XANANA, FORREST GUMP ETC

FOREST GUMP
Ainda hoje não sei por que razão Forest Gump desistiu no meio da corrida. O que os seus seguidores queriam que continuasse a correr. Estavam dispostos a correr atrás dele até ao fim do mundo. Ao contrário de Forest Gump, Xanana Gusmão continua a correr. Não quer desiludir quem o toma como Deus. Dorme ao relento, fala aos antepassados para que acalmem as tempestades, visita os lugares dos sinistrados, enterra-se na lama, chora, canta e dança, manda calar e esbofeteia em público os familiares do morto, ordena a uma moça, jovem e bonita, que se ajoelhe e ate as correias dos seus sapatos. Enquanto houver uma multidão disposta a correr atrás dele e, dele, espera que faça o milagre da multiplicação de pães, acalentará o sonho de um dia também andar por cima das águas.
11

manifesto 1932 dos deportados para Timor

Manifesto de um grupo de deportados de Timor à Nação Portuguesa (1932)
Descreve o embarque de Lisboa para Timor de presos políticos no navio «Pedro Gomes» da Companhia Nacional de Navegação. Refere ainda o transporte de guerra «Gil Eanes».

Manifesto assinado por Fernando de Utra Machado, Alfredo Marques de Mendonça, Miguel de Abreu, José Pereira Gomes, Manuel António Correia, Francisco de Oliveira Pio, Joaquim Ramos Munha, Manuel Vireilha da Costa e Eduardo Carmona.
Data: Domingo, 28 de Fevereiro de 1932
Segundo este grupo de deportados não houve qualquer julgamento antes da deportação.

Fundo: Arquivo da Resistência Timorense – Espaço por Timor
In: http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=05006.078…
May be an image of text that says "Um grupo de deportados de Timor NAÇÃO PORTUGUESA embarcados horas ese inquebrantavel força Companhia Direito ao Mundo silenciosa Morte, viveram minuciosa ditadura farpado Outubro do pairando invi- Portugues orte pa- eguas Portugal. FERNANDO UTRA MACHADO pública ALFREDO Re- Jornalista MENDONÇA natural deprssão moral ABREU antigo Deputadoà Assembleia Nacional ecção JOSE sempre, Sofrimento fogo, ANTONIO CORREIA Tenente nfantaria. FRANCISCO OLIVEIRA PIO como Medo trans. JOAQUIM RAMOS MUNHÁ Exaltada F Bordo Oficial Mercante, EDUARDO CARMONA Tenente Noort, 28d Fevereiro 932."
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  • Augusto Veríssimo de Sousa (meu avô materno), era um entre os desterrados enviados a Timor na altura.

timor morreu o avô Serra

Rosely Forganes

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Antonio Sampaio

is with

António Serra

.

Morreu o “avô” Serra, um dos portugueses que vivia há mais anos em Timor-Leste

Díli, 09 abr 2021 (Lusa) – José Serra, um dos portugueses que vivia há mais temp…

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  • Um herói da luta pela independência, nunca reconhecido! A memória de um povo é o seu futuro. Sem memória…

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  • Para sempre na memória de quem teve o privilégio de o conhecer e privar um pouco com ele, ouvir as suas histórias, comer o seu tukir de cabrito, beber da sua paz e verdade
    Um abraço

    eterno Avô

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  • R.I.P
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  • Que descanse em paz!!
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  • Paz à sua alma
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  • Que descanse em paz. Gostei muito de o conhecer e de ouvir as histórias da História Timorense.
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  • Tive o privilégio de o conhecer. Visitei-o várias vezes entre 2004 e 2008. Que descanse em paz.
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  • Também tive o previlegio de conhecer este senhor e ouvir a sua vida, Paz a sua Alma.
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  • Nunca reconhecido.
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tS1ponso0reodhfgf

Rui Sá Pinto Correia
Partiu um português feito mundo, dos últimos que o mundo teve e que se guardou pelas montanhas de Timor como se fosse o seu torrão natal, o Fundão, e de quem tive o privilégio de ouvir as suas histórias de vida.
Conheci-o quando num périplo pelas montanhas de Liquiçá após ter feito a viagem Lisboa-Dili de moto, cheguei ao seu terreiro nos píncaros das montanhas de Liquiçá.
Transcrevo a memória que ficou deste primeiro contacto a que se seguiram depois outros encontros e partilhas.
Descansa em paz avô Serra.
Março, 2017
Avô Serra com 89 anos é uma figura bem conhecida em Timor-Leste, tendo sido o único português a ter permanecido no território durante a ocupação indonésia, sendo obrigado a refugiar-se nas montanhas com a guerrilha por 3 anos durante a luta de resistência.
Com 25 cabeças de gado que o governador Alves Aldeia lhe entregou, chegou a ter 400. Com a invasão, entregou-as todas para alimentar a guerrilha. Confessa com alguma amargura, não ter visto reconhecida pelos novos governantes da terra a sua participação no esforço da luta pela independência. Talvez por ter cor de pele de malai. Lembra todos aqueles que muitas vezes sem testemunhado esforço na luta de libertação recebem agora pensões de veteranos, quando ele por 24 anos resistiu sozinho naquelas serras perdidas de montanha.
Actualmente dedica-se à sua plantação de café e a fornecer de frutas e caprinos o hotel de referência da capital, o Hotel Timor.
Natural do Fundão, veio para Timor em 1964 a convite de um seu irmão. Desde então não mais regressou a Portugal. Em 2000, o Embaixador e o programa de TV “Portugal no Coração” chegaram a ter preparada a viagem de saudade e regresso, que não se concretizou. Agora diz que a juventude e as pernas, que lhe pesam, já lhe não permitem voltar. Tem medo de assim traçar o futuro certo que viu a outros suceder, os quais depois da visita tão ansiada à longínqua “metrópole” se deixaram morrer escassas semanas depois de voltarem a Timor.
Num canto do terreiro aponta o seu lugar onde ficar.
Desço a montanha entre o verde fresco e fim de tarde. No horizonte suspensa entre mar e céu, a ilha de Alor e do mistério, apresenta-se majestosa em toda a sua extensão, coberta de nuvens alvas como neve.
As portas abertas das habitações oferecem o simples conforto do fim de dia. Um sorriso numa cara bonita à beira do caminho espreita entre bambus e elegância. Súbito o doce aroma do café torrado e a excelência doce do leite creme mimoseiam-me o olfacto. Num momento realizo, como se justifica num ermo, uma vida longe de um outro mundo.
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Rui Sá Pinto Correia

added 12 new photos to the album Visita à Quinta do Avô Serra.

Visita à quinta do “Avô” Serra em Maubara.
Avô Serra com 89 anos é uma figura bem conhecida em Timor-Leste, tendo sido o único português a ter permanecido no território durante a ocupação indonésia, sendo obrigado a refugiar-se nas montanhas com a guerrilha por 3 anos durante a luta de resistência.
Com 25 cabeças de gado que o governador Alves Aldeia lhe entregou, chegou a ter 400. Com a invasão, perdeu todas estas cabeças de gado para alimentar a guerrilha. Confessa com alguma amargura, não ter visto reconhecida a sua participação no esforço da luta pela independência pelos novos governantes da terra. Talvez por ter cor de pele de malai. Lembra todos aqueles que muitas vezes sem testemunhado esforço na luta de libertação recebem agora pensões de veteranos, quando ele por 24 anos resistiu sozinho naquelas serras perdidas de montanha.
Actualmente dedica-se à sua plantação de café e a fornecer de frutas e caprinos o hotel de referência da capital, o Hotel Timor.
Natural do Fundão, veio para Timor em 1964 a convite de um seu irmão. Desde então não mais regressou a Portugal. Em 2000, o Embaixador e o programa de TV “Portugal no Coração” chegaram a ter preparada a viagem de saudade e regresso, que não se concretizou. Agora diz que a juventude e as pernas, que lhe pesam, já lhe não permitem voltar. Tem medo de assim traçar o futuro certo que viu a outros suceder, os quais depois da visita tão ansiada à longínqua “metrópole” se deixaram morrer escassas semanas depois de voltarem a Timor. Num canto do terreiro aponta o seu lugar onde ficar.
Desço a montanha entre o verde fresco e fim de tarde. No horizonte suspensa entre mar e céu, a ilha de Alor e do mistério, apresenta-se majestosa em toda a sua extensão, coberta de nuvens alvas como neve.
As portas abertas das habitações oferecem o simples conforto do fim de dia. Um sorriso numa cara bonita à beira do caminho espreita entre bambus e elegância. Súbito o doce aroma do café torrado e a excelência doce do leite creme mimoseiam-me o olfacto. Num momento realizo, como se justifica num ermo, uma vida longe de um outro mundo.
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  • Bonito texto de homenagem
    Correcção, não foi o único português, que permaneceu em Timor durante A ocupação Indonésia
    Havia também um Alentejano de apelido Casanova, ou Casa Branca

722. as inundações em díli (ao luís takas cardoso)

  1. as inundações em díli (ao luís takas cardoso)

 

segunda feira de pascoela

tiraram as pulseiras eletrónicas

estamos em liberdade condicional até nova ordem

quero sair à rua conversar com os peixes falantes

das últimas chuvas em timor

nas ruas e estradas que já não há

nas palapas que a correnteza levou

país de ricos cheio de pobres

estradas que vão reconstruir

e os desprovidos a viver ao relento

desta vez a culpa não é do malai

como em 1973 quando houve inundações

 

queria ver o governo a distribuir riqueza

do petróleo e do gás para todos

para terem casas, água, luz, saneamento

para não construírem nas encostas despidas

nas margens das ribeiras que se fazem rios

na costa de marés cheias devastadoras

 

escrevi em 1972 que era preciso um poeta

para ministro das finanças

tu meu caro luís takas Cardoso

és o meu indicado

para dar alforria aos pobres

iluminar as palapas

educar os analfabetos

matar a fome nas montanhas

criar o país que tantos sonhamos

 

chrys c (inédito)

timor e os camarões de montanha

TIMOR (Díli, 1971-73) – Os camarões da montanha
A “pedido de várias famílias” aqui vai a história.
Certo dia, estando em contacto com o meu pai, via rádio (como era habitual), fiz referência a um jantar para o qual tinha sido convidado e onde serviram “camarões da montanha”. O meu pai, que já sabia da história dos camarões, nada comentou. Quando terminei o contacto, logo surgiram uns radioamadores de Moçambique, querendo saber que história era essa de haver camarões na montanha. Quando comecei a tentar explicar que eram apanhados nas árvores, já não consegui concluir. Riam-se e ironizavam, perguntando se nós lhes dávamos também milho a comer. Só no dia seguinte consegui explicar o assunto. Em Timor não existem cursos de água permanentes. Quando chove (há seis meses de época de chuva e seis meses de época seca), a chuva é diluviana (chovendo a hora certa!!!) e formam-se então subitamente verdadeiros rios (as ribeiras), de caudal fortíssimo arrastando tudo pelo caminho (árvores, animais, viaturas). No leito das ribeiras secas, permanecem enterrados ao longo de meses os tais camarões. Com a enxurrada, são arrastados e ficam presos na vegetação envolvente, podendo então ser apanhados como quem apanha fruta nas árvores.
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RUY CINATTI POETA E ANTROPÓLOGO

LONDRES – 8 MAR 1915 – Nasce RUY CINATTI – que seria um antropólogo e agrónomo de nomeada, tendo-se consagrado como poeta.
Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes1, filho de António Vaz Monteiro Gomes2 e de Hermínia Celeste Cinatti3 (casaram em Londres em 24 de Janeiro de 1914), nasceu, em Londres, em 8 de Março de 1915. A morte da mãe, em 2 de Abril de 1917, e a ausência do pai em missão do governo português nos Estados Unidos, levaram a que Ruy Cinatti tivesse ficado ao cuidado do avô materno, Demétrio Cinatti4.
Em 15 de novembro de 1921, morreu Demétrio Cinatti, e o neto, Ruy, então com seis anos de idade, passou a viver com os avós paternos, o juiz Rui Luís Gomes5 e a mulher, Amélia Augusta Vaz Monteiro6 . Entretanto, o pai, casara em segundas núpcias, nos Estados Unidos, com Flora Stern7, em 1919, de quem teve uma filha, Amélia Vaz Monteiro Gomes8. O seu regresso a Portugal, em Junho de 1925, determinou que Ruy Cinatti passasse, pela primeira vez, a viver com o pai.
Entre 1925 e 1931, frequentou o Colégio Arriaga, o Instituto Profissional dos Pupilos do Exército e o Colégio de Nuno Álvares, tendo iniciado, em Outubro de 1931, o curso complementar dos liceus, no Liceu Passos Manuel, que concluiu em 1934. Contrariando a vontade do pai, que pretendia que ingressasse na Escola Naval ou na Escola de Guerra, Ruy Cinatti, inscreveu-se em Agronomia e, por imposição paterna, voltou para casa da avó Amélia.
Em 1935, participou no I Cruzeiro de féria às Colónias, organizado pela revista “O Mundo Português” e dirigido pelos professores Marcello Caetano, Orlando Ribeiro e Norberto Cardigos dos Reis. No ano seguinte, e ainda relacionado com o Cruzeiro, publicou, na mesma revista ” O Mundo Português” (3/30, de 1936), o conto “Ossobó”, a história de um pássaro que vivia nas florestas da ilha do Príncipe. Em 1937, publicou no “Diário de Lisboa” (21de outubro de 1937) a primeira versão do texto “Retrato de minha Mãe”, que, posteriormente, corrigida e aumentada, serviria de introdução ao seu primeiro livro de poesia “Nós Não Somos Deste Mundo” (Cadernos de Poesia, lisboa, 1941, 2ª edição, Ática, 1960).
No verão de 1938 viajou até Inglaterra para frequentar um curso de férias em Oxford, onde não conseguiu inscrever-se. Em alternativa, frequentou um outro curso, na Universidade do Sudoeste de Inglaterra, em Exeter, tendo ganho o prémio “The Oxford BooK of English Verse”, pelo melhor ensaio. Em 1939, colaborou no “Jornal da MP/Mocidade Portuguesa publicando seis textos: “Da arte de andar”, “Partida”, “Cabo Verde”, duas “Cartas a um Vanguardista” e um comentário a um apelo de Salazar à vida ativa. No mesmo ano, empenhou-se no lançamento de uma revista, “Cadernos de Poesia”, que acabou por fundar juntamente com Tomaz Kim (pseudónimo literário de Joaquim Monteiro Grilo), José Blanc de Portugal e João Cabral do Nascimento. O primeiro fascículo da revista saiu em 9 de Março de 1940 a que se seguiram quinze números distribuídos por três séries: 1940-1942, 1951 e 1952-1953. Em Maio de 1942, editou uma outra revista, “Aventura”, que dirigiu, ao longo dos cinco números publicados, até Setembro de 1944.
Além de estudante de Agronomia e de editor/organizador das revistas “Cadernos de Poesia” e “Aventura”, Ruy Cinatti, foi também, neste período, locutor da Mocidade Portuguesa na Emissora Nacional e redator da revista dos universitários católicos, “Ala”. Em 1943, concluiu, ao fim de oito anos e meio, o curso e o tirocínio obrigatório de Agronomia. Faltava-lhe, no entanto, a dissertação final que só apresentaria em Maio de 1950, com o trabalho “Reconhecimento em Timor”, tendo recebido a classificação final de dezanove valores.
Em Maio de 1944, ingressou como meteorologista na “Pan American Airwais”, onde se manteve até 1946. Neste mesmo ano de 1946 foi convidado para integrar a nova administração portuguesa em Timor-Leste como secretário do Governador Óscar Ruas. Partiu de Lisboa, juntamente com a restante comitiva, em 26 de Junho e chegou a Díli a 27 de Julho. Apesar de as suas expectativas profissionais não se terem, em parte, realizado confessa-se apaixonado por Timor que o prendeu “com cadeias de ferro , a ponto de estar disposto a iludir o bom senso ou o que ele me indicar.” No entanto, ao fim de dezoito meses no território, decidiu regressar a Lisboa “devido à necessidade inadiável de defender a tese e ter um modo de vida definido” e também pela avó cujo estado de saúde, entretanto, se agravara.
Partiu de Díli, em Dezembro de 1947, e chegou a Lisboa em meados de 1948, onde vem encontrar a avó diminuída mas livre de perigo. Também o conflito com a família paterna, em especial com o pai, agudizou-se e, para piorar as coisas, não tinha casa. “E assim encontrei-me em Lisboa sem família e num estado de grande depressão(…). Encontrei a paz com os meus amigos e tenho vivido mais ou menos com eles. Entretanto, tenho estado a trabalhar na tese, sobre as madeiras de Timor. O progresso nessa tarefa não tem sido o que poderia esperar.” Em Abril de 1949, e, depois de entregue à Junta das Missões Geográficas e de Investigações Coloniais o relatório das suas pesquisas de Timor, além de um requerimento dirigido à mesma Junta, no qual propunha o seu regresso a Timor para prosseguir os seus trabalhos de campo, foi integrado neste organismo como estagiário com a incumbência de estudar “a flora, madeiras e recursos económicos” do território.
No ano seguinte, além da apresentação da tese, publicou três estudos de carácter científico relacionados com Timor: “Esboço histórico do Sândalo no Timor Português” (Junta de Investigações Coloniais, 1950), “Explorações Botânicas em Timor” (Junta de Investigações Coloniais, Coleção “Estudos, ensaios e documentos”, nº 4, 1950) e “Reconhecimento Preliminar das Formações Florestais no Timor Português” (Junta de Investigações Coloniais, Coleção “Estudos, ensaios e documentos”, nº 5, 1950). Em 28 de Setembro de 1951, viu realizado o seu propósito de voltar a Timor, ao ser nomeado chefe dos Serviços da Agricultura do Governo de Timor. Partiu no dia seguinte e chegou a Díli em 10 de Novembro depois de ter passado por Beirute, Calcutá, Singapura, Jacarta e Bali.
No entanto, e apesar do seu entusiasmo pelo regresso ao território, não estava muito confiante em relação às funções que iria exercer: “Eu vinha preocupado com o ofício que mais tarde ou mais cedo terei de desempenhar e não conseguia dominar a angústia nem o desejo de fuga para qualquer ilha, a leste.” O objetivo principal no seu regresso a Timor, “investigar e realizar agronomia”, assentava na liberdade de movimentos que lhe permitisse percorrer o território. Segundo informa Ruy Cinatti numa carta a um amigo, o próprio Ministro do Ultramar (Sarmento Rodrigues), face ao seu entusiasmo teria afirmado: “V. vai para Timor para andar a monte, conviver com o indígena e não toca sequer num papel”. Não foi isto que aconteceu, pelo menos, a maior parte do tempo. “Só papéis e mais papéis”, queixa-se.
Com efeito, o segundo período de permanência de Cinatti em Timor, à semelhança aliás do que aconteceu no primeiro, ficou também marcado do ponto de vista profissional pela incompatibilidade entre a missão oficial de que se sentia incumbido e a lógica do Governo de Timor, que privilegiava o trabalho de gabinete. “Isto de Governo de Timor é um autêntico Governo de Tarados e eu, para não criar exceções, resolvi sê-lo também à minha maneira”. Por outro lado, o cansaço e a frustração adensam-se, “Timor começa a saturar-me demasiado”. Neste estado de espírito, quatro anos depois de ter chegado ao território, sente-se pouco disponível para “continuar a servir uma administração que vai de mal a pior”. Requereu uma licença graciosa e partiu para Lisboa em Dezembro de 1955, onde chegou em Janeiro de 1956.
Em Lisboa, reencontrou o pai, com sessenta e nove anos que se preparava para as suas terceiras núpcias com uma australiana de trinta anos, Mary Clarissa Gwendoline Broaadley. O casamento realizou-se em Londres, a 29 de Novembro de 1956. Profissionalmente, e na impossibilidade de regressar imediatamente a Timor – alegou “conselho clínico” para não voltar já à província -, requereu à Junta de Investigações do Ultramar a sua integração nos quadros do organismo. Na primavera de 1957, depois de terminada a licença graciosa, ingressou, finalmente, nos quadros da Junta de Investigações do Ultramar e, desde logo, apresentou uma proposta para frequentar em Inglaterra um curso de Antropologia Cultural. O objetivo era simples: obtido o grau académico poderia regressar a Timor como investigador e já não como funcionário do quadro administrativo. A proposta foi deferida e Ruy Cinatti autorizado pela Junta a deslocar-se “para Inglaterra pelo período de três anos com o fim de obter o grau de B. A. ou B. Sc. (Bacharel em Artes ou Ciências) em Antropologia Cultural e Social”.
Inicialmente, matriculou-se na Universidade de Londres. No entanto, em Outubro de 1957, transferiu-se para Oxford não só para ter “mais sossego e menos tentações” mas também pelo facto de o curso de Oxford se destinar “exclusivamente a estudantes pós-graduados e a obtenção do diploma [compreender] o período de um ano.” Diplomou-se em Antropologia Geral e Social em Junho de 1958. Em Outubro do mesmo ano, chefiou uma missão da Junta de Investigações do Ultramar a Timor com a finalidade de estudar o “habitat insular” mas, em Novembro, regressou a Oxford com a intenção de prosseguir os estudos de antropologia e de obter um grau académico em Antropologia Cultural. Entretanto, publicou a obra “O livro do Nómada Meu Amigo” (Guimarães Editores, 1958, 2ª ed. 1966 e 3ª ed. 1981), pela qual recebeu o Prémio Antero de Quental.
Em meados de 1961, depois de dois anos e meio em Oxford, regressou a Lisboa com o fim de assegurar financiamento oficial para a realização de trabalhos de campo em Timor no âmbito da preparação da sua tese de doutoramento em Antropologia. Assegurado o financiamento, partiu para Timor, via Nova Iorque, onde participou, em representação do Gabinete de Negócios Políticos do Ministério do Ultramar, na Assembleia de Estudos Africanos. A viagem a Nova Iorque foi o expediente encontrado para suportar parte dos custos da deslocação a Timor, em representação da Junta de Investigações do Ultramar. Permaneceu em Timor de Novembro de 1961 a Dezembro de 1962, período durante o qual desenvolveu diversos trabalhos no campo da antropologia aplicando os conhecimentos teóricos adquiridos em Oxford. Em carta ao prof. Penniman, o seu tutor em Oxford, afirma: “Estou muito feliz em Timor. Tudo o que tenho aprendido em Oxford está a dar os seus frutos. Esta ilha é um paraíso antropológico, completamente ignorado e demasiado vasto para um homem só.”
Em Janeiro de 1963, já em Lisboa, passou a residir, pela primeira vez, em casa própria, alugada a seu pedido pela irmã. No que respeita a trabalhos científicos, publicou na revista “Colóquio” (Abril de 1963) um estudo, “As Pinturas Rupestres de Timor”. Participou também, em Junho deste ano, no Congresso Internacional de Etnografia, em Santo Tirso, onde apresentou uma comunicação com o título “Tipos de casas timorenses e um rito de consagração”. No ano seguinte, publicou dois trabalhos sobre Timor: “Useful Plants in Portuguese Timor – An Historical Survey” (comunicação apresentada ao V Congresso Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, Coimbra, 1964) e “Brevíssimo Tratado da Província de Timor” (Lisboa, 1964). Deslocou-se ainda a vários países europeus para discutir com diversos especialistas a sua análise das pinturas rupestres de Timor.
Entretanto, em Junho de 1964, requereu às autoridades académicas de Oxford a prorrogação do prazo de entrega da sua tese de doutoramento, o que lhe foi concedido até ao último trimestre de 1967. Em 1965, deslocou-se, em representação da Junta de Investigações do Ultramar, a Lhaore, no Paquistão, para assistir a um seminário de arte, literatura e cultura afro-asiática. No entanto, “por razões de natureza política” os portugueses não foram admitidos no encontro. “Tanto melhor”: aproveitou o impedimento para viajar por diversos países do Médio Oriente cujo relato, com o título “Persépolis”, foi publicado na revista “Geographica” (1/4, de 1965).
No ano seguinte, em Julho de 1966, deslocou-se, em serviço oficial, pela última vez a Timor, onde permaneceu até Setembro desse ano. No regresso passou por Honolulu e visitou o México antes de, em Nova Iorque, participar num colóquio de estudos luso-brasileiros.
Entre 1967 e 1970, Ruy Cinatti, prosseguiu a sua atividade profissional na Junta de Investigações do Ultramar e escreveu os seguintes treze livros de poesia, tendo publicado a maior parte:
“Manhã Imensa”, 1967 (publicado em 1984, pela Assírio e Alvim);
“Sete Septetos”, 1967 (publicado em 1967, pela Guimarães Editores);
“Memória Descritiva”, 1967 (publicado em 1971, pela Portugália Editora);
“Crónica Caboverdeana”, 1967 (publicado, sob o pseudónimo de Júlio Celso Delgado, em 1967);
“Ossobó”, 2ª ed., 1967;
“O Tédio Recompensado”, 1968 (publicado em 1967, pela Guimarães Editores);
“Um Cancioneiro para Timor”, 1968 (publicado parcialmente, em 1969, no jornal “A Voz de Timor”);
“Borda D’ Alma”, 1969 (edição do autor, 1970);
“Uma Sequência Timorense”, 1969 (publicado em 1970 pela Editora Pax);
“Conversa de Rotina”, 1969 (publicado em 1973 pela Sociedade de Expansão Cultural);
“O Ministério – Poema sério-jocoso em um canto”, 1970 (policopiado);
“Corpo-Alma”, 1969 (publicado, postumamente, em 1994 pela Presença);
“Archeologia ad Usum Animae”, 1969 (inédito);
“Gazetilha”, 1970 (inédito).
Em Julho de 1968, recebeu o Prémio Nacional de Poesia com a obra “Sete Septetos”. Em 1970, no âmbito das suas atribuições na Junta de Investigações Coloniais, foi nomeado membro da Comissão Científica do Vale do Zambeze-Cabora Bassa na área do habitat e urbanismo regional: “Estou agora metido na Comissão Científica do Vale do Zambeze-Cabora Bassa na área do habitat e urbanismo regional. Mas ainda lá não fui. É tudo papelada e os meus mais próximos colaboradores são todos muito analiticozinhos e não percebem as sínteses científico-poéticas.” No ano seguinte, 1971, participou, como representante da referida comissão num simpósio internacional, nos Estados Unidos, subordinado ao tema “Man Made Lakes”.
Em Setembro deste ano e a convite do seu amigo Carlos Abecasis, presidente da Diamang – Companhia de Diamantes de Angola, desloca-se a este território para proceder a uma avaliação sobre a integração local da empresa. Na sequência desta viagem escreve a obra inédita “Itinerário Angolano”. Também neste ano recebeu o Prémio Camilo Pessanha com a obra “Uma Sequência Timorense”.
Em 1972, concedeu uma entrevista ao jornal “A Voz de Timor” na qual faz o balanço da sua atividade literária e refere que tem inéditos dez livros entre os quais “Paisagens Timorenses com Vultos”, que será publicado em 1924, pela editora Pax. Organizou também um novo livro de poesia “Lembranças para S. Tomé e Príncipe”, publicado em 1979 pelo Instituto Universitário de Évora. No âmbito profissional, foi encarregado de reunir material para o “Inventário Monumental e Artístico do Ultramar Português”. Em 1973, publicou o livro “Conversa de Rotina” (pela Sociedade de expansão Cultural) e apresentou a concurso, para o prémio de poesia da Agência-Geral do Ultramar, o livro ainda inédito “Lembranças para S. Tomé e Príncipe”.
Acompanhou a revolução de 25 de Abril de 1974 com entusiasmo, primeiro, e preocupação, depois. A situação em Timor preocupava-o especialmente e procurou intervir de várias maneiras. Primeiro, por uma longa carta de resposta a um artigo do “Diário de Notícias” sobre Timor, enviada ao jornal em Janeiro de 1974 e que não foi publicada. Depois, em duas entrevistas que concedeu, ambas em 1975, uma ao jornal “A Luta” e a outra ao Jornal “Nova Terra”. Finalmente, através dos esforços que desenvolveu para se deslocar em funções oficiais ao território de Timor a fim de, por um lado, prosseguir as suas investigações arqueológicas e, por outro lado, colaborar com as autoridades portuguesas na descolonização do território. No entanto, e dada a situação política em Portugal, a deslocação não foi autorizada.
Em Novembro de 1975, foi nomeado “Investigador e Consultor de Assuntos Relativos ao Sudeste Asiático, especialmente Timor” junto do “Museu de Etnologia”. Entre 1976 e 1984 publicou os seguintes livros: “Import-Export” (pela Meridiano, 1976), “O a Fazer, Faz-se” (Meridiano, 1976), “Lembranças para S: Tomé e Príncipe” (pelo Instituto Universitário de Évora, 1979), ” 56 Poemas” (pela Regra do Jogo, 1981. 2ª ed. Relógio de Água, 1992), e “Manhã Imensa” (pela Assírio e Alvim, 1984).
Reformou-se com setenta anos em 1985. Morreu em 12 de Outubro de 1986 no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa e foi enterrado no Cemitério dos Ingleses9.
1 Esta breve nota biográfica deve quase tudo, senão tudo, à obra do prof. Peter Stilwell “A Condição Humana em Ruy Cinatti, Editorial Presença, 1995.
2 António Vaz Monteiro Gomes nasceu, em Lisboa, em 16 de Janeiro [ou 17 de Outubro] de 1887 e morreu, na mesma cidade, em 2 de Janeiro de 1958.
3 Hermínia Celeste Cinatti nasceu , em Macau, em 17 de Dezembro de 1877 e morreu, em Lisboa, em 2 de Abril de 1917.
4 Demétrio Cinatti nasceu, em Lisboa em 1 de Maio de 1851 e morreu, na mesma cidade, em 15 de Novembro de 1921. filho do arquiteto e cenógrafo italiano, José Cinatti, que veio para Portugal em 1836, e de Maria Rivolta, casou em Macau, em 25 de abril de 1876, com Hermínia Maria de Jesus Homem de Carvalho, falecida em 1900. Oficial da Marinha (reformou-se como Capitão-de Mar-e-Guerra), foi Comandante da Polícia Marítima e Capitão do porto de Macau, tendo, posteriormente ingressado na carreira consular: cônsul de Portugal em Cantão (1890), Pretória (1895), Havre (1905-1911), e, finalmente, em Londres (1911-1916).
5 Vicente Luís Gomes nasceu, em Faro, em 21 de Agosto de 1861 e morreu, em Lisboa, em 31 de Julho de 1834. Casou, em Lisboa, em 2 de Fevereiro de 1887, com Amélia Augusta Vaz Monteiro.
6 Amélia Augusta Vaz Monteiro Gomes nasceu, em Lisboa, em 26 de Março de 1859 e morreu, em Cascais, em 5 de Setembro de 1951.
7 Flora Stern, de nacionalidade americana, morreu em 1950.
8 Amélia Vaz Monteiro Gomes, irmã de Ruy Cinatti, nasceu, nos Estados Unidos, em 16 de Agosto de 1922, e morreu, em Lisboa, em Outubro de 1977.
9 Segundo explica o Prof. Peter Stilwell, na nota 64 da página 389 do seu estudo “A Condição Humana em Ruy Cinatti”, “O Cemitério Britânico, mais conhecido como Cemitério dos Ingleses, remonta a um período em que não era dada sepultura a não-católicos nos cemitérios do país. Foi então criado pelos cidadãos britânicos não-católicos um cemitério próprio e, dentro do espírito da época, estabeleceu-se a norma, ainda hoje vigente, de não autorizar a sepultura de católicos nesse terreno – mesmo que de nacionalidade britânica. A sepultura de Cinatti no Cemitério Britânico ficou a dever-se ao facto de Flora Stern, segunda mulher de António Vaz Monteiro Gomes. não ser católica. Como a família adquiriu um talhão no cemitério por ocasião da sua morte, em 1950, nele puderam ser sepultados também os restos mortais de António Vaz Monteiro Gomes (1958), Amélia Vaz Monteiro Gomes (1977) e, por fim, como último membro da família, Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes (1986)”.
[texto partilhado da página oficial da Universidade Católica Portuguesa, disponível na «net»]
Proponho a revisitação de um programa da série ‘RTP ensina’, intitulado “Ruy Cinatti, o poeta antropólogo”.
Autor de uma poesia despojada, Cinatti encanta-se pelas terras e gentes de Timor e teme pelo futuro da colónia portuguesa. Denuncia a “cobiça dos Indonésios”, alerta para os perigos da descolonização mas os poderosos não o ouvem e um povo é massacrado.
Foi um homem do mundo, viajante da Europa, África e Oriente, um observador atento da natureza, mas só em Timor tem o apelo de uma terra que toma como sua. O antropólogo não resiste aos rituais desta nova cultura, o poeta fica preso ao exotismo de uma ilha que mora em paragens distantes.
“Tudo me é novo e estranho”, escreve Ruy Cinatti no primeiro encontro com a colónia portuguesa em 1946, onde vai exercer o cargo de chefe do Gabinete do Governador e, mais tarde, chefe dos Serviços de Agricultura do Governo de Timor. A ilha, que fotografa e filma, transforma-se no centro da sua vida. Em 1956 alerta para a “cobiça dos indonésios” e, depois do 25 de Abril, pressente que algo de mau vai acontecer “àquela gente portuguesa”. Desesperado, procura ajuda para evitar a descolonização e escreve “Timor-Amor”. Em vão. A ilha é invadida. Cinatti já não vai assistir à concretização do sonho da independência que acontece 24 anos depois.
O poeta antropólogo que nasceu em Londres e que em pequeno é levado a viver no Ribatejo, fez Agronomia na Universidade de Lisboa e Antropologia Social e Etnográfica em Oxford. Publicou os primeiros versos (“Ossobó”) com 21 anos. Nos “Cadernos de Poesia”, que funda juntamente com Jorge de Sena, José Blanc de Portugal e Tomás Kim, procura “um programa de autenticidade poética”, longe das correntes em vigor. A sua escrita é marcada por palavras claras, pelo rigor, por uma aparente simplicidade reveladora do homem profundamente religioso que é.
Ao longo da sua vida são muitos os livros publicados e os galardões atribuídos. ”O Livro do Nómada Meu Amigo” tem o Prémio Antero de Quental, “Uma Sequência Timorense” é prémio Camilo Pessanha e “Sete Septetos” recebe o Prémio Nacional de Poesia.
Nos últimos anos de vida conhece uma tal solidão que o faz dizer “hei-de morrer como um rato na sarjeta”. O poeta que “não era deste mundo” morre a 13 de Outubro de 1986, aos 71 anos.
Neste artigo recuperamos o testemunho do poeta Fernando Pinto do Amaral sobre a importância da publicação da Obra Poética de Ruy Cinatti.
Ruy Cinatti, o poeta antropólogo
ENSINA.RTP.PT
Ruy Cinatti, o poeta antropólogo
Autor de uma poesia despojada, Cinatti encanta-se pelas terras e gentes de Timor e teme pelo futuro da colónia portuguesa. Denuncia a “cobiça dos Indonésios”, alerta para os perigos da descolonização mas os poderosos não o ouvem e um povo é massacrado.
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Ex-padre acusado de abusos em Timor-Leste é procurado por fraude bancária nos EUA

Ex-padre acusado de abusos em Timor-Leste é procurado por fraude bancária nos EUA
Pante Macassar, Timor-Leste, 22 fev 2021 (Lusa) – O ex-padre norte-americano, que vai ser julgado em Timor-Leste por abuso sexual de menores, entre outros crimes, é procurado pelos Estados Unidos que pediram à Interpol a detenção por suspeitas de fraude.
Na página digital da Interpol pode ler-se que Richard Daschbach é procurado pelas autoridades dos Estados Unidos por pelo menos “três acusações de fraude bancária”, sem apresentar quaisquer dados do processo em causa.
A “notificação vermelha” da Interpol, com o número 2019-112634, refere que Dashbbach é natural da Pensilvânia, completou 84 anos no final de janeiro e tem nacionalidade indonésia e norte-americana.
Este tipo de notificação da Interpol é emitida para “fugitivos procurados tanto para julgamento como para cumprir uma sentença”, explica a Interpol.
Trata-se de um “pedido às autoridades judiciais em todo o mundo para que localizem e detenham provisoriamente a pessoa em causa à espera de extradição, entrega ou outras ações legais”.
A notificação inclui quatro fotografias do ex-padre que começa a ser julgado na terça-feira no Tribunal do enclave de Oecusse-Ambeno, pelos crimes de abuso sexual de menores, pornografia infantil e violência doméstica.
Timor-Leste não tem atualmente qualquer acordo de extradição internacional.
ASP // EJ
Lusa/Fim
May be an image of 3 people and text that says "INTERPOL BACK TO SEARCH RESULTS DASCHBACH, RICHARD JUDE Wanted by United States 1 NTERPOL RED NOTICE Identity particulars Family name DASCHBACH Forename RICHARD JUDE Gender Male Date birth Place birth 26/01/1937 84 years old) Pennsylvania, United States Nationality United States, Indonesia"
Rosa Horta Carrascalao, Rosely Forganes and 90 others
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  • Entrega só o homem que eles lá saberão tratá-lo da saúde.
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