Música em Belmonte

dentre as sinergias que os colóquios da lusofonia proporcionam esta foi mais uma: o conservatório de Ponta Delgada deslocou-se lá para tocar dias depois do nosso 31º colóquio

A orquestra Juvenil do Conservatório Regional de Ponta Delgada em Belmonte.

Um pequeno excerto do concerto

Beijinhos

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Aqui a orquestra do conservatório com a Orquestra da Escola de Belmonte a tocarem a canção tradicional “Adeus Vila de Belmonte”
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A orquestra Juvenil do Conservatório Regional de Ponta Delgada em Belmonte.

Um pequeno excerto do concerto

Beijinhos

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Ana Paula Andrade
Conservatório Regional de Ponta Delgada

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mais imagens 31º colóquio Belmonte 2019 12-15 abril

mais um filme com imagens do 31º colóquio

em

https://www.lusofonias.net/documentos/aicl-imagens-sons-dos-col%C3%B3quios/2528-31%C2%BA-col%C3%B3quio-imagens-belmonte-2019-12-15-abril-vol-2.html

ou

https://youtu.be/R33zQb7UP0Q

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Mª João Ruivo Homenagem a Eduíno de Jesus 31º colóquio

Homenagem a Eduíno de Jesus em Belmonte, nos Colóquios da Lusofonia

“Eduíno de Jesus – o Som e o Silêncio”

I
Percurso
O Eduíno de Jesus teve uma infância feliz, num lar acolhedor e rico de afetos. Por entre inúmeras memórias, nas longas conversas que temos tido, ele recorda muitas vezes os serões em família nos quais a mãe entoava poemas do romanceiro ou narrava contos populares e fábulas por ela inventadas e a irmã mais velha lia romances em voz alta. Não há dúvida de que isto o marcou.
Nasceu nos Arrifes, na Ilha de São Miguel. Aos dois anos, foi viver para Ponta Delgada e o destino decidiu que passasse a infância e a juventude na vizinhança de amigos que ficaram para toda a vida e que partilharam com ele os mesmos sonhos e interesses. Entre esses amigos, conta-se meu Pai. Foram colegas de banco na Escola Primária e alunos do Professor José Resendes Tavares. Tiveram por recreio o Campo de São Francisco.
Às brincadeiras do Campo, seguiu-se o encantamento dos livros que o levaram para bem mais longe e lhe puseram nos olhos um brilho que nunca mais se apagou.
A cidade viu-o crescer. Ele e outros jovens da sua geração, entre os quais se contavam alguns companheiros do Liceu Nacional de Ponta Delgada, onde estudava então, fundaram o Círculo Literário Antero de Quental, também conhecido pelo Grupo do Jade, o que lhes permitiu partilhar sonhos e ideais de mudança, que foram ganhando consistência com os anos. E sobretudo começou a uni-los, também, a Literatura. Diz Eduíno de Jesus, numa entrevista dada ao Nuno Costa Santos para a sua revista Grotta: «Esses jovens, quando, em 1945-46, fundaram aquele Círculo, já constituíam uma pequena tertúlia extraescolar, sem-mestres, à margem do programa de estudos que os professores nos ofereciam nas aulas; isto desde os doze-treze anos de idade. Unia-nos o gosto de ler. Gostávamos de livros, cada um de nós por seu próprio acaso ou tradição familiar, e reuníamo-nos em tertúlia para falar disso.»
O Bar Jade ficava nos baixos do edifício da Câmara Municipal de Ponta Delgada. Ali discutia-se de tudo, especialmente se tivesse a ver com Literatura – autores, estética e ideias em geral. Declamava-se poesia. E formava-se um pensamento novo.
Constituíam este grupo Fernando Aires, Eduíno de Jesus, Jacinto Soares de Albergaria, Fernando de Lima, Eduardo Vasconcelos Moniz, entre outros.
Claro que estes jovens não estavam sozinhos. Tinham os seus mentores literários, que os ajudaram a refletir sobre o seu tempo e os introduziram num quadro de referências estéticas e literárias que os fizeram vanguardistas nessa longínqua Ponta Delgada, desse também longínquo ano de 46: Ruy Galvão de Carvalho, Armando Côrtes-Rodrigues, Diogo Ivens e, o mais que tudo, o espírito inquieto de Antero que começou a pairar sobre eles, que deu nome ao Círculo e os despertou para a importância da indagação. «O culto de Antero», diz Eduíno de Jesus, «não podia estar omisso num projeto de associação cultural de rapazes açorianos, tanto mais que desses rapazes fazia parte um grupo de alunos do Liceu de Ponta Delgada, esse velho e nobilíssimo liceu chamado então justamente de Antero de Quental; e, mais do que por isso, também porque a 1ª edição dos Sonetos Completos, cúpula da obra poética desse vulto maior da cultura açoriana, perfazia à justa 60 anos nesse longínquo ano de 1946».
Consigo entender o deslumbramento destes jovens perante tudo o que chegava de fora, iluminando e alargando os limites opressores da Ilha que, naquele tempo, estava tão longe de tudo. A curiosidade intelectual, esse desassossego de espírito que os movia, que os fazia vibrar na descoberta de um autor, de um poema, de uma nova forma de pensar o mundo. O encantamento que sentiram numa época tão diferente daquela em que vivemos, em que cada revelação causava um estremecimento.
Estes jovens souberam bem aproveitar a porta que se lhes abriu, leram avidamente, começaram a refletir, a analisar, a interpretar o seu próprio mundo, a tentar confrontá-lo com outro mais vasto, com que contactavam sobretudo através das leituras, do sonho da França, que se impunha no seu imaginário adolescente, vindo dos filmes franceses que viam no Coliseu Micaelense e das revistas ilustradas que nos mandavam as nossas amigas francesas, correspondentes com quem íamos aperfeiçoando o nosso francês, diz o Eduíno. «O Sartre e a Simone (…); o Camus; (…). Essa gente aparecia por ali, passava por entre as mesas, sorria-nos e às vezes até se sentava connosco» , acrescenta, referindo-se às tertúlias do Bar Jade.
E começaram a colaborar na imprensa local, sobretudo no Correio dos Açores e no jornal A Ilha, que teve um papel fundamental na afirmação deste grupo, no qual o Modernismo português e o brasileiro tiveram um forte impacto. Descobrir a poesia de Manuel Bandeira e declamá-la no bar Jade era um dos prazeres destes rapazes.
Depois foi o Curso do Magistério Primário e um pouco mais tarde a partida para Lorvão. Dividia o tempo entre este espaço e Coimbra, onde começou a frequentar o curso de Românicas. Forte apelo teve nele o ambiente literário coimbrão e o seu convívio com o Poeta Afonso Duarte e com Torga, entre outros. Em 1951, por exemplo, fundou, com o Jacinto Albergaria, a “Coleção Arquipélago”, com o intuito de publicar obras de diversos autores açorianos de relevo.

Começou também a colaborar em Revistas de Cultura de Coimbra e Lisboa e em jornais do Porto e da capital, para onde foi em finais dos anos 50, terminando a sua licenciatura e iniciando uma vida cultural intensa e fascinante, de que tem uma saudade dorida e irremediável.
Dedicou-se, então, entre muitas outras coisas, à função de crítico literário e de artes plásticas. Tornou-se membro do Conselho de Direção da Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura e Diretor de um programa literário para a Televisão, tudo isto a par da sua atividade de professor no Ensino técnico-profissional, liceal privado, tendo mais tarde transitado para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde lecionou por mais de 20 anos.
E claro, pelo meio de tudo isto, e desde o seu passado lá na ilha, a sua criação poética, que raramente foi publicada em livro (embora bastante divulgada em alguma imprensa periódica), por um excesso de escrúpulo, por nunca considerar a obra acabada, o poema concluído, a forma justa e perfeita.
O seu grande amigo Couto Viana, que lhe escreve o Prefácio de Os Silos do Silêncio, acha que essa resistência em publicar, e cito, “talvez seja o sentimento que ele tem de si mesmo como poeta à parte, sem fidelidades históricas nem estéticas”. E a verdade é que o Eduíno, embora seja um poeta da geração de 50, e tenha, na juventude, pertencido ao Círculo Literário Antero de Quental, é um Poeta solitário, talvez indisciplinado pela sua inquietude, sem rótulos estéticos, ideológicos ou outros, não pertencendo propriamente a uma corrente ou Escola.
Isto não significa que se mantivesse indiferente às tendências do seu tempo. Acredito mesmo que tenha refletido como poucos sobre as mesmas, que proliferavam naquele turbilhão de meados do séc. XX. Penso que este “estar à margem” não o é no sentido literal. O “estar à margem”, do Eduíno, é a forma que ele tem de pensar e de interpretar o mundo de dentro de si para fora, isto é, a partir do seu silêncio, que é, a meu ver, uma das suas formas, talvez a primordial, de construir pensamento, até chegar a hora de o transformar em Poesia, ou seja, de lhe dar uma forma estética muito própria, uma forma de lhe dar “som”.

II

O Som e o Silêncio na Poesia de Eduíno de Jesus

Raramente penso no Eduíno como um poeta açoriano mas ele nasceu na ilha e nela viveu até cerca dos 20 anos e essa marca não deixará de ser visível numa certa melancolia que o carateriza; na sua forma muito própria de recolhimento; em muito do que se tornou de ser, de estar e de pensar; no que bebeu da literatura primordial na infância, no que ele próprio começou a ler tão cedo e pelo que aprendeu, como aluno ávido e aplicado, com os seus mestres do Liceu.

A verdade, parece-me, é que ele partiu, mas levou consigo a parte de ilha de que é feito e que não há distância que desfaça. De que forma a sua terra o marcou por dentro – a par da universalidade que bebeu na sua querida Lisboa e nos lugares por onde andou – e se revelou naquilo que escreveu, só ele o poderá dizer ao certo, ou talvez nem ele, mas julgo que aquilo que absorveu nesses verdes anos, esteve lá sempre a envolvê-lo, e sonhará (talvez) com a Ilha, num regresso sempre adiado, por saber que nunca se regressa totalmente.
Verdade também é que se foi gerando, num silêncio muito dele, cada som, cada palavra, cada ritmo da sua Poesia.
Num poema de 1948, que abre Os Silos do Silêncio, há um apelo ao leitor para que este tente ler dentro dele próprio (Poeta) aquilo que ele não consegue configurar nas “palavras rebuscadas” e no ritmo dos seus versos, ou seja, de certa forma, aquilo que ele gera no silêncio e que nem sempre consegue transformar em som. Na última estrofe desse poema, acho que fica bem claro que uma das angústias de Eduíno de Jesus enquanto poeta reside na busca da forma ideal para revelar “a Beleza que não morre”, por achar que nunca alcança a palavra exata para definir e plasmar essa Beleza como valor absoluto:

“Mas… é a Beleza que procuro
em cada verso em cada palavra
e que não logro alcançar
é isso é isso o que me faz chorar”

(“Ao Leitor” – pág. 39)

Tenho convivido bastante de perto (embora nem sempre fisicamente perto) com o Eduíno e isso tem-me permitido, talvez, afastar um pouco o véu que encobre o seu proverbial silêncio.
Escolhi este título para a minha divagação, porque acho que Som e Silêncio se conjugam em Eduíno de Jesus, completando-se e dando corpo ao seu universo poético.
Eu diria que o Silêncio é a parte dele que reflete, momento de germinação de ideias que ele coloca em Som, quer pelas conversas que busca com os outros, quer nos seus poemas, que lhe saem devagar e dolorosos, pela busca da forma que ele quer conjugar com o sentido.
O Silêncio do Eduíno é o momento em que ele dialoga consigo e com o universo que o rodeia e que o leva a uma constante indagação e o Som revela-se quando ele tenta dar forma estruturada ao pensamento, sentindo que não há as palavras certas para configurar todo esse universo reflexivo, o que o leva à angústia frequente, talvez quase permanente, de sentir que fala uma linguagem que nem sempre é apreendida pelos outros.
Esta angústia está bem visível em “Proposição” (pág. 84), onde ele assume que canta como a ave presa, sabendo que aquilo que constrói – o poema – dolorosamente, “verso a verso”, não passa de (e cito) um:

impulso
para um qualquer
voo

que, todavia,
nem sequer
começo.

Uma vez que ele valoriza o silêncio como momento privilegiado de apreensão de conteúdos e faz uso dele para criar sentidos, sugere mais do que diz, cria elipses e seduz o leitor, deixando-o sempre em suspenso, tentando dar som ao poema em busca dos sentidos sugeridos.
Silêncio está, também, muitas vezes associado simbolicamente a sonho e a noite. Esta é momento de reflexão e de germinação de desejos e de forças ocultas. Ao mesmo tempo, há uma frequente ligação do silêncio com a intimidade, com o interior da casa, silêncio quebrado não poucas vezes pelo vento que se faz sentir no exterior e pelo canto dos pássaros, símbolo da pureza primordial, da juventude perdida, da palavra que (se) busca.
Assim, Noite, Sonho, Pensamento, Silêncio são oportunidades de refúgio e de indagação sobre si próprio e o universo que o envolve. No poema “Frémito” (pág. 126), o eu lírico tenta reconstruir, a sós consigo, a sua destruída torre de marfim, “meu refúgio antigo” (diz ele). E é sempre a velha angústia de não encontrar a palavra certa para se pronunciar, como expressa na seguinte estrofe:

Enquanto nos meus lábios morre
a palavra para que não
posso inventar pronúncia.”

E é ainda o poeta eternamente dividido entre o sonho/desejo e a renúncia.

Choro um sonho e ponho
outro sonho à água
“Cais da saudade” (p.120)

Que sonho seria o dele?
Em “Gaia Ciência”, por exemplo, compara-se à aranha que tece a sua teia. Desta forma, o sonho consistiria em atingir “a frágil teia/do poema” na página branca onde poderá vir a surgir, de repente, a Poesia (pág. 227), ideia que está presente, de outra forma, no poema “As Palavras” (p.229), que ele dedica a Fernando Aires (e cito):

Imprecisas? Volúveis? mas inamovíveis
elas lá ficam na página branca
à espera de um Levanta-te e caminha
de qualquer voz humana

Ao mesmo tempo, no poema “Os Navios” (p. 263), surge a ideia de que no fundo do mar, e cito:

aí precisamente onde não entram nem som nem sol
há a noite insondável subaquática misteriosa
as volutas voluptuosas da melodiosa flauta longín-
qua do silêncio

Esta estrofe sugere a ideia de que, entre o som e o silêncio, há um fosso, um distanciamento, sendo o silêncio mais próximo da forma harmoniosa e perfeita, daí a angústia de que a Palavra, isto é, o “Som” nunca é suficiente para revelar a germinação que se vai dando nos “Silos do (seu) Silêncio”.
A poesia do Eduíno leva-nos por caminhos imensos, nada fáceis de trilhar mas, por isso mesmo, fascinantes, porque se torna uma procura e uma descoberta permanentes. Esta minha breve viagem foi prova disso. Parti do Som e do Silêncio, que me levaram ao Sonho. E porquê? Porque, à semelhança de Antero (comparo-os muitas vezes, em vários aspetos), a sua vida tem sido uma constante indagação, uma busca permanente de que faz parte, também, a sua criação artística. E a busca é uma forma de vida sonhada. Os seus sonhos são inúmeros e muitas vezes indizíveis. Transformam-se frequentemente em saudades de tudo o que já foi e daquilo que ainda está por cumprir. Há nele um permanente desejo de recomeçar, de viver tudo de novo, porque o mundo é um grande mistério ainda por desvelar e ele angustia-se por não abarcar tudo. O Eduíno por vezes instala-se numa espécie de nuvem que poderá ser o lugar idealizado do sonho e do silêncio onde ele, provavelmente, se procura.

III
A Minha Homenagem

As palavras que escolhi para falar do Eduíno não serão, seguramente, suficientes para lhe fazer justiça.
Conheço-o desde que me lembro de mim. De certa forma, sempre me habituei a tê-lo por perto, mesmo sabendo que vivia longe. Sempre ouvi falar dele como um grande senhor das Letras, da Poesia e da Crítica Artística e Literária.
Cresci a admirá-lo e fui tomando, eu própria, consciência de que estava perante um ser humano dos mais singulares que tenho conhecido. Ele representa, para mim, e para muitos, o que se entende por um Mestre. Quando temos oportunidade de conversar com ele, e eu tenho tido esse privilégio, espantamo-nos perante o conhecimento enciclopédico que tem acumulado ao longo da vida, conhecimento que lhe vem das muitas leituras que fez, das inúmeras experiências vividas e dos lugares e das pessoas fascinantes que conheceu. Mas o Eduíno não se limita a esse saber, pois este vai-se acrescentando dentro dele próprio e servindo de base a novos conhecimentos, que ele vai construindo cuidadosamente, como quem cria algo precioso que não pode perder-se. Nesse seu processo de criação, tomamos consciência da potencialidade da linguagem ao vê-lo selecionar, meticulosamente, a palavra certa para o lugar que lhe é destinado, como faz um ourives, que escolhe, com uma infinita paciência, imaginação e habilidade, a pecinha milimétrica para o seu trabalho de filigrana. É isso que o Eduíno faz em cada frase que escreve – uma peça de filigrana linguística.
E quem já o ouviu numa das suas preleções – seja sobre Literatura, Filosofia, Arte ou Linguagem, seus territórios de eleição sabe o fascínio que é aprender com ele, porque tem uma forma única de falar das coisas, naquele seu tom calmo e introspetivo, como quem pede desculpa por saber tanto.
A par do intelectual, há um homem igualmente singular e fascinante, de um finíssimo trato, já tão raro.
O Eduíno é um homem de contrastes. É tímido, mas obstinado e muito firme no que defende e, embora modesto, tem, no fundo, digo eu, uma consciência discreta da sua singularidade e exaspera com a ignorância alheia, mas é generoso e está sempre disponível para partilhar o que sabe, desde que o ouçam. E, ao mesmo tempo que tem uma enorme necessidade de convívio e um imenso sentido de humor, precisa do seu tempo de isolamento e de introspeção e há nele uma certa melancolia, pela forma complexa e algo solitária como vê o mundo e as coisas, através da inteligência e de uma sensibilidade apuradíssima.
Muito teria a dizer sobre este senhor das letras, a quem hoje aqui prestamos esta bem merecida homenagem, mas sinto que não devo alongar-me demasiado. Um homem com um percurso como o dele não se descreve em vinte minutos. Nem eu pretendi aqui caraterizá-lo, mas apenas dar um testemunho da imensa admiração e afeto que tenho por ele, porque representa uma espécie já rara de homens que, apesar do seu enorme valor, se calhar por isso mesmo, não procura protagonismos, não fala de si nem promove a sua imagem, pois o que o move realmente é o valor intrínseco das coisas e a busca apaixonada de respostas para os enigmas de que somos feitos. Ele representa uma geração para a qual as letras, a arte e o saber faziam parte da essência humana e estavam no seu devido lugar.
Termino, dizendo que, para mim, o Eduíno é daqueles homens que não tem idade. Apesar de tanto que já viu e ouviu, continua a comover-se, sobretudo com as coisas belas e a surpreender-se com o novo, continuando eternamente a atualizar-se, a querer aprender e a acompanhar tudo o que vai acontecendo, embora filtrando o que não lhe interessa de todo.
E essa surpresa e esse desejo são, no fundo, o segredo de uma juventude que ele mantém eterna.
Bem hajas, meu querido Mestre!

Belmonte (31º Colóquio da Lusofonia)
Maria João

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