portugal a racionar testes e camuflar estatísticas

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Andamos, muitos, a dizer isto há mais de uma semana.
A irresponsável e completamente incompetente equipa do ministério da saúde anda a combater uma tremenda epidemia com planos de contingência, burocracia, manobras dilatórias, desinformação (quando não impõe regras insensatas, dá informação contraditória e faz recomendações incompetentes). Tudo estratégias para salvar aparências e gerir o assim inevitável caminho para o descalabro.
Uma tragédia anunciada!

<<By Jorge Buescu

CONFIRMADO: PORTUGAL RACIONA OS TESTES.

Os números de hoje confirmam aquilo para que tenho estado a alertar. Pelo segundo dia consecutivo, decresceu o número ABSOLUTO de testes administrados a uma população cujo número de infectados cresce exponencialmente – e mesmo com menos testes o número de casos detectados cresce a uma taxa cada vez maior. Hoje foi efectuado o menor número de testes por infectado desde que tenho registos (10/3), exceptuando o dia da catástrofe de Ovar. Nunca se fizeram tão poucos testes, nem mesmo no início da crise. Os números sugerem que estamos a chegar ao limite dos testes disponíveis, e portanto a racioná-los.

Os números falam por si. NT são os novos testes, NC os novos casos.

20/3 NT: 2122 NC: 260
21/3 NT: 1925 NC: 320
22/3 NT: 1895 NC: 460

FONTE: Boletim epidemiológico da DGS, 20/3, a 23/3 .

Como expliquei ontem, um maior número de infectados detectados numa amostra menor significa que a taxa de crescimento está artificialmente camuflada. Pelos meus cálculos, a taxa real situa-se neste momento entre os 37% e os 40%. Muito maior do que qualquer país que estou a seguir (Itália, Espanha, Alemanha, França, Reino Unido).

Outra razão pela qual me merece pouca na precisão dos números comunicados pela DGS é a seguinte. Até 19/3 todos os números constantes dos boletins eram exactos até à unidade. A partir daí os casos confirmados passaram a ser sempre ”números redondos”: 1020, 1280, 1600, 2060. Sob o olhar treinado de um físico, ou mesmo destreinado de qualquer pessoa que tenha trabalhado em laboratório, muito dificilmente acontece por acaso — quatro vezes seguidas. Muito provavelmente são o resultado simplesmente de aproximações à dezena mais próxima. Se assim for, isto revela um facto muito preocupante: a própria DGS não sabe bem os números exactos de infectados, tendo perdido o controlo da situação.

Não compreendo como não há jornalistas que confrontem a Ministra e a DGS com esta realidade. Ninguém sabe ler os Boletins da DGS e fazer contas de subtrair?

Se estas minhas conjecturas estiverem certas, temos muitos, mas MUITOS MAIS infectados na população. Neste momento estimo entre 20.000 e 60.000. Quando (ou se) finalmente começarmos a testar sistematicamente a população, ver-se-á o número a explodir. Até lá, e como não é possível enganar a Natureza, os números mais fiáveis passam a ser os dos internamentos, internamentos em UCI e mortos, pois estes não se podem esconder. No entanto, não farei publicamente essa análise, que considero demasiado dolorosa.

Termino de novo com as orientações do Director-Geral da OMS a 16 de Março, que claramente estamos displicentemente a não cumprir. “We have a simple message for all countries: test, test, test. Test every suspected case, if they test positive, isolate them and find out who they have been in contact with two days before they developed symptoms and test those people, too.”>>