a misteriosa estátua do Corvo

Views: 0

Para além do mapa, e das referências de Gaspar Furtuoso, também Damião de Góis na sua crónica do Sereníssimo Príncipe Dom João, faz referência à mesma estátua encontrada no Corvo à chegada dos Portugueses… Até quando vamos olhar para o lado, quanto à verdadeira história das nossas ilhas?
No photo description available.
o2s1tShponsogremd

A ENIGMÁTICA ESTÁTUA DO CAVALEIRO NA ILHA DO CORVO, AÇORES
A primeira referência conhecida sobre esta estátua, é do século XIV, num mapa datado de 1375, que está arquivado na Biblioteca Ambrosiana em Milão, elaborado pelos irmãos Francesco e DominicoPizzigani. Analisando-o em pormenor, vemos que está desenhado um cavaleiro, na Ilha do Corvo.
Anos mais tarde, já no século XVI, Gaspar Frutuoso, natural de São Miguel, escrevia na obra Saudades da Terra:
“…um vulto de um homem de pedra, grande, que estava em pé sobre uma laje ou apoio, e na laje estavam esculpidas umas letras, e outros dizem que tinha a mão estendida ao nor-nordeste, ou noroeste, como que apontava para a grande costa da Terra dos Bacalhaus; outros dizem que apontava para o sudoeste, como que mostrava as Índias de Castela e a grande costa da América com dois dedos estendidos e nos mais, que tinha cerrados, estavam uma letras, ou caldeias ou hebreias ou gregas, ou doutras nações, que ninguém sabia ler, que diziam os daquele ilhéu e ilha das Flores dizerem: Jesus avante. Os construtores teriam sido na sua opinião os cartagineses pela viagem que eles para estas partes fizeram… e da vinda, que das Antilhas alguns tornassem, deixariam aquele padrão com as letras por marco e sinal do que atrás deixavam descoberto.”
in “PORTUGUESES, AFINAL, QUEM SOMOS?”, José Garrido
e do meu livro ChrónicAçores extraio mais isto: https://blog.lusofonias.net/2020/10/14/a-estatua-do-corvo-era-uma-vez-uma-historia-dum-arquipelago/

a estátua do Corvo ERA UMA VEZ UMA HISTÓRIA DUM ARQUIPÉLAGO

Views: 7

AÇORES 2005-2006 CHRONICAÇORES DE CHRYS CHRYSTELLO
11.1. ERA UMA VEZ UMA HISTÓRIA DUM ARQUIPÉLAGO

Há mapas das expedições às Canárias, no tempo de D. Afonso IV,[1] por marinheiros genoveses ao serviço de Portugal. As teses que defendem o descobrimento como obra do infante D. Henrique e, especificamente Frei Gonçalo Velho, baseiam-se na tradição oral recolhida pelo cronista Gaspar Frutuoso[2], na segunda metade do séc. XVI. As teses ecléticas consideram o descobrimento no tempo de D. Afonso IV e que as viagens por ordem do infante D. Henrique teriam sido de simples reconhecimento. O mapa de Beccario, de 1435, assinala a maioria das ilhas como “insule de nuovo reperte”. Damião Peres defende que “foram achadas por Diogo de Sunis (ou Silves), piloto de el-rei de Portugal no ano de 1427”. É atribuído a Gonçalo Velho, primeiro capitão donatário de S. Miguel e de Santa Maria, o papel, de lançador de gados e de colonizador. A primeira referência da descoberta vem em Azurara (Crónica do descobrimento da Guiné)

E na era de mil…(?) anos mandou o Infante D. Henrique a um cavaleiro que se chamava Gonçalo Velho, Comendador que era da Ordem de Xpõ (Cristo) que fosse povoar, outras duas ilhas que estão afastadas daquelas (Madeira e Porto Santo) a cento e setenta léguas a noroeste”.

 

Outro coevo do Infante, o almoxarife do Paço de Sintra, Diogo Gomes, conta: “O Infante desejando descobrir lugares no Oceano Ocidental, e averiguar se existiam ilhas ou terra firme para além das descritas por Ptolomeu, mandou caravelas a procurar essas terras. … e viram a ocidente trezentas léguas além do Cabo Finisterra e vendo que eram ilhas, entraram na primeira. As caravelas voltaram a Portugal a comunicar ao referido Infante as descobertas que tinham feito, com o que ele folgou muitíssimo. O Infante mandou o cavaleiro Gonçalo Velho, capitanear as caravelas que conduziam animais domésticos que se distribuíram por cada uma das ilhas…” Não diz quem capitaneou as caravelas, só fala do povoamento. Gaspar Frutuoso escrevia: “No ano de 1428 foi o Infante D. Pedro à Inglaterra, França, Alemanha, à Casa Santa e tornou pela Itália, Roma e Veneza e trouxe de lá um mapa-múndi que tinha todo o ambiente da Terra e o estreito de Magalhães a que chamavam de Cola do Dragão e o Cabo da Boa Esperança; e conjeturou que deste se ajudaria o Infante em seu descobrimento…” Nunca se saberão ao certo os nomes pois as teorias da revelação geográfica do arquipélago são inúmeras, e dividem-se em três:

as que sustentam no segundo quartel do séc. XIV, no reinado de D. Afonso IV (H. Major, Ferreira de Serpa);

as que afirmam que será da primeira metade do século XV por Gonçalo Velho (cardeal Saraiva, Aires de Sá);

as que conciliam as duas correntes de opinião (Jordão de Freitas, Velho Arruda).

 

As primeiras fundamentam-se nos mapas genoveses a partir de 1351, onde aparecem ilhas que investigadores identificam com os Açores, pela situação e pelos nomes. O arquipélago, era conhecido pelos Cartagineses e Árabes e surge perfeitamente localizado em mapas genoveses que atribuem o seu achamento a marinheiros portugueses e a genoveses (ao serviço de Portugal), entre 1317 e 1339. Isto foi escrito 150 anos depois, o que pressupõe serem conhecidas. Mas quem seriam os que as viram primeiro? Estariam os fenícios na sua génese[3]? esses mareantes que, saídos do Mediterrâneo, singravam os mares até à Grã-Bretanha, à cata de estanho e animais? A favor da hipótese há a descoberta de moedas fenícias e cirenaicas na Ilha do Corvo, no séc. XVIII. Já os romanos falavam das numerosas ilhas atlânticas. Estrabão, cita as Ilha Britânicas e as Cassitéridas. Plínio, fala das Górgonas, onde as mulheres tinham o corpo coberto de cabelos, e das Hespérides ou Purpurinas e, a meio delas, das Afortunadas. Na antiguidade[4] havia efetivamente conhecimento de algumas ilhas atlânticas e do litoral africano. O conhecimento deste resultou de expedições de que se destacam: a primeira por ordem do faraó Necao ou Necho II em 610 A.C., a viagem de Sataspes (480-470 a.C.) à Guiné, e o périplo de Hanäo com sessenta navios desde Cartago, em 485 a.C. e que teria percorrido a costa africana até Cabo Verde. A era europeia dos descobrimentos foi iniciada em 1317 por D. Dinis que contratou o genovês Manuel Pezagno (português Pessanha) para o comando da frota real. Em 1335, D. Afonso IV enviou uma armada às Canárias cujos privilégios seriam concedidos em 1338 a mercadores estrangeiros. Segue-se, em 1415, a conquista de Ceuta numa expedição organizada por D. João I. Com estas atividades aumentam os relatos de registo sobre as ilhas.

 

As viagens referenciadas não têm cativado o interesse da historiografia oficial, renitente em aceitar os relatos dos textos clássicos. A Historiografia dos séculos XVIII e XIX afirmava perentoriamente a veracidade destas informações e defendia que os fenícios projetaram o empório comercial na costa ocidental africana. Apenas os portugueses, e os eruditos velhos do Restelo, mantiveram a tese de que a região estava por revelar no início das navegações henriquinas.

 

Mais problemático é o nome das Sete Cidades[5] ex-libris turístico da ilha de S. Miguel. Durante séculos falou-se da lendária ilha, no Mar Oceano, a oeste da Europa. Datam de escritores latinos, no seguimento de tradições de povos mediterrânicos as nomenclaturas de Insula Septem Civitatum, Ilha das Sete Tribos ou Sete Povos, traduzida como Sete Cidades. Fernão Teles, natural dos Açores, mostrou ao rei D. Afonso V (em 1473) um mapa com uma longa costa, ilhas, baías e rios que declarou fazerem parte das Sete Cidades. Talvez fosse a costa norte do Brasil, no delta do Parnaíba, entre Maranhão e Ceará. Aparentemente, o rei não terá acreditado na descoberta, ou não considerou Fernão Teles suficientemente digno, e da carta de doação não constam as Sete Cidades, mas uma grande ilha ocidental que se pretenderia povoar. Insatisfeito com a carta de doação, Fernão Teles insiste no pedido. Consultado o cosmógrafo genovês Paolo del Pozzo Toscanelli (1398-1492), declarou que a Antília[6] e a Ilha das Sete Cidades seriam na margem do Atlântico, finalmente foi concedida (1476) a carta, mas não se conhece expedição subsequente. Entre as expedições mais bem documentadas conta-se a do flamengo Ferdinand van Olm (na historiografia açoriana Fernão Dulmo), casado com a filha de Fernão Teles, e residente nos Açores, recebeu (1486) autorização de D. João II para achar a ilha onde estaria o reino cristão das Sete Cidades, que o sogro teria reconhecido anos antes. De parceria com o madeirense Afonso do Estreito, organizou a expedição com cofinanciamento real, mas não teve melhor sorte que os antecessores[7].

 

Sobre a Ilha das Sete Cidades, parafraseando a observação aposta no mapa-múndi de Johannes Ruysch (1508) sobre a Antília, se diz: “a ilha foi descoberta, antigamente, pelos portugueses; agora, quando a procuramos não a encontramos”. Como consolação ficou o nome do maior vulcão, das Sete Cidades, na metade ocidental da ilha de S. Miguel, com as lagoas e a freguesia do mesmo nome, anichadas na caldeira. Há ainda o lugar das Sete Cidades, na ilha do Pico; o Parque Nacional de Sete Cidades, no sertão do Piauí (Brasil) e lendas e histórias em permanente recriação. Outros, porém (Daniel de Sá, op. cit.) opinam diferentemente quanto à data: “O padrão erguido em Santa Maria para comemorar o quinto centenário do Descobrimento tem uma data: 1432! Era a que a gente aprendia. E também aprendíamos que o descobridor fora Gonçalo Velho Cabral. Ainda não chegara aos livros de História a decisão que Damião Peres tomara em 1943 de atribuir tal feito a Diogo de Silves. E digo que se tratou de uma decisão, porque o achado pouco parece ter de rigor histórico. No mapa que Gabriel de Valsequa, judeu convertido da Escola Hebraica da Catalunha, fez das ilhas dos Açores em 1439, consta uma legenda que diz que foram encontradas em 1427 por um piloto do rei de Portugal. Quanto à data, poucos discordam, fazendo fé na maioria, aceitemos 1427. Poucas dúvidas também para o nome de batismo do enigmático navegador: Diogo (Valsequa, maiorquino, teria escrito Diego.) A leitura mais antiga que se conhece da carta de Valsequa é de 1789, e foi feita por um tal Pasqual, também maiorquino. E ele leu Guullen. Depois disso, sucederam-se leituras diferentes. Para complicar tudo, em 1838, no palácio dos condes de Montenegro e de Montouro, em Palma de Maiorca, a tinta de um tinteiro derramou-se sobre o mapa, e não encontrou onde cair senão no apelido do navegador. George Sand, que acompanhava o seu amado Chopin que ali fora procurar melhoras para o mal da tuberculose que haveria de matá-lo, assistiu horrorizada à cena, que descreveu mais tarde. Foi uma simples testemunha, mas ainda há quem a culpe do desastre.”

 

Sempre associei Açores ao pássaro. De facto, o nome é incorretamente assinalado como provindo da palavra açor. Luiz António de Assis Brasil, foi professor de literatura na Universidade dos Açores, e conta que os primeiros navegadores viram milhafres, e os confundiram com açores, originando-se daí o nome. Esta resposta, repetida até à exaustão nos guias turísticos, carece de fundamento científico. Não há açores nos Açores e a ave a que chamam Milhafre não é nem açor nem milhafre. O Accipiter gentilis (açor), só existe acima do Tejo; Buteo buteo – a águia-asa-redonda, no continente e ilhas é rara; e o Buteo buteo rothschildi – o «milhafre» nos Açores é uma subespécie de águia-asa-redonda. Daniel de Sá apresenta a correção no livro Açores (ed. Everest): “Quanto à origem do nome, desde o séc. XVI que se levanta a dúvida, pensando-se que os descobridores, ao verem milhafres, os tenham confundido com açores. Gonçalo Velho Cabral que, a mando do Infante D. Henrique, organizou o povoamento de Santa Maria e São Miguel, talvez tenha sido padrinho das ilhas honrando N. Sra. dos Açores, que se venera na igreja gótica de Aldeia Rica[8], Beira Alta, da sua especial devoção. Além deste nome, e durante algumas décadas, outro andou juntamente com ele, ou foi usado em vez dele, em boca de marinheiros ou cartas de marear. Ilhas Terceiras lhes chamavam, por terem sido descobertas depois dos arquipélagos das Canárias e da Madeira.”

Outra explicação, simples e plausível é através do aportuguesamento da designação genovesa ou florentina das míticas ilhas azuis. A partir do vocábulo azzurre, azzorre, azuis, terá nascido açores. De facto, o carregado verde azulado da vegetação nativa dos Açores, que recobria totalmente as ilhas, fazem-nas parecer azuis, a curta distância. Esta versão é a menos estimada pelos estudiosos.

 

Data de 1345 o chamado “Libro del Conoscimiento”, de um frade mendicante de Sevilha, que teria acompanhado as expedições portuguesas, onde estão descritas diversas ilhas.

“Sobí en un leño con unos moros e llegamos a la primera isla, que dizen Gresa, e aprés d’ella es la isla de Lançarote, e dizen le así porque las gentes d’esta isla mataron a un ginovés que dezían Lançarote. E dende fui a otra isla que dizen Vezimarín e a otra que dizen Rachan, e dende a otra que dizen Alegrança, e otra que dizen Vegimar, e otra que dizen Forte Ventura, e otra que dizen Canaria. E fui a otra que dizen Tenerefiz, e a otra que dizen la isla del Infierno, e fui a otra que dizen Gomera, e a otra que dizen la isla de lo Fero, e a otra que dizen Aragavia, e a otra que dizen Salvaje, [Selvagens, Madeira] e a otra que dizen la isla Desierta [Desertas, idem], e a otra que dizen Lecmane [Madeira], e a otra el Puerto Santo [Porto Santo], e a otra la isla del Lobo, e a otra la isla de las Cabras [S. Miguel], e a otra la isla del Brasil [Terceira], a otra la Columbaria [Pico], a otra la isla de la Ventura [Faial], a otra la isla de San Jorge, e a otra la isla de los Conejos, e a otra la isla de los Cuervos Marines [Flores e Corvo], e en tal manera que son veinte e cinco islas. “

Curioso como este frade descreve as 25 ilhas, cujos nomes se manterão nas cartas náuticas, por mais de um século:

1351 – O Portulano Mediceo Laurenziano (Atlas Laurentino, Atlas Mediceo), na Biblioteca Nacional de Florença, Itália, assinala as ilhas “Cabrera” (Santa Maria e S. Miguel), Brasil (Terceira), Ventura (Faial), Columbis (Pico), Corvis Marinis (Flores e Corvo) e a de S. Jorge, sem no entanto a nomear.

1375 – O Atlas Catalão, de Jehuda Cresques, na Bibliothèque Nationale de France, Paris, nomeia a ilha de S. Jorge.

1384 – O Atlas Walckenaer-Pinelli assinala a ilha de Santa Maria

1385 – A Carta de Soleri assinala as ilhas anteriormente apontadas e mantém a “Capraria” (Sta Maria e S. Miguel).

1413 – O mapa de Maciá de Viladestes, também na Bibliothèque Nationale de France, assinala Santa Maria.

1426 – A carta de Giacomo Giraldi, assinala a ilha de Santa Maria.

 

Não existem provas de que os Açores sejam o remanescente da mítica Atlântida, próspera e culta, desaparecida nas profundezas, mas, curiosamente, no livro de banda desenhada de Blake e Mortimer “O Enigma da Atlântida”, S. Miguel era uma porta de saída da Atlântida. Mesmo que os Atlantes tenham habitado aqui não foram descobertos vestígios arqueológicos. Falta explorar as insondáveis profundezas dos mares, e mesmo aí é dúbio que algo possa ser encontrado e que sucessivos tremores e erupções não tenham destruído totalmente. Pelo eventos sísmicos e vulcanicos dos últimos quinhentos anos, dificilmente se deparará com artefactos ou restos civilizacionais da Atlântida perdida com eco nos escritos de Platão. A Atlântida foi sempre motivo de cogitações e explorações fantásticas. Não faltaram, recentemente, escritores, jornalistas, romancistas e cineastas, a reconstituir, com imaginação, a arquitetura, o traçado e os materiais de construção da capital da Atlântida. Confabularam o vestuário, o modo de vida; a economia, as classes sociais, a religião, os deuses e demónios; os imperadores; as orgias, a beleza estranha da soberana. Platão foi submetido a uma das mais ferozes análises críticas, na tentativa de descobrir algum pormenor que conduza à localização da misteriosa Atlântida. Quiseram uns geógrafos e historiadores ver na narrativa do filósofo grego uma alusão poética a um muito antigo conhecimento da América. O facto não é tão extraordinário como pode parecer, se considerarmos o arrojo marinheiro dos fenícios, e as recentes travessias do Atlântico por navegadores solitários em frágeis embarcações.

 

O historiador Pausanias diria, mais tarde (150 AC), “Existia em pleno oceano, longe, e a oeste, um grupo de ilhas habitadas por homens de pele vermelha e cabelos como crinas de cavalo”. Narrativa extraordinária ou pura imaginação que iria encontrar eco na realidade descoberta 1600 anos depois? Plutarco, entre os anos 40 e 120 DC, escrevia “Existem a oeste, na mesma latitude da Grã-Bretanha, ilhas atrás das quais se estende um vasto continente…caraterizam-se pelo sol que aí brilha ininterruptamente durante trinta dias. À noite, o astro recolher-se uma hora, mas mesmo nessa altura, a obscuridade não seria total, porque o horizonte, a ocidente, ficava iluminado por um crepúsculo”. Plutarco descrevia, sem dúvida, terras próximas do círculo polar. O continente só poderia ser a América. Juntem-se essas narrativas à hipótese de que, antes de Cristo, já os Açores e a Madeira terem sido explorados pelos fenícios, e não acharemos tão improvável o facto de que o Novo Mundo fosse conhecido na antiguidade. A Atlântida não seria, então, o continente sul-americano? O poderoso reino a que se referia Platão não seria o império asteca? As viagens de Fenícios e Cartagineses tiveram grande importância na Antiguidade para fins comerciais. As que poderiam ter levado a um reconhecimento dos Açores, foram a circum-navegação do continente africano, de Oriente para Ocidente, a mando do faraó Necao ou Necho em finais do séc. VII a.C. e a do cartaginês Annone, que no fim do séc. V a.C., abriu as velas de Cartago rumo ao Atlântico, ultrapassou as Colunas de Hércules (Gibraltar) e chegou ao Golfo da Guiné. É curioso que as referências ao conhecimento dos Açores, anteriores à chegada dos Portugueses, sejam fenícias e relativas ao Corvo. Como dizia nos anos 70 num dos meus programas de rádio em Macau “Todas as coincidências têm uma causa matematicamente provável”. Neste caso podem existir causas cientificamente prováveis. Fazendo fé na historiografia, a probabilidade de os fenícios terem chegado aos Açores, é elevada.

 

Humboldt refere no “Examen Critique de la Géographie du Nouveau Monde” que em 1749, uma tempestade violenta teria abalado as fundações de um edifício parcialmente submerso no Corvo. No fim da borrasca descobriu-se, entre as ruínas, um vaso contendo moedas de ouro e cobre que foram levadas para um convento, e nove foram preservadas e enviadas ao padre Enrique Flores, em Madrid, que as cedeu a J. Podolyn da Academia de Ciências de Estocolmo. Algumas moedas apresentavam a figura de um cavalo por inteiro, outras apresentavam a cabeça desse animal. Alguns peritos afirmaram, com suficiente grau de certeza, que se tratava de duas moedas fenícias do norte de África (antiga colónia grega de Cirene[9] [em grego Κυρήνη, Kurene] na atual Líbia, a mais antiga e importante das cinco cidades gregas da região. As restantes sete moedas eram cartaginesas. A primeira publicação de caráter científico referindo as moedas do Corvo deve-se a Johann Frans Podolyn, um numismata sueco que publicou em 1778 uma notícia intitulada “Algumas anotações sobre as viagens dos antigos, derivadas de várias moedas cartaginesas e cirenaicas que foram encontradas em 1749 numa das ilhas dos Açores”. No artigo, Podolyn[10] afirma que em 1749, depois de vários dias de mar tempestuoso de oeste, que expôs parte da fundação das ruínas de um edifício de pedra numa praia da ilha do Corvo, foi descoberto um vaso de barro negro, quebrado, contendo um grande número de moedas que foram levadas para um convento[11] a partir do qual foram distribuídas. Parte foi enviada para Lisboa e daí para Madrid ao padre Flórez[12], conhecido historiador e numismata espanhol, à época o mais conhecido. Desconhece-se o número de moedas no vaso e quantas foram enviadas para Lisboa. O Padre Flórez recebeu nove moedas, por ele descritas e estudadas: “recebidas em Madrid duas moedas cartaginesas de ouro, cinco moedas cartaginesas de cobre e duas moedas cirenaicas, também de cobre” que cedeu a Podolyn quando este visitou Madrid em 1761, dizendo-lhe que “representavam todos os tipos encontrados no Corvo” e que eram as mais bem preservadas da coleção. Na notícia publicada, com imagem das moedas, Podolyn afirma que as mesmas, “com exceção das de ouro, não são raras, sendo apenas notável o sítio onde foram encontradas, já que não se conhece notícia da presença de cartagineses nos Açores, embora seja possível ligar a presença à famosa estátua equestre[13] e inscrição que teria sido encontrada no Corvo à época do povoamento”.

 

É relatado pelo francês André Thevet, no século XVI, que um descendente mourisco ou judaico, encontrou uma inscrição com caracteres hebraicos numa gruta de S. Miguel, mas não foi capaz de a ler, supuseram tratar-se de caracteres fenícios. Em 1976, na mesma ilha, haveria de ser desenterrado um amuleto com inscrições de uma escrita fenícia tardia, séculos VII e IX da era cristã. Recentemente foi aventada a hipótese de se terem encontrado caracteres fenícios em rochas nas Quatro Ribeiras, Terceira. A maioria dos historiadores nega-lhe validade, o que não a impede, porém, de ser verídica. No século XVI, Génébrand referiu-se à existência dum túmulo com inscrição hebraica em S. Miguel: “Trata-se de carateres fenícios de Canaã, erroneamente qualificados de hebraicos, pela semelhança entre o alfabeto dos cananeus e o dos antigos hebreus. O texto decifrado permitiu a Manasseh ben Israel, sábio hebreu do séc. XVII ler a inscrição como “Mektabel Suai, filho de Matadiel.[14]

 

Damião de Góis (1502-1574) escreveu na “Crónica do Sereníssimo Príncipe Dom João”: “Quando os portugueses chegaram à remota ilha encontraram uma estátua equestre no cume noroeste da serra, no centro da ilha, colocada sobre um pedestal quadrado. No cume, que parecia servir de marco aos navegantes, estava o vulto de um homem de pedra, montado num cavalo sem sela. Era uma estátua construída, não se sabe por quem, a partir de um único bloco de pedra e representava um homem, de cabeça descoberta, tapado por uma espécie de manto. As faces do rosto e outras partes estavam sumidas, cavadas e quase gastas pelo tempo e supõe-se que pela erosão dos elementos. Sobre as crinas do cavalo, que tinha uma perna dobrada e outra levantada, estava a mão esquerda, enquanto o braço direito estava estendido e os dedos da mão encolhidos. Só o indicador continuava aberto e apontava para o poente ou noroeste, para as regiões onde o sol se oculta, a grande terra dos bacalhaus, a América ou o Brasil, terras que não tinham sido descobertas….” O rei D. Manuel I teria mandado a Duarte d’Armas[15] que fizesse um desenho da estátua e ordenado o seu transporte para a corte de Lisboa, mas só viria a receber pedaços do monumento, nomeadamente, a cabeça, e o braço e mão direitos, e parte do cavalo. Estas peças foram guardadas no palácio real, tendo-se perdido o rasto. Na base – deixada no Corvo – existiam letras numa escrita desconhecida, copiadas em 1529 por Pedro da Fonseca, mas cujo teor ninguém conseguiu identificar. Na primeira metade de Quinhentos o historiador da corte de D. João III[16], Rui de Pina nas Crónicas D’el Rey, conta que tinha sido enviado à mais pequena Ilha do Arquipélago o afamado arquiteto (João) Juan de Urbina[17] para recortar da pedra viva, num lugar de difícil acesso na orla costeira, uma estátua equestre de estilo cartaginês. A operação correu mal e estátua partiu-se, voltando ao reino com algumas peças em pedra como a cabeça do cavalo e a mão do cavaleiro que apontava para Oeste. É sabido que os cartagineses erigiram diversas colunas comemorativas, e o cavalo está presente em quase todas as suas cunhagens.

 

Diria o cético Daniel de Sá a este respeito (jornal Público 20 julho 2008): “…novidade nas livrarias, … sobre uma famosa estátua que teria sido encontrada na ilha do Corvo pelos primeiros povoadores. Prova irrefutável de que por ali andaram cartagineses muito antes de Cristo calcorrear a Galileia. Falou dela Damião de Góis, que a descreve em pormenor, mas não a viu. Como convém nestes casos, não ficou nem um pedacinho da escultura, que teria sido levada para a corte no tempo de D. Manuel. Nem qualquer marca na ilha. E também desapareceram as moedas cartaginesas encontradas lá nos finais do século XVIII. Desaparecimentos deste tipo dão sempre jeito para uma história revista e aumentada.”

 

Já o historiador, Joaquim Fernandes (antigo colega de liceu) responderá assim a Daniel de Sá: “Pretende beliscar uma dupla credibilidade: a de Damião de Góis, que descreve com algum detalhe, o episódio da estátua equestre encontrada pelos portugueses na ilha do Corvo, e o historiador no papel de autor do romance O cavaleiro da Ilha do Corvo, que embora em tons de ficção, fá-lo com a segurança e credibilidade que lhe confere uma investigação documental de centenas de referências bibliográficas, de Aristóteles à pesquisa atual, disponível no final do citado livro. Desde o arquiteto Duarte d’Armas[18], que el-rei mandou ao Corvo fazer o desenho da estátua, aos pedreiros enviados ao ilhéu com a incumbência de trazerem o monólito para Lisboa, passando pelo donatário Pedro da Fonseca, que em 1529, se deslocou ao Corvo para recuperar uma legenda em carateres não-latinos descoberta no sopé onde antes existira a estátua do cavaleiro com “traços africanos”, segundo a descrição de Góis. E o mapa dos irmãos Pizzigani, de 1367, que confirma a tradição árabe das estátuas-marco no Atlântico? Ou seja, o autor da Crónica do Príncipe D. João é digno de crédito para descrever a chegada do primeiro rinoceronte a Lisboa; mas não serve quando relata a chegada ao Paço dos destroços do monumento, que a imperícia dos pedreiros provocara. Quatro séculos passados persistem os que minimizando a integridade de Damião de Góis, tentam fazer da História um livro fechado:”

 

Sei-o, por experiência própria, que sempre que se quer alterar o que ao longo dos séculos passa por História, um enorme coro se levanta a defender o status quo. Faz parte da mente humana esta recusa de aceitar novos factos, provas ou teorias, que contradizem o que se estudou. Assim tem acontecido, desde 1985, com a minha incessante divulgação, de estudos diversos de diferentes autores, sobre a descoberta e presença portuguesa na Austrália (após 1521). O Infante D. Henrique terá encarregue Gonçalo Velho do povoamento de Sta. Maria, com os sobrinhos, Nuno e Pedro. Sobre a Terceira, o flamengo Jácome de Bruges foi nomeado capitão da ilha, por doação do infante, em 1450, incentivando o povoamento. Relativamente à Graciosa, o povoamento esteve a cargo de Pedro Correia e Vasco Gil Sodré, antes de 1510. Quanto ao Faial e Pico, foram doadas, antes de 1466, a Josse Van Hurtere e na sua companhia teriam vindo muitos flamengos. O povoamento deveu-se a portugueses e flamengos pela ação de D. Isabel (condessa da Flandres e mulher de Filipe de Borgonha) junto do irmão D. Henrique. Inicialmente houve um influxo de mouros e judeus, a que se seguiriam italianos, castelhanos, franceses, ingleses, escoceses, etc. Curiosamente, o elemento flamengo depressa seria absorvido, restam traços genéticos em cabelos louros e olhos azuis na maior parte das ilhas.

 

Inicialmente os Açores eram uma Donataria Hereditária, sendo cada ilha uma Capitania. Ao donatário pertenciam todos os tributos, dízimos, impostos, rendas e foros das terras e um domínio incontestado sobre os habitantes. Pertencia-lhe a jurisdição civil, criminal e administrativa, nomeando funcionários e confirmando eleições. Angra, foi a primeira cidade, por foral de 1534 e sede do bispado pelo Papa Paulo III. Ponta Delgada foi elevada a cidade por carta régia de 1546. A donataria ficou na coroa real até 1580. A partir daí, foi nomeado um Governador-Geral, com poderes civis, políticos e militares e escolhida Angra como sede do governo. O filho bastardo do Infante D. Luís, D. António Prior do Crato, apresentou-se como sucessor do reino, disputando-o pelas armas, contra Filipe II. Perdida a causa em desastrosos combates, resistiu heroicamente a Terceira, capital do arquipélago, onde estavam os partidários de D. António. Durante três anos resistiu ao domínio espanhol, sendo o único ponto onde se erguiam as cinco quinas da bandeira portuguesa, chegando a ter trono, Casa da Suplicação, Mesas de Desembargo do Paço e Casa da Moeda. Angra estava sujeita ao lema “Mais Vale Morrer Livres Do Que Em Paz Sujeitos”. Dizia-se que na convicção templária: «a morte era, de facto, mais bela que a vida comprada com a cobardia». É este o sentido da divisa utilizada pelos açorianos, no brasão com a frase de Cipião de Figueiredo, conde de São Sebastião (por D. António I) corregedor dos Açores na crise de 1580, tendo governado o arquipélago durante o período conturbado que se seguiu à aclamação nas ilhas de D. António, Prior do Crato como rei de Portugal. A ele se deve a fortificação e defesa da Terceira e à vitória na batalha da Salga. Foi ele que se negou a entregar os Açores ao poder espanhol, preferindo morrer a favor do Prior do Crato, último monarca da dinastia de Avis: «MAIS VALE MORRER LIVRES DO QUE EM PAZ SUJEITOS». Será coincidência de convicção, ou serão os Açores um dos últimos refúgios da mente templária? Depois de subjugarem a revolta local, os Castelhanos organizaram ali um governo-geral. Após a Restauração de 1640, o sistema continuou até 1653, data em que se voltou ao sistema de Capitanias. Em 1589 e 1597 as armadas inglesas dos condes de Cumberland e de Essex e os piratas devastaram e pilharam as ilhas, especialmente o Faial. Após 60 anos de domínio filipino, e aclamado D. João IV em 1640, as ilhas aderiram ao movimento restaurador, verificando-se grande resistência dos castelhanos, sitiados na fortaleza de Angra, até março de 1642. Em 1766, os Açores passaram a ser governados por um capitão-general em Angra.

 

A revolução de 1820 teve repercussões na Vila da Praia, onde em 1829, se travou uma grande batalha entre miguelistas e liberais, com a vitória destes. Em 1830, formou-se um conselho de regência. Em 1832 chegou D. Pedro IV formando um governo sob a presidência do marquês de Palmela e de que fazia parte Mouzinho da Silveira, coadjuvado por Almeida Garrett. As grandes reformas deste foram promulgadas nos Açores, que passaram a província. Em 1832, a Capitania Geral deu lugar à Província Açoriana, sede em Angra. Em 1836, dividiram-se as ilhas em três Distritos Administrativos. Após o 25 de abril de 1974, a Constituição instituiu o regime atual, Região Autónoma com assembleia e governo regional. Em 1976 foram eleitos os deputados e o primeiro Governo Regional. A sede na Horta, num imponente edifício que serve para justificar as visitas dos deputados insulares e o custo das deslocações.

 

[1] O mapa mais antigo é a carta de Angelino Dulcert 1339 com as ilhas dos Açores, seguem-se o planisfério Mediceo ou portulano Laurentino de 1351, o atlas catalão de 1375, a carta de Pinelli-Walckenaer de 1384 e a De Viladestes de 1413.. Em 1270 Lanzarote Malucelli chega às Canárias e Madeira, de acordo com o portulano Laurentino. Apenas no Atlas de Cristofalo Soligo em 1470 surgem todas as ilhas dos Açores

[2] Azurara, Duarte Pacheco Pereira e outros, nunca citam Gonçalo Velho. Estes historiadores, opinam que as explorações atlânticas datam de 1431.

[3] A hipótese fenícia nos Açores é mais provável do que se pensa. No jornal Público, 31 outº 2008, era notícia “ADN dos fenícios está nos genes dos portugueses”. Um em cada 17 homens que vivem nas costas do Norte de África e no sul da Europa podem ter tido um antepassado fenício, com ponto de partida o atual Líbano, conclui um estudo na revista científica “American Journal of Human Genetics”. Os cientistas do “Genographic Project,” que estuda a forma como a humanidade se espalhou, identificaram um padrão genético da expansão dos fenícios,.e estudaram o cromossoma Y de 1330 homens, para verificar a frequência desse padrão. Descobriram na bacia do Mediterrâneo onde é mais provável haver descendentes masculinos dos fenícios, zonas litorais e a costa atlântica portuguesa, estão entre as que têm mais descendentes dos fenícios.

[4] Recorde-se a lenda da Atlântida, referida pela primeira vez em 421 antes de Cristo.

[5] Existe a crónica das Sete Cidades dum clérigo cristão, 750 a.C. em Portucale. Os árabes dominavam a península desde 711 d.C., no estertor visigótico. Em 734, o arcebispo de Portucale estava em fuga, com prelados e fiéis, numa frota que chegou sã e salva ao destino. Nada se soube da expedição às Sete Cidades (Septem Civitatum) que os marinheiros asseveravam existir no meio do oceano. A lenda perdurou na Idade Média com expedições para o seu achamento. Quase todas as cartas e portulanos medievais tinham as Sete Cidades. Na tradição brandoniana, é uma das referências geográficas mais antigas. S. Brandão de Ardfert e Clonfert (484-577) o Navegador, nasceu em Ciarraighe Luachra, Tralee, condado de Kerry, Irlanda, em 484. Deve a notoriedade e o cognome na literatura medieval, às famosas viagens marítimas no Atlântico Norte. Terá garantidamente visitado a Bretanha, as Órcadas, Shetland e as Faroé, um feito então incomum. Outras expedições, a lugares mais distantes, nunca puderam ser comprovadas embora possíveis. No séc. XVI, Pierre de Medine, do “Traité de l’Art de Naviguer” escreveu:”Não longe da Madeira, havia outra ilha, chamada Antília e que já não se vê mais..Num Ptolomeu, dirigido ao papa Urbano VI, 1378 a 1389, encontrei esta ilha, com a seguinte legenda: “Esta ilha foi outrora descoberta pelos Portugueses, mas hoje não se avista quando é procurada,.aí foram encontradas pessoas de língua espanhola, que consta terem-se refugiado na ilha fugindo dos Bárbaros que invadiram a Hispânia, no reinado do rei Rodrigo, o ultimo a governar a Hispânia no tempo dos Godos. Há um arcebispo com seis bispos, e cada um tem a sua cidade, o que leva muitas pessoas a chamarem-lhe a ilha das Sete Cidades; o povo vive muito cristãmente, cumulado de todas as riquezas “, a ilha aparecia com a legenda: “Isla insula Antilia, aliquando a Lusitanis est inventa, sed modo, quando quaeritur, non invenitur.”. Trata-se provavelmente de carta suplementar, que os sábios do séc. XVI tinham por hábito juntar as edições de Ptolomeu, atualizando-as com as descobertas geográficas. Buache julga encontrar Antília nos Açores.

[6] O globo de Martin Behaim, inspirado na carta de Toscanelli, situava Antília a 330 graus. Em 1190, Alexandre Anfredi, armador de La Rochelle, envia 10 navios que não regressam “para lá do Sol”. Anfredi abre falência. Doze anos depois, a frota do armador surge em La Rochelle, carregada de ouro e especiarias. Em 1470, o piloto Pedro de Velasco parte dos Açores em busca das Antilhas, “ante ilhas”, a terra mais avançada para oeste, a areia das praias contém um terço de ouro puro. Velasco percorreu 150 léguas e desencoraja-se perante a imensidão do mar. Mas este arquipélago é desenhado desde o séc. XIV, a acreditar no portulano de 1351. Se Antília correspondesse a S. Miguel ou a qualquer ilha açoriana não teria continuado a figurar nas cartas que incluem os Açores, como nas de Bianco e de Behaim..À medida que continua o reconhecimento do Atlântico, Antília desaparece. As ilhas descobertas por Colombo não são conhecidas dos primeiros cronistas espanhóis, Acosta e Oviedo nunca chamam às modernas Antilhas “Antília”. Semelhantes são as cartas de Juan de la Cosa e de Ribeiro, e a recolha italiana de todas as ilhas do mundo feita por Benedetto Bordone, no “Isolario” de Porcacchi, na “Cosmographie” de André Thevet (de 1575), na descrição das índias ocidentais de Herrera (de 1615), nunca figura Antília. O arquipélago com esse nome aparece como Lucayas, Caraíbas ou Camercanas. Pedro Martyr tinha já proposto esse nome na “Oceânica”, e Américo Vespucci (“Venimus ad Antigliae insulam sese reperisse refert Columbus, sed, cosmographicorum tractu diligenter considerato, Antiliae insulae sunt illae et adjacentes aliae.”). Surge uma representação tardia num mapa de Desceliers, 1546, que a apresenta nas Bermudas. Uma inscrição dá o nome de Sete Cidades e refere que pertence a Portugal. Os mapas de Ortelius (1570) e Mercator (1587) deslocam-na para sul e águas mais profundas. Após 1587, o nome desaparece totalmente.

[7] Em pleno séc. XVII, organizou-se na Terceira uma expedição para explorar o oceano a noroeste, onde teria sido avistada uma ilha desconhecida. Nos Açores sobrevive a lenda da ilha encantada avistada por volta do dia de S. João (24 junho). É frequente, naquele período, o registo visual de ilhas desconhecidas, mas são bancos de nevoeiro de S. João (que encerram aeroportos por dias seguidos) e nuvens distantes a emergir do horizonte.

[8] Daniel de Sá, certamente por lapso, menciona Aldeia Rica, anexa de Açores, anteriormente era chamada de “Ricason”, no reinado de D. Dinis. Esta aldeia foi doada a Afonso Correia. A toponímia do nome não se refere à riqueza de terras ou fertilidade dos seus solos, mas sim, à Ordem de Cristo a que pertencia. Santo António é padroeiro de Aldeia Rica. Deveria referir-se à aldeia de Açores e não Aldeia Rica.

[9] A cidade deu o nome à região oriental da Líbia [Cirenaica]; vale fértil nas terras altas de Jebel Akhdar. Batizada em homenagem à fonte, Kyre, que consagraram a Apolo, no séc. III a.C., sede da famosa escola de filosofia de Aristipo de Cirene (discípulo de Sócrates).

[10] O padre Flórez fez-me presente destas moedas quando estive em Madrid em 1761, e disse-me que no todo havia apenas moedas destas nove variedades. (Achados Arqueológicos nos Açores, José Agostinho, Açoreana, vol. 4, fasc. 1, 1946, pág. 101-2

[11] (franciscano de S. Boaventura, em Santa Cruz das Flores)

[12] Enrique Flórez de Setién y Huidobro (1701 – 1773), da Ordem de Santo Agostinho

[13] Faria e Sousa na História de Portugal relata a estátua como possivelmente de origem chinesa, o que levou esse inventor Gavin Menzies, a usá-la como “prova” da descoberta chinesa dos Açores.

[14] (in Pierre Carnac “A Atlântida de Cristóvão Colombo”)

[15] O debuxo de uma antiquíssima estátua equestre existente no Corvo (Damião de Góis. Chronica do Principe Dom Joam, rei que foi destes regnos, segundo de nome (…). Lisboa, 1567, Capítulo IX.) Duarte de Armas foi arquiteto da casa real. Deixou descendência na ilha do Corvo.

[16] (Lisboa, 6 de junho de 1502 – Lisboa, 11 de junho de 1557)

[17] Juan de Urbina, Mestre-de-Campo e primeiro governador militar em Angra na conquista da cidade por D. Álvaro de Bazán, após o desembarque da Baía das Mós 27 julho 1583. Urbina mantinha estreita relação com Cervantes, de quem terá sido companheiro de armas na batalha de Lepanto.

[18] 1465-1516. Filho de Rui Lopes de Veiros, escudeiro da Casa Real, bacharel em Direito Canónico e notário apostólico, escrivão da Livraria Régia e da Torre do Tombo. Hábil no desenho, foi encarregado por Manuel I para levantar o estado das fortificações da fronteira com Castela, o que fez em planta e em panorâmicas, com as medidas, sinais cartográficos e notas explicativas, de Castro Marim a Caminha. Além do Livro das Fortalezas (Códices A e B), conhecemos mais dois trabalhos, a mando de D. Manuel: O levantamento das barras das praças de Azamor, Mamora, Salé e Larache, na costa de Marrocos, como integrante da Armada de D. João de Meneses em 1507 (Damião de Góis. Chronica do Felicissimo Rei Dom Emanuel. Lisboa, 1566, Parte II, Cap. XXVII.); e debuxo da antiquíssima estátua equestre na ilha do Corvo (Damião de Góis. Chronica do Principe Dom Joam, rei que foi destes regnos, segundo de nome (…). Lisboa, 1567, Capítulo IX.) Acredita-se que em 1516 vivia e trabalhava, em Lisboa, onde terá morrido em data ignorada.

contra a nova ditadura disfarçada de pandemia

Views: 1

tSpo1nusoerihed

Comunicado
1. Três Advogados pela Verdade estiveram em contacto após mais uma Resolução inconstitucional do Conselho de Ministros do Governo antipatriótico e golpista de Portugal que decreta falsamente um estado de calamidade.
1.1. E daqui a 15 dias (à conta de uma inexistente segunda vaga “palérmica”) mandará o “vice-Presidente da República” decretar um novo estado de emergência.
2. Foi acordado avançarmos com uma providência cautelar contra esta Resolução que, uma vez mais, coloca em causa vários Direitos Fundamentais.
3. É esta Resolução, também por isso, organicamente inconstitucional, pois dispõe sobre matéria (direitos fundamentais) da reserva de competência relativa da “demissionária” Assembleia a República.
4. De acordo com o Regulamento das Custas Judiciais, a taxa de justiça inicial são 3UC, que correspondem a €306,00 =€102,00×3).
5. Nesta semana duas pessoas idóneas (nenhuma delas Advogados, que se absterão de movimentar dinheiro) abrirão uma conta na Caixa Geral de Depósitos, cuja consulta de homebanking será de acesso permanente a todas as pessoas deste País; e de modo a reunir pequenos contributos para suportar os custos resultantes das acções judiciais e de outras que os Advogados pela Verdade estão, em Associação com os Gestores pelo Bem-Comum, a perspectivar e a materializar. Pro bono.
6. Um dos Gestores pelo Bem-Comum ofereceu aos Advogados um domínio de internet para termos a nossa página que evite o bloqueio permanente neo-estalinista do FB.
6.1. Se esta página for “apagada”, e caso queira seguir o nosso trabalho, o nosso email advogadospelaverdade@yahoo.com (apesar de ao mesmo terem tentado aceder via Suécia…) será o “ponto de encontro” para a indicação do nosso site oficial.
7. Neste momento precisamos de alguém informaticamente habilitado em templates compatíveis com a edição em formato wordpress.
8. Voltamos a frisar que estamos em golpe de estado constitucional, surgido em Março com a declaração do estado de emergência motivada por uma falsa pandemia.
8.1. Um golpe de Estado significa alta traição à Pátria e ao Estado de Direito Democrático.
9. A narrativa do medo fomentada pela comunicação social e a mentira de uma segunda vaga quando a primeira não chegou a existir (segundo os Médicos pela Verdade em Portugal), visa a declaração de um novo estado (fraudulento) de emergência.
10. Os poderes constitucionais usurpados do Povo português estão reunidos numa só pessoa. A cabeça da serpente do Mal é o vice-presidente da República chamado Marcelo Rebelo de Sousa. Não é lapso.
11. O ataque aos idosos (pela negligência criminosa do Serviço Nacional de Saúde) e a imposição às nossas crianças pelas Escolas do uso permanente de “máscaras de dióxido de carbono” são crimes continuados contra a saúde e a integridade física dos cidadãos, em especial dos mais desprotegidos.
11.1. No limite está em marcha um genocídio ao povo português.
12. Portugal subscreveu, ratificou e não denunciou a Convenção de 9 de Dezembro de 1948 para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio.
12.1. Para “aviso à navegação” apenas e para já transcrevemos os seus artigos 2.º, 3.º e 4.º:
Artigo 2.º
Na presente Convenção, entende-se por genocídio os actos abaixo indicados, cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, tais como:
a) Assassinato de membros de grupo;
b) ATENTADO GRAVE À INTEGRIDADE FÍSICA E MENTAL DE MEMBROS DE GRUPO;
c) SUBMISSÃO DELIBERADA DO GRUPO A CONDIÇÕES DE EXISTÊNCIA QUE ACARRETARÃO A SUA DESTRUIÇÕ FÍSICA, TOTAL OU PARCIAL [alguém sabe a evolução da taxa de suicídio em Portugal desde Março de 2020? Ou foram também mortes por c ovid?…9?]
d) Medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo [alguém já se lembrou de pedir contraprovas às análises aos cancros no útero ou dos ovários a mulheres em idade de procriar?…]
e) Transferência forçada das crianças do grupo para outro grupo [a ameaça velada de recurso às CPCJ – Comissões de (des)Protecção de Crianças e Jovens – para a institucionalização de crianças o que será?…].
Artigo 3.ª da Convenção
Serão punidos os seguintes actos:
a) O genocídio;
b) O acordo com vista a cometer genocídio;
c) O incitamento, directo e público, ao genocídio;
d) A tentativa de genocídio;
e) A cumplicidade no genocídio.
Artigo 4.º da Convenção
As pessoas que tenham cometido genocídio OU QUALQUER dos outros actos enumerados no artigo 3.º serão punidas, quer sejam governantes, funcionários ou particulares.
13. “Quem diz a Verdade não merece castigo”. Castigados serão aqueles que, recebendo o poder do Povo, estão a usá-lo para castigar quem o elegeu e paga os seus salários de príncipes.
13.1. Perderam total e absoluta legitimidade para governar, são criminosos de guerra (guerra contra a Humanidade) e, a não ser que o Poder Judicial português avance, serão julgados por crimes contra a Humanidade.
14. A traição à Pátria por parte do Comandante Supremo das Forças Armadas (no caso este vice-Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa) é regido nos termos do Código de Justiça Militar.
14.1. Nos termos do seu artigo 25.ª:
Aquele que, por meio de violência ou ameaça de violência:
a) Tentar separar da Mãe-Pátria ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira todo o território português ou parte dele; ou
b) Ofender ou puser em perigo a independência do País;
é punido com pena de prisão de 15 a 25 anos.
14.2. A independência do País está em causa e a soberania nacional é, objectivamente, um eufemismo. Cada um tira as suas próprias conclusões…
Notas Finais
A Liberdade está em causa e precisamos de patriotas empenhados e não meros “activistas de teclado” e muito menos os que (nada tendo feito pelos outros nesta vida) criticam (por tudo e por nada) tudo o que os outros tentam fazer em prol do bem-comum.
Sem falar nos “sapos em panela de água morna”, que (apesar de mostrarem indignação) tentam desanimar os outros de fazer aquilo que é justo e necessário.
Alguns pagos pelo Governo para andar a fazer isso nas redes sociais!
Para estes últimos a nossa compaixão como seres humanos mas o nosso desprezo como cidadãos.
São indignos de qualquer comunicação connosco.
E, mercenários ou não (e outros terroristas das redes sociais, alguns messias que andam por aí…), que olhem ao espelho para ver se são ou não patriotas.
Estamos em Fase de Resistência e a nossa Inspiração tem sido e continuará a ser a Resistência Francesa aos Nazis, na II Guerra Mundial.
Não precisamos de uma maioria para mudar e defender Portugal e a Democracia destes corruptos e vassalos das farmacêuticas.
As minorias sempre controlaram as maiorias, diz-nos a História Universal.
Precisamos de uma minoria (e já a temos quase na totalidade) para afastar e prender esta minoria corrupta e criminosa que gere (mal) os destinos do nosso País.
A cela 44 de Évora está reservada, novamente, a outro primeiro-ministro.
É uma questão de tempo.
O Amor vencerá e o Bem prevalecerá.
Viva a Liberdade!
121
6 comments
93 shares
Like

Comment
Share

SOBRE O “VÍRUS PANDÉMICO” QUE ANDA POR AÍ …”

Views: 0

1tSponsofhraeaid

Image may contain: 1 person, glasses and outdoor
1nt3 SSefpmaoainpdstleoremdsblermmrd

“SOBRE O “VÍRUS PANDÉMICO” QUE ANDA POR AÍ …”
Porque muitos me têm questionado, aqui deixo a minha opinião sucinta.
Se todos os anos se fizesse com a gripe sazonal o mesmo relatório de contagem diária alarmista como o que está a acontecer este ano com este coronavírus, a sociedade humana já teria paralisado.
Todas as gripes são provocadas por vírus, e muito mutantes. Daí haver necessidade, todos os anos, de novas vacinas.
Por outro lado, existe uma enorme confusão em relação aos testes. O facto de haver anticorpos no organismo não quer dizer que a pessoa esteja doente, apenas que esteve em contacto com o vírus e desenvolveu a sua própria defesa imunitária. Para haver doença é preciso que haja sintomas.
As pessoas idosas e com doenças que fragilizam as suas defesas imunitárias devem ser alvo de especial cuidado? Sim, devem.
Devem-se tomar medidas preventivas? Sim, devem. Deve-se reforçar a etiqueta respiratória e higiene das mãos? Sim, deve.
Devemos retomar uma vida normal? Sim, devemos!!!
Não podemos permitir, de maneira nenhuma, é que volte a acontecer o que aconteceu com a gripe das aves e o famoso Tamiflu. O preço a pagar seria neste caso muito elevado. O medo leva a comportamentos irracionais, paralisa a capacidade de pensar e questionar. Pode-nos tornar reféns de interesses pouco claros.
Em quarenta anos já morreram dezenas de milhões de pessoas com o HIV e ainda não se conseguiu vacina. Uma vacina necessita de anos de pesquisa, em particular quando estamos perante vírus mutantes.
Os efeitos colaterais que esta Pandemia provocou já estão aí e vão agravar-se nos próximos meses. Que ninguém duvide. Desemprego, pobreza, fome e uma crise social gravíssima está em curso. Isso sim, preocupa-me e muito.
As doenças não se combatem com o medo, mas sim com prevenção e medidas coerentes e pensadas por uma comunidade científica, bem informada e sem conflitos de interesse que limitem a sua ética.
Correndo o risco de por vezes ser mal interpretado, não deixarei, como sempre o fiz, de expressar a minha opinião e de lutar pelo que sempre guiou a minha vida. A Humanidade, a Liberdade, a Ética, os Direitos Humanos e a Democracia.
* Fernando de la Vieter, Médico Humanitário, presidente da AMI – Assistência Médica Internacional.
You and 1 other

manipular números abstratos

Views: 0

gtSphon2shoired

A forma como os números de camas têm sido publicados gera pânico e não ajuda a explicar a realidade. Há 70% de camas ocupadas? 50%? 90%? O que isto nos diz. Nada – quase nada.
Vejamos, quantos destes são “internamentos sociais”, pessoas que podiam ter alta mas estão sós, idosos, sem lugar para onde ir.
O número de doentes nunca diz nada – a questão é que tipo de cuidados estes doentes necessitam: muito, pouco, médio; e quantos profissionais de saúde estão lá para eles. Podemos ter poucos doentes mas se tivermos poucos profissionais podemos estar muito pior do que se tivermos mais doentes mas muitos profissionais. Não é o mesmo tratar um doente que vai ao wc pelo seu pé e outro que não. Pelo que números brutos nada ou pouco dizem.
O número de camas nos hospitais também nos diz pouco. Porque o número de camas que interessa ter é: onde, em que regiões, com que meios, e em que sector. Em Portugal as camas nos hospitais públicos foram sistematicamente caindo, e subindo a dos privados. Se hoje temos menos camas, houve uma politica pública que o favoreceu, em beneficio dos privados. Os privados não querem doentes COVID, querem doentes das cirurgias lucrativas atrasadas do SNS.
Grande parte do SNS está “às moscas”. Quem foi a uma urgência em alguns hospitais nos últimos meses, ou consultas, foi muitas vezes atendido de imediato. Porque houve uma política – errada – de medo que afastou muitos dos hospitais. Creio que esta atitude começou por ser de medo, e hoje é propaganda pura para que as pessoas fujam para o sector privado. Sector que esteve perto da falência em Março e hoje tem um mercado robusto de gente que foge do SNS.
Não há hoje mais profissionais de saúde no SNS – isso é uma mentira simpática do Governo. Porque as contratações não cobrem os pedidos de reforma/aposentação e de redução de horário, em fuga dos baixos salários e das más condições laborais.
You and 121 others
9 comments
27 shares
Like

Comment
Share

até as cuecas do Espírito Santo são duma sociedade anónima

Views: 0

YrgestteSrpitdoolnnagnsuayi datuhcoree 1u0:d4d9

Não ter onde cair morto
Não ter onde cair morto A notícia de que a família Espirito Santo não tinha um único bem em seu nome elucidou-me sobre o tipo de sociedade em que vivemos, aonde chegámos. Juristas meus amigos garantiram-me que é perfeitamente legal um cidadão, ou cidadã, ou uma família não ter qualquer bem em nome próprio. Nunca tinha colocado a questão da ausência de bens no quadro da legalidade, mas no da necessidade. Acreditava que pessoas caídas na situação de sem-abrigo, refugiados, minorias étnicas não enquadradas como algumas comunidades ciganas podiam não ter nada em seu nome, mas até já ouvira falar no direito a todos os cidadãos possuírem uma conta bancária, um registo de bens, nem que fosse para prever uma melhoria de situação no futuro. Considerava um ato de reconhecimento da cidadania ter em seu nome o que pelo esforço, ou por herança era seu. Chama-se a isso “património”, que tem a mesma origem de pai e de pátria, aquilo que recebemos dos nossos antecessores e que faz parte dos bens que constituem a entidade onde existimos. Estes conceitos não valem para os Espirito Santo, para estes agora desmascarados e para os da sua extracção que continuam a não ter bens em seu nome, mas têm o nome em tantos bens, em paredes inteiras, em tetos de edifícios, em frontarias, em supermercados, em rótulos de bebidas. O caso da ausência de bens dos Espírito Santo trouxe à evidência o que o senso comum nos diz dos ricos e poderosos: vivem sobre a desgraça alheia. Até lhe espremem a miséria absoluta de nada possuírem. Exploram-na.No caso, aproveitam a evidência de que quem nada possui com nada poder contribuir para a sociedade para, tudo tendo, se eximirem a participar no esforço comum dos concidadãos. Tudo dentro da legalidade e da chulice, em bom português. Imagino com facilidade um dos seus advogados e corifeus, um Proença de Carvalho, por exemplo, a bramar contra a injustiça, contra o atentado às liberdades fundamentais dos pobres a nada terem, à violência socializante e colectivista que seria obrigar alguém a declarar bens que utiliza para habitar, para se movimentar por terra, mar e ar, para viver, em suma. Diria: todos somos iguais perante a lei, todos podemos não ter nada, o nada ter é um direito fundamental. Para ter, é preciso querer, e os Espirito Santo não querem ter, querem o direito de usar sem pagar. O mesmo direito do invasor, do predador. A legalidade do não registo de bens em nome próprio para se eximir ao pagamento de impostos e fugir às responsabilidades perante a justiça é um exemplo da perversidade do sistema judicial e da sua natureza classista. Esta norma legaldestina-se a proteger ricos e poderosos. Quem a fez e a mantem sabe a quem serve.Os Espirito Santo não são gente, são empresas, são registos de conservatória, são sociedades anónimas, sãooffshorescom fato e gravata que recebem rendas e dividendos, que pagam almoços e jantares. Não são cidadãos. As cuecas de Ricardo Espirito Santo não são dele, são de uma SA com sede no Panamá, ou no Luxemburgo. A lingerie da madame Espirito Santo é propriedade de um fundo de investimento de Singapura, presumo porque não sou o contabilista. Mas a ausência de bens registados pelos Espirito Santos em seu nome diz também sobre a sua personalidade e o seu carácter. A opção de se eximirem a compartilhar com os restantes portugueses os custos de aqui habitar levanta interrogações delicadas: Serão portugueses? Terão alguma raiz na Históriacomum do povo que aqui vive? Merecem algum respeito e protecção deste Estado que nós sustentamos e que alguns até defenderam e defendem com a vida? Ao declararem que nada possuem, os Espirito Santo assumem que não têm, além de vergonha, onde cair mortos! O ridículo a que os Espirito Santo se sujeitam com a declaração de nada a declarar com que passam as fronteiras e alfândegas faz deles uns tipos que não têm onde cair mortos, uns párias. A declaração de “nada a declarar” em meu nome, nem da minha esposa, filhinhos e restante família dos Espirito Santo, os Donos Disto Tudo, também nos elucida a propósito do pindérico capitalismo nacional: Os Donos Disto Tudo não têm onde cair mortos! O capitalismo em Portugal não tem onde cair morto! Resta ir perguntar pelas declarações de bens dos Amorins, o mais rico dos donos disto, do senhor do Pingo Doce, do engenheiro Belmiro, dos senhores Mellos da antiga Cuf, dos senhores Violas, dos Motas da Engil e do senhor José Guilherme da Amadora para nos certificarmos se o capitalismo nacional se resume a uma colecção de sem abrigo que não têm onde cair mortos! É que,se assim for, os capitalistas portugueses, não só fazem o que é costume: explorar os pobres portugueses, como os envergonham. Os ricos, antigamente, mandavam construir jazigos que pareciam basílicas para terem onde cair depois de mortos – basta dar uma volta pelos cemitérios das cidades e vilas. Os ricos de hoje alugam um talhão ao ano em nome de uma sociedade anónima!Os Espirito Santo, nem têm um jazigo de família! Eu, perante a evidência da miséria, se fosse ao senhor presidente da República, num intervalo da hibernação em Belém, declarava o território nacional como uma zona de refúgio de sem-abrigo, uma vala comum e acrescentava a legenda na bandeira Nacional: “Ditosa Pátria que tais filhos tem sem nada!”
Carlos de Matos Gomes
2
1 share
Like

Comment
Share
Comments

isolamento covid nova norma

Views: 0

5tS2ponmsornaendfd

COVID-19. ISOLAMENTO REDUZIDO PARA 10 DIAS COM DOENÇA LIGEIRA OU MODERADA DESDE QUE O PACIENTE CUMPRA DOIS CRITÉRIOS: “NÃO UTILIZAÇÃO DE ANTIPIRÉTICO DURANTE 3 DIAS CONSECUTIVOS” E “MELHORIA SIGNIFICATIVA DOS SINTOMAS DURANTE 3 DIAS
DGS PUBLICOU ESTA QUARTA-FEIRA A NORMA. EM CASO DE DOENÇA GRAVE OU CRÍTICA O PERÍODO DE ISOLAMENTO É DE 20 DIAS. 📷© DR. 📷14/10/20 12:56 ‧ HÁ 6 MINS POR NOTÍCIAS AO MINUTO 📷
PAÍS COVID-19. ADireção-Geral da Saúde (DGS) publicou esta quarta-feira uma norma onde reduz o isolamento para “10 dias desde o início dos sintomas” em casos de doença Covid-19 ligeira ou moderada, desde que o paciente cumpra dois critérios: “Não utilização de antipirético durante 3 dias consecutivos” e “melhoria significativa dos sintomas durante 3 dias consecutivos”.
Já em caso de doença grave ou crítica, o período é de 20 dias desde o início dos sintomas, desde que se cumpram os mesmos critérios acima referidos.
Para os assintomáticos o período de isolamento passa também a ser de dez dias, de acordo com a Autoridade para a Saúde: “Para os doentes com Covid-19 assintomática, isto é, pessoas sem qualquer manifestação clínica de doença à data do diagnóstico laboratorial e até ao final do seguimento clínico, o fim das medidas de isolamento é determinado 10 dias após a realização do teste laboratorial que estabeleceu o diagnóstico de Covid-19”.
Image may contain: text that says "ÚLTIMA HORA! NOTÍCIAS AO MINUTO"
3
Like

Comment
Comments