entrevista LUIS CARDOSO (TAKAS) auytor timorense premiado

Rosely Forganes

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Entrevista a

Luis Cardoso de Noronha

a propósito do seu novo romance “O plantador de abóboras”, no Jornal de Letras, Artes e Ideias desta semana.

Timor-Leste: Politics, the patriarchy, and the paedophile priest – Monash Lens

The East Timorese people working and advocating for an end to violence against women, alongside the country’s women’s movement that has worked so hard in this space, continue to battle the long-term patriarchal relationships between conservative priests and resistance leaders. Read more at Monash Lens.

Source: Timor-Leste: Politics, the patriarchy, and the paedophile priest – Monash Lens

TIMOR E O JULGAMENTO DO PADRE

Justiça, Media, Abusos e o caso de RD
Isto não é uma notícia. É apenas um texto em jeito de pensar alto, depois de ler muitos comentários, falar com muitas pessoas e ouvir muito debate sobre este tema.
A agenda de debate em Timor-Leste tem estado marcada nas últimas semanas pelo julgamento do ex-padre Richard Daschbach pelos crimes de abuso sexual de crianças, pornografia infantil e violência doméstica. O caso é o primeiro do tipo envolvendo um antigo membro da Igreja e que, dadas as várias questões envolvidas, com grande impacto social e até político, está a suscitar declarações intensas tanto a favor das vítimas como a favor do arguido.
Em paralelo ao debate sobre os alegados crimes – o processo continua em segredo de justiça – têm-se gerado igualmente debates sobre aspetos tão diversos como tradição e cultura, religião e fé, manipulação ou aproveitamento político do caso, contexto judicial e o setor da justiça e o papel dos media e a sua cobertura dos antecedentes do caso e do seu atual processo. Estes debates são importantes, especialmente porque raramente houve tanta discussão pública sobre um caso na justiça timorense, ou pelo menos com tantas nuances como este. Ao mesmo tempo, é talvez a primeira vez que crimes de abusos sexuais de crianças, tristemente um dos crimes mais comuns em Timor-Leste, suscita debate tão alargado.
Talvez seja importante lembrar que desde a primeira hora, e isso viu-se com as organizações que apoiaram as vítimas e com os jornalistas, mexer nestes assuntos suscita sempre opiniões viscerais de alguns. Jornalistas e organizações de apoio a vítimas foram insultadas, atacadas e criticadas, incluindo por um polémico relatório feito pelo ex-responsável da Comissão de Justiça e Paz, entretanto afastado do cargo, que motivou um pedido de desculpa da Arquidiocese de Díli. Eventualmente, o autor deste relatório poderá ter incorrido numa violação do segredo de justiça do processo, passível de punição criminal no Código Penal timorense. O Vaticano, através do representante máximo em Timor-Leste, e a Igreja Católica em Timor-Leste, já deixaram claro que para a Igreja, RD é culpado. Foi investigado e foi condenado. É hoje um leigo, pelo que continuar a usar as expressões ‘amo’ ou ‘padre’ é errado.
Houve sempre duas trincheiras neste debate. De um lado os dificilmente convencidos da culpabilidade de RD e que o continuam a defender publicamente, dando-o como inocente e do outro os que se colocam do lado das vítimas e já dão RD como culpado. É normal em questões tão fraturantes como estas. E porventura, dificilmente qualquer argumento, mesmo depois de uma sentença do Tribunal – vá ela em que direção for – levará qualquer dos dois campos deste debate a mudar de opinião. Isso nota-se, aliás, pelo facto de a decisão do Vaticano de considerar RD culpado – tendo em conta até a sua confissão, levando à sua expulsão do sacerdócio – continuar a ser ignorada por muitos dos que apoiam RD.
Tratar temas como este nos media é sempre um processo complexo e que exige o máximo rigor, ética e deontologia. Há menores envolvidos, uma figura que é respeitada por um setor da sociedade e a presença pública de um líder histórico. Além disso, dada a natureza dos crimes, é essencial garantir que os direitos do arguido são cumpridos, mas ao mesmo tempo que as vítimas são protegidas, apoiadas e que podem depor sem qualquer pressão ou intimidação, seja ela direta ou velada, feita no tribunal ou através dos media.
Os media
Importa relembrar que este caso surgiu nos media antes de entrar no processo de justiça formal e quando já estava a decorrer a investigação pelo Vaticano. O Tempo Timor foi o primeiro jornal a noticiar o caso, seguindo-se depois a Lusa. Publicações como o Néon Metin juntaram-se mais tarde e tem havido alguns artigos esporádicos em jornais como o Timor Post. Porém, em grande medida, o assunto tem sido praticamente ignorado por vários OCS timorenses, incluindo – e não se percebe bem porquê – a agência nacional que noticiou a visita de Xanana Gusmão, de uma forma já fortemente condenada pelo Conselho de Imprensa, mas não escreveu nada sobre o julgamento. Nem sequer publicou os comentários ou críticas do CI, órgão do Estado, à sua cobertura.
Naturalmente, num caso como este em que a opinião pública está dividida e entrincheirada, a cobertura jornalística tem que ser particularmente cuidada, procurando focar-se o mais possível nos factos e evitando ao máximo a manipulação que as partes podem tentar fazer. As palavras, expressões, informações e demais usadas devem ser particularmente ponderadas e cuidadas.
Um dos debates que tem surgido é sobre se há ou não notícias a mais sobre o caso e sobre o impacto que isso pode ter no processo, nas vítimas ou até no arguido. A cobertura noticiosa, qualquer ela, afeta necessariamente a opinião. Mas isso não depende exclusivamente do jornalista ou sequer da notícia. Muitos estão já pré-condicionados e olham para as notícias com os seus próprios filtros de condenação ou aplauso. Há que exigir responsabilidade aos media mas os jornalistas não podem ser constantemente responsabilizados, um pouco na base do ‘shoot the messenger’ simplesmente porque não gostam das notícias ou do seu conteúdo.
A ideia de que os jornalistas podem condicionar o processo é sempre debatível, mas para isso teríamos que questionar a imparcialidade do sistema de justiça e considerar que os juízes, neste caso um coletivo, vão ser condicionados pelas notícias e não pela substância do processo. Pensar que jornalistas ou notícias condicionam tribunais é passar um atestado de incompetência ao sistema judicial, um pilar essencial do Estado. E muito menos se pode achar que mesmo que esse condicionalismo possa existir que isso deve levar os jornalistas a deixar de reportar o caso, o seu contexto ou demais. O jornalista é responsável pelo que escreve, como escreve e em que se baseia para o escrever. Não pode ser responsabilizado por eventuais condicionalismos a que juízes se sintam obrigados por causa das suas notícias.
Sobre o impacto no arguido ou nas vítimas, o mesmo argumento. O arguido tem direito à presunção de inocência, no que toca ao processo judicial em curso, mas também se deve recordar sempre que já foi condenado por um tribunal da Igreja. Isso é dar a informação de forma equilibrada. E quanto à ideia de que as notícias causam dano às vítimas, parece ser um argumento perigoso, uma quase tentativa de silenciar um assunto que é particularmente prevalente no país. Não são as notícias que fazem dano às vítimas. As vítimas sofrem não porque se fala do abuso que sofreram, mas porque esse abuso aconteceu, porque algumas pessoas adultas não as protegeram como deviam e permitiram que esse abuso, que conheciam continuasse e porque a sociedade em si e o Estado em particular continua a ser lento, moroso e nem sempre eficaz na sua proteção e em fazer justiça. É mais que evidente que abuso de crianças e violência contra mulheres é demasiado comum em Timor-Leste. É um assunto de que toda a sociedade fala em quase segredo e que toda a sociedade reconhece. Mas sobre o qual se continua a falar pouco abertamente. Pelo menos até agora.
Além disso, na maioria dos outros países, um caso como este teria tido uma cobertura muito mais intensa e exaustiva, com declarações de alegadas vitimas, filmagens regulares no orfanato, tentativa de entrevista a outros adultos empregues o Topu Honis sobre se sabiam ou não dos alegados abusos, etc, etc, etc. É comum em muitos países, haver violações de segredo de justiça e uma cobertura muito mais sensacionalista de casos como este. Em Timor-Leste isso não tem ocorrido.
Outro debate importante em torno a este caso reside no facto do arguido ter sido visitado, já depois do caso ser conhecido – e mais recentemente durante os primeiros passos do julgamento em si – por dois líderes históricos do país. Taur Matan Ruak justificou a visita explicando depois que se tratou de um caso de ‘respeito’ e não de condicionar o processo. Ainda que tenha pedido à SVC para deixar RD regressar a Oecusse, onde os alegados crimes foram cometidos.
No outro caso, o de Xanana Gusmão, não há até agora qualquer declarção pública sobre a motivação do seu apoio a RD, apesar de a Lusa – e eventualmente outros jornalistas – pedirem comentários sobre isso. A visita de XG feita a casa de RD foi transformada num ato público, com convite a alguns jornalistas para filmarem e a distribuição de um comunicado de imprensa. Isso transformou a visita num ato não privado, mas sim num ato público e eventualmente político – dada a importância política de XG no país. O facto de XG ter acompanhado RD a Oecusse, de ambos terem ficado alojados no mesmo hotel, viajado em alguns casos na mesma coluna de veículos e de esses momentos serem acompanhados e noticiados por jornalistas que estiveram ‘integrados’ na comitiva, tornam essas ações igualmente públicas.
Outro debate importante tem a ver com o dever de não publicidade do julgamento inerente ao facto do coletivo de juízes ter determinado que o julgamento tinha que decorrer à porta fechada. Penso que importa aqui distinguir duas questões, o que ocorre dentro do tribunal, no âmbito do julgamento, e o que ocorre fora do Tribunal e que não se refere a detalhes do que ocorreu dentro. Na prática trata-se de distinguir entre quem é o dono da informação em cada caso.
Importa consultar os dois artigos relevantes do Código Penal, 74 e 76, sobre segredo de justiça e limitação de publicidade, que impedem divulgar dados do processo em si e divulgar dados do julgamento em si. Nenhum destes artigos prevê a proibição total a que qualquer dos intervenientes do processo falem do caso, desde que o que digam não se refira a nada que tenha ocorrido no tribunal. É uma questão talvez complicada de explicar e debater, mas uma nuance importante
Exemplo: uma declaração feita no tribunal por qualquer das partes, pelo arguido ou por alegadas vítimas ou testemunhas é ‘do tribunal’, ou seja, é informação que pertence ao julgamento em si e, como tal, sujeita à limitação de publicidade e segredo de justiça previstos no Código do Processo Criminal.
Mas o arguido pode, mesmo no decurso do julgamento, fazer uma declaração aos jornalistas a dizer que fez ou não fez os atos de que é acusado. E as vítimas, ao mesmo tempo, também são donas da informação sobre os seus abusos. Do tribunal é apenas o que está registado em ata. Do arguidos e vítimas é a informação sobre o que aconteceu.
Exemplo: o arguido pode vir dizer, ‘eu sou inocente’ ou ‘eu sou culpado’, mas não pode dizer o que disse no tribunal ou que a defesa ou o MP lhe perguntaram isto ou aquilo. As vítimas podem dizer ‘eu fui alvo de abuso’, mas não podem dar detalhes do testemunho que fizeram na sala de audiência. Também os advogados podem fazer comentários sobre o caso, mas sem referirem nada processual ou de substância que tenha sido discutido ou deliberado ou apresentado no tribunal.
Ainda mais claro é o que ocorre com declarações que qualquer das partes tenha feito antes do julgamento começar. Essas declarações existem, não foram alvo de qualquer providência cautelar ou limitação do tribunal e, por isso, podem continuar a ser publicadas, partilhadas ou noticiadas. Considerar que não podem ser agora novamente divulgadas, depois do julgamento começar, não tem qualquer fundamentação já que, no momento em que foram proferidas, o dono da informação era apenas – e continua a ser – a pessoa em causa.
Se calhar há mais para dizer. E, naturalmente, haverá coisas com que não concordam. Digam de vossa justiça.
Abaixo estão os dos artigos do Código Penal que referi
Artigo 74.º
Segredo de justiça
1. Todos os participantes processuais e quaisquer pessoas que, por qualquer título, tomarem contacto com o processo e conhecimento, total ou parcial, do seu conteúdo, ficam impedidos de o divulgar.
2. É proibido a qualquer pessoa assistir à prática de ato processual a que não tenha o direito ou o dever de assistir, ou, por qualquer outra forma, tomar conhecimento do conteúdo do ato processual.
Artigo 76.º
Limitação da publicidade
1. Excecionalmente, o tribunal pode restringir, parcial ou totalmente, a publicidade do ato processual público, desde que as circunstâncias concretas do caso o aconselhem, como forma de preservar outros valores, nomeadamente a moral pública e a dignidade humana.
2. A exclusão da publicidade nunca abrange a leitura da sentença ou do acórdão.
3. Não implica restrição da publicidade a decisão do tribunal de impedir a assistência de algumas pessoas a todo ou a parte do ato processual, nomeadamente, como forma de sancionar comportamentos incorretos ou de garantir a segurança do local em que se realiza o ato e das pessoas que nele participam.
4. O tribunal também pode proibir a presença de menores de 18 anos de idade sem que isso represente restrição da publicidade.
5. Em caso de processo por crime sexual que tenha por ofendido um menor de 18 anos, os atos processuais decorrem em regra com exclusão da publicidade.
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  • Antonio Sampaio

    , estava a ler o teu texto e a lembrar-me do que foi o circo mediático em torno do processo Casa Pia, por exemplo. É complexo, sim, mas também pode ajudar a crescer, ajudar a separar o que é jornalismo do que não é.

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TIMOR FÁBRICA DA HEINEKEN EM RISCO DE FECHAR

ENTREVISTA: Heineken em Timor-Leste em risco de fechar após anos de perdas – diretor
*** António Sampaio, da agência Lusa ***
Díli, 25 fev 2021 (Lusa) – Dois anos consecutivos de perdas, apesar de ajustes na produção e custos, deixaram em risco a unidade da Heineken em Timor-Leste, que poderá encerrar se as condições económicas do país não melhorarem, disse o responsável.
“Não, não temos tido retorno. Temos estado a perder dinheiro de forma consistente desde a abertura. Tivemos perdas grandes em 2019, e mais reduzidas em 2020, devido ao ajustamento que fizemos”, disse em entrevista à Lusa, Prasantha Manjuka, diretor da Heineken, empresa holandesa e segunda maior produtora de cerveja do mundo, sem precisar números.
“Sim, há um risco de fecho. Se as coisas não melhorarem, há a possibilidade de que a unidade feche”, considerou.
No intuito de responder à pressão económica do mercado, a empresa levou a cabo uma ampla reestruturação, procurando criar um modelo “mais sustentável de negócio, a trabalhar com menor volume”.
Transferir conhecimento de trabalhadores internacionais para locais, alterar processos, reduzir volume e deixar, por exemplo, de importar garrafas – que não são produzidas localmente – para se concentrar apenas em latas.
Em 2020, apesar de a fábrica estar fechada quase três meses, a empresa conseguiu manter e pagar aos trabalhadores, mas este ano foi reduziu funcionários.
Depois de nos anos anterior ter dispensado metade da força internacional, Manjuka explica que foi feito um acordo mútuo com 14 trabalhadores timorenses, a quem foi paga “uma compensação acima da definida na lei” para o despedimento. Mais seis estão a trabalhar com horários reduzidos.
“E se a situação continuar, teremos que tomar mais decisões difíceis”, admitiu.
De cerca de 125 funcionários permanentes, a Heineken tem hoje “menos de 100”, medidas consistentes com a situação local, mas também com a situação global do grupo.
Com mais de 250 marcas à venda em 170 países e com mais 165 cervejarias a funcionar em 70 países o grupo diz ser a “cervejeira mais internacional do mundo”. Mas a covid-19 teve um impacto significativo e o grupo registou no ano passado o primeiro ano de perdas desde o seu nascimento, em meados do século passado.
“A Heineken está em grandes mudanças a nível global e está a ajustar-se e isso coloca mais pressão sobre unidades como esta que estão a perder dinheiro. A economia mundial não vai mudar já. A empresa não continuará a manter um projeto que perde”, disse.
A Heineken é apenas mais uma das empresas afetada pela crise económica que em Timor-Leste se arrasta desde 2017 e que a pandemia da covid-19 só veio agravar, com centenas de empresas a pararem atividade ou a fecharem portas.
Prasantha Manjuka explicou que a empresa viveu a contração no mercado, que “deixou de ter a dimensão necessária” em termos de volume: se em 2016 a unidade produzia cerca de sete milhões de litros, a produção caiu agora para menos de quatro milhões.
“A fábrica foi criada para um certo volume, mas a economia, desde 2017 até agora, tem estado em queda. O consumo depende de as pessoas terem dinheiro. Sabemos que os timorenses consomem, mas o mercado de 2016 desceu 45%”, disse, estimando que o volume caiu de 8,5 milhões de litros de cerveja por ano, em 2015, para cerca de quatro milhões em 2020.
Além das marcas já estabelecidas – Bintang, Tiger e ABC – a Heineken tentou lançar dois produtos locais, o sumo Amigo e a cerveja Liurai, feita com cassava e que, no início chegou a implicar a compra a produtores locais de 600 mil quilos de pó de cassava. Agora é quase residual.
“No caso do Amigo, o produto era bom, mas não conseguimos competir com produtos equivalentes importados, muito baratos, da Indonésia, onde a produção é em escala e mais rentável. Tornou-se inviável e tivemos de parar”, explicou.
“A Liurai foi bem acolhida, mas tivemos que reduzir”, disse, salientando que, neste caso, a queda de procura deveu-se tanto à economia em geral, como à importação nos últimos anos de produtos vendidos como cerveja, mas com elevado grau alcoólico, que chega aos 20%, mas que continua a ser taxada da mesma forma que cerveja com teor mais reduzido.
“A Heineken manteve a Liurai nos 7,8% de teor alcoólico, mas depois estava a competir com produtos importados vendidos como cerveja, mas com um teor alcoólico quatro vezes maior”, disse.
“Consegue-se vender ‘cerveja’ com 20% de álcool em Timor-Leste, por 2.25 dólares porque a taxa é um nível fixo e não muda para as cervejas, independentemente do seu conteúdo alcoólico”, explicou.
“As pessoas olham para o valor e conseguem comprar algo com quatro vezes mais álcool por apenas 25 cêntimos mais”, sublinhou.
O Governo está a levar a cabo ajustes nesta questão tributária, aplicando diferentes níveis de impostos de acordo com o teor alcoólico dos produtos e isso tem que ser reforçado.
“Tem que haver diferentes níveis de impostos para as cervejas, de acordo com o teor que tem. Algo com 20% não pode ser considerada cerveja, especialmente porque em alguns dos casos nem está clara quem é a empresa que produz este tipo de bebidas”, afirmou.
Em 2015, quando o projeto – um investimento de quase 40 milhões de dólares (32,8 milhões de euros) – estava a arrancar, os responsáveis da Heineken mostravam-se otimistas sobre Timor-Leste.
A unidade fabril, inaugurada em janeiro de 2018, foi o primeiro grande investimento internacional timorense e o primeiro e até agora único projeto de grande dimensão no setor industrial no país.
“Na altura havia a previsão de novos projetos, falava-se do Greater Sunrise, da expetativa de crescimento do turismo. Era um ambiente promissor e as previsões da altura tornavam este investimento atrativo”, considerou.
“Olhamos não só para a população do país, mas para as perspetivas de crescimento em áreas como o turismo. Não foi errado, nesse contexto, investir nesta unidade”, disse, explicando que o objetivo foi sempre o mercado nacional”.
Hoje, a realidade é outra, e o futuro da primeira grande unidade fabril de Timor-Leste é incerto.
“O Governo tem dado alguns apoios à empresa, em termos de soluções temporárias. Mas não são suficientes para suster um negócio a longo prazo. É preciso fazer mais a nível macroeconómico, para que o dinheiro flua na economia”, disse.
ASP // JMC
Lusa/Fim
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  • Alarmante ver uma empresa como Heineken um dos grandes investimentos extrangeiros offshore em Timor-Leste esta em vias de falencia e nao ajude Timor-Leste em atrair investimento extrangeiro no país.
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JULGASMENTO PADRE PEDÓFILO EM tIMOR

Julgamento ex-padre acusado de abuso de crianças começa em Timor-Leste
*** António Sampaio, da agência Lusa ***
Pante Macassar, Timor-Leste, 23 fev 2021 (Lusa) – O julgamento de um ex-padre acusado de abuso sexual de crianças, pornografia infantil e violência doméstica, começou hoje à porta fechada no Tribunal Distrital do enclave timorense de Oecusse-Ambeno.…

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  • Porquê razão Xanana Gusmão é permitido ficar na sala ?
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    • Ninguém ficou na sala. Tivemos todos que sair quando começou a audiência. E isso está explicado na noticia
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      • 8 h
    • Rosa Horta Carrascalao

      witnesses cannot be inside when evidence is being given by other people

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    • Antonio Sampaio

      boa resposta.

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    • Antonio Sampaio

      obrigada

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    • Martin Mesquita Watugari Hardie

      is X a witness?

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    • Rosa Horta Carrascalao

      What’s more a person acting in their private capacity can legally and legitimately give evidence about the character or work of another person, no matter what that second person is accused of.

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    • Rosa Horta Carrascalao

      yes. See my second reply to you.

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      • 7 h
    • Rosa Horta Carrascalao

      O facto do julgamento ser à porta fechada implica que não sabemos detalhes como que testemunhas vão ser chamadas pela acusação e defesa e para depor sobre que aspetos do processo. Não sabemos igualmente detalhes sobre número de vítimas e os crimes concretos, em cada caso, que são apontados ao arguido.

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      • 6 h
    • Antonio Sampaio

      obrigada

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  • Obrigada, por nos ir mantendo a par deste caso, que me toca perto, naturalmente; conheci esse orfanato e esse senhor, no início de 2001. Seja feita justiça, e que os adultos que sabiam e nada fizeram, sejam também admoestados, criticados, quem sabe sof…

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  • Que seja feita a devida justiça. E, todas as pessoas que tinham conhecimento desta crueldade sem perdão, sejam também punidas.
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  • Nanda Alves

    normalmente nao. Porque é um julgamento feixado so publico

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  • Os jornalistas não podem ficar dentro da sala?
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Ex-padre acusado de abusos em Timor-Leste procurado por fraude bancária nos EUA – Mundo – Correio da Manhã

Richard Daschbach é procurado pelas autoridades após pedido à Interpol para detenção por suspeitas de fraude.

Source: Ex-padre acusado de abusos em Timor-Leste procurado por fraude bancária nos EUA – Mundo – Correio da Manhã

o monstruoso padre abusador do Oe-Cusse

Vítimas de ex-padre que será julgado em Timor-Leste tinham calendário para abusos
*** António Sampaio, da agência Lusa ***
Pante Macassar, Timor-Leste, 21 fev 2021 (Lusa) – As vítimas do ex-padre norte-americano que segunda-feira começa a ser julgado em Timor-Leste por abuso sexual de crianças no orfanato que liderava, no enclave de Oecusse sabiam, de antemão, quem tinha de estar, cada noite, com o homem.
“Havia uma lista com os nomes das meninas na porta dele, por isso sabíamos que era a nossa vez. Todas as meninas tinham de ir lá. Não havia exceções”, conta uma das vítimas, num dos poucos depoimentos sobre o caso conhecidos até hoje, divulgado pela organização Fokupers.
Richard Daschbach, hoje com 84, viveu décadas em Oecusse, liderando o orfanato de Topu Honis por onde passaram centenas de crianças e que contava até com o apoio de doadores internacionais.
Na segunda-feira começa a ser julgado por abuso sexual de crianças, pornografia infantil e violência doméstica.
Por trás da face humanitária e de solidariedade, que elevaram Daschbach ao estatuto de quase figura mítica na região e entre alguns dos seus apoiantes, havia abusos sexuais regulares a menores, a que só escapavam os meninos.
“Eu não sabia nada. E não perguntei nada. Fui com as outras. Naquela vez estávamos três meninas no quarto. E foi quando as coisas más aconteceram. E fiquei surpreendida que as meninas ficavam caladas. O pai nem precisava de nos ameaçar. Ficávamos caladas. Ninguém falava de nada”, contou a jovem no depoimento divulgado pela organização.
A jovem explica que o então padre – a quem chama ‘pai’ – nunca dizia por palavras o que queria, mas sim por gestos, incluindo masturbação, sexo oral e toques, agarrando as meninas para mostrar o que queria que fizessem.
“E tínhamos de fazer várias vezes. Pegava nas nossas mãos e punha-as no corpo e queria que o agarrássemos” nas suas partes privadas, disse a jovem.
“Enquanto criança eu pensava que as partes privadas do pai não deviam estar na minha boca”, disse a vítima, que não é identificada “para sua proteção”.
Outra vítima, cujo depoimento foi divulgado pela publicação online timorense Neon Metin, confirma a natureza regular dos abusos e garante que as mulheres e homens do orfanato sabiam e que nenhuma menina escapava.
As crianças descrevem que, no geral, eram bem cuidadas, especialmente quando contrastando com as situações que viviam na comunidade, e que no início havia paz e tranquilidade. Exceto ao final das tardes.
“Sentávamo-nos todos juntos para rezar, raparigas e rapazes. E alguém ficava ao colo dele. Depois de rezar alguns iam-se embora e a que se sentava no colo era a que ia passar a noite com ele no quarto e na cama. Na noite seguinte, haveria outra rapariga”, conta.
“As pessoas que trabalhavam no orfanato sabiam de tudo. Havia uma lista com os nossos nomes. Esta noite sou eu. Amanhã à noite era outra rapariga. Ou às vezes via-nos sentadas juntas e entrava e escolhia quem queria naquela noite. Ele próprio, o próprio padre, dizia ‘esta noite dormes comigo’”, contou a vítima.
Apesar da Topu Honis ser um orfanato, havia muitas crianças com pai e mãe ali acolhidas, uma forma de procurar melhores condições para as meninas que, em casa, não tinha comida ou as condições mínimas.
“Os nossos pais não podiam pagar nada. E ele cuidou de nós. Então, quando estava a abusar de nós sexualmente, ficávamos caladas! Todas nós, raparigas, passámos por isso. Dormi com ele como mulher e marido”, conta, descrevendo depois toques sexuais, sexo oral e penetração.
Às vezes, a situação repetia-se à tarde, ou quando algumas das crianças tomavam banho e, caso alguém não quisesse, eram “as senhoras do orfanato” que mandavam as crianças para o quarto.
“As senhoras ficavam chateadas e diziam que tínhamos de dormir com ele porque durante as orações ele escolhia quem vai dormir com ele. Não gosto desta coisa má na minha vida”.
Quando o caso começou a ser conhecido publicamente, os rapazes do orfanato diziam que também sabiam do abuso que acontecia às meninas e chegaram a ameaçar bater a quem falasse.
“Ameaçaram bater-nos. É por isso que algumas das raparigas não falam porque têm medo de ser espancadas por homens”, conta.
“Sinto amargura e vergonha. Falo agora, publicamente, como um exemplo para as minhas irmãs mais novas. Se acontecer, não se escondam. Espero que nos ajudem a todas a ter justiça”, disse.
Fontes conhecedoras do processo recordam que fazer avançar o caso foi mais fácil no Vaticano, que reagiu relativamente depressa e acabou por expulsar o padre do sacerdócio, do que no sistema de justiça timorense.
Um compasso de espera que permitiu a Dashbach, já depois de ser condenado pela Santa Sé, continuar a viver livremente na mesma comunidade onde os abusos foram cometidos, a região de Kutete, a cerca de 25 quilómetros da capital do enclave, mas a “duas horas de tempo” de viagem, como se descrevem as distâncias na região.
Agora, depois de ser detido e de estar em prisão domiciliar, regressou a Oecusse para ser julgado.
Dada a natureza do caso, o julgamento decorre à porta fechada, com o coletivo de três juízes a ouvir primeiro a leitura da acusação, pelo Ministério Público, antes de dar oportunidade a Daschbach para que faça uma declaração.
A declaração, de culpa ou de inocência, ou o eventual silêncio, determinarão depois o andamento do processo.
ASP // FPA
Lusa/Fim
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