Faleceu escritor açoriano Cristóvão de Aguiar – Jornal Açores 9

Views: 0

Cristóvão Dias de Aguiar nasceu a 08 de setembro de 1940, no Pico da Pedra, e era uma referência da literatura, com um longo percurso iniciado em 1965 com a publicação do livro de poesia “Mãos vazias”. Na sua vasta obra literária, destacam-se a trilogia romanesca “Raiz Comovida”, “o Braço Tatuado” —onde relata a sua […]

Source: Faleceu escritor açoriano Cristóvão de Aguiar – Jornal Açores 9

Aldeia de Griegos em Espanha dá casa e trabalho a famílias com filhos — idealista/news

Views: 1

Gostas das charmosas aldeias de montanha? O mundo rural atrai-te e queres mudar de vida? Estás cansado da cidade? Estás à procura de um ambiente mais familiar para criar os teus filhos? Tens

Source: Aldeia de Griegos em Espanha dá casa e trabalho a famílias com filhos — idealista/news

Fernando Echevarría (1929-2021): morreu o mais filosófico dos poetas portugueses | Livros | PÚBLICO

Views: 2

Autor de uma obra vastíssima e de uma coerência exemplar, o poeta de Introdução à Filosofia, Sobre os Mortos ou Uso de Penumbra tinha 92 anos.

Source: Fernando Echevarría (1929-2021): morreu o mais filosófico dos poetas portugueses | Livros | PÚBLICO

CRISTÓVÃO DE AGUIAR POR SANTOS NARCISO

Views: 3

May be an image of 1 person and beard
Em jeito de humilde homenagem ao escritor Cristovão de Aguiar, no dia da sua morte.
O que escrevi em “Leituras do Atlântico” no dia 18 de Maio de 2015
Cristóvão de Aguiar
O “ouro” dos anos no brilho da escrita
Cinquenta é número de ouro quando se fala de anos. E foi este “ouro” que cobriu de gala, em dia de nascimento de Antero, a Casa-Museu Guerra Junqueiro, no Porto, numa iniciativa da Casa dos Açores do Norte e do Departamento de Estudos Românticos da Universidade do Minho, em colaboração com a Direcção do Curso de Línguas e Literaturas Europeias do Instituto de Letras e Ciências Humanas. Foi a homenagem nacional a Cristóvão de Aguiar, Açoriano, pico-pedrense, já agraciado pela República com a Ordem do Infante D. Henrique e, em 2012, pelos Açores, com a Insígnia Autonómica de Reconhecimento.
Isabel Fernandes, Editora do Jornal de Letras que dedica, na sua edição de 15 de Abril de 2015, cinco pesadas páginas ao escritor homenageado, escreve, com todas as letras que “Cristóvão de Aguiar é, sem sombra de dúvida, o maior escritor da literatura açoriana, e um nome de referência no panorama literário português”. Se o adjectivo “maior” pode ser subjectivo, a mim, deu-me muito mais prazer que a autora do texto o tenha enquadrado dentro da “Literatura açoriana”. Sim, porque esta tem sido uma polémica de muitos anos e com muitos intervenientes e Cristóvão de Aguiar, ele mesmo, posicionou-se contra essa ideia de “Literatura Açoriana”. E será curioso notar aqui que, o assunto foi abordado pelo Secretário regional da Educação do Governo dos Açores, na intervenção proferida no Porto, a encerrar a sessão de homenagem ao escritor que diz que “não escrevo, faço croché com as palavras”. Disse Avelino Meneses: “Com clarividência e com razoabilidade, Cristóvão de Aguiar duvida da existência de uma literatura açoriana, preferindo falar de uma escrita de expressão insular com raízes continentais e com extensão atlântica, constituindo tudo isto o universo dúbio da lusofonia”. O Secretário Regional que representava o Presidente do Governo açoriano na cerimónia, acrescentou ainda que a identidade açoriana é, pois, “muito complexa”, chegando, por vezes, a ser a “negação de uma identidade”, daí que “a mundividência” constitua “uma importante faceta da Açorianidade, que comunga e acentua o caráter universalista da cultura portuguesa”.
Cristóvão de Aguiar é assim mesmo, irreverente q. b. nos seus 75 anos, mas com uma característica que é traço comum de toda a sua obra, aqui lapidarmente definida por Avelino Meneses: “a defesa dos oprimidos” e, também, a “omnipresença de temas açorianos”, o que, por vezes, foi expresso “numa linguagem de sabor dialectal e regionalista”.
No decorrer da sessão de homenagem foram lançados os dois primeiros volumes dos treze que vão constituir a edição das obras completas do Autor, com chancela das Edições Afrontamento e patrocínio do Governo Regional dos Açores. O I Volume é inteiramente dedicado a “Raiz Comovida”, na trilogia constituída por “A Semente e a Seiva”, “Vindima de Fogo” e “O Fruto e o Sonho”, enquanto que o II tomo “Amor Ilhéu” inclui prosa poética, sonetos e outros poemas.
Reler, como agora estou a fazer, os três livros do volume “Raiz Comovida” que recebi, com mais o outro volume, em pacote registado, com inesquecível dedicatória do Autor, é regressar a muitos anos passados, sentindo o renascer de termos e gestos dum quotidiano viver ilhéu que dorme dentro de mim e que acorda na magia do “quartinho do relógio cujo coração do pêndulo vai moendo o tempo na mó desenfreada do seu tiquetaque”.
Naturalmente que a apresentação desta obra não poderia ficar só pela cidade invicta. Foi pelo próprio Cristóvão de Aguiar que soube que está agendado o seu lançamento na Biblioteca Pública de Ponta Delgada, no dia 15 de Junho pelas 18 horas, com apresentação pelo Prof. Carlos Riley, da Universidade dos Açores. Talvez pelas limitações físicas que me amarram a casa, talvez por não ler o suficiente da informação regional, ou talvez por não serem mesmo divulgadas, pouca referência tenho visto por cá a este acontecimento. Mas estou certo que a proximidade temporal, (ainda falta quase um mês), fará com que seja devidamente publicitado, não por Cristóvão de Aguiar, mas pela cultura e literatura que eu só entendo quando liberta de teias e interesses.
Para Cristóvão de Aguiar – e sirvo-me de algumas das palavras da inesquecível intervenção que fez no Porto e que tive a honra de ler e guardar – “meio século de vida literária perfaz a soma calada de mais de um carro repleto de anos, para utilizar a genuína linguagem beirã de Aquilino Ribeiro, um dos magos do meu círculo de afeições electivas do reino da Literatura. Dada esta veteranice aonde acabo de poisar sem sequer ter dado fé do tempo da viagem, assiste-me já o direito de quebrar o protocolo que seria mister cumprir nestas ocasiões solenes ou solenizadas”.
E com muito carinho, mas ao mesmo tempo com a mordaz ironia de quem conhece que “é admirado por aqueles que sabem ler nas entrelinhas”, recorda a saga do seu primeiro livro de poemas, em tempos de comissão de serviço militar na Guiné “ainda sem Bissau”…
“A quem partia para a guerra colonial, ambígua, confusa e medonha, exigia-se cuidada preparação em terra. E eu, numa arrojada presunção de poeta principiante, pensei em estrumar o futuro com um livrinho de versos… Estrumei-o no sentido literal do verbo… Tal arrojo só se poderá consentir e perdoar tomando em conta a insensatez, em coligação com o vigor de uma serôdia adolescência, para já não referir a conjuntura bélica que já se havia transfigurado em tragédia engolida, mesmo para os que estavam longe da idade militar…
Houve quem me aconselhasse, pura e simplesmente, a que procedesse a uma interrupção voluntária da gravidez lírica. Não haveria perigo de septicemia, nem de sentar-me no banco dos réus – o embrião pouco mais seria do que uma sombra sem qualquer estatuto que pudesse vir a oferecer ténues sinais de vida intra-uterina…
Já com alguma consciência muito frágil dos limites, baptizei-o e botei-lhe o nome cristão de Mãos Vazias, livro de versos desafinados num concerto em dó maior e em sol menor de mágoa, clave de pé-coxinho, esvaziado da poesia mais elementar. Porém, não renego esse filho, como Pedro a Cristo antes do terceiro cantar do galo, mas confesso que me sinto com remorsos sempre que recordo esse rebento prematuro e poeticamente malformado… Não o renego, não. Se o parto se não tivesse consumado, não estaríamos, aqui e agora, a festejar os cinquenta anos de vida literária de um escritor que persiste no seu doloroso afã de alisar e limar, metamorfosear e mondar palavras nas frases que rabisca, transmudando-as depois em textos e estes em livros e estes em múmias de papel impresso, para serem, na primeira oportunidade, remodelados e refundidos, num frenesi diabólico…”
E sobre o porquê da escrita: “A presidir a este labor de Sísifo, um único desígnio e uma só ambição – que nasça uma gota de beleza que, com outras, provenientes de outras nascentes, amamentem um ribeirinho que se transvaze nas águas necessárias que regue tanta aridez mundializada… Respira-se muito mal, é certo, mas ainda resta espaço para traficar a poluição por quotas… Basta para isso licitar e ir subindo a parada… Tudo compra o dinheiro. Não há nada que se não compre, nada há que se não venda. E, como diz o Poeta Manuel Alegre, a vida também se compra, a vida também se vende, é simples mercadoria, nessa praça onde tu passas, tão sem preço como o preço, que o vento teria amor, se o vento tivesse preço…”
Justificando o título deste meu humilde trabalho, considero que o “ouro” destes 50 anos no brilho da escrita que não morrerá pode encerrar-se neste abraço de “conterrâneo” que lê, sente e interioriza a beleza que cabe na alma das palavras de Cristóvão de Aguiar, com quem nunca estive, pessoalmente, mas é como se sempre estivesse!
Santos Narciso
Chrys Chrystello
Like

Comment
Share
0 comments

PANDORA PAPERS – CAPÍTULO RUSSO

Views: 1

Favourites 1S0igtonsmrec
PANDORA PAPERS – CAPÍTULO RUSSO
Dinheiro secreto, imóveis chiques e o mistério de Monte Carlo
Nada na origem humilde de Svetlana Krivonogikh, com quem Putin manteve um relacionamento oculto por anos, indica que ela teria os meios para adquirir uma propriedade com vista para o playground da elite mundial
Paul Sonne e Greg Miller, The Washington Post, O Estado de S.Paulo
05 de outubro de 2021 | 05h00
MÔNACO – O apartamento paira sobre as águas azuis do Mediterrâneo, diante do lendário cassino Monte Carlo de James Bond. No porto lá em baixo, membros da realeza, magnatas e oligarcas flutuam em iates do tamanho de icebergs.
Nada na origem humilde de Svetlana Krivonogikh indica que ela teria os meios para adquirir uma propriedade com vista para este playground da elite mundial. A russa supostamente cresceu em um conjunto habitacional lotado de São Petersburgo e, entre seus muitos empregos, já foi faxineira de uma loja de bairro.
LEIA TAMBÉM
Líderes mundiais são acusados de esconder milhões em paraísos fiscais
Líderes mundiais são acusados de esconder milhões em paraísos fiscais
Mas registros financeiros e documentos fiscais do principado mostram que Krivonogikh, de 46 anos, se tornou a dona do apartamento em Mônaco por meio de uma empresa offshore criada poucas semanas depois de ela dar à luz uma menina. A criança nasceu na época em que, de acordo com a mídia russa, ela vivia um relacionamento secreto de anos com o presidente russo, Vladimir Putin.
A unidade de luxo de Krivonogikh no Monte Carlo Star foi revelada por documentos obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) e compartilhados com o Washington Post. Os documentos, conhecidos como Pandora Papers, expõem que ela tem uma empresa de fachada nas Ilhas Virgens Britânicas e conta com a assessoria de uma empresa de serviços financeiros de Mônaco que trabalhava simultaneamente para um dos amigos bilionários de Putin.
Os arquivos não indicam onde ela conseguiu dinheiro para pagar por um apartamento que custou US$ 4,1 milhões em 2003 e provavelmente vale muito mais do que isto nos dias de hoje. Mas a transação coincidiu com o período em que Krivonogikh supostamente tinha um relacionamento com Putin e estava acumulando uma carteira surpreendente de ativos na Rússia, de acordo com a Proekt, agência investigativa russa online que expôs sua suposta ligação com o líder do Kremlin e, desde então, foi proibida no país.
ctv-ex6-putin
Presidente russo, Vladimir Putin, manteve relacionamento secreto com Svetlana Krivonogikh Foto: Vladimir Smirnov/Sputnik/Pool via REUTERS
Um porta-voz do Kremlin desmentiu uma reportagem sobre o caso publicada no ano passado. Mas os detalhes sobre o apartamento reforçam a alegação básica da matéria: depois que Krivonogikh começou o relacionamento com Putin, ela acumulou ativos muitas vezes ligados aos contatos próximos do presidente.
Os laços de Krivonogikh com o círculo íntimo de Putin já tinham vindo à tona antes da reportagem da Proekt, mas não chamaram a atenção do público. Em 2010, o Banco Rossiya divulgou que ela era um de seus maiores acionistas por meio de sua empresa, a OOO Relax. O banco com sede em São Petersburgo mais tarde estaria sujeito a sanções do Tesouro dos Estados Unidos, que o rotulou como “banco pessoal para altas autoridades da Federação Russa”.
Krivonogikh não falou sobre seu suposto relacionamento com Putin nem seu notável acúmulo de riqueza.
Mas sua filha, que fez 18 anos este ano e atende pelo nome de Luiza Rozova, alimentou especulações sobre sua paternidade em entrevistas e aproveitou a atenção para construir um número crescente de seguidores online. Nas fotos, Rozova tem uma semelhança impressionante com o presidente russo e reconhece essa semelhança mesmo se recusando a confirmar ou negar que Putin seja seu pai.
Não há registro de nome de pai nos documentos oficiais russos de Rozova obtidos pela Proekt e analisados pelo Post. Mas esses documentos registram um nome do meio, “Vladimirovna”, que é um patronímico que significa “filha de Vladimir”. Em sua conta no Instagram, que tem mais de 83 mil seguidores, ela aparece sob o nome “rozova luiza v”.
Krivonogikh não respondeu aos pedidos de comentários enviados a ela por meio de seus negócios com sede em São Petersburgo, do Banco Rossiya, de sua filha e da empresa de serviços financeiros de Mônaco. Os esforços para entrar em contato com Krivonogikh em três endereços residenciais ligados a ela não tiveram sucesso.
As pistas que conectam Krivonogikh à propriedade de Mônaco estão contidas no enorme repositório de dados financeiros recém-divulgado. Os arquivos mostram, por exemplo, que o executivo de mídia Konstantin Ernst obteve participação em um lucrativo negócio imobiliário depois de receber elogios do líder russo por ajudar a realizar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, em Sochi. O projeto envolvia a conversão de complexos de cinemas da era soviética, ainda de propriedade do Estado, em empreendimentos comerciais e de apartamentos privados. A parceria de Ernst não foi divulgada publicamente, mas é detalhada nos documentos do Pandora Papers relacionados ao projeto.
Em uma declaração por escrito, Ernst confirmou seu envolvimento no empreendimento imobiliário, mas negou que se tratasse de “uma compensação pelas Olimpíadas de 2014”. Ele não respondeu a outras questões enviadas pelo Post, pelo ICIJ e por outros parceiros da imprensa, mas disse: “Não cometi nenhuma ilegalidade”.
Outros documentos mostram que Herman Gref, diretor do Sberbank, um banco estatal russo, detinha mais de US$ 50 milhões em dinheiro e recebíveis de empréstimos para sua família no exterior, usando contas em Samoa, Panamá e Cingapura, apesar de trabalhar como a face pública mais proeminente do Estado russo no sistema bancário.
As autoridades de Cingapura sinalizaram transações envolvendo Gref e dois de seus colegas russos, de acordo com um relatório de auditoria da Autoridade Monetária de Cingapura incluído nos arquivos do Pandora Papers, e posteriormente multaram a firma financeira que administrava os ativos de Gref em US$ 1,1 milhão por não cumprir as normas estabelecidas para prevenir a lavagem de dinheiro. Uma porta-voz da Autoridade Monetária de Cingapura disse que a empresa pagou a multa e tomou medidas corretivas para resolver as falhas.
No geral, os documentos reforçam a representação da Rússia como um país onde uma elite próxima ao poder ganha milhões de dólares e guarda essa riqueza pessoal usando estruturas financeiras obscuras no exterior.
Cinco anos após as revelações do Panama Papers, os novos arquivos mostram que, em vez de abandonar o uso de contas offshore, os russos ricos e seus administradores de dinheiro procuraram se tornar melhores na arte de esconder seus ativos. Em uma passagem, um advogado que representava dois amigos de longa data de Putin alertou uma empresa panamenha para não repetir os erros que levaram ao vazamento com o nome do país. “Vocês são obrigados a manter o sigilo dos nossos clientes”, escreveu o advogado em uma mensagem de 2016, “e a não possibilitar uma segunda história do Panama Papers”.
Os Pandora Papers não mostram exatamente quando Krivonogikh se tornou a “proprietária beneficiária” da empresa de fachada Brockville Development Ltd., que havia comprado o apartamento de Mônaco. O termo “proprietária beneficiária” se refere à pessoa que controla uma empresa offshore ou se beneficia dela financeiramente, mesmo que outros nomes apareçam nos documentos de registro. Os dados indicam que ela era a beneficiária já em 2006.
Um portfólio de propriedades
O apartamento em Mônaco faz parte de um surpreendente portfólio de propriedades acumulado por Krivonogikh depois que ela supostamente começou seu relacionamento com Putin.
Ela possui participação em um banco russo administrado por pessoas próximas a Putin, de acordo com registros públicos e com a investigação da Proekt. Krivonogikh também tem participação majoritária em um resort de esqui onde se realizou o casamento de uma das duas filhas que Putin teve com sua ex-esposa. Além disso, também tem um iate, uma conta em um banco suíço também exposta nos arquivos do Pandora Papers e apartamentos nos endereços mais cobiçados de São Petersburgo, de acordo com reportagens da Proekt e dos registros públicos russos.
Antes de ser publicamente ligada a Putin anos atrás, Krivonogikh ostentava as benesses da riqueza em fotos de perfil agora publicadas pela Proekt. Uma foto hoje em grande circulação a mostra usando casaco de pele e óculos de sol espelhados. Outra a mostra reclinada em roupas elegantes contra um helicóptero. Não há indicação de que sua fortuna pessoal venha de alguma riqueza familiar.
Duas fontes anônimas que afirmaram conhecer Krivonogikh disseram à publicação russa que ela era “amiga íntima” de Putin havia anos, forjando um relacionamento que começou na década de 1990 em São Petersburgo, onde Putin trabalhava como autoridade local, e continuou no início dos anos 2000 em Moscou, depois que ele ascendera à presidência. A Proekt disse que analisou registros de passageiros, mostrando que Krivonogikh se tornou uma viajante frequente para a capital russa quando Putin assumiu suas funções no Kremlin.
As perspectivas profissionais de Krivonogikh melhoraram de repente, segundo detalhes apresentados na investigação da Proekt. Ela começou a trabalhar no Rossiya em 2001 e pouco depois adquiriu uma participação de cerca de 3% no banco, de acordo com documentos bancários.
Ela se tornou proprietária de um apartamento na prestigiada ilha Kamenny de São Petersburgo e adquiriu participação em um centro de artes cênicas em São Petersburgo, de acordo com a investigação da Proekt, que cita registros públicos russos verificados pelo Post.
Outro negócio deu a ela uma participação de 75% em um resort de esqui ao norte de São Petersburgo, que ela possui com um amigo de Putin que durante muitos anos foi presidente e maior acionista do Banco Rossiya, de acordo com registros públicos russos.
Os sete teleféricos e as encostas diminutas do resort Igora não chegam a atrair os esquiadores de elite da Europa. Mas a propriedade se beneficiou de milhões de dólares em investimentos e expansões desde que foi inaugurada durante o segundo mandato de Putin como presidente e, em 2013, serviu de pano de fundo para o casamento da mais jovem das duas filhas de Putin com a esposa de quem ele se divorciou em 2014.
Uma semelhança com Putin
Putin protegeu detalhes sobre sua vida privada e riqueza pessoal com a dedicação que se poderia esperar de um ex-agente da KGB. Até mesmo suas duas filhas reconhecidas protegeram suas identidades do público e chegaram a viver sob pseudônimos.
Mas o muro de sigilo viu rachaduras se abrindo nos últimos anos, em meio a uma onda de divulgações online realizadas por ativistas da oposição, jornalistas e detetives da internet. No início deste ano, por exemplo, o principal adversário político de Putin, Alexei Navalni, postou uma denúncia alegando que um palácio de US$ 1 bilhão na costa do Mar Negro seria uma residência secreta do líder russo, pago com dinheiro de corrupção. Putin negou possuir a propriedade.
As autoridades russas reagiram nos últimos meses com uma forte repressão contra jornalistas e políticos de oposição. Depois que a investigação do Mar Negro apareceu online, Navalni foi condenado a três anos e meio de prisão e sua organização foi banida por um tribunal russo.
Desde então, a Rússia também baniu a Proekt por motivos de segurança nacional. Seu editor fugiu do país temendo um processo criminal. No ano passado, a Proekt estimou que os ativos de Krivonogikh somente na Rússia valiam 7,7 bilhões de rublos, ou cerca de US$ 100 milhões. Os Pandora Papers fornecem a primeira evidência de que suas posses se estenderam para além das fronteiras.
Krivonogikh se recusou a comentar as alegações de seu relacionamento com Putin e evitou aparições na mídia pública e social. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU
May be an image of 4 people, sunglasses and text
Like

Comment
Share
0 comments