Ensino profissional nos Açores deve ser “cada vez mais” outra via de formação, diz Sofia Ribeiro

A secretária regional da Educação dos Açores, Sofia Ribeiro, declarou hoje que se pretende que o ensino profissional na região seja “cada vez mais” uma outra via de formação.
Ensino profissional nos Açores deve ser "cada vez mais” outra via de formação, diz Sofia Ribeiro
ACORIANOORIENTAL.PT
Ensino profissional nos Açores deve ser “cada vez mais” outra via de formação, diz Sofia Ribeiro

Covid-19. Governo dos Açores não vai alterar calendário escolar

A secretária regional da Educação dos Açores, Sofia Ribeiro, considerou hoje que não há “qualquer indício” sobre a necessidade de alterar a calendário escolar nos Açores, na sequência da crise pandémica da covid-19.

Source: Covid-19. Governo dos Açores não vai alterar calendário escolar

FALTAM PROFESSORES

May be an image of text
Obrigada, Carlos Santos.
Quando julgava não ser mais possível o género humano superar-se na asneira, assim aconteceu…
Aos professores tudo se exige, desde formação especializada a formação contínua, a avaliação humilhante, horários de trabalho selvagens e responsabilidades acrescidas para colmatar as enormes falhas de uma sociedade irresponsável. Mas, depois, propõe-se que, com o maior dos facilitismos, se conceda a qualquer cidadão diplomado o direito a ser professor.
Mas, vindo de quem vem, não seria de esperar outra coisa. Quando se acha que alguém que nada tem a ver com o ensino nem percebe de Educação pode ser Ministro da Educação, não seria de estranhar que o mesmo considerasse natural pôr a dar aulas alguém que nada tivesse a ver com o ensino. Esta é a cereja em cima do bolo na passagem pelo ME de um ministro ausente, porque, veja-se só, o seu tempo não chegava para saciar uma certa e desmesurada afeição por desporto.
Mas, o mais caricato é que a solução está ao alcance do olhar de todos. Se tratasse melhor e condignamente os que cá estão (no ensino) em vez de ir buscar licenciados para tapar os buracos que abriu, a coisa resolvia-se num instante. Haveria menos professores a abandonar a profissão, ou a pedir a reforma antecipada, e haveria mais jovens a quererem ser professores.
Assim, como a incapacidade é muita, apagam o fogo com mais lenha para a fogueira. Num sistema repleto de professores desmotivados e exaustos pela sobrecarga de trabalho – sobretudo burocrático –, envelhecidos pelo enorme afastamento da idade para a reforma, mal pagos, sem nenhumas ajudas de custo e nómadas – fruto da instabilidade profissional –, vão querer acrescentar pessoas que nada têm a ver com a Educação que, na ausência de outro rendimento, virão para as escolas vender aulas ao baixo custo a que são pagas.
No meio de toda esta insensatez, perdem os alunos nas suas aprendizagens.
Mas o que interessa isso a gente que não entra numa sala de aulas há décadas, nada percebe sobre aquilo que se passa nas escolas e sobre a atividade profissional de um professor?
Só é de lamentar que os pais – sobretudo, quem os representa –, contrariamente ao que sucedera noutras ocasiões em que se punham logo na primeira fila para a tirar a primeira pedra os professores, agora estejam tão calados perante tamanha aberração; pessoas que serão tão responsáveis pela degradação do ensino e da educação dos seus filhos, quanto os políticos que cegamente seguem.
O delírio é tanto, achando que qualquer um pode ser professor, que em breve todo o edifício escolar construído por todos ao longo de décadas acabará por ruir na mediocridade em que se transformará a educação em Portugal.
Mas, a rigor, há que perceber que todos estes que fazem currículo (e trampolim) às custas dos títulos de estado que envergam, não lhes interessa o modo como deixam ficar desarrumada a casa da educação depois de por lá passarem.
Se o ministro realmente existisse, teria entendido qual o verdadeiro motivo de estar a agigantar-se o problema há muito anunciado da falta de professores; já teria admitido estar a ser altamente prejudicial à sanidade física e mental a sobrecarga de trabalho e a falta de autoridade e a dignidade retirada aos docentes; teria visto que existem professores que pagam para trabalhar, fruto das deslocações diárias ou das rendas de uma segunda casa nas terras onde são colocados; teria compreendido que a promessa de baixos salários agravados pela perda de quase 30% do poder de compra nos últimos 12 anos, afastaria os candidatos a uma vida penosa e mal paga; já teria percebido que, hoje em dia, só um insano opta por uma carreia que o atirará para longe da sua família durante décadas, com despesas de contexto avultadas, em troca de um salário indigno que, para um professor em início de carreira, já pouco difere do salário mínimo e que, para muitos professores contratados, descontando as despesas, fica abaixo do limiar da pobreza. Mas como a única pobreza dos nossos estadistas é apenas a de espírito e o nível de desconhecimento maior ainda, no meio de tanta incompetência, não tendo ainda conseguido destruir o ensino com a doença que espalharam, vão agora tentar acabar com ele com a cura que anunciam.
Em todo o caso, seria de uma enorme desonestidade intelectual atribuir todas as culpas ao ministro pela sua inoperância ou pela atividade errante, pois os seus antecessores não foram menos brilhantes na tarefa de arruinar a educação.
Só é de lamentar que sejam poucos aqueles que se aperceberam que o inexcedível espírito de sacrifício e de entrega dos professores foi o responsável pela sobrevivência da escola pública e pela melhoria da instrução de uma população, outrora, quase analfabeta. Só é pena terem falhado na formação de alguns…
Alguém, em tempos, dissera ser triste a nação onde um dia seja mais bem pago um advogado do que um professor. E não é preciso ter olho clínico para encontrar nos nossos noticiários o estado calamitoso e imoral a que chegou uma nação recheada de advogados atarefados a salvar bandidos e de professores a passar mal para conseguirem exercer a sua profissão.
Carlos Santos
Luís Botelho and 5 others
1 comment
2 shares
Like

Comment
Share
1 comment
  • Leonor Bettencourt

    Excelente texto. Entretanto, dentro em breve, irei falar do acesso ao ensino ,em certo departamento da nossa Universidade e com o qual fiquei atónita.
    • Like

    • Reply
    • 15 h

novo livro do associado Moisés Lemos Martins

Acabo de publicar o livro Pensar Portugal – A Modernidade de um País Antigo (UMinho Editora).
O livro está organizado em seis partes. Cada parte é constituída por um capítulo teórico e por um conjunto de pequenos ensaios de ciências sociais e humanas, apresentados como crónicas. Os ensaios são sobre Portugal: a sua modernidade, e também muitas das suas indefinições e bloqueios; o quotidiano das suas gentes; a sua língua e religião; as vicissitudes da democracia no decurso do século XX e XXI; o passado e a memória coloniais; o imaginário europeu e o imaginário lusófono; e ainda, a Universidade e a política científica.
O livro tem uma versão eletrónica, em acesso aberto, e uma versão impressa. Aqui está o endereço:
No photo description available.
Carlos Fino, Cristian Góes and 146 others
49 comments
19 shares
Like

Comment
Share
49 comments
View 3 more comments

EX-MINITRO CRATO HÁ PROFESSORES A MAIS…

A CAUSA DAS COISAS
Estavamos em 2012 e uma semana depois de se saber que 40 mil docentes ficaram sem lugar nas escolas, o ministro da Educação, em entrevista ao semanário Sol, defendia – há profissionais a mais e a “redução de professores é inevitável nos próximos anos”, perante a queda de 14% no número de alunos.
dizia Nuno Crato em 2012:
e aqui:
diz Nuno Crato em 2021 aqui:
May be an image of text that says "Setembro de 2012: Crato diz que há professores a mais e que "redução é inevitável" Novembrode 2021: Falta de professores é um "drama anunciado há muito tempo", diz Nuno Crato"
A CAUSA DAS COISAS
Estavamos em 2012 e uma semana depois de se saber que 40 mil docentes ficaram sem lugar nas escolas, o ministro da Educação, em entrevista ao semanário Sol, defendia – há profissionais a mais e a “redução de professores é inevitável nos próximos anos”, perante a queda de 14% no número de alunos.
dizia Nuno Crato em 2012:
e aqui:
diz Nuno Crato em 2021 aqui:
May be an image of text that says "Setembro de 2012: Crato diz que há professores a mais e que "redução é inevitável" Novembrode 2021: Falta de professores é um "drama anunciado há muito tempo", diz Nuno Crato"
Artur Arêde and 1 other
Like

Comment
Share
0 comments
Artur Arêde and 1 other
Like

Comment
Share
0 comments

há anos que se alertou e agora já não há profes

Há falta de professores. A notícia, repetida nas televisões todos os dias, é para ser entendida literal e metaforicamente.
Há falta de professores nas escolas, porque já ninguém quer ser professor. Mas, efetivamente, faltam educadores em todos os campos da sociedade.
Quem está nas escolas já percebeu há muito que o grave problema da educação é transversal a toda a sociedade. Vai muito para além da escola e não se refere somente a um determinado modelo de escola ou método de ensino.
É toda a sociedade que tem de ser reestruturada. A escola, por consequência.
Esta é ainda a única instituição que tenta unir os pontos e procura consertar destroços.
Mas os professores estão cansados.
Quem não sabe porquê é porque não compreende o que se passa à sua volta. E, se calhar, por viver “acima das possibilidades” que a realidade apresenta, é que chegamos aqui.
As televisões disso não falam. É natural, pois são parte do problema. Nem os políticos levantam o tapete da realidade para limpar o que debaixo se esconde. É natural, pois são eles que o varrem. Nem cada um de nós tem tempo para se preocupar para além da sua sobrevivência. É natural, pois o presente é uma luta e, daqui a uns anos, já cá não estaremos.
Guerreie quem sobrar.
You, Pedro Paulo Camara, Urbano Bettencourt and 23 others
11 comments
Like

Comment

11 comments

Mais de 600 alunos Açorianos vão receber Prémio de Mérito no valor de 750 euros | Azores High Rádio

https://www.mixcloud.com/widget/iframe/?hide_cover=1&light=&autoplay=0&hide_artwork=&feed=%2Fsemanarioradio%2Fporque-somos-a%25C3%25A7ores-75%2F

Source: Mais de 600 alunos Açorianos vão receber Prémio de Mérito no valor de 750 euros | Azores High Rádio

Bruxelas dá 2 meses a Portugal para esclarecer contratação de professores em escolas públicas – Jornal Açores 9

De acordo com um comunicado de imprensa da Comissão Europeia, a legislação portuguesa prevê condições de emprego menos favoráveis para os professores contratados a termo que trabalham nas escolas públicas portuguesas do que para os professores permanentes, nomeadamente em termos de salário e antiguidade. Bruxelas revela ter preocupações com base no princípio da não discriminação, […]

Source: Bruxelas dá 2 meses a Portugal para esclarecer contratação de professores em escolas públicas – Jornal Açores 9