RUY CINATTI POETA E ANTROPÓLOGO

Views: 1

LONDRES – 8 MAR 1915 – Nasce RUY CINATTI – que seria um antropólogo e agrónomo de nomeada, tendo-se consagrado como poeta.
Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes1, filho de António Vaz Monteiro Gomes2 e de Hermínia Celeste Cinatti3 (casaram em Londres em 24 de Janeiro de 1914), nasceu, em Londres, em 8 de Março de 1915. A morte da mãe, em 2 de Abril de 1917, e a ausência do pai em missão do governo português nos Estados Unidos, levaram a que Ruy Cinatti tivesse ficado ao cuidado do avô materno, Demétrio Cinatti4.
Em 15 de novembro de 1921, morreu Demétrio Cinatti, e o neto, Ruy, então com seis anos de idade, passou a viver com os avós paternos, o juiz Rui Luís Gomes5 e a mulher, Amélia Augusta Vaz Monteiro6 . Entretanto, o pai, casara em segundas núpcias, nos Estados Unidos, com Flora Stern7, em 1919, de quem teve uma filha, Amélia Vaz Monteiro Gomes8. O seu regresso a Portugal, em Junho de 1925, determinou que Ruy Cinatti passasse, pela primeira vez, a viver com o pai.
Entre 1925 e 1931, frequentou o Colégio Arriaga, o Instituto Profissional dos Pupilos do Exército e o Colégio de Nuno Álvares, tendo iniciado, em Outubro de 1931, o curso complementar dos liceus, no Liceu Passos Manuel, que concluiu em 1934. Contrariando a vontade do pai, que pretendia que ingressasse na Escola Naval ou na Escola de Guerra, Ruy Cinatti, inscreveu-se em Agronomia e, por imposição paterna, voltou para casa da avó Amélia.
Em 1935, participou no I Cruzeiro de féria às Colónias, organizado pela revista “O Mundo Português” e dirigido pelos professores Marcello Caetano, Orlando Ribeiro e Norberto Cardigos dos Reis. No ano seguinte, e ainda relacionado com o Cruzeiro, publicou, na mesma revista ” O Mundo Português” (3/30, de 1936), o conto “Ossobó”, a história de um pássaro que vivia nas florestas da ilha do Príncipe. Em 1937, publicou no “Diário de Lisboa” (21de outubro de 1937) a primeira versão do texto “Retrato de minha Mãe”, que, posteriormente, corrigida e aumentada, serviria de introdução ao seu primeiro livro de poesia “Nós Não Somos Deste Mundo” (Cadernos de Poesia, lisboa, 1941, 2ª edição, Ática, 1960).
No verão de 1938 viajou até Inglaterra para frequentar um curso de férias em Oxford, onde não conseguiu inscrever-se. Em alternativa, frequentou um outro curso, na Universidade do Sudoeste de Inglaterra, em Exeter, tendo ganho o prémio “The Oxford BooK of English Verse”, pelo melhor ensaio. Em 1939, colaborou no “Jornal da MP/Mocidade Portuguesa publicando seis textos: “Da arte de andar”, “Partida”, “Cabo Verde”, duas “Cartas a um Vanguardista” e um comentário a um apelo de Salazar à vida ativa. No mesmo ano, empenhou-se no lançamento de uma revista, “Cadernos de Poesia”, que acabou por fundar juntamente com Tomaz Kim (pseudónimo literário de Joaquim Monteiro Grilo), José Blanc de Portugal e João Cabral do Nascimento. O primeiro fascículo da revista saiu em 9 de Março de 1940 a que se seguiram quinze números distribuídos por três séries: 1940-1942, 1951 e 1952-1953. Em Maio de 1942, editou uma outra revista, “Aventura”, que dirigiu, ao longo dos cinco números publicados, até Setembro de 1944.
Além de estudante de Agronomia e de editor/organizador das revistas “Cadernos de Poesia” e “Aventura”, Ruy Cinatti, foi também, neste período, locutor da Mocidade Portuguesa na Emissora Nacional e redator da revista dos universitários católicos, “Ala”. Em 1943, concluiu, ao fim de oito anos e meio, o curso e o tirocínio obrigatório de Agronomia. Faltava-lhe, no entanto, a dissertação final que só apresentaria em Maio de 1950, com o trabalho “Reconhecimento em Timor”, tendo recebido a classificação final de dezanove valores.
Em Maio de 1944, ingressou como meteorologista na “Pan American Airwais”, onde se manteve até 1946. Neste mesmo ano de 1946 foi convidado para integrar a nova administração portuguesa em Timor-Leste como secretário do Governador Óscar Ruas. Partiu de Lisboa, juntamente com a restante comitiva, em 26 de Junho e chegou a Díli a 27 de Julho. Apesar de as suas expectativas profissionais não se terem, em parte, realizado confessa-se apaixonado por Timor que o prendeu “com cadeias de ferro , a ponto de estar disposto a iludir o bom senso ou o que ele me indicar.” No entanto, ao fim de dezoito meses no território, decidiu regressar a Lisboa “devido à necessidade inadiável de defender a tese e ter um modo de vida definido” e também pela avó cujo estado de saúde, entretanto, se agravara.
Partiu de Díli, em Dezembro de 1947, e chegou a Lisboa em meados de 1948, onde vem encontrar a avó diminuída mas livre de perigo. Também o conflito com a família paterna, em especial com o pai, agudizou-se e, para piorar as coisas, não tinha casa. “E assim encontrei-me em Lisboa sem família e num estado de grande depressão(…). Encontrei a paz com os meus amigos e tenho vivido mais ou menos com eles. Entretanto, tenho estado a trabalhar na tese, sobre as madeiras de Timor. O progresso nessa tarefa não tem sido o que poderia esperar.” Em Abril de 1949, e, depois de entregue à Junta das Missões Geográficas e de Investigações Coloniais o relatório das suas pesquisas de Timor, além de um requerimento dirigido à mesma Junta, no qual propunha o seu regresso a Timor para prosseguir os seus trabalhos de campo, foi integrado neste organismo como estagiário com a incumbência de estudar “a flora, madeiras e recursos económicos” do território.
No ano seguinte, além da apresentação da tese, publicou três estudos de carácter científico relacionados com Timor: “Esboço histórico do Sândalo no Timor Português” (Junta de Investigações Coloniais, 1950), “Explorações Botânicas em Timor” (Junta de Investigações Coloniais, Coleção “Estudos, ensaios e documentos”, nº 4, 1950) e “Reconhecimento Preliminar das Formações Florestais no Timor Português” (Junta de Investigações Coloniais, Coleção “Estudos, ensaios e documentos”, nº 5, 1950). Em 28 de Setembro de 1951, viu realizado o seu propósito de voltar a Timor, ao ser nomeado chefe dos Serviços da Agricultura do Governo de Timor. Partiu no dia seguinte e chegou a Díli em 10 de Novembro depois de ter passado por Beirute, Calcutá, Singapura, Jacarta e Bali.
No entanto, e apesar do seu entusiasmo pelo regresso ao território, não estava muito confiante em relação às funções que iria exercer: “Eu vinha preocupado com o ofício que mais tarde ou mais cedo terei de desempenhar e não conseguia dominar a angústia nem o desejo de fuga para qualquer ilha, a leste.” O objetivo principal no seu regresso a Timor, “investigar e realizar agronomia”, assentava na liberdade de movimentos que lhe permitisse percorrer o território. Segundo informa Ruy Cinatti numa carta a um amigo, o próprio Ministro do Ultramar (Sarmento Rodrigues), face ao seu entusiasmo teria afirmado: “V. vai para Timor para andar a monte, conviver com o indígena e não toca sequer num papel”. Não foi isto que aconteceu, pelo menos, a maior parte do tempo. “Só papéis e mais papéis”, queixa-se.
Com efeito, o segundo período de permanência de Cinatti em Timor, à semelhança aliás do que aconteceu no primeiro, ficou também marcado do ponto de vista profissional pela incompatibilidade entre a missão oficial de que se sentia incumbido e a lógica do Governo de Timor, que privilegiava o trabalho de gabinete. “Isto de Governo de Timor é um autêntico Governo de Tarados e eu, para não criar exceções, resolvi sê-lo também à minha maneira”. Por outro lado, o cansaço e a frustração adensam-se, “Timor começa a saturar-me demasiado”. Neste estado de espírito, quatro anos depois de ter chegado ao território, sente-se pouco disponível para “continuar a servir uma administração que vai de mal a pior”. Requereu uma licença graciosa e partiu para Lisboa em Dezembro de 1955, onde chegou em Janeiro de 1956.
Em Lisboa, reencontrou o pai, com sessenta e nove anos que se preparava para as suas terceiras núpcias com uma australiana de trinta anos, Mary Clarissa Gwendoline Broaadley. O casamento realizou-se em Londres, a 29 de Novembro de 1956. Profissionalmente, e na impossibilidade de regressar imediatamente a Timor – alegou “conselho clínico” para não voltar já à província -, requereu à Junta de Investigações do Ultramar a sua integração nos quadros do organismo. Na primavera de 1957, depois de terminada a licença graciosa, ingressou, finalmente, nos quadros da Junta de Investigações do Ultramar e, desde logo, apresentou uma proposta para frequentar em Inglaterra um curso de Antropologia Cultural. O objetivo era simples: obtido o grau académico poderia regressar a Timor como investigador e já não como funcionário do quadro administrativo. A proposta foi deferida e Ruy Cinatti autorizado pela Junta a deslocar-se “para Inglaterra pelo período de três anos com o fim de obter o grau de B. A. ou B. Sc. (Bacharel em Artes ou Ciências) em Antropologia Cultural e Social”.
Inicialmente, matriculou-se na Universidade de Londres. No entanto, em Outubro de 1957, transferiu-se para Oxford não só para ter “mais sossego e menos tentações” mas também pelo facto de o curso de Oxford se destinar “exclusivamente a estudantes pós-graduados e a obtenção do diploma [compreender] o período de um ano.” Diplomou-se em Antropologia Geral e Social em Junho de 1958. Em Outubro do mesmo ano, chefiou uma missão da Junta de Investigações do Ultramar a Timor com a finalidade de estudar o “habitat insular” mas, em Novembro, regressou a Oxford com a intenção de prosseguir os estudos de antropologia e de obter um grau académico em Antropologia Cultural. Entretanto, publicou a obra “O livro do Nómada Meu Amigo” (Guimarães Editores, 1958, 2ª ed. 1966 e 3ª ed. 1981), pela qual recebeu o Prémio Antero de Quental.
Em meados de 1961, depois de dois anos e meio em Oxford, regressou a Lisboa com o fim de assegurar financiamento oficial para a realização de trabalhos de campo em Timor no âmbito da preparação da sua tese de doutoramento em Antropologia. Assegurado o financiamento, partiu para Timor, via Nova Iorque, onde participou, em representação do Gabinete de Negócios Políticos do Ministério do Ultramar, na Assembleia de Estudos Africanos. A viagem a Nova Iorque foi o expediente encontrado para suportar parte dos custos da deslocação a Timor, em representação da Junta de Investigações do Ultramar. Permaneceu em Timor de Novembro de 1961 a Dezembro de 1962, período durante o qual desenvolveu diversos trabalhos no campo da antropologia aplicando os conhecimentos teóricos adquiridos em Oxford. Em carta ao prof. Penniman, o seu tutor em Oxford, afirma: “Estou muito feliz em Timor. Tudo o que tenho aprendido em Oxford está a dar os seus frutos. Esta ilha é um paraíso antropológico, completamente ignorado e demasiado vasto para um homem só.”
Em Janeiro de 1963, já em Lisboa, passou a residir, pela primeira vez, em casa própria, alugada a seu pedido pela irmã. No que respeita a trabalhos científicos, publicou na revista “Colóquio” (Abril de 1963) um estudo, “As Pinturas Rupestres de Timor”. Participou também, em Junho deste ano, no Congresso Internacional de Etnografia, em Santo Tirso, onde apresentou uma comunicação com o título “Tipos de casas timorenses e um rito de consagração”. No ano seguinte, publicou dois trabalhos sobre Timor: “Useful Plants in Portuguese Timor – An Historical Survey” (comunicação apresentada ao V Congresso Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, Coimbra, 1964) e “Brevíssimo Tratado da Província de Timor” (Lisboa, 1964). Deslocou-se ainda a vários países europeus para discutir com diversos especialistas a sua análise das pinturas rupestres de Timor.
Entretanto, em Junho de 1964, requereu às autoridades académicas de Oxford a prorrogação do prazo de entrega da sua tese de doutoramento, o que lhe foi concedido até ao último trimestre de 1967. Em 1965, deslocou-se, em representação da Junta de Investigações do Ultramar, a Lhaore, no Paquistão, para assistir a um seminário de arte, literatura e cultura afro-asiática. No entanto, “por razões de natureza política” os portugueses não foram admitidos no encontro. “Tanto melhor”: aproveitou o impedimento para viajar por diversos países do Médio Oriente cujo relato, com o título “Persépolis”, foi publicado na revista “Geographica” (1/4, de 1965).
No ano seguinte, em Julho de 1966, deslocou-se, em serviço oficial, pela última vez a Timor, onde permaneceu até Setembro desse ano. No regresso passou por Honolulu e visitou o México antes de, em Nova Iorque, participar num colóquio de estudos luso-brasileiros.
Entre 1967 e 1970, Ruy Cinatti, prosseguiu a sua atividade profissional na Junta de Investigações do Ultramar e escreveu os seguintes treze livros de poesia, tendo publicado a maior parte:
“Manhã Imensa”, 1967 (publicado em 1984, pela Assírio e Alvim);
“Sete Septetos”, 1967 (publicado em 1967, pela Guimarães Editores);
“Memória Descritiva”, 1967 (publicado em 1971, pela Portugália Editora);
“Crónica Caboverdeana”, 1967 (publicado, sob o pseudónimo de Júlio Celso Delgado, em 1967);
“Ossobó”, 2ª ed., 1967;
“O Tédio Recompensado”, 1968 (publicado em 1967, pela Guimarães Editores);
“Um Cancioneiro para Timor”, 1968 (publicado parcialmente, em 1969, no jornal “A Voz de Timor”);
“Borda D’ Alma”, 1969 (edição do autor, 1970);
“Uma Sequência Timorense”, 1969 (publicado em 1970 pela Editora Pax);
“Conversa de Rotina”, 1969 (publicado em 1973 pela Sociedade de Expansão Cultural);
“O Ministério – Poema sério-jocoso em um canto”, 1970 (policopiado);
“Corpo-Alma”, 1969 (publicado, postumamente, em 1994 pela Presença);
“Archeologia ad Usum Animae”, 1969 (inédito);
“Gazetilha”, 1970 (inédito).
Em Julho de 1968, recebeu o Prémio Nacional de Poesia com a obra “Sete Septetos”. Em 1970, no âmbito das suas atribuições na Junta de Investigações Coloniais, foi nomeado membro da Comissão Científica do Vale do Zambeze-Cabora Bassa na área do habitat e urbanismo regional: “Estou agora metido na Comissão Científica do Vale do Zambeze-Cabora Bassa na área do habitat e urbanismo regional. Mas ainda lá não fui. É tudo papelada e os meus mais próximos colaboradores são todos muito analiticozinhos e não percebem as sínteses científico-poéticas.” No ano seguinte, 1971, participou, como representante da referida comissão num simpósio internacional, nos Estados Unidos, subordinado ao tema “Man Made Lakes”.
Em Setembro deste ano e a convite do seu amigo Carlos Abecasis, presidente da Diamang – Companhia de Diamantes de Angola, desloca-se a este território para proceder a uma avaliação sobre a integração local da empresa. Na sequência desta viagem escreve a obra inédita “Itinerário Angolano”. Também neste ano recebeu o Prémio Camilo Pessanha com a obra “Uma Sequência Timorense”.
Em 1972, concedeu uma entrevista ao jornal “A Voz de Timor” na qual faz o balanço da sua atividade literária e refere que tem inéditos dez livros entre os quais “Paisagens Timorenses com Vultos”, que será publicado em 1924, pela editora Pax. Organizou também um novo livro de poesia “Lembranças para S. Tomé e Príncipe”, publicado em 1979 pelo Instituto Universitário de Évora. No âmbito profissional, foi encarregado de reunir material para o “Inventário Monumental e Artístico do Ultramar Português”. Em 1973, publicou o livro “Conversa de Rotina” (pela Sociedade de expansão Cultural) e apresentou a concurso, para o prémio de poesia da Agência-Geral do Ultramar, o livro ainda inédito “Lembranças para S. Tomé e Príncipe”.
Acompanhou a revolução de 25 de Abril de 1974 com entusiasmo, primeiro, e preocupação, depois. A situação em Timor preocupava-o especialmente e procurou intervir de várias maneiras. Primeiro, por uma longa carta de resposta a um artigo do “Diário de Notícias” sobre Timor, enviada ao jornal em Janeiro de 1974 e que não foi publicada. Depois, em duas entrevistas que concedeu, ambas em 1975, uma ao jornal “A Luta” e a outra ao Jornal “Nova Terra”. Finalmente, através dos esforços que desenvolveu para se deslocar em funções oficiais ao território de Timor a fim de, por um lado, prosseguir as suas investigações arqueológicas e, por outro lado, colaborar com as autoridades portuguesas na descolonização do território. No entanto, e dada a situação política em Portugal, a deslocação não foi autorizada.
Em Novembro de 1975, foi nomeado “Investigador e Consultor de Assuntos Relativos ao Sudeste Asiático, especialmente Timor” junto do “Museu de Etnologia”. Entre 1976 e 1984 publicou os seguintes livros: “Import-Export” (pela Meridiano, 1976), “O a Fazer, Faz-se” (Meridiano, 1976), “Lembranças para S: Tomé e Príncipe” (pelo Instituto Universitário de Évora, 1979), ” 56 Poemas” (pela Regra do Jogo, 1981. 2ª ed. Relógio de Água, 1992), e “Manhã Imensa” (pela Assírio e Alvim, 1984).
Reformou-se com setenta anos em 1985. Morreu em 12 de Outubro de 1986 no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa e foi enterrado no Cemitério dos Ingleses9.
1 Esta breve nota biográfica deve quase tudo, senão tudo, à obra do prof. Peter Stilwell “A Condição Humana em Ruy Cinatti, Editorial Presença, 1995.
2 António Vaz Monteiro Gomes nasceu, em Lisboa, em 16 de Janeiro [ou 17 de Outubro] de 1887 e morreu, na mesma cidade, em 2 de Janeiro de 1958.
3 Hermínia Celeste Cinatti nasceu , em Macau, em 17 de Dezembro de 1877 e morreu, em Lisboa, em 2 de Abril de 1917.
4 Demétrio Cinatti nasceu, em Lisboa em 1 de Maio de 1851 e morreu, na mesma cidade, em 15 de Novembro de 1921. filho do arquiteto e cenógrafo italiano, José Cinatti, que veio para Portugal em 1836, e de Maria Rivolta, casou em Macau, em 25 de abril de 1876, com Hermínia Maria de Jesus Homem de Carvalho, falecida em 1900. Oficial da Marinha (reformou-se como Capitão-de Mar-e-Guerra), foi Comandante da Polícia Marítima e Capitão do porto de Macau, tendo, posteriormente ingressado na carreira consular: cônsul de Portugal em Cantão (1890), Pretória (1895), Havre (1905-1911), e, finalmente, em Londres (1911-1916).
5 Vicente Luís Gomes nasceu, em Faro, em 21 de Agosto de 1861 e morreu, em Lisboa, em 31 de Julho de 1834. Casou, em Lisboa, em 2 de Fevereiro de 1887, com Amélia Augusta Vaz Monteiro.
6 Amélia Augusta Vaz Monteiro Gomes nasceu, em Lisboa, em 26 de Março de 1859 e morreu, em Cascais, em 5 de Setembro de 1951.
7 Flora Stern, de nacionalidade americana, morreu em 1950.
8 Amélia Vaz Monteiro Gomes, irmã de Ruy Cinatti, nasceu, nos Estados Unidos, em 16 de Agosto de 1922, e morreu, em Lisboa, em Outubro de 1977.
9 Segundo explica o Prof. Peter Stilwell, na nota 64 da página 389 do seu estudo “A Condição Humana em Ruy Cinatti”, “O Cemitério Britânico, mais conhecido como Cemitério dos Ingleses, remonta a um período em que não era dada sepultura a não-católicos nos cemitérios do país. Foi então criado pelos cidadãos britânicos não-católicos um cemitério próprio e, dentro do espírito da época, estabeleceu-se a norma, ainda hoje vigente, de não autorizar a sepultura de católicos nesse terreno – mesmo que de nacionalidade britânica. A sepultura de Cinatti no Cemitério Britânico ficou a dever-se ao facto de Flora Stern, segunda mulher de António Vaz Monteiro Gomes. não ser católica. Como a família adquiriu um talhão no cemitério por ocasião da sua morte, em 1950, nele puderam ser sepultados também os restos mortais de António Vaz Monteiro Gomes (1958), Amélia Vaz Monteiro Gomes (1977) e, por fim, como último membro da família, Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes (1986)”.
[texto partilhado da página oficial da Universidade Católica Portuguesa, disponível na «net»]
Proponho a revisitação de um programa da série ‘RTP ensina’, intitulado “Ruy Cinatti, o poeta antropólogo”.
Autor de uma poesia despojada, Cinatti encanta-se pelas terras e gentes de Timor e teme pelo futuro da colónia portuguesa. Denuncia a “cobiça dos Indonésios”, alerta para os perigos da descolonização mas os poderosos não o ouvem e um povo é massacrado.
Foi um homem do mundo, viajante da Europa, África e Oriente, um observador atento da natureza, mas só em Timor tem o apelo de uma terra que toma como sua. O antropólogo não resiste aos rituais desta nova cultura, o poeta fica preso ao exotismo de uma ilha que mora em paragens distantes.
“Tudo me é novo e estranho”, escreve Ruy Cinatti no primeiro encontro com a colónia portuguesa em 1946, onde vai exercer o cargo de chefe do Gabinete do Governador e, mais tarde, chefe dos Serviços de Agricultura do Governo de Timor. A ilha, que fotografa e filma, transforma-se no centro da sua vida. Em 1956 alerta para a “cobiça dos indonésios” e, depois do 25 de Abril, pressente que algo de mau vai acontecer “àquela gente portuguesa”. Desesperado, procura ajuda para evitar a descolonização e escreve “Timor-Amor”. Em vão. A ilha é invadida. Cinatti já não vai assistir à concretização do sonho da independência que acontece 24 anos depois.
O poeta antropólogo que nasceu em Londres e que em pequeno é levado a viver no Ribatejo, fez Agronomia na Universidade de Lisboa e Antropologia Social e Etnográfica em Oxford. Publicou os primeiros versos (“Ossobó”) com 21 anos. Nos “Cadernos de Poesia”, que funda juntamente com Jorge de Sena, José Blanc de Portugal e Tomás Kim, procura “um programa de autenticidade poética”, longe das correntes em vigor. A sua escrita é marcada por palavras claras, pelo rigor, por uma aparente simplicidade reveladora do homem profundamente religioso que é.
Ao longo da sua vida são muitos os livros publicados e os galardões atribuídos. ”O Livro do Nómada Meu Amigo” tem o Prémio Antero de Quental, “Uma Sequência Timorense” é prémio Camilo Pessanha e “Sete Septetos” recebe o Prémio Nacional de Poesia.
Nos últimos anos de vida conhece uma tal solidão que o faz dizer “hei-de morrer como um rato na sarjeta”. O poeta que “não era deste mundo” morre a 13 de Outubro de 1986, aos 71 anos.
Neste artigo recuperamos o testemunho do poeta Fernando Pinto do Amaral sobre a importância da publicação da Obra Poética de Ruy Cinatti.
Ruy Cinatti, o poeta antropólogo
ENSINA.RTP.PT
Ruy Cinatti, o poeta antropólogo
Autor de uma poesia despojada, Cinatti encanta-se pelas terras e gentes de Timor e teme pelo futuro da colónia portuguesa. Denuncia a “cobiça dos Indonésios”, alerta para os perigos da descolonização mas os poderosos não o ouvem e um povo é massacrado.
Like

Comment
Share

relheiras em S Miguel

Views: 3

Descobri o enigma!
Fenais da Luz tem rilheiras…
que estão ligadas a São Vicente Ferreira.
Encontrei algumas delas direcionadas na direção do mar.
A ilha de São Miguel Açores tem perdido muito da sua antiga dimensão visto todos os anos cair muitas toneladas de inertes.
Aqui numa das fotos está uma grande parcela que nos próximos tempo vais alimentar o mar com mais pedras, cascalho e barro.
You, Pedro Paulo Camara, Mse Az and 90 others
10 comments
Like

Comment
Comments
View 3 more comments
  • Como justificam essas marcas?
    • Like

    • Reply
    • 3 y
    • Amigo

      Manuel Sidónio Gonçalves

      . Tem de ler o que eu escrevi nesta publicação.

      Um abraço
      1
      • Like

      • Reply
      • 3 y
    • Amigo

      Mario Jorge Costa

      , mesmo assim não vejo qual a função de um velho caminho que agora desaparece água dentro.

      Será que num passado existia ali um porto?
      Será que no passado a ilha era maior?
      É que para fazer marcas de rodas de carroça em basalto, e bem fundas, é necessário muito tempo e muitas passagens sobre o mesmo.
      • Like

      • Reply
      • 3 y
    • Amigo Sidónio as ilhas todas dos Acores já foram à centenas de anos mais largas e compridas e com tempo o mar vai roubado (inertes) pedras de todo o tamanho . Cada ilha tem idades diferentes ex: ilha de santa maria oite milhoes de anos São Miguel cerca de quatro milhões e meio e a mais nova das ilhas é a ilha do pico que tem trezentos mil anos . Abraço amigo Sidónio Gonçalves. Olhe que me ia esquecendo será que me podia enviar algumas fotos das rilheiras do pico ? Obrigado.
      1
      • Like

      • Reply
      • 2 d
  • Se calhar já conhecem. De qualquer maneira deixo foto.
    Já tive oportunidade de seguir estas marcas e elas desaparecem água dentro.
    No photo description available.
    5
    • Like

    • Reply
    • 3 y
  • Amigo

    Mario Jorge Costa

    ainda apanhei em 1976 nos Fenais da Luz eles rebentanto pedra do calhau penso que era para faxer as calçadas para lado do buraco de São pedro abraço e tinha fotos da rilheiras do pico mas perderam

    • Like

    • Reply
    • 18 h

Presos do 6 de Junho nos Açores foram “tratados de forma humilhante” e com “irregularidades e rigor ilegítimo

Views: 0

 

 

Sonia Borges de Sousa

shared a link.

Admin

1itSpol3mnsogredd

2.2 – Relativamente às queixas apresentadas, averiguou-se que:
– A prisão do queixoso foi efectuada noite alta, por militares de arma aperrada, com mandado de captura “para averiguações”;
– Os detidos foram tratados na cadeia de Angra do Heroísmo em condições de vincada falta de higiene, quer na alimentação quer nas roupas que tiveram de utilizar;
– Aos detidos foi negada por completo a assistência religiosa, durante a sua permanência na prisão;
– Além de lhes ser mantida a luz acesa, nas celas, durante toda a noite, os detidos foram tratados de forma humilhante, pelo emprego de termos soezes.
3 – A tentativa de separação da Mãe-Pátria de uma parcela do território, por meios violentos, é punível nos termos do art. 141º, nº 1, do Código Penal, pelo que, em face do que antecede, pelo menos uma parte das prisões não parece ter sido arbitrária (a matéria averiguada deveria ter sido apreciada pelas autoridades judiciárias respectivas e não por outras). Todavia, as prisões foram irregularmente efectuadas, dado que nos mandados de captura não foi invocado o tipo de crime.
4 – A Comissão propõe que a indagação prossiga, no processo e foro próprio, quanto às irregularidades e rigor ilegítimo contra os presos.”
Presos do 6 de Junho nos Açores foram “tratados de forma humilhante” e com “irregularidades e rigor ilegítimo”
DIARIODOSACORES.PT
Presos do 6 de Junho nos Açores foram “tratados de forma humilhante” e com “irregularidades e rigor ilegítimo”
Acaba de ser revelado o Relatório que denuncia abusos entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975 e que estava catalogado como secreto no Arquivo da Presidência da República. Marcelo não sabia e fez com que a Classificação fosse retirada. O “Diário dos Açores” esteve a ler as …
TóZé Almeida
1 share
Like

Comment
Share

Earthquake – Magnitude 2.0 – AZORES-CAPE ST. VINCENT RIDGE – 2021 March 08, 15:16:33 UTC

Views: 0

Magnitude: ML 2.0, Region: AZORES-CAPE ST. VINCENT RIDGE, Date time: 2021-03-08 15:16:33.0 UTC, Location: 36.70 N ; 11.12 W, Depth: 7 km.

Source: Earthquake – Magnitude 2.0 – AZORES-CAPE ST. VINCENT RIDGE – 2021 March 08, 15:16:33 UTC

DIA DA MULHER

Views: 0

Nunca esquecer. Não há relativismo moral aceitável perante isto. E, não sendo muçulmana, o mundo está cheio de muçulmanos que acham que é.
No photo description available.
Prisão de pano, símbolo da opressão das mulheres
“A burka não é muçulmana, não integra uma tradição religiosa, mas é um símbolo de dominação, de terrorismo intelectual, religioso e moral contra a liberdade das mulheres e, portanto, viola os direitos humanos e não pode ser tolerada” Wassyla Tamzali, escritora, advogada e feminista argelina
💜 ♀️ 🗣️ Vivas, Livres e Sem Medos nos Queremos! Nem uma a menos!
O patriarcado politico, económico, judicial, social, religioso e familiar, mata, julga e oprime as mulheres, raparigas e meninas todos os dias em qualquer parte do mundo.
“A window to see” desenho de

Javad Takjoo
6
2 comments
3 shares
Like

Comment
Share
Comments
View 1 more comment

MISTÉRIOS POR EXPLICAR

Views: 0

Locals in Sierra Leone, Africa were searching for diamonds when they came across a set of extraordinary stone figures depicting several human races, and in some cases, semi-human beings. These figures are extremely old, with some estimates dating them as far back as 17,000 BC.
The Unknown Origins of the Mysterious Nomoli Figures
ANCIENT-ORIGINS.NET
The Unknown Origins of the Mysterious Nomoli Figures
Locals in Sierra Leone, Africa were searching for diamonds when they came across a se

DESTAPAR A TAP

Views: 1

A TAP e a Olívia patroa
A tempestade que se abateu sobre a aviação não se chama, em Portugal, apenas pandemia. Da TAP ao novo aeroporto passando pela Groundforce, o caos está instalado. Se correr bem vai ser uma surpresa.
O ministro das Infra-estruturas Pedro Nuno Santos é tudo. Ministro e, enquanto tal, defensor dos interesses dos cidadãos portugueses, gestor e accionista da TAP, accionista e defensor dos contribuintes na Groundforce e negociador de garantias para empréstimos entre empresas. É também dono e senhor das decisões sobre o novo aeroporto. Longe vão os tempos da separação clara entre a gestão das empresas detidas pelo Estado e o Governo. No caso da TAP, longe vão os tempos em que Jorge Coelho, então ministro de António Guterres, deu à TAP uma gestão autónoma e profissional.
O que se tem passado nos últimos tempos no sector da aviação em Portugal, não fosse tão grave, e era digno da rábula Olívia Patroa, Olívia Costureira de Ivone Silva. Nunca, nos tempos recentes, assistimos a uma intervenção tão directa, e sem que ninguém a discuta, de um governante na vida de uma empresa. Como se os interesses das empresas estivessem completamente alinhados com os interesses da governação, como se não fosse importante separar as águas para se atingirem melhor os objectivos que cada uma das partes deve defender. Os interesses de um Governo e de uma empresa não são os mesmos e é da negociação que se espera um resultado melhor para a sociedade.
A mistura de papéis que o ministro Pedro Nuno Santos protagoniza na TAP, e também na Groundforce, ameaça seriamente a sobrevivência da companhia aérea. Primeiro, e como chapéu de tudo isto, não estamos perante um qualquer ministro. É Pedro Nuno Santos, que não esconde nem as suas ambições de suceder a António Costa nem as suas divergências com o primeiro-ministro. De tal maneira que se dá a luxos que seriam impensáveis com outros ministros. E não está em causa apenas o apoio explícito a Ana Gomes nas presidenciais. Estamos a falar, por exemplo, da surpresa que foi para os restantes membros do Governo o anúncio de Pedro Nuno Santos de que ponderava fazer uma avaliação ambiental estratégica para o novo aeroporto. Isto quando, meses antes, em Março de 2020, o primeiro-ministro tentava encontrar um entendimento com as autarquias que se opõem ao novo aeroporto. Sim, houve a pandemia, que pode servir de argumento para adiar ou acelerar o novo aeroporto.
É legítimo perguntar o que colocará Pedro Nuno Santos em primeiro lugar caso enfrente um conflito dessa natureza: a sua ambição como líder do PS e futuro primeiro-ministro ou os interesses da TAP em particular e do sector da aviação em geral, incluindo a construção do novo aeroporto. Ou seja, dará prioridade aos interesses do país ou à sua ambição de liderar um Governo de esquerda em Portugal?
Além dessa questão geral, os múltiplos papéis assumidos pelo ministro na TAP têm criado dificuldades à companhia e correm o risco de ainda gerarem mais problemas. Primeiro pôs na rua o accionista privado que percebia de aviação, um activo especialmente importante quando se vive a pior crise de sempre no sector. Depois não conseguiu ver a TAP abrangida pelos apoios Covid, considerando isso normal porque, disse-o várias vezes, a empresa estava falida.
Esta última semana viu demitirem-se 2 administradores não executivos – Esmeralda Dourado, Diogo Lacerda Machado – e a perspectiva de saída de mais um, Trey Urbahn. O Conselho de Administração ficará reduzido a 6 elementos, como escreve Ana Suspiro no Observador, violando os estatutos. Além disso, a Comissão Executiva está reduzida a dois elementos numa altura em que a empresa enfrenta o maior desafio da sua vida. Neste momento, já não está na TAP nenhum executivo da anterior gestão.
O ministro aproveitou o anúncio de saída dos dois administradores para dizer que já tem gestor para a TAP, o alemão Albrecht Binderberger, que por sua vez não quer assumir o cargo sem conhecer o plano de reestruturação da empresa, que estará pronto, na melhor das hipóteses, em Abril. Repare-se que data de Julho de 2020 o compromisso do ministro de encontrar uma gestão profissional para a TAP. Disse, na altura, que não seria o Estado a gerir a TAP. Mas, contrariamente ao que prometeu, é o Governo, neste caso o ministro Pedro Nuno Santos, que está a gerir a TAP.
O mais recente episódio da interferência do ministro na gestão da TAP é o caso da Groundforce. Que parece demonstrar duas coisas: primeiro que o ministro não trata devidamente dos problemas do sector que, como governante, deviam merecer a sua atenção; em segundo lugar que se substitui à gestão da TAP.
Face aos problemas que o sector da aviação enfrenta, era uma questão de tempo até a Groundforce enfrentar um problema de tesouraria muito grave. Foi resolvendo a falta de dinheiro com adiantamentos da TAP e da ANA, os mais importantes. Mas antecipando que não poderia viver assim, em Julho de 2020 avançou com um pedido de financiamento. Chegamos a Fevereiro de 2021 e o pedido não estava satisfeito. Porquê? Aparentemente perdeu-se nos corredores do poder administrativo, de tal maneira que só chegou onde devia chegar ao Ministério das Finanças há pouco menos de três semanas.
E o que se está a fazer agora, já com mais de duas mil pessoas sem terem recebido o seu salário de Janeiro, é a construir o processo de financiamento de 30 milhões de euros, envolvendo a CGD e o Banco de Fomento, para que o Ministério das Finanças tenha os dados necessários para dar a garantia de Estado. Um processo que já podia estar concluído se tivesse começado em Julho do ano passado. Como tutela, o ministro devia estar a acompanhar as empresas em dificuldades no sector, por causa da pandemia, como aliás o fazem os seus colegas de Governo, como, por exemplo, o ministro da Economia. Mas, aparentemente, não o fez ou não o fez como devia fazer.
Já com os trabalhadores sem receberem o seu salário é que o ministro se envolve, mas aqui num processo que deveria caber única e exclusivamente à gestão da TAP. O que está em causa, na intervenção do ministro, é que a TAP adiante cerca de dois a três milhões de euros para o pagamento dos salários, até que se liberte o financiamento da ordem dos 30 milhões de euros que espera o aval das Finanças. A companhia aérea, e bem, recusou-se a continuar a resolver os problemas de tesouraria da Groundforce, tanto mais que vê a empresa sem qualquer plano de reestruturação. Mas devia ter sido a gestão da TAP a resolver o problema e não o ministro.
Face a todo este historial, que começa na forma como foi tratado o accionista privado e tem nesta última semana os episódios de interferência do ministro na gestão da empresa, quem será o gestor com curriculum que quererá gerir a TAP? Especialmente numa altura em que todas as companhias lutam pela sua sobrevivência e querem contar com os melhores gestores, como vai a TAP convencer alguém que a conseguirá salvar quando é tutelada por um ministro que se mete em tudo?
O que se perspectiva para a TAP é, lamentavelmente, um futuro muito pouco risonho. Num dos momentos mais difíceis da sua vida, tem dois gestores executivos que foram directores da companhia, um ministro altamente interventivo e um plano de reestruturação desconhecido que pode até pôr em causa os acordos que foram obtidos com os sindicatos. E enquanto a sua concorrência já se está a preparar para o pós-pandemia, a TAP continua envolvida em guerras que são mais políticas do que de gestão estratégica.
O novo aeroporto é mais um processo de conflito, neste caso com as mensagens do primeiro-ministro a não parecerem coincidir com aquilo que o ministro das Infra-Estruturas vai dizendo e anunciando. A pandemia tanto pode servir como argumento para adiar a construção do novo aeroporto, e partir da estaca zero para se ir parar ao mesmo sítio – uma volta de 360º como escreve Pedro Santos Guerreiro–, como para acelerar o processo. Mas Pedro Nuno Santos preferiu deitar tudo abaixo, esquecendo-se até de como era importante começar uma obra daquela dimensão para contribuir também para recuperar a economia.
O que faz correr Pedro Nuno Santos desta forma? Pode ter a sorte ou engenho de tudo, a partir de determinada altura, começar a correr bem. Todos nós ficaríamos satisfeitos, já que o que tem nas mãos é muito importante para o país. Mas aquilo que se tem passado até agora não antecipa nada de bom. Quer em matéria de princípios gerais de gestão das empresas do Estado, numa mistura de papéis que está longe de garantir os melhores resultados, quer no constante conflito que vai ditando o abandono de quem conhece os temas.
(Helena Garrido – Observador de 08/03/2021)
May be an image of 1 person and text that says "Helena Garrido Colunista"
Artur Neto and 10 others
2 comments
5 shares
Like

Comment
Share
Comments
View 1 more comment

PAULO SIMÕES VENTOS UIVANTES

Views: 3

May be an image of 1 person and beard
EDITORIAL
Ventos uivantes
As ilhas portuguesas do Atlântico Norte são de meteorologia e humor imprevisíveis e, por ser assim, os ilhéus sabem que nos Açores e na Madeira manda a lei universal da Natureza. Nem mesmo o simpático e selfie-Marcelo, no seu fato presidencial, escapa aos ventos uivantes das ilhas e a viagem marcada para sexta-feira às regiões Autónomas teve que ser adiada porque o vento madeirense não quis nada com o Presidente da República – talvez um sinal dos Deuses de que a Madeira, tal como os Açores, começa a ficar saturada de uma República que por detrás de um sorriso afável esconde um cinismo genético para com estas ilhas que a custo toleram.
Os Açores e a Madeira são um mal necessário para um país que quer ter uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas do mundo, que quer encher o peito com um mar quase-infinito que lhe garante lugar nas principais mesas negociais internacionais. Lisboa vai tolerando as ilhas porque somos uma espécie de “visto gold” para a roda dos grandes. Os mais de duzentos deputados da Assembleia Legislativa, as dezenas de governantes e figurantes do Estado sabem lá o quanto custa viver rodeado de mar e sujeitos aos caprichos da natureza. Sabem lá o que é viver no Corvo, na Graciosa ou mesmo em São Miguel e Terceira. Mas, contudo, são eles que decidem; são eles que mandam; é deles a Constituição. São eles que destinam 2 por centos das vacinas para as ilhas-adjacentes e 5 por cento para os PALOP. Complexo de culpa do Grande Conquistador agora reduzido à sua insignificância geopolítica?
A vinda do Presidente da República para dar posse ao Representante da dita é um bom ponto de partida para que nos revoltemos contra quem nos coarta a liberdade a troco de umas benesses que julgam suficientes para nos manter mansos. Desenganem-se que nestas terras-de-mar habitam bravos que chegada a hora exigirão mais da República. Esta é a altura certa para redefinirmos as regras de um jogo com o tabuleiro sempre inclinado para o lado continental, mesmo quando são as ilhas que conferem dimensão mundial a um país pequenino, entalado entre o grande oceano e a gigante Espanha.
A geopolítica está a mudar e os Açores vão estar de novo no centro do mapa onde se irá disputar o futuro da Europa. Aguardemos , tal como Ulisses, pelos ventos uivantes que se avizinham.
(Paulo Simões)
in, Açoriano Oriental, 07 de Março / 2021
5
1 comment
Like

Comment
Share

Cronica: CRÓNICA 359 descolonização, COLONIALISMO, COMBATENTES E FALTA DE RESPEITO | Diário de Trás-os-Montes

Views: 1

CRÓNICA 359 descolonização, COLONIALISMO, COMBATENTES E FALTA DE RESPEITO, 2.9.2020 CRÓNICA 289 Há temas que alguns chamam fraturantes e eu designo como demasiado incómodos para discutir, e desde há

Source: Cronica: CRÓNICA 359 descolonização, COLONIALISMO, COMBATENTES E FALTA DE RESPEITO | Diário de Trás-os-Montes