A Epidemia como política.

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A Epidemia como política.
«Giorgio Agamben, o mais considerado e traduzido filósofo italiano, conotado com a esquerda e ateu confesso, publicou, há pouco, um livro, A che punto siamo? – Lepidemia come politica (Em que ponto estamos? – A epidemia como política), Edições Quodibet, no qual aborda a pandemia de COVID-19 e seus desenvolvimentos politico sociais.
Uma vez que, ao contrário do que lhe era habitual, tem sido ignorado pelos meios de comunicação social e possivelmente não será traduzido em mais nenhuma língua, aqui se trazem algumas passagens, desta sua mais recente obra, para conhecimento do público português.
“Pretendo chamar a atenção para a transformação que estamos a testemunhar, na vida social e política, em que um aparelho ideológico explicitamente totalitário opera através da instalação de um terror sanitário puro e simples, duma espécie de religião da saúde, transformando o estado de excepção numa prática cada vez mais normal, que, a continuar assim, acabará por liquidar a democracia parlamentar”.
“Limitou-se, sem motivo, o primeiro dos direitos do homem, o direito à verdade, através duma gigantesca operação de falsificação da verdade: fornecer os números sobre a epidemia de maneira genérica e sem nenhum critério científico, dando o número de mortos sem os comparar com a mortalidade anual no mesmo período e sem precisar a causa real da morte não faz sentido nenhum.
Um paciente que deu positivo (nos testes PCR para o SARS COV-2) e tenha morrido de causa cardíaca ou outra é registado como tendo morrido de covid-19; e, nunca se fala dos números anuais de mortes por outras patologias, muito superiores ao número de mortes por covid-19.”
“Instalou-se um estado de coisas no qual o poder decide quais as notícias que devem ser consideradas falsas e quais as que podem ser consideradas verdadeiras.”
“As autoridades desdizem-se repetidamente, como no caso do uso ou não uso de máscaras; e mantem-se um enorme ponto de interrogação sobre as terapias aplicadas ou a aplicar.”
“Os médicos e virologistas admitem não conhecer bem este vírus e nem saberem bem o que é um vírus, mas pretendem, em função dele, decidir como os seres humanos devem passar a viver.”
“Para decidir aplicar medidas tão radicais de suspensão dos direitos fundamentais, as autoridades deveriam primeiro ter explicado ao povo, com uma exactidão extrema, todos os dados do problema e só depois, com controlo democrático, aplicar determinadas medidas cuja eficácia deveria ser monitorizada e avaliada diária publicamente.”
“Como foi possível que países inteiros tenham sucumbido, ética e politicamente, em face duma simples doença?”
“ O mantra generalizado é agora o “distanciamento social” – e, não distanciamento pessoal ou físico, como faria sentido – preparando uma nova estrutura da relação entre os seres humanos, pois uma urgência perpétua gera uma necessidade de segurança perpétua.”
“Criou-se intencionalmente uma gigantesca vaga de medo, causada pelo ser mais pequeno que existe, vaga de medo, essa, que as potências do mundo guiam e orientam, em função dos seus fins.
Assim, num círculo vicioso perverso, a limitação da liberdade imposta pelos governos é aceite em nome do desejo de segurança, desejo esse, criado pelos mesmos governos que agora intervêm para o satisfazer.”
“ Uma das consequências ético-políticas não negligenciável, do “estado de emergência” é a abolição pura e simples do espaço público, uma vez que as medidas decretadas nos obrigam de facto a viver num estado de guerra.
Mas, uma guerra, onde o inimigo é invisível e pode estar escondidos em cada um dos outros seres humanos, é a mais absurda das guerras.”
“ Em nome, não duma prova científica partilhada por todos os especialistas, mas dum fideísmo científico que, negando todas as fés religiosas, se apresenta como uma verdade absoluta que exige dos homens que não acreditem em mais nada a não ser na sua existência biológica pura (separada da vida afectiva, cultural e espiritual), a qual deve ser salva a qualquer preço, assistimos, nos últimos meses a um paradoxo que consiste em suspender a vida, para a proteger.”
“Como é possível aceitar que, em nome dum risco nunca especificado, pessoas que nos são queridas, e seres humanos em geral, morram sós e os seus corpos sejam incinerados sem funerais – coisa que nunca tinha acontecido, ao longo da História, desde Antígona até hoje.”
“Para instalar um estado de alarme generalizado e, em seguida um pânico colectivo, que tornou todos os demandos aceitáveis, foi necessário espalhar o terror sanitário através de um aparelho mediático unânime e sem falhas; e, deste modo, foi possível verificar que, em razão do medo da morte, as populações estão dispostas a aceitar limitações da sua liberdade que jamais tinham sonhado tolerar, nem durante as duas guerras mundiais, nem debaixo de ditaduras totalitárias. Tratou-se da mais longa suspensão da legalidade de que há memória sem que os representantes do povo tenham objectado o que quer que fosse.”
“ A utilização inconsiderada de decretos de urgência através dos quais o poder executivo se substituiu ao poder legislativo, aboliu o princípio da separação de poderes, princípio que define a democracia.”
“Este período ficará na história do mundo como um dos períodos mais vergonhosos e os seus dirigentes e governantes como dos mais irresponsáveis e eticamente inescrupulosos.“
“Os poderes do mundo decidiram usar o pretexto duma pandemia – pouco importa se real ou simulada – para mudar de alto abaixo o paradigma da forma como governam os homens e as coisas.”
“ A paranóia bio securitária instalada, conseguiu apresentar a suspensão de todas as formas de actividade política e relação social, como a forma mais elevada de participação cívica.”
“ A pandemia demonstrou sem sombra de dúvida que, para o poder, o cidadão se reduz à sua existência biológica.”
“Agora que os cidadãos não têm um direito à saúde mas são juridicamente obrigados à saúde assiste-se à implementação de um novo paradigma de biossegurança.
Fica a dúvida se uma tal sociedade ainda se poderá definir como humana, ou se a perda das relações sensíveis, – dos rostos, das amizades, do amor – pode ser compensada por uma segurança sanitária abstracta e muito provavelmente, completamente fictícia.”
“ O grau de confusão que atingiu os espíritos que se deveriam ter mantido mais lúcidos, levou ao paradoxo de vermos organizações de esquerda, que deveriam reivindicar direitos e denunciar violações das constituições, aceitar sem reservas a limitação de liberdades essenciais decidida por decreto ministerial, sem qualquer legalidade – coisa que jamais o fascismo sonhou poder impor -, e dirigentes de direita – Trump e Bolsonaro – serem os que mais se opuseram às medidas de confinamento; demonstrando-se, assim, que a diferença entre direita e esquerda se esvaziou de qualquer conteúdo político real; a verdade é a verdade, seja dita à direita ou à esquerda”.
“Sob um Papa chamado Francisco, a Igreja esqueceu que Francisco (de Assis) abraçava os leprosos; esqueceu que uma das obras de misericórdia consiste em visitar os doentes; esqueceu que os sacramentos só podem ser ministrados presencialmente; esqueceu que os mártires ensinam que é necessário estar preparado para sacrificar a vida para não perder a fé e que renunciar ao próximo significa renunciar à fé.”»
Traduzido por,
Dr João Faria de Morais
Médico Dentista
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deve ser ano de eleições vai haver escola nova nos arrifes

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Avelino Meneses assina despacho de adjudicação da empreitada de requalificação da EBI dos Arrifes - Jornal Açores 9
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Avelino Meneses assina despacho de adjudicação da empreitada de requalificação da EBI dos Arrifes – Jornal Açores 9
O Secretário Regional da Educação e Cultura, Avelino M

“O sexo reprodutivo vai acabar, será mais seguro usar a ciência” – Vida – SÁBADO

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Escolher a altura e o QI do seu filho pode estar mais perto do que pensa. O especialista em tecnologia futurista, e conselheiro da OMS sobre genética, diz que a seleção de embriões será a nova realidade. – Vida , Sábado.

Source: “O sexo reprodutivo vai acabar, será mais seguro usar a ciência” – Vida – SÁBADO

NOVOS CABOS SUBMARINOS EM 2024???

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O investimento deverá ser de 118,9 milhões de euros para a substituição dos cabos submarinos entre o continente, Açores e Madeira (conhecido por “anel CAM”) que, determina um despacho ontem publicado em Diário da República, deve estar concluída em 2024 para os Açores e em 2025 para a Madeira. Para tal, a IP Telecom, responsável pelo investimento, tem de lançar o concurso público internacional até ao fim deste ano, e adjudicar a construção e instalação até final de 2021, “sendo expectável um prazo de dois anos para a instalação física”.
O despacho indica que o projecto deve ser considerado prioritário, “para efeitos de acesso a financiamento da União Europeia” e deve incluir também equipamento para poder prestar outros serviços, nomeadamente “detecção sísmica, para produção de alertas, de medições ambientais, de detecção de actividade náutica submarina e de transmissão de dados de projectos científicos”.
O novo anel CAM vai dispor de seis pares de fibras ópticas em todos os segmentos, complementado por um par de fibras ópticas a partir da Madeira, numa derivação que ligará ao cabo Ellalink (que está a ser construído para ligar Fortaleza, no Brasil, e Sines). O despacho assinado pelo Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Souto de Miranda, e pelo Secretário de Estado das Infra-estruturas, Jorge Moreno Delgado, determina que existam duas estações de amarração partilhadas no Continente; uma nova estação e utilização de uma estação partilhada nos Açores; uma nova estação e utilização de uma estação partilhada na Madeira.
O sistema de cabos submarinos assegura as comunicações electrónicas entre Portugal continental e os arquipélagos dos Açores e da Madeira – dois a partir de Carcavelos, um para a ilha de São Miguel e outro para a ilha da Madeira, um terceiro entre São Miguel e a Madeira, num total de 3.700 quilómetros. Com esta substituição, refere o despacho ontem publicado, deve ser feita também a promoção internacional de Portugal “como plataforma atlântica de amarração de cabos e de dados, em especial na comunidade relacionada com as comunicações por cabo submarino, como a Oceanografia, a Geofísica, o Ambiente e a Defesa, bem como localização privilegiada de centros de armazenamento e computação de dados, designadamente em Sines”.
Assume o Governo da República que a posição geográfica de Portugal lhe confere “uma vantagem única” sendo que o único país do mundo que tem “amarrados cabos submarinos com comunicação para todos os continente relevantes”. Havendo já a indicação que o cabo Equiano, da Google, vai ligar a Cidade do Cabo a Sines e o cabo Ellalink vai ligar Fortaleza a Sines, esta “vantagem” deve ser potenciada não apenas atraindo novas amarrações, mas também como localização de plataformas digitais e centros de armazenamento de dados “no contexto em que o seu processamento constitui factor fundamental da economia digital”.
Indica ainda o despacho que a gestão dos novos cabos submarinos será feita pela IP Telecom, de forma “exclusivamente grossista e neutra”, garantindo o acesso “não discriminatório a todos os operadores de comunicações electrónicas ou outras entidades relevantes”.
O despacho dá ainda indicações que a IP Telecom, enquanto futura sub-concessionária pública da gestão e manutenção dos cabos submarinos do futuro anel CAM. Deverá oportunamente, “avaliar a necessidade de substituir as ligações por cabo submarino entre a Madeira e o Porto Santo e entre as ilhas dos Açores, tendo em conta o seu período de vida e capacidade”.
Substituição dos cabos submarinos vai custar 119 ME e deve estar pronta em 2024
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Substituição dos cabos submarinos vai custar 119 ME e deve estar pronta em 2024

SOBRE O VÍRUS QUE ANDA AÍ

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“SOBRE O “VÍRUS PANDÉMICO” QUE ANDA POR AÍ …”
Porque muitos me têm questionado, aqui deixo a minha opinião sucinta.
Se todos os anos se fizesse com a gripe sazonal o mesmo relatório de contagem diária alarmista como o que está a acontecer este ano com este coronavírus, a sociedade humana já teria paralisado.
Todas as gripes são provocadas por vírus, e muito mutantes. Daí haver necessidade, todos os anos, de novas vacinas.
Por outro lado, existe uma enorme confusão em relação aos testes. O facto de haver anticorpos no organismo não quer dizer que a pessoa esteja doente, apenas que esteve em contacto com o vírus e desenvolveu a sua própria defesa imunitária. Para haver doença é preciso que haja sintomas.
As pessoas idosas e com doenças que fragilizam as suas defesas imunitárias devem ser alvo de especial cuidado? Sim, devem.
Devem-se tomar medidas preventivas? Sim, devem. Deve-se reforçar a etiqueta respiratória e higiene das mãos? Sim, deve.
Devemos retomar uma vida normal? Sim, devemos!!!
Não podemos permitir, de maneira nenhuma, é que volte a acontecer o que aconteceu com a gripe das aves e o famoso Tamiflu. O preço a pagar seria neste caso muito elevado. O medo leva a comportamentos irracionais, paralisa a capacidade de pensar e questionar. Pode-nos tornar reféns de interesses pouco claros.
Em quarenta anos já morreram dezenas de milhões de pessoas com o HIV e ainda não se conseguiu vacina. Uma vacina necessita de anos de pesquisa, em particular quando estamos perante vírus mutantes.
Os efeitos colaterais que esta Pandemia provocou já estão aí e vão agravar-se nos próximos meses. Que ninguém duvide. Desemprego, pobreza, fome e uma crise social gravíssima está em curso. Isso sim, preocupa-me e muito.
As doenças não se combatem com o medo, mas sim com prevenção e medidas coerentes e pensadas por uma comunidade científica, bem informada e sem conflitos de interesse que limitem a sua ética.
Correndo o risco de por vezes ser mal interpretado, não deixarei, como sempre o fiz, de expressar a minha opinião e de lutar pelo que sempre guiou a minha vida. A Humanidade, a Liberdade, a Ética, os Direitos Humanos e a Democracia.
* Fernando de la Vieter, Médico Humanitário, presidente da AMI – Assistência Médica Internacional.
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O POEMÁRIO DE HOJE TB DEDICADO AO EDUARDO B PINTO

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Eduardo Bettencourt Pinto – Homem consigo próprio
Pode ouvir o programa completo em: https://www.instagram.com/p/CFsq_K2D5f5/…
0:15 / 3:19
MESSENGER
Poemário – divulgaçao de poetas açorianos

MÁSCARA E MELBOURNE

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Não esqueçamos o holocausto que está a ser vivido no Estado de Victoria na Austrália.
Image may contain: 1 person, text that says "A lot of the people not wearing masks in Melbourne are older men. Today I asked a man why and without hesitation he said.... "I didn't fight in a war for a free and fair Australia, to die as a slave." Let that sink in."
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são miguel, açores, a má saúde e a falta de consultas

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Provedoria de Justiça insta a Região a recorrer ao privado para resolver a situação
Depois do Representante da Republica ter aconselhado Jacinto Silveira, filho e cuidador informal de uma idosa de 88 anos que espera há um ano e três meses por uma consulta de dermatologia no Hospital de Espírito Santo da Ilha Terceira (HSEIT), a recorrer aos tribunais para resolver a situação, agora também a Provedoria de Justiça vem dar razão ao queixoso, que considera que o Serviço Regional de Saúde “deve uma consulta à sua mãe”. Numa comunicação a que o Correio dos Açores teve acesso, aquele órgão confirma que tomou conhecimento dos factos e que “os tempos máximos de espera foram ultrapassados. Como tal, haverá lugar à aplicação da alínea c) do artigo 2.º da Carta dos Direitos de Acesso aos Cuidados de Saúde pelos Utentes do Serviço Regional de Saúde, aprovada pela portaria n.º 166/2015, de 31 de dezembro”. Na referida alínea c, pode ler-se claramente que: “O utente do Serviço Regional de Saúde tem direito a, ser informado pela instituição prestadora de cuidados quando esta não tenha capacidade para dar resposta dentro do TMRG aplicável à sua situação clínica e de que lhe é assegurado serviço alternativo de qualidade comparável e no prazo adequado, através da referenciação para outra entidade do Serviço Regional de Saúde ou para uma entidade do sector privado convencionado”.
Por essa razão, a Provedoria de Justiça refere, na resposta enviada ao queixoso, e depois de ter contactado a Direcção Regional de Saúde que “de acordo com a informação prestada a este órgão do Estado, terão sido transmitidas orientações ao Conselho de Administração daquela unidade hospitalar, tendo em vista a celebração de convenção com entidade externa, ao abrigo da qual seja possível dar a resposta legitimamente reclamada por V. Exa”, refere a Provedoria de Justiça que aconselha Jacinto Silveira a “aguardar pelo resultado de tal acção”.
A situação de Maria Hermínia Gonçalves arrasta-se desde o dia 15 de Maio de 2019 quando foi pedida uma consulta de dermatologia que, após avaliação médica, foi considerada como sendo não urgente. O filho e cuidador informal, Jacinto Silveira, revoltou-se com a demora na resposta dada pelo HSEIT e denunciou a situação ao nosso jornal no passado dia 22 de Setembro, explicando à data que “o Sr. Director Regional da Saúde ‘intimou’, a 30 de Julho, o HSEIT a referenciá-la para um privado e deu 5 dias uteis para responderem por escrito. A informação que tenho é que o HSEIT não respondeu à Direcção Regional de Saúde, nem a referenciou para um privado”, explicou.
Contactado, Jacinto Silveira mostrou-se satisfeito com o facto de a Provedoria de Justiça ter reconhecido razão na sua queixa e adiantou que, nos próximos dias, dará entrada com um processo judicial.http://correiodosacores.pt/…/Provedoria-de-Justi231a…
Provedoria de Justiça insta a Região a recorrer ao privado para resolver a situação
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Provedoria de Justiça insta a Região a recorrer ao privado para resolver a situação

macau lisboa viajar em tempo de cólera

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Viajar em tempos de cólera.
Depois da viagem de regresso a Portugal ter sido cancelada por três ocasiões, consegui finalmente o tão apetecido bilhete de avião.
Foi uma viagem cansativa, com partida de Macau para Seul, a bordo de um avião da Air Macau e depois de Seul até ao Dubai, de onde voei finalmente para Lisboa, num voo da Emirates Airlines.
Um total de 35 horas, divididas entre o tempo de espera – 14 horas – e a viagem propriamente dita: 21 horas.
Em Macau, correu tudo de forma exemplar no Aeroporto, com muito rigor por parte dos funcionários no cumprimento das regras de segurança e das orientações sobre a Covid-19.
Infelizmente, dois dos passageiros não puderam seguir viagem com destino a Lisboa pelo facto do teste de despistagem de Covid-19 não estar dentro do prazo estipulado pela companhia de aviação.
As regras são, no entanto, para serem cumpridas e e não é por fruto do acaso que Macau detém um record de 88 dias sem novos de infecção.
O controlo da pandemia no território é fruto do rigor na aplicação das medidas promovidas pelo Governo e pelos Serviços de Saúde.
Não sou capaz de dizer se o voo até Seul foi calmo ou turbulento.
Tanto eu como a maioria dos restantes passageiros caímos num sono profundo, devido ao horário do voo que nos obrigava a acordar de madrugada, para poder estar no aeroporto antes das seis da manhã, uma vez que o avião tinha a hora de partida agendada para as 8h25.
Já em Seul, cerca de três horas depois, o Aeroporto – que habitualmente estaria repleto de pessoas à espera de um voo de ligação para um outro destino – parecia, com a pandemia, um ermo: no local apenas meia dúzia de pessoas se passeavam, sem poder apreciar lojas outrora repletas de carteiras, roupas, acessórias de moda, material informático e muitas mais coisas.
Muitas delas estavam simplesmente fechadas.
Os passageiros que viajaram comigo no mesmo voo da Air Macau, em trânsito para o Dubai , tiveram de esperar dez horas num espaço deserto e estranhamente tranquilo.
Face à míngua de viajantes, os seguranças e alguns funcionários das poucas lojas que permaneciam abertas aproveitavam para repousar nas cadeiras destinadas aos passageiros.
Chega a hora de partir para o Dubai.
Mais 9 horas de voo e uma incontornável bateria de interrogações.
Ao chegarmos ao Aeroporto, depois de passar o controlo da bagagem de mão, tivemos de preencher um papel com várias questões sobre as condições gerais de cada um: sintomas de febre, tosse e dispneia, região onde estivemos nos últimos 14 dias, eventual contacto com pessoas infectadas por Covid-19.
Diligentes, as autoridades do Dubai não descuram a prevenção.
Foi entregue a cada um dos passageiros um kit com dois pares de luvas, duas máscaras e 4 saquetas com gel bactericida, tal como indicava o rótulo da embalagem.
Ao contrário do que sucedeu em Seul, no Dubai, o aeroporto tinha praticamente todas as lojas abertas e o movimento de pessoas foi francamente superior mas longe ainda do período pré-pandemia.
Uma diferença de vulto: muitos dos restaurantes permaneciam fechados.
Na zona de embarque , as cadeiras disponíveis ficaram reduzidas a metade, com sinalização a proibir a utilização de alguns dos assentos para que o distanciamento social fosse mantido, uma medida que não foi adoptada em nenhum dos voos de qualquer das companhias (Air Macau e Emirates ).
Os passageiros estavam colocados em lugares sem que as recomendações de distanciamento físico fossem cumpridas.
Do Dubai até Lisboa, para além de ter encontrado um grupo de passageiros vestidos a rigor, com máscara, luvas, óculos e capas de plástico, não se registou qualquer outro assunto de interesse .
Em Lisboa , após um dia e meio de viagem, antes ainda de chegarmos à zona de levantamento das bagagens, fomos abordados por dois agentes das forças de segurança que nos solicitaram a confirmar se o teste de Covid 19 tinha sido realizado nas últimas 72 horas.
Ninguém veio medir a temperatura corporal de qualquer passageiro.
Há que dar, no entanto, o benefício da dúvida às entidades competentes, porque há cada vez mais aparelhos montados nos Aeroportos que fazem a medição da temperatura corporal dos utentes sem que estes se apercebam.
As minhas malas chegaram em poucos minutos, ao contrário do que sucedeu noutras experiências anteriores, quando geralmente eram as últimas a sair do tapete rolante, quando não tinham sido extraviadas por algum motivo.
Depois do cansaço acumulado na viagem, o que me esperava pela frente era o mar do Algarve, daí ter feito mais duas horas de viagem num carro particular para poder usufruir de férias em família.
Um momento de alegria exponenciada pelo clima único do Algarve, que tornou aquela região a terceira mais escolhida do mundo para os reformados viverem.
Ao contrário do que era a norma em várias cidades asiáticas onde estive por diversas vezes nos últimos anos, a poluição atmosférica era inexistente.
Com ar puro, céu azul, mar calmo e a temperatura da água – mais fria do que me parece habitual – a convidar para entrar no mar e para um banho, capaz de refrescar a alma e relaxar a mente.
As praias estavam repletas de pessoas, quase todas sem máscara e com distanciamento entre elas muito inferior ao recomendado pela Direcção Geral de Saúde.
Nos restaurantes, as pessoas tinham, porém, de entrar com máscara, bem como quando se deslocavam a um outro local dentro do mesmo espaço físico.
Nos supermercados e centro comerciais, a entrada era limitada e o uso de máscara era obrigatório como medida de prevenção.
No regresso de comboio para o Porto, um funcionário da CP lembrava às pessoas, a obrigatoriedade de usarem máscara durante a viagem.
Na carruagem onde vim, apenas uma pessoa não cumpria as regras.
Não vi o revisor chamar a atenção sobre o seu não cumprimento, nem tão pouco alguém tentado a impedir a sua entrada no comboio.
As regras existem e são para ser cumpridas por todos nós.
Os responsáveis devem ter este espírito de missão e não ser complacentes com atitudes de puro egoísmo pessoal e falta de respeito de alguns para com os seus semelhantes.
A pessoa em questão nunca deveria ter entrado naquela carruagem.
Teria sido a decisão mais correcta.
Os novos casos em Portugal – e certamente noutras cidades ou países – devem-se ao facto de alguns cidadãos não cumprirem as regras e não lhes acontecer rigorosamente nada a seguir.
Por outro lado, as pessoas responsáveis por fazer cumprir a lei , não devem olhar para o lado como se nada estivesse a passar.
As excepções não devem existir.
É preciso coragem para fazer cumprir a lei e é isto que tem faltado em muitos locais.
O regresso a Portugal foi feita através de uma viagem longa mas interessante para poder tomar o pulso às novas medidas sanitárias adoptadas para conter a disseminação da Covid-19.
Viajar, seja em que condições for, sabe sempre bem.
Enaltece a alma e alimenta a mente.
Estamos sempre a viver um momento único, comungado por várias pessoas de múltiplas regiões do mundo, que se cruzam por força do acaso no mesmo espaço.
Viajar ao fim de oito meses de clausura, sem poder sair de Macau, mesmo em condições difíceis, é sempre um refrescar físico e psíquico que contribui para o nosso crescimento como seres humanos.
Pena é a distância que separa Macau de Portugal ser em linha reta de 10882 quilómetros.
Caso contrário, todos os dias esta viagem seria feita.
Mas a distância que os separa nunca irá impedir que o amor que sinto pelo dois seja um obstáculo.
Até um dia destes.
Com ou sem Covid-19.
Jorge Sales Marques/Pediatra.
Expediente Sínico, 24 de Setembro de 2020.
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