OTELO E UMA MENTIRA DITA CEM VEZES..

Views: 3

A CAUSA DAS COISAS
Júlio Gago
5 h ·
Agora sim; vou descansar uns tempos desta rede social, com um asco incrível por alguns que conheço. São energúmenos procurando fazer crer que são Democratas e amantes da Liberdade.
Vou fazer o meu luto por Otelo Saraiva de Carvalho; um bom amigo que perdi e o comandante operacional do 25 de Abril de 1974, que gentes que não são maioritárias, procuraram denegrir com maior incidência nos últimos dias. Como dizia hoje, na Circulatura do Quadrado, o José Pacheco Pereira: OTELO FEZ O 25 DE ABRIL; SPÍNOLA NUNCA O TERIA FEITO. Sim; hoje estive de acordo com o Zé PP, como volta e meia acontece. Pelo menos tem Cultura para abordar temas contemporâneos. A forma como fez um paralelismo indiscutível a favor de Otelo no confronto com Spínola, um escroque que fez duas tentativas de golpe de Estado contra a jovem Democracia portuguesa e comandou um grupo terrorista, o MDLP, responsável entre 1974 e 1975 por cerca de 700 acções armadas com uma dúzia de mortos e centenas de actos de vandalismo contra estruturas, casas, viaturas e seres humanos no período até à sua fuga de Portugal em que roubou um helicóptero das Forças Armadas portuguesas… E, apoiou outro grupo terrorista de extrema-direita, o ELP, ainda com mais crimes na agenda. Mas, este prepotente neo-fascista, António de Spínola, foi promovido a marechal, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, de Valor, Lealdade e Mérito (a mais elevada condecoração portuguesa no seu mais elevado grau) e teve dois dias de luto nacional quando morreu!… Tudo isto após os seus crimes contra, repito, a jovem Democracia Portuguesa nesses anos de ouro, em que com os militares e o Povo aconteceu revolução em Portugal. OTELO, que pelo seu feito maior, mereceria estas e outras distinções, nem a uma hora de luto nacional teve direito. Otelo que, no seu julgamento já nos anos oitenta foi condenado por testemunhos dos chamados “criminosos arrependidos”, mas com a salvaguarda de não o ser por qualquer “crime de sangue”. Cometeu erros, sim, políticos, mas quando pretendia colocar-se ao lado do Povo Pobre deste País, que é o nosso. Mas, não foi um assassino nesses anos, tal como pôs como condição que não houvesse sangue no dia 25 de Abril. Repito o que escrevi recentemente: um tal Manuel Castelo Branco acusou, nas redes sociais, Otelo de ser o assassino de seu Pai; é falso. Estou solidário com o que esse senhor sentiu pelo assassinato de seu Pai; mas não foi Otelo, nem o assassino nem o mandante. Não foi só a extrema-direita que tem procurado, por todos ps meios, chamar a esquerda de assassina e anti-democrática; tem arrebanhado para junto de si gente da direita e até do centro. Ou seja, gente que não queria o 25 de Abril, por ser fascista ou por não desejar perder os “privilégios” que tivera nesse regime anterior, e está orquestrada contra esse momento histórico do Povo Português, elegendo Otelo como o chefe dos “criminosos”, que nos trouxeram a Liberdade e a Democracia. Sem ele uma boa parte destes que andam por aqui a perorar não teriam sequer qualquer abertura para o fazerem; estariam calados para evitar a polícia política do fascismo. Falo como um combatente, de pequena dimensão, desses que lutaram durante 48 anos para derrotarem o fascismo salazarista. Que Otelo e os Militares dos MFA derrotaram nesse dia de Liberdade, em que se começou a construir a Democracia em Portugal. Sem tiros; e sem mortos foi uma das decisões do seu comandante operacional. Não vou continuar a escrever sobre isto; só sinto nojo.
Mas, tal como continuo a prestar a minha homenagem às palavras de Ramalho Eanes e de outros militares como Vasco Lourenço e Sousa e Castro, que chegarem a estar, após Abril, em campos opostos aos de Otelo; mas sempre estiveram ao lado dele na luta por um Mundo melhor, repudio alguns actos dos últimos dias. Em primeiro lugar o acto do Primeiro-Ministro António Costa de não apresentar uma proposta de luto nacional por Otelo; maldito calculismo eleitoralista!… O Pai deste Primeiro-Ministro, o meu amigo escritor e homem da publicidade, Orlando da Costa, certamente, também condenaria esta habilidade monstruosa do Filho. Em segundo lugar, o actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que diz ter concordado com o Primeiro-Ministro com desculpas esfarrapadas, hoje na Circulatura do Quadrado, que foi feito a partir de Belém… Obrigado, uma vez mais, pela tua isenção e defesa da verdade, meu caro José Pacheco Pereira, que colocaste em causa o perfil destes Senhores. Por último, custa-me saber, nem vou usar o seu nome mas o diminutivo pelo qual o conheço, o Féfé também concordou com isto!… Fiz com ele a campanha do Otelo, em 1976, nas Presidenciais, pelo País. Eu, ele, o João Vieira Lopes (actual Presidente da Confederação do Comércio), as Mulheres de cada um, o Luís Moita, o Zeca Afonso, o Carlos Antunes, o Alberto Castro, a São Moita, o Luís Salgado de Matos, o Mariano e tantos outros, percorremos o País, ao lado do Otelo. Pois, este rapaz do meu tempo, também achou por bem não falar sobre esta situação, apesar de ser uma das primeiras figuras, actuais, da hierarquia do Estado Português.
Só posso exprimir revolta e repulsa por estes actos; para evitar dizer ou fazer acções que o nojo me provoca vou-me retirar por algum tempo… Estou com asco desta hierarquia do Estado… Espero que os amigos e defensores dos mesmos valores que eu, ou seja, a Liberdade e a Democracia, a Constituição Política da República Portuguesa, sobretudo, me entendam. Não irei responder, mas lerei eventuais comentários… Até ao dia em que tenha vontade de continuar o combate pela via das redes sociais… Será que isto servirá para alguma coisa…

Julio Gago. Excelente texto. Dignidade e lucidez. Abraço.25 de Abril sempre.MDC
…………………..
Júlio Gago
5 h ·
Agora sim; vou descansar uns tempos desta rede social, com um asco incrível por alguns que conheço. São energúmenos procurando fazer crer que são Democratas e amantes da Liberdade.
Vou fazer o meu luto por Otelo Saraiva de Carvalho; um bom amigo que perdi e o comandante operacional do 25 de Abril de 1974, que gentes que não são maioritárias, procuraram denegrir com maior incidência nos últimos dias. Como dizia hoje, na Circulatura do Quadrado, o José Pacheco Pereira: OTELO FEZ O 25 DE ABRIL; SPÍNOLA NUNCA O TERIA FEITO. Sim; hoje estive de acordo com o Zé PP, como volta e meia acontece. Pelo menos tem Cultura para abordar temas contemporâneos. A forma como fez um paralelismo indiscutível a favor de Otelo no confronto com Spínola, um escroque que fez duas tentativas de golpe de Estado contra a jovem Democracia portuguesa e comandou um grupo terrorista, o MDLP, responsável entre 1974 e 1975 por cerca de 700 acções armadas com uma dúzia de mortos e centenas de actos de vandalismo contra estruturas, casas, viaturas e seres humanos no período até à sua fuga de Portugal em que roubou um helicóptero das Forças Armadas portuguesas… E, apoiou outro grupo terrorista de extrema-direita, o ELP, ainda com mais crimes na agenda. Mas, este prepotente neo-fascista, António de Spínola, foi promovido a marechal, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, de Valor, Lealdade e Mérito (a mais elevada condecoração portuguesa no seu mais elevado grau) e teve dois dias de luto nacional quando morreu!… Tudo isto após os seus crimes contra, repito, a jovem Democracia Portuguesa nesses anos de ouro, em que com os militares e o Povo aconteceu revolução em Portugal. OTELO, que pelo seu feito maior, mereceria estas e outras distinções, nem a uma hora de luto nacional teve direito. Otelo que, no seu julgamento já nos anos oitenta foi condenado por testemunhos dos chamados “criminosos arrependidos”, mas com a salvaguarda de não o ser por qualquer “crime de sangue”. Cometeu erros, sim, políticos, mas quando pretendia colocar-se ao lado do Povo Pobre deste País, que é o nosso. Mas, não foi um assassino nesses anos, tal como pôs como condição que não houvesse sangue no dia 25 de Abril. Repito o que escrevi recentemente: um tal Manuel Castelo Branco acusou, nas redes sociais, Otelo de ser o assassino de seu Pai; é falso. Estou solidário com o que esse senhor sentiu pelo assassinato de seu Pai; mas não foi Otelo, nem o assassino nem o mandante. Não foi só a extrema-direita que tem procurado, por todos ps meios, chamar a esquerda de assassina e anti-democrática; tem arrebanhado para junto de si gente da direita e até do centro. Ou seja, gente que não queria o 25 de Abril, por ser fascista ou por não desejar perder os “privilégios” que tivera nesse regime anterior, e está orquestrada contra esse momento histórico do Povo Português, elegendo Otelo como o chefe dos “criminosos”, que nos trouxeram a Liberdade e a Democracia. Sem ele uma boa parte destes que andam por aqui a perorar não teriam sequer qualquer abertura para o fazerem; estariam calados para evitar a polícia política do fascismo. Falo como um combatente, de pequena dimensão, desses que lutaram durante 48 anos para derrotarem o fascismo salazarista. Que Otelo e os Militares dos MFA derrotaram nesse dia de Liberdade, em que se começou a construir a Democracia em Portugal. Sem tiros; e sem mortos foi uma das decisões do seu comandante operacional. Não vou continuar a escrever sobre isto; só sinto nojo.
Mas, tal como continuo a prestar a minha homenagem às palavras de Ramalho Eanes e de outros militares como Vasco Lourenço e Sousa e Castro, que chegarem a estar, após Abril, em campos opostos aos de Otelo; mas sempre estiveram ao lado dele na luta por um Mundo melhor, repudio alguns actos dos últimos dias. Em primeiro lugar o acto do Primeiro-Ministro António Costa de não apresentar uma proposta de luto nacional por Otelo; maldito calculismo eleitoralista!… O Pai deste Primeiro-Ministro, o meu amigo escritor e homem da publicidade, Orlando da Costa, certamente, também condenaria esta habilidade monstruosa do Filho. Em segundo lugar, o actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que diz ter concordado com o Primeiro-Ministro com desculpas esfarrapadas, hoje na Circulatura do Quadrado, que foi feito a partir de Belém… Obrigado, uma vez mais, pela tua isenção e defesa da verdade, meu caro José Pacheco Pereira, que colocaste em causa o perfil destes Senhores. Por último, custa-me saber, nem vou usar o seu nome mas o diminutivo pelo qual o conheço, o Féfé também concordou com isto!… Fiz com ele a campanha do Otelo, em 1976, nas Presidenciais, pelo País. Eu, ele, o João Vieira Lopes (actual Presidente da Confederação do Comércio), as Mulheres de cada um, o Luís Moita, o Zeca Afonso, o Carlos Antunes, o Alberto Castro, a São Moita, o Luís Salgado de Matos, o Mariano e tantos outros, percorremos o País, ao lado do Otelo. Pois, este rapaz do meu tempo, também achou por bem não falar sobre esta situação, apesar de ser uma das primeiras figuras, actuais, da hierarquia do Estado Português.
Só posso exprimir revolta e repulsa por estes actos; para evitar dizer ou fazer acções que o nojo me provoca vou-me retirar por algum tempo… Estou com asco desta hierarquia do Estado… Espero que os amigos e defensores dos mesmos valores que eu, ou seja, a Liberdade e a Democracia, a Constituição Política da República Portuguesa, sobretudo, me entendam. Não irei responder, mas lerei eventuais comentários… Até ao dia em que tenha vontade de continuar o combate pela via das redes sociais… Será que isto servirá para alguma coisa…
Boa noite.

Chrys Chrystello

Like

Comment
Share

Observada pela primeira vez luz por detrás de um buraco negro

Views: 0

Um estudo divulgado esta quarta-feira revela a primeira observação direta da luz por detrás de um buraco negro, através da deteção de pequenos sinais luminosos de raios-X, confirmando a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein.

Source: Observada pela primeira vez luz por detrás de um buraco negro

RTP E AÇORES

Views: 1

OLHAR EM FRENTE
O que diz Nicolau Santos – O Presidente do Conselho de Administração da RTP, Nicolau Santos, no colóquio sobre o “Futuro do serviço público de rádio e televisão”, organizado pela Comissão Parlamentar de Cultura e Comunicação da Assembleia da República, em resposta a uma pergunta do Deputado Paulo Moniz sobre a necessidade de correspondentes da rádio e televisão pública em todas as ilhas, respondeu que tal não era possível, comparando os Açores ao distrito de Braga. A resposta de Nicolau Santos só é importante porque se trata do dirigente máximo da estação pública de rádio e televisão, responsável pelo serviço público nos Açores e Madeira, e que faz uma afirmação bem reveladora do velho espírito centralista que, 45 anos depois da instituição da autonomia regional, ainda faz escola no poder central, na Administração Pública do Estado e nas empresas integradas no sector público do Estado. A comparação é sempre a mesma e os argumentos repetem-se ao longo da história: a pequenez das ilhas, a escassa dimensão populacional, os custos associados à prestação de serviços públicos, em contraponto com os grandes ou médios distritos. Por eles – estes centralistas modernos, iguais a todos os centralistas – ainda estaríamos sob o jugo de um Governador Civil, sem direito a escolhermos um parlamento representativo do povo açoriano e a termos um Governo Regional, politicamente responsável perante o parlamento, no fundo, sem autogoverno.
A declaração do Dr. Nicolau Santos não é uma simples infelicidade discurso, mas uma atitude consciente de quem, enquanto Presidente da RTP, não compreende a natureza e a importância do serviço público de rádio e televisão – como se comprovou nestes tempos de pandemia, se prova fosse necessário fazer – para a coesão nacional, que significa coesão entre todas as parcelas do território, a começar pelas ilhas. Para ele o serviço público prestado nas Regiões Autónomas será uma extravagância.
As eleições autárquicas – No dia 26 de Setembro, os açorianos são chamados às urnas, pela terceira vez em tempo de pandemia, agora para a eleição das autarquias locais, o poder sempre mais próximo das populações. A singularidade destas eleições é que o povo – sempre com sabedoria – faz escolhas em função de cada uma das candidaturas e não a pensar nas eleições regionais ou nacionais. Estas eleições não são uma segunda volta das eleições regionais: nem para o PS que gostaria de fazer delas um plebiscito à liderança de Vasco Cordeiro, transformando um eventual bom resultado numa censura ao Governo Regional, nem para o PSD que gostaria de confirmar um crescimento eleitoral e consolidar os resultados das eleições regionais. O PSD – sozinho ou em coligação eleitoral com os seus parceiros de coligação governamental – tem condições para consolidar o seu poder autárquico – a começar por Ponta Delgada, em que apresenta um excelente candidato – e conquistar autarquias locais ao PS, em várias ilhas. O PS tem tudo a perder e o PSD tem tudo a ganhar nestas eleições. A interpretação dos resultados eleitorais só pode ser feita autarquia a autarquia, sem extrapolações regionais, que são sempre forçadas e pouco rigorosas.
Uns dias sem escrever – Serei candidato a Presidente da Assembleia de Freguesia do Livramento, nas próximas eleições. Por esse motivo e no respeito pela imparcialidade no tratamento das diversas candidaturas que o Açoriano Oriental sempre observou, deixarei de escrever nesta coluna até ao dia 26 de Setembro. Regressarei nas primícias do Outono.
(Publicado a 28 de Julho de 2021, no Açoriano Oriental)
Telmo R. Nunes, José Manuel Leal and 14 others
6 comments
Like

Comment
Share
6 comments
View 1 more comment
  • Célio Teves

    Caro Pedro Gomes, existe um trabalho sobre o Serviço Público de televisão, no qual participei e está disponível na net, em que demonstra que a coleta da taxa da RTP nos Açores, financia um Serviço completo de televisão pública nos Açores.
    • Like

    • Reply
    • 16 h
    • Pedro Gomes

      Célio Teves, creio que não conheço esse trabalho. Vou procurá-lo. Obrigado pela indicação.

      Um abraço
      • Like

      • Reply
      • 15 h
    View 3 more replies

552. divago jivago, 29 julho 2012

Views: 0

bucólica inédita dedicada aos irmãos e irmãs transmontanos..
552. divago jivago, 29 julho 2012
alevantei-me ainda o sol não raiava
aparelhei a burra com a albarda
meti o naco de pão no alforge e marchei
saí do alto de são sebastião,
parei na gricha para beber água
atravessei toda a aldeia da eucísia
que ainda dormia aquela hora
subi pela quinta dos magalhães até à moagem
virei à direita rumo a alfândega
até ao desvio de valverde não vi vivalma
havia pouco pó pois choveu ontem
tinha de namorar às escondidas
andava numa má vida por causa do namoro
tinha vestido o melhor fato e chapéu
ao chegar ao largo de são sebastião
já havia gente no jardim do município
o povo juntava-se ali à espera da missa
espero que não me tenham reconhecido
segui na velha n315 passei ao lado do castelo
desci até à ribeira de zacarias
por montes e vales passei sem ver ninguém
alguns olivais entre terras abandonadas
como a velha quinta da bendada
desci até ao sendim da ribeira
na esperança de a ver e passar tempo
construindo sonhos e promessas usuais
lá estava ela de mantilha branca
com as amigas aperaltadas para a missa
olhei em volta e só havia montes
de um lado os cerejais, do outro parada
para sul o sardão e a norte vilar chão
foi então que acordei e vi onde estava
numa lomba da maia na ilha de são miguel
rodeado de vacas alpinistas e vaqueiros
sentado ao computador a escrevinhar
e o resto da história terão de imaginar.

This won’t be shown in anyone else’s News Feed unless you share it
Send
Share
See more memories

a camara de ponta delgada

Views: 1

Um melhor serviço político
O PSD apresenta como “excelente” o seu candidato a presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, o dr. Pedro do Nascimento Cabral, conhecido e competente advogado. Se o dr. Pedro do Nascimento Cabral é um excelente candidato, então o dr. Elias Pereira, com o estatuto político de independente, era e é excelentíssimo, pois foi a primeira escolha do PSD para candidato a presidente da edilidade da capital da ilha de São Miguel. O dr. Pedro do Nascimento Cabral tem à partida a vitória garantida na corrida eleitoral, pois o PSD tem forte implantação no concelho de Ponta Delgada, mas ficará sempre como uma segunda escolha. O dr. Elias Pereira, igualmente conhecido e competente jurista, não recusou logo o convite do PSD. Parece que deu algumas expectativas. Levou “15 dias” a pensar e a decidir, como alega. Gaba-se de ter sido “candidato a candidato durante 15 dias”, feito, pelos vistos, importante e valorizador do seu currículo. O que eu entendo é que o PSD não tinha qualquer necessidade de andar a bater a várias “portas”, pois tinha a candidata natural ao cargo, que já o desempenhava e ainda desempenha, com óbvio e elevado agrado público, a drª Maria José Lemos Duarte. Depois das eleições, no final de Setembro, acontecerá certamente o seguinte: o dr. Pedro do Nascimento Cabral eufórico por ser o novo presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada (talvez em transição para funções governativas regionais, mas isso é outro assunto…), o dr. Elias Pereira todo vaidoso por ter sido a primeira escolha, e a drª Maria José Lemos Duarte a dizer com certeza para consigo própria “estou para ver se o Pedro consegue fazer mais e melhor do que eu”. Será difícil, de facto. No caso do município de Ponta Delgada, o maior dos Açores, o PSD, se estivesse quieto, prestaria um melhor serviço político.
1
Like

Comment
Share
0 comments

AI SE PORTUGAL TIVESSE MAR…

Views: 9

May be an image of food and indoor
AH, SE TIVÉSSEMOS MAR!!!
“Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses”.
Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns Jogos Sem Fronteiras de pescado e marisco.
Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico.
Por alto, vi: Camarão do Equador, Burrié da Irlanda, Perca Egípcia, Sapateira de Madagáscar, Polvo Marroquino, Berbigão das Fidji, Abrótea do Haiti?
Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós.
Eu não tenho vontade de comer uma Abrótea que veio do Haiti ou um Berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com o Berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.
Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo.
Não é saudável ter inveja de uma Gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do Linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável constatar que o Tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano.
Há quem acabe por levar Peixe-Espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa. Eu vi Perca Egípcia em Telheiras.
Fica estranho. Perca Egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma Perca Egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.
Deixei para o fim o Polvo Marroquino. É complicado pedir Polvo Marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: “tem Polvo Marroquino?”, sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. “Queria quinhentos de Polvo Marroquino” – tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por Robalo de Chernobyl para o almoço. Não há nada como umas coxinhas de Robalo de Chernobyl.
Eu às vezes penso:
O que não poupávamos se Portugal tivesse mar.”
(João Quadros in Negócios Online)
in @novosrurais.marketplace
2
Like

 

Comment
Share