Fim do ano escolar alterado para 7 de Junho

Fim do ano escolar alterado para 7 de Junho
A Secretaria Regional da Educação alterou o calendário escolar para o ano lectivo 2021/2022, para os 9.º 11.º e 12.º anos de escolaridade, cujo termo do ano lectivo passa a ser agora 7 de junho de 2022.
Numa portaria publicada ontem em Jornal Oficial, aquele departamento governamental argumenta que as datas de exames obrigam a esta alteração e, também, “por força de se verificar, a 10 de Junho, o feriado nacional do Dia de Portugal e, a 16 de Junho, o feriado nacional do Dia do Corpo de Deus, não é possível o cabal cumprimento dos prazos legalmente estabelecidos para a elaboração e afixação das pautas de avaliação interna final, assim como o prazo para a respectiva inscrição dos alunos nas provas de equivalência à frequência, provas finais e exames nacionais, dado o calendário escolar para o ano lectivo 2021/2022, aprovado pela Portaria n.o 75/2021, de 23 de Julho de 2021 ter termo a 9 de Junho de 2022”.
(Diário dos Açores de 05/05/2022)
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A DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR

A DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR
1. Os números divulgados, ontem, pela Direcção-Geral de Estatísticas do Ensino Superior e da Ciência não deixam margem para dúvidas quanto ao crescimento do número de alunos inscritos no ensino superior neste ano lectivo: 416.652 alunos, quando em 1974 havia menos de 59 mil alunos inscritos em estabelecimentos de ensino superior. Nos últimos seis anos, o número de alunos nas instituições de ensino superior aumentou 20%, com uma subida mais acentuada no ensino superior politécnico. Ao arrepio desta taxa de crescimento, o número de alunos em cursos de mestrado está particamente ao mesmo nível do ano lectivo de 2015/2016, com um ligeiríssimo crescimento de apenas 1%.
Portugal tem mais alunos no ensino superior, mas menos formação superior complementar ao nível dos mestrados. Os montantes das propinas – com um limite fixado para a licenciatura e sem limite para o ciclo de estudos de mestrado – podem fornecer uma primeira explicação, ainda que não me pareça suficiente para justificar o baixo investimento dos jovens numa formação diferenciadora.
2. O crescimento do número de alunos matriculados no ensino superior revela uma importante na educação, se tivermos em conta que em 1974 apenas 4% da população tinha frequentado o ensino superior, quando em 2020 essa percentagem sobe para 40%, entre a população com idade entre os 25 e os 24 anos, mas ainda com vários países europeus à nossa frente.
A democratização do acesso ao ensino superior, com um aumento da iniciativa privada, a diversificação das ofertas pedagógicas, com destaque para os cursos superiores profissionais, a estabilização do valor das propinas nas licenciaturas e o alargamento da acção social escolar (de modo ainda insuficiente, em especial no que se referes à rede de alojamentos universitários) são factores determinantes para este resultado, o qual não esconde o ainda reduzido financiamento público ou a insuficiente aposta na investigação científica com baixos recursos destinados a esta área nas instituições de ensino superior, destinatárias de uma modesta alocação de verbas no PRR.
3. Os dados sobre a Universidade dos Açores (UAC), revelam que esta instituição tinha, em 2013, 3.426 alunos nos cursos de licenciatura e no ano lectivo de 2021/2022 apenas 2.432 alunos matriculados, numa redução de 29% de inscritos, por contraposição com o crescimento de alunos na Universidade da Madeira, em especial no ensino politécnico. A situação da Universidade merece a atenção da nova Reitora, recém-eleita – a quem desejo felicidades – e do poder político regional, pois a UAC é essencial para o desenvolvimento dos Açores, para a consolidação da autonomia e para a afirmação da identidade açoriana. O Governo Regional tem de estabelecer uma parceria estratégica com a UAC, reivindicar da República a justa compensação dos sobrecustos resultantes da insularidade e da multipolaridade do ensino, no cumprimento das obrigações do Estado e apresentar à Assembleia Legislativa uma proposta de decreto legislativo regional de financiamento complementar para os estabelecimentos de ensino superior situados no território da Região, que permita à UAC consolidar o seu crescimento, inovar na sua oferta formativa, ganhar vantagem competitiva em relação às congéneres e voltar a crescer como instituição do ensino superior.
(Publicado a 4 de Maio de 2022, no Açoriano Oriental)
Ana Monteiro, Joaquim Ponte and 5 others
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Governo dos Açores quer acompanhar alunos que deixem 12.º ano por concluir – Açoriano Oriental

O Governo dos Açores quer acompanhar, no próximo ano letivo, os jovens de 18 anos que deixem os estudos sem concluir o 12.º ano, informando-os sobre alternativas de educação e formação, revelou a secretária regional da Educação.

Source: Governo dos Açores quer acompanhar alunos que deixem 12.º ano por concluir – Açoriano Oriental

uaç nova reitora

ÚLTIMA HORA || Susana Mira Leal é a nova Reitora da Universidade dos Açores
Susana Mira Leal é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, doutorada em Educação e professora associada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UAc.
Integrava a equipa reitoral de João Luís Gaspar – era, até agora, Vice-reitora para a Comunicação, Relações Externas e Internacionalização.
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Suzete Câmara, Artur Neto and 125 others
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educação, pior não fica

Pior não fica
“De uma vez por todas o país tem de compreender que o maior défice que temos não é o das finanças. O maior défice que temos é o défice que acumulámos de ignorância, de desconhecimento, de ausência de educação, de ausência de formação e de ausência de preparação”. Quem disse isto, no Palácio da Bolsa, a 3.12.2017, foi António Costa, primeiro-ministro de um país onde muitas crianças só comem uma refeição por dia, fornecida pela escola, onde estudantes abandonam estudos por falta de meios, onde os sem-abrigo persistem nas ruas das grandes cidades, onde as reformas de muitos velhos não chegam para a alimentação e medicamentos, onde muitos têm de emigrar para sobreviver e alguns se suicidam, por fome e vergonha. O mesmo que acaba de preferir a continuidade degradante das políticas de Educação dos seus governos à transformação necessária.
Perante a realidade educacional visível, em baixa, não entendo as expectativas, em alta, que surgiram na imprensa (confederações de associações de pais, associações de directores e ensino privado) quanto ao que se pode esperar do novo ministro da Educação. Como se o futuro expectável não fosse a continuidade do que fez nos últimos seis anos. Com efeito, João Costa é agora ministro de jure. Mas foi ele, de facto, que governou o ministério nos últimos seis anos. É realista esperar que faça agora o que não fez antes? É realista esperar que altere agora, como seria necessário, a organização pedagógica e curricular que moldou nos últimos seis anos? É realista esperar que neutralize agora, como seria necessário, os lobbies que criou e protegeu nos últimos seis anos?
A análise do discurso de João Costa, assente na retórica provinciana do “aluno do século XXI”, do “trabalho de projecto”, da “flexibilidade pedagógica”, do “trabalho em rede” e dos “nados digitais”, expõe uma mistura de lemas gastos com teorias pedagógicas que foram abandonadas porque falharam, depois de terem lançado a confusão no sistema de ensino.
Quando se junta hoje a melodia das “aprendizagens essenciais” ao estribilho da “flexibilidade pedagógica”, vemos o que a música de João Costa deu: um desconcerto nacional, particularmente para os que já chegam à Escola marcados pela sorte madrasta de terem nascido em meios desfavorecidos. Porque a inovação pedagógica do aprender menos não remove o insucesso. Mascara-o. Porque os experimentalismos assentes no abaixamento da fasquia não puxam pelos que ficam para trás. Afundam-nos. Porque o escrutínio sério das políticas educativas de João Costa, que só um pensamento crítico livre de contaminações ideológicas permite, demonstra-o.
Das celebrações fátuas de João Costa sobressai um excelente diploma sobre educação inclusiva. O que o atrapalha é a realidade: as escolas que temos, os meios que não temos e os alunos que existem com necessidades educativas especiais severas. Ter todos dentro da mesma escola é um excelente princípio, que nenhum civilizado contesta. Mas não o concretizamos fingindo que determinados alunos podem dar respostas que sabemos que nunca poderão dar, pedindo do mesmo passo aos restantes que fiquem parados. É isto que João Costa tem promovido: uma exclusão dupla, mais gravosa ainda para os que nasceram diferentes.
João Costa passou seis anos, laboriosamente, a desregular todo o mecanismo de avaliação do desempenho do sistema de ensino (anulando a comparabilidade dos dados recolhidos ao longo dos tempos), a desconstruir a estrutura curricular e a produzir normativos e formação em torrentes sobre o que deve ser feito no âmbito da autonomia das escolas, promovendo, assim, o mais hipócrita homicídio, à nascença, dessa mesma autonomia. As fotos que o representam vestido de escuteiro e uns números giros de filosofia Ubuntu e avaliação MAIA dão-lhe a credibilidade com que uma parte da comunidade se contenta. Deus abençoe esses sacristas.
Em penúltima instância, a culpa da situação a que chegámos é de uma oposição política castrada. Em última, é de quem percebe o desatino e se resigna. Afinal, é graças a essa resignação e à cumplicidade ululante dos sacristas do momento que continuaremos a ser esmagados e enxovalhados. A Educação está tão desgraçada que dificilmente alguém a poderá desgraçar ainda mais. António Costa inspirou-se em Tiririca: pior não fica.
In “Público” de 30.3.22
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  • M. Manuel Calvet Ricardo

    Magnifico meu caro amigo.
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  • Executive Business Fish Business fish, a person with a pink fish head wearing a suit and tie, giving a large thumbs up with their right hand and saying good sticker
  • Carla Santos

    Estamos a criar uma geração de analfabetos com “canudo”… É chocante o que se passa nas escolas. Tenho 30 anos de serviço e nunca me senti tão frustrada, tão cansada e tão desiludida com o ensino. Farta de papéis e burocracias, de ter que transitar …

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  • Sónia Fonseca Fernandes

    Não podia concordar mais! Obrigada, Professor. Vou partilhar.
  • Vania Mendes

    Obrigada!
  • João Marôco

    Ai fica, fica,… Estes alunos de “Costa & Costa” começaram a chegar so superior. Alunos de humanidades que preferiram “Espanhol” a “MACS” em uso da flexibilidade, nem uma média conseguem calcular….(“aprenderam essa coisa no básico, mas já nao se lem…

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  • Paulo Serra

    E para pior já basta assim!

SANTANA CASTILHO, MEDIR O QUÊ

Medir o quê e medir para quê?
1. De início falávamos dos atrasos nas aprendizagens, provocados pelas enormes irregularidades verificadas nos dois últimos anos lectivos. Agora falamos dos atrasos no “Plano de Recuperação de Aprendizagens”, provocados pela escassez de professores, mais grave no Algarve e Lisboa e Vale do Tejo, mas já estendida a todo o país. Porque sem professores não se recuperam aprendizagens e sem presente nem futuro na carreira não se atraem professores.
Tendo este quadro por fundo, o Governo entendeu que as condições de aprovação e conclusão do ensino básico se limitariam às classificações internas e que no ensino secundário continuariam as regras que vigoraram nos dois últimos anos: só será necessário realizar os exames às disciplinas específicas para acesso ao ensino superior. Entender a decisão como apropriada às circunstâncias não impede de a considerar como mais uma achega para a diminuição da exigência do sistema de ensino.
2. De 2 deste mês a 22 Abril, em 80 países participantes, decorre a aplicação dos testes PISA, os quais, como é sabido, medem literacias diversas dos alunos com 15 anos de idade. Portugal está envolvido no processo com 12.000 estudantes, pertencentes a 231 escolas.
A qualidade psicométrica deste programa tem sido criticada, sob ângulos diversos, ao longo dos tempos. Ainda recentemente, António Teodoro (Critical Perspectives On PISA As A Means Of Global Governance) lhe apontou problemas metodológicos, incoerências e limitações, afirmando mesmo ser um erro crasso calibrar políticas pelo PISA. Com efeito, alinhar acções educativas com estratégias assentes na teoria do capital humano, mais do que inadequado, é redutor para o desenvolvimento dos jovens e obriga-nos a formular a pergunta: o que devemos esperar da Educação? Que forme homens completos ou competidores económicos?
A tendência da OCDE para estabelecer uma tessitura entre a missão da escola e o interesse da economia tem promovido a aquisição de competências instrumentais mais do que a aquisição do conhecimento. Só que a Educação é arte de pessoas e o seu objectivo é formar pessoas, que não objectos produtores de lucro. Mais do que mundializar os interesses económicos, deve a Educação mundializar os direitos fundamentais da pessoa humana.
3. Quatro conceituados autores da economia da educação, numa meta-análise de dados de 164 países (Measuring Human Capital Using Global Learning Data, 2021, Nature, Vol. 592) referem que ao aumento generalizado do tempo de escolaridade tem correspondido um crescimento baixo ou mesmo nulo das aprendizagens dos alunos. Reportando-se a dados de 2000 a 2017, dizem os autores que esses dados mostram um fraco progresso no que se aprende, ou seja, os alunos estão na escola, mas aprendem muito pouco. Ora é por aqui que fomos e continuaremos com os governos de António Costa, suprimindo a avaliação séria, manipulando resultados escolares e promovendo narrativas pedagógicas já derrotadas no passado como inovações do terceiro milénio.
O nosso sistema de ensino continuará pressionado com o aumento de temas que devem integrar as aprendizagens. Um a um, é fácil defender com argumentos a pertinência desses temas. Vistos em conjunto, abalroam duas variáveis inultrapassáveis: o número de horas lectivas disponíveis e os limites de assimilação por parte dos alunos.
A organização do ensino apelará cada vez mais para a dimensão controladora e cada vez menos para as dimensões reflexiva, colaborativa, afectiva e relacional. Particularmente com a ênfase dada à chamada digitalização da educação, o ensino institucional tenderá para o rapidamente feito, substituindo o desenvolvimento de pessoas inteiras pelo desenvolvimento de autómatos.
Tudo porque há quem não entenda que se Frank Lloyd Wright tivesse vivido no mato, nunca teria projectado o que projectou, ainda que, concedo, a sua cubata pudesse superar a dos vizinhos.
In “Público” de 16.3.22
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  • António Manuel Borralho

    Quando se considera que o rigor e avaliação séria apenas se consegue com exames é a maior desconsideração relativamente ao trabalho dos professores aqueles que, diariamente, estao nas salas de aula com os alunos e que mais sabem sobre as aprendizagens dos mesmos.

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