MANUEL CARRASCALÃO

MANUEL VIEGAS CARRASCALÃO
Em 24 de Outubro de 1901, há 118 anos, nascia Manuel Viegas Carrascalão, filho de Manuel Viegas Carrascalão e Maria Faustina Cavaco (da Freg. de Alosno, Huelva, Andalucía, Espanha), no sitio dos Machados, São Brás de Alportel, Algarve, Portugal.
Operário tipógrafo, começou como aprendiz nos Ecos do Sul , em 1913 e rapidamente começa a participar no trabalho sindical. Adere à corrente anarco-sindicalista, é preso várias vezes, é eleito secretário geral da Federação das Juventudes Sindicalistas e cria a Caixa da Solidariedade da mesma federação.
Em Junho de 1925 é preso por bombismo e acusado de pertencer à Legião Vermelha, na sequência das represálias do poder ao atentado de assassinato a Ferreira do Amaral, comandante da Polícia Cívica de Lisboa, a 15 de Maio.
Em Setembro de 1926 é condenado a 6 anos de degredo pelo Tribunal Militar por ser da Legião Vermelha.
Em Dezembro de 1926, o Supremo Tribunal confirma a pena de degredo de 6 anos a Carrascalão, por responsabilidade na criação e actividade da Legião Vermelha.
A 23 de Fevereiro de 1927, Carrascalão escreve do Forte de Monsanto, onde acusa a polícia das mortes de Gavroche e também de Diamantino de Anunciação e Domingos Pereira. Afirma que certos polícias vêm à prisão à procura de certos jovens para os levar com o objectivo de os assasinar. O que aconteceria a Filipe José da Costa e Hilário Gonçalves.
Em Abril de 1927, Manuel Viegas Carrascalão, gráfico, José Gordinho corticeiro, João Maria Major, manipulador de pão, José Filipe, da construção civil, Joaquim da Silva, metalúrgico, e outros, num total de 64, são deportados no navio Pêro de Alenquer para Timor. A viagem demorará 5 meses e passa por Cabo Verde e Guiné. O Pêro de Alenquer só chegará a Timor em Setembro, ao porto Aipelo. Manuel Viegas Carrascalão fica preso em condições sub-humanas na prisão Aipelo.
Em 1928, MVC é liberto por bom comportamento e imediatamente desterrado para Venilale.
Em Venilale para sobreviver dá aulas de português, faz de carpinteiro e de pedreiro.
No mercado de Venilale conhece a jovem timorense Marcelina Guterres, filha de Loi Sibe e Joana Guterres.
A partir daqui a vida de Manuel Viegas Carrascalão fica intimamente ligada a Timor. Ainda será preso em 1933 na ilha prisão de Atauro e em 1942, pelas tropas japonesas. Regressará a Portugal a 15 de Fevereiro de 1946 e nesse mesmo ano regressa reabilitado a Timor, já como dono da Granja Eduardo Marques, antiga propriedade estatal, onde sob a condição de deportado tinha sido feitor. Não esquecendo as suas origens, muda o nome da granja para Fazenda Algarve (quando no ano anterior, em 1945, tinha regressado a Portugal chegou a ir ao Algarve com o seu filho mais velho, Manuel. Nessa altura ainda Manuel Viegas Carrascalão não pensava voltar para Timor. Tinha trazido toda a sua família e as suas economias. Provavelmente a ida ao Algarve tem dois objectivos: encontrar-se com a família, que já não via há quase vinte anos e procurar um futuro).
Graças à Fazenda Algarve acaba por se envolver na criação da Associação Comercial, Agrícola e Industrial de Timor (ACAIT).
Em 1972, a convite das autoridades de NTT, o governador Fernando Alves Aldeia autorizou a deslocação a Kupang de uma caravana desportiva de Díli para participar nas come- morações do 27.o aniversário da independência da Indonésia. Presidida pelo presidente da câmara municipal de Díli, Manuel Viegas Carrascalão, a comitiva contava com cerca de 200 pessoas. Durante a sua estadia, entre os dias 8 e 18 de Agosto, em Kupang, Manuel Viegas Carrascalão foi recebido pelo major-general Ali Murtopo, assessor especial do presidente Suharto para assuntos políticos e comandante da OPSUS, o serviço de Operações Especiais das ABRI, responsável pela compilação de informações e pela orientação de missões diplomáticas delicadas no estrangeiro.
Em 1975 Manuel Viegas Carrascalão vem a Portugal para tratamento médico.
A 7 de Dezembro de 1975, a Indonésia invade Timor Leste. Manuel Viegas, doente dum cancro pulmonar, passa dificuldades, pois os indonésios retêm-lhe os bens.
1977
Morre Manuel Viegas Carrascalão, em 24 de Outubro, em Portugal.
O casal Marcelina Guterres e Manuel Viegas Carrascalão tiveram 13 filhos: Dora, Maria, Manuel, Maria Ermelinda, Mário, Artur, Maria Alice, José, João, Francisco, Maria Gabriela, Maria ângela, Natália.
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MAIS UM ANO SOBRE A MORTE DOS 5 DE BALIBÓ

May be an image of 4 people and text that says "THE BALIBO FIVE 16 OCTOBER 1975 NEVER FORGOTTEN ATERTAINMENT S10 ALLIANCE"
On this day in 1975, five Australian journalists were murdered in cold blood by the Indonesian army, with full knowledge of the Australian Government.
Chrys Chrystello

timor memória de uma fuga

Admin

15tmucoe

May be an image of 3 people
The only Royal Australian Air Force plane ever hijacked landed in Darwin on 4 September 1975. On board were three RAAF pilots and 44 East Timorese asylum seekers who had hijacked the plane in a tense standoff in Bacau.
The civil war between pro-independence Freitlin and pro-Portuguese UDT forces was raging at the time in East Timor. On the day that the RAAF Caribou A4-140 landed in Bacau on a mission for the International Red Cross, a number of UDT (Timorese Democratic Union) soldiers and supporters had decided to surrender. They feared for their lives and were desperate to get out.
The plane was significantly overloaded, but the fact that the refugees made it to Darwin was only the beginning of their luck. In an emergency meeting on the night the Caribou touched down in Darwin, Prime Minister Whitlam had decided that the Timorese asylum seekers should be welcomed by Australia.
Rather than being ‘turned back’, probably to their deaths, the women and children were taken to Carpentaria College and given clothes and make-up. After a night in the cells at Fannie Bay Gaol, the men were asked in which state in Australia they wished to make their new lives. The families of the Caribou arrivals are still in Darwin, Sydney and Melbourne today. One teenager who worked at the Bacau airport and jumped on the plane at the last minute has worked on the Melbourne trams for forty years.
Today, Australia still has the opportunity to open our doors to those in need.
​Luke Henriques-Gomes, ‘Abilio Henriques, José Cruz and Feliciano Da Costa worked on the Melbourne tramways together after coming to Australian on a hijacked Caribou in 1975’, 2021. Courtesy of Luke Henriques-Gomes and The Guardian
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TIMOR AS VELHAS CARREIRAS DE TRANSPORTE

No photo description available.
Operadores dos chamados “CARREIRAS”, transportes públicos que faziam serviço entre Dili e outros Concelhos antes do 25 de Abril.
Li-Kim-Kim (residia em Taibessi) operador das estradas Dili-Suai (vice-versa) e Dili-Viqueque-Uatu-Lari (vice-versa)
Tam Sui Ting (residia em Kulu-Hun) operador das estradas de Dili-Baucau (vice-versa)
Francisco Santa Li e associados (residia em Baucau) operador das estradas de Dili-Lautém-Lospalos (vice-versa)
Leong Tat Tseng (residia em Biadau) operador das estradas Dili-Liquiçá-Maubara-Bazartete (vice-versa)
Lay (residia em Audian) responsável por regiões fronteiriças.
OBRIGADO amigos pela foto e informação
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já leu as 3 mil páginas da trilogia HISTÓRIA DE TIMOR?

 

o 1º volume

https://www.scribd.com/document/253855631/East-Timor-the-Secret-Files-1973-1975-Eng

em PT https://pt.scribd.com/doc/39958581/Timor-Leste-1973-1975-o-dossie-secreto

volume 2 https://pt.scribd.com/document/40234122/Timor-Leste-Historiografia-de-um-reporter-vol-2-193-1992

volume 3 https://pt.scribd.com/document/94984898/TIMOR-LESTE-VOL-3-AS-GUERRAS-TRIBAIS-A-HISTORIA-REPETE-SE-1894-2006

timor 22 anos depois

30 DE AGOSTO, VINTE E DOIS ANOS APÓS O SONHO…
Todos os anos, mesmo sem festa nem comemorações, nos recordamos com emoção e enorme prazer, uma data que nos diz tanto. Comemora-se, este ano, o 22º aniversário daquele 30 de agosto memorável (1999) em que, dentro e fora de Timor, nos empenhámos – o povo de Timor e a Diáspora em todos os seus quadrantes – com enorme fervor e vontade de mudança, num novo rumo para que um povo sofrido e sofredor pudesse dar asas a novos ventos de liberdade e de condução do seu próprio destino. Passam, agora, 22 longos anos. Muita coisa entretanto aconteceu. Foi, é certo, uma data que mexeu com todos nós e em que a liberdade, a democracia. a coragem, a esperança e o querer de um povo mártir venceu a opressão sanguinária de um regime totalitário de 24 anos que tanta gente vitimou. E os heróis anónimos – todos nós – cumprimos e homenageámos os nossos heróis tombados na guerra que fizeram um enorme sacrifício pagando com a vida o sonho e o seu direito inalienável a serem independentes e a cumprirem o seu próprio destino. Em 30 de agosto de 1999 cumpriu-se um desejo que todos ansiavam e que muitos julgavam não ser fácil de ser concretizado. Com 78,5 % dos votos cumpriu-se finalmente aquilo porque tantos lutaram com sangue, suor e muitas lágrimas: Timor ia cumprir o seu sonho! Timor ia ser finalmente independente! E todos nós, na Diáspora, que nesse mesmo dia nos deslocámos ao Largo da Estefânia em Lisboa num imenso mar de gente, nervosa e com uma enorme alegria contida, nos sentimos aliviados, orgulhosos, esfuziantes de felicidade pois tinha-se cumprido a História, o sonho ia tornar-se uma realidade. A independência tinha sido o caminho escolhido. Para bem de todos e de um povo que lutou e sofreu tanto. A 20 de maio de 2002, Timor – Leste tornar-se-ia a primeira Nação livre do século XXI. Tinha-se cumprido a vontade, manifestada em referendo, de um povo ávido de tomar as rédeas do seu próprio destino. Vinte e dois anos depois Timor-Leste continua a desbravar e a consolidar o seu caminho, um sonho que começou a ser tornado realidade nesse longínquo e inesquecível dia 30 de agosto do ano de 1999. Uma data que faz parte da memória de uma Nação e de todo um povo que lutou, sofreu e morreu por esse sonho. Hoje um País consolidado, nascido de um sonho sofrido e de uma certeza destemida e inabalável, que sofre as suas próprias dores de crescimento, com as suas virtudes e alegrias, com os seus defeitos e desilusões. Mas não nos esqueçamos, o caminho faz-se caminhando…
Joaquim Magalhães, Alexandre Augusto Neves Milheiro and 6 others
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