anos

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Morreu hoje o artista plástico Manuel Baptista aos 87 anos
Lisboa, 08 abr 2023 (Lusa) – O artista plástico Manuel Baptista morreu hoje em Lisboa aos 87 anos, indicou à Lusa João Pinharanda, diretor artístico do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), que pertence à Fundação EDP, num comunicado.
“A Fundação EDP lamenta profundamente a morte, hoje, em Lisboa, do pintor Manuel Baptista, artista que integra a sua coleção de arte e que foi objeto de uma importante exposição, na Central Tejo, ‘Fora de Escala’, em 2012”, lê-se no comunicado.
“À sua família, em especial à artista Maria José Oliveira, companheira de muitas décadas, apresentamos os nossos sinceros sentimentos”, acrescentou João Pinharanda.
Joaquim Manuel Guerreiro Baptista nasceu em Faro, em 1936, e formou-se em pintura em Lisboa, em 1962, na Escola de Belas-Artes, onde lecionou por um breve período, referiu o diretor do MAAT.
“Bolseiro da Fundação Gulbenkian em Paris, em 1963 e do instituto italiano, em Ravena, em 1968, passou também largas temporadas na República Federal da Alemanha (RFA), onde, nos anos de 1977 a 1980, estabeleceu significativas relações com colecionadores e galerias”, indicou, sublinhando que, “em Portugal, [a obra de Manuel Baptista] integra todas as grandes coleções museológicas, e [este] manteve atividade constante no universo galerístico”.
Dividindo o seu tempo entre Lisboa e Faro, desenvolveu naquela cidade algarvia “uma importante missão artística e pedagógica quando dirigiu, na década de 1990, duas galerias municipais, a Trem e Arco, nelas apresentando um vasto leque de artistas históricos e jovens”.
“Vários prémios nacionais (Soquil, 1970; Arus, 1982; Bienal de Cerveira, 1984; BANIF, 1993) e algumas exposições antológicas e retrospetivas do seu trabalho (Loulé, 1988; SNBA, 1990; ou Casa da Cerca, Almada, 1996) foram garantindo o seu reconhecimento”, prosseguiu um dos veteranos da curadoria e da crítica de arte portuguesas.
Pinharanda destacou que Manuel Baptista recebeu, em 2012, o Prémio Autores, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) à exposição apresentada no Museu da Eletricidade (atual MAAT), da Fundação EDP, e que “essa exposição revelou uma faceta desconhecida da sua obra, concretizando projetos de escultura e instalação das décadas de 1960 e 1970 e proporcionando uma nova dimensão crítica ao seu trabalho, próximo da Pop internacional nos temas (objetos do dia-a-dia), materiais (néon, plexiglas, metal) e escala (com soluções que justificaram o título da exposição: ‘Fora de escala’”.
“A sua obra é múltipla e difícil de classificar: desenvolveu-se no campo da pintura, do desenho e da instalação, numa tensão permanente entre Figuração e Não-Figuração, entre paisagismo e um fascínio quase Pop pelo quotidiano”, observou.
“As falésias do seu Algarve natal podiam ser pensadas como enormes e festivas esculturas ou estruturas reveladas em sombrios desenhos; recortes sobrepostos podiam revelar-se como subtis janelas sobre um mundo vegetal; as formas mais simples da geometria podiam desenvolver-se em pinturas monocromáticas (círculos, pentágonos, triângulos), mas onde a superfície era enriquecida por sucessivas camadas de recortes constituindo delicados relevos e sombreados, ou os semicírculos tornarem-se delicados e complexos leques”, descreveu.
Segundo João Pinharanda, Manuel Baptista preparava, para o próximo mês de julho, uma nova retrospetiva global do seu trabalho, no Museu de Faro e na galeria Trem.
“A sua concretização confirmará a importância e singularidade da sua obra”, concluiu.
ANC // MSP
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Morreu José Duarte, o homem dos “5 Minutos de Jazz”

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【A CAUSA DAS COISAS】
O “Cinco Minutos de Jazz” completou em 2023 5️⃣7️⃣ anos e mantém-se como o mais antigo conteúdo de rádio em Portugal.
Estreado a 21 de Fevereiro de 1966 na Rádio Renascença, quando José Duarte tinha 28 anos. O programa foi apenas interrompido após o 25 de Abril. Regressaria em 1984 aos microfones da Rádio Comercial.
O “Cinco Minutos” não mais parou. O Jazz diário de José Duarte passou a ser emitido na Antena 1 a partir de 1993, isto é, completa precisamente 30 anos na Rádio Pública a divulgar a história do jazz, abrangendo diferentes estilos e décadas.
Morreu José Duarte, o homem dos "5 Minutos de Jazz" | TVI Notícias
TVI.IOL.PT
Morreu José Duarte, o homem dos “5 Minutos de Jazz” | TVI Notícias
EM ATUALIZAÇÃO
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JAZZ JOSÉ DUARTE DEIXOU-NOS

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Morreu José Duarte, o meu mestre em Jazz
Ouço os 5 minutos de Jazz, o programa radiofónico de José Duarte, desde os meus 15 anos, quando passava na RR às 23h30
Pode ser uma imagem de 1 pessoa, barba e interiores
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mestre Eduardo da Garagem Aurora deixou-nos

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Deixou-nos o Mestre Eduardo da Garagem Autora. Infelizmente perdemos hoje um técnico de excepção e mais do que tudo uma pessoa boa e tranquila. Mestre Eduardo era um dos ‘magos’ da marca Porsche reconhecido em todo mundo. O seu “palmarés” supera o de todos os pilotos e equipas que ajudou ao longo da sua vida. A doença fe-lo perder esta última corrida. Que descanse em paz. Fica para sempre nos nossos corações! Até sempre, Mestre Eduardo !
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morreu um dos maiores portugueses de sempre

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O PORTUGAL DOS HOMENS DIGNOS ESTÁ DE LUTO
– Paz à sua alma.
– Esperemos que haja a coragem de pelo menos 1 dia de luto nacional
Morreu o empresário Rui Nabeiro
NOTICIASAOMINUTO.COM
Morreu o empresário Rui Nabeiro
Almoço de Domingo por José Luis Peixoto

“Uma das características mais fortes de Rui Nabeiro é a sua generosidade”, José Luís Peixoto

3ª edição. Primeiro lugar no top de vendas desde que foi publicado. Direitos vendidos para @companhiadasletras (Brasil) e @penguinrandomhouse (países de língua castelhana). O Almoço de Domingo é um dos romances mais bem sucedidos de José Luís Peixoto. É sobre o empresário Rui Nabeiro. Sobre as memórias de um homem de 90 anos, que tem como uma das características mais fortes a generosidade
É sobre um homem rico, “muito diferente dos ricos mais comuns no Alentejo e, já agora, também no resto do país”, como nos descreve José Luís Peixoto, um dos autores de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea. Foi uma ótima junção. No Almoço de Domingo.

 

O comendador Rui Nabeiro propôs-lhe a escrita das suas memórias – que acabou por ser um romance biográfico.
Como recebeu este convite?

No exato momento em que foi feito, deixou-me muito surpreendido. Posteriormente, começou a fazer-me muito sentido, por sermos os dois do Alentejo, por termos mais algumas coisas em comum, como uma grande dedicação à nossa terra. Ainda assim, vi logo o grande potencial que estava presente nessa possibilidade. Rui Nabeiro nasceu em 1931 e, como se sabe, tem uma história muitíssimo preenchida. Ter a oportunidade de conhecê-la a partir da sua própria boca, com os detalhes que a sua memória guarda foi algo que, logo nesse momento, me pareceu ser um grande privilégio e uma extraordinária oportunidade de escrita.

Como foi preparar este livro? Como e com que regularidade comunicavam? Tinham uma lista de temas definidos ou seguiam ao sabor das memórias? E a oportunidade de partilhar de um património de alguém que tem uma história que se confunde com a do país?

Comecei a preparar este livro em setembro de 2019. Numa primeira fase, li vários materiais que encontrei sobre Rui Nabeiro. Ao longo dos anos, deu muitas entrevistas longas, foram feitos múltiplos trabalhos jornalísticos. Essa matéria foi muito importante para definir algumas ideias essenciais sobre os contornos da sua vida. Depois, quando nos começámos a encontrar, tentei sempre que conversássemos sobre aqueles assuntos, cujas respostas só ele me poderia dar. Foram momentos em que viajámos nas suas lembranças, muito precisas quase sempre. Aos poucos, com a convivência, fomos ganhando confiança para entrar em temas pessoais que, em grande medida, me pareciam fundamentais para contar a história deste homem. Como se sabe, houve um período em que tivemos de interromper os encontros ao vivo, esse foi o período mais rigoroso da quarentena. Nessa época, chegámos a ter um encontro virtual, à distância, mas não era a mesma coisa. Então, interrompi o trabalho neste livro, tendo-o retomado um par de meses depois. Para mim, foi muito impactante ouvir estas memórias de Rui Nabeiro. De certa forma, transformaram-se também em memórias minhas.

“Ainda hoje, Rui Nabeiro não gosta de ser tratado por ‘rico’”. O José Luís Peixoto fala dos mitos que existem em torno do Comendador e que este livro pode ajudar a desmistificar.
Mais algum bom exemplo?

São várias as histórias que se contam. A maioria delas, mesmo que não sejam literais, têm um fundo de verdade, surgem de características que, de facto, Rui Nabeiro cultiva e que o fazem ser diferente. Ao escrever este romance, uma das minhas principais intenções era dar conta da sua dimensão humana. Nesse sentido, todo o ser humano é contrário a mitos. Por um lado, é claro que Rui Nabeiro é um rico muito diferente dos ricos mais comuns no Alentejo e, já agora, também no resto do país. Por outro, as suas histórias do contrabando, para dar apenas um exemplo, são lendárias, embora falem de um tempo bem real.

“Temos todos de pensar uns nos outros”, Comendador Rui Nabeiro. Que “lições” aprendeu (e podemos todos aprender) com este Homem de 90 anos?
Que histórias mais o surpreenderam?

Creio que o exemplo de Rui Nabeiro é muito marcante e deixa-nos a todos a refletir sobre o nosso papel na sociedade, de que forma contribuímos para o coletivo a que pertencemos. Uma das características reconhecidamente mais fortes de Rui Nabeiro é a sua generosidade. Pela minha parte, sinto que há uma imensa sabedoria nessa generosidade. Acredito que os 90 anos que cumpriu recentemente contribuem bastante para essa visão do mundo, essa clareza no discernimento que faz daquilo que é importante. Ainda assim, pelo que li e pelo que apreendi da oportunidade que tive de privar com ele, tenho a sensação de que sempre teve essas qualidades. No fundo, parece-me, esse é o grande segredo da sua vitalidade, distingue de forma muito objetiva aquilo que considera importante, e é a esses valores que se dedica completamente.

 

Foto: facebook José Luís Peixoto