o big brother já somos nós

No que transformámos o nosso mundo?

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Carlos Romero

O BIG BROTHER SOMOS NÓS
A propósito de uma app gratuita

O pequeno video promocional da “app” mostra um homem e uma mulher a entrarem para um apartamento ou um quarto. A mulher roda a maçaneta e entra decidida, enquanto o homem, antes de a seguir, olha em volta com ar comprometido e avalia se alguém testemunha o caso. De seguida, há números de telemóveis que se teclam e, finalmente, o resultado: as caras do fulano e da sicrana aparecem no écran, com a respectiva localização. Apanhados em flagrante, com rigorosa precisão de tempo e espaço.

A aplicação chama-se “Location Finder” e descarrega-se gratuitamente na Applestore. Aquela cena de o homem ou a mulher contratarem um detective privado ou perderem horas a perseguir o cônjuge ou o namorado, quando se instala a desconfiança na relação amorosa ou conjugal, perde toda a razão de ser. Os “smartphones” fazem isso por nós, com toda a limpeza e gratuitamente. É claro que a necessidade aguça o engenho: a localização por GPS pode ser desactivada, ninguém está impedido de ter três ou quatro telemóveis, um deles para uso exclusivo nas curvas com os/as amantes, mas não há dúvida de que o mundo imaginado por George Orwell, controlado pelo “big brother” que tudo vê e denuncia “para o bem de todos”, está aí, ao alcance de toda a gente e a preço módico. E nós, parvos, abraçamos o grande olho que vasculha, denuncia e castiga, e vamos construindo com as nossas próprias mãos o inferno na terra.

Vamos sequestrar os velhos por quanto tempo?

«A reação pública, ou a falta dela, às mortes no lar de idosos de Reguengos de Monsaraz aumenta a minha convicção. Nesse lar houve um surto de covid, vários foram os infetados, não apenas entre os idosos, e acabaram por morrer 18 pessoas. No entanto, ficámos a saber, a maioria das mortes não resulta dessa doença, mas sim da falta de cuidados médicos. Os velhos morreram desidratados e, quando finalmente receberam assistência médica, tinham as suas doenças crónicas agravadas. Morreram porque foram abandonados à sua sorte. O que se seguiu? Gritos histéricos nas redes sociais? Não. Gritos histéricos dos partidos da oposição? Não. Palavras de conforto de Marcelo Rebelo de Sousa? Não. Mensagem grave, em direto para o telejornal das 20h, da Ministra da Saúde, da diretora-geral da Saúde ou da ministra do Trabalho e da Segurança Social? Não. Admito que me possa ter falhado alguma notícia, mas de facto não assisti a nenhuma comoção nacional. Nem pouco mais ou menos.»

Esta ausência de choque com a morte de velhos abandonados à sua sorte mostra que não eram eles a nossa preocupação quando tirámos as crianças e jovens das escolas e nos enfiámos em casa. Mostra também que tão perigoso como a covid (ou, na verdade, mais) é o nosso medo
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a festa do avante

A Festa do Avante é inegávelmente um evento cultural e político de primeira grandeza, dificilmente reproduzido por qualquer outra força política em Portugal.

Foram anunciadas medidas cautelares que irão vigorar este ano no recinto da Quinta da Atalaia, para prevenção do contágio epidémico.

Designadamente a inexistência de espaços fechados, a instalação de auditórios abertos, com corredores e circuitos definidos e casas de banho desinfetadas, as esplanadas a serem alargadas para permitir o espaçamento entre as mesas e os clientes, contando com equipas de higienização em permanência, os restaurantes a funcionarem em regime de take-away, o uso de máscara a ser obrigatório em pontos de atendimento e existindo locais para desinfeção das mãos em todo o recinto, as entradas no recinto da Festa a serem feitas através de pórticos alargados e com as portas a abrirem mais cedo para se evitarem aglomerações de pessoas, o recinto na Quinta da Atalaia a ter mais dez mil metros quadrados relativamente aos anos anteriores, ficando com uma área total de trinta hectares, etc., etc..

Mas a verdade é que a licença requerida pelo PCP para a Festa do Avante é para cem mil pessoas, não para duas ou três dezenas de milhar.

E todos nós sabemos – pelo menos aqueles que lá foram pelo menos uma vez -, que é muito difícil assegurar o distanciamento social entre um tão grande número de pessoas, e mesmo garantir o uso da máscara num evento com estas características.

Espectáculos de música, com a participação entusiasmada de milhares de pessoas, cantando e dançando, sempre muito animados e bastas vezes acelerados, espectáculos de teatro de rua no recinto, performances circense ou de idêntica natureza um pouco por todo o lado, em que é muito difícil evitar o contacto físico, porque as pessoas estão na Festa para conviver e para tirar prazer da confraternização.

E também para compartilhar da camaradagem, encontrando amigos, conhecidos ou companheiros, de vida ou de Partido, cujo ritual muito português impõe sejam bebidos uns copos em conjunto, acompanhados de uns petiscos saídos quentinhos do carvão, do fogão ou do forno.

E por mais que os serviços de segurança do Partido Comunista, ou por este contratados a terceiros, estejam atentos a todos estes fenómenos – perfeitamente normais em período anterior à pandemia, mas agora limitados ou proibidos -, a verdade é que só podemos antever muita confusão e discussão, mesmo o descontrole absoluto relativamente a largas faixas de visitantes, sejam jovens ou menos jovens, que estarão se borrifando para as regras de segurança sanitária e só vão querer beber mais um copo, se possível com alguma excitação à mistura.

Lembro-me bem ainda hoje dos espectáculos do Chico Buarque e do Zeca Afonso em 1980, do Paulinho da Viola alguns anos depois, e de tantos outros cantores e bandas a que assisti nos três anos em que fui visitante e espectador, e, no meio daquelas noites fenomenais, também me lembro bem do espavento das cenas de bebedeiras monumentais, e até de pancadaria, que pupulavam um pouco por todo o recinto da Festa.

É normal que tal aconteça, quando dezenas de milhares de pessoas, de todo o género e feitio, e tantos e tantos não militantes ou simpatizantes disciplinados, se encontram em festas desta natureza.

Mas a verdade é que a Festa do Avante é também um negócio lucrativo.

Segundo as contas oficialmente apresentadas pelo Partido Comunista Português relativamente ao ano de 2019, o Partido terá angariado cerca de dois milhões de euros com a realização da Festa do Avante.

Será essa a principal razão para o PCP cismar em realizar a festa este ano?

Desbaratando definitivamente todo o eventual crédito de responsabilidade que possa ter granjeado nesta matéria do combate ao Covid-19?

E correndo mesmo o risco de ser acusado, conjuntamente com os seus principais dirigentes, de autores materiais do crime de propagação de doença contagiosa, caso as coisas não venham a correr bem, como se receia?

(Luis Almeida Pinto)

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O futuro do sexo já chegou, e é virtual

Uma história em quadrinhos sobre a busca do prazer num cenário antecipado pela pandemia

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Uma história em quadrinhos sobre a busca do prazer num cenário antecipado pela pandemia

O CIRURGIÃO QUE MORREU ANÓNIMO COM PENSÃO DE JARDINEIRO

dar a conhecer gente com valor é o que devia fazer os jornalista em vez de falar sempre na mesma coisa , mas tem noticias que não interessa 😔

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Mateus Freitas

Hamilton Naki, um sul-africano negro de 78 anos, morreu no final de maio. A notícia não rendeu manchetes, mas a história dele é uma das mais extraordinárias do século 20. “The Economist” contou-a em seu obituário desta semana.
O cirurgião clandestino

Naki era um grande cirurgião. Foi ele quem retirou do corpo da doadora o coração transplantado para o peito de Louis Washkanky em dezembro de 1967, na cidade do Cabo, na África do Sul, na primeira operação de transplante cardíaco humano bem-sucedida.
É um trabalho delicadíssimo. O coração doado tem de ser retirado e preservado com o máximo cuidado. Naki era talvez o segundo homem mais importante na equipe que fez o primeiro transplante cardíaco da história. Mas não podia aparecer porque era negro no país do apartheid.
O cirurgião-chefe do grupo, o branco Christiaan Barnard, tornou-se uma celebridade instantânea. Mas Hamilton Naki não podia nem sair nas fotografias da equipe.
Quando apareceu numa, por descuido, o hospital informou que era um faxineiro.. Naki usava jaleco e máscara, mas jamais estudara medicina ou cirurgia.

Tinha largado a escola aos 14 anos. Era jardineiro na Escola de Medicina da Cidade do Cabo. Mas aprendia depressa e era curioso. Tornou-se o faz-tudo na clínica cirúrgica da escola, onde os médicos brancos treinavam as técnicas de transplante em cães e porcos.

Começou limpando os chiqueiros. Aprendeu cirurgia assistindo experiências com animais. Tornou-se um cirurgião excepcional, a tal ponto que Barnard requisitou-o para sua equipe.
Era uma quebra das leis sul-africanas. Naki, negro, não podia operar pacientes nem tocar no sangue de brancos. Mas o hospital abriu uma exceção para ele.

Virou um cirurgião, mas clandestino. Era o melhor, dava aulas aos estudantes brancos, mas ganhava salário de técnico de laboratório, o máximo que o hospital podia pagar a um negro. Vivia num barraco sem luz elétrica nem água corrente, num gueto da periferia.

Hamilton Naki ensinou cirurgia durante 40 anos e aposentou-se com uma pensão de jardineiro, de 275 dólares por mês. Depois que o apartheid acabou, ganhou uma condecoração e um diploma de médico honoris causa. Nunca reclamou das injustiças que sofreu a vida toda.

isto não é gostar de animais, é doentio

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Eduarda Borba Ánandii to TEMPO DE REFLECTIR…..

ATENÇÃO: O “animalismo doentio”.

O quisto hidatico do pulmão, provocado pelo

“Echinococcus granulosus”.

“Isto” não é gostar de animais.

Beijar na boca um animal de companhia, dormir com ele na cama e comer com ele do mesmo prato, não é “gostar de animais” é apenas uma paranóia, uma obsessão doentia, uma patologia a precisar de terapia…

E mais grave do que o problema de os adultos correrem esses riscos, o drama é permitir que as crianças, algumas delas bebés, sejam sujeitas a esse risco, para os quais os Médicos estão constantemente a alertar…

O quisto hidático pode desenvolver-se no cérebro, no fígado ou nos pulmões, resulta da absorção por via oral, de um parasita que se desenvolve em vários animais, principalmente nos cães…

Esta pandemia obsessiva e doentia, este modismo urbano depressivo, que fomenta o primado da proteção dos animais sobre as pessoas, o “amor” aos animais e o desprezo pelos semelhantes, é apenas isso:

Uma paranóia…

Vivi numa casa onde sempre tivemos cães e gatos.

A minha avó Helena dizia:

“os cães não são para andar ao colo…”

A moda do “animalismo doentio”, fez com que do colo passassem para a mesa, da mesa saltaram para a cama e da cama ascenderam às carícias, ocupando o lugar dos seres humanos.

Não, um “animalista doentio”, não respeita a natureza, não gosta de animais, utiliza-os apenas, para satisfação de bizarros caprichos, compensação de profundas carências e sublimação de inconfessáveis frustrações…

(Varela Matos)

Juan Carlos, ninfas, estoril, vela e outras estórias

JUAN CARLOS EM TOUR I Faz parte da deambulação de um guia avisado discretear sobre tudo e um par de botas. Por exemplo, a relação do Estoril e arredores com os Condes de Barcelona, o menino Juan Carlos, Ian Fleming, James Bond, Humberto Coelho, Cristiano Ronaldo, Oliveira Salazar, Gloria Swanson, Lord Byron, Aleister Crowley, Pessoa, Cristóvão Colombo, Damásio e Prieto ou Judas e um rol de iscariotes apostados em conspurcar as possibilidades de o paraíso ser um lugar de todos. Gosto de recuar ao tempo dos meninos e moços Juan e Francisco (Balsemão) e contar desses tempos de vela e sedução. Todos se pelam por uma boa história de alcofa ou de bandidagem. Tal como por um enredo bem urdido de espionagem e ajuste de contas. Tende-se a fazer dos afortunados um escol de meninos mimados a brincar aos ricos. De infantes a velhos sem tino. Do rei posto castelhano diz-se que ganhou o gosto pela vela e o gineceu nas águas do Atlântico, ao virar da esquina do Guincho. Poderá ter perdido a virgindade ao largo da praia da Ursa e aprendido as artes da sedução num molhe da Roca entre um par de ninfas. Viajar faz bem à imaginação e o público agradece uma história que meta lençóis, vales e manhas para se sentir acima dos reis e apaziguar a sua mortalidade triste. Tudo isto para dizer que deixem lá o Juan e os seus fardos. Usemos os dardos com outras ganas. Por exemplo, como preservar a riqueza do torrão ou repartir o bodo por forma a não esbarrarmos com a pobreza que é também do espírito.

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  • Alexandrina Fernandes 👏👏👏 Belo texto, Tiago. Somos profícuos a tratar dos lençóis dos outros. Dos nossos, que venha um D. Sebastião, nem que seja espanhol, (mas de tenra idade que este já seduziu quem tinha para seduzir) para nos salvar.
  • Cristina Almeida Um beijinho pelo teu texto. Obrigada Tiago ❤️
  • Manuel Nogueira Tenho uma marcação com ele hoje, um tour, mas não é para matar elefantes, ele quer confessar os pecados no sta Antonio, vai ser um full day.