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AINDA O MUSEU SALAZAR

SOBRE O MUSEU SALAZAR

Se Salazar tivesse deixado de ser primeiro ministro em 1946, após quase vinte anos de Estado Novo, creio que teria uma homenagem em cada vila de Portugal. Porquê? Porque extraiu o país da confusão da 1.ª República

Mas não aconteceu assim. Continuou mais vinte anos até 1966 e começou a errar.

– Não aceitou o investimento do Plano Marshall no pós-guerra
– Não preparou a descolonização das “províncias ultramarinas”, nem lá, nem cá
– Não limitou as despesas militares que absorviam mais de metade do Orçamento do Estado
– Com a lei do condicionamento industrial, cerceou o investimento a determinados grupos económico familiares
– Não providenciou a escolaridade obrigatória para além da 4ª classe nem, investiu na educação e alfabetização
– Deixou crescer a dolorosa emigração a monte e de mala de cartão
– Não promoveu a igualdade de oportunidades e o mérito na administração pública, no sector público, no acesso a serviços públicos e na aplicação de subsídios e outras benesses
– Não promoveu o desenvolvimento socioeconómico equitativo e sustentável, nem em Portugal, nem em África
– Não permitiu que os judeus refugiados de 1940 se instalassem em Portugal e contribuíssem para o nosso desenvolvimento.
– Manteve e mesmo aumentou as medidas de perseguição política e da PIDE

Se fosse conhecido o custo-beneficio e o impacto desastroso das politicas salazaristas do pós guerra não haveria tanto saudosismo de Salazar…

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Mário de Carvalho: «DENEGAÇÃO POR ANÁFORA MERENCÓRIA

Joao Paulo Esperanca added a new photo to the album documentos (História, etc…).
1 min

Para os que têm memória curta.
Um texto de Mário de Carvalho:

«DENEGAÇÃO POR ANÁFORA MERENCÓRIA
Eu nunca fui obrigado a fazer a saudação fascista aos «meus superiores». Eu nunca andei fardado com um uniforme verde e amarelo de S de Salazar à cintura. Eu nunca marchei, em ordem unida, aos sábados, com outros miúdos, no meio de cânticos e brados militares. Eu nunca vi os colegas mais velhos serem levados para a «mílícia», para fazerem manejo de arma com a Mauser. Eu nunca fui arregimentado, dias e dias, para gigantescos festivais de ginástica no Estádio do Jamor. Eu nunca assisti ao histerismo generalizado em torno do «Senhor Presidente do Conselho», nem ao servilismo sabujo para com o «venerando Chefe do Estado». Eu nunca fui sujeito ao culto do «Chefe», «chefe de turma», «chefe de quina», «chefe dos contínuos», «chefe da esquadra», «chefe do Estado». Eu nunca fui obrigado a ouvir discursos sobre «Deus, Pátria e Família». Eu nunca ouvi gritar: «quem manda? Salazar, Salazar, Salazar». Eu nunca tive manuais escolares que ironizassem com «os pretos» e com «as raças inferiores». Eu nunca me apercebi do «dia da Raça». Eu nunca ouvi louvar a acção dos «Viriatos» na Guerra de Espanha. Eu nunca fui obrigado a ler textos escolares que convidassem à resignação, à pobreza e ao conformismo; Eu nunca fui pressionado para me converter ao catolicismo e me «baptizar». Eu nunca fui em grupos levar géneros a pobres, politicamente seleccionados, porque era mesmo assim. Eu nunca assisti á miséria fétida dos hospitais dos indigentes. Eu nunca vi os meus pais inquietados e em susto. Eu nunca tive que esconder livros e papéis em casa de vizinhos ou amigos. Eu nunca assisti à apreensão dos livros do meu pai. Eu nunca soube de uma cadeia escura chamada o Aljube em que os presos eram sepultados vivos em «curros». Eu nunca convivi com alguém que tivesse penado no Tarrafal. Eu nunca soube de gente pobre espancada, vilipendiada e perseguida e nunca vi gente simples do campo a ser humilhada e insultada. Eu nunca vi o meu pai preso e nunca fui impedido de o visitar durante dias a fio enquanto ele estava «no sono». Eu nunca fui interpelado e ameaçado por guardas quando olhava, de fora, para as grades da cadeia. Eu nunca fui capturado no castelo de S. Jorge por um legionário, por estar a falar inglês sem ser «intréprete oficial». Eu nunca fui conduzido à força a uma cave, no mesmo castelo, em que havia fardas verdes e cães pastores alemães. Eu nunca vi homens e mulheres a sofrer na cadeia da vila por não quererem trabalhar de sol a sol. Eu nunca soube de alentejanos presos, às ranchadas, por se encontrarem a cantar na rua. Eu nunca assisti a umas eleições falsificadas, nunca vi uma manifestação espontânea ser reprimida por cavalaria à sabrada; eu nunca senti os tiros a chicotearem pelas paredes de Lisboa, em Alfama, durante o Primeiro de Maio. Eu nunca assisti a um comício interrompido, um colóquio desconvocado, uma sessão de cinema proibida. Eu nunca presenciei a invasão dum cineclube de jovens com roubo de ficheiros, gente ameaçada, cartazes arrancados. Eu nunca soube do assalto à Sociedade Portuguesa de Escritores, da prisão dos seus dirigentes. Eu nunca soube da lei do silêncio e da damnatio memoriae que impendia sobre os mais prestigiados intelectuais do meu país. Eu nunca fui confrontado quotidianamente com propaganda do estado corporativo e nunca tive de sofrer as campanhas de mentalização de locutores, escribas e comentadores da Rádio e da Televisão. Eu nunca me dei conta de que houvesse censura à imprensa e livros proibidos. Eu nunca ouvi dizer que tinha havido gente assassinada nas ruas, nos caminhos e nas cadeias. Eu nunca baixei a voz num café, para falar com o companheiro do lado. Eu nunca tive de me preocupar com aquele homem encostado ali à esquina. Eu nunca sofri nenhuma carga policial por reclamar «autonomia» universitária. Eu nunca vi amigos e colegas de cabeça aberta pelas coronhas policiais. Eu nunca fui levado pela polícia, num autocarro, para o Governo Civil de Lisboa por indicação de um reitor celerado. Eu nunca vi o meu pai ser julgado por um tribunal de três juízes carrascos por fazer parte do «organismo das cooperativas», do PCP, com alguns comerciantes da Baixa, contabilistas, vendedores e outros tenebrosos subversivos. Eu nunca fui sistematicamente seguido por brigadas que utilizavam um certo Volkswagen verde. Eu nunca tive o meu telefone vigiado. Eu nunca fui impedido de ler o que me apetecia, falar quando me ocorria, ver os filmes e as peças de teatro que queria. Eu nunca fui proibido de viajar para o estrangeiro. Eu nunca fui expressamente bloqueado em concursos de acesso à função pública. Eu nunca vi a minha vida devassada, nem a minha correspondência apreendida. Eu nunca fui precedido pela informação de que não «oferecia garantias de colaborar na realização dos fins superiores do Estado». Eu nunca fui objecto de comunicações «a bem da nação». Eu nunca fui preso. Eu nunca tive o serviço militar ilegalmente interrompido por uma polícia civil. Eu nunca fui julgado e condenado a dois anos de cadeia por actividades que seriam perfeitamente quotidianas e normais noutro país qualquer; Eu nunca estive onze dias e onze noites, alternados, impedido de dormir, e a ser quotidianamente insultado e ameaçado. Eu nunca tive alucinações, nunca tombei de cansaço. Eu nunca conheci as prisões de Caxias e de Peniche. Eu nunca me dei conta, aí, de alguém que tivesse sido perseguido, espancado e privado do sono. Eu nunca estive destinado à Companhia Disciplinar de Penamacor. Eu nunca tive de fugir clandestinamente do país. Eu nunca vivi num regime de partido único. Eu nunca tive a infelicidade de conhecer o fascismo.
MdC
04-09-2012»

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Autarquia de Santa Comba Dão rejeita museu de homenagem a Salazar

Após serem conseguidas 17000 assinaturas contra o Museu Salazar, finalmente uma boa reação da autarquia. Porque é importante conhecer o passado, para que não se repita. Centro de Interpretação, sim, museu de homenagem a Salazar, não.

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museu salazar

UM MUSEU DE UM HOMEM QUE IMPEDIU UM PAÍS DE SER LIVRE E DE AVANÇAR DURANTE 40 ANOS ??!!

PUBLICO.PT
Nasceu nos anos 90 com um autarca socialista, enfrentou contestação com o social-democrata que lhe sucedeu. Agora que a câmara é novamente PS, a ideia foi retomada, mas não sem nova vaga de protestos.
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não esqueçam Salazar, recordem como era

Aqui parou o baile, desculpem-me os que se chegaram à conversa. O Salazar foi o homem da polícia secreta política, da repressão das opiniões por décadas, do domínio absoluto e controlo da informação, do regime de partido único, da falsificação sistemática de eleições, e da inteligência manhosa. Para um pouco de tudo isto ele contou em Loulé com sequazes que na sua maior parte morreram numa paz que, nos tempos de usufruto pessoal da ditadura, negaram a muitos outros. Com tolerância por vezes incompreendida por radicais conseguiu-se a serenidade na sociedade louletana, mas há memória, há gente com memória. Não será agora que, por dá cá aquela palha, uns distraídos e alguns brincalhões (como é o caso da “instalação de WC”) vão estragar a serenidade a custo conseguida. Sobre essa questão do Duarte Pacheco, é sabido como o desastre que o vitimou foi provocado – óleo derramado na estrada a seguir a curva apertada, segundo testemunho direto. Na verdade, Duarte Pacheco era a aposta britânica e norte-americana para a substituição de Salazar e o fim da ditadura. Foi um entre outros, todos desterrados ou banidos por Salazar, como por exemplo Caeiro da Mata. A lista é conhecida, os factos são sabidos. E se veio a Loulé na inauguração do monumento, foi para chorar lágrimas de crocodilo. A frase reproduzida no monumento é fruto da profunda hipocrisia de quem queria neutralizar Duarte Pacheco. Hoje muito mais se poderia dizer, mas importa deixar claro que aqui não há espaço para admitir brincalhões e troca-tintas. Tenham santa paciência. Vão para outro lado, usem os seus próprios espaços, não há policia política para vos tapar a boca, têm liberdade para cair no disparate sem qualquer incómodo. (Na foto, Salazar com o retrato de Mussolini na secretária, antes da hipocrisia da neutralidade)

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Comments
View 1 more comment
  • Alberto Gameiro Jorge A Sociedade que emergiu/nasceu já pós 25 de Abril, não tem noção da realidade do “ANTES”…e, são muito facilmente manipulados…Quando uns CAMELOS assim como eu, que passámos o antes, o durante, a Guerra Colonial e lá ter batido com o costado…DEIXARMOS de existir, esta MALTA levará com a CANGA EM CIMA…que é um mimo…E depois não CULPEM os OUTROS !….
  • Laurentino Coelho É bom relembrar aos desmomorizados, ainda há por aí muita gente ressabiada, continue. Cumprimentos
  • Francisco Cunha Anda por aí muito primo alemão…ou aparenta andar!…relembrar esta hecatombe da história lusitana…ontem, hoje e sempre!
  • Francisco Duarte Azevedo Grande, justo e directo texto a pôr os pontos nos ii. Abraço 🤗
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