tradições guerreiras em Timor

Caveiras inimigas ornamentando a tranqueira do major Quei-Mau em Bela-Hitu (antigo comando militar do Súru)..
– antes de 1943 …

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  • Hernani Tavares Está no livro TIMOR quatro seculos de colonização Portuguesa do Cap. José S. Martinho publicado em 1943. Tenho este livro que era pertença do meu saudoso sogro Carlos Macedo da Silva.

    Mario InglesMario Ingles replied

    4 replies 11 hrs

  • José Bárbara Branco A decapitação dos inimigos mortos nas lutas entre os reinos era (é?) uma prática ancestral em Timor e naquela parte do sudoeste asiático. Esta fotografia (1909, Album Carlos Leitão Bandeira) na região de Maubara é elucidativa:
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  • José Bárbara Branco Recentemente, durante a guerra civil timorense e posteriormente, durante os primeiros anos da ocupação indonésia, a prática de decapitação dos vencidos ou prisioneiros foi denunciada (Human Rights Violations in East Timor, East Timor International Support Center, (1990?), Victoria, Austrália). Fotografia datada de 1981:
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da história de timor Carta Aberta a D. Ximenes Belo, com o título: “O Outro Prémio Nobel de 1996”

CONTINUANDO…

Segue-se o penúltimo trecho do capítulo “Carta Aberta a D. Ximenes Belo, com o título:
“O Outro Prémio Nobel de 1996”
“Chegando a este ponto da minha escrita, que já vai longa, poderei esclarecer a intenção desta carta aberta, modalidade já em desuso, mas muito utilizada nos anos setenta, quando V. Exa. Ainda frequentava o seminário. Como curiosidade recordo que, recentemente, veio-me parar às mãos a cópia de uma carta aberta publicada, ‘por acaso’ no semanário ‘Tempo’ daquele jornalista, e datada de 29-1-1976. Nela, um senhor Baptista arremete ‘forte e feio’ contra o seu companheiro do Nobel da Paz, Ramos Horta:
“(…) Quem te viu no tempo da “outra senhora” e quem te vê agora. Antes, de máquina a tiracolo, bloco na mão, percorrendo vales e montanhas de Timor, fazendo as ‘sensacionais’ reportagens das visitas às aldeias dos governadores, para publicares em “A Voz de Timor”, no qual à compita com Inácio Moura e o Cristóvão Santos (hoje teus camaradas vermelhos) procuravam cada qual granjear os melhores favores daqueles a quem hoje chamais colonialistas, fascistas e opressores do povo que dizeis defender. Hoje, tu passaste a ser alvo das máquinas e dos flashes de outros. Mudaste de ideias mas não mudaste de métodos. Os lacaios, que usas, são os mesmos.
“Tu, Horta, não passas de um político de meia tigela. Um cobarde completo é que tu és. Tu, o Rogério, o Cristóvão, o Alkatiri. Tu, que cozinhaste junto de grupelhos, na Austrália, a carnificina de Timor, mas que, ao sentires o calor das labaredas te afastaste e te instalaste comodamente, sorrindo amarelamente. Depois vieste com aquela cantiga do “estava pronto a seguir no 10 de Agosto, mas rebentou a guerra”. És um felizardo.
“Agora andas passeando feito diplomata-turista. Quem te paga as viagens e as estadias? E os papéis dos comunicados? Pagas do teu bolso? Como? Se tu, em Díli, andavas no Jeep do partido e dormias na sede do clube (perdão, do partido) com o teu irmão e as tuas amigas australianas, que tu trazias da Austrália, à razão de uma por mês? (…)”

Hesitei em transcrever este extrato, mas tal como outros, que não traduzem inteiramente a realidade, e o que eu penso, acabei por o fazer, na minha intenção, genuína, de chegar perto da verdade — sempre impossível de obter —e para que parte da juventude timorense, que teve a felicidade de não assistir aos factos, tenham uma ideia, mesmo que seja pálida, do peculiar drama que os mais velhos sofreram. Acrescento, finalizando, que parte do que o desconhecido sr. Baptista escreve, acredito que não correspondia à verdade.
E, agora, o último excerto deste capítulo:

“UM MÁRTIR EM TIMOR”
“Mas não é, ainda, tal hipotético procedimento de Ramos Horta a razão deste escrito. Se bem se lembra, um dos seus antecessores, o Bispo José Ribeiro, numa carta que, em 10 de Março de 1976 remeteu à viúva do ex-Comandante Militar de Díli e da PSP de Timor, intitulando-se a si próprio, “servo inútil em Cristo”, considerou este oficial, Tenente-Coronel Magiolo Gouveia, como um autêntico mártir da Igreja Católica. Ele pôs cerca de 50 ou 60 condenados à morte (por um comité especial, onde, segundo o ex-guerrilheiro das FALANTIL, Paulino Gama, se incluíram o topógrafo Mari Alkatiri e o próprio Xanana Gusmão) a rezar antes de serem abatidos. Rezaram, nessas circunstâncias, o terço e o acto de contrição, tendo, depois, afirmado que estavam prontos para morrer e ir ter com Deus, onde também Lá esperariam por eles. E perante esta situação (de acordo com um livro de Nuno Rocha) terá sido um árabe, de nome Alkatiri, a disparar em primeiro lugar, seguido pelos restantes.
“Considera V. Exa. que tais versões têm alguma credulidade? Ainda segundo o Bispo José Ribeiro, terão sido mortos por fuzilamento mais de mil prisioneiros (feitos pela Fretilin em Agosto/Setembro de 1975 e que incluíram aquele oficial e o Intendente Victor Santa, delegado da Cruz Vermelha Portuguesa em Timor) e que foram continuamente surrados durante os meses que antecederam a sua morte. Ramos Horta no seu livro ‘Timor Leste, Amanhã em Díli, 1994’, confirma estes espancamentos.
“Pergunto, igualmente, a V. Exa., se, acha correcto permitir que um padre da sua diocese seja ministro de um Governo onde também é ministro o sr. Mari Alkatiri, que parece ter estado envolvido em tais morticínios.
“Numa altura em que os crimes contra a humanidade fazem tanto furor no Chile, não seria de meditar e tomar consciência sobre o sucedido com os homens da Fretilin, em Timor Leste, nos anos de 1975 e 1976?
“A V. Exa. Reva. , Bispo de Díli e Prémio Nobel da Paz, D. Ximenes Belo, desejo as maiores felicidades e que o seu País possa vir a constituir-se num Estado de Direito, onde sejam banidas todas as formas de tortura e de julgamentos sumários, como os ocorridos naqueles longínquos anos.
15-8-2000

Só desejo acrescentar que os governos portugueses, com certeza para se limparem de toda a sujeira, que fizeram e deixaram fazer, acabaram por, tranquilamente, fechar os olhos, não só aos que por aqui passearam livremente, embora tivessem muitas culpas no cartório (e até fossem elogiados), mas também fossem facilitados, em reformas a que não teriam direito ou em pensões, por vezes oníricas.

É PARA CONTINUAR…

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1975 militares presos em Timor

CONTINUANDO…

Vou prosseguir com o depoimento do Major António Viçoso, Comandante, em 1975, do Agrupamento de Cavalaria de Fronteira, hoje, com o extrato com o título “As deambulações dos militares portugueses detidos”, pedindo a atenção para a forma como aqueles militares portugueses foram tratados, só porque se mantiveram apartidários :

“Perante o novo quadro da situação, de que apenas consegui dar conhecimento ao Comando Militar, no restabelecimento das comunicações com Ataúro, recebi ordens expressas para planearmos o nosso deslocamento para Atambua. Aí deveríamos solicitar o apoio das autoridades indonésias, para estabelecer contacto com os dirigentes da UDT já refugiados e, através do diálogo, tentar viabilizar a libertação dos 19 militares detidos em Batugadé. Posteriormente seríamos recolhidos por um avião português que, para o efeito, também se deslocaria a Atambua, com um representante do Governador, devidamente credenciado. Todos esses movimentos teriam sido devidamente autorizados pelo Governador de Kupang e pelo próprio Governo central, em Jacarta. O nosso deslocamento efectuou-se em 3 de Setembro. Contudo, imediatamente após a transposição da fronteira, fomos abordados e escoltados por militares indonésios, com a justificação de que seria para nossa protecção.
“Já em Atambua, depois de nos manterem retidos, durante várias horas, na sala de um pseudo-hotel, só a muito custo e após grandes insistências, conseguimos contactar o respectivo comandante militar. Surpreendentemente informou não poder satisfazer as nossas pretensões e que iríamos ser transportados para Kupang, por ordem das autoridades de Jacarta.
“Esse deslocamento ocorreu em 5 de Setembro. O aparato das forças, com as armas em riste, era tão grande que o sentimento, que nos invadiu foi o de que, a qualquer momento, nos iriam abater algures, naquele trajecto.
“Durante cerca de três dias, que durou a permanência em Kupang, mantiveram-nos sob constante vigilância e permanente coacção psicológica. Em primeiro lugar, com o argumento de que éramos responsáveis pelas mortes em Timor e do grande número de timorenses refugiados na Indonésia, ameaçaram que iríamos ser julgados em Jacarta. Depois disseram-nos que íamos ser repatriados para Portugal, chegando inclusivamente a entregar vistos de saída.Algumas horas depois, voltaram a informar que afinal já não poderíamos seguir viagem, porque era Domingo e nesse dia, a Garuda (companhia aérea da Indonésia) não efectuava voos…
“Insinuando que iriam promover o nosso transporte para Timor Leste, fomos igualmente submetidos individualmente a interrogatórios por elementos talvez pertencentes aos serviços de informação militares indonésios.
“Na manhã de 8 de Setembro (?), conduziram-nos numa vedeta da Marinha, que fez o transporte para Atapupo. A partir daí, seguimos em viatura até à fronteira e entregaram-nos a um grupo das forças da UDT, chefiado pelo ex-capitão Lino da Silva, que nos conduziu, sob ameaça de armas, para Batugadé. Mantiveram-nos isolados dos restantes 19 militares que também aí se encontravam sob detenção.
“Durante a permanência nessa localidade encenaram situações de fuzilamento e de julgamento popular, perante os principais dirigentes da UDT — Lopes da Cruz, irmãos Carrascalão, etc… Lembro que João Carrascalão, numa carta de 7-6-1976, quando decorriam já 10 meses de detenção, dirigida a ‘determinado oficial’, dizia, a terminar:
“(…) É natural que saiba quem eu sou, mas isso é o que menos importa. O Major Viçoso lembrar-se-á, com certeza, pois em Batugadé tive que o acusar de muita coisa, que nem eu próprio sabia.
“Um abraço amigo do (…)
“Mantiveram-nos detidos em Batugadé, durante cerca de uma semana e, posteriormente, mais dez dias, num acampamento nas imediações da fronteira, juntamente com grande número de refugiados civis. Em 25 de Setembro, na sequência de forte ataque das forças da FRETILIN, com fogo de morteiros sobre a zona do acampamento, levaram-nos compulsiva-mente debaixo de fogo para o interior do território indonésio, onde ficá-mos detidos mais cerca de dez meses, sob controlo das respectivas autori-dades Indonésias: nove em Atapupo e um em Atambua.
“Ostensivamente afirmaram que nos mantinham ali retidos sem o conhecimento de ninguém. Para os ‘olhos do mundo’ continuávamos sob o controlo da UDT e das restantes forças partidárias, que se tinham acolhi-do à sua protecção e aderido à política de integração de Timor Leste, até que Portugal reconhecesse oficialmente a legitimidade das suas posições.
(…) Seguia-se a descrição do sucedido até à invasão da Indonésia.

É espantosa a forma como estes militares, portugueses, foram tratados, não direi pelos indonésios, que estavam a fazer o seu trabalho, mas pelos dirigentes e elementos do partido que mais ligações tinha com Portugal. De estarrecer como o carácter de alguns seres humanos, de um momento para o outro, pode, velozmente, mudar… se é que, lá muito no fundo, não tinham já muitos ódios recalcados.

VOU CONTINUAR…

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