MORTO COVID CAUSA TENSÃO EM DÍLI, TIMOR

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Covid-19: Autoridades timorenses chegam a acordo com família para enterrar vítima da doença
Díli, 12 abr 2021 (Lusa) – As autoridades timorenses e o líder histórico Xanana Gusmão, em nome da família, chegaram hoje a um acordo de compromisso para resolver o impasse em torno do funeral de um homem que morreu infetado com covid-19.
A solução de compromisso, segundo explicaram à Lusa fontes do Centro Integrado de Gestão de Crise (CIGC), passa por permitir que o funeral se realize no cemitério onde queria a família, mas respeitando um conjunto de regras e procedimentos sanitários.
A família do homem de 46 anos contestava que este fosse enterrado num cemitério preparado para vítimas da covid-19, em Metinaro, arredores de Díli, reclamando que o homem tinha morrido de outras causas e não de covid-19.
Xanana Gusmão associou-se ao protesto da família e mantém-se há mais de oito horas à porta do centro de isolamento Vera Cruz, na capital timorense, onde o paciente faleceu.
A solução de compromisso terá sido encontrada depois de uma nova negociação neste local entre Xanana Gusmão e um dos responsáveis da Sala de Situação do CIGC, o comodoro Pedro Klamar Fuik, o segundo elemento do centro a deslocar-se ao local.
Há várias horas que uma carrinha de caixa aberta com um caixão preparado pela família e coberto com uma lona de plástico azul está à frente do centro de isolamento.
A cerca de 100 metros deste local encontra-se um forte contingente de efetivos da Polícia Nacional de Timor-Leste que impedem centenas de manifestantes, maioritariamente jovens, de seguir para junto de Xanana Gusmão.
“Este homem não morreu de covid, estava doente há um mês em casa. A família está em boa condição física, que o levou para o hospital e diz que é mentira. Querem levar o corpo”, afirmou o líder histórico timorense.
Xanana Gusmão insiste que este tipo de situações está a ajudar a aumentar a desconfiança da população sobre a covid-19 em Timor-Leste, e que vai ficar no local até que o corpo seja entregue à família.
O coordenador da ‘task-force’ para a Prevenção e Mitigação da covid-19, Rui Araújo, explicou que o homem de 46 anos entrou no Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV) com um quadro grave, com tensão elevada, respiração dificultada e hemorragia.
“Pelo facto de ter frequência respiratória afetada, os médicos dos serviços de emergência deram atendimento e seguiram o protocolo normal, incluindo o teste PCR à covid-19”, explicou.
“O resultado foi positivo com um nível ativo elevado de 25.1. O paciente foi transportado para Vera Cruz e foram recolhidas análises a três pessoas da família, das quais duas tiveram resultados positivos: ou seja, três dos quatro habitantes da casa deram resultado positivo”, afirmou.
Rui Araújo mostrou-se sensibilizado com a importância dos rituais, usos e costumes, mas recordou que o vírus “está a propagar-se desenfreadamente, não só em Díli, mas noutras partes do território” e que todos devem cumprir as regras de saúde pública.
Na sequência da polémica, o primeiro-ministro de Timor-Leste encorajou hoje os médicos “a continuarem a trabalhar, a não ficarem tristes e nem perderem a esperança porque o Governo e o Estado” estão ao lado dos profissionais de saúde.
Em comunicado, Taur Matan Ruak referiu que “esta situação está a criar sentimentos negativos de algumas pessoas contra os profissionais de saúde, sendo que algumas pessoas apedrejaram ambulâncias e não têm confiança nos médicos”, acrescentando que “esta atitude não ajuda a combater a doença” no país.
ASP (CSR) // VM
Lusa/Fim
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Timor-Leste precisa de um helicóptero e mais apoio

O líder da Fretilin, Mari Alkatiri, defendeu que o governo timorense deve pedir apoio internacional urgente, mas de forma sistematizada, incluindo um helicóptero militar de carga para poder chegar às populações mais isoladas pelas cheias.

Source: Timor-Leste precisa de um helicóptero e mais apoio

TIMOR 42 MORTOS MILHARES DESALOJADOS

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Timor-Leste/Cheias: Número de mortos sobe para 42, 10 mil desalojados em Díli
Díli, 07 abr 2021 (Lusa) – As cheias que afetaram Timor-Leste no passado fim de semana causaram pelo menos 42 mortos, tendo o número de pessoas desalojadas em Díli crescido para quase 10 mil, segundo um novo balanço provisório da Proteção Civil.
Segundo a mesma fonte, deste total, 15 corpos ainda estão por localizar. Em Díli registaram-se 22 mortos, com 20 mortos noutros municípios.
Dados atualizados indicam que em Ainaro se registaram 10 mortos, em Manatuto cinco – corrigindo um número mais elevado dado anteriormente -, em Viqueque três e em Aileu dois, segundo o novo relatório.
No caso de Díli o maior número de vítimas regista-se no posto administrativo de Don Aleixo, com sete mortos em Manleuana-Beduku, cinco em Moris Found, quatro na aldeia 30 Agosto e um em Malinamuk.
Há ainda quatro mortos a registar em Hera, nos arredores da capital e um em Vila Verde.
No que se refere a deslocados, o novo balanço indica que há atualmente quase 2.400 famílias, e quase 10 mil pessoas em 18 locais de acolhimento – inicialmente eram seis.
O maior número, mais de 3.300, está no centro de formação Dom Bosco, em Comoro, seguindo-se a zona da igreja de João Paulo II, em Tasi Tolu, onde o número de deslocados cresceu de cerca de 500 na segunda-feira para mais de 1.500.
Refeições, água e outros apoios estão a ser canalizados para os vários locais por entidades do Governo, organizações internacionais, empresas e cidadãos privados, com o Ministério da Saúde a deslocar equipas móveis para prestar eventuais apoios que possam ser necessários.
Está igualmente em curso uma operação para fornecer água potável em maior quantidade, com os Bombeiros a necessitarem de apoio, dados os escassos meios de que dispõem, para chegar a Díli e às zonas limítrofes do município.
A Proteção Civil nota que há locais onde estão populações deslocadas que estão sem energia elétrica, estando a ser feitos esforços pela Eletricidade de Timor-Leste (EDTL) para resolver o problema.
Equipas do componente naval das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) e da Unidade de Polícia Marítima da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) estão envolvidas nas buscas dos desaparecidos.
Estão já identificados dezenas de locais onde são necessárias intervenções e obras, em alguns casos urgentes, sendo que a maioria ainda não teve intervenção desde domingo.
O balanço provisório refere que as cheias provocaram ainda danos graves em pelo menos oito escolas, com danos menores em mais nove.
A preocupação agora é de que possa haver novas chuvas nos próximos dias, o que teria um impacto significativo em zonas onde ainda não houve limpezas, nomeadamente em leitos de ribeiras que estão cheios de terra e lama compacta.
ASP // VM
Lusa/Fim
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ESTRADA IHA LACLÚBAR GRAVE TEBES
Husu ba Governu Sentrál atu tau iha prioridade.
Maluk Laclúbar oan hotu iha fatin ne’ebé de’it. Fiar katak imi hotu di’ak no seguru nafatin. Ba dala uluk ita la haluha hato’o solidariedade ba família no maluk sira-ne’ebé sai vítima nomós sira ne’ebé lakon vida ba dezastre Naturál iha dia 4 abril 2021.
Dezastre Naturál ne’ebé akontese iha dia 4 abril halo ita-nia estrada no ponte sira iha Laclúbar maioria aat hotu kedas – hahú hosi Postu Polísia nia sorin ba, Ponte Wer-Urun, bá to’o Werlubuti. Grave tebes!
Husu ba Governu Sentrál atu tau ba prioridade hodi aban bainrua bele hadi’a estrada iha Laclúbar tanba agora daudaun aat loos no halo movimentu transporte sira paradu totál.
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REPORTAGEM: Timor-Leste/Cheias: Entre danos e o voluntarismo, portugueses também afetados pelas cheias
*** António Sampaio, da agência Lusa ***
Díli, 07 abr 2021 (Lusa) – André Simões está desde domingo a contabilizar perdas que ultrapassam os 120 mil dólares (101 mil euros), causadas pelas águas de uma ribeira que saltaram o leito e destruíram parte do complexo em Tibar, perto de Díli.
“Isto está demais. Vamos abrindo caixas e gavetas, com coisas eletrónicas e outro material e não se aproveita nada”, conta à Lusa por contacto telefónico em Tibar, município de Liquiçá, ao lado de Díli, mas onde não se pode ter acesso devido à cerca sanitária na capital.
Nos últimos anos, Simões e a família foram-se progressivamente instalando em Tibar, construindo uma casa e as bases das empresas, a Tua Simões (que importa produtos alimentares e vinhos portugueses) e a Clima Simões (de refrigeração e ar condicionado).
Agora, grande parte do material está destruído, ficaram danificadas duas carrinhas, uma mota e todos os muros do complexo que ruíram com o peso das águas.
“Na madrugada de domingo estávamos a dormir. Acordámos com a chuva e com os cães que não paravam de ladrar. Vim à rua e já tinha o terreno todo alagado”, conta.
“Ao lado passa uma ribeira e há uma ponte nova que ficou muito obstruída e fez dique, levando a que a água saltasse as margens, deitasse abaixo o muro traseiro e depois entrasse em enxurrada pelo terreno”, explica.
As águas alagaram tudo, chegando a 1,70 metros de altura, com tanta intensidade que deitaram abaixo os muros do complexo. A água foi saindo mas ficaram toneladas de lama.
“Somando tudo, para já, carrinhas de carga e de distribuição, um gerador, bombas de água, computadores e equipamentos eletrónicos, além dos muros, eu acho que ultrapassa os 120 mil dólares”, contabiliza.
“É um impacto brutal. Não sei se haverá algum fundo para apoiar estas coisas, uma linha de apoio. Temos que ter cuidado para não ir totalmente abaixo”, frisa.
João Paulo Esperança, professor e tradutor, que já nas cheias de 13 de março de 2020 tinha perdido parte da sua coleção de livros e sofrido sérios danos em casa, voltou no domingo a ter a casa cheia de água.
“As inundações foram piores que há um ano. Em 2020 as águas subiram 70 centímetros, agora foi mais de um metro. Voltei a perder livros e muitas coisas ficaram estragadas”, explica, dando conta à Lusa do impacto no seu bairro, Bidau Santana, no centro da capital.
“Aqui há muitas casas que estão inundadas. A casa em frente da minha, a água da ribeira partiu-lhes o muro e entrou pela casa adentro. Houve pessoas a tentar que nadar contra a corrente para salvar a família”, descreve.
“Depois de dois anos de inundações, as paredes estão totalmente podres. Vamos ter que encontrar outro sítio enquanto reconstruímos”, lamenta.
Também a delegação da Lusa em Díli foi afetada pelas inundações com danos no chão, parte do sistema elétrico e em mobiliário e outro equipamento.
As histórias são apenas algumas de relatos que se cruzam, com maior ou menor gravidade, um pouco por todo o país.
As águas não escolheram nacionalidade ou a riqueza da casa: tanto ficaram afetadas casas rudimentares, ao lado das ribeiras, como apartamentos em complexos caros usados por estrangeiros.
Duas portuguesas, que vivem num desses complexos e que aceitaram falar à Lusa, contam que acordaram com a casa cheia de água, as tomadas a deitar fumo. Uma delas acordou mesmo com o colchão a flutuar.
“Tivemos água acima do joelho. E, depois da água, agora temos a lama. E ainda não sabemos quais são as nossas perdas”, explica, contando que estiveram horas em conseguir sair do local.
Vários portugueses, que tiveram que sair a correr de casa, em alguns casos com água pela cintura, acomodaram-se em casas de amigos ou hotéis, como alguns que foram para o Hotel Timor, onde horas depois se montou uma operação de preparação de comida para centenas de famílias afetadas.
Muitos da comunidade portuguesa, como muitos do resto da comunidade estrangeira, começaram a mobilizar-se ainda no domingo, ajudando diretamente famílias, reunindo comida e roupa para os mais afetados e iniciando campanhas de recolha.
As campanhas continuam, algumas com visibilidade mediática, mas muitas outras de cariz individual, com pessoas a fazer refeições quentes, a distribuírem material e comida, a ajudarem vizinhos ou amigos.
De fora de Timor-Leste também se mobilizaram ajudas, com o fluxo noticioso a servir como ponta de lançamento, em vários países, para ofertas de ajuda, incluindo grupos que na Austrália querem mobilizar apoios para enviar para o país.
Tiago Barata, diretor da unidade hoteleira e veterano de Timor-Leste diz que não se lembra de coisa igual, pela quantidade de chuva e por “tanta desgraça que causou no país interior ao mesmo tempo”.
“Houve pessoas que chegaram aqui muito traumatizadas. Achavam que estavam em casas seguras, mas que não resistiram às inundações e à enxurrada”, conta à Lusa.
Mas destaca a onda de solidariedade que se evidencia, com as mesmas pessoas que chegaram depois de deixar a casa, parcialmente danificada, a saírem dos quartos para vir ajudar a preparar refeições para ir entregar a populações deslocadas.
“Impressionante. Só tínhamos dois empregados, porque muitos também tiveram problemas em casa. E para responder a pedidos de ajuda das refeições teve que ser com a ajuda de todo a gente. Pessoas que nunca tinham visto a telefonarem e perguntar se podiam vir ajudar”, sublinha.
“O que vejo com o meu pessoal é que está toda a gente a querer ajudar, incluindo casos peculiares, de timorenses que perderam as casas, mas estão a trabalhar, muito mais horas do que o normal”, explica.
Tiago Barata nota a motivação que muitos mostram, incluindo a de um trabalhador que teve um acidente e enfiou um ferro no pé: “Foi ao hospital tratar-se e voltou para trabalhar e ajudar a fazer as refeições” para quem está deslocado.
ASP // JMC
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