Fios de seda que impedem gaivotas de poisar na zona balnear do Ilhéu de Vila Franca é “um sucesso”

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Pelas 10 horas da manhã – altura da primeira viagem até ao Ilhéu de Vila Franca do Campo – já os vigilantes da natureza Hildeberto Ferreira e Guilherme Pacheco se posicionam no Cruzeiro do Ilhéu para começar o dia de trabalho.
O Cruzeiro é uma espécie de táxi para chegarem ao local de trabalho e durante a viagem de 10 minutos faz-se conversa com o Mestre Moisés enquanto os navegantes, na maioria turistas, fazem a viagem de telemóvel na mão para registar a aproximação ao “anel da princesa”.
À chegada, após o desembarque, o primeiro impacto dos turistas é de espanto. Não só pela beleza natural do local mas também pelo facto de logo ali serem visíveis pelas pedras, caranguejos fidalgos vermelhos. “Quando a maré está mais cheia aparece outro, que é o coroa de rei”, explica Hildeberto Ferreira a uma visitante.
Mais à frente, a partir da pequena construção que serve de abrigo da chuva e das horas de maior calor, já são visíveis os fios de seda reluzentes ao sol mas que passam despercebidos à maioria dos visitantes. “O objectivo era mesmo esse”, dá conta a Directora do Parque Natural de Ilha de São Miguel, Hélia Palha, que também seguiu nesta viagem.
A quem incomodam, e muito, é às gaivotas que se deliciaram em fazer daquele pequeno paraíso, local de repouso no Verão do ano passado e nos primeiro meses deste ano. Aliás, no Verão passado o acesso à reserva natural do Ilhéu de Vila Franca do Campo esteve durante vários dias condicionado devido à qualidade da água, tendo sido detectada numa das análises dejectos de gaivota. O aumento da população destas aves no Ilhéu é justificado por Hélia Palha – tal como já tinha sido avançado por várias entidades já no Verão passado – com a pandemia. É que além da redução dos turistas que deixaram de visitar e permanecer no Ilhéu, também os vigilantes da natureza deixaram de fazer o controlo populacional de gaivotas que tem vindo a acontecer desde 2012 na reserva natural.
E como é feito
esse controlo populacional?
“Chocalhamos os ovos e deixamos no ninho. Antes tirávamos os ovos e elas acabavam por fazer nova postura”, explica Hélia Palha que afirma que com esta técnica, quando as gaivotas percebem, que o ovo não é viável já não vão a tempo de uma nova postura. “Temos verificado dois a três ovos por ninho”, acrescenta Guilherme Pacheco.
Durante o confinamento, no ano passado, esse controlo populacional não foi feito e “com a ausência de banhistas e visitantes, e sem controlo dos ovos, em vez das gaivotas estarem apenas na zona da falésia, vieram para a zona balnear”, explica a Directora do Parque Natural de Ilha de São Miguel.
Foi então criado um grupo de trabalho – que ainda se mantém – para melhorar a qualidade da água do Ilhéu de Vila Franca do Campo e do qual fazem parte da Delegação de Saúde de Vila Franca do Campo, Clube Naval de Vila Franca do Campo, a Direcção Regional das Pescas, o Parque Natural de Ilha, a Direcção Regional do Ambiente, a Capitania do Porto de Ponta Delgada, e a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo. Cada uma das entidades “que poderia contribuir para a má qualidade da água foi responsável, na sua área, por tentar minimizar possíveis impactos”, declara Hélia Palha.
Aos vigilantes da natureza coube a tarefa de tentar encontrar uma solução para o Ilhéu. Após se inspirarem em vária literatura e investigarem exemplos de outros locais do mundo, como por exemplo nas Berlengas, instalaram barreiras físicas com fios de seda para impedir que as aves poisassem na zona balnear. “Procuramos várias técnicas que tinham de ser inofensivas, que não causassem stress aos animais” e que não as exterminasse, refere Hélia Palha.http://www.correiodosacores.pt/…/Fios-de-seda-que…
Fios de seda que impedem gaivotas de poisar na zona balnear do Ilhéu de Vila Franca é “um sucesso”
CORREIODOSACORES.PT
Fios de seda que impedem gaivotas de poisar na zona balnear do Ilhéu de Vila Franca é “um sucesso”
Pelas 10 horas da manhã – altura da primeira viagem até ao Ilhéu de Vila Franca do Campo – já os vigilantes da natureza Hildeberto Ferreira e Guilherme Pacheco se posicionam no Cruzeiro do Ilhéu para começar o dia de trabalho. O Cruzeiro é uma espécie de táxi para chegarem ao local de tra…
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danças de timor 2014-2016 nos colóquios da lusofonia

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GRUPO DE DANÇAS TIMOR FURAK impossibilitado de comparecer à última hora por os fundos do governo da RDTL não terem sido disponibilizados a tempo

22º SEIA 2014

22º SEIA 2014

26º LOMBA DA MAIA 2016

 

26º LOMBA DA MAIA 2016 26º LOMBA DA MAIA 2016 26º LOMBA DA MAIA 2016

 

26º LOMBA DA MAIA 2016

 

26º LOMBA DA MAIA 2016 22º SEIA 2014

Os dançarinos deste grupo já atuaram (Le Ziaval com 14 elementos) no 22º colóquio em 2014 em Seia.

Posteriormente, o grupo Timor Furak e o grupo Le Ziaval (19 elementos no total), deslocaram-se durante uma semana aos Açores ao 26º colóquio na Lomba da Maia, tendo atuado em Ponta Delgada, Ribeira Grande, ECOBEACH Resort, Escola EBI Maia e Lomba da Maia.

Em 2019 deslocam-se propositadamente para este 31º colóquio graças ao generoso apoio do governo da República Democrática de Timor-Leste.

TIMOR FURAK https://www.youtube.com/user/T1morFuRAK

LE ZIAVAL https://www.youtube.com/watch?v=YnKdV1vsXP0

Veja aqui as danças:

CEPE CEPE https://www.facebook.com/oliviofubu/videos/10156772894247889/

VALSA DE MANATUTO https://www.youtube.com/watch?v=OQL-JrrQZwc

NAS ANTERIORES ATUAÇÕES NOS COLÓQUIOS DA LUSOFONIA GRAVARAM-SE OS SEGUINTES REGISTOS:

 

 

TIMOR FURAK 29SET16 ABERTURA DO COLÓQUIO

https://YOUTU.BE/O8BFWTKHTZK /

http://videos.sapo.tl/trpZJ6Aj1U2sNzVnDJzm /

https://www.facebook.com/100010083810964/videos/335718326774292/

DANÇAS TIMOR FURAK 28SET16

HTTPS://YOUTU.BE/82KUBGR6EBG

https://www.facebook.com/antonio.callixto/videos/1751774481763564/

https://www.facebook.com/profile.php?id=100010083810964

ensaio:

https://www.facebook.com/100010083810964/videos/335528270126631/ /

https://www.youtube.com/watch?v=68EE-OoBEJU&index=61&list=PLwjUyRyOUwOKyMkaiepZif1C_4tvtkeRI&t=44s

PONTA DELGADA 2016

https://www.youtube.com/watch?v=82kUbgR6EBg&index=76&list=PLwjUyRyOUwOKyMkaiepZif1C_4tvtkeRI&t=41s

https://www.youtube.com/watch?v=syxm3PHH_BA&index=74&list=PLwjUyRyOUwOKyMkaiepZif1C_4tvtkeRI&t=0s

EBI MAIA 2016

https://www.youtube.com/watch?v=P1tZeYgTfgg

https://www.facebook.com/100010083810964/videos/336034540076004/

https://www.youtube.com/watch?v=P1tZeYgTfgg

https://www.facebook.com/100010083810964/videos/336034540076004/

https://www.youtube.com/watch?v=o8BfWtKHtZk&index=75&list=PLwjUyRyOUwOKyMkaiepZif1C_4tvtkeRI&t=0s

SEIA 2014

https://www.youtube.com/watch?v=8w1B5NpyfYM&t=0s&list=PLwjUyRyOUwOKAd5iwLDpa-fZYlboQ2Jc6&index=53

 

ARQUITETURA INCA 2

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THE ARCHITECTURE AND ENGINEERING INCAIC
The Incas practiced an engineering and architecture that to this day amazes the world. From blocks that fit like legos, passing through mathematical precision alignments, cycloped-size blocks, flower-grouped stones, small-carved tubular stones, curved stones at will, to harmonious beauty curve stones. All of them challenge the boundaries of human ingenuity.
Machu Picchu is one of the icons of Inca architecture, highlighting the wonderful and inexplicable stones coupling, and magnificent layout.
Machu Picchu’s historic sanctuary, symbol of Andean culture, is surrounded by stunning mountains, with abundant flora and fauna; considered one of the world’s most important archaeological monuments, was declared in 1983, World Heritage Site.
Incaic architecture manifested its greatness, showing the coupling it gave to its constructions with flora and fauna, which lead us to mention that they were great designers, and that natural spaces were designed, or simply that this culture was based on no smear nature.
Machu Picchu is at the same time considered a masterpiece of architecture and engineering. It presents the wonderful art, and also the amazing distribution, thanks to it it was called one of the 7 wonders of the world.

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Poesia em Homenagem a Eduíno de Jesus 31º COLÓQUIO BELMONTE 2019

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Poesia em Homenagem a Eduíno de Jesus

HOMENAGEM AICL 2019 A EDUÍNO DE JESUS.pptx

1. METAMORFOSE[i] PEDRO PAULO

esperei que nascesses

na praça pública

da garganta do pássaro

que cantasse no ramo de uma árvore

ou no ombro de uma estátua

 

esperei que florisses

na roseira do Parque Municipal

e o teu corpo branco

não fosse mais

do que um sonho vegetal

 

esperei que descesses

num raio de lua

e viesses

bailando em pontas (como uma sílfide nua)

deitar-te na minha cama

 

Na minha fantasia

de menino púbere

esperei que fosses uma melodia

uma flor

um raio de lua

 

Esperei por ti todos os minutos

do dia e da noite com

os nervos a alma ansiosa

afagando-te nas pétalas das rosas

ou mordendo-te na polpa dos frutos

2. SIMPLESMENTE[ii] carolina

amar-te sem juras nem promessas

sem noites de vigília

nem esta paixão que me buleversa

os nervos e me ensombra a vida

 

sem desespero sem romance

como se nada tivesse acontecido

sem as tuas lágrimas sem a minha angústia

 

plácida simples naturalmente

como florescem as ervas do caminho

3. XÁCARA DAS MOÇAS DONZELAS[iii] luciano

A noite é de estrelas

pelo céu brilhando

e as moças donzelas

as moças donzelas

rezando rezando:

 

Não vem um ladrão

não vem um banqueiro

ou um trovador

ou um cavaleiro

 

A noite é de estrelas

pelo céu ardendo

e as moças donzelas

as moças donzelas

dizendo dizendo:

 

Não vem um senhor

de alto coturno

não vem um polícia

ou o guarda noturno

 

A noite é de estrelas

pelo céu luzindo

e as moças donzelas

as moças donzelas

sorrindo sorrindo:

 

Não vem um amigo

ou um inimigo

não vem um soldado

não vem um mendigo

 

A noite é de estrelas

pelo céu redondo

e as moças donzelas

as moças donzelas

supondo supondo:

 

Não vem um vadio

ou um peregrino

ou um saltimbanco

ou um assassino

 

A noite é de estrelas

pelo céu profundo

e as moças donzelas

as moças donzelas

sozinhas no mundo

4. TOADA DO MENINO FEIO[iv] carolina cordeiro

Menino feio, da rua

(seria eu próprio, seria?),

tinha uns olhos de Lua

onde a Lua se acendia.

 

Menino de olhos de Lua,

menino que parecia,

sentado à porta da rua,

que não via nem ouvia.

 

Menino que me pasmava

pelo que lhe acontecia:

Enquanto ria, chorava,

e enquanto chorava, ria.

 

Menino sozinho e feio,

brincando sem alegria,

que estranho mundo era o teu?

que mistério te envolvia?

 

Menino feio, de bibe,

menino que fui, um dia…

Não sei agora onde vive…

Sei lá mesmo se vivia!

5. HIPOCONDRIA[v]chrys

1

Não é não

uma ilusão

da minha hipocondria

(ou seja lá o que for

da minha inquieta

imaginação

doentia

de poeta)

esta sina que a mim

me foi dada

de ir pelo não

semeando amor

e chegar ao sim

não colher nada.

2

Não me resta agora

senão esperar, amor, que venhas, lá de onde

não sei que fadário te esconde

e demora,

semear, por tua

mão, neste árido e agreste descampado do

Mundo, em nome

da Vida, a primavera, e acender por dema-

sia, para os poetas, no negrume

da noite, a Lua.

6. POEIRA DE ASTROS[vi] carolina

depois do sonho e do sonho

e do cansaço e da estrada

quando os olhos já não viam

nem os muros nem a estrada

depois dos beijos e risos

com a ampulheta parada

quando veio súbito o aviso

da noite inesperada

me perdi entre meandros

e rastros de luz inventada

 

em busca da poeira dos astros

que morrem com a madrugada

7. CONQUISTA[vii] chrys

Eu sou um homem de aldeia,

cheguei à cidade de botas amarelas.

fazem lá ideia

do que os homens da cidade riram de mim e delas!

Pois, apesar disso, a cidade, conquistei-a!

 

Hoje, sou o dono de um parque onde há um banco e aí durmo e sonho.

Tenho uma mansão em Newport, na Nova Inglaterra, e um yacht ancorado em Saint Tropez, e amanhã mesmo vou montar um negócio de baleias em Liverpool.

Ah, e digam lá vocês agora que eu sou um homem de aldeia!

 

Sou, isso sim, um armador grego, controlo a maioria dos casinos de Las Vegas, tenho 5% nos negócios de petróleo da Pérsia e já comprei (meu sonho antigo!) o aeroporto de Santa Maria.

Para começar, hoje em dia, já é um pé de meia.

(Só tenho medo que um dia o inspetor dos bancos dos jardins públicos

Descubra e me venha comunicar que o meu banco ali debaixo do plátano à beira do tanque onde nadam os pequenos peixes vermelhos que me vêm comer à mão pertence à Câmara Municipal.)

8. A ÚLTIMA FOLHA[viii] pedro paulo

A última folha

do outono, ainda

presa ao ramo que a prendia

à vida,

 

veio

um vento à toa,

desprendeu-a.

 

E aquela folha,

enfim desprendida

do ramo que a prendia

à vida,

 

agora

que está morta,

voa.

9. A ESTRADA[ix] luciano

Dizem os velhos que esta estrada,

seja curta ou comprida,

que só se chega ao outro lado

gastando a vida

e que depois do outro lado não há mais nada

 

Todavia, os jovens lá vão, em festa,

de braço dado

e aos beijos pelas sombras, às risadas,

pensando que, depois desta,

ainda há outras estradas.

10. A MENSAGEM DO POETA[x] carolina cordeiro

Na margem

do grande estuário do rio

que anuncia o

fim da viagem

cresce

(ainda) a árvore meta-

física em cujos ramos a Mensagem

do poeta

floresce

11. CHIARO-OSCURO[xi] pedro paulo

como se

de súbito

se acendesse

na noite

compacta

absoluta

o teu sorriso

ou :

um Anjo sus-

pendesse

o voo e

ficasse

parado no ar

perplexo

(como num ex-

voto) a

decifrar

nota a nota

sílaba a sílaba

cada

lágrima ardente

na maciez

do liso frio már-

more

do teu rosto

12. Origem[xii] chrys

 

Lá, onde o grande estuário

do rio da vida

pressagia a infinita

morte oceânica,

Cresce

a árvores marginal

em cujos ramos o canto

dos poetas floresce.

ouça-o e veja-o aqui em

 

2016 chrys diz cais da saudade de eduíno https://www.youtube.com/watch?v=G5iWY8RItmw&t=0s&list=PLwjUyRyOUwOKyMkaiepZif1C_4tvtkeRI&index=90

 

 

2018 poesia ao meio-dia no 30º na madalena do pico https://www.youtube.com/watch?v=wDOZ-7ClsbM&t=204s&list=PLwjUyRyOUwOKyMkaiepZif1C_4tvtkeRI&index=6

 

[i] Os Silos do Silêncio – poesia (1948-2004). Lisboa. Ed. Imprensa Nacional Casa da Moeda. 2005. pp. 50-51.

[ii] p. 58

[iii] pp. 63-64

[iv] p. 94 (1944)

[v] pp. 105-106 (1954)

[vi] p. 128 (1952)

[vii] pp.156-157

[viii] p. 272

[ix] p. 326 (1948)

[x] In Os Silos do Silêncio (Poesia, 1948-2004), Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2005.

[xi] (INÉDITO)

[xii] In http://www.circuloarturbual.com/literatura/eduinodejesus/tabid/170/language/pt-pt/default.aspx

Açores continuam em último lugar na Sociedade de Informação

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https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2021/06/ACORES-EM-ULTIMO-NA-SOC-DA-INFORMACAO1-Pages-from-2021-06-30.pdf
Açores continuam em último lugar na Sociedade de Informação
Segundo o Índice Digital Regional (IDR) 2020 agora publicado, a Região da Área Metropolitana de Lisboa (AM Lisboa), face à média das regiões NUTs II portuguesas, conta com um desempenho de enorme supremacia, continuando evidentes as assimetrias regionais na construção da Sociedade de Informação em Portugal.
Em segundo lugar surge novamente a região Centro que consegue aproximar- se da média europeia, bem como a região Norte que aparece em terceiro lugar.
A última posição é ocupada pela Região Autónoma dos Açores, tal como aconteceu nas quatro edições anteriores.
Para Luís Miguel Ferreira, co-autor do estudo, “na edição deste ano do IDR continua a verificar-se uma tendência de grande distanciamento da região de Lisboa em relação às restantes regiões portuguesas, o que confirma a crónica existência de enormes assimetrias regionais na construção da Sociedade da Informação em Portugal”.
“Depois de tantos anos e de muitos milhões de euros de Fundos Estruturais aplicados na coesão e na convergência territoriais, depois de tantos alertas colectivos para a necessidade de um maior equilíbrio e equidade no desenvolvimento regional, a verdade é que em aspectos tão relevantes que caracterizam a Sociedade da Informação, as assimetrias regionais vão persistindo e até, em alguns casos, se vão agravando”, sustenta o investigador do Gávea – Observatório da Sociedade da Informação da Universidade do Minho.
Acrescenta ainda que “em 71% do total de indicadores usados no estudo, a AM Lisboa obteve a melhor pontuação entre todas as regiões portuguesas”.
“Atente-se à importância do digital no contexto desta pandemia global que, face a esta supremacia, coloca a AM Lisboa e os seus habitantes em contexto mais favorável para enfrentarem situações de isolamento e confinamento, bem como no acesso a serviços electrónicos inclusivamente na área da saúde”, conclui o investigador.
O posicionamento das sete regiões no ranking do IDR 2020 verificou-se em alterações em relação à edição anterior.
Para além da manutenção da Região de Lisboa na primeira posição (o que já se verifica desde a primeira edição do índice), há a referir então a manutenção da região Centro no segundo lugar, seguida da região Norte que regista o terceiro posto.
Na 4ª posição surge a região do Algarve e em 5º lugar o Alentejo, seguido da Região Autónoma da Madeira que se posiciona em 6º lugar.
A 7ª e última posição é ocupada novamente pela Região Autónoma dos Açores.
Diario dos Açores.
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AFINAL QUE SE PASSOU NO HOTEL MARINA

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Como não podia deixar de ser, Clélio Meneses já tomou as rédeas da situação –
May be an image of 2 people and text that says "Telejornal ATAQUE DE MIJO NO MARINA 20:01 Clélio Meneses afirma que o governo está em cooperação com a unidade hoteleira, para os trabalhos de limpeza recuperação."
Ricardo Branco Cepeda, Sonia Borges de Sousa and 11 others
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  • Maria Luisa Colaço

    Mas, afinal, quem é que partiu e sujou tudo?
    Que é que o governo tem a ver com isso?
    Foram membros do governo que andaram à pancada?
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    • 23 m
    • Maria Luisa Colaço

      Afinal, se o Clélio diz que pagam na tv, é porque é público. Que foi que aconteceu. afinal de contas?
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      • 16 m
  • Sidónio Gonçalves

    Ataque de mijo? Já tinha visto muito tipo de ataques, mas de mijo é o primeiro
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Crónica 279 parolice açoriana em 3 atos 13.8.19

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Crónica 279 parolice açoriana em 3 atos 13.8.19

 

  1. Há esta parolice açoriana de dar nomes estrangeiros (quase todos em inglês) a projetos, festas, etc., hoje vi um novo “CREACTIVITY?” na Lagoa. No Google não surge resultado algum paracreACTivity)… e como bilingue que sou entendi a ideia “criativa” mas poupem-me, escrevam na língua oficial e deixem-se de parolices saloias de novos-ricos falidos… escrever em inglês não é sinónimo de sofisticação ou classe mas parolice… Atlantis Cup, Azores Today, Azores Burning Summer, Festival Folk Azores, Azores Triangle Adventure, SpotAzores, Walk & Talk Azores, Epic Trail Azores, Eco-Beach Resort, Azores GeoPark, Azores Greenmark, Azores Trail Run, Lava Homes, Hotel Neat, Pink House Azores, Azores Cow House, Lagoa Azores SUP Day,Lagoa promove Birdwatching, e tantos mais que poderia buscar… Muitos destes nomes se fossem apresentados na sua versão bilingue eu até compreendia…como chamariz turístico, oh yeah! You know?

 

  1. Há mais exemplos da dita parolice açoriana, mas no campo das festas anuais e seus contratados para abrilhantarem musicalmente os eventos. Não consegui contabilizar os muitos milhares de euros que voam em cada verão para pagar a “artistas continentais” dos quais alguns de qualidade dúbia e outros sobrevalorizados. Com algumas honrosas exceções, quase todos esses artistas atuam em animação de festas paroquiais ou municipais, e sem terem a qualidade dos artistas locais (sejam eles cantantes, bandas, filarmónicas). Claro que os que vêm de fora cobram cachês de mais de dez mil euros cada e os da terra – quando não atuam graciosamente – cobram tuta e meia. Assim tem sido há muitos anos. Recordo que aqui na Lomba da Maia no ano de 2013 contrataram o Quim Barreiros por 17 mil euros em vésperas de eleições para a Junta de Freguesia, a terrinha decuplicou a população por umas horas e os resultados das eleições foram os opostos ao pretendido.

 

Depois quando vierem as chuvas, desabamentos, inundações, ou outras obras necessárias quer as Juntas como as Câmara Municipais todos se vão queixar da falta de verbas para obras. Ainda há não muito tempo houve um artista na capital do norte da ilha de S Miguel que parece ter cobrado 150 (mil) mais 55 mil euros da receita. Ao subirem ao palco já o dinheiro tilinta na conta deles enquanto que os locais ficam tempos infindos à espera de serem pagos. Assim se fazem festas e festarolas com o erário público, dilapidando recursos numa manifestação de panem et circensis, tal como em Roma no século I da nossa era.

 

  1. Outro exemplo da parolice acontece com o turismo, que tem levado o governo regional a abrir novos e maiores parques de estacionamento para os senhores turistas, muitas vezes prejudicando o equilíbrio ecológico e defenestrando paisagens para apaziguar a necessidade de todo o bicho careta turista estacionar. Em tempos, eu e outras pessoas sugerimos para os locais mais emblemáticos da ilha de S Miguel onde se verificava tal necessidade, que fossem criadas carreiras de minibus, preferencialmente ecológicos ou mesmo elétricos, em vez de criar parques enormes de estacionamento. Por exemplo na Lagoa do Fogo, correriam nas horas de maior afluxo de meia em meia hora, parando (por exemplo em pontos fixos) na Lagoa, Ponta Delgada e Ribeira Grande. Podia ser cobrada uma quantia (simbólica ou não) e o trânsito fluiria melhor (os carros dos turistas estacionariam em locais designados naquelas três cidades). O mesmo se deveria fazer na Vista do Rei para evitar a imagem de há dias, com carros estacionados dos dois lados da rodovia e mal se passando no espaço remanescente. Aqui, o minibus turístico podia partir de Ponta Delgada, subir à Vista do rei, descer às Sete idades com paragens nas lagoas e regressar pela Covoada, aliviando os constrangimentos de trânsito.

NÃO PODEMOS PERMITIR QUE O TURISMO PREDADOR TENHA ESPAÇO NOS AÇORES!!! Por último um exemplo de parolice arquitetural era a tentativa de construir um aborto de hotel (580 camas) ao qual o Governo dos Açores atribuiu a classificação PIR – Projeto de Interesse Regional com financiamento comunitário de 85% do seu valor a fundo perdido. E o Autarca de Vila Franca do Campo, Ricardo Rodrigues (forte defensor da incineradora) nada fez para evitar este projeto através da alteração do PDM. Felizmente o governo regional cancelou a autorização do “aborto arquitetónico” em Água d’Alto (580 camas), junto à imaculada Praia do Degredo. Já em 2017 surgira outro projeto idêntico de 4 estrelas e 83 quartos (6 milhões de euros) para a cândida paisagem protegida da vinha da ilha do Pico, mas esse parece estar esquecido por enquanto.

E como amo os Açores não falarei de mais parolices hoje…Para o Diário dos Açores (desde 2018). Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713 / AU 3804 [Australian Journalists’ Association] MEEA/AJA]

 

A PAROLICE DOS NOMES EM INGLÊS…..Emergence Açores decorre em setembro para “aproximar as pessoas da ciência” – Açoriano Oriental

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A secretária da Cultura, Ciência e Transição Digital do Governo dos Açores, Susete Amaro, destacou que a segunda edição do Emergence Açores, que irá decorrer em setembro em São Miguel, pretende “aproximar as pessoas da ciência”.

Source: Emergence Açores decorre em setembro para “aproximar as pessoas da ciência” – Açoriano Oriental

 

 

SOBRE A PAROLICE LER ESTE MEU TEXTO DE 2019…TUDO CONTINUA PAROLO

Crónica 279 parolice açoriana em 3 atos 13.8.19

 

  1. Há esta parolice açoriana de dar nomes estrangeiros (quase todos em inglês) a projetos, festas, etc., hoje vi um novo “CREACTIVITY?” na Lagoa. No Google não surge resultado algum paracreACTivity)… e como bilingue que sou entendi a ideia “criativa” mas  poupem-me, escrevam na língua oficial e deixem-se de parolices saloias de novos-ricos falidos… escrever em inglês não é sinónimo de sofisticação ou classe mas parolice… Atlantis Cup, Azores Today, Azores Burning Summer, Festival Folk Azores, Azores Triangle Adventure, SpotAzores, Walk & Talk Azores, Epic Trail Azores, Eco-Beach Resort, Azores GeoPark, Azores Greenmark, Azores Trail Run, Lava Homes, Hotel Neat, Pink House Azores, Azores Cow House, Lagoa Azores SUP Day,Lagoa promove Birdwatching, e tantos mais que poderia buscar… Muitos destes nomes se fossem apresentados na sua versão bilingue eu até compreendia…como chamariz turístico, oh yeah! You know?

 

  1. Há mais exemplos da dita parolice açoriana, mas no campo das festas anuais e seus contratados para abrilhantarem musicalmente os eventos. Não consegui contabilizar os muitos milhares de euros que voam em cada verão para pagar a “artistas continentais” dos quais alguns de qualidade dúbia e outros sobrevalorizados. Com algumas honrosas exceções, quase todos esses artistas atuam em animação de festas paroquiais ou municipais, e sem terem a qualidade dos artistas locais (sejam eles cantantes, bandas, filarmónicas). Claro que os que vêm de fora cobram cachês de mais de dez mil euros cada e os da terra – quando não atuam graciosamente – cobram tuta e meia. Assim tem sido há muitos anos. Recordo que aqui na Lomba da Maia no ano de 2013 contrataram o Quim Barreiros por 17 mil euros em vésperas de eleições para a Junta de Freguesia, a terrinha decuplicou a população por umas horas e os resultados das eleições foram os opostos ao pretendido.

 

Depois quando vierem as chuvas, desabamentos, inundações, ou outras obras necessárias quer as Juntas como as Câmara Municipais todos se vão queixar da falta de verbas para obras. Ainda há não muito tempo houve um artista na capital do norte da ilha de S Miguel que parece ter cobrado 150 (mil) mais 55 mil euros da receita. Ao subirem ao palco já o dinheiro tilinta na conta deles enquanto que os locais ficam tempos infindos à espera de serem pagos. Assim se fazem festas e festarolas com o erário público, dilapidando recursos numa manifestação de panem et circensis, tal como em Roma no século I da nossa era.

 

  1. Outro exemplo da parolice acontece com o turismo, que tem levado o governo regional a abrir novos e maiores parques de estacionamento para os senhores turistas, muitas vezes prejudicando o equilíbrio ecológico e defenestrando paisagens para apaziguar a necessidade de todo o bicho careta turista estacionar. Em tempos, eu e outras pessoas sugerimos para os locais mais emblemáticos da ilha de S Miguel onde se verificava tal necessidade, que fossem criadas carreiras de minibus, preferencialmente ecológicos ou mesmo elétricos, em vez de criar parques enormes de estacionamento. Por exemplo na Lagoa do Fogo, correriam nas horas de maior afluxo de meia em meia hora, parando (por exemplo em pontos fixos) na Lagoa, Ponta Delgada e Ribeira Grande. Podia ser cobrada uma quantia (simbólica ou não) e o trânsito fluiria melhor (os carros dos turistas estacionariam em locais designados naquelas três cidades). O mesmo se deveria fazer na Vista do Rei para evitar a imagem de há dias, com carros estacionados dos dois lados da rodovia e mal se passando no espaço remanescente. Aqui, o minibus turístico podia partir de Ponta Delgada, subir à Vista do rei, descer às Sete idades com paragens nas lagoas e regressar pela Covoada, aliviando os constrangimentos de trânsito.

NÃO PODEMOS PERMITIR QUE O TURISMO PREDADOR TENHA ESPAÇO NOS AÇORES!!! Por último um exemplo de parolice arquitetural era a tentativa de construir um aborto de hotel (580 camas) ao qual o Governo dos Açores atribuiu a classificação PIR – Projeto de Interesse Regional com financiamento comunitário de 85% do seu valor a fundo perdido. E o Autarca de Vila Franca do Campo, Ricardo Rodrigues (forte defensor da incineradora) nada fez para evitar este projeto através da alteração do PDM. Felizmente o governo regional cancelou a autorização do “aborto arquitetónico” em Água d’Alto (580 camas), junto à imaculada Praia do Degredo. Já em 2017 surgira outro projeto idêntico de 4 estrelas e 83 quartos (6 milhões de euros) para a cândida paisagem protegida da vinha da ilha do Pico, mas esse parece estar esquecido por enquanto.

E como amo os Açores não falarei de mais parolices hoje…Para o Diário dos Açores (desde 2018). Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713 / AU 3804 [Australian Journalists’ Association] MEEA/AJA]

 

POESIA DE TIMOR NO 31º COLÓQUIO BELMONTE 2019

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548. queria ser toké 2012 LUCIANO

eu queria ser toké e contar o que vi

desde que parti em 1975

queria saber falar

dar os nomes os locais e os atos

de todas as atrocidades, violência e mortes

que testemunhei mudo na minha parede

 

eu queria ser toké e escrever tudo

queria contar o que não querem que se saiba

queria contar o que não queriam que se visse

queria contar os gritos que ninguém ouviu

 

queria ser água e apagar os fogos

que extinguiram a nossa história

como se não fora possível reconstruí-la

 

queria ser pássaro e levar nas asas

todos os que foram chacinados

violados, torturados e obnubilados

voar com as crianças que morreram de fome

as mulheres tornadas estéreis

 

tanta coisa que queria dar-te timor

e não posso senão escrever palavras

lembrar teu passado heroico

sonhar futuros ao teu lado

431. Díli, Timor, setº 1973 CHRYS

timor cresceu cercado

lendas que a distância empolgou

o sonho, a quietude,

as 1001 noites do oriente exótico

o sortilégio dos trópicos

para o europeu

desengano era a chegada

sobrevoa estéril ilha, montes e pedras

agreste paisagem sulcada de leitos secos

abruptas escarpas no subão

terra sem marca de homem

esparsas cabanas de colmo

será isto timor?

por trás de um monte imprevisto

o avião desce o vazio em círculos

em vão os olhos buscam a pista

e a imponente torre de controlo

que só existiu nos panfletos de propaganda

sob o zinco e o colmo

a alfândega é o bar e a sala de espera

isto é Baucau aeroporto internacional

a vila salazar dos compêndios que a história esqueceu

uma turba estranha se amontoa

à chegada do cacatua-bote[1]ou patas-de-aço

esta a cerimónia sagrada

deus estrangeiro baixando dos céus

dia de festa para os trajes multicoloridos

o contraste castanho dos sóis pigmentados

cinco da matina e é já pó e calor

o espanto mudo nas bocas incrédulas

as formalidades têm aqui sabor novo

espera lenta e compassada,

séculos de futuro por viver

antes que ele venha,

antes não venha

num barracão zincado

a velha bedford de carga

caixa fechada,

vidros de plástico sob o toldo puído

pomposo dístico colonial

carreira pública baucau-dili

picada em terreno plano, mar ao fundo

Baucau, cidade menina por entre palmares

densa vegetação tropical

das ruínas do mercado se evocam desconhecidos templos romanos

connosco se cruzam estranhos homens de lipa[2]

galo de combate ao colo entre torsos e braços nus

estrada n.º 1 até Dili,

sulca abruptas encostas

ao mar sobranceiras,

lá se adivinham cristais multicolores

 

em lugar de pontes

se atravessam ribeiras

enormes leitos secos

estradas de ocasião

pedregoso solo,

cores indefinidas,

castanhos e verdes

palapas dissimuladas na paisagem

imagens tristes de pedras e montes

baías primitivas, inconquistas,

praias de despojos e conchas

paraísos insuspeitos

 

assusto-me com os sorrisos vermelhos

não é sangue nas bocas gengivadas

masca, mescla de cal viva e harecan[3]

placebo psicológico da alimentação que falta

um riso encarnado esconde a fome

súbito, por paisagens que só a memória

sem palavras descreverá

eis Dili, a capital

larga avenida semeando o pó nas palapas

casas com telhados de colmo ou zinco

chinas e timores

partilham a promiscuidade da pobreza

Dili, plana e longa

a vasta baía antevê imponente

o ataúro ilha

um porto incipiente

construções coloniais pós-1945

da guerra que ninguém quis

dos mortos que os japoneses exigiram

da neutralidade do país mãe calado e violado

a marginal desagua no farol

alberga chefes de serviço,

altas patentes militares

sem guerras para lutar,

sem movimentos libertadores das gentes

quinze quilómetros de asfalto

três casas dantes da guerra grande

aeródromo em terra batida

com jipe de afugenta búfalo

a rua comercial atravessa dili senhora

de leste a oeste, espinha dorsal

o palácio das repartições e o do governo

perto um museu

o seu nome ostenta o vazio

riquezas sem fim

que patriotas governadores exportaram

colonizadores de séculos

com nada para mostrar

um museu morto

e dois sinaleiros nas horas de ponta

 

ociosos às portas dos cafés

à noite transfiguram-se

os bas-fond

o texas bar

da prostituição às slot machines

o submundo,

a vida underground

afogar esperanças em álcool

sonhos há muito perdidos

nunca sonhados

restaurantes poucos,

boa comida chinesa

bares espalhados na cidade

militares e álcool para calar distâncias

um portugal dos pequeninos

longínquo,

cada vez mais esquecido

nunca perdido.

uma cidade sem vida

morrendo nas cinzas de cada noite

entre o silêncio e a voz triste dos tokés

o calor putrefacto

e o voo alado das baratas gigantes

carros poucos, de dia só do estado

motocicletas pululam

entre viaturas oficialmente pretas e verdes

esperando mulheres de oficiais

à porta do cabeleireiro ou do liceu

militares a pé,

em berliet ou unimog

chineses muitos

dili é isto, a desolação

 

na parte alta da cidade

fresco e verdejante vale

sob a sombra dos dois hospitais

o complexo militar de barracas insalubres

 

triste esta cidade

pretensamente euro-africana

palapas ao lado das valetas pútridas

marginando ruas

ali vive o timor sem água nem luz

dez ou quinze filhos

que importa

a miséria é só uma e a mesma?

esta “a terra que o sol em nascendo vê primeiro”

aqui as imagens

e são já história

não se repetirão

aqui não daremos testemunho

como transfigurar colónias pacíficas

em palcos de guerra.

 

547. eleições sem lições, 2012 LUCIANO

Díli 23 setembro 1973

cheguei hoje a timor português

sem o saber nunca mais nada será igual

o futuro começa hoje e aqui

entrei na era da ditadura

sairei na democracia adiada

 

na bagagem guardo sabores,

imagens e odores

sonhos de pátria e amores

divórcios e outras dores

 

cheguei sem bandeiras nem causas

parti rebelde revolucionário

tinha uma voz e usei-a

tinha pena e escrevi sem parar

para bi-béres e mauberes

 

48 anos de longo inverno da ditadura

24 de luta independentista

agora que a lois vai cheia

e não se passa na seissal

já maromác se apaziguou

crescem os láfaék nos areais

perdida a riqueza do ái-tássi

gorada a saga do café

resta o ouro negro

para encher bolsos corruptos

sem matar a fome ao timor

 

perdido nas montanhas

sem luz, água ou telefone

repetindo gestos seculares

mascando, sempre mascando

o placebo de cal e harecan

tem hoje direito a voto

para escolher quem o vai explorar

sob a capa diáfana da lei e ordem

do cristianismo animista

oprimido sim

mas enfim livre.

550. timor nas alturas – 2012 CHRYS

queria subir ao tatamailau

pairar sobre as nuvens

das guerras, do ódio, das tribos

falar a língua franca

para todos os timores

 

queria subir ao matebian

ouvir o choro dos mortos

carpir os heróis esquecidos

 

queria subir ao cailaco e ao railaco

consolar as vítimas de liquiçá

beber o café de ermera

reconstruir o picadeiro em bobonaro

tomar banho no marobo

ir à missa no suai

buscar as joias da rainha de covalima

passar a fronteira e voltar

chorar todos os conhecidos e os outros

 

e quando as lágrimas secassem

à minha palapa imaginária regressaria

à mulher mais que inventada

um pente de moedas de prata ofertaria

vogando nas suas ribeiras e vales

sussurrando no espesso arvoredo

desaguando no vale de vénus

nos seus beiros navegaria

ao ataúro e ao Jaco rumando

desfrutando a paz e a beleza ancestral

ouvindo os tokés e as baratas aladas voando

os insetos projetados contra as janelas

atraídos pela luz do petromax

a infância e a juventude são como uma bebedeira

todos se lembram menos tu

450. O TETO DO MUNDO 1974 LUCIANO

 

como romper as palavras?

o som e o lamento

do ai-tássi, sagrado lenho

em ti se moldaram

faces e rugas milenárias

caminhos de teto do mundo

nas mãos vazias viaja o passaporte

para que não sucumbas hoje

há muitas mortes nos amanhãs

 

teus pés ligeiros voam quilómetros

com o cacho solitário que colheste

bananas que não te matam a fome

regateias escudo lima

enganas malai com parco lucro

sorri teu rosto infantil e puro

 

a sobrevivência da semana vendeste

curvado vais e retornas satisfeito

no teu sorriso jovem galgas montanhas

teus os reinos de Railaco e TataMaiLau

 

misturas na cal e harecan

o prazer e o engano desfeito

e o teu estômago sorri confiante

no regresso de braços dolentes

a linguagem do corpo impante

 

apostas mais, sempre mais

no teu combate de penas

pobre mercador de enganos

em galos de luta acenas

teu ganha-pão insano acaricias

são tuas as lágrimas

a revolta e a derrota sacias

guardas o estilete acerado

não decepou os medos

é teu o sangue e o alimentaste

 

das árvores pendem camarões doces do rio

e o pequeno jacaré

faz o cruzeiro oceânico

ribeira de seiçal – díli

são tuas as planícies e as ribeiras

as torrentes inundaram o arrozal

levaram pontes e caminhos

e tu ris do grande engenheiro malai

e o búfalo do china luís

navega rumo à liberdade

e nem pensas na tua

maromác sabe maubere é diac e vai passar

 

608. eleições 2013 CHRYS

era tempo de eleições

políticos vinham e prometiam

a populaça aplaudia

acenava e acreditava

depois de contados os votos

os políticos desapareciam

junto com as suas promessas

e o povo esquecido esperava

assim crendo na democracia

uma pessoa, um voto, uma promessa

repetiam a antiga escravatura

acreditando serem livres

685 Díli inundado, 2016 LUCIANO

maromác zangou-se

as ribeiras transbordantes

em díli nada mudou

tudo alagado como dantes

décadas depois

nem os milhões do petróleo

dominam as águas

passados quarenta anos

sem dinheiro para voltar

dominam-me as mágoas

e a minha saudade

rima com verdade

[1] Cacatua-bote ou patas-de-aço eram designações dadas pelos timorenses aos aviões

[2] Lipa, saia de tecido colorido, típica, de origem malaia, os timorenses usam-na enrolada à cintura descendo até aos tornozelos.

[3] Folha de planta semelhante à do tabaco

SYDNEY DESERTA E CONFINADA

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Covid-19: Austrália reforça restrições para conter surto ligado à variante ‘delta’
Sydney, Austrália, 28 jun 2021 (Lusa) – Várias regiões da Austrália aumentaram as restrições sociais para conter um surto ligado à variante ‘delta’ da covid-19, que já obrigou ao confinamento de Sydney, a cidade mais populosa do país, foi hoje anunciado.
“É um momento crítico”, disse o ministro do Tesouro australiano, Josh Frydenberg, à emissora pública ABC, antes de uma reunião do comité de segurança para abordar a nova crise sanitária.
O novo surto foi descrito por Frydenberg como “uma nova fase da pandemia”, comentando que a variante ‘delta’, detetada em meados do mês em Sydney, “é mais contagiosa e perigosa” do que as estirpes anteriores.
A reunião será presidida pelo primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, e deverá aplicar medidas adicionais às já adotadas pelos governos regionais, afetando mais de 60% dos 25 milhões de habitantes da Austrália.
No estado de Nova Gales do Sul, o governo local informou que o surto em Sydney, uma cidade que está confinada juntamente com as áreas circundantes até 09 de julho, registou hoje 18 novas infeções, depois de 30 casos identificados no domingo, elevando o total para 124 contágios locais desde o início do último surto.
No vizinho estado de Queensland, que detetou hoje dois casos da covid-19, um dos quais eles com a variante ‘delta’, as autoridades ordenaram o uso obrigatório de máscaras faciais e limites à capacidade dos restaurantes, entre outras medidas.
No domingo, o Território do Norte, com uma grande população aborígene, ordenou o confinamento durante dois dias em Darwin e áreas circundantes, onde se contam cinco casos.
Entretanto, também no domingo, a Austrália Ocidental impôs restrições semelhantes às de Queensland durante pelo menos três dias, depois de uma mulher que visitou Sydney ter dado positivo no teste covid-19, potencialmente com a variante ‘delta’.
Os outros estados e territórios da Austrália, onde não foram detetados casos de covid-19 nos últimos dias, limitaram as viagens às suas jurisdições a partir de regiões afetadas pelo vírus para evitar o contágio.
Entretanto, a Nova Zelândia suspendeu as viagens sem quarentena com toda a Austrália até, pelo menos, terça-feira.
A Austrália, cujas autoridades ligaram todos os surtos a repatriações do estrangeiro, contabilizou 910 mortos e cerca de 30.500 infeções desde o início da pandemia, tendo vacinado mais de seis milhões de pessoas, das quais 1,2 milhões receberam já as duas necessárias para completar o processo de vacinação.
A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 3.919.801 de vítimas em todo o mundo, resultantes de 180.725.470 casos de infeção diagnosticados oficialmente, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 17.084 pessoas e foram confirmados 874.547 casos de infeção, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
A doença respiratória é provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
EJ // JMC
Lusa/Fim
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A curiosa origem da expressão “perder os 3 vinténs” | VortexMag

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“Perder os 3 vinténs” é uma das mais curiosas expressões portuguesas. A sua origem e a sua história são deveras curiosas. Descubra-as e surpreenda-se.

Source: A curiosa origem da expressão “perder os 3 vinténs” | VortexMag