insucesso do prosucesso

«NÃO HOUVE SUCESSO COM O PROSUCESSO»
É uma das frases que podemos ler na edição de hoje do Açoriano Oriental, integrada no Relatório da Avaliação Externa do ProSucesso. Embora seja um crítico acérrimo deste documento e de grande parte das medidas e/ou projetos lá inscritos, desde a sua discussão pública em 2015, penso que ninguém na Região poderá estar satisfeito com as conclusões que nos são apresentadas por este relatório, elaborado pela UAç.
A verdade é que perdemos muito tempo e gastámos muito dinheiro, sem que as tão almejadas metas – as intermédias – tenham sido amplamente alcançadas, pelo menos com a seriedade que se impõe! E não se perspetiva, também, que as finais venham a sê-lo. Atendo-me à realidade que conheço e com a qual trabalho há muitos anos de forma séria e exigente, não se alavancou coisa nenhuma, pelo contrário. Aos motivos de preocupação à data, aditam-se agora outros, fruto, sobretudo, da permissividade e um certo facilitismo subjacentes a algumas das medidas e/ou projetos descritos naquele malogrado programa, muitos daqueles adotados em diferentes Unidades Orgânicas. Pelo contrário, outros que até se revelaram de grande valia, foram, paradoxalmente, desaparecendo à medida que os bons resultados iam surgindo. Lembro-me, por exemplo, do “Crédito Horário” atribuído a algumas áreas curriculares disciplinares, e que tanto contribuía para a consolidação efetiva de conhecimentos e desenvolvimento de competências.
“Uma manta de retalhos”, assim se referiu a nova Secretária de Educação aos projetos integrados neste ProSucesso. Não que se revista de grande novidade para quem olha e pensa a Escola, mas, após a leitura da informação veiculada hoje, o sentimento que perpassa é a desilusão. Não obstante, considerando que os atores que tutelam a Educação são agora outros, e que estarão verdadeiramente preocupados com as aprendizagens e competências dos alunos, oxalá não se perca aqui mais uma oportunidade de se valorizar a Escola e a Educação nos Açores. Tomara que se vislumbre, de uma vez por todas, a direção do foco das medidas a implementar. Creio que fica agora mais claro que o problema nunca esteve em Conselhos Executivos e, muito menos, nos professores ou na qualidade da sua docência. A verdade é que, dos elencados no Prosucesso, os Eixos de Ação onde, realmente, se viu empenho e trabalho foram o da «promoção do desenvolvimento profissional dos docentes», e o «foco na qualidade das aprendizagens dos alunos», o que é o mesmo que dizer que os professores foram os únicos comprometidos com «a redução da taxa de abandono precoce da educação e da formação» e com «o aumento do sucesso escolar em todos os níveis e ciclos de ensino, em sintonia com a Estratégia Europeia para a Educação e Formação, Europa 2020».
Reitero o que pensava há seis anos, por altura da discussão pública deste documento: “Há que criar oportunidades para que os alunos possam ultrapassar as suas dificuldades, há que investir no garante de horas docentes para o devido acompanhamento aos alunos em dificuldades. Há que perceber que só se melhora treinando. Há que perceber que a escola não pode ser um espaço de recreio constante, nem de ocupação de tempos livres.”, assim como há que incentivar e premiar o esforço e o empenho. Há que perceber ainda que, embora os recursos sejam limitados, os fundos canalizados para a educação terão de ser encarados como investimento e nunca como despesa.
Como em Governos anteriores, voltou a pedir-se, muito recentemente, um pacto de regime em torno da Educação. Embora tenha sérias dificuldades em crer neste tipo de acordos, considerando que os próprios políticos envolvidos dificilmente se alinham em alguma matéria, estou expectante que desta vez sejam ouvidos, com atenção, aqueles que trabalham todos os dias com os alunos e que, com eles, vão tentando conquistar um futuro promissor e de verdadeiro sucesso pessoal e profissional.
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“É gritante”. Críticas às medidas adotadas nas escolas (e o que se faz noutros países) – ZAP

Com o arranque do novo ano letivo em Portugal, que volta a ser presencial, há muitas críticas relativamente às medidas adotadas nas escolas.

Source: “É gritante”. Críticas às medidas adotadas nas escolas (e o que se faz noutros países) – ZAP

AÇORES FALTAM PROFESSORES

Após 1 mês desde o início do ano lectivo 21-22, a minha filha e restante turma continua sem 1 única aula de História e TIC na ESAQ. Não teve qualquer conteúdo leccionado, não tem substituição e não existem soluções. Se por si próprio o tema já é preocupante, agrava o facto da disciplina História ser semestral, ou seja, a partir de Janeiro a turma transita para a disciplina de Geografia. Por este ritmo toda a turma está em risco de não ter 1 aula de História este ano lectivo! Passou 1 mês… e restam 2 para acabar. Vão fazer como?? Talvez sobrecarregar o horário mais tarde para “correr atrás do prejuízo”? Ou em vez de leccionar a disciplina no devido ritmo de aprendizagem… a turma terá de “engolir” uma matéria já de si própria “pesada e de menor interesse para os jovens”? Uma disciplina com conteúdos previstos para 3 meses em que 1 mês já passou. É uma vergonha e preocupante. Assim como também o é em relação à disciplina TIC.
Infelizmente o mesmo acontece com a minha outra filha na Roberto Ivens. O mesmo mês lectivo já passou. Um momento especial para ela que transitou da primária. Está entusiasmada com toda a novidade de escola e em especial para ter aulas de Português!!! Somente a disciplina da sua língua materna. Por infortúnio a professora teve um imprevisto, que ficou impedida de leccionar por X tempo. Entretanto passou 1 mês deste tempo em que a escola com imensas dificuldades vai conseguindo arranjar por algumas vezes substituição. De de nada serve! Pois a substituição é só de corpo presente. Serve a aula de Português para pintar, falar, conversar, … Zero de conteúdos lectivos. Quem por vezes substitui diz aos alunos que não vai dar matéria por não ser esta a sua função para com a turma.
Portanto Senhores governantes, secretários(as) da tutela, responsáveis e directores dos polos de ensino e todos os demais… É isso que consideram um ensino bom e justo? É com isso que vêm para a comunicação social bater no peito que o ano lectivo arrancou a 100%… Uma mentira preocupante! 1 mês passou. Aqui relatei os problemas de 2 turmas diferenciadas e em escolas diferentes. Muitas mais devem existir por esta região. Portanto muito longe de um arranque de ano lectivo “cor de rosa”. Ao menos quando era rosa o caos era muito menos laranja!
O problema não é das escolas ou propriamente dos professores. É um problema de sistema, de falta de preparação do órgão que tutela a educação, que ano após ano tem a novela das colocações, da burocracia de contratos, da falta de autonomia das respectivas instituições para resolverem os problemas,…
E com isso… 1 mês passou e a preocupação agrava-se. O ritmo de aprendizagem e a respectiva qualidade está em causa. Depois vêm falar do insucesso escolar, de alunos pouco preparados ou motivados. — feeling concerned.
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  • Chiara Bosisio

    As pessoas não querem admitir que só é com o dinheiro que tudo se resolve.
    É assim em cada lado do mundo
    É injusto mas é real e vale para qualquer assunto: consultas médicas (paga e serás atendido primeiro), tutela dos direitos (paga um advogado e ju…

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Retorno ao livro único e nacionalização das crianças de três anos?

Retorno ao livro único e nacionalização das crianças de três anos?
O homem que apoiou a criação de estruturas salazaristas de controlo do pensamento e da informação e iniciativas de supervisão moral da sociedade teve a deselegância de dizer a um deputado que não o autorizava a fazer juízos morais a seu respeito, porque o deputado não o conhecia de lado nenhum. O feudalismo deste raciocínio indigna qualquer cidadão livre e torna necessário lembrar a António Costa que toda a gente o conhece, e demasiadas vezes pelas piores razões.
António Costa reagiu à intervenção de Coelho Lima com a arrogância de quem não tolera que o contestem. Com a irritabilidade à flor da pele, tentou mostrar que, a quem manda, não se fazem perguntas incómodas. Porque não preciso da autorização dele para o considerar empenhado em impor chavões ideológicos sem fundamentação, endereço-lhe as perguntas em título e passo aos argumentos que as sustentam.
1. O Plano de Recuperação e Resiliência prevê gastar 73,5 milhões de euros para produzir recursos educativos digitais para todas as disciplinas do básico e secundário. Sucede que esses recursos já existem, para a maioria delas. É o que se retira da execução do Projeto-Piloto de Desmaterialização de Manuais Escolares (24 instituições, 187 turmas e 3755 alunos), coordenado pela Direção-Geral da Educação, com forte envolvimento dos grupos editoriais que, de há muito, vêm produzindo manuais e outros recursos digitais, de reconhecida qualidade. Com efeito, no quadro da monitorização do programa, designadamente na experiência que o próprio ME promoveu em nove escolas, em 2020/21, com manuais digitais já existentes, não vi reportada qualquer falta de recursos, que não a falta de meios informáticos (computadores e acesso à Net). Acresce que a Região Autónoma da Madeira já vai no terceiro ano de utilização total de manuais digitais (todos os alunos do 5º ano em 2019/20, todos os do 5º e 6º em 2020/21 e todos os do 5º, 6º e 7º anos em 2021/22) e também não identificou qualquer falta de recursos, assim como vários colégios com uso 100% digital. Qual é a ideia? Secar a edição privada e impor uma plataforma única, do Estado?
2. O Governo anunciou a intenção de tornar obrigatória a escolaridade a partir dos três anos. Se a medida colher, estaremos a estender ao pré- escolar o seu desígnio para a escola pública: ser um simples depósito de alunos durante o tempo de trabalho dos pais. Se a medida colher, estaremos a implodir a natureza intrínseca do pré-escolar, porque o sistema cederá, definitivamente, à pressão que já se verifica para antecipar aprendizagens formais, reguladas e tipificadas. Ora o aspecto mais importante da educação pré-escolar não é a preparação das crianças para os programas de ensino que as esperam no básico. É antes um tempo e um espaço para crescerem naturalmente, brincando, adquirirem capacidades neuro-motoras e sociais, envolvendo-se em actividades sensoriais, reguladoras de emoções, tanto mais relevantes quanto cada vez é mais escasso o tempo em que interagem com a respectiva família. Essas capacidades têm um valor intrínseco, por si só e para tudo o que virão a ser as crianças, bem mais importante que qualquer intencionalidade preparatória do ensino formal.
É desejável criar condições para que as cerca de 18 mil crianças, que estão fora do pré-escolar, o possam integrar? Obviamente que sim. Mas sem tornar isso obrigatório e com fundamento pedagógico, que não por razões assistencialistas.
Combate-se a pobreza apoiando as famílias, mas não retirando coercivamente os filhos às famílias. Dito de outro modo: o combate à pobreza e o apoio às famílias e à natalidade são vitais e necessários. Mas o direito das crianças ao desenvolvimento próprio de cada fase do seu crescimento não pode ser subalternizado em nome desse combate e desses apoios. As famílias devem ter a última palavra sobre os cuidados que preferem (ou podem) dar aos filhos. O Estado deve criar os recursos para acolher todos os que não permanecerem no seio da família. E, neste caso, falamos de todos, que não apenas a partir dos três anos. Ou estamos a fingir que ignoramos a insuficiência da rede pública de creches, situação dramática para os pais que trabalham e não podem pagar o acolhimento dos filhos na rede privada?
In “Público” de 13.10.21
You, Maria João Ruivo, Joao Paulo Esperanca and 121 others
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um cacifo dormitório para os professores

O “pressôre” sai de casa às 8h00 da manhã, dirige-se à viatura, aponta o comando da chave à viatura, a viatura abre com o habitual “piiii… piiii”, entra na viatura, coloca a chave na ignição, dá à chave e… “ploc”. ” Ó gaita, agora o carro não pega. Deu-lhe o badagaio.”
Resultado: morte da bateria.
Cabos para aqui e para acolá, com a ajuda dos vizinhos lá consegui por o bolinhas a trabalhar e toca de abrir caminho para a oficina mais próxima. Antes disso, ainda a preocupação de ligar para a escola a avisar que iria chegar atrasado e que, por favor, avisassem as iluminações, não fossem elas pensar que eu já estava farto de as aturar.
Oficina automóvel. Bateria nova. Primeiro assalto do dia.
Vai o “pressôre” a correr para a escola, justifica a falta ao primeiro tempo, e o resto da manhã decorre com a normalidade possível.
Almoço à pressa, dois dedos de conversa com os colegas do costume e trata-se de despachar a última aula do dia.
Volto a pegar na viatura, toda feliz com os volts a correrem-lhe pelas “veias”, olho para o ponteiro da gasolina e penso “Ups, é melhor tratar de alimentar o bolinhas.” Dirijo-me à bomba de gasolina mais próxima e… Segundo assalto do dia.
Conclusão, qualquer dia tenho de me sustentar a pão e água para poder abastecer o carro com “ouro” na esperança que me leve ao trabalho. Ah e tal, porque não vais a pé ou de bicicleta?
Não é por falta de vontade, juro… quer dizer, às vezes, mas teria de sair de casa uns dois dias antes para percorrer os 80 km que me separam da escola (se calhar 3 dias antes, visto que há umas subidas muito íngremes pelo caminho) e passar as noites na escola, enfiado num cacifo na sala de professores, para que o alarme não disparasse.
Ora aí está uma bela ideia. Um cacifo dormitório para todos os professores deslocados na sala de professores.
Fica a dica!
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PORTUGAL E O ABANDONO ESCOLAR,

No photo description available.
Escreveu o Paulo Fonseca e eu assino por baixo:
“…aqui está o verdadeiro esforço!!!…esta imagem deveria estar à porta de todas as nossas escolas…para os meninos pouco trabalhadores conseguirem alcançar o que é esforço e vontade…e mais não digo!”
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Escola de Formação Turística e Hoteleira dos Açores aumenta vagas em 600% – Jornal Açores 9

“Esta nova geração de cursos visa colocar no mercado de trabalho, apenas através da Escola de Formação Turística e Hoteleira, cerca de 300 profissionais na área do Turismo por ano, o que representa um aumento anual de mais de 600%”, afirmou o secretário regional da Juventude, Qualificação e Emprego, Duarte Freitas, citado numa nota de […]

Source: Escola de Formação Turística e Hoteleira dos Açores aumenta vagas em 600% – Jornal Açores 9

Governo dos Açores atribui bolsa de estudo e apoio a propinas a alunos do Ensino Superior – Açoriano Oriental

O Governo Regional dos Açores vai atribuir, a partir deste ano, bolsas de estudo a alunos do ensino superior carenciados e um apoio ao pagamento de propinas, anunciou o vice-presidente do executivo, Artur Lima.

Source: Governo dos Açores atribui bolsa de estudo e apoio a propinas a alunos do Ensino Superior – Açoriano Oriental

Governo dos Açores atribui bolsa de estudo e apoio a propinas a alunos do Ensino Superior – Jornal Açores 9

“Queremos que os nossos jovens tenham condições necessárias para poderem, pelo seu mérito, trabalho e dedicação, qualificarem-se na universidade e poderem regressar à sua ilha. É uma questão de justiça social”, avançou, em conferência de imprensa, o vice-presidente do Governo Regional (da coligação PSD/CDS-PP/PPM), que tutela a área da Solidariedade Social. Os dois incentivos, que […]

Source: Governo dos Açores atribui bolsa de estudo e apoio a propinas a alunos do Ensino Superior – Jornal Açores 9